ELIZETH TA VARES DE LACERDA
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Orientador:
Prof'. Dra. Rosza W. Vel ZoladzUNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE LETRAS E ARTES
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ELIZETH TA V ARES DE LACERDA
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Aprovada em dezembro de 1997 BANCA EXAMINADORA
Prof3. Dr8. Rosza W. Vel Zoladz- Orientador - UFRJ
Prof3. Dr8. Lígia Maria Costa Leite - UFRJ
LACERDA, Elizeth Tavares de, 1996 - Arte e Loucura: uma
questão contemporânea/ Elizeth Tavares de Lacerda. Rio de
Janeiro, UFRJ, Escola de Belas Artes, 1997. p. 165
Dissertação: Mestre em História da Arte (Antropologia da
Arte)
1. Arte-Terapia. 2. Loucura. 3. Ressocialização. 4. Teses, I. Universidade Federal do Rio de Janeiro, II. Título.
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A G R A D E C I M E N T O S
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\À minha orientadora, Rosza W. Vel Zoladz, por toda dedicação e
presença constante durante os momentos conflituosos que vivi no decorrer dessa caminhada. Com certeza, tudo o queaprendi duranteseusseminários epela maneira poética como os transmitia nos fazendo ver o mundo com “um outro olhar”
-
me permitiu prosseguir e saber que sempre existe na vida um lado criativo, que paraflorescer éprecisosomente descobri-lo
.
Oi
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O
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o
Ao professor João Ferreira Filho, Diretor de Instituto de Psiquiatria -UFRJ, pelo incentivoeapoio durantetodoomeupercursoacadêmico.O
o
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À professora Jane Russo, pela forma atenciosa com que sempre parou para 1er os meus“escritos”,epelas contribuições nesse trabalho.
O
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À Professora Selma de Oliveira Leal, amiga e coordenadora, pela
O presençaconstante.
Aos estagiários que em vários momentos da minha vida profissional participaramdoprocessodelevarà loucura“prá” rua, numtempo aindadifícildese trilhar novos caminhos: Vanessa de Castro, Flávio Gomes, João Batista, Maria Bezerra, Ana Beatriz, Maurílio Matos, Denise Guaraná, Heloisa da Silva, Verónica Vidal, Mária Elidiaeemespecial
a
Sônia Miranda,companheira desempre.o
OO
O
O
Ao artista plástico Sérgio Harari, companheiro dessas jornadas criativas.
VI
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> Aos meus amigos e pesquisadores do NUICAF, Cláudia Paulich, LucyLellis, Alexandre Palma, Mário Faico e Giannina do Espírito Santo pelos longos papose grandes momentos de reflexão profissional.
1 O
À minha querida amiga e pesquisadora Monique Assis, que participou das muitas noites em claro e dos momentos tumultuados dos últimos tempos
-
e comseujeito“canceriano” deser-
melevoua prosseguir .n
o,
. o
Ao Antero, alguém especial, que mesmo longe
-
esteve presente até o final dessa caminhada.O
n
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Em especial, agradeço ao Cesar Luiz, a Gilda Maria, ao Jorge, ao Marcelo,ao Ivan e a Maria, que comigo trilharam oscaminhos da descoberta deste assunto tão fascinantequeéo processo decriação,relacionado coma loucura. O O O
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INTRODUÇÃO 1O
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CapítuloI
-
ARTE E LOUCURA: UMA QUESTÃO CONTEMPORÂNEA..
.
1.1-
Caminhos da Arte1.2
-
Loucura:Representações e Formas1.3
-
A Assistência Psiquiátrica no Brasil6 O 6
O
23O
27O
o
CapítuloII
-
PERCORRENDO A NOSSAHISTÓRIA DE1896-
A 19062.1
-
QuemEramEssesLoucos2.2
-
Perfil da População Internada no Pavilhão de Observações do Hospício Nacional de Alienados-
1896-
1906O
36n
36n
o
39O
2.3-
O DiscursoMédico 61n
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Capítulo III
-
O ARTISTA EAINTERNAÇÃO: OUVINDOUMPOUCODA SUAHISTÓRIA ENTRE OS MUROSDA EXCLUSÃOO
95
O
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3.1-
Criando o Homem Dá Formae Transforma,Recriando a Vida 3.2-
ArteeLoucura: A Voz dos Excluídos95
O
107O
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Capítulo IV
-
CONCEPÇÕES ATUAIS NO DISCURSO SOBRE ARTE E LOUCURAO 127
n
4.1-
DesmistificandoaLoucura-
Projeto “ PintenoMuseu” e“OMuseu vai àRua
”
4.2
-
Conversando SobreaLoucura:Uma Visão deQuem Está do OutroLado 147n
127 On
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CapítuloV
-
CONSIDERAÇÕESFINAISO
158O
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 161 ANEXOI?
166n
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R E S U M O
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Esta dissertaçãoaponta para uma prática desenvolvida noâmbito de uma
instituição psiquiátrica, o IPUB/UFRJ e seus desdobramentos na comunidade com vistas asituaro processo de criação relacionado à loucura nos anos90.
O trabalho é dividido em três momentos: o primeiro, voltado para um conhecimento teórico sobre a loucura e a arte
.
O segundo, voltado para um levantamento histórico de população internada no antigo Hospício Nacional de Alienados,atravésdosLivros de Registro Médico,doperíodo de 1896a 1906, pelo olhar médico e a fala dos “ alienados".
E o terceiro momento discute “arte eloucura”
,
através da percepção subjetiva do paciente psiquiátrico e de pessoas da comunidade em geral.r
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A B S T R A C T
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This dissertation points to an experience developed in a psychiatric institution, the IPUB/UFRJ, and their unfolding in the community with a view to situate the creational processrelated tothemadness intheninetiesyears.
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This workis dividedin threemoments: the first one, turns its attention to the theoretical knowledge aboutart and madness
.
The second goes back and makes an survey on the medical recors of patients treated in the old national“
asylum”
using the medical appointment, between the years of 1896 to 1906, through the doctor'sviewand the“
alienated” patients and their speech. And the third moment,discusses “ art and madness", through the medicine perception of the psychiatric pacientandpeopleinthecommunity.
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Quinta-feira
,
01deabrilde1992.
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Hofe
foiumdiemuitointeressante,
houveumaentrevista entrea"Eli*(doMuseuIPUB)e eu.
âCurioso é quehá dias tenho pensado na entrevista e tinha ideia mais ou menosdo que eu
tinhaa falar
.
Mahoraesqueci de tudo.
