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Análise espacial do consumo de álcool em Araraquara-SP

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Academic year: 2017

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Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara

Doutorado em Alimentos e Nutrição Área Ciências Nutricionais

ANÁLISE ESPACIAL DO CONSUMO DE ÁLCOOL EM ARARAQUARA - SP

Aluna: Priscila Milene Angelo Sanches Orientadora: Profa. Dra. Juliana Alvares Duarte Bonini Campos

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Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara

Doutorado em Alimentos e Nutrição Área Ciências Nutricionais

ANÁLISE ESPACIAL DO CONSUMO DE ÁLCOOL EM ARARAQUARA - SP

Trabalho apresentado ao Programa de Pós-graduação em Alimentos e Nutrição, Área de Ciências Nutricionais, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara – UNESP, como requisito para obtenção do Título de Doutor.

Aluna: Priscila Milene Angelo Sanches Orientadora: Profa. Dra. Juliana Alvares Duarte Bonini Campos

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Ficha Catalográfica

Elaborada pelo Serviço Técnico de Biblioteca e Documentação Faculdade de Ciências Farmacêuticas

UNESP – Campus de Araraquara

Sanches, Priscila Milene Angelo

S211a Análise espacial do alcoolismo de álcool em Araraquara - SP / Priscila Milene Angelo Sanches. – Araraquara, 2010.

102 f.

Tese (Doutorado) – Universidade Estadual Paulista. “Júlio de Mesquita Filho”. Faculdade de Ciências Farmacêuticas. Programa de Pós-Graduação em Alimentos e Nutrição

Orientador: Juliana Alvares Duarte Bonini Campos

1. Álcool. 2. Alcoolismo. 3. Saúde pública. 4. AUDIT. I. Campos, Juliana Alvares Duarte Bonini, orient.. II. Título.

(4)

Aos meus pais, Francisco e Josefa, por me apoiarem incondicionalmente...

Ao meu esposo, Anderson, pelo amor, carinho, incentivo e compreensão às minhas incansáveis horas de trabalho...

(5)

AGRADECIMENTOS

À Deus, por minhas conquistas, e à minha família pelo apoio irrestrito.

À minha orientadora, Profa. Dra. Juliana, pelo acolhimento na pós-graduação

e por toda paciência, ensinamentos e apoio disponibilizado durante estes anos de

convivência.

À Secretaria Municipal de Educação de Araraquara, pela autorização para

execução do projeto.

Aos estudantes, aos seus responsáveis e à Direção das escolas, pela

participação, sem eles não seria possível a execução deste estudo.

À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), pela

concessão de apoio financeiro para a realização desta pesquisa.

Ao Prof. Dr. Edson Augusto Melanda, pela importante participação na

realização da análise espacial.

Aos docentes e funcionários do Programa de Pós-Graduação em Alimentos e

Nutrição da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, pelos conhecimentos e por

sempre me atenderam prontamente.

À minha amiga e companheira Fernanda, por todo apoio, dedicação e auxílio

na coleta de dados.

Às amigas de pós-graduação, Maria Claudia, Priscila e Luciana, que com

lealdade estiveram ao meu lado.

À minha amiga querida Patrícia, que sempre me apoiou e me incentivou nos

momentos difíceis desta caminhada.

À todos que direta ou indiretamente possibilitaram a realização deste estudo,

(6)

RESUMO

Considerando a importância do diagnóstico precoce do alcoolismo para implementação de políticas públicas voltadas para sua prevenção e tratamento, realizou-se este estudo composto por três capítulos. O Capítulo 1 apresenta uma revisão de literatura, a fim de descrever a aplicação do geoprocessamento em saúde no Brasil. O Capítulo 2 avaliou espacialmente o risco de desenvolvimento de alcoolismo. Participaram do estudo 1.710 indivíduos adultos moradores de Araraquara, com média de idade de 43,78+15,83 anos, sendo 50,00% do sexo masculino, que responderam ao Teste de identificação de transtornos devido ao uso de álcool (AUDIT). Dos entrevistados, 18,42% foram classificados como apresentando risco de alcoolismo. Observou-se probabilidade de alcoolismo maior em homens (OR=5,04, IC95%:3,68-6,91), tabagistas (OR=2,15, IC95%:1,53-3,02) e

trabalhadores (OR=1,47, IC95%:1,11-1,96) e risco semelhante segundo religião

(OR=0,75, IC95%:0,52-1,10), nível econômico (OR=1,27, IC95%:0,98-1,65) e excesso

de peso (OR=0,85, IC95%:0,65-1,11). No semivariograma experimental observou-se

que a probabilidade de ocorrência de alcoolismo não apresentou dependência espacial. O Capítulo 3 avaliou a prevalência de alcoolismo e sua distribuição espacial em adolescentes do ensino médio de Araraquara (SP). Participaram 1.837 adolescentes. Entre os entrevistados, observou-se alta prevalência de consumo de bebidas alcoólicas pelos adolescentes, tanto do sexo masculino (46,27%; IC95%:42,80- 49,75) quanto feminino (49,04%; IC95%:46,01- 52,07). A probabilidade

do comportamento de beber de risco foi aproximadamente 2 vezes maior em adolescentes do sexo masculino (IC95%:1,42-3,00), 1,8 vezes maior para os

adolescentes que os pais consomem bebidas alcoólicas (IC95%:1,16-2,69) e 2,3

vezes maior em adolescentes que têm relacionamento regular/ruim com a mãe (IC95%:1,26-4,26) e a religião atuou como fator de proteção (IC95%:0,42-0,93).

Observou-se inexistência de dependência espacial para a probabilidade de ocorrência de alcoolismo. Conclui-se que a probabilidade de ocorrência de alcoolismo em adultos e adolescentes moradores de Araraquara está associada ao comportamento de beber de risco e suas características sócio-demográficas, no entanto, esta associação independe da localização geográfica dos indivíduos.

(7)

ABSTRACT

This study, composed by three chapters, was performed considering the importance of the early diagnostic of alcoholism to the implementation of public policies focused on its prevention and treatment. Chapter 1 presents a literature review, in order to describe the application of geoprocessing in the Brazilian health. Chapter 2 has spatially evaluated the risk of alcoholism development. 1,710 adults living in Araraquara, with an average age of 43.78+15.83 years old, 50% being male, have participated in the study by answering the AUDIT test (Alcohol use disorders identification test). From those interviewed, 18.42% were classified as presenting risk of alcoholism. It was possible to observe that the probability of alcoholism was greater in men (OR=5.04, CI95%:3.68-6.91), smokers (OR=2.15, CI95%:1.53-3.02) and

workers (OR=1.47, CI95%:1.11-1.96). There was a similar risk according to religion

(OR=0.75, CI95%:0.52-1.10), economic level (OR=1.27, CI95%:0.98-1.65) and

overweight (OR=0.85, CI95%:0.65-1.11). The experimental semivariogram indicated

that the probability of alcoholism occurrence did not present spatial dependence. Chapter 3 evaluated the prevalence of alcoholism and its spatial distribution in high school teenagers from Araraquara (SP). 1,837 teenagers have participated in the study. It was possible to observe a high prevalence of alcoholic drinks consumption by teenagers, either male (46.27%; IC95%:42.80-49.75) or female (49.04%;

IC95%:46.01-52.07). The risk probability of drinking was approximately 2 times greater

in male teenagers (CI95%:1.42-3.00), 1.8 times greater for teenagers whose parents

consume alcoholic drinks (CI95%:1.16-2.69), and 2.3 three times greater in teenagers

who have a regular/bad relationship with their mother (CI95%:1.26-4.26). The religion

has acted as a protection factor (CI95%:0.42-0.93). It was not possible to observe

spatial dependence to the probability of alcoholism occurrence. In conclusion, the probability of alcoholism occurrence in adults and teenagers living in Araraquara is related to the risk behavior of drinking and to its social-demographic characteristics. However, this association does not depend on the geographic location of the individuals participating in this study.

