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Monografias "terceirizadas": quais possíveis consequências acadêmicas e jurídicas?

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA LARAH CHRISTMANN DA SILVA

MONOGRAFIAS “TERCEIRIZADAS”: QUAIS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS ACADÊMICAS E JURÍDICAS?

Araranguá 2018

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MONOGRAFIAS “TERCEIRIZADAS”: QUAIS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS ACADÊMICAS E JURÍDICAS?

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Graduação em Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito.

Orientador: Prof. Guilherme Macieski Marcon, Esp.

Araranguá 2018

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Dedico este trabalho à minha avó, Elisabeth Christmann, que embora não esteja fisicamente presente, está sempre comigo no meu coração. Sem dúvida, és e sempre serás minha maior motivação para alcançar meus objetivos.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente à Deus, pela saúde, capacidade e determinação para concluir mais essa etapa da minha vida.

Ao professor Guilherme, meu orientador, que me deu todo suporte para elaborar o presente trabalho, meu muito obrigada.

À minha mãe, Bárbara, que está comigo em todos os momentos, me faltam palavras para mensurar o tamanho da minha gratidão. Todas as minhas conquistas, certamente são suas também. Estamos juntas para todo sempre, muito obrigada.

Ao meu pai, Rodney, que do seu modo, sempre me auxiliou para que eu pudesse hoje, concluir esta graduação.

Aos meus irmãos, Gregori e Lívia, pelo companheirismo e união, vocês são um dos motivadores desta conquista.

Ao meu avô Flávio, que está sempre conosco, sendo muitas vezes também pai, a conclusão deste curso não seria possível sem o seu auxílio.

Aos amigos, que quando necessário estiveram à disposição para o que fosse preciso, serei eternamente grata.

Ao meu filho de quatro patas, pela alegria e amor que me proporciona simplesmente por ter me escolhido. E por último, mas não menos importante, meu namorado, Mateus, pelo apoio incondicional, por caminhar ao meu lado durante os cinco anos de graduação, pelo suporte dado para conclusão deste curso, sem você nada disso seria possível.

A todos que de certa forma colaboraram para tornar esta consequência possível, meu muito obrigada.

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“Se as pessoas desonestas compreendessem as vantagens de ser honestas, tornar-se-iam honestas por desonestidade” (Benjamin Franklin).

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RESUMO

O presente trabalho tem como tema: Monografias “terceirizadas”: quais possíveis consequências acadêmicas e jurídicas? O objetivo central é definir quais consequências acadêmicas, penais e civis que podem ser imputadas ao aluno quando comprovada a “terceirização” de sua monografia. A metodologia utilizada para desenvolver esse trabalho, foi a pesquisa bibliográfica e documental, a partir de artigos e monografias já publicados que versem sobre o tema. Através da metodologia dedutiva, sob o aspecto jurídico a incidência desse fenômeno e de outras fraudes como o plágio, o autoplágio, a contrafração e o ghost writer. Além disso, busca demonstrar a desonestidade acadêmica presente nos trabalhos acadêmicos e também refletir sobre a ética e moral, tendo em vista que hoje estes valores estão ausentes na área da pesquisa científica. Por último, analisar e explicar outros tipos de fraudes, bem como suas características e consequências. Conclui-se que a falta de legislação específica, dá ao acadêmico a sensação de impunidade. As consequências acadêmicas podem variar desde a reprovação na banca até a expulsão do aluno da universidade. Como consequência civil, pode o aluno responder pelo disposto nos artigos 102, 103, 104 e 108 da Lei 9.610/1998. E por fim, penalmente, podem ser enquadrados por equiparação nos crimes expostos nos artigos 299,304 e 307, todos do Código Penal. Todavia, a falta de legislação específica aliada a falta de casos levados ao judiciário, deixa em dúvida sobre a consequência no caso concreto.

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ABSTRACT

The theme of this present research paper is about "Outsourced" Monographs: what are the possible academic and legal consequences for it? The main objective is to define what academic, criminal and civil consequences that can be attributed to the student when this fact is really proved about "outsourcing" of his monograph. The methodology used to develop this research paper was the bibliographical and documentary research, it was based on articles and monographs already published that deal with this theme. Through the deductive methodology, under the legal aspect the incidence of this phenomenon and other frauds such as plagiarism, (autoplagio, forgery and ghost writer. In addition, it shows us the academic dishonesty presents in the academic research paper and also reflects on ethics and morality. Nowadays these values are absent in the scientific research area. This research also analyzes and explains other types of fraud, as well as its characteristics and consequences. It is concluded that the lack of specific legislation attributes the academic the feeling of impunity. The academic consequences can range since the professor’s jury failure until the student’s expulsion from the university. As a civil consequence, the student can respond to the provisions of the articles 102, 103, 104 and 108 of the Law number 9.610 / 1998. Finally, criminally, the academic can be classified by equating in the crimes exposed in articles 299, 304 and 307; all of them are in the Penal Code. However, the lack of specific legislation associated with the lack of cases brought to the judiciary it becomes doubtful the consequence in this concrete case.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO... 10

