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Orientação profissional e deficiência na produção científica nacional

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Academic year: 2021

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(1)Encontro Revista de Psicologia Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014. Leonardo de Oliveira Barros Universidade do Oeste Paulista - Unoeste [email protected]. Camélia Santina Murgo Universidade do Oeste Paulista - Unoeste [email protected]. ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E DEFICIÊNCIA NA PRODUÇÃO CIENTÍFICA NACIONAL. RESUMO O presente trabalho apresenta os achados teóricos referentes à Orientação Profissional e deficiência. Para a busca dos dados foram consultadas bases nacionais de periódicos científicos, anais de congressos e bancos de teses e dissertações. As publicações analisadas compreenderam três artigos, três trabalhos apresentados em congressos, uma dissertação e uma tese. Os resultados foram organizados em cinco categorias relativas aos objetivos das investigações, deficiências abordadas, dificuldades de inserção, recursos de apoio para inclusão e modalidades de intervenção. Evidenciou-se que não há continuidade dos estudos na área impossibilitando visualizar em longo prazo a efetividade ou aperfeiçoamento das práticas. Destaca-se a importância da ampliação de intervenções em Orientação Profissional possibilitando maior precisão no atendimento de pessoas com deficiência. Palavras-Chave: Orientação Profissional; Deficiência; Mercado de Trabalho.. ABSTRACT This paper presents the theoretical findings concerning to Vocational Guidance and deficiency. To the search of the data bases were consulted national databases of scientific journals, databases theses and dissertations. The publications analyzed contained three items, three papers presented at conferences, a dissertation and a thesis. The results were organized into five categories relating to the objectives of the investigation, deficiencies dealt, difficulties insertion into work, support resources for inclusion and modalities of intervention. It has evidenced that there is no continuity of studies in the field precluding to view on a long-term the effectiveness and improvement of the practices. It highlights the importance of expanding interventions in vocational guidance enabling greater precision in serving people with disabilities. Keywords: Vocational Guidance; Deficiency; Labour Market.. Anhanguera Educacional Ltda. Correspondência/Contato Alameda Maria Tereza, 4266 Valinhos, São Paulo CEP 13.278-181 [email protected] Coordenação Instituto de Pesquisas Aplicadas e Desenvolvimento Educacional - IPADE Artigo Original Recebido em: 06/04/2014 Avaliado em: 25/06/2014 Publicação: 10 de julho de 2014. 125.

(2) 126. Orientação profissional e deficiência na produção científica nacional. 1.. INTRODUÇÃO A Lei de Inclusão surgiu no Brasil há mais de vinte anos concedendo direitos às pessoas com deficiências. A inserção dessa população no mercado de trabalho vem acontecendo de forma progressiva através de alterações na legislação, cursos de preparação e recursos tecnológicos que possibilitam o acesso da pessoa com deficiência nas empresas e na área de educação. Em relação à legislação, as principais mudanças ocorreram a partir de normativas, como a de 1989 que dispõe acerca do suporte governamental na garantia do acesso aos programas de formação profissional e na promoção das iniciativas voltadas à inserção das pessoas com deficiência no mundo do trabalho (BRASIL, 1989). No ano de 1990 é regulamentada a cota especifica das vagas disponíveis nos concursos públicos para as pessoas com deficiência até 20% (BRASIL, 1990). No ano seguinte define-se que as empresas privadas com mais de 100 funcionários devem reservar entre 2 e 5% de suas vagas para pessoas com deficiência (BRASIL, 1991). A consolidação da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência acontece em 1999, assegurando a plena participação das pessoas com deficiência no contexto socioeconômico e cultural. Cabral (2013) observa que com as obrigações impostas pelas leis, ocorreu um aumento no número de oportunidades de trabalho para as pessoas com deficiência, o que possibilitou a efetividade das discussões referentes à inserção do deficiente no mercado de trabalho. Em contrapartida, Lobato (2009) ressalta que as alterações na lei cumprem com o papel de gerar oportunidades empregatícias, porém, não promovem o incentivo às empresas para as adequações necessárias para o recebimento dessa demanda. As empresas obrigadas a cumprirem a cota de contratação de pessoas com deficiência se deparam com algumas dificuldades, tais como, a concorrência com outras empresas em relação à busca de pessoas para contratação e dificuldade em tornar o mercado de trabalho atrativo em função do benefício oferecido pelo governo para esta população. (RICHARTE-MARTINEZ, 2008). Outro fator que ganha destaque com as alterações na Legislação, é a necessidade de mudanças na área educacional especial e programas que realizem efetivamente os processos de inserção e inclusão da pessoa deficiente no mercado de trabalho. Para tratar dessas questões, emergiu a necessidade de que áreas de conhecimentos se aproximassem e dialogassem, desde a Educação Especial, até a Psicologia Escolar, Psicologia Organizacional e do Trabalho, Sociologia, Antropologia e Economia (LOPES, 2008).. Encontro: Revista de Psicologia  Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014  p. 125-138.

