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A hygiene de Aveiro

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JOSÉ SOARES

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DISSERTAÇÃO INAUGURAL APUF.SF.XTADA A Escola M e d i c o - C i r ú r g i c a do Porto

<L-JULHO DE 1904 PORTO IMPRENSA CIVIL1SAÇÂ0 R. DE PASSOS MANOEL, 215 1904

JJ

(3)

ESCOLA MEDICO-CIRURGICA DO PORTO DIRECTOR

ANTONIO JOAQUIM DE MORAES CALDAS SECRETARIO

Clemente 3<,a(lu'1" ^>os Santos pinto

LENTE SERVINDO DE SECRETARIO

JOSÉ ALFREDO MENDES DE MAGALHÃES

m&m gossan

I. e u I r m c a t h e d r a t l f O f l l.a Cadeira—Anatomia descriptiva geral Luiz de Freitas Viegas.

2.ft Cadeira—Fhysiologia Antonio Placido da Costa.

3." Cadeira—Historia natural doa

medi-camentos e materia medica. Illydio Ayres Pereira do Valle. 4.a Cadeira—Pathologia externa e

thera-peutica externa Antonio Joaquim de Moraes Caldas. 5.* Cadeira—Medicina operatória . . Clemente Joaquim dos Santos Pinto. 6.a Cadeira—Partos, doença» das

mulhe-res do parto e dos recem-nascido» . Cândido Augusto Corrêa de Pinho. 7.* Cadeira—Pathologia interna e

thera-peutiea interna José Dias d'Almeîda Junior. 8.a Cadeira—Clinica medica . . . . Antonio d'Azevedo Maia.

9.a Cadeira—Cliniea cirúrgica . . . Roberto lícJlarmino do Rosário Frias.

10." Cadeira—Anatomia pathologiea . . Augusto II. d'Almeida Brandão. 11.a Cadeira—Medicina legal . . . . Maximi no A. d'Oliveïra Lemos.

12.a Cadeira—Pathologia geral,

scmciolo-gia e historia medica Alberto Pereira Pinto d'Aguiar. 13.* Cadeira—Hygiene publica e privada João Lopes da Silva Martins Junior. 14.a Cadeira—Histologia e physiologia

geral José Alfredo Mendes de Magalhães. 15.a Cadeira—Anatomia topographica . Carlos Alberto de Lima.

l i C n t e * J u b i l a d o s

Secção medica Jo*é d'Andrade Gramaxo. „ ( Pedro Augusto Dias.

Secção cirúrgica ( Dr. Agostinho Antonio do Souto. L e n t e * s n b f f t i t u t O M

- a ,. í Vaga.

becçao medica Î ya^a.

- . , ( Antonio Joaquim de Souza Junior, Secção cirúrgica j ya„a i

i . n i í r d e m o n s t r a d o r

(4)

A Escola não responde pelas doutrinas expendidas na dissertação e enunciadas nas proposições.

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ec-izdiscipiiias

Cas meus

(9)

Aos ll!,mo, e Ex."u'5 Snrs. Professores

Dr. Lopes Marlins

Digníssimo rcrsador ilo peloun

Dr. /i/berto d'jkguiar

Pfaftttwimo 'lirecior <io Laboratório Xo'jre

Conselheiro Dr. Ferreira da Silva

Dl«iÍ4simo 'lirector do Laboratório Municipal

(10)

^\os Jl.m o s e g xm M^ n r s .

à r& M*

StyJt. (capita (cMo-ntes

Distlneto clinico portuense

2)fc. San-too éettiia

Bi .'ni.-.simo medico adjuncto da enfermaria n." 5 do Hospital de Santo Antonio

J£)r. çjfurfaafo cie ^Mtzíaá Distinct o medico analv,«ta

(11)

AO MEU MESTRE E PRESIDENTE DE THESE

« fa mo o mo c O C H I . Z G>X. $>!t£.

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o.i.c£)t. Cs CCaiae&i^aidci',

Digníssimo director da Escola c da enfermaria n.° y do Hospital de Santo Antonio.

(12)
(13)

Jntroducção

ESTUDO, de temjjos a tempos, das

esta-tísticas d'um povo e das condições ma-teriaes da região em que elle vive, im-põe-se como a única maneira de apreciar o bem ou o mal-estar d'esse povo.

Só assim se poderá ver como os dados estatís-ticos se modificam, n'um intervallo de tempo maior ou menor, com a mudança das condições materiaes da região.

Em Aveiro esse estudo nunca foi feito. A apre-sentação d'esta these não representa, comtudo, a pretenção de o fazer, mas apenas a de o auxiliar.

Divido o meu trabalho em três partes: na l.a,

depois d'um rápido estudo iopographico da cida-de, procuro dar um resumo da historia d'Aveiro, visando sempre o meu fim, a Hygiene. Insuffi-ciente sob qualquer outro ponto de vista, elle mos-tra quanto são estreitas e inseparáveis as relações

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entre o desenvolvimento e bem-estar d'uni povo, e a sua Hygiene; mais nada tenho em vista no ca-pitulo II da l.a parte.

Na 2.", que divido em dois capítulos: Demo-graphia estática e dynamica, procurei reunir as estatísticas d'Aveiro e comparo-as com idênticas do Paiz e principaes cidades.

No 1." capitulo estudo o que é a população sem ella se manifestar, os elementos de que ella se compõe e as condições em que vivem aquelles elementos para no 2." vêr como elles se movem, es-tudando então a nupcial/idade, a natalidade e a mortalidade como expressões d'esse movimento po-pulacional.

Divido a parle III em seis capítulos.

Sendo o solo sobre que assenta um povoado a sede de reacções e transformações que actuam di-rectamente sobre a saúde do individuo que o ha-bita, exponho no capitulo I d'uma maneira geral,

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a sua acção hygienica, fazendo em seguida um estudo rápido da superficie do solo d'Aveiro, das condições hygienicas das suas ruas e das modifi-cações que a Hygiene pede.

Descrevendo a habitação na 1." parte d'esté capitulo, visto ella, pela sua presença ter influen-cia sobre a superficie d'um terreno, estudo, na 2.a,

o solo na sua espessura, mostrando como as fos-sas fixas e a falta de canalisações para esgotos o conservam inquinado, a acção hygienica d'um solo contaminado e a maneira de o sanear.

