TÍTULO: MAPEAMENTO E ANÁLISE DOS DOCUMENTOS REFERENTES À CIDADE DE SOROCABA DO ARQUIVO DE MATERIAIS APREENDIDOS DO PROJETO BRASIL: NUNCA MAIS
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS ÁREA:
SUBÁREA: HISTÓRIA SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: UNIVERSIDADE DE SOROCABA INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): SUELEN CRISTINA MARCELINO DE CAMPOS AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): WALTER CRUZ SWENSSON JUNIOR ORIENTADOR(ES):
Resumo
O projeto BNM (Brasil: Nunca Mais) foi criado a partir da preocupação com a preservação dos autos dos processos de crimes contra a segurança nacional no decorrer do regime militar de 1964. Foram copiados integralmente 710 processos. O acervo pesquisado é composto pelos 710 autos dos processos e por 10 mil documentos do acervo de materiais apreendidos do BNM. Todos os documentos que compõe os autos dos processos contra os opositores do Regime Militar.
A presente pesquisa irá mapear e analisar os documentos referentes a cidade de Sorocaba existente no acervo do arquivo BNM durante o período de abril de 1964 a março de 1979. O trabalho irá ampliar a compreensão sobre o processo histórico referente a resistência existente em Sorocaba a partir dos documentos presentes no arquivo BNM e oferecerá subsídios para posteriores pesquisas acerca deste contexto histórico. Os documentos foram localizados, fichados e classificados de acordo com movimentos de resistência para obter informações referentes aos diversos grupos que atuaram na resistência durante o Regime Militar de 1964 na cidade de Sorocaba. Foram localizados 128 documentos referentes a cidade de Sorocaba em 27 autos de processos do projeto Brasil Nunca Mais. A partir destes documentos verificamos que as formas de repressão e resistências enfrentadas na cidade de Sorocaba, trazendo informações até então desconhecidas.
Percebe-se então uma atuação significativa de grupos que lutaram contra o Regime Militar de 1964 na cidade de Sorocaba. Embora existisse uma grande quantidade de segmentos que atuaram na resistência durante o Regime Militar na cidade, aparecem em maior quantidade, na série pesquisada, documentos referentes à atuação dos estudantes da Faculdade de Medicina da Puc/SP, militantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e do movimento sindical, principalmente, do Sindicato dos Ferroviários de Sorocaba.
Introdução
A Ditadura Militar (1964-1985) no Brasil foi um período marcado por diversas formas de repressão por parte do Estado. Durante este período o país foi marcado pela censura e pela violência contra os opositores. O aparato de repressão e violência esteve presente durante todo o regime militar.
Ao final da primeira semana após a instauração da Ditadura Militar, mais de sete mil pessoas foram presas. No período de três meses, cerca de 50 mil pessoas teriam sido presas. De acordo com Carlos Fico: “(...)Entre os dias 10 e 13 de abril,45 cassações de mandatos,162 suspensões de direitos políticos por dez anos e 146 transferências de militares para a reserva. ” (FICO, 2001;p.22)
Em 1974, com Ernesto Geisel inicia-se o processo de transição politica que tinha como lema “distensão lenta, segura e gradual”. A Abertura política continuou com o sucessor de Geisel, o general João Baptista Figueiredo. A assumir a presidência da República, em 1979, Figueiredo, devido à grande pressão da oposição e de movimentos populares, envia para o Congresso o projeto de Anistia Política. Fortemente questionada, a Lei nº6.683 de 28 de agosto de 1979, não concedeu uma anistia ampla : “Excetuam-se dos benefícios da anistia os que foram condenados pela prática de crimes de terrorismo, assalto, sequestro e atentado pessoal.” Por outro lado, a lei anistiou todos os agentes do aparato repressivo, muitos deles, torturadores e assassinos.
Coube ao Superior Tribunal Militar (STM) analisar os processos para verificar em quais situações poderia ser aplicada a Lei da Anistia. Foi durante essa etapa que o Projeto “Brasil Nunca Mais” (BNM) foi idealizado e concretizado por um grupo de advogados e religiosos preocupados com a preservação da documentação. Foram copiados, de forma sigilosa (visto que o Regime Militar ainda estava em vigor), os autos dos processos criminais referentes aos Crimes contra a Segurança Nacional. Ao finalizar o projeto reuniu-se os autos de processos do período, de abril de 1964 a março de 1979, totalizando 710 processos e mais de 10 mil documentos.
