UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE EDUCAÇÃO
CURSO DE PEDAGOGIA
O LÚDICO COMO ESTRATÉGIA PARA GOSTAR DE APRENDER: CONCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO E ESTUDANTES
TAIANE EVILYN DE MOURA
CARAÚBAS-RN 2017
TAIANE EVILYN DE MOURA
O LUDICO COMO ESTRATEGIA PARA GOSTAR DE APRENDER: CONCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO E ESTUDANTES
Artigo Científico apresentado ao Curso de Pedagogia, na modalidade á distância, do Centro de Educação, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia, sob a orientação da professora Dra. Carina Pessoa Santos.
CARAÚBAS-RN 2017
O LÚDICO COMO ESTRATÉGIA PARA GOSTAR DE APRENDER: CONCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO E ESTUDANTES
Por
TAIANE EVILYN DE MOURA
Artigo Científico apresentado ao Curso de Pedagogia, na modalidade á distância, do Centro de Educação, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como requisito parcial para obtenção do título de Licenciatura em Pedagogia.
BANCA EXAMINADORA
____________________________________________________ Dra. Carina Pessoa Santos (Orientadora)
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
_____________________________________________________ Dra. Simone Patrícia da Silva
Universidade Federal de Pernambuco
______________________________________________________ Ms. Ivoneide Mendes da Silva
O LÚDICO COMO ESTRATÉGIA PARA GOSTAR DE APRENDER: CONCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO E ESTUDANTES
Taiane Evilyn de Moura1
RESUMO
O presente artigo aborda o uso do Lúdico como estratégia para gostar de aprender e desenvolver aprendizados, de maneira prazerosa e divertida. Nesse sentido, destaca a importância da utilização dos jogos e brincadeiras em sala de aula, no que se refere ao desenvolvimento da aprendizagem das crianças da educação infantil. Tem como objetivo principal analisar o lúdico como ferramenta de trabalho para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, com base nas concepções de profissionais da educação e de estudantes. Como objetivos específicos buscaram-se: investigar o uso do lúdico como estratégia para gostar de aprender; discutir a importância do uso do lúdico dada pelos profissionais e estudantes; e contribuir com conhecimentos para a participação do aluno em sala de aula, através do uso do lúdico. Para a construção deste artigo, se fez necessário o estudo de determinados teóricos que abordam o tema e propõem o uso dos jogos e brincadeiras como peça fundamental para o desenvolvimento da aprendizagem. Participaram da pesquisa duas professoras e duas estagiárias de pedagogia da referida escola que durante a coleta de dados, foi aplicado um questionário. Observou-se que a escola apresenta possibilidades efetivas de utilização do lúdico e que tanto as professoras quanto as estagiárias reconhecem a importância e alegam utilizar o lúdico como estratégia para o desenvolvimento das crianças.
Palavras-chave: Lúdico. Aprendizagem. Educação Infantil.
ABSTRAT
É a versão exata, em inglês, do resumo.
Key words: tradução das palavras chave do resumo.
Introdução
O brincar é uma das atividades essenciais na vida de uma criança. Desse modo, podemos dizer que através de uma atividade tão divertida, que são os jogos e as brincadeiras, as crianças podem expressar suas emoções, ideias e pensamentos, revelando, assim, a sua forma de se relacionar e participar de diferentes grupos sociais. Com base no lúdico, elas desvelam a sua realidade em relação ao convívio com o próximo, como também, o seu modo de convívio familiar.
Nesse sentido, o lúdico necessita ser bem mais utilizado como estratégia de atividades, pois o brincar sempre fez parte da vida da criança, posto que é por meio da ludicidade que se proporcionam momentos de brincadeiras e diversões, o que caracteriza uma necessidade e direito da criança, de maneira que ela estará aprendendo e, ao mesmo tempo, brincado. Corroborando essas ideias, lê-se, no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – RCNEI (BRASIL, 1998, p. 23) que:
Brincar constitui-se, dessa forma, em uma atividade interna das crianças, baseada no desenvolvimento da imaginação e na interpretação da realidade, sem ser ilusão ou mentira. Também tornam-se autoras de seus papéis, escolhendo, elaborando e colocando em práticas suas fantasias e conhecimentos, sem a intervenção direta do adulto, podendo pensar e solucionar problemas de forma livre das pressões situacionais da realidade imediata.
Logo, a ludicidade como recurso didático se torna quase que indispensável na educação infantil, pois é uma das estratégias de atividades que contribui para a maior facilitação do desenvolvimento de conhecimentos e competências da criança, tornando o aprendizado espontâneo e com maior construção de conhecimentos.
A escola tem o papel de desenvolver competências, sendo estas criadas e recriadas à medida que se aprende. Desse modo, o professor é um dos responsáveis por esse conhecimento, pois tem participação ativa no desenvolvimento da criança.
É ideal que ele sempre planeje aulas agradáveis aos seus alunos e que os momentos de brincadeiras não passem despercebidos, ou seja, como mero ato de brincar, sendo assim utilizados como uma grande forma de gerar aprendizado. Diante disso, nos questionamos: Qual a importância dada, por professores e
estagiários, ao uso do lúdico enquanto estratégia de aprendizagem? De que maneira o uso planejado de brincadeiras influencia a aprendizagem?
Defende-se que para os profissionais de educação e estagiários a visão referente ao uso do lúdico como estratégia de aprendizagem é de fato muito importante, mas na maioria das vezes não é posta em prática, e quando se coloca, é vista como mera brincadeira, sem planejamento prévio.
Sabe-se da sua real importância, mas a realidade de alguns é que não utilizam essa ferramenta, fato que não ajuda seus alunos, deixando de tornar as aulas mais agradáveis e se tornando uma simples brincadeira. E com isso, os alunos acabam perdendo um grande aprendizado.
Para alguns educadores, ainda, pode-se dizer que o uso dessa estratégia é feito periodicamente, de maneira que sempre desenvolve o ensino de maneira mais fácil, e fazendo com que se tenha uma melhor interação com os seus alunos.
Diante disso, este artigo tem como objetivo analisar o lúdico como ferramenta de trabalho para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, com base nas concepções de profissionais da educação e de estudantes. Como objetivos específicos buscaram-se: investigar o uso do lúdico como estratégia para gostar de aprender; discutir a importância do uso do lúdico dada pelos profissionais e estudantes; e contribuir com conhecimentos para a participação do aluno em sala de aula, através do uso do lúdico.
Assim, o presente artigo se organiza em quatro partes. A primeira, intitulada A importância do lúdico para o desenvolvimento e aprendizagem, trata da importância do lúdico para o desenvolvimento e a aprendizagem, destacando que o professor é o mediador do conhecimento no processo de ensino-aprendizado. Desse modo, se o mesmo utilizar tal ferramenta, possivelmente terá ótimos resultados, pois sendo um instrumento importantíssimo, ele é capaz de chamar a atenção e despertar a curiosidade do aluno. E, dessa forma, o aluno desenvolve suas habilidades.