Trato em seguida das aguas que alimentam as fontes publicas e mostrando, n'um quadro, d'uma maneira approximada, a quantidade de agua fornecida diariamente á cidade, apresento em seguida as analyses chimicas e bactereolo-gicas por onde se avalia a qualidade d'essas aguas.

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Labo-ratorio Municipal do Porto, por concessão do ve-reador do pelouro o Ill.m0 Ex.w0 Snr. Prof. Dr.

Lo-pes Marlins e do director do Laboratório o III.™ Ex.mo Snr. Conselheiro Dr. Ferreira da Silva.

As analyses bacteriológicas foram feitas no Laboratório Nobre, da Escola Medica, por conces-são do director o Ill.mo Ex.m0 Snr. Prof. Dr.

Alber-to d'Aguiar.

Tanto umas como outras analyses dão logar a considerações sobre o modo de captagem das aguas e das suas canalisações que eu descrevo.

O clima influe d'uma maneira evidente sobre a Hygiene d'uma região, mas nada encontrei de official a tal respeito.

A alimentação da cidade e em especial a da primeira infância fazem parte d'um outro

capi-tulo. Esta ultima, que merece o maior numero de cuidados, ê bastante desprezada porque a mãe, em geral, ignora o prejuízo que causa ao filho

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administrando-lhe alimentos incompatíveis com a sua capacidade digestiva.

Apresentando no capitulo seguinte as doen-ças, causas de morte, nos últimos dois annos, ter-mino o meu trabalho por um capitulo em que re-sumo as conclusões a que cheguei no fim do meu estudo.

Acompanha a minha dissertação uma planta da cidade em que figuram as canalisações actuaes para aguas e esgotos.

Este trabalho, que nunca tinha sido feito, é devido ao hábil conductor de Obras Publicas, o Jll.mo Ex.m0 Snr. José Ferreira Pinto de Souza, a

quem aqui deixo consignado o meu reconhecimen-to assim como a reconhecimen-todos os que me coadjuvaram fornecendo-me elementos para o meu trabalho.

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PARTE I

Topographia—Esboço histórico

Capitulo I

T o p o g r a p h i a

CIDADE d'Aveiro está situada na latitude

J N. 40°11' e na longitude O. 15° a cinco kilomètres, para nascente, da costa marítima, so-bre a ria que tem o seu nome e perto da foz do rio Vouga.

Sem limites bem nítidos pelo norte e pelo sul, a cidade é cingida a leste pela linha férrea, sendo pelo poente limitada pelo canal de S. Roque, ca-nal da cidade e salinas.

Estas são umas pequenas bacias, cujo solo tor-nado impermeável se presta á evaporação da agua do mar e portanto á crystalisação do sal que ella contém.

O canal da cidade, que communica largamen-te com o mar, atravessa a cidade na direcção nor-te-sul e depois leste-oeste, continuando-se com um outro canal mais estreito, o Esteiro do Cojo, que

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caminha na direcção leste-oeste até proximo da li-nha férrea.

O canal de S. Eoque que começa no canal da cidade segue a direcção nascente-norte, dando ori-gem a uma ramificação que vae ao mercado do Peixe. Somente até aqui está agora navegável. Para deante anda-se construindo o cães por conta da Ex.ma Junta da Barra, a quem se deve a

aber-tura d'esté canal que também não termina longe da linha férrea.

Dividida ao meio pelo canal da cidade e Estei-ro do Cojo, a cidade, que assenta em terrenos d'al-luvião de constituição moderna, tem uma forma muito irregular.

A superfície da metade norte pode comparar-se á superfície convexa d'uni diedro cuja aresta seria formada pelas ruas da Vera-Cruz, Gravito e Carmo, e cujas superfícies caminhariam, uma para o canal de S. Roque e outra para o canal da ci-dade.

A metade sul é formada por uma superfície mais ou menos regular e sempre ligeiramente in-clinada sobre o canal da cidade e Esteiro do Cojo.

Tanto n'uma como na outra metade da cidade ha partes planas como o Rocio, Praça do Commer-cio, Santos Martyres, etc., e terrenos baixos, ala-gados, a que adeante me refiro.

Capitulo II

E s b o ç o histórico

A multiplicidade das origens attribuidas a Aveiro, a maior parte creadas pela phantasia

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d'al-25

guns escriptores, são a prova evidente do pouco que se sabe de positivo a este respeito. E que Aveiro tenha sido a Talabrica ou o Aviarium ou o Aviron isso pouco importa para o meu caso.

Nos tempos históricos anteriores á fundação da monarchia, e nos primeiros tempos d'esta, Avei-ro foi-se evolucionando com as mesmas irregulari-dades com que deviam evolucionar-se todas as ter-ras d'um paiz em que as conquistas e as guerter-ras eram a única preoccupação de todos.

E assim succedeu realmente.

Aveiro germinou incognita até ao reinado de D. João I, epocha em que compartilhou da gloria e prosperidade com que Portugal começou então a viver. Comtudo a sua epocha mais florescente foi no reinado de D. Sebastião (1559-1578), em que chegou a ter 12:000 habitantes, sendo então muito importante, principalmente sob o ponto de vista commercial; armava 60 navios todos os annos pa-ra a pesca do bacalhau na Terpa-ra-Nova, chegando a ter 225 embarcações.

As suas salinas produziam annualmente 15.104:000 litros de sal.

Em julho de 1759 foi elevada á cathegoria de cidade por D. José como recompensa d'um protes-to de fidelidade feiprotes-to pelos aveirenses por occasião do attentado de morte do rei, feito pelo duque d'Aveiro, D. José de Mascarenhas.

Mas essa época era já de accentuada deca-dência, cuja causa principal era o desapparecimen-to da barra que a areia em 1802 obstruia comple-tamente, contribuindo de duas maneiras para a de-cadência da cidade: em primeiro logar, eliminando a drenagem natural, que pela barra se fazia, o que

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art

teve por consequência a transformação em pânta-nos de todos os innumeros braços da ria, que sem aquelle escoadouro para o mar, inundaram as sa-linas e os férteis campos que os circumdam, con-tribuindo assim para o estado de insalubridade da região que apenas ficou com 4:000 habitantes; em segundo logar paralysando o commercio marítimo lima das principaes fontes de riqueza tanto pela exportação de productos da região, principalmente do sal, como pela importação de productos de pri-meira necessidade, feita por aquella, até ahi, es-plendida via de communicação.