(8)

LISTA DE FIGURAS

CAPÍTULO 2

Figura 1. Distribuição espacial dos participantes. Araraquara, 2007... 36

Figura 2. Semivariograma experimental para a probabilidade de

desenvolvimento de alcoolismo. Araraquara, 2007... 37

CAPÍTULO 3

Figura 1. Distribuição espacial de todos os participantes do estudo (A) e dos

participantes que consumiam bebidas alcoólicas (B). Araraquara, 2009. ... 57

Figura 2. Semiraviograma experimental para a probabilidade de

desenvolvimento de alcoolismo. Araraquara, 2009... 58

Figura 3. Mapa de significância da associação espacial, LISA Map para o

desenvolvimento de alcoolismo em adolescentes, considerando α = 0,05.

(9)

LISTA DE TABELAS

CAPÍTULO 2

Tabela 1. Análise de regressão logística múltipla das variáveis relacionadas à

probabilidade de desenvolvimento de alcoolismo. Araraquara, 2007 . ... 35

CAPÍTULO 3

Tabela 1. Distribuição dos adolescentes segundo as respostas do AUDIT.

Araraquara, 2009. ... 52

Tabela 2. Classificação do consumo de álcool por ponto e por intervalo de

95% de confiança (IC95%) segundo proposta de Babor et al. (2001),

Araraquara, 2009. ... 53

Tabela 3. Padrão de consumo de bebidas alcoólicas segundo as variáveis

sócio-demográficas de interesse. Araraquara, 2009. ... 55

Tabela 4. Análise de regressão logística múltipla das variáveis relacionadas à

probabilidade de desenvolvimento de alcoolismo entre os adolescentes.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...009

OBJETIVOS...012

CAPÍTULO 1 - Geoprocessamento como ferramenta de Saúde no Brasil ...014

CAPÍTULO 2 - Análise espacial do alcoolismo em Araraquara (SP) ...026

CAPÍTULO 3 - Análise espacial do uso de álcool entre estudantes do ensino médio de Araraquara (SP) ...044

CONSIDERAÇÕES FINAIS ...067

REFERÊNCIAS ...070

(11)
(12)

INTRODUÇÃO

O consumo de bebidas alcoólicas é um comportamento adaptado à maioria

das culturas, de forma que seu uso é associado com celebrações, situações de

negócios e sociais, cerimônias religiosas e eventos culturais. Por outro lado, seu uso

excessivo é considerado um grave problema de saúde pública, por causar danos

físicos e mentais ao indivíduo (LARANJEIRA et al., 2007).

A Organização Mundial de Saúde aponta o álcool como a substância

psicoativa mais consumida no mundo e estima que aproximadamente 2 bilhões de

pessoas consomem bebidas alcoólicas (WHO, 2004). No Brasil, de acordo com

Carlini et al. (2007), o álcool também é a droga mais consumida em diferentes faixas

etárias.

Laranjeira et al. (2007) realizaram um estudo inédito com a população

brasileira, o I Levantamento Nacional, que retrata os padrões de consumo de álcool

no Brasil. A partir dos dados obtidos nos anos de 2005 e 2006, pode-se observar

que 52% dos brasileiros são consumidores de bebidas alcoólicas e 12% possuem

algum problema relacionado com o álcool (uso nocivo ou dependência).

Diferentes estudos internacionais também revelam o consumo de álcool e as

conseqüências de seu abuso na população, tanto em adultos (OSTERBERG, 2000;

DEMERS et al., 2001; STHARE et al., 2006; TOMKINS et al., 2007; ARDILA;

HERRÁN, 2008; AHNQUIST et al., 2008; KRAUS et al., 2009;

ASSANANGKORNCHAI et al., 2010; LYVERS et al., 2010) quanto em adolescentes

(LÓPEZ et al., 2001; GUILAMO-RAMOS et al., 2005; VAN DER VORST et al., 2006;

SCHOLTE et al., 2008; SANTIS et al., 2009; KRAUS et al., 2010).

Frente ao amplo consumo de bebidas alcoólicas faz-se necessária a

(13)

realidades e para tanto, é imperativo a utilização de ferramentas confiáveis. Outro

aspecto a ser considerado é a relação do espaço com os eventos de saúde. Nesse

sentido, a aplicação de técnicas de mapeamento e geoprocessamento têm sido

utilizadas para viabilizar, de forma eficiente, o mapeamento de doenças e análise de

riscos sócio-ambientais. Sendo assim, o geoprocessamento pode ser uma

ferramenta de suma importância para mapear o consumo de álcool e avaliar seu

risco, o que pode contribuir para o direcionamento de programas de prevenção que

visem à redução de problemas decorrentes do uso do álcool (BARCELLOS;

RAMALHO, 2002; CARVALHO; SOUZA-SANTOS, 2005).

Assim, considerando a importância de estudos de rastreamento para

implementação de políticas públicas voltadas à prevenção e tratamento do

alcoolismo, apresenta-se este estudo, composto por três capítulos que possuem por

objetivo geral estudar áreas de risco e o comportamento de consumo de bebidas

alcoólicas de moradores da cidade de Araraquara (SP), sua distribuição espacial e

associação com características sócio-demográficas.

O primeiro capítulo “Geoprocessamento como ferramenta de Saúde no Brasil”

consta de uma revisão de literatura com o objetivo de apresentar a aplicação do

geoprocessamento na área de Saúde Pública no Brasil.

O segundo capítulo “Análise espacial do alcoolismo em Araraquara (SP)”,

objetivou avaliar espacialmente o risco de desenvolvimento de alcoolismo em

moradores adultos da cidade de Araraquara, SP.

O terceiro capítulo “Análise espacial do uso de álcool entre estudantes do

ensino médio de Araraquara – SP” tem como objetivo estudar o consumo de bebidas

alcoólicas por adolescentes, sua associação com fatores sócio-demográficos e sua

(14)
(15)

OBJETIVOS

O presente estudo tem como objetivo geral estudar áreas de risco e o

comportamento de consumo de bebidas alcoólicas de moradores da cidade de

Araraquara (SP), sua distribuição espacial e associação com características

sócio-demográficas.

Os objetivos específicos deste estudo são:

Ɣ Elaborar revisão de literatura a fim de apresentar a aplicação do

geoprocessamento na área de Saúde Pública no Brasil.

Ɣ Avaliar espacialmente o risco de desenvolvimento de alcoolismo em

moradores adultos de Araraquara, SP.