A segunda parte do artigo, O lúdico e seu papel na concepção de professores, descreve o lúdico e o seu papel na concepção de professores, ressaltando que este recurso pedagógico permite ao professor criar a sua identidade e escolher como agir. Assim, podemos ver que o lúdico é importante, por ser uma ferramenta pedagógica e uma atividade que busca fazer com que o aluno se torne mais participativo e, com isso, possa se desenvolver. Desse modo, os alunos
sentem menos dificuldades, fazendo assim com que as aulas sejam mais proveitosas.
O tópico três, Método, caracteriza o método da pesquisa e destaca a escola escolhida para a realização dessa pesquisa, que atua na educação oferecendo o ensino infantil a crianças de 0 a 5 anos com turma de berçário I, II, III e nível IV e tempo integral. Para a coleta dos dados, foram aplicados questionários semi-estruturados com quatro (04) profissionais, sendo duas professoras formadas e duas estagiárias, ainda em formação em Pedagogia.
Já a parte quatro, Resultados e discussão, apresenta a análise dos questionários, destacando, tanto nas falas das profissionais quanto das estagiárias, que estas reconhecem a importância e buscam utilizar o lúdico no dia a dia para chamar a atenção das crianças e poderem ter bons resultados.
1. A importância do lúdico para o desenvolvimento e aprendizagem.
O lúdico tem um papel importantíssimo na educação infantil, pois contribui para o desenvolvimento educacional da criança, de forma prazerosa e divertida. Ele envolve brincadeiras e jogos, de maneira que essa ferramenta está cada vez mais se implantado no contexto escolar, introduzindo-se em todas as disciplinas e facilitando o desenvolvimento e aprendizado da criança.
O conceito de lúdico, de acordo com Cardoso (2008, p. 57), deriva do latim, ludus, e significa brincar ou jogar. Nas palavras do autor:
A etimologia do vocábulo lúdico, surge do latim ludus que significa brincar ou jogar. Convém ressaltar que, na língua portuguesa, o termo lúdico é um adjetivo lusório, embora venha sendo utilizado sem justificativas gramaticais, como substantivo e tradução do francês jeu, do inglês play e do alemão Spiel. Assim, no intuito de tentar abranger os variados termos, existe o termo ludo e, modernamente, o neologismo lúdico ou ludicidade
Entende-se, para além da definição acima citada, que as atividades lúdicas não são delimitadas apenas como jogos ou brincadeiras, pois quaisquer atividades que despertem a atenção, diversão e fantasia das crianças, tais como pinturas, desenhos, teatro, contação de histórias ou músicas; são consideradas atividades lúdicas (ALMEIDA, 1998).
A ludicidade é um recurso que estimula de forma espontânea a criança, proporcionando uma compreensão mais significativa da temática trabalhada em sala de aula. Daí o professor, enquanto mediador do processo de ensino-aprendizado, poder utilizar essa ferramenta da melhor forma possível, fazendo com que a criança goste de participar das atividades sugeridas, e de forma a chamar a atenção da criança em relação ao que se tem a aprender.
Essa ferramenta, enquanto recurso metodológico é vista e reconhecida como uma das atividades mais significativas para a construção do processo de ensino-aprendizagem, capaz de estimular espontaneamente as compreensões das crianças, de modo a facilitar a atividade crítica e a criatividade dos alunos (OLIVEIRA, 1985)
Desse modo, o lúdico é considerado como um instrumento importantíssimo no desenvolvimento da criança, pois é visto como uma atividade prazerosa e que chama a atenção do aluno. É através do mesmo que o professor pode contribuir para o desenvolvimento de habilidades e conhecimentos importantíssimos para os alunos, fazendo assim com que diminuam as suas dificuldades. Em outras palavras, o aluno aprende determinado conteúdo de forma lúdica. Para Santos (2002, p. 12) a ludicidade é:
[...] uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção de conhecimento.
Nesse sentido, é de suma importância que a criança seja estimulada a pensar e a reagir diante da situação atribuída pelo professor. Corroborando essas ideias, Antunes (2005, p. 64) afirma que “[...] é brincando que a criança elabora conflitos e ansiedades, demonstrando ativamente sofrimentos e angustias que não sabe como explicitar”. Logo, sendo considerada como um dos momentos mais privilegiados da infância, a brincadeira é de suma importância, desde que o professor utilize corretamente essa ação como ferramenta pedagógica, tornando-a um instrumento provedor de conhecimento.
Para Santos e Cruz (2007, p. 20), ela contribui para “[...] o desenvolvimento integral da criança, já que através destas atividades a criança se desenvolve
afetivamente, convive socialmente e opera mentalmente”. Sendo assim, com base nessa estratégia de atividade realizada muitas vezes em grupo, as crianças aprendem a participar, conviver com o próximo, compartilhar e obedecer às regras que os jogos ou brincadeiras proporcionam.
O brincar sempre fez parte do mundo da criança e é dessa forma que a ludicidade deve ser utilizada como uma ferramenta no processo educativo, pois possibilita o desenvolvimento da percepção, da fantasia e da imaginação. E, por meio desses processos, a criança desenvolve o autoconhecimento e comunica-se com os outros, tornando-se um sujeito integrado socialmente.
O lúdico é uma ferramenta que tem conquistado destaque na educação infantil, por ser uma ação que desperta o aprender e que possibilita o aprendizado, de forma espontânea e produtiva. Desse modo, leva a criança a participar e enfrentar os desafios que encontra no decorrer de vida estudantil.
Trata-se, portanto, de um dos principais eixos norteadores do processo ensino-aprendizagem com crianças, pois o lúdico constitui uma ferramenta pedagógica que faz acontecer, estimula o aluno. E, quanto mais o aluno for estimulado, mais ele aprenderá, de modo que não sentirá muitas dificuldades para solucionar as atividades propostas. Segundo Kshimoto (2003, p.21):
A criança brincando desenvolve, seu lado cognitivo, afetivo e social, criando concepções de fatos vivenciados no seu dia- dia e a partir desse ponto sua própria realidade como ser único e individual. O brincar é a ação que a criança desempenha ao concretizar as regras do jogo, ao mergulhar na ação lúdica.
Para se obter maior desenvolvimento e construção de conhecimento, através da ludicidade, faz-se necessário que o educador direcione atividades que estabeleçam relação com os jogos e brincadeiras. Desse modo, aproxima-se do modo de funcionamento infantil, fazendo com que as crianças participem e interajam com o assunto a ser trabalhado, de maneira que aprendam ao máximo.