Situada na latitude de 40°30' e na longitude de 12°32', a 50 kil. da foz do Douro e a 45 da do Mondego, a barra deu já entrada a navios de grande lotação. Desde as armadas phenicias e car-taginezas e galeões romanos até ao anno de 1571, em que também d'aqui sahiram naus para a expe-dição d'Africa effectuada n'esse anno, foi a nossa barra frequentada por navios de todos os tama-nhos e feitios.

Mas, como todas as barras abertas em areia, tinha dois grandes defeitos: a mobilidade e a pos-sibilidade d'uma obstrucção em pouco tempo, o que realmente succedeu.

Para remediar estes dois grandes males em-prehenderam-se vários projectos, que, sendo pos-tos em execução sem realisarem o fim desejado, eram suspensos antes de acabados, continuando este péssimo estado de cousas até ao anno de 1808, em que o coronel Gomes de Carvalho conseguiu, depois de muitos trabalhos hydraulicos, abrir de novo a barra. Apezar de ter custado esta obra 250 mil cruzados, o mau resultado d'ella não foi

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pro-27

gnosticado tão precocemente como succedeu com as anteriores, mas não se fez esperar muito; em 1873 podia atravessar-se a barra a vau por causa d'uma nova invasão da areia. Comtudo alguma cousa se conseguiu com aquella obra: foi a fixação da barra, que tinha uma grande tendência a caminhar para o sul, onde mais facilmente se obstruía, em conse-quência da maior distancia e portanto da menor influencia das correntes do Vouga; foi construído um dique, na parte sul da barra, com a extensão de 1:080 metros.

Mas desde então até ha dois annos approxi-madamente, pobre paredão ! quasi nunca mais viu concerto; e, se não fossem as obras, a que a Ex.ma

Junta da Barra tem mandado proceder, já hoje a barra estaria outra vez em Mira como n'outros tempos.

Por iniciativa de José Estevão, esse aveirense illustre, cuja memoria ainda hoje é venerada por todos nós, foi creado um subsidio annual de 15 contos de réis; mas em 1865 deixou de ser conce-dido, ficando apenas a receita do imposto do real

da barra, pouco mais de 8 contos de réis, para as

obras do porto.

Em 1874 foi a barra de novo aberta pelo en-tão director das Obras Publicas do Districto, Snr.

Silvério Augusto Pereira da Silva; mas apezar d'is-so a barra continua em más condições, prejudi-cando talvez um pouco o estado sanitário e com certeza muitissimo o commercio marítimo.

O melhoramento e a conservação da barra é sem duvida o que mais interessa aos aveirenses, que se devem unir e envidar todos os esforços para manter livre aquella communicação com o mar.

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23

Sem ella, além de ficar paralysado o commercio ma-rítimo, ficará a cidade cercada de pântanos que já constituíram e de novo seriam o factor principal da insalubridade d'Aveiro e dos seus arredores.

Desde a abertura da barra, a antiga salubri-dade voltou como o provam o augmente da popu-lação, a fertilidade progressiva dos campos, que marginam os innumeros braços da ria e a produ-cção cada vez maior do sal.

Assim a população já em 1864 era de 6:395 habitantes, em 1878 de 6:852, em 1890 de 8:860, em 1900 de 10:012, tendo augmentado até 1903 como se infere pelos estudos demographicos da ci-dade, a que procedi, e que constituem uma das partes da minha dissertação.

E' admirável a fertilidade dos campos nas pro-ximidades da ria que os sustenta e excellentes e abundantíssimos os productos ali colhidos.

O fabrico do sal, talvez a principal fonte de ri-queza da cidade e uma industria que emprega muitos centos de homens, tem progredido e pro-gredirá ainda muito mais, se se melhorar e conser-var boa a barra, que, além de facilitar a exporta-ção d'aquelle producto, conservará as salinas em óptimas condições de producção.

Arrastando e movimentando essas enormes massas d'agua que circumdam a cidade e arredo-res, o que só se consegue estando a barra em bom estado, toda esta região, beneficiada com uma atmosphera marítima, em que o ar é constantemen-te renovado pelas continuas ventanias e correnconstantemen-tes das aguas, offerece as melhores condições hygie-nicas.

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Ë fosse a hygiene publica artificial como é a natural.

Se não fosse a natureza, pobres pescadores ! que vivem em fraternal convívio com as suas pro-prias dejecções !

Nem um cano de esgoto n'esse bairro piscató-rio tão populoso e trabalhador !

Mas, emfim, n'outro capitulo trato mais desen-volvidamente d'esse e de muitos outros assumptos idênticos, terminando este dizendo aos aveirenses que devemos aproveitar as boas disposições natu-raes para uma boa hygiene, esforçando-nos todos, já não digo por ajudar a natureza, mas ao menos por não a contrariar tão manifestamente.

Ha poucos mezes ainda, iniciaram-se os traba-lhos para organisar uma Associação de Classe dos Proprietários de Marinhas e Marnotos que tendo em vista o augmente do commercio do sal, tem de olhar necessariamente pelo estado da barra, esfor-çando-se por a conservar boa.

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PARTE II

D em o graph ia

Capitulo I D e m ò g r a p h i a e s t á t i c a I—Composição censuaria.

POPULAÇÃO da cidade d'Aveiro tem variado

j muitíssimo, encontrando-se a causa d'estas variações nas mudanças do estado sanitário da re-gião. Assim a historia diz-nos que em 1570 a popu-lação era de 12:000 habitantes e já em 1802 apenas se compunha de 4:000. Esta diminuição de dois ter-ços explica-se perfeitamente pela insalubridade que invadiu toda a região, devida sem duvida ao entu-lhamento da barra, o que transformou os campos e as salinas em pântanos com as suas funestas consequências. Mas este estado de coisas felizmen-te desappareceu e portanto, a população foi au-gmentando.

Assim o recenseamento da população dado pelo censo de 1864 foi de 6:395, havendo um au-gmenta de 2:395 habitantes em 62 annos; o censo

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de 1878 dá 6:852 ou mais 457 indivíduos que o anterior, augmente já um pouco mais considerá­ vel; o censo de 1890 deu o numero de 8:860, mais 2:008 habitantes, havendo uma differença de 1:152 habitantes a mais, até ao 1.° de dezembro de 1900 em que o censo dá o numero de 10:012, augmen­ tando ainda a população, até ao fim do anno de 1903, de 385 indivíduos, como se pode ver pelo quadro comparativo da mortalidade e da natalida­ de que mais adiante exponho.