Ɣ Avaliar espacialmente o risco de desenvolvimento de alcoolismo em

(16)
(17)

Geoprocessamento como ferramenta de Saúde no Brasil

Geoprocessing as a tool of Health in Brazil

PRISCILA MILENE ANGELO SANCHES1 JULIANA ALVARES DUARTE BONINI CAMPOS2

1 Aluna do Curso de Pós-Graduação em Alimentos e Nutrição, nível Doutorado, Faculdade de

Ciências Farmacêuticas de Araraquara, UNESP – Univ Estadual Paulista, Araraquara, SP, Brasil

2 Professora Doutora do Curso de Odontologia, Faculdade de Odontologia de Araraquara,

UNESP – Univ Estadual Paulista, Araraquara, SP, Brasil

AUTORA RESPONSÁVEL: Priscila Milene Angelo Sanches Rua Buritama, 3248 – Eldorado São José do Rio Preto, SP, Brasil. CEP: 15043-350

Tel: (17) 3011-2838/ (17) 9708-2141 e-mail: [email protected]

(18)

Geoprocessamento como ferramenta de Saúde no Brasil

Geoprocessing as a tool of Health in Brazil

RESUMO

O geoprocessamento dos eventos em saúde é utilizado para a análise e avaliação de riscos à saúde, particularmente os relacionados com o meio ambiente e perfil sócio-econômico da população. Para tanto, realizou-se este estudo de revisão de literatura com o objetivo de apresentar a aplicação do geoprocessamento em saúde no Brasil e seus desafios. Foram pesquisadas as bases de dados Bireme, Medline, Pubmed e Periódicos Capes utilizando os termos geoprocessamento, análise espacial, saúde pública e epidemiologia, sem limite de ano

de publicação. No Brasil, o geoprocessamento na área de saúde pública tem se expandido de forma representativa e recentemente a literatura nacional apresenta diversas pesquisas com sua aplicação. O uso das técnicas de geoprocessamento viabiliza modelos de explicação do processo saúde/doença, baseados em variáveis espaciais como distância, vizinhança e inter-relacionamento com dados de caracterização do lugar. Portanto, o geoprocessamento é uma ferramenta valiosa para modelar informações espacialmente referidas em saúde, a fim de permitir uma melhor visualização do contexto em que se verificam fatores determinantes de agravos à saúde.

Palavras-chave: Geoprocessamento, Distribuição Espacial da População, Saúde Pública,

Epidemiologia.

ABSTRACT

The geoprocessing of events in health is used for the analysis and evaluation of risks to the health, particularly those related to the environment and to the social-economic profile of the population. For this reason, this literature review was performed aiming to present the application of geoprocessing in health in Brazil and its challenges. The databases Bireme, Medline, Pubmed and Capes Periodics were researched, and the terms geoprocessing, spatial

analysis, public health and epidemiology, were used without limit of year of publication. The

geoprocessing in the Brazilian public health has been widely expanding and the national literature has been recently presenting several researches about its application. The use of geoprocessing techniques enables models of explanation of the health/disease process based on spatial variables such as distance, neighborhood and interrelationship with place characterization data. Therefore, geoprocessing is a valuable tool to model spatially referred information on health, in order to enable a better view of the context in which determining factors of health problems are verified.

(19)

INTRODUÇÃO

O geoprocessamento pode ser definido como um conjunto de ferramentas necessárias para modelar informações espacialmente referidas e quando aplicado a questões de saúde pública permite o mapeamento de doenças e avaliação de áreas de risco (BARCELLOS; RAMALHO, 2002; SKABA et al., 2004).

De acordo com Barcellos e Machado (1998), o espaço tem sido considerado nos

estudos que relacionam o ambiente com a saúde, tanto como simples plano geométrico para a

disposição de dados epidemiológicos, quanto como uma aproximação para a diferenciação de

condições sociais ou mesmo como uma circunstância de fatores espaciais que induzem risco.

Uma vez que grande parte das variáveis indicadoras de saúde e ambiente são

localizáveis no espaço, o geoprocessamento se impõe como ferramenta de organização e

análise de dados, particularmente por meio de uma de suas vertentes, o Sistema de

Informações Geográficas (SIG) que é um conjunto de ferramentas utilizadas para a

manipulação de informações espacialmente apresentadas, que permite o mapeamento das

doenças e contribui na estruturação e análise de riscos sócio-ambientais (RICHARDS et al.,

1999).

Segundo Hino et al. (2006), os métodos de análise espacial podem ser divididos em

três categorias, sendo visualização, análise exploratória e modelagem. A visualização é usada

principalmente para apresentar os eventos de saúde e seus padrões, apontando a distribuição

das variáveis de interesse específico. A análise exploratória é utilizada para descrever os

padrões espaciais e relações entre mapas, enquanto a modelagem testa formalmente uma

hipótese ou estima relações.

Na área de saúde pública o uso do geoprocessamento é recente, principalmente no

(20)

Devido, principalmente, pelo amplo acesso a bases de dados epidemiológicos e pela

disponibilização de ferramentas cartográficas e estatísticas computadorizadas (CARVALHO;

SOUZA-SANTOS, 2005).

Assim, realizou-se este estudo de revisão de literatura com o objetivo de apresentar a aplicação do geoprocessamento no Brasil e seus desafios na área de Saúde Pública.

MATERIAL E MÉTODOS

Foi realizada pesquisa bibliográfica utilizando os descritores geoprocessamento,

análise espacial, saúde pública e epidemiologia, em português e inglês nas bases de dados

Bireme, Medline, Pubmed e periódicos Capes, sem limite de ano de publicação.

APLICAÇÃO DO GEOPROCESSAMENTO EM SAÚDE PÚBLICA

As relações entre o ambiente e a saúde têm sido estudadas desde a antiguidade. O

crescente uso do geoprocessamento na área da saúde, segundo Bailey (2001), tem aumentado

a capacidade de formular e avaliar hipóteses sobre a distribuição espacial dos eventos de

saúde, principalmente por meio da confecção de mapas temáticos.

Na literatura internacional, há mais de duas décadas, periódicos especializados em estatística têm apresentado estudos sobre as aplicações das técnicas de geoprocessamento em saúde, à exemplo pode-se citar o American Journal of Epidemiology, Journal of Statistical

Society e Statistics in Medicine.

Recentemente, a literatura nacional vem apresentando pesquisas de aplicação de

geoprocessamento na saúde e epidemiologia. São estudos sobre perfil de nascimentos

(21)

neonatal e infantil (SHIMAKURA et al., 2001; NASCIMENTO et al., 2007), morbidade e

mortalidade (SANTOS; NORONHA, 2001; MELO; CARVALHO; TRAVASSOS, 2006),

tuberculose (HINO et al., 2006), hanseníase (LAPA et al., 2001), agravos respiratórios

(CHIESA; WESTPHAL; KASHIWAGI, 2002), HIV/AIDS (REIS et al., 2008), cárie dental e

estado nutricional (FOSCHINI, 2009), dengue (LAGROTTA; SILVA; SOUZA-SANTOS,

2008; HONÓRIO et al., 2009; BARBOSA; LOURENÇO, 2010) e malária (MENEGUZZI et

al., 2009).