Destarte, o lúdico como ferramenta pedagógica contribui para o desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem da criança, constituindo uma forma de proporcionar momentos de aprendizado. Possui um caráter competitivo, mas permeado por momentos que geram distração, descontração e fantasia, constituindo uma forma de aprender (ALMEIDA, 1998).
Desse modo, defende-se que o lúdico deveria ser mais bem utilizado por parte dos educadores, pois é uma atividade que proporciona diversões e brincadeiras, sendo marcado por atividades que a criança gosta e deseja fazer. E, quando essa estratégia de ensino se agrega a todas as disciplinas, ela passa a gerar um melhor processo de ensino-aprendizagem, estimulando na criança a interação e a capacidade de ampliar sua zona de desenvolvimento proximal, diante dos conteúdos a serem aprendidos.
Destaca-se que a Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), é definida por Vigostsky (1991) como capacidade de resolver um problema para além do nível de desenvolvimento real, contando com a ajuda do outro, adulto ou criança, mais experiente. Com o passar do tempo, essa atividade potencial tende a fazer parte do nível de desenvolvimento real, de maneira que a criança passa a resolver tais problemas de forma independente e parte para aprendizagens mais complexas.
Assim, a ludicidade é tão importante que, durante o brincar, a criança participa e interage com base nos conhecimentos prévios sobre o tema a ser estudado. A partir de tal experiência, constrói novos conhecimentos, explorando sua ZDP, construindo aprendizados que desafiam compreensões anteriores.
Logo, dentro dessa perspectiva, destaca-se o quanto é importante que a ludicidade seja utilizada como ferramenta em sala de aula, posto que desenvolve maior aprendizado e interação da criança com o assunto a ser e discutido, de forma espontânea e prazerosa. Com isso, torna-se fundamental discutir a importância que professores atribuem a tal ferramenta pedagógica.
2. O lúdico e seu papel na concepção de professores
Diante dos aspectos discutidos, considera-se que o educador tem um papel importantíssimo no processo de ensino-aprendizagem, de maneira que o professor é o mediador e desenvolvedor de estratégias que possibilitem o aprendizado. A sua formação deve permitir uma visão ampla em relação ao que se deve e como se deve ensinar, e é daí que o educador cria a sua própria identidade para atuar de forma reflexiva na sociedade. Nesse sentido, o filosofo Moyles (2002, p.101) afirma que:
[...] o papel do professor é o de iniciador e mediador da aprendizagem. E o de provedor da estrutura dentro do qual as crianças podem explorar, brincar, planejar e assumir as responsabilidades por sua aprendizagem: o professor se torna um
organizador efetivo da situação de aprendizagem, na qual ele reconhece, afirma e apoia as oportunidades para a criança aprender à sua própria maneira, em seu próprio nível e a partir de suas experiências passadas (conhecimentos prévios).
Desse modo, o uso da ludicidade pelo professor tem uma importância significativa, porque essa ferramenta pedagógica é uma forma de atividade potencializadora e interativa. Sendo assim, através da mesma, os sujeitos constroem experiências e aprendem bem mais sobre determinado assunto. Nesse processo, os estudantes sentirão menos dificuldades e participarão com mais envolvimento na realização das tarefas, e dessa maneira as aulas serão bem mais proveitosas.
Podemos destacar o quanto o lúdico é importante, e é desse modo que a formação do docente é primordial no que se refere a essa prática, mostrando passos importantes, maneiras adequadas e o uso dessa ferramenta como geração de conhecimento. Contudo, ainda se vê muito em sala de aula o uso do jogo apenas como passatempo, sem se planejar aproveitamentos para o desenvolvimento da criança.
Corroborando essas ideias, Cardoso (2008, p.43) afirma que a ludicidade não é algo novo, no que se refere à formação profissional do professor:
[...] a inserção da ludicidade como dimensão no processo de formação dos professores da educação infantil não é algo recente. Historicamente, tal dimensão vem sofrendo configurações distintas: sob forma limitada, posição de estratagema e o valor educativo inseparável entre trabalho e jogo. Lembramos que essas concepções de formação de professores reproduzem modelos de educação ocidental moderna, ligados à escolarização de massa desde o século XVIII, assumindo vários modelos pedagógicos com concepções diferentes, mas centrados na racionalização e fragmentação entre corpo (matéria) e mente (espírito).
Contudo, se bem planejada e aplicada de maneira correta, a estratégia da atividade lúdica contribuirá para a melhoria do processo de ensino-aprendizagem, sendo assim necessária a qualificação ou formação crítica do educador. Tal investimento é de suma importância, posto que, com base nele, podem-se redefinir valores, o que demonstra que, com a ludicidade, também se desenvolvem saberes.
As atividades lúdicas dão oportunidades aos professores em formação, um autoconhecimento e reflexão em relação a como planejar e trabalhar a ludicidade e
ver a importância do jogo e das brincadeiras. Como afirma Santos (1997, p.14), a formação lúdica tem como papel “[...] proporcionar ao futuro educador conhecer-se como pessoa, saber de suade possibilidades e limitações, desbloquear suas resistências e ter uma visão clara sobre a importância do jogo e do brinquedo para a vida da criança, jovem e do adulto’’.
Dentro desse contexto, o estagiário é visto como aprendiz, que sempre tem a intenção de adquirir experiência, e que ao mesmo tempo tem muito o que ensinar e desenvolver ideias criativas e inovadoras. Para Pimenta e Lucena (2009, p. 45) “[...] o estágio curricular é a atividade teórica de conhecimento, fundamentação, diálogo e intervenção na realidade”. Sendo assim, o estágio é considerado como a forma de colocar em prática os seus conhecimentos que se adquiriram durante a etapa de formação.
Nesse sentido, o educador, como responsável pela organização de atividades pedagógicas, deve saber o valor e a importância do jogo e da brincadeira para o processo de ensino-aprendizagem do aluno. Desse modo, faz-se necessário oferecer atividades que desenvolvam uma participação ativa entre todos e prazer em relação ao que se tem que fazer e aprender. Como afirma Moyles (2002, p.37);
Parte da tarefa do professor é proporcionar situações de brincar livre ou dirigido que tente atender às necessidades de aprendizagem das crianças e, neste papel, o professor poderia ser chamado de um iniciador ou mediador da aprendizagem. Entretanto, o papel mais importante do professor é de longe [...], quando ele deve tentar diagnosticar o que a criança aprendeu – o papel de observador e avaliador.
Logo, o professor como mediador deve proporcionar atividades com a inserção do ato de brincar, proporcionando uma aula informativa e divertida, utilizando propostas pedagógicas lúdicas, de maneira que a sua atenção maior como profissional é também identificar as necessidades de cada aluno inserido em sua sala de aula. Utiliza-se das estratégias necessárias para que os alunos sejam atraídos a aprender e que todos construam o máximo de conhecimentos durante as aulas.