Os documentos foram analisados e deram origem ao “Projeto A”. Organizado em 12 volumes, com aproximadamente 6.891 páginas. O “Projeto A” faz uma abrangente e minuciosa análise sobre a repressão e fornece as
ferramentas necessárias para localização e pesquisa dos documentos existentes nos autos dos processos copiados. Ele faz o levantamento dos julgamentos nos tribunais militares, dos acusados, dos presos, dos torturados e do número de pessoas desaparecidas até aquele momento. O relatório também faz um inventario das formas de tortura mais utilizadas, da localização dos centros de detenção além de identificar alguns médicos e agentes que participavam das torturas.Com a intenção de divulgar as informações, contidas no BNM, de forma mais acessível, no dia 15 de julho de 1985, foi publicado o livro “Brasil: Nunca Mais”, conhecido como “Projeto B”, que sintetizou as informações contidas no “Projeto A”. Para facilitar e ampliar o acesso às informações do BNM, no dia 14 de junho de 2011, foi lançado uma plataforma digital que disponibiliza o acervo aos autos dos processos e ao “Projeto A”.
Há uma grande escassez de fontes acessíveis para pesquisa acerca da oposição durante ao regime militar, devido a violenta repressão, o que torna o Projeto Brasil: Nunca Mais (BNM) uma fonte histórica de grande importância.
Objetivos
Localizar e efetuar o mapeamento dos documentos referentes à cidade de Sorocaba nos autos dos processos que fazem parte do acervo do Projeto Brasil: Nunca Mais (BNM). Analisar os documentos localizados para possibilitar a ampliação da compreensão do processo histórico de resistência ao Regime Militar de 1964 na cidade de Sorocaba. A pesquisa pretende também facilitar e incentivar novos estudos sobre o autoritarismo e a transição política no município.
Desenvolvimento
Trata-se de estudo documental, de caráter explanatório em que utilizamos um procedimento analítico no qual localizamos e efetuamos uma breve análise dos documentos referentes a cidade de Sorocaba presente no acervo do Projeto: Brasil Nunca Mais. Sendo este arquivo composto por 710 autos de processos de Crimes Contra a Segurança Nacional e 10.170 documentos referente aos grupos que se opuseram a ditadura militar do acervo de materiais apreendidos do BNM.
Com a finalidade de mapear a serie documental da cidade de Sorocaba no acervo do arquivo BNM, localizamos todos os documentos referentes a cidade existentes no acervos. Após a localização e o fichamentos, os documentos selecionados foram separados de acordo com o movimento de resistência ao qual pertenciam. Para finalizar a pesquisa iremos realizar uma análise qualitativa dos documentos para ampliar a compreensão do movimento de resistência na cidade durante a Ditadura Militar de 1964.
Resultados
Foram localizados 128 documentos referentes a cidade de Sorocaba presentes no acervo BNM. Sendo que estes documentos estão distribuídos em 27 autos de processos de Crimes Contra a Segurança Nacional, no relatório do projeto Brasil nunca Mais, na Comissão de Justiça e Paz e na Comissão Mundial de Igrejas. Ao separar os documentos de acordo com os movimentos de resistência sorocabana localizamos documentos referentes: ao Movimento Estudantil, ao Movimento Sindical, a Partidos Políticos e a Igreja Católica.
Farei, a seguir, uma breve análise dos documentos encontrados de acordo com os movimentos sociais.
Movimento Estudantil
Foram localizados 38 documentos referentes ao movimento estudantil nos autos dos processos do acervo do BNM
Verificamos, no auto do processo 109, um documento que relata a participação da polícia de Sorocaba na prisão dos estudantes que estavam participando do 30º. Congresso da UNE, em 1968, realizado de forma clandestina na cidade de Ibiúna. A polícia militar de Sorocaba participou da operação policial que cercou o local e conduziu grande número de estudantes a delegacia da Cidade de Sorocaba. Informações estas obtidas de acordo com os documentos :BNM_109 e BNM_331.