(3) Leonardo de Oliveira Barros, Camélia Santina Murgo. 127. As intervenções em Orientação Profissional, de acordo com Lopes (2008), poderiam abrir caminho para a construção de novos parâmetros de atuação e enfretamento da problemática, em que um dos focos seria a construção da autonomia da pessoa com deficiência e sua inserção no mercado de trabalho, fator de extrema importância no processo de inclusão social. Cabral (2013, p.52) também evidencia “a necessidade de saber como desenvolver, implementar e monitorar um programa de orientação acadêmica e profissional” para pessoas com necessidades especiais. Embora a literatura aponte para a importância de programas de Orientação Profissional (O.P) para a população com deficiência, os estudos empíricos voltados para essa demanda são ainda escassos e não abrangem os diversos tipos de deficiências que acometem as pessoas. Encontram-se, no entanto, distintas práticas que estão se efetivando na atuação da Orientação Profissional, contribuindo para a reflexão acerca da colocação e criação de carreiras no mercado de trabalho. A Associação Brasileira de Orientadores Profissionais (ABOP) surge em 1993 com o intuito de reunir pesquisadores e profissionais da área para discutir os métodos, serviços, população-alvo e os problemas recorrentes, para possibilitar a expansão e efetividade da Orientação Profissional no contexto brasileiro. De acordo com Melo-Silva, Lassance e Soares (2004), encontra-se consolidado na atual sociedade, uma visão de Orientação Profissional que a vincula diretamente ao atendimento de jovens de classe média e alta, de ensino médio que buscam uma carreira de nível universitário, o que se correlaciona com o alto desenvolvimento tecnológico, gerando crise no mercado e consequentemente um significativo índice de desemprego e subemprego, exigindo cada vez mais formação especifica para a execução de atividades profissionais. Essa alteração no cenário do mercado de trabalho resultou em novas demandas para a Orientação Profissional de pessoas de diversas faixas etárias e com necessidades igualmente diversificadas.. Desse modo, um programa adequado de OP deveria. contemplar varias fases da vida do indivíduo, acompanhando as etapas de formação escolar. Programas de Orientação Profissional podem contribuir desde o momento em que a criança inicia a compreensão do mundo e da atividade humana, possibilitando uma visão ampla do trabalho, que não esteja associada ao sofrimento e à obrigação, como ocorre principalmente para a população de baixa renda, culturalmente expropriada das possibilidades de emancipação por meio do trabalho. Dessa forma, estes programas colaboram “para uma compreensão do trabalho enquanto atividade vital humana e meio de transformação da realidade pelos homens, que se apresenta desvirtuada em nossa forma de organização social” (PASQUALINI, et al., 2004, p. 75).. Encontro: Revista de Psicologia  Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014  p. 125-138.