Portanto, a importância da ludicidade é que se trata de uma estratégia de atividade divertida e prazerosa e que trabalha as disciplinas com mais facilidade. No entanto, como discutido na introdução desse artigo, podemos ver que alguns
professores mesmo sabendo dessa importância, na maioria das vezes, não fazem tanto uso em suas aulas. Outros, porém, tendem a fazer mais uso, visto que eles estão adentrado no universo escolar de maneira mais crítica e possuem um aparado de ideias e informação a respeito da ludicidade (SANTOS, 1997).
Notou-se, então, que a ludicidade já conquistou o seu espaço na educação, de maneira que está sendo uma forma metodológica de aula indispensável para desenvolver aprendizados. No entanto, será que os professores, por sua vez, estão se adaptando à necessidade de se utilizar o lúdico como forma de amenizar as dificuldades dos alunos e de modo a proporcionar um maior desenvolvimento de conhecimento? Dessa forma, buscaremos analisar as concepções de profissionais e estagiários de uma escola que trabalha com educação infantil, investigando a utilização do lúdico como estratégia que desenvolva aprendizado.
3. Método:
O propósito da pesquisa foi investigativo, no sentido de analisar as concepções de professores e estudantes, da área da Pedagogia, a respeito do uso do lúdico como estratégia para gostar de aprender. Desse modo, através dessa pesquisa, buscou-se a relação do uso desses jogos em sala de aula e diferentes concepções em relação ao tema.
3.1 Tipo de pesquisa
Pesquisa é uma busca sistematizada pela produção de conhecimentos, de maneira que pesquisar é ter a curiosidade de buscar e encontrar soluções de perguntas ou problemas (GIL, 1999). Trata-se de um exercício reflexivo, no sentido de se aprofundar em determinados assuntos e entender, ainda mais, o que se tem a conhecer e aprender. Nas palavras de Andrade (2003, p.121). “Pesquisa é o conjunto de procedimentos sistemáticos, baseado no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para problemas propostos mediante a utilização de métodos científicos”.
Com base nessa busca sistemática de conhecimentos, ressaltamos que a pesquisa aqui realizada foi de natureza qualitativa. De acordo com Godoy (1995, p. 58), este tipo de pesquisa "considera o ambiente como fonte direta dos dados e o
pesquisador como instrumento chave; possui caráter descritivo; o processo é o foco principal de abordagem e não o resultado ou produto".
3.2 Participantes
Participaram da pesquisa duas professoras e duas estagiárias de uma instituição de educação infantil situada na cidade de Olho D’água do Borges RN, que atende crianças de 0 a 5 anos de idade. Os nomes das participantes foram substituídos por números para garantir o sigilo de suas identidades. A seguir, tem-se uma caracterização das participantes da pesquisa:
Professora I – formada em Pedagogia desde 2017, atua na área há menos de um ano.
Professora II – formada em Pedagogia desde 2010, atua na área há menos de um ano.
Estudante I – graduanda em Pedagogia, com previsão de formar-se em 2021, atua como estagiário há menos de um ano.
Estudante II – graduanda em Pedagogia, com previsão de formar-se em 2018, atua como estagiário há menos de um ano.
3.3 Instrumento de coleta de dados
Na coleta de dados, foi usado um questionário composto de dez perguntas abertas, a serem respondidas, individualmente, pelas professoras e estagiárias. As perguntas envolviam questões sobre a formação e atuação profissional, assim como indagações acerca do lúdico e sua utilização em sala de aula. O modelo do questionário encontra-se no Apêndice (1)
3.4 Procedimentos de coleta dos dados
A escola participante dessa pesquisa atende crianças de 0 a 5 anos de idade, possuindo assim um berçário e salas dos níveis I ao IV da educação infantil. Possui, também, educação em tempo integral na turma do nível III.
O primeiro contato com a instituição foi através de estágio, quando a autora foi contratada pelo IEL e, posteriormente, enquanto estagiária de pedagogia, realizando assim, na referida escola, os estágios I e II da graduação.
Diante desse contato com a instituição, de forma geral, obteve-se todo o apoio da diretora para a realização da pesquisa. Na ocasião, foi esclarecida a importância do tema abordado para a formação acadêmica da autora, como também, para todos os envolvidos na pesquisa, visto que se busca promover reflexões, junto aos participantes, sobre o tema. Foi solicitada à direção da escola a anuência para realização da pesquisa (vide carta em anexo).
Após a devida autorização, a diretora indicou profissionais e estagiários para que a pesquisadora convidasse a participar da pesquisa. Observou-se disponibilidade e entusiasmo dos convidados em colaborar com a pesquisa. Assim, foi combinado dia e horário no contra turno de trabalho dos participantes para a aplicação do questionário. Todos foram informados dos objetivos e procedimentos da pesquisa, sendo convidados a ler e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (vide modelo no apêndice 2).
Os questionários foram aplicados em duas etapas. A primeira deu-se no dia 11 de setembro de 2017, com a presença de duas professoras, no horário das 14:00 horas, na referida instituição. Tendo em vista que os estagiários tinham compromisso da faculdade no dia 11 de setembro, a segunda etapa ocorreu no dia 12 de setembro de 2017, as 14:00 horas, com os mesmos. Coube aos participantes a escolha por responder aos questionários no ambiente de trabalho.
3.5 Procedimento de análise dos dados
A análise dos questionários foi desenvolvida considerando-se as respostas gerais a cada pergunta, salientando-se aspectos em que os profissionais concordam e/ou discordam. Dessa forma, foram utilizados os trechos das respostas para ilustrar as discussões apresentadas. Tais discussões foram desenvolvidas em diálogo com os autores da área. Ressaltamos que, por questões éticas, não usaremos os nomes das participantes, contudo indicaremos cada professora e estudante por “PI/2017, PII/2017” e “EI/2017 e EII/2017”, respectivamente.
Para darmos início ao questionário, buscamos conhecer a formação acadêmica e tempo de experiência profissional das participantes, pois esses aspectos são importantes na análise de suas concepções acerca de questões da prática pedagógica. Desse modo, começamos com as seguintes perguntas: “Qual a sua formação? Em que ano se formou? E quanto tempo trabalha em sala de aula?” Obtive as seguintes respostas dos professores:
PI/2017: Sou formada em pedagogia; me formei este ano (2017); comecei este ano.
PII/2017: Sou formada em pedagogia, me formei em 2010 e estou há sete meses em sala de aula.
As mesmas perguntas foram ajustadas à realidade das estudantes, obtendo-se as obtendo-seguintes respostas:
EI/2017: Graduanda pedagogia. Me formarei em 2021. Há menos de um ano.
EII/2017: Graduanda pedagogia. Formarei em 2018. Em menos de um ano.