No estudo realizado por D’Orsi e Carvalho (1998) para avaliar o perfil de nascimentos

no município do Rio de Janeiro (RJ), a fim de identificar espacialmente áreas com

características específicas, pode-se verificar que as variáveis de nascidos vivos com Apgar

entre oito e dez, de cesáreas, de mães com escolaridade acima de segundo grau e de mães

adolescentes apresentaram padrão espacial visualmente identificável e auto-correlação

espacial significativa. No entanto, o baixo peso apresentou padrão espacial aleatório,

demonstrando que, este indicador não discriminou, neste estudo, grupos de risco, apesar do

seu inquestionável valor preditivo para morbi-mortalidade infantil em nível individual.

Lapa et al. (2001) analisaram a ocorrência de casos de hanseníase no município de

Olinda (PE), durante o período de 1991 a 1996, segundo sua distribuição espacial,

correlacionando-a às condições de vida da população, visando subsidiar novas estratégias de

intervenção. Os resultados do estudo indicaram que a distribuição espacial heterogênea da

hanseníase em Olinda não é aleatória, identificando um padrão de agregação no espaço

associado à renda da população.

As relações espaciais entre os padrões de mortalidade dos moradores da cidade do Rio

de Janeiro (RJ), no período de 1996 a 1998, foram estudadas por Santos e Noronha (2001).

Mediante os achados, os tipos de mortalidade que apresentaram maiores diferenças entre os

(22)

definidas e por causas extremas, no entanto, o padrão espacial dos estratos sócio-econômicos

retratou as diversas condições de vida dos moradores implicando em padrões de mortalidade

específicos, de forma que os estratos sócio-economicamente mais favorecidos apresentaram

um perfil de baixa mortalidade para todas as causas.

O estudo realizado por Shimakura et al. (2001) analisou a distribuição espacial de

casos de mortalidade infantil comparados a controles de nascidos vivos da cidade de Porto

Alegre (RS), sendo que a aplicação do método aos dados de mortalidade infantil mostrou

variação espacial no risco altamente significativa para mortalidade neonatal e não

significativa para mortalidade pós-neonatal.

Para caracterizar as desigualdades sociais que se configuram condições de risco aos

agravos respiratórios em crianças, na região Oeste do município de São Paulo, Chiesa,

Westphal e Kashiwagi (2002) por meio da técnica de geoprocessamento, identificaram grupos

com diferentes carências na região, possibilitando o reconhecimento das condições de risco no

território, para minimizar os agravos respiratórios na infância.

A distribuição espacial da tuberculose foi estudada na cidade de Ribeirão Preto (SP),

no ano de 2002 por Hino et al. (2006). O estudo retratou que os casos de tuberculose se

concentraram na região Noroeste do município, sendo esta área aquela com maior risco de

transmissão da doença. Nesta região encontram-se as favelas e as penitenciárias públicas do

município. Os autores ainda ressaltaram a importância da categoria espaço como alternativa

metodológica para auxiliar no planejamento, monitoramento e avaliação das ações em saúde,

direcionando as intervenções para diminuir as iniqüidades.

Melo, Carvalho e Travassos (2006) ao analisarem a distribuição espacial da

mortalidade por infarto agudo do miocárdio no município do Rio de Janeiro (RJ),

(23)

permitindo assim a possibilidade do redirecionamento de ações de saúde, principalmente em

áreas onde se verifica maior exclusão social.

No estudo realizado por Nascimento et al. (2007) sobre os padrões de distribuição

espacial da mortalidade neonatal durante o período de 1999 a 2001 no Vale do Paraíba

paulista foi identificado aglomerado espacial na porção central Vale do Paraíba, tanto para a

mortalidade neonatal precoce como para a neonatal total. Desta forma, os autores afirmam

que a análise espacial foi importante para identificar padrões de correlação espacial entre

municípios da região, permitindo supor que medidas de intervenção para diminuição destas

taxas, devem ser tomadas globalmente, e não isoladamente, por municípios com altas taxas.

Reis et al. (2008) analisaram o processo de interiorização da epidemia de AIDS e

investigaram o acesso aos serviços em HIV/AIDS, entre 1988-2002, na Zona da Mata, Minas

Gerais. A partir da interiorização da epidemia, Juiz de Fora foi o município com maior

número de casos e provável centro difusor da AIDS na região, sendo que a assistência

hospitalar dos casos de AIDS da Zona da Mata está concentrada nesse município.

Em estudo realizado por Foschini (2009) para estudar a distribuição espacial da

probabilidade de ocorrência de desnutrição e obesidade em pré-escolares do município de

Araraquara (SP), segundo suas características sócio-demográficas, observou-se que a

obesidade apresentou dependência espacial, possibilitando a identificação das regiões central

e norte como sendo as áreas de maior risco do município, viabilizando direcionamento e

planejamento de ações preventivas e intervencionais para as políticas de saúde pública.

Na região do Vale do Paraíba Hau, Nascimento e Tomazini (2009) aplicaram as

técnicas de geoprocessamento para a análise espacial do perfil de nascimentos no ano de 2004

nos 28 municípios pertencentes da região. Os achados mostraram que as proporções de

nascidos vivos de mães com escolaridade acima do primeiro grau e de parto cesáreo,

(24)

significativa, o que permitiu a identificação de aglomerados espaciais para escolaridade e tipo

de parto, possibilitando o direcionamento de ações voltadas para as áreas específicas.

Barbosa e Lourenço (2010) analisaram a relação entre a distribuição espaço-temporal

de casos de dengue e os indicadores larvários no município de Tupã (SP), no período de

janeiro de 2004 a dezembro de 2007. De acordo com os achados do estudo, não foi

evidenciada a relação espacial entre infestação larvária e ocorrência de dengue. No entanto, os

autores afirmam que a incorporação de técnicas de geoprocessamento e análise espacial em

programas de controle da dengue, podem contribuir com ações de controle, indicando os

aglomerados espaciais de maior incidência.

DESAFIOS DO GEOPROCESSAMENTO COMO FERRAMENTA

EM SAÚDE PÚBLICA

Assim como existem diversas maneiras de se conceituar, identificar e quantificar

riscos são vários os usos do geoprocessamento na saúde pública. Desse modo, um desafio

dessa área é o desenvolvimento de métodos específicos para a análise de riscos à saúde. Nesse

sentido, os Sistemas de Informações Geográficas (SIG) têm sido apontados como

instrumentos de integração de dados ambientais com dados de saúde, que permite uma melhor

caracterização e quantificação da exposição e seus possíveis determinantes (CRONER; SPERLING; BROOME, 1996).

Cada vez mais órgãos públicos, instituições de ensino e empresas incorporam o uso do

geoprocessamento em saúde no Brasil, mas ainda há um enorme potencial de crescimento,

pois o país apresenta uma grande carência de informações adequadas para a tomada de

decisões sobre os eventos em saúde (OLIVEIRA JÚNIOR, 2008). No entanto é valido

(25)

suma importância a capacitação de pessoal para a manipulação dessa ferramenta, além de

considerar o alto custo de implantação e das grandes dificuldades na montagem das bases de

dados espaciais (BARCELLOS; RAMALHO, 2002; SKABA et al., 2004).

De acordo com Barcellos e Ramalho (2002) e ainda Carvalho e Souza-Santos (2005),

o geoprocessamento em saúde no Brasil tem como desafios a disponibilização de bases de

dados, tanto para o acesso quanto na qualidade das informações, a liberação dos programas de

forma gratuita, o desenvolvimento tecnológico a partir de ferramentas analíticas e a

capacitação de pessoal na organização e análise de dados espaciais. De modo que, para a

utilização plena do geoprocessamento em saúde se faz necessário a incorporação de

programas, equipamentos, bases de dados e equipe.