A media annual do crescimento da população no período de 1802­1864 foi de 38,6; no periodo intercensuario de 1864­1878 foi de 32,6; no de 1878­1890 foi de 167,3, sendo a media annual de 115,2 no periodo de 1890­1900; nos três últimos annos a media annual do crescimento da popula­ ção foi de 125.

Pelo numero dos seus habitantes, Aveiro é a 12." cidade do reino; estão acima: Lisboa, Porto, Braga, Setúbal, Coimbra, Évora, Covilhã, Elvas, Tavira, Portalegre e Faro, tendo abaixo as 15 res­ tantes.

A população por freguezias dada pelo censo de 1900 é na cidade: para a freguezia da Vera­ Cruz de 5:324 e para a da Gloria de 4:688. São as maiores freguezias do concelho, como se pôde ver pelo quadro I que agrupa os habitantes distin­ guindo sexo e freguezias.

A população do concelho dAveiro, dada pelo censo de 1900, compunha­se de 24:839 habitantes. No districto ha apenas quatro concelhos maiores: Feira, Estarreja, Oliveira d'Azemeis e Ovar por ordem decrescente do numero d'habitantes.

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A população do districto, segundo o censo de 1900, compunha-se de 302:181 habitantes, mais 14:744 que em 1890.

II—Fogos.

O censo de 1890 marca á cidade 996 fogos na fregueziada Gloria e 973 na da Vera-Cruz.

Tendo dado o recenseamento feito n'esse mes-mo anno 4:313 habitantes para afreguezia da Glo-ria e 4:547 para a da Vera-Cruz, vê-se que na l.a

ha 4,3 e na 2.a 4,6 habitantes por domicilio.

Isto em 1890; de então até hoje, se a popula-ção tem augmentado, o numero das construcções tem crescido também, conservando-se sensivelmen-te a mesma relação entre a população e os do-micílios.

Tirando qualquer accumulação de individuos que uma busca minuciosa daria, talvez, em algu-mas casas dos bairros pobres, estamos sob este ponto de vista um pouco acima de Braga em que a media é de 5 habitantes por domicilio e muitíssi-mo superiores ao Porto, essa opulenta cidade que se orgulha de tudo menos da sua hygiene e onde os menos desfavorecidos da fortuna vivem n'umas

ilhas que se podem comparar ás sentinas dos seus

proprietários e em que a accumulação se faz em grau muito subido.

III-Sexo.

Ha na cidade mais 290 fêmeas que varões o que é regra no reino, e, segundo as estatísticas das outras nações também por lá se dá o mesmo. Com-tudo a differença não é tão sensível como em ou-tras terras do paiz, devido a que na freguezia da

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35 Vera-Cruz o numero dos varões é superior ao das fêmeas, havendo uma differença de 326.

Na cidade ha 943,7 varões por 1:000 fêmeas; na freguezia da Vera-Cruz 1:130 homens por 1:000 mulheres, havendo na da Gloria 767,7 d'a-quelles por 1:000 d'estas.

IV—Estado civil.

Das três classes em que se dividem os indiví-duos, segundo o estado civil, a mais numerosa na cidade é a dos solteiros; seguem-se depois por or-dem decrescente a dos casados e a dos viúvos.

Na freguezia da Gloria o numero dos solteiros é 2,05 vezes maior que o dos casados e 11,8 ve-zes maior que o dos viuvos, sendo na freguezia da Vera-Cruz 2,09 e 12,9 os números correspon-dentes.

Os viuvos são os menos representados, sendo comtudo maior o numero das fêmeas que, pelo que se vê, teem pouca procura.

As taxas respectivas dos indivíduos segundo o estado civil, referidos a 1:000 habitantes, são: para os solteiros de 640,6; para os casados de 307,7, sendo de 51,5 para os viuvos.

Ha menos solteiros que em Braga e mais que no Porto, Lisboa e Continente.

Com relação aos casados o Continente e o Porto estão bastante acima de nós; Lisboa muito pouco acima e Braga bastante abaixo.

Só em viuvos ê que todos nos excedem. As taxas, por mil habitantes, dos indivíduos segundo o estado civil, em Aveiro, encontram-se no quadro II, como aquellas a que acima me refi-ro distinguindo o sexo.

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6B

QUADRO ar.o II

Taxas, referidas a 1:000 habitantes, distinguindo o sexo, do estado civil

SOLTEIROS CASADOS VIÚVOS M. F. Total AI. F . Total M. F . Total

Aveiro Continente ■ ■ Lltboa . . • ■ 317,8 SOO 324 307 323,3 308 394 319 340,9 040,0 «08 018 026 641,8 155,5 164 163 158 142,5 152,2 100 145 153 141,3 307,7 330 308 311 283,8 13,7 19 19 16 10,1 37,8 43 55 47 46,8 51,5 02 74 03 6i,9 323,3 308 394 319 340,9 040,0 «08 018 026 641,8 155,5 164 163 158 142,5 152,2 100 145 153 141,3 307,7 330 308 311 283,8 13,7 19 19 16 10,1 37,8 43 55 47 46,8 . V—Instrucção.

Em Aveiro ha 588,5 analphabètes por 1:000 habitantes havendo só 411,5 por mil que sabem 1er. Estamos sob este ponto de vista muito abaixo de Lisboa onde lêem 425 por mil, abaixo do Porto em que lêem 448 por mil e em Braga mesmo, lêem ainda mais que no Porto — 460 por mil.

E' triste este estado de cousas ! VI­Naturalidade.

Referidos a 1:000 habitantes o maior numero d'estos é do concelho— 795; do districto ha 87; d'outra qualquer parte do paiz 108, sendo apenas 10,2 o numero dos estrangeiros.

Sob este ponto de vista as taxas do Continen­ te são as seguintes :

do concelho. . . . 890

do districto 60

do paiz 60 estrangeiros 8 Vê­se por aqui que a immigração para Avei­

ro é grande; ella não é devida certamente ás in­ dustrias ou commercio, que occupam quasi só gen­

(31)

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(32)

38

te da terra; as verdadeiras causas d'esté movimen-to para a cidade devem ser os seus muimovimen-tos encan-tos, os numerosos recursos de que ella dispõe, a sua bella posição, etc.

O quadro III apresenta, para a cidade, a po-pulação de residência habitual e a popo-pulação de facto distinguindo sexo, naturalidade, estado civil e instrucção segundo o censo de 1890.