(4) 128. Orientação profissional e deficiência na produção científica nacional. Seguindo essa ideia, algumas propostas tem sido registradas na produção cientifica. Por exemplo, Pasqualini, Garbulho e Schut (2004) propõem um programa de Orientação Profissional para ser iniciado no Ensino Infantil partindo da premissa de que ações educativas nesse período auxiliariam em uma apropriação da realidade social, onde a criança que experimenta papéis profissionais ao brincar de ser adulto desconstruiria preconceitos e estereótipos relacionados às atividades profissionais.. O Programa foi. composto por 15 encontros semanais, com 1h30 de duração, abordando os temas de cooperação e trabalho coletivo, escolha, trabalho/profissões e autoconhecimento. Como procedimentos utilizaram-se jogos e brincadeiras diversas, gincanas, dramatização, mímica, atividades de desenho e colagem, entre outros. Um dos apontamentos do estudo reforça a necessidade de um programa que contemple todas as fases escolares, sendo "de fundamental importância uma organização pedagógica que possibilite os melhores resultados e que tenha maior influência na formação integral da criança" (PASQUALINI et al., 2004, p. 82). Já Ribeiro (2003) realizou um trabalho com alunos de escolas públicas, do 2º e 3º ano do Ensino Médio, com duração de oito encontros, composto por redação escrita sobre o futuro, questionário de história de vida, discurso livre abordando necessidades, expectativas e conhecimento do mundo de trabalho, atividades de autoconhecimento e questionário de avaliação do programa. Os resultados obtidos confirmam também a necessidade de um programa processual ao longo da trajetória de formação escolar. O autor constata que o jovem de escola pública espera um auxílio com relação à inserção no mercado de trabalho, refletindo a necessidade de a Orientação Profissional auxiliar no planejamento do seu projeto de vida, sem se restringir às informações das profissões de nível superior. A prática de OP nas escolas seria um auxílio aos alunos, possibilitando a reflexão sobre seu futuro profissional, além de criar um espaço de discussão a respeito do trabalho, onde o aluno pudesse se preparar para uma inserção profissional de forma consciente e crítica. Uma vez que esse tipo de discussão não aconteça no âmbito escolar, tem-se como consequência o despreparo dos alunos na construção de estratégias que lhes permitam enfrentar de modo crítico as dificuldades e percorrer diversos caminhos na concretização dos projetos pessoais de vida (BASTOS, 2005). Outra modalidade de intervenção surge em relação aos indivíduos que se encontram em um curso universitário. O estudo de Rocha (2002) aponta a necessidade de intervenções que auxiliem o universitário a planejar a construção de carreira durante e após a graduação. A autora justifica essa necessidade em função de que a falta de apoio. Encontro: Revista de Psicologia  Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014  p. 125-138.

(5) Leonardo de Oliveira Barros, Camélia Santina Murgo. 129. leva muitos a desistência e abandono do curso escolhido, por motivo de uma formação generalista que muitas vezes não dá condições de que o indivíduo escolha, com segurança, o contexto em que desejar atuar após a formação. A autora relata um estudo que teve participação de 120 alunos de nível superior e foi composto por entrevistas, questionários, informações sobre perfis profissionais, mercado de trabalho e possibilidade de inserção após a graduação. Torna-se importante, intervenções nesse contexto com o objetivo de informações sobre as mudanças que estão acontecendo no mundo do trabalho e suas consequências nas relações do homem com o trabalho. Esse fator aponta a necessidade de elaboração de um projeto profissional contextualizado (ROCHA, 2002). As constantes mudanças no mercado de trabalho geram dúvidas mesmo para aqueles que possuem uma vida ocupacional ativa. Nessa perspectiva, a Orientação Profissional também torna-se um recurso para auxiliar indivíduos em suas inquietações. Em relação à OP para recolocação de carreira, os indivíduos que procuram por essa modalidade, em geral, sentem a insatisfação em relação à escolha profissional realizada, insegurança diante de uma nova escolha e certeza quanto à necessidade de aumentar o conhecimento de si mesmo através da orientação, como uma forma de facilitar uma análise mais acurada da situação atual e uma tomada de decisão mais segura; necessidade de informação sobre outras possibilidades profissionais, como uma complementação importante ao processo prioritário de autoconhecimento (MOURA; MENEZES, 2004). A Orientação Profissional pode ainda comtemplar a preparação para aposentadoria. A Lei nº 8.842/94 (BRASIL, 1994) assegura a criação e manutenção de "programas de preparação para aposentadoria nos setores público e privado com antecedência mínima de dois anos antes do afastamento" (Art. 10º). Rodrigues, Ayabe, Lunardelli e Canêo (2005) dizem que ao se pensar na elaboração de um Programa de preparação para a aposentadoria o objetivo principal deve ser a criação de condições concretas para o enriquecimento pessoal. Um programa nesse contexto pode ser preventivo em relação às possíveis angústias e conflitos emergentes com o término da carreira profissional sem planejamento. Esses modelos de Orientação Profissional possuem ainda uma grande variedade, seja em relação à abordagem utilizada como também nas modalidades que se executam, sendo encontradas práticas da forma tradicional de OP individual, por meio de atendimentos de grupos e até mesmo na modalidade online (mediado por computador). Em relação aos instrumentos utilizados em Orientação Profissional, Ambiel e Polli (2011), ao realizarem um levantamento sobre a temática, constataram que os. Encontro: Revista de Psicologia  Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014  p. 125-138.