Esquecipor exemplo dedizer quea pintura éalgotão importantequenãohásignificadonenhum
,
quetudoficasemsentidosem ela.
Que
adoropintarquandoo dia está bonitoecom sol.
Quemeusquadrosmaisinteressantessãoao arlivre
,
é quandomeexpressocomsegurançapoissintoaluz emtoda asuaintensidade.
Que o momento de criação é um momento mágico
,
um momento inesquecível de uma misturaeemoções oude umasóemoçãointensa quedá origemaquelegestodepassarnum ímpeto o que nosvai naalmaetermina-se oquadroealiestáa partedemimmesma,
poisnaquelemomentoeudeixodeexistirparacolocarnatela algoqueprecisoexpressareque amelhor maneiraquesei fazerécomastintas
.
Madefiniçãodo que éarterealmentenão sei responder
,
realmenteémuitodifícil,
masachoque o que façoéarteporqueouçoexclamaçõessobre a belezanosmeustrabalhos
,
tantodas pessoasleigasnoassunto
,
quantode pessoasentendidas.
Eachoque quandolevamos osentimentodobeloatravésdeuma obra
,
ela setornauma obradearte
.
Quandocomunicamosaooutro algum sentimentoqueofazsentir-se bem com aquiloque vê euchamariadearte
.
O O o on
r\ />
o
Tambémfaço artepordinheiro
.
Élógicoqueprecisodele para sobreviver.
Masmuitas vezesr
\troco meusquadrospelovalorapenasdo materialparapodercontinuarapintar
.
Algumas pessoasquando me veempintardizem que sou "umaartista
-
concordoe fico feliz.
OOs
E tudomuito gostoso
.
O Pergunteiao meu atual professordepintura
,
seaminha pintura lembrava adealgumpintorconhecido e ele disse quesim
.
Disse-me que eu usava as cores que o faziam lembrar "Paul Cezanne".
Talvez até fosse brincadeira dele
,
mas o fato de ser comparada a um gênio da pintura,
me deu mais OO
motivaçãoparaaarte
.
Mão soumuito organizada quanto ao horãrio de pintar
,
exceto na escola,
masem casa osgrandesmomentos sãoosdias desol
.
Largo tudoevoupintar.
Também pintodentrodecasa quandochove,
masoresultadonãoétãobom quanto ao ar livre
,
na minha opinião.
Pinto quandoestou alegre,
quandoestoutriste
,
quandosintoaenergia ouovaziodavida.
Aliãs o elo maior entre eu ea vida éa motivação depintar
.
E o meu momento maior deD
emoção
.
Minhapintura éfigurativa eimpressionista.Meumaior prazeré pintar óleosobre tela
,
mastambémuso atintaacrílicaeo guache
.
Quandoinicieiapintar
,
euofaziaporhobby eachavaquesódeveria pintarquandoestivesse felizparaoquadrosairbonito.
Ho|e
,
além da pintura ser algoquefaz partedemimmesma,
descobri que nummomento deódioouinfelicidade
,
oquadropode sairtão bonito como nummomentodeamore alegria.
Mormalmentequandofalodomeutrabalhocostumoressaltar:"alguém queatravésda arte encontrouomotivomais forte:oamoravida
,
eaarteasuaexpressão maiordeviver"O
'
''No
"Messedia asolidãoeratantaquesóexistiaavontadeloucadepintar
.
Madameligavaaomundo,
senão o gesto com o lãpis pastel".
09/02/92
.
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Gilda Maria
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I N T R O D U Ç Ã
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Ao iniciar este trabalho, muitas vezes, parei para me perguntar o que é loucura? O que éserloucoouestar louco? Oqueé sentir
-
seloucoperante a sociedade? Queestigmascarregam estes indivíduosque são rotulados de loucos,diferentes?O
O
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O que pensa o louco hoje e como a sociedade o vê? O que mudou socialmente paraesse alienadode outroraparaocidadão psiquiátrico dehoje?
r
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o
A questão da loucura é muito antiga e estudada em diversas épocas,comportamentos excêntricos muitas vezes, foram rotulados como desviantes, ou classificadoscomo loucos.
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Entreesses grupos podemosdestacarnodecorrer da história da humanidade
os negros, os mendigos, os estrangeiros, os pintores, escritores, artistas, pobres em geral,em fim,todosaqueles que de algumamaneiraeramestranhos a suaépoca.
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Nos séculos anteriores cabia a esses desviantes o confinamento, a exclusão em asilos e manicômios
-
ser excluído era uma forma de se “ proteger” esse ser consideradoincapaz para viver livremente na sociedade.n
o
(''N
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Aos “loucos perigosos", o tratamento deveria ser também o da exclusão,
ficando estabelecido, que qualquer comportamento que estivesse fora do que era o padrãode normalidade,receberiaomesmo tratamento,a exclusão.
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2
Hoje vivemos um processo social onde o cidadão vive constantemente estressado
-
termos como “fulano pirou”
,
“ estou completamente louco”
,
“ ando meio delirante estão sendo incorporados ao cotidiano donosso vocabulário.n
n
Muitas vezestenho me perguntadoo que leva um indivíduo a ser internado em hospitais ou clínicas psiquiátricas e a partir daí ser rotulado de “ cidadão
psiquiátrico
”
ou“
paciente psiquiátrico”
,
e mais recentemente dentro da nova terminologia,“cliente”
ou“ usuário”
-
paraoresto desuavida.
.o O C\
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Muitose tem discutido sobre a doença mental. Alguns estudiosos vinculam esse adoecer ao adoecer do seu meio social. O indivíduo adoece porque tudo à sua volta também está doente
-
ou se olharmos por outro prisma não é esse indivíduo que estádoente-
masoseumeio social.o
O
r\
Outros ainda buscam entender a doença mental
-
procurando somente encontraruma patologia-
desvinculando esseadoecerdocontextosocial,por onde esse indivíduo transita.o
o
.
o
Nessa dissertação discuto a questão da loucura relacionada com a arte,comprovandoque cadavez maisa“loueurd
\
a “ doença mentaF-
nãoémais somente um domínio da psiquiatria ou do saber médico, ela transita por outras áreas do conhecimento científico.(O
o
rs r\ r's
A interdisciplinariedade entre várias outras ciências tem permitindo e fortalecido diferentes formas de se olhar o mundo por onde caminha o paciente O
o
3
O
O
psiquiátrico, contribuído, de tal forma, para um conhecimento mais fidedigno sobre a
questãoda doença mentale areintegraçãodopaciente a sociedade
.
o
D O
Esse trabalho parte da minha vivência como Coordenadora do Museu da Memória Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde através da catalogação dos Registros Médicos do Antigo Pavilhão de Observações do Hospício Nacional de Alienados, iniciei uma pesquisa em tomo de quemeramos“alienados” internados no períodode 1896a1906.