Capitulo II

iDomog-raptna dynamica

I - NUPCIALIDADE

I —O quadro IV apresenta os casamentos ef-fectuados em Aveiro no perioclo de 1899-1903, distinguindo os mezes e as duas freguezias da ci-dade em que elles se deram.

A taxa media d'esses números dá por anno, 5,96 casamentos por 1:000 habitantes.

Comtudo o numero de. casamentos, nos diffé-rentes annos que fazem parte do período que to-mei soffre umas mudanças muito sensíveis: attin-ge o maior numero no anno de 1908 em que dá uma taxa de 7,7 approximadamente, sendo o anno de 1902 o menos fértil, pois dá apenas o numero de 4,4 casamentos por mil habitantes.

A freguezia da Vera-Cruz teve, durante o pe-ríodo de 1899-1903, mais 20 casamentos que a da Gloria, sendo as taxas, durante os cinco annos,

(33)

30

muito approximadas: 29,4 na Vera­Cruz e 29,2 na Gloria.

No numero de casamentos effectuados em ca­ da mez nota­se a mesma irregularidade que nos annos.

QUADRO N.° IV

Casamentos em Aveiro no periodo de 99­903 distinguindo freguezias 1 S 0 0 í e o o l O O l 1 0 0 3 1 0 O 3 —■ ­ ­ — ~ í e o o ­ ' ••—^ "^ ­ » ­ ^ s M 3 O à d o 3 O a ■■ o S M 3 o o CS 3 k O á d o a 3 O ■ m t_ o d c o 5 o > > Janeiro ■ 1 1 1 1 3 1 3 1 3 7 Fevereiro 3 3 5 2 2 4 2 1 3 6 Março . . 1 1 0 0 2 0 0 0 1 1 Abril. . . 2 3 2 1 2 3 3 1 2 1 Maio. . ­ 3 3 6 3 4 5 4 3 4 6 ,7unho . 3 3 2 2 '2 1 0 2 2 2 Julho . 1 5 3 1 1 1 0 4 3 2 Agosto. 5 2 2 3 7 3 0 2 3 3 Setembro 2 3 1 1 3 2 2 1 3 G 5 2 1 2 1 3 1 2 1 Outubro 5 2 1 2 3 1 2 Novembr 3 . 1 4 2 2 7 1 6 3 7 6 Dezembr o . 2 1 31 6 0 19 3 2 24 0 2 1 2 Sommas . . 29 1 31 31 0 19 40 2 24 23

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Comparando as taxas nupciaes d'Aveiro com as do Continente e das três principaes cidades: Lisboa, Porto e Braga, vê­se que estamos quasi

nas mesmas condições que o Continente­ 5,96 pa­ ra 6,3; Lisboa está como nós e acima o Porto—7,3

(34)

10

QUADRO JV.« V

Taxa nupcial e casamentos de Aveiro e taxas nupciaes do Continente, Lisboa, Porto e Braga

AVEIRO PAIZ LISBOA PORTO BRADA Numéros Taxas Taxas Taxa s Taxas Taxas 1899 GO

1900 49

1901 Ci 5,90 6,30 8,0 7,3 6,86 1902 44

1903 77 77

II—Casamentos segundo o estado civil.

Pelo quadro VI vê-se que o maior numero de casamentos, nas duas freguezias da cidade, se ef-fectua entre solteiros e solteiras, seguindo-se-lhe os casamentos entre viúvos e solteiras. Alguns solteiros ainda casam com viuvas mas os viúvos quasi que as desprezam. O quadro VI refere-se ao período de 1899-1903.

QUADRO N.° VI

Casamentos segundo o estado civil

F H E G U E Z I A S Vera-Cruz Gloria M. S. V- | S. V. V. S. V. S. V. Total 6. | V. 8. V. Total 1899 1900 1901 1902 1903 24 26 40 23 26 1 2 a 2 3 2 1 29 31 10 23 34 27 16 19 17 38 2 1 2 1 2 2 2 1 1 2 2 30 18 23 21 43 Total 1 139 10 3 157 117 5 7 0 135 l>or 1000 885,3 31,8 68,6 19,3 1000 866,7 37 51,9 44,4, 1000

(35)

41 IIÏ-Edade dos nubentes.

Pelo quadro VII vê-se que o maior numero de nubentes tem de 20 a 30 annos, sendo muito poucos os que teem mais de 40.

O quadro, que distingue as duas freguezias da cidade e sexo dos nubentes, refere-se ao perío-do de 1899-1903.

QUADRO N." VII

Edade dos nubentes no período de 1899-1903

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F R E G U E Z I A S

A V E I R O

F R E G U E Z I A S

A V E I R O

Vera Cruz Gloria

Amios H o m e n s Mulheres Homens Mulheres

20 17 50 17 32 2J -25 07 07 57 49 20-30 41 28 30 28 31-35 13 6 9 8 so-to 9 2 0 4 41-lõ 4 2 4 40-50 2 3 51 1 2 4 3 II —NATALIDADE

I—Só por uma selecção muito minuciosa feita nos livros de registo parochial referentes á morta-lidade se poderia constituir completamente a lista

dos nascimentos porque ella é différente da dos baptisados, d'onde foram tirados os números que formam os quadros referentes á natalidade.

(36)

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(37)

43

mortos ou os que morreram pouco depois de nas-cer, emfim os que não foram baptisados na egreja.

Tem, pois, de se accrescentar algumas cifras aos números que no quadro VIII representam a natalidade geral cie Aveiro, no periodo de 1899-1903, distinguindo mezes, freguezias e sexos, para obter os números exactos.

11—Sexo.

Pelo quadro IX que apresenta os nados dis-tinguindo annos, sexo e freguezias vê-se que, co-mo no paiz e principaes cidades, nascem mais indiví-duos do sexo masculino do que do feminino.

QUADRO N.° IX

Nascimentos por annos, sexos e legitimidade

F R E G U E Z I A S

Vera-Cruz Gloria

M. F- LOS'. Illeg. Total i ; M . F. Leg. llleg. Total

1899 71 50 12t 6 127 69 47 102 14 110 1900 67 62 126 3 129 54 61 103 15 118 1901 84 63 139 8 147 64 60 112 12 124 1902 75 62 125 12 137 ; 63 50 103 16 119 1903 75 79 143 11 154 72 46 105 13 118 Total 372 322 654 40 094 1 322 273 525 70 595 III—Legitimidade e iilegitimidade.