Nota-se que a professora PI está formada há menos de um ano, enquanto a professora PII formou-se há sete anos. No entanto, ambas atuam na área há menos de um ano. Foram selecionadas por processo seletivo organizado pela prefeitura da cidade, que ocorre anualmente. Já as estudantes fazem parte do corpo docente da escola como estagiarias do IEL e atuam como auxiliares de sala. Destaca-se que a estagiária EI encontra-se no início do curso, enquanto a segunda está próxima de sua conclusão. As estagiárias também ingressaram na referida escola com base em processo seletivo.
Tal informação a respeito da formação e experiência das participantes da pesquisa é fundamental e aponta para a necessidade de uma formação continuada, independente do tempo de atuação na área. Como afirma Dahmer et. al. (2010, p. 01), o profissional “[...] nem sempre tem formação pedagógica para atuar em sala de aula, e tem que se aperfeiçoar e desenvolver novas habilidades para contornar situações existentes em sala de aula que podem decorrer de vários fatores”. Desse
modo, faz-se necessário o investimento na formação dos docentes e estudantes em concomitância às suas experiências na área, pra que sua atuação em sala de aula se dê de forma completa, levando a criança a construir conhecimentos de forma mais facilitada e com maior desenvolvimento educacional.
Dando continuidade à análise das respostas ao questionário, parte-se para o segundo questionamento, referente ao que é o lúdico e qual a sua importância. Obtivemos as seguintes respostas:
PI/2017: É uma maneira diferenciada e divertida de se ensinar e aprender; o método é diferenciado e o torna importante, por despertar nas crianças a sensação de êxtase de espontaneidade e tornando a aprendizagem bem mais eficaz.
PII/2017: O lúdico é toda metodologia não tradicional de ensino especialmente os jogos e brincadeiras e é de suma importância na aprendizagem infantil, pois com a ludicidade a criança aprende de modo mais divertido e prazeroso.
EI/2017: Em minha opinião o lúdico é a forma de ensinar a uma criança de forma prazerosa as disciplinas curriculares. Ele é importante pois através do lúdico o professor poderá ensinar aquela disciplina em que o aluno tem mais dificuldade de forma diferenciada despertando no aluno o interesse do aluno.
EII/2017: Na minha opinião o lúdico é uma forma de ensinar com utilização de jogos e brincadeiras, e é bastante importante por ser uma forma de chamar a atenção da criança e fazer com eu ela participe da aula de forma prazerosa e aprenda com maior qualidade.
Observamos que todos os envolvidos demonstram conhecer o que significa o lúdico, aproximando-se da definição de Cardoso (2008) e destacando-o como jogos e brincadeiras que podem ser que podem ser utilizados em sala de aula. A professora PII, inclusive, ressalta o lúdico enquanto metodologia não tradicional de ensino.
Desse modo, todas as participantes destacaram a importância do lúdico dentro de sala de aula, de modo que possa facilitar a aprendizagem dos alunos. Todas as respostas das participantes nos revelaram que o lúdico, como ferramenta pedagógica, é sinônimo de aulas mais divertidas e prazerosas. Com isso, podemos ver que se constroem mais conhecimentos. Desse modo, o lúdico é reconhecido como ferramenta essencial para o desenvolvimento da aprendizagem. Nesse sentido, Santos (2002, p. 12) afirma que a ludicidade constitui:
[...] uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção de conhecimento.
Como pode ser observado, as participantes enfatizam que a utilização do lúdico em sala de aula facilita o processo de aprendizagem. No entanto, como discutido anteriormente, muitas vezes essa estratégia não é posta em prática ou, quando utilizada, é concebida como mera brincadeira, se planejamento prévio. Diante disso, as questões de 3 a 7 procuram abordar o lúdico e métodos de ensino. Logo, questionamos às participantes como trabalham o lúdico em sala de aula. As respostas obtidas foram que:
PI/2017: Trabalho através de brincadeiras, jogos, histórias infantis e músicas.
PII/2017: Trabalho o lúdico através de atividades como pinturas, colagens, jogos, brincadeiras e utilizo bastante vídeos educativos.
EI/2017: É trabalhado o lúdico com jogos, brincadeiras, músicas, movimentos corporais, diálogo e brinquedo, despertando a atenção da criança.
EII/2017: Trabalho o lúdico com utilização de jogos, colagens e pinturas. Onde tento despertar na criança um maior entendimento em relação ao tema trabalhado
De fato, observou-se que todas afirmam trabalhar o lúdico em sala de aula, usando as mais diversas estratégias, tais como jogos, brincadeiras, pinturas, colagens e músicas. Estas são usadas de acordo com o tema proposto dos planejamentos referente ao dia de aula, tentando assim desenvolver um aprendizado significativo e proveitoso, de modo a tornar a aula mais proveitosa. Corroborando essas ideias Oliveira (1985) retrata que a ferramenta lúdica enquanto recurso metodológico é uma das atividades mais significativas na construção do processo de ensino-aprendizagem, com base na qual se pode estimular espontaneamente os entendimentos.
Em consonância com a atuação dos educadores, é de suma importância que a instituição reconheça o valor que o lúdico possui, para que possa assim contribuir para uma cultura da aprendizagem lúdica. Dessa forma, foi questionado: na escola
onde você trabalha, que tipos de material pedagógico podem ser encontrados para trabalhar o lúdico? Explique como você usa um ou dois deles. Diante de tal indagação, obtivemos como respostas que:
PI/2017: Na escola temos jogos educativos, a sala de vídeo e a sala de leitura; os jogos dependendo do tema ou assunto a ser trabalhado, pode ser usado de várias formas, pois temos os mais diversos meios e formas para construí-los e modificá-los juntos, assim enriquecer a nossa aprendizagem; a sala de leitura é onde através do lúdico e das histórias que podemos despertar a imaginação e a criatividade , tornando outro ponto muito positivo em que diz respeito ao ensino-aprendizado das crianças .
PII/2017: Na escola que eu trabalho temos: pecinhas de montar, de encaixe, jogos da memória, livros, palitoche e etc. Como trabalho com as crianças de dois e três anos, uso bastante às pecinhas de montar, trabalho as cores, as formas geométricas, quantidades e a imaginação deles para montar vários objetos.
EI/2017: Politoche, brinquedos e área de recreamento, pode ser trabalhado a contação de história, e aulas recreativas com brinquedos, tanto com os brinquedos quanto cantigas de roda e entre outros.
EII/2017: Na escola encontramos para trabalhar pecinhas de montar, politoche, livros, jogos da memória e entre outros. Uso as pecinhas de montar para trabalhar as cores, contagem e imaginação durante a montagem.