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Tambéméimportante ressaltar quecomoCoordenadora dos“ ProjetosPinte
no Museu” e o “ Museu vai à Rua”1
,
desenvolvidos de 1991 a 1995, pude em muito contribuirpara que a questãoaqui levantadadaloucura edaarte, fosse levada para fora do espaço destinado à loucura, permitindo então um diálogo aberto entre os profissionais da área da saúde mental e a comunidade em geral, sobre a loucura nos anos 90.r
\r\
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Minha proposta éentender o processo decriaçãoa partir da discussãosobre a questão da arterelacionada aloucura. Emque momento o paciente psiquiátrico cria,
se este criar estaria ligado tão somente aos seus momentos de crise, quando então é internado,ouse o criarindependeriadesseestar
“
louco”
.
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A expressão “ todo artista é um louco ou todo louco é um artistaf,
9 foi
introduzida no decorrer das entrevistas possibilitando uma análise desse conceito atravésda fala dos pacientes e comunitários em geral.
rs
1 Osprojetostinham como propostabásica,areintegraçãodo paciente psiquiátrico à sociedade, utilizando a
artecomo elodecomunicação.
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Hoje como no passado o artista sempre foi visto como um diferente e o
“ bum
”
da loucura está sendo discutido e levado para sociedade através da produção artística desse paciente psiquiátrico.r\
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A partir dessas questões, o trabalho se pautou no primeiro
momento
buscar uma compreensão teórica do que seentende por loucura nodecorrer da história dassociedades e os conceitos relacionados aartedentro dela.em /“>
r
\r\
No segundo momento, procuramos resgatar quem eram esses “alienados” ,
que fizeram parte da nossa história num período bem distante do nosso, e como era o olhardesse sabermédico sobreaquestão da loucuranofinal doséculo XIX einício do séculoXX., relacionado ao modelo económico, político e socialdaépoca na cidade do Rio deJaneiro
.
r\ r\ • O r\Essa análise foi realizada através do levantamento de dados referentes a internação dos pacientes no antigo Pavilhão deObservaçõesdo Hospício Nacional dos Alienados, pesquisados nos Registros Médicos do período, que hoje encontram
-
se sobre a guarda do Museu da Memória Psiquiátrica do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Riode Janeiro.r
\O
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Com o conhecimentodessapopulação, passamos a buscar uma relação entre essecontingente de alienadosinternados no
per
íodode 1896a 1906, com o que hoje asociedade entende por loucura
.
o
p 5 P P P p
Num terceiro momento relato minha experiência com os Projetos“ Pinte no Museu” eo“MuseuvaiáRua
”
.
n
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o
p
Optou
-
se por realizar entrevistas com pacientes que hoje fazem parte dos serviços de atendimento do IPUB, no Hospital Dia, CAD-
Centro de Atenção Diária,Clube daEsquinaepacientes ambulatoriais, doInstitutodePsiquiatria. p
p
p p P
P Buscou
-
se também entrevistar pessoas que participaram do Encontro daLuta Antimanicomial realizado em 18/05/96, na Urca e pessoas que visitaram a
Exposição 40 anos de Casa das Palmeiras realizadas no ano de 1997, no Museu da República,no RiodeJaneiro
.
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p p p Po
,
Também, foram analisados recortes de jornais que trabalharam essas questõescom artistasde diversasInstituiçõespsiquiátricas que utilizam-
sedaarte como omeio viável de tomaressa comunicação possível.p
P
P
r\
Foi a partir da minhaexperiência com projetos que discutiam essas questões,
queo veio da pesquisa foi se estruturando, buscando entrelaçar a arte como omeio de comunicação entre esses dois mundos
-
os diferentes ou tão comumente chamados de“
louco"ou “ maluco beleza” eo“cidadãonãopsiquiatrizador
\D
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n
E numa análise final procuro relacionar então a questão da arte com a /'•'v
p
loucura nosanos 90.
P p P P p P P P p P p
A A
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A A ACapí
tulo I
ARTE
E
LOUCURA:
UMA QUESTÃO
CONTEMPOR
ÂNEA.
n
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A An
1.1-
CAMINHOS DA ARTE An
A introdução da arte na vida dohomem remonta desde os primórdiosdaO
vidapré
-
histórica. AA
A
Neste período a arteestá ligadaà natureza,muito mais livre, num estado ainda instintivo de criação, que no decorre da história vai transformando
-
se, buscando novas técnicas de produção, inserindo-
se no conceito contemporâneo de arte. r\ O A OA
Esse olhar a arte e perceber o fazer artístico, não está ainda presente nessa representação pictórica com o objetivo estético que o pintor hoje procura dar aos seus trabalhos, e será desenvolvido ao longo da história do homem dentro da sociedade. O A A A A A r\
Segundo Hauser, a
caracter
ística peculiar dessa “arte”
pré-
histórica naturalista é a forma direta, pura. liberta de adornos e processos intelectuais. Esse artistapintaaquilo que vê,nãoelabora,retrataàcaça.A
A
A A essência dessa “ produção artística
”
nesses grupos nómades, é uma artemágica,onde arepresentação pictórica concretiza amorte desse animal na vida real. A A A A Ao
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Os desenhos representados “constituíam simultaneamente a representação e a coisa representada, eram o desejo e a realização do desejo”. (Hauser, 1972: 16)
n
n
o
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Nessa relação entre o ato de pintar, representando o animal vencido,
Hauserregistra queaconcretizaçãodessaaçãose dánãoporporque era o desejodo pensamento ou a féque originava o milagre, mas oato em si, concretoe atual,que seriaarepresentaçãopictóricado seu desejo. (Hauser,1972:17)
O
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Oefeito mágico daação do caçador sobre oanimal desejado concretiza
-se noato dessa representação.n
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Portanto, segundo esse mesmoautor, para a pintura no período da pedra lascada, aarteencontrava
-
se inteiramente aserviçodavida.r-\
O
Aspinturas encontradas em cavernas nesse período,foram realizadas em locaisinacessíveis e totalmente escuros, reforçando a idéia de que esse homem não tinha por objetivo o desejo de expressar
-
se relacionado ao prazer de produzir algo de belo.n
n
n
Oato depintareamortedapresa,éoque estabeleceum contato mágico,
que foi vivenciadoporlongo tempo pelos homens dascavernas. r\
r\
Sobre a questão da arte como caráter essencialmente mágico, Hauser registra que nas pinturas, os animaiseram muitasvezes representados atravessados por dardose flechas, ou agredidos por esses instrumentos logo após o acabamento da obra,reforçando
-
sea
idéia de magia.O !