CONCLUSÃO

As técnicas de geoprocessamento na saúde pública são ferramentas valiosas para a

análise e avaliação de riscos à saúde, podendo direcionar e/ou subsidiar programas ou

políticas voltadas para a melhoria da saúde a fim de aumentar a eficiência no diagnóstico da

situação de saúde da população e na utilização de recursos públicos com a definição de áreas

prioritárias de atuação.

REFERÊNCIAS

BAILEY, T.C. Spatial statistical methods in health. Cad Saude Publica, v.17, n.5, p.1083-98, 2001.

BARBOSA, G.L.; LOURENCO, R.W. Análise da distribuição espaço-temporal de dengue e da infestação larvária no município de Tupã, Estado de São Paulo. Rev Soc Bras Med Trop,

v.43, n.2, p.145-51, 2010.

(26)

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(28)
(29)

Título do artigo:

ANÁLISE ESPACIAL DO ALCOOLISMO EM ARARAQUARA (SP) SPATIAL ANALYSIS OF THE ALCOHOLISM IN ARARAQUARA (SP)

Título resumido:

ANÁLISE ESPACIAL DO ALCOOLISMO

Autores:

Juliana Alvares Duarte Bonini CamposI Priscila Milene Angelo SanchesII

Angélica de Moraes Maço RubiattiII Edson Augusto MelandaIII

I Departamento de Odontologia Social. Faculdade de Odontologia de Araraquara,

UNESP – Univ Estadual Paulista, Araraquara, SP, Brasil

II Pós-Graduação em Alimentos e Nutrição, Faculdade de Ciências Farmacêuticas de

Araraquara, UNESP – Univ Estadual Paulista, Araraquara, SP, Brasil

III Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal de São Carlos

(UFSCAR). São Carlos, SP, Brasil

Correspondência:

Juliana Alvares Duarte Bonini Campos Rua Humaitá, 1680 - Centro

14801-903, Araraquara, SP, Brazil E-mail: [email protected] Telefone: 55-16-3301-6358 Fax: 55-16-3301-6343

(30)

RESUMO

OBJETIVO: Avaliar espacialmente o risco de desenvolvimento de alcoolismo de moradores da cidade de Araraquara, SP, maiores de 18 anos de idade.

MÉTODOS: Trata-se de estudo observacional do tipo transversal, com delineamento amostral probabilístico estratificado. O tamanho da amostra foi de 1.710 indivíduos. Como instrumento de medida utilizou-se o questionário Alcohol use disorders identification test (AUDIT). Foram realizadas entrevistas por meio de ligações

telefônicas. Para as associações de interesse aplicou-se o teste de qui-quadrado (χ2) e para determinação da probabilidade de desenvolvimento de alcoolismo

realizou-se regressão logística múltipla. Para determinação do referenciamento geográfico das residências dos participantes utilizou-se aparelho receptor de GPS. Para estudo da dependência espacial da probabilidade de ocorrência de alcoolismo na cidade elaborou-se semivariograma experimental.

RESULTADOS: Dos entrevistados, 18,42% foram classificados como apresentando risco de alcoolismo. Observou-se probabilidade de alcoolismo maior em homens (OR=5,04, IC95%=3,68-6,91), tabagistas (OR=2,15, IC95%=1,53-3,02) e trabalhadores

(OR=1,47, IC95%=1,11-1,96) e risco semelhante segundo religião (OR=0,75,

IC95%=0,52-1,10), nível econômico (OR=1,27, IC95%=0,98-1,65) e excesso de peso

(OR=0,85, IC95%=0,65-1,11). No semivariograma experimental observou-se que a

probabilidade de ocorrência de alcoolismo não apresentou dependência espacial.

CONCLUSÕES: A associação do risco de beber com fatores sócio-demográficos merece atenção para o direcionamento de estratégias de prevenção e do combate ao consumo de beber excessivo, entretanto, esta independe da localização geográfica dos indivíduos, uma vez que, observou-se ausência de dependência espacial.

DESCRITORES: Alcoolismo, Epidemiologia, Distribuição espacial da população, Saúde Pública.

ABSTRACT

OBJECTIVE: Perform a spatial evaluation of the development of alcoholism among citizens over 18 years old from Araraquara, São Paulo.

METHODS: It consists of an observational transversal study with stratified probabilistic sample design. The sample included a total of 1,710 people. The questionnaire Alcohol use disorders identification test (AUDIT) was used as a screening tool. Interviews were performed by telephone calls. The chi-square test (χ2) was applied in order to verify the associations of interest, and the multiple logistic

regression was applied to determine the probability of alcoholism development. A GPS was used to determine the geographic referencing of participants’ residences. An experimental semivariogram was elaborated in order to study the spatial dependence of the probability of alcoholism occurrence.

RESULTS: From all people interviewed, 18.42% present risks of alcoholism. The probability of alcoholism was greater in men (OR=5.04, CI95%=3.68-6.91), smokers

(OR=2.15, CI95%=1.53-3.02) and workers (OR=1.47, CI95%=1.11-1.96). There was a

similar risk according to religion (OR=0.75, CI95%=0.52-1.10), economic level

(OR=1.27, CI95%=0.98-1.65) and overweight (OR=0.85, CI95%=0.65-1.11). The

experimental semivariogram indicated that the probability of alcoholism occurrence did not present spatial dependence.

(31)

prevent and fight against the habit of drinking excessively. However, this is independent of the geographic location of people, since we could observe the absence of spatial dependence.

DESCRIPTORS: Alcoholism, Epidemiology, Residence Characteristics, Public Health.

INTRODUÇÃO

O consumo de bebidas alcoólicas e as conseqüências de seu abuso na

população têm sido estudados com a preocupação de detectar precocemente

comportamentos de risco. Assim, são levantadas informações de quantidade,

padrão, freqüência de consumo de bebidas alcoólicas e os principais problemas

enfrentados com os abusos.11

Dois grandes levantamentos brasileiros sobre alcoolismo foram conduzidos

pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas da UNIFESP (CEBRID) nos

anos de 2001 e 2007. No primeiro levantamento a dependência de álcool foi

estimada em 11,2%8 e no segundo em 12,3%15 o que representa grande preocupação. Laranjeira et al18 (2007) ao conduzirem o I Levantamento Nacional encontraram que do total da população 3% faz uso nocivo e 9% é dependente de

bebidas alcoólicas. Por sua magnitude, transcendência e passividade de controle o

alcoolismo é considerado um problema de saúde pública e está entre os dez mais

importantes agravos à saúde no Brasil.

Apesar da grande quantidade de estudos encontrados na literatura sobre o

consumo de bebidas alcoólicas, Galduróz e Caetano14 (2004) apontam a

necessidade de se aumentar a ênfase dada aos estudos epidemiológicos de

consumo de álcool no Brasil, para que se possa ter um diagnóstico mais preciso da

realidade para elaboração de ações e políticas públicas mais resolutivas.