Viu-se que a escola possui diversos recursos que estimulam a utilização do lúdico pelos professores, tais como: jogos educativos, sala de vídeo, sala de leitura, pecinhas de montar, jogos da memória, livros, palitoche, brinquedos, área de recreamento, dentre outros. Observa-se que muitos desses recursos são tomados pelas professoras como lúdicos, em especial os espaços da escola e os livros, o que ressalta um conjunto de possibilidades de aprendizado.
Desse modo, constatamos que a instituição parecer enfatizar a importância que o lúdico possui, na medida em que fornece vários aparatos que os profissionais podem utilizar enquanto materiais lúdicos em suas aulas. Logo, na escola, existem vários tipos de materiais pedagógicos que podem ser usados para trabalhar o lúdico, entre eles elas destacam os jogos da memória, pecinhas de montar e politoche. No entanto, outros espaços e materiais, como livros, também parecem ser utilizados com finalidade lúdica.
Segundo todas as participantes, tais recursos são utilizados de acordo com o tema a ser trabalhado e com intuito de fazer com que a criança tenha uma maior visão e entendimento em relação ao que se tem a aprender. Tal atuação se aproxima do que Moyles (2002) afirma, no que diz respeito ao papel do professor que, por ser o mediador da aprendizagem, é o organizador das aulas.
Logo, é ele que tem que assumir o seu lugar de facilitador e proporcionar, da melhor forma possível, o desenvolvimento da aprendizagem, dando oportunidade à criança para aprender e compreender o assunto através de jogos e brincadeiras e de modo a ter um maior entendimento em relação ao assunto planejado.
Um dos papéis relevantes do professor é a escolha de metodologias de ensino baseadas nas necessidades e nível de desenvolvimento das crianças. Nesse contexto, o conhecimento a respeito da ZDP é fundamental (VIGOSTSKY, 1991). Ao tratarmos da metodologia utilizada em sala de aula, perguntamos sobre que tipo de metodologia o profissional deve trazer para sua sala de aula, para que seus alunos participem cada vez mais? As respostas foram as seguintes:
PI/2017: O profissional deve buscar pra sua sala de aula coisas do cotidiano de suas crianças, havendo uma ligação em sua aprendizagem, proporcionando um bom desenvolvimento. Ele deve usar e buscar de atividades lúdicas, envolvendo jogos e brincadeiras educativas.
PII/2017: Uma metodologia que desperta a curiosidade, a criatividade, a linguagem e psicomotricidade e etc.
EI/2017: Deve observar primeiro quais estratégias que prendem a atenção dos alunos. Depois utilizar os materiais que podem ser usados como metodologia, ou seja se o que prende a atenção são jogos, usá-los, se são atividades com desenhos, se é um fim, ou historias e entre outros, enfim usar recursos que chama a atenção e desperte a vontade de participar.
EII/2017: O profissional deve observar e ver qual estratégia do lúdico usar, e de forma estabelecer relação com o que se quer repassar ao aluno, com isso fazer com que a criança participe e compreenda com mais rapidez, sendo que ela se cinta a vontade e tenha prazer de participar da atividade de forma espontânea.
Ao observamos as respostas, podemos ver que, ao usar a metodologia do lúdico em sala de aula, é necessário que o professor observe a realidade em que a criança está inserida, e a necessidade das crianças sobre tal aprendizado que o jogo pode mediar. É ideal que o professor, como mediador do conhecimento, utilize essa
metodologia para que possa chamar a atenção das crianças, de maneira a desenvolver aprendizados. Como afirma Moyles (2002), o professor deve proporcionar atividades nas quais se use brincadeiras, e que tente facilitar o desenvolvimento de aprendizados nas áreas de mais dificuldade.
Portanto, destacamos que a metodologia utilizada pelos profissionais da educação é crucial para que se atinjam os resultados desejados. Dessa maneira, foi questionado aos participantes se o brincar possui relação com o lúdico. O objetivo dessa pergunta era compreender se as professoras e estagiárias relacionavam as brincadeiras que podiam surgir em sala de aula, com o lúdico enquanto estratégia de aprendizagem. As respostas nos mostraram que:
PI/2017: Possui sim; pois o brincar através de atividades lúdicas ou vice-versa, podem muito bem favorecer a autoestima da criança despertando-os e possibilitando aos mesmos explorar um novo mundo, descobri-lo, entendê-lo e posicionando em relação a se e a sociedade de maneira natural e simples a seu psicomotor.
PII/2017: O brincar está intimamente relacionada com o lúdico, pois a ludicidade se dar principalmente através de jogos e brincadeiras.
EI/2017: Sim, pois o lúdico está ligado diretamente aos jogos e brincadeiras, onde a criança através de uma brincadeira pode estar aprendendo diversas coisas, como a coletividade, coordenação motora e a aprendizagem de forma interativa.
EII/2017: Sim, pois o lúdico está de forma relacionada com os jogos e brincadeiras, onde são atividades que provocam na criança uma alegria e prazer de participar, gerando uma aprendizagem significativa.
É perceptível que todas as profissionais demonstram compreender que o brincar possui relação com o lúdico, aspecto já destacado por Cardoso (2008), destacando que os mesmos estão diretamente ligados, sendo uma estratégia de atividade que proporciona aprendizados com importantes significados. Desse modo, como a criança tem necessidade de brincar, tal conhecimento é construído através de jogos e brincadeiras sem muitos esforços ou dificuldades. Podemos também perceber que as participantes sabem o quanto é importante o lúdico no processo de aprendizagem, que o utilizam em sala de aula, e dessa forma as crianças aprendem brincando.
Ainda com base a discussão sobre o lúdico e métodos de ensino, perguntou-se perguntou-se, ao utilizar o lúdico, a criança pode formar conceitos básicos para o perguntou-seu desenvolvimento. E as profissionais afirmaram que:
PI/2017: Ao utilizar o lúdico no desenvolvimento das crianças, está se proporcionando um aprendizado qualificado, pois o mesmo desenvolve o raciocínio rápido, crítico e criativo, além de escrita e troca comunicativa para uma boa compreensão do mundo.
PII/2017: Com o lúdico a criança pode formar conceitos matemáticos, linguísticos, geométricos, sociais, e outros mais, através da contação de histórias, das músicas infantis, de vídeos educativos, de jogos e brincadeiras.
EI/2017: A criança passara compreender e a utilizar regras empregadas no processo de ensino-aprendizagem. Quando uma criança brinca, demonstra prazer em aprender assim satisfazendo os seus desejos, vencendo suas frustrações, aprendendo a agir estrategicamente e reafirmar sua capacidade de enfrentar os medos e desafios com segurança e confiança.
EII/2017: Quando se usa o lúdico a criança compreende e aprende com mais facilidade, formando conceitos que desenvolvem aprendizados significativos, como linguísticos, matemáticos, raciocínio rápido, pensamento crítico e a imaginação.