2 ASPECTOS GERIAS DA MONOGRAFIA ... 13

2.1 CARACTERÍSTICAS DA MONOGRAFIA ... 14

2.2 DA ELABORAÇÃO DA MONOGRAFIA ... 15

2.3 REGULAMENTAÇÃO SOBRE A MONOGRAFIA ... 16

2.4 A ÉTICA ... 18 2.4.1 A moral ... 20 2.5 A DESONESTIDADE ACADÊMICA ... 21 3 FRAUDES ACADÊMICAS ... 28 3.1 PLÁGIO ... 28 3.1.1 Definição doutrinária ... 29

3.1.2 Legislação sobre o plágio ... 31

3.1.3 Normas da ABNT ... 33 3.1.4 Espécies de plágio ... 34 3.1.5 O crime de plágio... 35 3.2 AUTO-PLÁGIO ... 38 3.3 CONTRAFRAÇÃO ... 39 3.4 GHOST WRITER ... 41 4 A TERCEIRIZAÇÃO DE MONOGRAFIAS ... 44

4.1 CONSEQUÊNCIAS ACADÊMICAS, PENAIS E CIVIS ... 49

4.1.1 Consequências acadêmicas ... 49

4.1.2 Consequências penais ... 49

4.1.2.1 Violação ao art. 184 do Código Penal ... 50

4.1.2.2 Crime de plágio ... 51

4.1.2.3 Crime de falsidade ideológica ... 52

4.1.2.4 Crimes de uso de documento falso e falsa identidade ... 53

4.1.3 Consequências civis ... 54

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1 INTRODUÇÃO

A comercialização de trabalhos científicos é uma realidade, seja ela ofertada pela internet ou não. Através da internet, vários são os sites que oferecem abertamente a venda de trabalhos, desde artigos, monografias, dissertações e até teses de doutorado. Inclusive inúmeras são as pessoas que trabalham exclusivamente com isso, disponibilizando seus serviços, prometendo originalidade, rapidez e sigilo.

Tanto a oferta quanto a procura tendem a se expandir cada vez mais, sobretudo em razão da internet, que promove a facilidade de acesso e a manipulação de informações.

Esta, no entanto, não é uma prática atual, pois acontece desde antes do advento da rede digital. Anteriormente, ocorria através dos murais das universidades, onde os próprios alunos disponibilizam seus serviços de digitação e elaboração de monografia, sendo que muitas vezes a comercialização de trabalhos acontecia dentro da própria universidade.

Por conta disso, no ano de 1998, foi promulgada a Lei n. 9.610 de 1998, que consolida a legislação sobre direitos autorais, tendo como objetivo definir quais são os direitos do autor, as obras que são protegidas e regulamentar as formas de reprodução de obras de terceiro.

Todavia, com a evolução do mundo virtual, a lei 9.610/1998 se tornou obsoleta, uma vez que não contempla as práticas atuais. Enquanto isso, a rede digital vem favorecendo e oportunizando a ampla divulgação e o livre acesso a documentos, livros, artigos, monografias e etc., atribuindo a comercialização de trabalhos acadêmicos dimensões inimagináveis.

Levando em consideração, portanto, a falta de legislação específica e o anonimato que a rede digital proporciona, diversos são os acadêmicos que contratam esse serviço confiantes de que não serão descobertos e consequentemente sairão impunes desta prática.

Esta crescente procura principalmente por parte dos acadêmicos, vem causando preocupação na comunidade acadêmica de modo geral, haja vista a falta de integridade e ética para com a pesquisa científica. Além disso, a terceirização de monografia evidencia a conduta amoral e o desrespeito às normas institucionais e legais.

Sabemos que por se tratar de um trabalho científico, a monografia possui regras específicas e normas que regulamentam sua elaboração e características, como a NBR 6023,

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NBR 10520 e NBR 14.724. Dessa forma, ante a complexidade do trabalho acadêmico, é relevante destacar a importância de o próprio aluno elaborar seu trabalho, tendo em vista o crescimento acadêmico e até mesmo profissional que este proporcionará.

Logo, demonstra-se de imensa importância a discussão a respeito das fraudes acadêmicas, analisando a comercialização de trabalhos acadêmicos, com intuito de demonstrar sua repercussão e possíveis sanções decorrentes desta ação, buscando censurar estes comportamentos e combatê-los.

Diante dessa problematização, quais consequências acadêmicas, penais e civis que podem ser imputadas ao aluno quando comprovada a terceirização de sua monografia? Para tanto, utiliza-se a pesquisa bibliográfica e documental, a partir de artigos e monografias já publicados que versem sobre o tema. Através da metodologia dedutiva, foi possível analisar sob o aspecto jurídico a incidência desse fenômeno e de outras fraudes como o plágio, o autoplágio, a contrafração e o ghost writer.

