Metalurgia e
Metalografia
O Átomo
A intuição da existência de partículas indivisíveis que constituem todas as coisas foi relatada pelo filósofo grego Demócrito em aproximadamente 540 a.C.
Com o estudo da eletrólise por Michael Faraday, na década de 1830, descobriu-se que os átomos se constituíram de partículas de carga elétrica negativa e de carga elétrica positiva
Thomson criou um modelo atômico, apresentado na Figura ao lado, onde numa massa de material de carga positiva estavam encravados os elétrons, como passas em um bolo.
Modelo de Rutherford
Este modelo foi rapidamente superado em função da experiência de Ernest Rutherford e Ernest Mardsen realizada em 1911, que se constituía no bombardeio de uma finíssima folha de ouro com partículas alfa, de carga positiva.
Caso o modelo de Thomson fosse verdadeiro, as partículas alfa se dispersariam pouco ao atravessar a folha de ouro.
Modelo atômico de Rutherford onde o átomo é visto como um sistema solar em miniatura, com elétrons girando em tomo do núcleo, de carga positiva.
Modelo de Bohr
Em 1912 o físico dinamarquês Niels Bohr propôs que os elétrons deveriam girar somente a determinadas distâncias do núcleo
Os elétrons irradiariam energia ao saltar de uma órbita de maior energia, situada mais próxima do núcleo, para outra de menor energia. No deslocamento no sentido contrário os elétrons absorveriam energia
Configuração de Mínima Energia
A Tabela a seguir apresenta a tabela periódica dos elementos, indicando, entre outras informações, seu número atômico e massa atômica (massa, em gramas, correspondente a 6,02 x 1023 átomos do elemento).
Os gases nobres (hélio, neônio, argônio, criptônio, xenônio e radônio) possuem um arranjo muito estável de oito elétrons na última camada (dois elétrons no caso do hélio), correspondendo a um baixo nível de energia.
Os outros elementos, para adquirir a configuração altamente estável de oito elétrons no nível mais externo, devem:
a) Receber elétrons
b) Perder elétrons
Estes três processos produzem fortes ligações entre os átomos, conhecidas como ligação iônica, ligação covalente e ligação metálica. Outro tipo de ligação, mais fraca, é a ligação de Van der Waals.
A estabilidade das ligações atômicas deve-se à existência de um valor mínimo de energia, correspondente a uma certa distância interatômicas, onde ocorre um balanço entre as forças de atração e de repulsão. A natureza das forças de atração entre os átomos depende do tipo de ligação atômica. As forças de repulsão crescem à medida que os átomos aproximam suas camadas de elétrons mais externas, que se repelem por serem ambas de carga negativa.
Ligação Iônica
A ligação iônica é estabelecida entre um cátion (elemento que cede elétrons com facilidade) e um anion (elemento com grande afinidade pelos elétrons).
A atração entre íons de cargas positivas e negativas produz a chamada ligação iônica, evidentemente só possível entre átomos de elementos diferentes.
Ligação Covalente
Na ligação covalente os átomos compartilham seus elétrons das órbitas mais externas, formando pares de elétrons (com spins opostos) que pertencem aos dois átomos.
O intercâmbio oscilatório do par de elétrons entre os dois átomos, pertencendo ora a um, ora a outro, gera uma atração eletrostática, pois momentaneamente os átomos tomam-se ionizados.
Um mesmo átomo pode participar de mais de uma ligação covalente. De um modo geral, o número de ligações será igual ao número de elétrons necessários para completar o último nível.
No caso da molécula de água, por exemplo o átomo de oxigênio compartilha 2 pares de elétrons com 2 átomos de hidrogênio
Ligação Metálica
Os íons de carga positiva assim gerados formam um arranjo regular e os elétrons livres, que não se encontram ligados a nenhum átomo em particular, circulam entre esses íons.
A força de atração é conseqüência da interação entre os íons positivos e os elétrons livres, que são compartilhados por todos os átomos.
Os elétrons livres explicam a elevada condutividade elétrica dos metais, pois as únicas resistências à movimentação da corrente elétrica são as colisões com os outros elétrons.
A condutividade térmica dos metais advém da movimentação elevada dos elétrons, carregando energia térmica das regiões de temperatura mais elevada para regiões de temperatura mais baixa.
Sistemas Cristalinos
Os sistemas cristalinos contêm os reticulados espaciais conhecidos como redes de Bravais. Através de apenas 14 reticulados espaciais é possível descrever todos os cristais que podem ocorrer na natureza.