Deve-se considerar que, este tipo de pesquisa, na população, pode facilitar a

(32)

Para tanto, técnicas de geoprocessamento das informações podem ser de grande

valia para localização de áreas de maior risco ao consumo exacerbado de bebidas

alcoólicas.

A aplicação de técnicas de mapeamento e geoprocessamento para pesquisas

e ações de saúde tem sido incentivada e, os Sistemas de Informações Geográficas

(SIG) têm se destacado como ferramentas importantes principalmente nas análises

que envolvem fatores ambientais, epidemiológicos e suas relações espaciais.4,23,24 Assim, tais ferramentas poderão exercer impacto sobre as estratégias de saúde

pública, por serem capazes de envolver avaliação de riscos, análise e controle, além

da prevenção dos eventos ocorridos na saúde humana.9

Para entender a utilização de mapas no campo da epidemiologia no Brasil,

Rojas et al23 (1999) realizaram levantamento e análise de sua utilização, construção e inserção em estudos epidemiológicos. Os resultados mostraram que apenas 11%

dos 1.174 trabalhos avaliados apresentaram mapas sendo que em 51% os mesmos

foram utilizados somente como ilustração (delimitação geográfica), em 28% como

representação de dados (demonstrativo) e em 20% como meio de análise de

eventos de saúde com expressão espacial (analítico).

Assim, concorda-se com Barcellos e Ramalho4 (2002) quando afirmam que nota-se apesar do aumento da utilização de mapas na área da saúde, nos dias

atuais, estes têm sido realizados por poucos Centros de Pesquisa e Secretarias de

Saúde.

Temas como presença de focos de vetores de doença, relação de doenças

com fenômenos físicos como a vegetação e hidrografia, quantificação de agravos

frente à exposição a fontes de emissão de poluentes, associação de mortalidade e

(33)

freqüência.7,16,22 Com relação ao consumo de álcool apenas um estudo12 utilizando

técnicas de geoprocessamento foi encontrado na literatura.

Pelo exposto, desenvolveu-se este estudo com objetivo de estimar o consumo

de bebidas alcoólicas, sua associação com variáveis sócio-demográficas e realizar

análise espacial do risco de desenvolvimento de alcoolismo de moradores da cidade

de Araraquara, SP, maiores de 18 anos de idade.

MATERIAL E MÉTODOS Delineamento Amostral

O delineamento amostral adotado foi o probabilístico estratificado segundo o

número de domicílios dos setores censitários urbanos de Araraquara - SP e sexo.

A seleção dos domicílios nos setores censitários foi realizada de maneira

probabilística a partir dos mapas fornecidos pelo IBGE. Cada quadra, de cada setor,

foi numerada e as faces das quadras identificadas com letras atribuídas em sentido

horário. Utilizando-se uma tabela de números aleatórios as quadras a serem

visitadas foram sorteadas, assim como a face de cada quadra e o domicílio a ser

incluído na amostra.

Considerando que a base cartográfica da cidade não possui codificação

completa de endereço, foram realizadas visitas às ruas correspondentes às faces de

quadra previamente sorteadas para anotação da numeração dos domicílios. De

posse destas informações realizou-se o sorteio do domicílio participante.

Em cada domicílio foi entrevistado apenas um morador, maior de 18 anos de

idade. Cabe esclarecer que foram considerados moradores da casa os indivíduos

(34)

O tamanho da amostra foi estabelecido por meio do processo de amostragem

para população finita sendo estimada em 1.666 indivíduos. Tendo-se admitido um

absenteísmo da ordem de 20%, o tamanho da amostra foi corrigido para 2.083

indivíduos.

O estudo foi conduzido após a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da

Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara da Universidade Estadual

Paulista - UNESP (ANEXO C).

Variáveis de Estudo e Instrumento de Medida

Para identificar o padrão do consumo de álcool foi utilizada a versão em

português do questionário Teste de identificação de transtornos devido ao uso de

álcool (AUDIT), desenvolvida por Méndez1. A classificação dos indivíduos frente ao consumo de bebidas alcoólicas foi realizada segundo proposta de Babor et al2 (2001) em “beber moderado” (0 a 7 pontos), “beber de risco” (8 a 15 pontos), “beber

de alto risco” (16 a 19 pontos) e “possível dependência” (20 a 40 pontos).

Para caracterização da amostra foram levantadas informações de idade,

sexo, estado civil, presença ou não de religião e de atividade laboral, tabagismo,

nível econômico, nível de escolaridade e Índice de Massa Corporal (IMC) que foi

calculado a partir das informações auto-referidas de peso e altura.

O nível econômico e de escolaridade foram classificados segundo escala

proposta pela Associação Brasileira dos Institutos de Pesquisa de Mercado2.

1 Méndez EB. Uma Versão Brasileira do AUDIT (Alcohol Use Disorders Identification Test) 1999. 121

f. Dissertação (Mestrado em Epidemiologia da Saúde Mental) – Faculdade de Medicina, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 1999.

2 Associação Brasileira dos Institutos de Pesquisa de Mercado – Proposição para um novo critério de

(35)

Entrevistas

As entrevistas foram realizadas por meio de ligações telefônicas no ano de

2007, por único examinador, devidamente calibrado em estudo piloto (κ=0,88).

Geoprocessamento

Para determinação do referenciamento geográfico das residências dos

participantes da pesquisa utilizou-se um aparelho receptor GPS modelo eTrex

LegendCx devidamente configurado para o fuso 22, datum SAD 69. A captura

destes pontos foi realizada por um examinador devidamente treinado na utilização

do aparelho.

De posse destas informações, elaborou-se, com auxílio do programa SPRING

4.23, uma base de informações georreferenciadas contendo os dados de localização

das moradias sorteadas bem como as informações sócio-demográficas e a

probabilidade de desenvolvimento de alcoolismo estimada por meio de regressão

logística múltipla. Utilizou-se, como referência, a base cartográfica digital, fornecida

pelo Departamento de Água e Esgoto na escala 1:2000 na projeção SAD69.

Planejamento Estatístico

Caracterização da amostra e estudo de associação

Realizou-se estatística descritiva. A pontuação final obtida no AUDIT permitiu

a classificação dos participantes em dois grupos, beber moderado (G1) e beber de

risco (G2). No G1 foram incluídos os indivíduos abstêmios e aqueles que bebem

moderadamente e no G2 aqueles classificados como comportamento de beber de

risco, alto risco e possível dependência. A partir desta dicotomização realizou-se a

organização e apuração de todas as variáveis de estudo. Para as associações de

(36)

interesse aplicou-se o teste de qui-quadrado (χ2), adotando-se um nível de

significância de 5% para tomada de decisão. As variáveis que apresentaram

significância estatística ou p<0,15 compuseram o modelo de regressão logística

múltipla para estimativa da probabilidade de desenvolvimento de alcoolismo. Estes

dados foram incorporados ao projeto SIG, inicialmente para mapeamento dos pontos

amostrados e em seguida para realização da análise geoestatística.

Geoestatística

Para verificar se a probabilidade de desenvolvimento de alcoolismo é uma

variável do tipo regionalizada, ou seja, se seu valor é influenciado por sua posição

no espaço, elaborou-se semivariograma experimental.