Vê-se pelo quadro IX que apresenta sepa-radamente os nados das duas freguezias, distin-guindo-os pela legitimidade, que o maior numero d'elles são legítimos sendo insignificantíssimo o numero dos illegitimos.

(38)

4.1

III—MORTALIDADE

I—No quinquennio de 1899-1903 o numero de indivíduos mortos annualmente foi de 141,8, sendo a taxa media 14,16 referida a 1:000 habitantes.

Comparando esta taxa com a do Continente— 21,7 vê-se que ella é muito inferior, o que succède também com as taxas de Lisboa, Porto e Braga em que morrem annualmente por 1:000 habitantes respectivamente: 28,1, 26,6 e 34,8.

A mortalidade da freguezia da Vera-Cruz é menor que a da Gloria; na l.a morrem por anno

12,2 indivíduos por 1:000 emquanto que a taxa mortuária de 2.a é de 16,1.

O quadro X apresenta as taxas do Continen-te, Lisboa, Porto e Braga comparadas com as d'A-veiro que estão separadas por sexos e freguezias.

QUADRO N.o X

Taxas da mortalidade referidas a 1:000 habitantes sendo para Aveiro no período de 1899-903, distinguindo cidade, freguezias e sexo

n m A r v f ; F R E G U E Z I A S

Vera-Cruz Gloria

Total M. | F. Total M. F. Total 11. F .

Continente . Lisboa . 21,7 28,1 14,68 16,1 17,9 21,7 28,1 14,68 14,05 12,2 12,3 12,6 16,1 17,9 Braga Aveiro . 34,8 14,6 14,68 14,05 12,2 12,3 12,6 16,1 17,9 15,4

O quadro XI traz a mortalidade, em Aveiro, durante o periodo de 1899-1903, distinguindo me-zes, freguezias e sexo.

(39)

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(40)

41!

II—Sexo.

Na freguezia da Vera-Cruz a mortalidade e* um pouco maior nas mulheres, mas na da Gloria é muito maior nos homens.

Na cidade é maior nos homens como se vê no quadro X.

III-Edade.

Agrupando os óbitos dados em Aveiro durante o periodo de 1899-1903, vê-se que o grande con-tingente de mortes é dado por indivíduos de mais de 50 annos, e n'estes ainda a maioria é de indi-víduos de 80 a 90 e mais annos, como se depre-hende da leitura dos livros de registo parochial.

A seguir vêem as creanças abaixo de 1 anno, seguindo-se-lhe os indivíduos de 26 a 50 annos.

Occupam o quarto logar as creanças de 1 a 3 annos, ficando os últimos occupados pelas crean-ças de 4 a 15 annos e adultos de 16 a 25.

O quadro XII apresenta agrupados por eda-des os óbitos dos últimos cinco annos.

QUADRO N.° XII

Óbitos por edades no periodo de 1899-903 distinguindo a cidade e freguezias ANNOS 0—1 1—3 4—15 16—25 2G—50 51—100 114 56 SO 47 88 324 Freguezia da Vera-Cruz . 42 43 20 22 40 159 Freguezia da Gloria . 72 13 24 25 48 185 IV—Estado civil.

(41)

AI

estado civil distinguindo freguezias e sexos duran-te operiodo de 1899-1903.

Os solteiros é que mais enriquecem o quadro, seguindo-se-lhe os casados e depois os viúvos.

QUADRO N.o XIII

Mortalidade segundo o estado civil

AVEIRO FREGUEZIA OA VERACRUZ FREGUEZIA DA GLORIA

Annos 1899 !l900 1 1901 1902 1903 1899 1900 1901 |1902 1 190S Solteiros M. F. 18 19 20 16 24 18 22 12 1516 i 23 12 14 16 25 28 16 » 14 29 M. 10 19 12 13 7 9 IS 20 14 10 Casados F . 13 7 3 9 8 i 4 :• 10 13 10 M. F. 1 10 5 10 2 5 1 ! « 3 10 3 10 3 9 2 Viúvos M. F. 4 1 10 5 10 2 5 1 ! « 3 10 3 10 3 9 4

V—Como complemento do estudo da natalida-de e da mortalidanatalida-de impõe-se a comparação das duas para se avaliarem as differenças existentes. Pelo quadro XIV, que apresenta essa compa-ração distinguindo freguezias e sexos, vê-se que a mortalidade é bastante menor que a natalidade, d'onde resulta um augmento considerável da po-pulação.

(42)

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(43)

49

T a x a i s d e c r e s c i m e n t o

Servindo-me da formula P = p il 4 - y ^ ™ ^ * procurei as taxas do crescimento da população d'Aveiro nos períodos intercensuarios de 1864-1878, de 1878-1890 e de 1890-1900 pelo calculo seguinte :

= P V "^ 1:000 ) d'onde em log

log P = log p + t x log ( l + 3 ^ Õ )

l o g ( j r \ log P — log p 1:000/~~ t em que P = representa o ultimo censo

p— » o penúltimo »

t = tempo em annos intercensuario r = taxa a procurar

Substituindo as lettras pelos seus respectivos valores encontrei que no período intercensuario de 1864-1878 a taxa do crescimento da população aveirense foi quasi insignificante—4,9—, mas attgiu um numero muito considerável no período in-tercensuario seguinte —21,6—, e no periodo que terminou em 1900 conservou uma taxa de 12,2.

Estamos muito acima do Continente, cuja taxa foi de 8,8, acima de Braga—11,4— e de

1878-1890 acima das principaes cidades do paiz: Lisboa e Porto cujas taxas foram respectivamente—17— e—21,2—.

(44)

PARTE III

Hygiene

Capitulo I

O s o l o — S u a . a c ç ã o h y g l e n i c a

I

A superficie do solo d'Aveiro—A via publica— A habitação

HABITAÇÃO do homem e dos outros animaes

sobre a superficie da terra representa uma ameaça de contaminação do solo por matérias or-gânicas, que depositadas na sua superficie, o vão atravessando lentamente.

Quanto mais solúveis, mais facilmente são absor-vidas pelo solo estas substancias, e quando insolú-veis vão-n'o atravessando divididas em partículas tenuíssimas suspensas na agua, substancia indis-pensável á absorpção.