Na figura a seguir estão apresentadas as células unitárias convencionais de cada rede espacial. Através da sua repetição no espaço reproduz-se todo o reticulado espacial.
Note-se que qualquer ponto destes reticulados espaciais apresenta a mesma vizinhança, isto é, os outros pontos à sua volta situam-se na mesma posição relativa.
O conceito de reticulado ou rede espacial é geométrico, As estruturas cristalinas materiais são constituídas pela repetição de um modelo atômico ou base, sobre cada ponto da rede espacial.
Estrutura cristalina cúbica simples (CS)
Nenhum metal cristaliza-se segundo a rede cúbica simples, pois esta estrutura é muito aberta e a ligação metálica atua no sentido de mais aproximar os átomos, formando malhas mais compactas.
A célula unitária da rede cristalizada cúbica simples está indicada na figura 1.15, onde cada átomo ocupa o vértice de um cubo cuja aresta (a) é igual a 2 raios atômicos (r).
O número de coordenação desta estrutura é igual a 6, isto é, cada átomo possui 6 átomos vizinhos.
Estrutura cristalina cúbica de corpo
centrado (CCC)
A estrutura cristalina cúbica de corpo centrado (CCC) apresenta um átomo em cada vértice da célula unitária e um átomo no centro
A estrutura cristalina cúbica de corpo centrado (CCC) apresenta um átomo em cada vértice da célula unitária e um átomo no centro
Estrutura cristalina cúbica de face
centrada (CFC)
A célula unitária da estrutura cristalina cúbica de face centrada (CFC) que possui um átomo em cada vértice do cubo e um átomo no centro de cada face
verifica-se que o número de coordenação da estrutura CFC é igual a 12 e também que a vizinhança de cada átomo é a mesma
Cada célula unitária possui quatro átomos, um devido à soma das frações de um oitavo, correspondentes aos átomos nos vértices, e mais três devido à soma das metades dos átomos dos centros das faces. O fator de empacotamento desta estrutura é igual a:
Estrutura cristalina hexagonal
compacta (HC)
A figura a seguir apresenta a célula unitária da estrutura cristalina hexagonal compacta, que possui um átomo em cada vértice do prisma hexagonal, um átomo no centro das bases e três átomos no centro do prisma.
O número de átomos na célula unitária é igual a: 2 x 1/2 = 1 (átomos dos centros das bases) 12 x 1/3 x 1/2 = 2 (átomos dos vértices do prisma) 3 (átomos no centro do prisma) Total de átomos na célula unitária = 1 + 2 + 3 = 6
O número de coordenação de estrutura HC é igual a 12, pois cada átomo possui 12 vizinhos.
DEFEITOS NA ESTRUTURA
CRISTALINA
Defeito cristalino: imperfeição do reticulado cristalino
Classificação dos defeitos cristalinos:
• Defeitos puntiformes (associados com uma ou duas posições
atômicas): lacunas e átomos intersticiais.
• Defeitos de linha (defeitos unidimensionais): discordâncias
• Defeitos bidimensionais (fronteiras entre duas regiões com
diferentes estruturas cristalinas ou diferentes orientações
cristalográficas): contornos de grão, interfaces, superfícies livres,
contornos de macla, defeitos de empilhamento.
Defeitos puntiformes :Lacunas e
Auto-Intersticiais
• Lacuna (“vacancy”): ausência de um átomo em um ponto do
reticulado cristalino.
• Podem ser formadas durante a solidificação ou como
resultado de vibrações atômicas.
Defeitos puntiformes : Lacunas
e Auto-Intersticiais
• Auto-intersticial: é um átomo que ocupa um interstício da estrutura cristalina.
Impurezas
• É impossível existir um metal consistindo de um só tipo de átomo (metal puro)
• As técnicas de refino atualmente disponíveis permitem obter metais com um grau de pureza no máximo de 99,9999%.
Defeitos puntiformes em sólidos
iônicos
A neutralidade elétrica tende a
ser respeitada.
• Defeito de Schottky : lacuna
aniônica + lacuna catiônica
• Defeito de Frenkel : cátion
intersticial + lacuna catiônica
DEFEITOS DE LINHA :
DEFEITOS DE LINHA :
Defeitos Bidimensionais :
Contorno de Grão
• Quando o desalinhamento entre os grãos vizinhos é grande (maior que 15 graus ), o contorno formado é chamado contorno de grão de alto ângulo.
• Se o desalinhamento é pequeno (em geral, menor que 5 graus ), o contorno é chamado
contorno de pequeno ângulo, e as regiões que tem essas pequenas diferenças de orientação são chamadas de subgrãos.