RESULTADOS

Participaram 1.710 indivíduos apontando para uma perda amostral de

18,00%, entretanto, a mesma já esteve prevista e o tamanho mínimo da amostra foi

atingido. A média de idade dos indivíduos foi de 43,78±15,83 anos, sendo 855

(50,00%) do sexo masculino.

A amostra foi composta predominantemente por participantes casados

(62,98%), com renda de 4 a 10 salários mínimos (42,05%), nível de escolaridade

colegial completo ou superior incompleto (37,89%), com religião (89,59%),

trabalhadores (58,95%), que relataram não ser tabagistas (87,43%) e com excesso

de peso (sobrepeso e obesidade) (51,01%).

Segundo a classificação do AUDIT, 368 (21,52%, IC95%=19,57-23,47)

participantes eram abstêmios, 1.027 (60,06%, IC95%=57,74-62,38) apresentaram

(37)

risco, 27 (1,58%, IC95%=0,99-2,17) beber de alto risco e 40 (2,34%, IC95%=1,63-3,05)

apresentaram possível dependência.

Verificou-se associação significativa entre o padrão de consumo de bebida

alcoólica e o sexo (χ2=154,105, p=0,001), nível econômico (χ2=7,469, p=0,024),

religião (χ2=12,360, p=0,001), trabalho (χ2=28,795, p=0,001), tabagismo (χ2=28,486,

p=0,001) e estado nutricional (χ2=9,357, p=0,009), com maior prevalência de beber

de risco para o sexo masculino, entre as classes econômicas com maior renda, sem

religião, trabalhadores, tabagistas e aqueles com excesso de peso.

A Tabela 1 apresenta o modelo de regressão logística multivariada.

Tabela 1. Análise de regressão logística múltipla das variáveis relacionadas à

probabilidade de desenvolvimento de alcoolismo. Araraquara, 2007.

Coeficiente OR IC95% p

Intercepto -2,694

Sexo masculino 1,618 5,045 3,685-6,907 0,001*

Religião -0,281 0,755 0,519-1,100 0,143

Tabagismo 0,764 2,148 1,526-3,023 0,001*

Nível Econômico 0,241 1,273 0,980-1,653 0,070 Excesso de peso -0,159 0,853 0,655-1,112 0,240

Trabalho 0,387 1,472 1,106-1,961 0,008*

Observa-se que a probabilidade de beber de risco foi aproximadamente 5

vezes maior nos indivíduos do sexo masculino (OR=5,045, IC95%=3,685-6,907), 2

vezes maior entre os tabagistas (OR=2,148, IC95%=1,526-3,023) e 1,5 vezes maior

entre os indivíduos que afirmaram trabalhar (OR=1,472, IC95%=1,106-1,961).

Na captação dos pontos de referencial geográfico houve perda de 56

(38)

A distribuição dos participantes segundo sua localização geográfica

encontra-se na Figura 1.

(39)

Nota-se participação de indivíduos residentes na zona urbana na maior parte

do território de Araraquara com exceção apenas dos bairros Jardim Roberto

Selmi-Dei, Jardim Adalberto F. de Oliveira Roxo, Jardim Veneza e Jardim Indaiá,

localizados na região norte da cidade.

Para identificação da existência de dependência espacial da probabilidade de

desenvolvimento de alcoolismo elaborou-se semivariograma experimental (Figura 2).

γ

(m )

γ

(m )

γ

(m )

Figura 2. Semivariograma experimental para a probabilidade de desenvolvimento de

alcoolismo. Araraquara, 2007.

Observou-se que a probabilidade de desenvolvimento de alcoolismo

apresenta efeito pepita puro, ou seja, existe completa ausência de correlação

(40)

agrupamentos, o que aponta que as amostras não podem ser diferenciadas apenas

por sua localização no espaço.

DISCUSSÃO

O presente levantamento foi realizado para obter informações sobre a

dependência espacial da probabilidade de desenvolvimento de alcoolismo na cidade

de Araraquara (SP) com o objetivo de auxiliar no planejamento e avaliação de ações

de saúde.

O uso de desenho transversal, para examinar a relação entre alcoolismo e

seus fatores de risco, pode ser problemático por não permitir conclusões sobre

causalidade. Entretanto, estudos transversais têm grande valor para identificação de

grupos de risco e de suas características que servirão, por sua vez, para sugerir

indagações que poderão ser respondidas por futuros estudos com desenhos mais

sofisticados.9

Entre os aspectos positivos deste estudo pode-se citar o fato de todas as

informações terem sido aferidas por examinador devidamente calibrado, a

amostragem ter sido planejada de maneira probabilística e os pontos de localização

geográfica terem sido obtidos individualmente propiciando o cálculo de risco

individual para posterior análise geoestatística, contribuindo para adequada validade

interna e externa do estudo.

Na Tabela 1 pode-se notar maior probabilidade de desenvolvimento de

alcoolismo em indivíduos do sexo masculino, o que vai ao encontro da

literatura.5,6,8,10,13,15,18

O consumo de risco de álcool foi significativamente maior nos indivíduos

(41)

Entretanto, este fato não é consenso na literatura, Mustonen et al20 (2001)

observaram, na Namíbia, que os indivíduos empregados eram, com maior

freqüência, abstêmios ou consumiam álcool moderadamente. Primo e Stein21 (2004) e Filizola et al13 (2008) encontraram associação não-significativa entre o consumo

abusivo de álcool e a situação laboral.

A probabilidade de desenvolvimento de alcoolismo esteve ainda associada ao

tabagismo, sendo mais freqüente entre os fumantes, corroborando com outros

trabalhos da literatura.17,21

A identificação de áreas de maior risco de desenvolvimento de alcoolismo

representa uma oportunidade para realização e planejamento de ações de controle,

alocação de recursos e preparação de ações preventivo-educativas e curativas.

Entretanto, um levantamento futuro minucioso das condições ambientais, como, por

exemplo, o número e a localização dos pontos de vendas de bebidas alcoólicas na

cidade, deve ser realizado com intuito de estudar sua área de abrangência espacial,

uma vez que, a probabilidade de desenvolvimento de alcoolismo segundo as

variáveis sócio-demográficas estimadas neste estudo por si só não apresentou

dependência espacial.

Ellaway et al12 (2010) ao avaliarem a distribuição dos pontos de venda de álcool na cidade de Glasgow (Escócia), com a aplicação da técnica de

geoprocessamento, não encontraram dependência espacial em relação ao acesso

ao álcool. No entanto, os autores ressaltaram a necessidade de mais pesquisas

sobre o comportamento da compra de álcool na sociedade local.

Considerando que a aplicação de técnicas de geoestatística na área da

saúde, pode ser uma estratégia de análise de risco segundo áreas geográficas e

(42)

considerem a análise espacial dos dados podem agregar importante contribuição.9

Para tanto, faz-se necessária a formação de recursos humanos para planejamento e

utilização de ferramentas de geoprocessamento para estruturação de estudos com

adequado rigor metodológico na área da saúde, o que foi alertado por Liu et al19

(2007) e Souza et al25 (2008).

Em conclusão, verificou-se que a prevalência de beber de risco foi de 18,42%

na população estudada, sendo os homens, tabagistas e trabalhadores os mais

acometidos e a probabilidade de desenvolvimento de alcoolismo não apresentou

dependência espacial.