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>O
Representações humanas disfarçadas de animais descobertas em
cavernas, reforçam também o caráter mágico dessas produções sendo hoje essa teoria
aceita
por vários estudiosos.n
n
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Segundo Hauser duas idéias básicas constituem condições prévias daarte desenvolvidas na idade pré
-
mágicas: idéias de semelhança e imitação e a idéia de produzir algo a partir do nada, que seria portanto, a autêntica condição da arte criadora.(Hauser,1972:21)r~\
O
n
n
A primeira modificação estética de toda a história da arte inicia-
se na transição do período paleolítico. Até então, o estilo naturalista que retratava representações à natureza, vai dar lugar a uma estilização estritamente geométrica ondeoartista coloca-
seà margem da realidade empírica.r
)n
n
Hauser nos fala de umper
íodo em que a “concretização de experiência cotidiana, dálugar a umade símbolos, em lugar de representações fiéisdo objeto”.n
n
n
Apartir daío homem é caracterizado pelaintrodução dosexo,ea mulher porduassemi
-
esferasrepresentandoos seios.D
n
n
Essa transformação deve
-
se ao fato do homem pré-
histórico deixar de viver , às custas das dádivas da natureza, bem como ,deixar de agir pelo instinto.Agora ele passa a sair em busca de realizar seus desejos, é um
per
íodo rico em transformaçõessociais.
A partir da domesticação dos animais e o cultivo das plantas, o homem passa a dominar a natureza, iniciando
-
se um novo ciclo na sua forma de olhar o mundo e de seestardentro dele.O O
r
\9
n
n
n
Énesseper
íodo detransformação cultural,que ohomem atravésdaposseda terra, de animais, de ferramentas, inicia um novo ciclo. Inicia
-
se então, a transformâção da sociedade, que passa a ser dividida em camadas e classes,surgindo a partirdaí,o
per
íododas diferenças sociais.n
n
n
o
o
o Os papéis sociais entre o homem e a mulher passam a ser definidos,
ficando agora cadaum responsável por suas tarefas. No campo otrabalho na terra e a defesa da propriedade, são atividades que tendem a diferenciar
-
se entre si em função do homem,agora pensar emacumularriqueza.O r\
r\
Sai do cenário o homem predador, dando lugar a um outro apegado a vida no lar. A irregularidade da coleta de alimentos e da caça dá lugar a uma economia de previsão, conforme relato desse mesmo autor, “calculada antecipadamente para períodos mais longos, para uma economia de grupo, coletivista”. (Hauser,1972:25)
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n
A transformação social desse homem éestabelecida atravésda mudança devida que acontece entre essesgrupos,quandoentão oabrigo passaa ter um lugar definido, e a exploração
agr
ícola e os campos de pastoreio passam a fazer parte dessa nova realidadedoméstica.O
n
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>É nesse
per
íodo de mudança de uma atividade individualizada de subsistência para uma economia de grupo que os ritos religiosos buscam lugar na compreensãomágicadosfatos.
n
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\Até então, nos relata Hauser (idem, 25) o homem que vivia com uma ausência de cerimonias ritualísticas, preocupado tão somente com a morte, fome, e
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o
10
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n
o
com outros grupos inimigos, passa a admitir que seu destino sofre interferência de forçassobrenaturais dotadas de razãoepoderdedeterminarodestinodohomem.n
n
o
n
Junto a esse poder sobrenatural onde o homem é dominado por forças superioresvamosencontrarum mundo divididoemduasmetades, sendo um“ visível dosfenômenos e ummundo visível dos espíritos, em corpo imortal ealma imortal
-
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O O homem neolítico começava a conceber a alma separada do corpo. A concepção mágica está ligada à realidade concreta representando o mundo num plano real e concreto. No animismo o que predomina é uma visão espiritualista
tendendo a abstraçãopara um mundo ainda desconhecido,
r
-
)O
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Énesseper
íodo de transição de umper
íodo paleolítico para neolítico que inicia-
seaintelectualização e racionalização daarte.O que podemos perceber é que a arte sempre esteve presente no mundo cotidiano do homem, mesmo queessa denominação de arte não tivesse a conotação dada hoje pela sociedade do que seja arte, o homem produzia, traçava, buscava nas corescriar imagensdo que ele via evivenciava.
o
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O o* O O Oo
Hauser em seu livro Teorias da Arte, nos fala que as obras de arte, são
vistassobum ângulo diferente esob uma nova visão emcadaépoca., colocando que o significado da arte, para uma geração posterior, mesmo com todas as transformações culturais pela qual uma sociedade passa se mantém fiel as suas origens, mantendo seu significado.
O
n
o
Muitos autores consideram que a arte evolui no decorrer dos tempos, baseados na tese evolucionista que é um fenômeno moderno e surgido como
o
11
n
n
o
n
subproduto do darwinismo e das filosofias que no final do século XIX mesclaram evolucionismo, com materialismoe espiritualismo.n
n
o
o
Ferreira Gullar argumenta sobre essa questão, que a arte independe do nível de evolução económica e social e do grau de complexidade da sociedade,
colocandoquesãoos artista queatravésdaelevaçãoda expressãoestética produzem uma arte na sua máxima plenitude, havendo portanto, épocas mais propícias ao
florescimento artísticoqueoutras.
n
o
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n
r
>
Ainda sobre essaquestãoo artista nos fala que em relaçãoaarte oquese deveobservar éque ela passa ater significados diferentes emrelação a estética, e o
que é considerado obra de arte, se dá em função do que essa obra se auto
-
reflete dentro do espaço que ela iráocupar no tempo em queselegitimacomoarte.O
r
>
r"N O o
,
Paraoautor ateseevolucionista em relaçãoaos conceitos adotados como arte estão muito maisvoltadospara astransformações que vão ocorrerna sociedade vinculandoa arteao progresso quepassou a dominar a sociedade capitalista,a partir darevoluçãoindustrial. O r
^
O r\A arte então passa por um período de grandes questionamentos, o que antes era expresso através de temas religiosos, mitológicos, históricos e literários,
passa a convergir para uma linguagem onde a leitura dessa produção se dá para a interiorização dessa mesma linguagem.
r\
n
Questões levantadas sobre a pintura que não reflete a natureza e nem retrataavida,sãodiscutidas.
o
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o
n
A tese da arte evolucionista tão defendida por Piet Mondrian, agora é rediscutida porKandinsky,quebusca justifica-
laafirmando a significaçãoimanente das formas e das cores como expressão da espiritualidade, abrindo espaço para as possibilidades dalinguagem abstrata./O
r
>
o
o
o
Nicos Hadjnicolaou (1978:30) coloca
-
nos que a história da arte comodisciplina científica foi dominada,desdeas suas origens,pela ideologia burguesa.