O solo recebe uma quantidade enorme de ma-teria orgânica proveniente dos cadáveres de ani-maes e vegetaes, das excreções dos primeiros, etc., creando-se um meio desfavorável á vida do ho-mem pela putrefacção de todas aquellas substan-cias, quando o solo se encontra privado das

(45)

condi-Sa

ções necessárias para exercer o seu papel COÍBO

fa-ctor importantíssimo da salubridade d'uma região. O desapparecimento mais ou menos rápido da materia orgânica, pela transformação d'esta em ele-mentos não nocivos ao homem, é devido á acção de certos micróbios saprophytas, que vivem nas primeiras camadas do solo, sendo portanto muito úteis á vida do homem, porque transformando a ma-teria orgânica em substancias mineraes, tornam-a capaz de ser absorvida pelos vegetaes, completan-do assim a circulação da materia.

La terre est quelque chose de vivant; disse

Ber-thelot.

A destruição da materia orgânica faz-se essen-cialmente por oxidação, nas dependências do oxi-génio do ar e sob a influencia d'uma serie de fer-mentos distinctes que transformam o carbono em acido carbónico, o azoto em ammoniaco, o ammo-niac© em acido azotoso e depois em acido azotico; a combinação d'estes ácidos com bases salificaveis dá os azotitos e os azotates, ultimo termo das re-gressões da substancia azotada, por intermédio das quaes a materia orgânica morta e putrescivel se mi-neralisa, tornando-se imputrescivel e propria a ser absorvida pelos vegetaes, retomando logar nos te-cidos vivos. (Arnould).

Ora um solo desprovido do oxigénio do ar, sa-turado ao máximo de materia orgânica e de humi-dade não constitue o depurador d'um povoado. A agua, além de se cppôr á entrada do oxigénio n'um terreno, diminue muito as acções oxidantes dos micróbios saprophytas, chegando estas a sus-penderem-se n'um solo alagado.

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tram-se comtudo espécies pathogenicas para o ho-mem.

Um terreno tem, pois, de se conservar permeá-vel ao ar e livre d'nm excesso d'agua; só assim se poderá dar a mineralisação de toda a materia or-gânica n'elle depositada.

Nas cidades, porém, e em geral nos grandes povoados, necessidades de toda a ordem obrigam a tornar mais ou menos consistente o solo onde el-les assentam, condição que obsta d'uma maneira notável á entrada do ar e portanto do oxigénio no seio d'esso terreno. A agua, que se oppõe á mine-ralisação da materia orgânica, auxiliando, pelo contrario a putrefacção, encontra-se frequentemen-te no solo dos povoados um pouco grandes e é mais um obstáculo á entrada do oxigénio.

Juntando a isto uma "enorme quantidade de materia orgânica lançada diariamente no solo, em virtude da ausência quasi completa de canalisa-ções para esgotos, e da permeabilidade da sua su-perfície, que em alguns sitios está alagada, tem-se uma ideia geral do solo da cidade d'Aveiro.

Assim é que entre o Jardim Publico e o edifí-cio do Novo Hospital da Misericórdia, que ainda está no principio da construcção, se encontra um terreno baixo, sempre alagado, conservando-se submergido durante uma grande parte do anno e estendendo-se até ao bairro dos Santos Martyres, que pede um saneamento urgentíssimo, visto ser ladeado pelo Hospital e pelo Jardim, centro de reunião de muita gente.

E ' preciso fazer desapparecer toda aquella massa d'agua por meio d'umas drenagens

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aquella baixa eucalyptus, cujo poder absorvente para a agua está bem demonstrado; e, servem as-sim indirectamente para o saneamento d'aqnelle terreno, porque, evaporada a agua, o ar facilmen-te entrará no seio d'elle e os fermentos mineralisa-dores entram em acção, tornando-o apto para a cul-tura e inoffensivo para o homem.

Devido á Ex.ma Junta da Barra as piscinas

que ficavam ao lado da estrada da Estação teem desapparecido pouco a pouco, e, no fim d'esté ve-rão, deve ficar eliminada aquella causa de insalu-bridade. Tem sido entulhadas com as lamas resul-tantes da dragagem dos canaes que atravessam ou estão próximos da cidade. Vindo estas lamas, quan-do sahem quan-do funquan-do quan-dos canaes, carregadas de ma-teria orgânica proveniente dos esgotos, cadáveres de animaes, vegetaes, etc., constituem um péssimo solo sob o ponto de vista hygienico; porém a ex-posição ao sol e a sua remoção, auxiliando a eva-poração da agua em que ellas estão embebidas, provocam a oxidação e mineralisação das matérias orgânicas, tornando-as inoffensivas.

Para nascente da estrada da Fonte Nova en-contram-se terrenos em muito más condições, tendo muita analogia com os de ao pé do Jardim; estes terrenos, que se estendem até á importante fabri-ca de telha dos snrs. Pereira Campos & Filhos, es-tão completamente alagados e constituem um peri-go para a saúde dos habitantes visinhos. Fácil é, comtudo, fazer uma drenagem, visto passar pelo meio do terreno um canal que communica com o Cães; e depois d'isso as plantações e as culturas.

Nos grandes povoados a superfície do solo é dividida em ruas que são uns interyallos

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riamente situados entre duas fileiras de casas. As suas dimensões, comprimento e largura, o seu pa-vimento e a sua profundidade interessam sobremo-do o hygienista, visto serem factores importantes da salubridade ou insalubridade d'uma povoação. Revolvendo a historia, ella mostra-nos como as cidades mais importantes da Europa apresenta-vam as suas ruas em que a luz e o ar nunca en-traram até á construcção dos novos bairros que ho-je apresentam; não é preciso dar para exemplo Londres ou Paris; temos em Portugal Lisboa e o Porto em que alguns dos bairros mais insalubres teem desapparecido pela abertura de ruas largas, jardins e avenidas.

Infelizmente também não é preciso ir ao Orien-te ver hoje o que a historia nos conta do passado, porque ainda em muitas das principaes cidades da Europa se encontram esses miseros bairros em que faltam as condições essenciaes de salubridade, o que bem contribue para o depauperamento dos seus numerosíssimos habitantes.

E para ver isso para que sahir de Portugal? O Porto dá-nos ainda uma ideia frisante do que são esses bairros.

Ainda se encontram no bairro da Sé ruas com oitenta e tantos centímetros de largura e casas de três e quatro andares. (Dr. Antas -Insalubridade

do Porto—1902).