(6) 130. Orientação profissional e deficiência na produção científica nacional. instrumentos mais utilizados nesse contexto são Questionário de Busca Autodirigida (SDS), Escala de Aconselhamento Profissional (EAP), Bateria de Provas de Raciocínio (BPR-5) e Teste de Fotos de Profissões (BBT-Br), sendo que três desses instrumentos são de avaliação de interesses profissionais, porém com perspectivas teóricas diferentes. Os autores verificaram que os testes mais utilizados têm parecer favorável do Sistema de Avaliação dos Testes Psicológicos (SATEPSI), porém, alguns instrumentos em uso não constam no SATEPSI ou estão com parecer desfavorável. Esse apontamento demonstra a necessidade de estudos em relação não só ao processo, mas também, dos instrumentos utilizados em Orientação Profissional que devem estar pautados sobre a ética e qualidade, podendo dar confiabilidade ao profissional que o aplica visando auxiliar o indivíduo na escolha de carreira. Não encontram-se no SATEPSI (Sistema de Avaliação e Testes Psicológicos) instrumentos de avaliação de interesses ou habilidades padronizados e com parecer favorável para a população com deficiência. Importante ressaltar que o Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2013) lançou a Nota Técnica "Construção, adaptação e validação de instrumentos para pessoas com deficiência" orientando que o trabalho de construção e adaptação de instrumentos que contemplem a população com deficiência deve seguir rigorosos estudos para que possam manter a qualidade psicométrica e a eficácia dos instrumentos. A avaliação psicológica nos programas de Orientação Profissional deve estar sempre atenta ao contexto histórico e social que o orientando está inserido, sendo vista como uma possibilidade de confirmação de hipóteses levantadas durante o processo, auxiliando o orientando na compreensão dos fatores que se articulam com a questão da escolha profissional. Especificamente em relação a OP para pessoas com deficiência,. um estudo. realizado por Ivatiuk e Yoshida (2010) analisando a produção científica de no período de 2000 a 2009, constatou que a maioria das publicações está em dissertações e teses que nem sempre são seguidas por outros estudos. As autoras verificam, ainda, que há um número baixo de estudos descrevendo detalhadamente os processos de OP de pessoas com deficiência, frisando a necessidade e importância de publicações desse teor que permitam que outros profissionais possam utilizar e aperfeiçoar os métodos iniciados na área. Os serviços de OP para pessoas com deficiência contribuem para que estes indivíduos possam exercer atividades nas quais sintam prazer, além de poderem contribuir de forma profissional para o desenvolvimento da sociedade. Nesse sentido, Cabral (2013) a partir das dificuldades encontradas no Brasil, realizou um estudo com o objetivo de explorar em nível internacional, iniciativas relacionadas à orientação. Encontro: Revista de Psicologia  Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014  p. 125-138.