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CAPÍTULO 3

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ANÁLISE ESPACIAL DO USO DE ÁLCOOL ENTRE ESTUDANTES DO ENSINO MÉDIO DE ARARAQUARA (SP)

SPATIAL ANALYSIS OF ALCOHOL USE AMONG HIGH SCHOOL STUDENTES OF ARARAQUARA (SP)

Priscila Milene Angelo Sanches

Fernanda Pavarina Mattara

Edson Augusto Melanda

Juliana Alvares Duarte Bonini Campos

Resumo

O objetivo desse estudo foi verificar o consumo de bebidas alcoólicas, sua associação com fatores sócio-demográficos e realizar análise espacial do risco de desenvolvimento de alcoolismo entre estudantes do ensino médio na cidade de Araraquara (SP). Trata-se de estudo observacional do tipo transversal, com delineamento amostral probabilístico estratificado. Como instrumento de medida utilizou-se o Teste de identificação de transtornos ao uso de álcool (AUDIT). Realizou-se estatística descritiva. Para a associação entre o “risco de beber” e as variáveis de interesse aplicou-se o teste de qui-quadrado (χ2) e para a determinação

da probabilidade do desenvolvimento do alcoolismo realizou-se a regressão logística múltipla, com nível de significância de 5%. A determinação do referenciamento geográfico das residências foi realizada por aparelho receptor de GPS. Para estudo da dependência espacial da probabilidade de ocorrência do alcoolismo entre os adolescentes na cidade elaborou-se semivariograma experimental. Participaram 1.837 estudantes matriculados em escolas públicas com média de idade de 15,93+1,00 anos, sendo 56,94% do sexo feminino. Observou-se alta prevalência de consumo de bebidas alcoólicas pelos adolescentes, tanto do sexo masculino (46,27%; IC95%:42,80- 49,75) quanto feminino (49,04%; IC95%:46,01- 52,07). A

probabilidade de beber de risco foi aproximadamente 2 vezes maior em adolescentes do sexo masculino (IC95%:1,42-3,00), 1,8 vezes maior para os

adolescentes que os pais consomem bebidas alcoólicas (IC95%:1,16-2,69) e 2,3

vezes maior em adolescentes que têm relacionamento regular/ruim com a mãe (IC95%:1,26-4,26) e a religião atuou como fator de proteção (IC95%:0,42-0,93). Para a

distribuição espacial, notou-se que a probabilidade de ocorrência de alcoolismo não apresentou dependência espacial. Conclui-se que grande parte dos adolescentes consomem bebidas alcoólicas sendo o comportamento de risco associado a suas características sócio-demográficas.

(48)

Abstract

This study aimed to verify the consumption of alcoholic drinks and its association with social-demographic factors, and to perform a spatial analysis of the risk of alcoholism development among high school students in the city of Araraquara (State of São Paulo). It consists of an observational transversal study with stratified probabilistic sample design. The questionnaire AUDIT (Alcohol use disorders identification test) was used as a screening tool. Descriptive statistics were performed. The chi-square test (χ2) was applied in order to verify the associations of the “risk of drinking” and the

interest variables, and the multiple logistic regression, with significance level of 5%, was applied to determine the probability of alcoholism development. A GPS was used to determine the geographic referencing of the residences. An experimental semivariogram was elaborated in order to study the spatial dependence of the probability of alcoholism occurrence among teenagers in the city. 1,837 students enrolled in public schools with average age of 15.93+1.00 years old, 56.94% being female, participated in this study. It was possible to observe a high prevalence of alcoholic drinks consumption by teenagers, either male (46.27%; IC95%:42.80-49.75)

or female (49.04%; IC95%:46.01-52.07). The risk probability of drinking was

approximately 2 times greater in male teenagers (CI95%:1.42-3.00), 1.8 times greater

for teenagers whose parents consume alcoholic drinks (CI95%:1.16-2.69), and 2.3

three times greater in teenagers who have a regular/bad relationship with their mother (CI95%:1.26-4.26). The religion has acted as a protection factor (CI95%

:0.42-0.93). In the spatial distribution, it was possible to notice that the probability of alcoholism occurrence did not present spatial dependence. In conclusion, a great part of teenagers consume alcoholic drinks, and the risk behavior is associated to their social-demographic characteristics.

Key words: Alcohol, Alcoholism, AUDIT, Students, Residence Characteristics, Public Health.

INTRODUÇÃO

Os adolescentes são o grupo populacional que apresentam os maiores riscos

em relação ao consumo de bebidas alcoólicas, devido à sua vulnerabilidade, sob o

ponto de vista social e psicológico (GALDURÓZ et al., 2010). Em todo mundo, há

uma preocupação especial com esse grupo e o monitoramento do padrão de beber

é uma das medidas mais importantes a serem desenvolvidas.

As bebidas alcoólicas são as substâncias psicoativas mais consumidas por

adolescentes (WHO, 2004). No Brasil, o álcool também é a droga mais consumida

em todas as faixas etárias e a sua utilização entre adolescentes vem crescendo

(49)

O I Levantamento Nacional sobre os padrões de consumo de álcool na

população brasileira, realizado por Laranjeira et al. (2007), estimou que 35% dos

adolescentes menores de idade consomem bebidas alcoólicas ao menos 1 vez no

ano e 24% deles bebem pelo menos 1 vez no mês. Quanto à intensidade de beber,

16% dos adolescentes relataram ter consumido bebidas alcoólicas em “binge

durante os últimos 12 meses, sendo que 51% o fez menos de 1 vez por mês e 18%

em 1 vez por semana ou mais.

O consumo indevido e desenfreado de álcool entre os adolescentes acarreta

além da deterioração da saúde, altos custos para a sociedade (HUURRE et al.,

2010; VARGAS, 2005). Tal comportamento aumenta o risco de uma série de

problemas sociais e de saúde, incluindo doenças sexualmente transmissíveis,

gravidez indesejada, infarto do miocárdio, acidentes de trânsito, problemas

comportamentais, violência e ferimentos não-intencionais (HUURRE et al., 2010;

REBOUSSIN et al., 2006).

O abuso de álcool por adolescentes pode ser atribuído à facilidade de

consumo de bebidas alcoólicas (GALDURÓZ et al., 2010; GOMES; ALVES;

NASCIMENTO, 2010), além de fatores como, contexto familiar e social, baixo custo

e propaganda televisiva agressiva (LARANJEIRA, 2004; NEWMAN et al., 2008;

STRAUCHI et al., 2009; VIEIRA et al., 2007). Outro aspecto que deve ser

considerado é a relação do espaço com o consumo de álcool segundo Ellaway et al.

(2010), além do acesso e comportamento da compra de bebidas alcoólicas.

Para viabilizar a construção de modelos explicativos do padrão de consumo

de álcool em função de variáveis espaciais pode-se utilizar técnicas de

geoprocessamento que é um conjunto de ferramentas que permitem o mapeamento

Imagem

Figura 1. Distribuição espacial dos participantes. Araraquara, 2007.
Figura 2. Semivariograma experimental para a probabilidade de desenvolvimento de  alcoolismo
Tabela 1. Distribuição dos adolescentes segundo as respostas do AUDIT.  Araraquara, 2009
Tabela 2. Classificação do consumo de álcool por ponto e por intervalo de 95% de  confiança (IC 95% ) segundo proposta de Babor et al
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Referências

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