O autor parte de três concepções ideológicas diferentes do que é a históriada arte, utilizando
-
sedo termo,história da arte, nãocomo a história real da produçãode imagens,e sim adisciplina que estuda essahistória.r\
É em cima da concepção de que a evolução da própria burguesia,
representa as aventuras da história da arte que ele analisa as diferentes concepções
dadasa históriadaarte no decorrerdostempos.
r
\Dentro desta concepção de que a história da arte é a história da burguesia, Nicos Hadjnicolaou desenvolve seus estudos relatando que é através
dessastrês concepções ideológicasque seusestudosse situam.
o
»r\
O
Ressalta oprimeiroobstáculocomoaconcepção da história daartecomo
ahistóriadosartistas,concepção essa maisantigae maisdivulgada. Apresenta
-
seda relação evidente artista-
obra de arte oculta a relação profunda entre imagem eideologia. (NicosHadjinicolaou, 1978:30)
O O
r
\r
\r
\ r\ r\Já no segundo obstáculo o autor aborda a concepção da história da arte como parte da história geral das civilizações, que se apoia na relação arte
-
espíritor
\r
\^
r\
13
n
'
r
>
r
>
geralde uma sociedade,de umaépoca,desconhecendo aexistência darelaçãoartee asideologias das classes.r>
E como terceiro obstáculo relata a concepção da história da arte como a história dasobrasdearte, que por nãoexistir uma relação com as classessociaise a sua ideologia, nega a existência da relação arte
-
ideologias-
luta ideológica declasses
.
O O Oo
r^
Olhar ahistória da arte dentro do processo social das diversas épocas da história das civilizações, veremos que a divisão entre as lutas de classe sempre esteve presente na história da humanidade, sendoa arte um delimitador dos espaços ocupados pela burguesiae“ povo
n
o
o
o
Sobreessaquestão,Nicos Hadjinicolaou,nosfalaquenodomínio da arte
os burgueses foram os primeiros a valorizar as classes sociais e a luta de classes,
sendoaideologia burguesa daarte composta pelos seguinteselementos:
I
-
Sob a denominação “ arte”
, estão apenas agrupadas as obras consideradas “maiores”.
-
São ignoradas as obras consideradas“menores
II
-
As“ obras de arte”
,
feitas por gênios-
criadores, representa o espírito homogéneo de uma época e a herança de toda a humanidade.-
São ignoradas as ideologias globais das classes sociais.III
-
O binómio das noções forma-
conteúdo, cuja forma está carregada de“
valores estéticos-
São ignoradas a relação entre osestilose asideologias globaisdasclasses.O O
r
*\ O Or
>
o,
O Or
\o
Oo
14
n
\r>
Entender asdiferentes correntes existente sobre o que seria a história da arte, que abordagens teóricas são utilizadas para definir sua área de atuação, tem variadoem funçãoda visão dohistoriador de arte.
O
n
r
-
NTambém não podemosdissociarasdiversasconcepções sobre a definição do que seria oestudo dessa ciência, da história social, económica e política de cada época vivida pelahumanidadedesde os primórdios da nossa civilização.
o
C\
A arte esteve sempre presente na história da evolução sócio
-
cultural do homem, delimitando os domínios de ocupação de cada grupo social, mas poucos estudostemse detido em discutir o papel da arte na história do homem.O
Dentro dos três obstáculos abordados anteriormente, utilizaremos o primeiro“ A história da artecomo ahistória dos artistas”, por sera concepçãoque aborda a produção artística através da individualidade do artista, uma vez que a
questão levantada dentro desse estudo sobre
“
Arte e Loucura”
, baseia-
se fundamentalmente nos depoimentos de pacientes psiquiátricos que falam do seu trabalho relacionando-
oscom sua históriadevida.r
\r
\o
o
o
Para a compreensão da produção artística desse grupo, três concepções são utilizadas como embasamento teórico para entender a relação artista
-
obra, definidasporNicosHadjinicolaou como:O r\
Aexplicaçãopsicológica,através dapersonalidadedoartista;
o
o
r\
A explicação psicanalítica,através doinconscientedoartista e
Aexplicação ditapelo meio, através do ambiente doartista.
r
-
\15
n
n
r
\A ExplicaçãoPsicológica
r
\Para René Huyghe (cit. Nicos, 1987:35) a “ história da produção de imagens não é maisdo que ahistória das naturezashumanas queestão escondidas por detrás de cadaobra”
.
n
n
n
A psicologia da arte estuda através das imagens produzidas pelo pintor história de vida que permite entender situações ocorridas com o objetivo de entenderqueos conflitosapresentados podem estar registradosnasdiversas imagens produzidas poresse indivíduo.
sua
rs
O
Weber (cit. Nicos Hadjinicolaou, 1987:37) define a psicologia da arte como o estudo dos estados de consciência e dos fenômenos inconscientes, correlativosà criaçãoe contemplação da arte.
r
\o
o
O)
O que se percebe no ato de criar, é que nem sempre as imagens
registradas nas telas são situações que de fato fizeram parte da vida desse artista. Muitos pintores trabalham com asimagens sem ao menosretratar momentosdesua vida.
n
On
n
r
>É importante ressaltar que se a psicologia se volta para entender o
universo interno do indivíduo que produziu as imagens ela terá um campo de atuação onde poderá dá suporte
a
esse indivíduo através da produção de imagenspor elerealizada.
r
>n
'
-
NI
Em contrapartidanãose volta ou nãotem interesse para o conhecimento
o
n
n
16
n
Segundo nos coloca Nicos Hadjinicolaou o “considerar o conhecimento dos mobiles individuais da produção de uma obra como o conhecimento da obra, toma
-
se o errodasanálisespsicológicas no domínio da históriadaarte.O
n
r
\ Para taL,cita como exemploa
interpretação adotada por René Hughe que“
s
óé possível decifrar a obrade arte e o conteúdo humano com que o artista a carregou”
,se for descobertaaleitura complexaque qualquer imagem oferece.'