(7) Leonardo de Oliveira Barros, Camélia Santina Murgo. 131. acadêmica e profissional de alunos com deficiência na Itália, Inglaterra, França, Dinamarca e Irlanda. Essa exploração permitiu identificar, em perspectiva internacional, práticas que podem contribuir cientificamente para possível implementação, avaliação e manutenção de um programa de orientação acadêmica e profissional para estudantes universitários com deficiência. Apesar da grande variedade de práticas em Orientação Profissional, a realidade ainda está longe dos apontamentos que os estudos realizam, reforçando a necessidade da O.P atingir os diversos contextos da sociedade, auxiliando crianças, jovens, adultos e idosos em questões relacionadas à construção e manutenção de carreira, minimizando os impactos de uma escolha sem fundamento que não resulte em bem estar no contexto do trabalho. Igualmente, a diversidade de instrumentos utilizados nos processos de orientação, não contempla essa população. Portanto, quando se trata de pessoas com deficiências, tanto as práticas em Orientação Profissional, quanto os instrumentos, são ainda restritos. A tarefa de planejar a carreira se torna mais delicada quando envolve pessoas com deficiências, uma vez que há diversas variáveis que não estão presentes em indivíduos que não precisam de recursos de adaptação para ser inseridos no mercado de trabalho. Importante ressaltar, que é garantido por meio de Lei à população com deficiência o acesso a serviços de Orientação Profissional que leve em consideração as potencialidades, educação escolar efetivamente recebida e por receber; expectativas de promoção social; possibilidades de emprego existentes em cada caso; motivações, atitudes e preferências profissionais; e necessidades do mercado de trabalho. Com o interesse de verificar a produção cientifica atual sobre a orientação profissional de pessoas com deficiências, este trabalho teve como objetivo descrever e analisar a produção disponível nas bases de dados nacionais, banco de teses e dissertações e anais de congressos.. 2.. MÉTODO. 2.1. Material Como fonte de pesquisa utilizou-se bases de dados de acesso público. Foram consultados os bancos de Dissertações e Teses da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade de São Paulo (USP), Universidade São Francisco (USF). Para a recuperação dos artigos, foi consultada a base de dados BVS-PSI que possibilita acessar a Encontro: Revista de Psicologia  Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014  p. 125-138.

(8) 132. Orientação profissional e deficiência na produção científica nacional. Pepsic e Scielo. Por fim foi consultado o acervo de todas as edições do Congresso Brasileiro Multidisciplinar de Educação Especial, promovidos pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).. 2.2. Procedimentos Para o acesso às produções foram utilizadas as seguintes palavras-chave: Orientação Profissional e Deficiência; Orientação Profissional e Necessidades Especiais e Orientação Profissional e Grupos Diferenciados. Não houve seleção de período de tempo de publicação. A partir das referências encontradas, realizou-se uma seleção das que atendiam os objetivos da pesquisa. Desse modo, resultaram três artigos, três anais, uma tese e uma dissertação. Para a análise das referências utilizou-se a categorização de acordo com as variáveis pré-definidas. A categorização, para Bardin (2009), é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo analogia, com critérios previamente definidos. As categorias são rubricas ou classes, reunidas num grupo de elementos (unidades de registro) sob um título genérico. Tal agrupamento é realizado em função dos caracteres comuns destes elementos. As referências foram categorizadas em relação às seguintes variáveis: objetivos, deficiências abordadas, dificuldades de inserção, recursos de apoio para inclusão e modalidades de intervenção.. 3.. RESULTADOS Considerando que o levantamento da produção cientifica sobre a temática não limitou o período de estudo e publicação, as amostras são pequenas ao se comparar com outras áreas da Psicologia. Essa defasagem na produção reforça a necessidade de estudos que considerem a problemática da Orientação Profissional para pessoas com deficiência. A Tabela 1 apresenta os dados referentes aos objetivos das publicações. Os resultados evidenciam que a maior parte dos estudos está focada em questões teóricas acerca da Orientação Profissional de pessoas com necessidades especiais. Entre os estudos que tiveram como objetivo realizar de modo empírico um programa de Orientação Profissional que atenda as necessidades e especificidades da população com deficiência, todos foram programas pilotos, sem qualquer outro trabalho que direcionasse a atuação.. Encontro: Revista de Psicologia  Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014  p. 125-138.