Nos seguintes autos de processos BNM:252;300;174;184;197e 684.Foram localizados 13 documentos referentes a Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica, localizada na cidade de Sorocaba:
Estudantes da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica participaram ativamente de movimentos estudantis de resistência à ditadura na cidade de Sorocaba. Muitos estudantes da Faculdade de Medicina eram membros na UEE (União Estadual dos Estudantes) e na UNE (União Nacional dos Estudantes). Localizamos também documentos referentes a participação dos estudantes da Faculdade de Medicina na JUC (Juventude Universitária Católica) e na AP (Ação Popular). Encontramos ainda documentos que relatam a participação dos estudantes de medicina em mobilizações reivindicatórias para a federalização da faculdade e para a construção do Hospital Regional de Sorocaba. Outros documentos referem-se a atuação dos estudantes de medicina na prestação de socorro de forma clandestina a membros de grupos de luta armada opositores do regime.
Entretanto, o caso mais notório e com maior incidência na documentação do BNM, refere-se ao estudante Alexandre Vannucchi Leme. No acervo do Projeto Brasil: Nunca Mais localizamos os documentos BNM:079;204;632;670 e 684.Sendo ainda localizados 6 documentos na Comissão de Justiça e Paz, dois documentos na Comissão Mundial de Igrejas e sete documentos no Relatório BNM tomo V.
Alexandre era estudante de Geologia na USP. Durante o regime militar, fez parte da resistência como membro da ALN (Ação Libertadora Nacional). Alexandre foi preso pelo regime acusado de “terrorismo”, por praticar atividades consideradas subversivas. Ele foi preso e brutalmente torturado na sede do Doi-Codi de São Paulo. Alexandre morreu vítima da violência praticada durante as sucessivas sessões de tortura. Foram divulgadas pela Ditadura Militar duas versões falsas sobre a morte de Alexandre, a primeira relatava que ele havia cometido suicídio utilizando uma lâmina de barbear, entretanto esta versão foi desmentida através de depoimentos prestados (depoimentos estes presente no tomo V), na segunda versão, as autoridades alegaram que Alexandre havia sido atropelado durante uma suposta tentativa “fuga”. Nos documentos, localizados no Relatório BNM Tomo V, podemos verificar os relatos sobre a morte de Alexandre, inclusive, o depoimento de testemunha, que afirma ter presenciado a retirada do corpo de Alexandre das dependências do Doi-Codi.
A morte de Alexandre Vannucchi gerou uma grande repercussão. Nos documentos localizados, há diversos jornais relatando o caso, inclusive, jornais estrangeiros. Existem, ainda, manifestos dos alunos da Universidade de São Paulo solicitando esclarecimentos e protestando. Entretanto, repercussão equivalente, ocorreu na comunidade católica. Existem ainda comunicados de Bispos retratando seu repúdio ação tomada e solicitaram melhores esclarecimentos. Nos documentos localizados existem relatos da missa que homenageou Alexandre, celebrada no dia 30 de março de 1973, na Catedral da Sé. A missa tornou-se um marco da resistência ao Regime Militar. Dom Paulo Evaristo Arns, durante o sermão, fez duras críticas ao regime militar. Apesar da forte repressão, cerca de 3 mil pessoas participaram da celebração.
Movimento Sindical
Nos autos dos processos foram localizados 13 documentos referentes ao Movimento Sindical. Identificamos documentos referente a União dos Ferroviários da Sorocabana nos seguintes autos de processos BNM:279;618 e 303.O Sindicato da União dos Ferroviários da Sorocabana foi muito atuante na cidade de Sorocaba durante o Regime Militar. Houve a participação intensa dos ferroviários em movimentos reivindicatórios. Os ferroviários realizaram diversas greves em prol de melhoria de condições de trabalho. Na maioria das ações organizadas pelo Sindicato dos Ferroviários houve repressão policial. Vários filiados do sindicato eram membros ou simpatizantes do Partido Comunista Brasileiro.
Torna-se necessário destacar a participação de Francisco Gomes. Francisco foi tesoureiro da Estrada de Ferro Sorocabana. Sendo que o mesmo participava e diversas reinvindicações para melhoria de trabalhos para a sua categoria , chegando a ser preso na cidade de Assis no ano de 1963 durante uma mobilização dos ferroviários, permanecendo detido durante alguns dias. Filiado ao sindicato da União dos Ferroviários da Sorocabana e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), ele fazia parte do Comitê Ferroviário. Em decorrência de sua grande atuação sindical e histórico de liderar mobilizações, ele foi demitido do quadro de funcionários da Estrada de Ferro. No dia dezesseis de maio de 1965, foi novamente preso para ser ouvido sobre sua atuação no Partido Comunista Brasileiro, sendo liberado após dois dias. Francisco saiu do
Partido Comunista em 1968, e iniciou sua trajetória na luta armada. Ele entrou Ação Libertadora Nacional (ALN), onde lutou ao lado de Carlos Marighella. Procurado pelo Regime, ele passa a viver na clandestinidade. Para escapar da perseguição policial, Francisco Gomes morou em várias cidade e acabou exilando-se em Cuba. No final do Regime, voltou para a Cidade de Sorocaba e foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores da cidade. Francisco Gomes, faleceu no dia três de junho de 2016 na cidade de Sorocaba
Foram localizados os seguinte documentos referentes a Francisco Gomes no acervo do “Projeto Brasil: Nunca Mais”:BNM_618.