Com base nas respostas das participantes, percebemos que todas relatam que, através do lúdico, a criança pode formar conceitos básicos para o seu desenvolvimento. Em destaque, conceitos linguísticos, sociais, matemáticos entre outros; como também, podem desenvolver o raciocínio crítico e criativo. Desse modo, destaca-se que a ludicidade é essencial e que está cada vez mais sendo indispensável a utilização da mesma como estratégia de desenvolver conhecimento. Tais constatações são corroboradas por Kshimoto (2003), quando afirma que a criança, através da ludicidade, consegue se desenvolver e aprender, criando concepções que são usadas cotidianamente na sua realidade.
Logo, para as crianças, é importante que possam se envolver e partilhar momentos com outras crianças. Como destaca Vigostsky (1991), a interação social é fundamental ao desenvolvimento infantil. Nesse sentido, foi questionado às participantes se desenvolver atividades em grupos, favorece a aprendizagem da criança? Por quê? E suas respostas nos mostram que:
PI/2017: Por que a criança aprende a trabalhar em coletivo, aprende o jogo das diferenças, aprende um com o outro a importância de dividir para somar.
PII/2017: As atividades em grupo favorecem bastante a aprendizagem infantil, pois a criança aprende a trabalhar a coletividade e interagir com os colegas.
EI/2017: Sim a partir do momento que a criança possa ter contato com outra ou grupos de crianças ela passa a aprender não só o conteúdo mais sim a cooperação e coletividade com os seus colegas.
EII/2017: Sim, pois com as atividades em grupos as crianças aprendem a conviver, dividir e a obedecer as regras e de modo também aprendem o conteúdo.
Destaca-se que todas compreendem que as atividades em grupos favorecem o aprendizado, de maneira que, através das mesmas, além de construir conhecimentos, podem aprender a compartilhar suas ideias, sentimentos e anseios. Desse modo, as atividades em grupo possuem forte valor social e afetivo, permitindo, segundo as entrevistadas, obedecer às regras, conviver socialmente, dentre muitos outros aprendizados que podem ser desenvolvidos a partir de brincadeiras em grupo. Como destacam Santos e Cruz (2007, p. 20), a brincadeira contribui para “o desenvolvimento integral da criança, já que através destas atividades a criança se desenvolve afetivamente, convive socialmente e opera mentalmente”.
Com base nas perguntas do questionário, investigou-se se as participantes estabelecem relações entre o lúdico e a aprendizagem. Assim, foi possível averiguar se as participantes concebem o lúdico como estratégia didático-pedagógica que pode contribuir para a superação das dificuldades de aprendizagem. Nesse sentido, foi questionado: “sobre os benefícios de se usar o lúdico, é correto afirmar que ele ameniza as dificuldades encontradas pelos alunos durante o processo de aprendizagem?” As respostas das participantes foram as seguintes:
PI/2017: Sim, pois os alunos estarão em fase de adaptação com o novo em suas escolas, e a aprendizagem de maneira lúdica, proporciona a eles um gosto diferente de aprazer, diversão e satisfação pelo que está fazendo, além de desenvolver a oralidade e a escrita.
PII/2017: O lúdico pode sim amenizar as dificuldades encontradas na aprendizagem, pois com a ludicidade a criança se sente mais livre para desenvolver as atividades em sala de aula.
EI/2017: Sim. Através de uma atividade lúdica bem elaborada onde o professor trabalha bem o conteúdo em cima da dificuldade do aluno, durante o processo a criança poderá enfrentar sua dificuldade seja na disciplina ou até mesmo na execução da tarefa exposta pelo professor.
EII/2017: Sim, pois o lúdico, por ser uma atividade atrativa, faz a criança participar, e com tudo ajuda a criança entender o assunto de forma mais facilitada, e com tudo se tem um maior aprendizado.
Pode-se afirmar que todas as respostas destacam a importância de se utilizar o lúdico para minimizar as dificuldades de aprendizagem, na medida em que atrai a criança a participar e aprender com mais facilidade e de forma espontânea. Nesse sentido, a estudante I relata que, quando uma atividade é bem elaborada e trabalhada com base nas dificuldades da criança, ela aprende brincando espontaneamente. Assim, a participante ressalta a importância de aplicação do lúdico como método para favorecer o aprendizado, mesmo que ainda possua pouca experiência na área.
Tais afirmações são corroboradas por Santos (2002) quando relata que a ludicidade, por se tratar de atividades através de brincadeiras e considerando que o brincar é uma necessidade de toda criança, desenvolve e facilita o aprendizado, colaborando para um maior entendimento, e dessa forma minimizando as dificuldades de aprendizagem.
Considerações finais
Com base nos resultados dessa pesquisa ressalta-se a importância do lúdico na educação infantil, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento das aprendizagens, de maneira espontânea e prazerosa. Podemos destacar, a partir do objetivo geral desse trabalho, analisar o lúdico como ferramenta de trabalho para o desenvolvimento e aprendizagem dos alunos, com base nas concepções de profissionais da educação e de estudantes, que tanto as professoras quanto as estagiárias concebem que essa possibilidade metodológica é sinônimo de aulas mais divertidas e prazerosas. Nesse sentido, a experiência profissional e a formação
acadêmica não diferiram nas respostas das professoras e estagiárias. Talvez, porque todas atuam em uma escola que parece valorizar o lúdico.
Assim, no que diz respeito ao uso do lúdico como estratégia para gostar de aprender destaca-se que, na concepção das participantes, trata-se de uma estratégia positiva, que ajuda a diminuir as dificuldades e ao mesmo tempo atrai a criança a participar e aprender, com mais facilidade e de forma espontânea. Dessa forma, observou-se que a utilização do lúdico é de suma importância, posto que as crianças podem aprender “brincando” e, dessa forma, construir conhecimentos espontaneamente.
No tocante à possibilidade de estimular a participação do aluno através do uso do lúdico, destaca-se que, dessa forma, se podem diminuir as dificuldades encontradas, pois as crianças se sentem mais motivadas a aprender e podem demonstrar e lidar com suas emoções. Nesse sentido, os educadores podem usar o lúdico para amenizar os desafios dados durante um jogo, por exemplo, como também ao final, para que as crianças possam controlar a aceitação do resultado final. Dessa forma, o lúdico pode ajudar o professor a facilitar e fazer uma melhor mediação na construção de conhecimentos.
Desatacamos que a construção desse artigo demandou um esforço reflexivo da autora, que não tem muita familiaridade com a prática da pesquisa. Desse modo, destaca-se a necessidade de uma análise mais aprofundada e crítica das contradições presentes nas respostas das participantes, aspecto que precisa ser trabalhado em futuras pesquisas.