(9) Leonardo de Oliveira Barros, Camélia Santina Murgo. 133. Tabela 1. Objetivos. Objetivo. Síntese. N. Oferecer serviços de Orientação Profissional aos alunos adolescentes e adultos com deficiência. "Construção da autonomia do jovem com déficit cognitivo e sua inserção no mercado de trabalho" "Insere a pessoa com deficiência auditiva no mundo do trabalho” "A proposta busca reconhecer as pessoas com deficiência” "Observar o processo de entrada e permanência dos mesmos no mundo do trabalho.”. 4. Realizar uma revisão da literatura publicada na última década sobre orientação profissional de pessoas com deficiências.. “As publicações, selecionadas, em bases de dados eletrônicas, somaram 55 referências entre, artigos, teses e dissertações, capítulos de livros e livros, foram divididas em nacionais e estrangeiras e os dados comparados”. 1. Refletir sobre o embate entre sonho e realidade que se impõe aos jovens com deficiências no momento da escolha profissional.. “O jovem com deficiência limita-se em traçar seu projeto de futuro considerando unicamente sua deficiência ao se deparar com as restrições de ingresso no mercado de trabalho, decorrentes de sua limitação orgânica e dos preconceitos que permeiam as relações interpessoais”. 1. Discutir o processo de reabilitação a partirda visão dos ex-usuários.. “Os programas de reabilitação profissional para pessoas com deficiência têm sido considerados importantes, e têm contribuído para a inserção das mesmas no mercado de trabalho”. 1. Explorar, em nível internacional, iniciativas relacionadas à orientação acadêmica e profissional do aluno com deficiência.. “... ativar alguns serviços voltados a sua orientação, tanto a nível acadêmico, quanto profissional”;. 1. A Tabela 2 apresenta o tipo de deficiência abordado nos estudos encontrados. O número de deficientes visuais é o mais contemplado nas publicações, seguido de deficiência cognitiva e auditiva, porém, apenas estes dois últimos possuem um programa de orientação profissional voltado para suas especificidades. Tabela 2. Deficiências abordadas Deficiência. Quantidade. Visual. 4. Déficit Cognitivo. 4. Física/Motora. 3. Auditiva. 4. Sensorial múltipla (auditiva e visual). 2. Distúrbios de origem médica. 1. Na Tabela 3 são contempladas as dificuldades de inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho. Evidencia-se que grande parte dos itens refere-se a questões segregacionistas e reforçadoras do preconceito e exclusão. Em apenas dois estudos a população com deficiência aponta a questão da dúvida acerca da escolha profissional como o maior impedimento de inserção no mercado de trabalho.. Encontro: Revista de Psicologia  Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014  p. 125-138.

(10) 134. Orientação profissional e deficiência na produção científica nacional. Tabela 3. Dificuldades de Inserção Dificuldade. Quantidade. Superproteção. 2. Descrença na potencialidade. 4. Segregação/Preconceito. 2. Acessibilidade. 1. Desinteresse. 1. Falta de qualificação. 1. Dúvidas em relação a escolha ocupacional. 2. Programas cansativos. 1. A Tabela 4 apresenta os recursos de apoio à inclusão em uso nos estudos. A atuação dos profissionais a partir da Orientação Profissional é baixa, assim como, o atendimento clínico da população com deficiência. Estes dados permitem inferir que a Psicologia ainda está longe de contemplar as demandas da população com deficiência, devendo também, repensar suas práticas como ciência que pode e deve colaborar para a inclusão e redução da estigmatização dessa população. Tabela 4. Recursos de apoio para inclusão Apoio oferecido. Quantidade. Programas de orientação profissional. 3. Atendimento Clínico. 1. Lei de Cotas. 1. Avaliação Profissional. 1. Foram ainda verificadas as modalidades em que as intervenções em Orientação Profissional de pessoas com necessidades especiais estão sendo realizadas. Apenas trabalhos na modalidade grupal são mencionados, totalizando três produções, sendo isso justificado nos estudos a pela importância do indivíduo sentir-se parte de um grupo social, onde possa dividir suas queixas e ansiedades em relação à escolha profissional, dentro de um grupo de iguais, que entendam a situação da deficiência por compartilharem da mesma realidade.. 4.. DISCUSSÃO Ao visualizar o panorama atual sobre a produção em Orientação Profissional de pessoas com necessidades especiais, torna-se possível realizar alguns apontamentos acerca dos dados, assim como, refletir sobre os procedimentos que estão sendo adotados nesse contexto.. Encontro: Revista de Psicologia  Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014  p. 125-138.