Partidos Políticos
Partido Comunista Brasileiro - PCB
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi fundado em 1922, mas teve curtos períodos de legalidade até o final do regime militar de 1964. Apesar de clandestino, o PCB teve expressiva influencia na cidade de Sorocaba durante o Regime Militar. O partido mantinha um Comitê executivo na Cidade e atuava em diversos segmentos sociais: Ferroviários, Estudantes Universitários (ligados a Faculdade de Medicina) e Estudantes Secundaristas.
Na grande maioria das vezes, as reuniões do partido eram realizadas nas casas de seus filiados, verifica-se a existência de diversas células do partido na cidade de Sorocaba, como a dos ferroviários e a “Associação Feminina de Sorocaba”, liderada por Caetana Martine. Há diversos documentos sobre a atuação do PCB em Sorocaba, que, de acordo com o relato dos órgãos de segurança, estava aumentando sua atuação na cidade. Sendo Antonio Martine, um dos principais nomes citados, considerado o líder do partido na cidade, segundo a documentação, ele tinha ligação com o líder nacional do partido, Luís Carlos Prestes. Há documentos relatando que devido a esta atuação sindicalista e partidária, Martine estava sendo investigado desde antes do golpe militar. Também existem relatos que ele seria nomeado vice-prefeito do distrito de Votorantim, mas, em devido ao seu posicionamento político, a nomeação não ocorreu .Torna-se necessário destacar também a aliança formado entre o PCB e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro) durante as eleições municipais. Como o PCB estava na clandestinidade e não poderia lançar candidatos, João
Pereira Dos Santos, líder operário e membro do partido, lançou-se candidato a vereador pelo MDB. Ele foi eleito vereador, entretanto, durante seu mandato, sofreu intensa perseguição política, tornando-se um marco de resistência na cidade de Sorocaba. Ele chegou a ser preso pelo regime ,ficou preso durante 11 dias nos quais sofreu tortura, das mais variadas formas ,durante estes dias recebeu choques elétricos ,espancamentos e pressões psicológicas, devido a isto o mesmo ficou com uma deficiência auditiva. Foi forçado a escrever um relatório de acordo com as informações determinada pelos agentes policiais, sofrendo ameaças de que se não a fizesse sua família sofreria também. Foi liberado e depois de alguns dias voltou a exercer sua função como vereador da cidade de Sorocaba ,entretanto no dia 19 de dezembro de 1975,foi notificado que seria preso, despediu-se de sua família e ficou preso no presídio do Hipódromo na Mooca, onde ficou durante 3 meses. O Jornal Voz Operária, editado e distribuído clandestinamente pelo PCB, também aparece em vários documentos.
Foram localizados 57 documentos referentes ao PCB em Sorocaba, sendo que estes documentos estão presentes no autos dos processos BNM:026;255;531;551;568;618 e 683.
Partido Operário Revolucionário (POR)
O Partido Operário Revolucionário (POR) foi fundada em 1953. Era uma partido trotskista que tinha como objetivo a atuação no movimento camponês e em comitês de fabricas. Foram localizados 4 documentos referentes a atuação da POR na cidade de Sorocaba.
Estes são os documentos localizados ,no auto do processos BNM_040 Igreja Católica
Nos primeiros anos do Regime Militar, grande parte da Igreja Católica apoiou o regime, entretanto, tal posição não perdurou todo o período da ditadura. Com o AI-5, a censura, a violenta repressão e a violação dos direitos humanos, a Igreja Católica mudou de postura e passou a questionar as diretrizes do Regime.