Aveiro, embora n'esse ponto muito acima do Porto, também tem de se penitenciar por ainda possuir acanhadíssimas ruas ladeadas de casas al-tas, condições bem desfavoráveis para a salubri-dade.

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A rua dos Mercadores parece a continuação dos Arcos, do mesmo modo coberta, tal ó a sua pouca largura e a muita altura das casas que a la-deiam. Sendo esta rua muito pouco ventilada e pouco alumiada, soffrendo durante muito pouco tempo a acção do sol, conserva quasi continuamen-te muito húmido o seu pavimento, fazendo partici-par d'esse mal as casas, que conservam o rez-de-chaussée n'uni estado de humidade permanente. Seguindo até ao Largo da Apresentação, encon-tra-se uma estreitíssima viella que, pelas suas tris-tes condições, se presta admiravelmente a despe-jo de todas as immundicies, animaes mortos, etc. e a servir de sentina.

Um pouco mais adiante está outra que só dei-xa de ter os mesmos usos por ser muito mais tran-sitada.

Kefiro-me ã viella de S. Pedro e ã rua dos Marnotos.

Algumas vereações tentaram já o alargamento da rua dos Mercadores pela demolição do quartei-í ã o q u e a separa da rua Domingos Carrancho, obra que se impõe como de primeira necessidade para a Hygiene, sem fallar no embellezamento que podia trazer a esta parte da cidade.

No estado actual em que as coisas se acham é necessário e indispensável obstar a que façam da viella de S. Pedro o uso que teem feito até aqui, mandando policiar o local e remover as immundi-cies que, putrefazendo-se, exhalam mau cheiro e se vão infiltrando pouco a pouco no terreno em que placidamente repousam.

Mas não é só isto.

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67 incríveis; entre este Largo, com o seu mosaico e o sumptuoso edifício do Lyceu, passa uma rua de largura regular; mas, a poucos metros para o nor-te, entra-se n'uma viellinha que mais parece um cano de esgoto do que destinada a passagem de gente. E' a viella do Correio, que communica com outra em idênticas condições, a rua dos Tavares. Ambas sem ar e sem luz, carregadas de deje-ctos, estão nas peiores condições hygienicas.

Parece que, segundo um projecto, a avenida do Loureiro destruiria todo este bairro immundo que vae até á rua da Alfandega, assim como, alar-gando as longas viellas que se estendem entre mu-ros até ao Espirito Santo, daria um bairro hygie-nico e bom para habitar.

Não sei que causas teem obstado á realisação d'esse projecto, mas emquanto se não faz a obra, não se mostre a quem tiver a infelicidade de pas-sar por aquelle bairro, o descuido cora que, era Aveiro, se trata da Hygiene.

Além de bastantes viellas estreitas que ligam algumas ruas a praças e de que a Hygiene acon-selha o alargamento, ainda teria a notar a irregu-laridade e pouca largura d'algumas ruas como a Direita (a que só por ironia cabe tal denominação) que também é fértil em estreitíssimas ramificações lateraes, idênticas ás que já descrevi e que repre-sentam um attentado evidente á Hygiene do local pela pouquíssima ventilação e falta de luz, bem como pela muita humidade e matérias orgânicas que lá se encontram.

Refiro-me á viella detraz da Cadeia, ás que li-gam a rua Direita com a da Corredoura, á rua do Rato e ás que ficam do outro lado ligando a rua

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Direita á longa viella, entre muros, que liga o Lar-go Municipal á rua do Passeio.

A viella que liga o Rocio á rua do Alfena é perfeitamente comparável á viellinha do Correio; sem maior largura, muito mais comprida, com ca-sas muito mais altas é tudo o que ha de mais an-ti-hygienico.

Torna-se urgentíssimo fazer desapparecer por completo aquelle foco de immundicies, pela sua acção anti-hygienica e porque desemboca no Rocio, uma das bellezas da cidade.

Nos bairros pobres, tanto antigos como mo-dernos, se as ruas são pouco largas, as casas são, na sua grande maioria, baixas, não se oppondo á ventilação o entrada do sol.

Aveiro ainda possue um passeio coberto, os Arcos, sitio onde se reúne muita gente e onde a renovação do ar é defeituosa. A Hygiene deve condemnar este reservatório de ar confinado.

Uma cidade antiga como Aveiro não pode dei-xar de possuir ainda muitos mais vicios de confor-mação perante a Hygiene d'hoje.

Sabe-se bem que os primitivos fundadores das cidades não sacrificavam os interesses commereiaes ou industriaes á Hygiene em que provavelmente nem pensavam.

Mas esforcemo-nos por corrigir, quanto possí-vel, os defeitos existentes, que muito contribuire-mos para melhorar o estado sanitário cia cidade.

Teem-se feito algumas obras do reconhecidas vantagens como a Avenida Bento de Moura, rua da Estação, Costeira, etc., mas outras cuja execu-ção se impõe e com que Aveiro muito lucraria, não passaram ainda de projecto.

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59 Ruas de grande transito como a do Gravito e Direita ainda deixam muito a desejar; ha comtudo projectos para dotar a cidade com novas avenidas: a do Loureiro e a que do Terreiro irá á Estação, as quaes devem merecer a approvação da Hygiene. A rua, em projecto, ligando o mercado Manoel Firmino com o do Peixe destruiria a rua dos Mar-notos.

Pela demolição, também projectada, do velho quarteirão que tanto affronta a rua dos Mercado-res, ficaria esta em muito melhores condições hy-gienicas, desapparecendo também com os seus in-convenientes a viella de S. Pedro já referida.

O antigo bairro do Alboy, a rua da Rainha, do Aliéna, etc., merecem também censura.

Temos comtudo algumas ruas, a de José Este-vam, do Cães, da Alfandega, etc., de que nos pode-mos orgulhar; principalmente as duas ultimas, la-deando o Cães, constituem um passeio admirável e agradabilíssimo.

A' Hygiene importa o comprimento, a largura e a altura das ruas, mas em muito maior grau el-la se interessa pelo seu revestimento.

Os comprimentos exaggerados das ruas d'algu-mas cidades, attingindo alguns kilometros, não se encontram em Aveiro; comtudo, embora uma rua seja curta, deve, com pequenos intervallos, ser cortada por outras ruas e largos, facilitando assim a circulação do ar e a sua entrada nas habitações. A largura e a profundidade são também dois factores a que se deve attender para a circulação do ar e muito principalmente para a entrada da luz do sol.

Referências

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