(11) Leonardo de Oliveira Barros, Camélia Santina Murgo. 135. Em relação aos estudos desenvolvidos no Brasil, percebe-se que a preocupação está ainda na discussão teórica, onde é apontada a necessidade de intervenções que possibilitem a inserção do deficiente no mercado de trabalho, por meio de escolhas assertivas que levem em consideração os interesses e habilidades dos indivíduos, possibilitando uma construção de carreira que considere os aspectos subjetivos em detrimento do mero cumprimento de cotas. Embora apontem a necessidade de intervenções nessa área, esses estudos não indicam nortes para a execução da OP nesse contexto. A respeito dos estudos teóricos, concorda-se com as considerações de Ivatiuk e Yoshida (2010) ao salientarem que essas produções estão sendo realizadas por pesquisadores experientes com o intuito de sistematizar o conhecimento e possibilitar reflexões e críticas com profundidade. Se por um lado a produção teórica limita-se explanar o assunto, por outro, permite que após as considerações críticas de outros pesquisadores, sejam criadas intervenções que visem atender as indicações que estes estudos trazem. Das publicações que realizaram intervenções junto à população com deficiência, não há uma continuidade dos estudos na área que possibilitem visualizar em longo prazo a efetividade das práticas, assim como, o aperfeiçoamento dessas intervenções. Estes programas foram elaborados utilizando técnicas de autoconhecimento e informações sobre o mercado de trabalho, não contendo instrumentos de avaliação psicológica, uma vez que, não há no momento instrumentos padronizados e validados para essa população. Essa questão evidencia a necessidade de desenvolvimento de estudos de construção e adaptação de instrumentos que auxiliem os profissionais que trabalham com OP para maior precisão no atendimento de pessoas com deficiência. Este estudo revelou que as intervenções estão acontecendo em grande parte na modalidade grupal evidenciando uma modificação no cenário desde levantamento realizado por Ivatiuk e Yoshida (2010) onde nas intervenções nacionais predominavam a modalidade individual tendo como justificativa que os atendimentos grupais nem sempre atendiam as reais necessidades dos orientandos. Os autores que estão trabalhando com atendimentos grupais (LOPES, 2006; FRANCO, 2006; KLEIN, 2013) têm como posicionamento que essa modalidade permite que os participantes sintam-se iguais e que cada um torne-se facilitador no processo ao compreender as situações vivenciadas pelo outro. Esses grupos são homogêneos nos variáveis tipos de deficiência, pois, só assim é possível contemplar as especificidades de cada situação.. Encontro: Revista de Psicologia  Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014  p. 125-138.

(12) 136. Orientação profissional e deficiência na produção científica nacional. A colocação do deficiente no mercado de trabalho esbarra em algumas dificuldades. A superproteção seja da instituição ou da família onde esses indivíduos inserem-se é um fator que influencia e dificulta a escolha. Lopes (2006) conclui que as reflexões acerca da autonomia são os pontos que possibilitam aos orientandos mudanças em maior intensidade a partir da ampliação de perspectivas. Bastos (2006) discute a questão da descrença na potencialidade, onde muitas vezes o jovem com deficiência limita-se a traçar um plano para o futuro considerando unicamente sua deficiência, resultando em uma dificuldade de escolha. Desse modo, a OP revela-se um mecanismo que possibilita o reconhecimento pessoal das multiplicidades de habilidades e apresenta as diversas variáveis no processo de escolha profissional, auxiliando a romper com a visão limitante que o deficiente está inserido na maior parte dos casos. Mediante a ausência de estímulos para o desenvolvimento de suas potencialidades, o deficiente não assume seu papel na sociedade enquanto agente de mudanças o que pode acirrar práticas segregacionistas e excludentes. Franco, Angeloni e Balestra (2007) concordam que é preciso possibilitar um espaço onde sejam trabalhadas as questões intrínsecas a escolha profissional, porém, na criação desses espaços é preciso pensar na forma em que as intervenções acontecerão, para que sejam estruturadas modalidades que levem em consideração a singularidade e do tipo de deficiência dos indivíduos (KLEIN, 2013).. 5.. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa possibilitou visualizar o panorama da produção científica sobre a Orientação Profissional de pessoas com deficiência no contexto brasileiro, permitindo apontar as necessidades a serem atendidas por esta área de atuação. Verifica-se que há uma baixa produtividade sobre o tema, mas que as mudanças estão acontecendo gradativamente seja no enfoque, como nas intervenções. Embora exista uma grande quantidade de trabalhos publicados que descrevem práticas na área de OP, ainda há um número reduzido de pesquisadores estudando a temática, podendo-se inferir uma correlação com a ausência de norteadores para a execução de trabalhos empíricos que suscitem novos estudos. A área de Avaliação Psicológica que muito contribui para o trabalho de Orientação Profissional, demanda de estudos de criação e/ou adaptação dos instrumentos já existentes, possibilitando mais recursos para o trabalho com pessoas com necessidades especiais. A Orientação Profissional, principalmente direcionada ao atendimento dessas. Encontro: Revista de Psicologia  Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014  p. 125-138.