"N OSobre essa questão entendemos que nessa visão psicológica o olhar estaria voltado para procurar nas imagens registros de situações cotidianas, reconhecendonelas imagensfamiliares.
n
n
r
>Em estudos recentes sobre a psicologia da arte, percebeu
-
se que nem sempre isso ocorre-
dividindo os criadores em vários “tipos psico-
estéticos”-
onde detectou-
se que alguns punham mais ou menos possível da sua vida profana nas imagens retratadasna suaobra de arte.
D
O
n
Oin
n
O que devemos entender é que não se deve quantificar ouse prender tãosomente a essa idéia no estudoda psicologia da arte, em que a base científica para suas análises, estariam em explorar tão somente o domínio da vida pessoal, e
a
partir daí analisá
-
la.
o
n
n
r
>
Partindo
-
se da premissa que seu “suporte profissional estaria fundamentado nessas imagens”.
Como exemplo dessas diferenças de tipos psico -estéticos,citamos Balzac e Flauber que puseram muito pouco doseu ‘‘eu”
e da sua vida na sua obra dearte. Em contrapartida as de Proust estão impregnadasdo “ eu”desseescritor através das personagens
-
considerandosuaobra 80% subjetivaea de Balzac eFlauber quesão80% objetiva.n
o
o
o
n
17
r
\n
r
\AExplicação Psicanalitica.
Segundo Nicos Hadjinicolau,oconceito utilizado pela psicanálise para
a
r • ~ 2
interpretaçãodaarte,éo conceito desublimação.
n
n
Através de um estudo analítico, a psicanálise busca descobrir a relação
entre as impressões da infanda e o destino do artista, por um lado, e as suasobras
como reaçõesa essesestímulos.
O
r
\O Jungnosseusestudos nosrelata queo indivíduoresgata nas profundezas da sua psiquê situações do inconsciente refletidas nas experiências externas que vivemosno nosso cotidiano.
n
OO
o
Quando utiliza
-
se da imagem, em particular das artes plásticas, essemundo interno toma
-
se mais real, possibilitando uma reorganização do nossoconsciente/inconsciente, e nocasodo paciente psiquiátrico uma melhora qualitativa na suaqualidadedevida
.
O
n
r\ r's
Jung para entender as experiências interiores pelo qual o homem passa,
volta
-
se para a compreensão dos sonhos e das visões, descobrindo que as imagens do inconsciente emergem em vários momentos da vida, através dos sonhos ou visões.n
n
n
Foi através da interpretação de seus sonhos e experiências internas que chegou à descoberta de um centro profundo no inconsciente, centro ordenador da vida psíquicaefonte de energia
.
2
Chama-se capacidade de sublimação acapacidade de trocar o objetivo, originalmente sexual, porum
outro que jánãoé sexual mas que psiquicamenteparentedoprimeiro.(SigmundFreud,Lamoralesexuelle civilisée et la maladie nerveuse des temps modernes,emLa VieSexuelle, P.U.F., Paris, 1970,p. 33. Cit
Hadjinicolau,Nicos,1978).
O O
r\ o 18
r
\r
\n
Para Jung
o
conceito de inconsciente é uma parte da natureza, é algo objetivo, real, genuíno.
Existe uma esfera psíquica não controlada pelo consciente,livre em ‘suas formas de expressão. Através dessa liberdade de expressão do
inconsciente,váriasmanifestaçõesespontâneassurgemnodecorrer denossas vidas
.
n
o
r\ /•'S
Sabemos que a condição do esquizofrénico é a de alguém que está mergulhado nas regiões onde fluem as imagens arquetípicas e tomam forma os temas míticos. Esse fluirnão é tão desordenado comose poderia crer.Aobservação da pintura dos esquizofrénicos indica a presença ativa de um processo reorganizador, do qual resultam imagens que revelam a busca de um centro. (Silveira, 1992:164) O r\
o
ni On
r
\Coloca
-
nos Nise da Silveira, que num psicótico essa tomada de consciência dessas tentativas instintivas de reestruturação, o indivíduo sairá do episódiopsicóticomaisenriquecidoe galgaránívelmais alto no desenvolvimentode suapersonalidade,com ousemajudadoterapeuta.(Silveira, 1992:164)n
r
\r
\ r-
sr
\ r\Ainda, sobre essa questão, nos relata que se houver diálogo possível, nenhuma ponte firme entre consciente e inconsciente, as imagens que refletem o processonatural reorganizador irãose repetirde maneiraautónoma efluirnum ciclo perdidona profundezada psique.(Silveira, 1992:165)
r
\.r
\rs
O processo de individuação é o eixo da psicologia Junguiana, que tem por meta o self, ou seja, o núcleo central da psique, cuja estrutura básica é quaternária, constituída dos pares de opostos: luz
-
sombra, masculino-
feminino, ou ditoemoutraspalavras, bem-
mal,espiritual-
material.(Silveira,cit.Jung,1992:164)r\ o
o
19
Foram as próprias experiências internas de Jung que o levaram à descoberta do processo de individuação,segundoelenarra emsuasMemórias.
r
\Para desenvolver seus estudos envolveu
-
se no conhecimento de si próprio,viveu-
o intensamente em todasas suas fases, e paralelamente,observa que o curso de desenvolvimento da personalidade de seus analisados seguia roteiro semelhante-
sempre progredindo em direção a um centro, a um núcleo energético quese revela existente nofundo mais íntimo da psique.
(Silveira, 1981:101)O
trs r\
O O processo de individuação nãoconsiste num desenvolvimento linear. É movimento de circunvolução que conduz a um novo centro psíquico, denominado por Jung de self (si mesmo). Quando consciente e inconsciente vêm ordena
-
se em tomo do self a personalidade completa-
se. O self será o centro da personalidade total,como oegoéo centrodocampoconsciente.
(Silveira, 1981:88)<
rs
n
o
r
\O conceito de individuação de Jung tem sido muitas vezes deturpado. Entretanto é claro e simples na sua essência: tendência instintiva a realizar plenamente potencialidadesinatas
.
(Silveira,1981:88)o
Devemos levar em conta que não se deve pensar que individuação seja sinónimode perfeição
.