Um segmento da Igreja Católica, desde o início, se posicionou contra a ditadura. Eram setores progressistas fortemente influenciados pelas mudanças
adotadas pela Igreja após o Concílio Vaticano II (realizado entre 1962-1965) liderado pelo Papa João XXIII. Em síntese, o Concílio modernizou os ritos da Igreja, promoveu uma maior aproximação com os pobres, estimulou todos os setores da Igreja a se posicionarem de forma clara contra as injustiças e a favor da proteção aos direitos humanos. Na cidade de Sorocaba, observamos a atuação de setores progressistas católicos durante o regime militar. Foram localizados vários documentos referentes a Juventude Universitária Católica (JUC) e a Ação Católica Operária (ACO).
A JUC (Juventude Universitária Católica) preocupava-se com a “realidade brasileira”, com as questões sociais e políticas. A ostensiva atuação política de setores progressistas da Igreja Católica sofreu uma forte repressão e vigilância dos setores de segurança do Estado autoritário. Na cidade de Sorocaba, a JUC tinha forte vínculos com a Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica, parte de seus aluno participavam de reuniões e movimentações propostas pela JUC. Foram localizados 4 documentos referentes a JUC na cidade de Sorocaba, presente no auto do processo BNM_684.
Ação Católica Operária (ACO)
A Ação Católica Operária (ACO) foi um segmento da Ação Católica Especializada engajada no movimento operário. A Ação Católica Operária atuava em sindicatos, associações de trabalhadores e em mobilização reivindicatórias. A ACO, como a JUC, sofreu uma forte perseguição durante o Regime Militar devido a sua atuação e ao seu caráter transformador. Localizamos 3 documentos referente a Ação Católica Operária relatando um Encontro de Operário realizado. Os documentos foram localizados no auto do processo BNM_072
Considerações Finais
O autoritarismo está presente na sociedade brasileira desde o período colonial, se intensificou durante os períodos ditatoriais como o Regime Militar de 1964 e ainda apresenta resíduos em nossa atual realidade. Considerando os documentos localizados sobre a cidade de Sorocaba no Arquivo Brasil: Nunca Mais (BNM), verificamos as diversas formas de resistência existente na cidade. Observamos a presença de importantes organizações e a participação ativa dos
movimentos sociais no município. Constatamos ainda, a atuação do aparato da repressão presente em vários setores da sociedade sorocabana durante o Regime Militar de 1964. Localizamos, na documentação, novos fatos sobre a atuação da resistência e do aparato repressivo na cidade, mas queremos destacar que a localização de tais documentos, sobre a ditadura na cidade de Sorocaba, possibilitará novas pesquisas que irão ampliar o conhecimento sobre o período.
Torna-se fundamental o estudo a Ditadura Militar para compreensão do nosso passado/presente autoritário. O alargamento desse conhecimento possibilitará a construção de alternativas para a ampliação da democracia política e social no Brasil.
Fontes Consultadas
ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO. Brasil:Nunca Mais.Prefácio de Dom Paulo Evaristo Arns.Petrópolis: Vozes, 2011.
FICO, Carlos. Como eles agiam: Os subterrâneos da Ditadura Militar: espionagem e polícia política. Rio de Janeiro: Record, 2001.
IKEDO, Fernanda. Ditadura e repressão em Sorocaba: histórias de quem resistiu e sobreviveu. Sorocaba: LINC, 2003.
JUNIOR, Antonio Pedroso. Sorocabana: União e Luta. São Paulo: Plena editorial ,2015.
MEZAROBBA, Glenda Lorena. Um acerto de contas com o futuro: A anistia e suas conseqüências – um estudo do caso brasileiro. 2003, 206f. Dissertação (Mestrado em Ciência Política) – Programa de Pós-graduação de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2003.
MATTOS, Marco Aurélio Vannucchi; SWENSSON JUNIOR, Walter Cruz. Contra os inimigos da ordem. São Paulo: Editora DPA, 2003.
MIRANDA, Nilmário e TIBURCIO, Carlos. Dos filhos deste solo: Mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar: a responsabilidade do Estado, São Paulo: Boitempo Editorial, 1999.
NAPOLITANO, Marcos. 1964: História do regime militar brasileiro. São Paulo: Editora Contexto, 2014.
SERBIN, Kenneth P. Dialogo na Sombra: Bispos e militares, tortura e justiça social na ditadura; tradução Carlos Eduardo Lins da Silva. São Paulo :Companhia das Letras,2001