(13) Leonardo de Oliveira Barros, Camélia Santina Murgo. 137. pessoas, poderá contribuir com a inclusão e o rompimento do conformismo social e dos estigmas aos quais ainda são submetidos.. REFERÊNCIAS AMBIEL, R. A. M., POLLI, M. F. Análise da produção científica brasileira sobre avaliação psicológica em Orientação Profissional. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, 2 (1), 103-121. 2011 BARDIN, L. Análise de Conteúdo (4ª Ed rev). Lisboa: Edições 70. 2009. BASTOS, A. L. G. O adolescente com deficiência e seu processo de escolha profissional. Adolescência Latino-americana, 3 (1), 0-0. 2002 BASTOS, J. C. Efetivação de Escolhas Profissionais de Jovens Oriundos do Ensino Público: Um Olhar sobre suas Trajetórias. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 6 (2), 31-43. 2005 BRASIL. Presidência da República. Lei nº 7.853 de 24 de outubro de 1989. Brasília – DF. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7853.htm Acesso em 07 jun. 2013 ______. Lei nº 8.112 de 11 de dezembro de 1990. Brasília–DF. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8112cons.htm. Acesso em 07 jun. 2013. ______. Lei nº 8.213 de 24 de julho de 1991. Brasília – DF. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm. Acesso em 07 jun. 2013 ______. Lei Nº 8.842, de 4 de janeiro de 1994. Dispõe sobre a política nacional do idoso, cria o Conselho Nacional do Idoso e dá outras providências. Brasília – DF. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8842.htm Acesso em 07 jun. 2013. ______. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília – DF. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm Acesso em 07 jun. 2013. ______. Decreto nº 3.289/99 de 20 de dezembro de 1999. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3298.htm. Acesso em 07 jun. 2013. CABRAL, L. S. A. Orientação acadêmica e profissional dos estudantes universitários com deficientes: perspectivas internacionais. Tese de Doutorado não publicada, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos. 2013. DAKUZAKU, R. Y. De deficiente a trabalhador: reabilitação profissional na perspectiva da pessoa com deficiência - um estudo de caso. Dissertação de Mestrado não publicada, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos. 1998 FRANCO, J. R; ANGELONI, E. C; BALESTRA, A. Orientação profissional para adolescentes e adultos com deficiência mental. Anais do IV Congresso Brasileiro Multidisciplinar de Educação Especial, 2007. Disponível em http://www.uel.br/eventos/congressomultidisciplinar/ Acesso em 05 dez. 2013. IVATIUK, A. L; YOSHIDA, E. M. P. Orientação Profissional de pessoas com deficiências: Revisão de literatura (2000-2009). Revista Brasileira de Orientação Profissional 11 (1), 95-106. 2010. KLEIN, E. Diretrizes da Orientação Profissional no contexto da deficiência auditiva - Metodologia Epheta. Anais do VII Congresso Brasileiro Multidisciplinar de Educação Especial, 2013. Disponível em http://www.uel.br/eventos/congressomultidisciplinar/ Acesso em 05 dez. 2013. LOBATO, B. C. Pessoas com deficiência no mercado de trabalho: implicações da Lei de Cotas. Dissertação de Mestrado não publicada, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos. 2009. LOPE, L. A orientação profissional para jovens com déficit cognitivo: um relato de experiência. Boletim de Psicologia LVI (125), 189-203. 2006. MELO-SILVA, L. L; LASSANCE, M. C. P; SOARES, D. H. P. A Orientação Profissional no contexto da Educação e Trabalho. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 5 (2), 31-52. 2004. MOURA, C. B; MENEZES, M. V. Mudando de opinião: análise de um grupo de pessoas em condição de re-escolha profissional. Revista Brasileira de Orientação Profissional, 5 (1), 29-45. 2004. NORONHA, A. P. P; FREITAS, F. A; OTTATI, F. Análise de Instrumentos de Avaliação de Interesses Profissionais. Psicologia: Teoria e Pesquisa 19 (3), 287-291. 2003. Encontro: Revista de Psicologia  Vol. 17, Nº. 26, Ano 2014  p. 125-138.

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