Aquele quebusca individuar-
se não tem a mínimapretensão a tomar-
se perfeito, ele visa completar-
se. E para completar-
se terá de aceitar o fardo de conviver conscientemente com tendências opostas, irreconciliáveis,inerentes à sua natureza, tragam estas as conotações de bem ou de mal
-
sejam escurasouclaras.o
áf\
fffs r\
r\
20
•
n
Portanto, quando o indivíduo passa a representar diversas personas na trajetóriadesua vida,assumindopapéis representativos, fugindo doseu interior para
apenas viverrepresentando,mais dolorosa será aoperaçãopsicológica para despi
-
la. D,
r\
r\
O paciente psiquiátrico é um indivíduo que vive no seu cotidiano em diversos papéis, que
na
maioria das vezes passam a atormentá-
lo quando não mais consegueseparar orealdo irreal.o
O
O viver em constante mudanças de personalidade de humor, causa
-
lhes angustia esofrimento.
Seu modo de olhar e viver toma-
se diferente dos padrões de sua sociedade tomando-
o umdiferenteaoseu meio.r
\n
r\Em relação às artes plásticas, o crítico contemporâneo Herbert Kühn propõem classificação similar à Jung quando este distingue nas obras literárias a arte dossentidos ea arte da imaginação.
r\
o
Kühn (Silveira, 1981: 161)nos fala que a arte dossentidos inspira
-
se na natureza exterior, no mundo que nos atinge através dos sentidos. À arte da imaginação exprime fantasia, experiência interna do artista, que as representa de maneira irreal,onírica e abstrata.r\
o
r\
Do ponto de vista Jungueano a psicologia pessoal do artista poderá esclarecer certas
caracter
ísticas de sua obra, mas não a explicará. A problemáticaindividual, diz Jung, tem tanta relação com a obra de arte quanto o solo com a plantaqueaígermina.(Silveira, 1981:161)
o*
r\
21
Segundo essa autora, os conflitos pessoais do artista, sua problemática emocional,não são decisivos para o conhecimento de sua obra, lançarão luz sobre
um ou oufro detalhe,sobre a atraçãopara esteouaqueletema.
rs
rs
A Explicaçãopelo“Meio”
.
rs
n
A teoria do meio desenvolvida por Hippolyte Taine, foi introduzida nos cursosdadosna Escola de Belas
-
Artes de Paris,em 1864, sendo explicada segundo as próprias palavras de Taine: “ O ponto de partida deste método consiste emreconhecer que uma obra de arte, um quadro; uma tragédia, uma estátua,
pertencemaum conjunto, istoé, àobra total do artistaque éo seu autor”
?
“ Esse*
mesmoartista, consideradocom aobratotalque produziu, nãoestáisolado. Háum
conjunto em que ele está inserido, conjunto maior do que ele próprio, e que é a
escolaou famíliade artista domesmo paíse damesmaépoca a que ele pertence”. Essa família de artistas está tambémela inserida numconjunto mais vasto, que é o mundo quearodeia ecujo gostoé conforme como seu,pois, o estado doscostumes e de espírito é o mesmo para o público e para os artistas; eles não são homens isolados”
.
r\rs
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r\ r y r\rs
r
\A maioria dos estudos que se fazem em história da arte, são baseados teoricamente nos conceitosde Taine e admitem que o homem é influenciado pela sociedadeemquevive
.
r\
/
-
>Sobre essa questão Nicos Hadjinicolaou, faz uma
cr
ítica as teorias de Taine, explicando que a mesma corresponde à ideologia da burguesia liberal, pois,suateoria gravita emtomode três conjuntos:“o conjuntodasobras produzidas por
3
Publicadoscom otítuloPhilosophie del'art.(cit.Nicos Hadjinicolaou,1978:47)
rs
r\
r
\rs
rs
n
22umartista, a escolaoufamília deartistado mesmo país oumesmaépoca e o estado
geral deespírito edos costumescircundantes”(Nicos Hadjnicolaou, 1978:44).
n
.
^N
n
Nicos Hadjinicolaou, coloca
-
nos que este três conjuntos têm todos o mesmo centro-
o artista-
criador, e que apesar das aparências, a teoria do meio é uma teoria psicologista da arte, bem como, a visão de Taine, não se baseia numa divisão da sociedade em classes, nem no conceito de ideologia, comum as lutas de classes.n
r
\r
\rs
Apesar das críticas vindas de diferentes segmentos, o seu método é o mais divulgadonos trabalhosde história daarte.
r
\Em relaçãoaos conceitos sobre as três teorias apresentados e discutidos por Nicos Hadjinicolaou, veremos que a explicação psicológica, a explicação psicanalíticaea explicaçãopelomeiotêm, apesardasdiferenças, uma basecomum,
pois, osprodutoresdeimagens são o ponto de referência para aexplicação dassuas obras.
n
o
.
r
\ rsrs
rsVeremos que astrêsteorias,baseiam
-
se noconceito dequeosprodutoresde imagens são o ponto de referência, para a explicação das suas obras de arte,
concluindo que a “história da produção de imagens” n
ão é mais do que a história dos artistas, “criadores” dasobras.
rs
rs
r
\rs
r~\ r\O que depreendemos dessas três escolas sobre o processo criador, ou sobre os seus criadores, é que as mesmas se entrelaçam, nas visões teóricas, passando a história da arte a ser compreendida pela história de vida de criadores ou conforme expressão de Nicos Hadjinicolaou “sobre a monografia de artista” quecompreendea históriadevida de cada
um, seu processo de criaçãoeo
seumeio. /"'N seus />
r
\ r\ r\ r\r
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r\
r
\23
n
r
\1.2
-
LOUCURA:REPRESENTAÇÕESE FORMASn
Philipe Pinei,publicando em 1791o seu tratado médico
“
Philosophie! deAlienação Mental
,
iniciou a transformação que posteriormente ocorreria no estudo daloucuraeasformas de tratamento queapartir daí seseguiriam.
n
r\
/''v
No seu discurso sobre a loucura Pinei fala
-
nos, que o estudo dos alienados deveria se voltar para caracteres distintos manifestados por sinais exteriores e não adotar-
se como base do tratamento se não os resultados de uma experiênciaprovada.