Contudo, concluímos que o objetivo final do artigo foi atingido, pois averiguo-se que as profissionais e estagiárias conhecem a importância e fazem uso do lúdico em suas aulas. Desse modo, buscam uma maior atenção por parte das crianças. Assim, a ludicidade é um dos fatores que está ligado à criança e sua infância, e sendo assim, não se pode ignorar a sua importância.
No entanto, sempre se devem buscar situações para introduzir essa estratégia em diversas disciplinas, fazendo com que as crianças participem, e se sintam confortáveis e relacionadas ao seu cotidiano social, para que se tenham uma maior interação com os desafios, posto que os mesmos proporcionam uma evolução em relação ao seu desenvolvimento.
Referências
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GIL, A. C.. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. 202 p. ISBN: 8522422702.
GODOY, A. S. Introdução à pesquisa qualitativa e suas possibilidades. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 35, n. 2, p. 57-63, abr.1995.
KISHIMOTO, T. M. (Org.) Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 7ª ed. São Paulo. Cortez, 2003.
MOYLES, J. R. Só brincar? O papel do brincar na educação infantil. Porto Alegre: Artmed, 2002.
OLIVEIRA, V. M. O que é educação física. São Paulo: Brasiliense, 1985.
PIMENTA, S. G.; LUCENA, M. S. L.. Estagio e Docência. 4 ed. São Paulo: Cortez, 2009.
SANTOS, S. M. P. dos. O lúdico na Formação do Educador (org). Petrópolis: Vozes, 1997.
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______; CRUZ, D. R. M. da. O lúdico na formação do educador. In: SANTOS S. M. P. dos S. (Org.). O lúdico na formação do educador. 7. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007, p. 11-17.
APÊNDICE 1 – MODELO DOS QUESTIONÁRIOS
O LUDICO COMO ESTRATEGIA PARA GOSTAR DE APRENDER: CONCEPÇÕES DE PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO E ESTUDANTES.
TAIANE EVILYN DE MOURA
Prezado participante
Inicialmente, agradeço a sua colaboração para que eu possa realizar a coleta de dados para a pesquisa que estou realizando para o meu artigo final do curso de Pedagogia. Reitero que sua participação é fundamental e que não existem respostas
certas ou erradas, por isso, solicito que suas respostas sejam as mais espontâneas possíveis.
1. (Apenas para professores) Qual a sua formação? Em que ano se formou? E quanto tempo trabalha em sala de aula?
2. (Apenas para estagiários) Qual a sua formação? Em que ano concluirá a sua graduação? E quanto tempo trabalha como estagiário?
Nota: a partir da questão três, as perguntas são direcionadas tanto aos professores quanto aos estagiários.
3. Para você, o que é o lúdico? E qual a sua importância? 4. Como você trabalha o lúdico em sala de aula?
5. Na escola onde você trabalha que tipos de material pedagógico podem ser encontrados para trabalhar o lúdico? Explique como você usa um ou dois deles. 6. Que tipo de metodologia, o profissional deve trazer para sua sala de aula, para que seus alunos participem cada vez mais?
7. O brincar possui relação com o lúdico? Justifique sua resposta.
8. Ao utilizar o lúdico, a criança pode formar conceitos básicos para o seu desenvolvimento? Justifique sua resposta dando exemplos.
9. Desenvolver atividades em grupos favorece a aprendizagem da criança? Por quê?
10. Sobre os benefícios de se usar o lúdico, é correto afirmar que ele ameniza as dificuldades encontradas pelos alunos durante o processo de aprendizagem? Justifique sua resposta.
APÊNDICE 2 – MODELO DO TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE EDUCAÇÃO
CURSO DE PEDAGOGIA
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO – TCLE Esclarecimentos
Este é um convite para você participar da pesquisa: O lúdico como estratégia para gostar de aprender: concepções de profissionais da educação e de estudantes, que tem como pesquisador responsável Taiane Evilyn de Moura.
Esta pesquisa pretende analisar o lúdico e as concepções dadas pelos profissionais da educação e estudantes como ferramenta de trabalho no desenvolvimento e aprendizagem dos alunos.
O motivo que nos leva a fazer este estudo é poder contribuir com a formação acadêmica. Caso você decida participar, você deverá responder a um (1) questionário de modo geral, que contém dez (10) perguntas, onde pretendo colher informações para subsidiar na construção do artigo. Tendo uma semana para aplicar o questionário para todos os professores e estagiários.
Durante a realização do questionário, a previsão de riscos é mínima, ou seja, o risco que você corre é semelhante àquele sentido num exame físico ou psicológico de rotina.
Pode acontecer um desconforto que será minimizado e você terá como benefício.
Em caso de algum problema que você possa ter, relacionado com a pesquisa, você terá direito a assistência gratuita que será prestada.
Durante todo o período da pesquisa você poderá tirar suas dúvidas ligando para Taiane Evilyn de Moura , cujo telefone é (84) 996117819.
Você tem o direito de se recusar a participar ou retirar seu consentimento, em qualquer fase da pesquisa, sem nenhum prejuízo para você.
Os dados que você irá nos fornecer serão confidenciais e serão divulgados apenas em congressos ou publicações científicas, não havendo divulgação de nenhum dado que possa lhe identificar.
Esses dados serão guardados pelo pesquisador responsável por essa pesquisa em local seguro e por um período de 5 anos.
Se você tiver algum gasto pela sua participação nessa pesquisa, ele será assumido pelo pesquisador e reembolsado para você.
Se você sofrer algum dano comprovadamente decorrente desta pesquisa, você será indenizado.
Este documento foi impresso em duas vias. Uma ficará com você e a outra com o pesquisador responsável Taiane Evilyn de Moura.
Consentimento Livre e Esclarecido
Após ter sido esclarecido sobre os objetivos, importância e o modo como os dados serão coletados nessa pesquisa, além de conhecer os riscos, desconfortos e benefícios que ela trará para mim e ter ficado ciente de todos os meus direitos, concordo em participar da pesquisa, e autorizo a divulgação das informações por mim fornecidas em congressos e/ou publicações científicas desde que nenhum dado possa me identificar.
Olho D’água do Borges, ___ de __________ de 2017.
_____________________________________ Assinatura do participante da pesquisa
Declaração do pesquisador responsável
Como pesquisador responsável pelo estudo O lúdico como estratégia para gostar de aprender: concepções de profissionais da educação e estudantes, declaro que assumo a inteira responsabilidade de cumprir fielmente os procedimentos metodologicamente e direitos que foram esclarecidos e assegurados ao participante desse estudo, assim como manter sigilo e confidencialidade sobre a identidade do mesmo.
Declaro ainda estar ciente que na inobservância do compromisso ora assumido estarei infringindo as normas e diretrizes propostas pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde – CNS, que regulamenta as pesquisas envolvendo o ser humano.
Olho D’água do Borges, ___ de __________ de 2017.
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