(Brandão: 1956:63)r\
r\
r
\ nin
Baseando seus estudos numa visão filantrópica, os alienados eram para ele merecedores de caridade, de compaixão e de atenção, o que os elevaria a categoria de doentes, e como tal, deveriam ser estudados partindo
-
se de uma observaçãomais sistemáticadoseucomportamento.n
r
\r
\n
r
>
Noano de 1793 Phillipe Pinei toma posse em Becêtre,desenvolvendo as funções de administrador e sanitarista tendo como principal meta a reforma no hospital geral, que até então acolhia todo o tipo de desvalidos que habitavam as mas,doentes com diversas enfermidadeseos alienadosde toda espécie
.
r
\r
>
n
r
\n
Os asilos tomam
-
se o lugar ideal para que esses estudos sejam realizados, ficando o médico o responsável e detetor do poder de avaliar e estudar esses alienados,osloucos.A
r
-
\n
o
,r\
Foicuidando dos loucos dentro dos asilos que seproduza primeira teoria médica sobre aloucura,somente 15anosdepois daentradadePinei em Bicêtre.
r
\o
O
'“'I
r
>
24r
\n
n
Esquirol discípulo e continuador de Pinel, baseia seus estudos na classificação dadoençassobreesse grupo, definindo
-
lhesasmoléstias.r
\O
Para quese obtenha a cura,reintegrando
-
osao convívio social, é preciso entender dos males e sofrimentos pelos quais os alienado passam.Como base para um entendimento mais específicoda doença., seria necessário conviver com eles, é a partirdaíqueinicia-se uma outra formar de se olhar e tratar o
“ alienado mental”. r yr\
r\
Segundo Focault
-
em “História da Loucura desaparecida a lepra, apagadoo leproso da memória, essas estruturas permanecerão. Freqüentemente nos mesmos locais, os jogos de exclusão serão retomados de forma semelhante séculos mais tarde. Pobres vagabundos, presidiários e cabeças alienadas, assumirão o papel do lazarento e veremos que a salvação para ele seria a exclusão, em espaços localizados nos marcosdas cidadesesemvizinhanças.
r
>rs
r
>r
\n
Com o declínio de feudalismo na Europa, uma imensa massa de
trabalhadores passa poucoà pouco, a deslocar
-
se paraas cidades, fazendo com queasáreasurbanas ficassemcom um contingente enorme de“desocupados”
.
O
O
r\
rs
Para haver um controle da situação, o Estado articula uma estratégia de controle social, juntamente com todos os aparelhos envolvidos diretamente na representação desseEstadoperanteasociedade. Unem
-
separa esse fim,instituições civis ereligiosas.n
r
>Surge a partirdesse momento na Europa uma redeassistencialista,com o objetivo de dar assistência direta à pobreza, através da alimentação para
grupos marginalizadosgarantindo
-
lhes minimamentea suasobrevivência. r yesses
r
\25
n
n
Cria
-
se então o Hospital Geral, que servia de “depósito “para essa população marginalizadaque tantoincomodavaanova classe social.n
on
Para o espaço fechado desses hospitais gerais era encaminhado uma gamadedesviantessociais,comoobjetivodeexcluí
-
los doconvívio social.n
A partir desse momento surgem as Casas de Internação, objetivando manter a ordemsocial.
o
»o
r
\Dentro dessa estratégia o asilo se especifica como o lugar para o
confinamento de um segmento das massas marginalizadas
-
intituladas de loucos.
Nesse momento todos aqueles resistentes à intemalização da norma e a sua reproduçãona prática,passam a serdenominados de “ loucos” .
r
>n
r
\r
\n
Mais tarde com o crescimento desses centros urbanos, e com a
centralização económica na mão de uma minoria que explorava a massa trabalhadora, foram sendo criados outros asilos em centros urbanos de maior importância económica.
/
-
Nn
n
n
Segundo Dias Barros (1990:6) “o século XVIII representaum momento crucial na história da loucura no mundo ocidental, um salto de qualidade no processodo conhecimento.
O
r
\rv
'"'N
As transformações produzidas pelo nascimento do período industrial determinam uma nova posição da pobreza,na qual a velha distinção entre o pobre
-hábileo pobre-
doenteassumirá conotaçãodiversa”.
r\ r~\ r\
r
\n
n
r\r
\o
26
n
Coloca
-
nos Dias Barros (1990) que o pobre-
hábil tomar-
se essência àriqueza, podendo e devendo ser reintroduzido na comunidade. O pobre doente e
é
portanto, improdutivotomar
-
seelementonegativo por excelência.o
O O
n
Neste mecanismo de exclusão do mercado de trabalho é que os loucos irão tomar-
se mais visíveis, tendo sua exclusão justificada pela própria incapacidade.
"A
Para Castel e Foucault, com a restruturação jurídica da nova ordem burguesa e a ruptura dos tradicionais equilíbrios de poderes do regime anterior, a
loucura assumiu a importância central. A primeira vista, deveria constituir um problema social menor, superado quantitativamente pelo pauperismo, vagabundagem e mendicância. No entanto os loucos recebem a primeira atenção
sistemática e a loucura foi reconhecia e sancionada por lei em 1838 (cit. de Dias,
1990:7). /’S o O O O O O
n
Cabe a medicina mental controlar a loucura que segundo Castel entre 1790, a data da abolição da “letteres du cachet “por parte da AssembléiaConstituinte, e, 1838 quando foi aprovada a lei que definiu o regime dos insensatos, a medicina mental atravésdapsiquiatria, passa a ser responsávellegal dolouco dentro da sociedade ”
.
O r\ O z'* '» O
'
“N Oo
27
1.3
-
ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA NO BRASILn
Segundo HeitorRezende(1987:30), “ no Brasil o doente mental faz sua
aparição na cena das cidades, igualmente em meio aum contexto de desordem e ameaça àpazsocial”
.
r\
O
Esseandar
do
“louco”
pela cidade, apareceno Brasil ainda na Colónia,onde “ o doente mental tinha um apreciável grau de tolerância social e relativa liberdade
o
r
>
A
Afirma ainda Resende (idem: 30, 31) “ que é de supor tendência
histórica universal, que aos loucos pobres, desde que mansos se permitia andar
pelas cidades, aldeias e campos, sujeitos aqui e ali aos motejos da criançada,
vivendo da caridadepública
.” .
O
r\
r\
O
O
Nesse período, caso se mostrassem violentos, indecorosos eram
o
recolhidos às cadeias.
O
O
João Ferreira da Silva F. ( 1987:79) diz que “ nunca, antes de fins do
século XVII, amedicinaprocurou sabero que dizia o louco, apesar de ser o que o
loucodizia o queodistinguia dos demais
”
.
O
O
/~N
O Afirma Resende ( 1987:35), que “socialmente ignorada por quase
trezentos anos,
a
loucura acorda, indisfarçadamente notória, e vem engrossar as levas de vadios, desordeiros nas cidades, eser
á arrastada na rede comum darepressão'desordem, àmendicância, àociosidade
.
”
O
r>