Além disso, os objetivos a que este trabalho se propõe, além de definir quais as possíveis consequências são atribuídas ao aluno que compra sua monografia, é também demonstrar a desonestidade acadêmica presente nos trabalhos acadêmicos, refletir acerca da ética e moral, tendo em vista que hoje são valores ausentes na área da pesquisa científica, em contraponto a obtenção da vantagem indevida proporcionada pela terceirização e explicar os outros tipos de fraude existente, bem como suas características e consequências.

Para tanto, no primeiro capítulo abordaremos aspectos gerais da monografia enquanto trabalho de conclusão de curso e suas características, mencionando as normas e requisitos necessários para elaboração da mesma. Ainda, será exposto conceitos a respeito da ética e da moral e suas relações com os casos de fraude acadêmica, ressaltando o livre arbítrio do acadêmico, que tendo consciência da conduta antiética, visa somente a vantagem desmerecida. E, por último, a desonestidade acadêmica, descrevendo as práticas de decorrem da desonestidade acadêmica, frisando que o acadêmico que as pratica, tem o intuito de enganar.

Dando sequência, no segundo capítulo discorreremos sobre as práticas desonestas, como o plágio, o autoplágio, a contrafração e o ghost writer, explicando seus conceitos, normas que os regulamentam, as consequências acadêmicas e penais.

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Por fim, no terceiro capítulo falaremos sobre a terceirização de monografia, demonstrando como ocorre a comercialização e as possíveis consequências acadêmicas, penais e civis decorrentes da compra de trabalhos acadêmicos, respondendo, dessa forma, a problemática do presente trabalho.

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2 ASPECTOS GERIAS DA MONOGRAFIA

O trabalho de conclusão de curso se trata de um componente curricular obrigatório, que tem a intenção de, através de todo estudo, pesquisa e elaboração, demonstrar o conhecimento adquirido pelo aluno durante a graduação. Representa para o aluno um dos momentos mais importantes da graduação: a conclusão da jornada acadêmica.

Refere-se ao trabalho em que o aluno escolhe um tema, dentro das disciplinas vistas no decorrer do curso, que tenha mais aptidão, para a partir de pesquisas elaborar seu próprio trabalho sobre o assunto.

Pereira e Silva ([2018], p. 3) ressaltam a importância da escolha correta do tema ao afirmar que “o aluno precisa estar seduzido pelo tema e confiante de ter feito a melhor escolha, para que, no percurso de leituras e pesquisas, não sinta necessidade de mudanças no foco da pesquisa; já que isso poderá acarretar prejuízos em nível de conhecimento e tempo [...].”

Veremos que se trata de um trabalho complexo, que requer dos acadêmicos o cumprimento de algumas características básicas e normas estabelecidas pela universidade para que a elaboração seja feita corretamente e consequentemente haja o sucesso esperado.

Teixeira (2012, p. 1) expõe que a relevância da monografia para o mundo acadêmico está em solidificar o conhecimento do acadêmico através de um trabalho construído com textos criteriosamente elaborados e revisados.

Para garantir a qualidade cientifica do trabalho produzido o mesmo autor sustenta que o acadêmico enquanto pesquisador deve ter “o compromisso de reportar da forma mais fiel o possível a sua trajetória de pesquisa, os métodos empregados e os autores consultados. Negligenciar esses quesitos pode invalidar o trabalho acadêmico do ponto de vista do método científico ou, até mesmo, configurar crime” (TEIXEIRA, 2012, p. 1).

Parte-se do princípio que o trabalho acadêmico é fruto da criação intelectual, ou seja, é fruto da criação da mente humana. Logo, como tal, é obra intelectual, e assim sendo, é instituto protegido pela legislação autoral. Suas características principais resultam do fruto do estudo e da pesquisa, da interpretação e da crítica e de conhecimentos anteriormente obtidos através da leitura, das aulas, palestras, audiovisuais e outras formas, que resultam em sua maioria na forma final escrita (CARDOSO, 2007, p. 73).

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2.1 CARACTERÍSTICAS DA MONOGRAFIA

O trabalho de conclusão de curso, também denominado monografia, recebe essa nomenclatura justamente por se referir a um único assunto, fruto da pesquisa científica. Logo, se constata que o caráter único do tema é a principal característica da monografia. Essa característica de unicidade do tema fica evidente no significado epistemológico pois “a palavra significa: mó - nos = um só e graphein =escrever” (ACEVEDO; NOHARA, 2013, p. 5).

Bastos, Souza e Nascimento (2004, p. 12) esclarecem que esse esgotamento mencionado, quer dizer que a monografia deve aprofundar ao máximo o tema, enriquecendo o trabalho com todas informações possíveis.

Além disso, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) define no item 3.28 da NBR 14.724, o conceito de trabalho de conclusão de curso, ao dispor que se trata de: “Documento que representa o resultado de estudo, devendo expressar conhecimento do assunto escolhido, que deve ser obrigatoriamente emanado da disciplina, módulo, estudo independente, curso, programa e outros ministrados. [...]” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005, p. 3).

Se trata de um instrumento curricular obrigatório para conclusão dos cursos de Graduação e Pós-Graduação, que segue, de acordo com as normas adotadas pela universidade, uma linha estrutural, metodológica e epistemológica. (PEREIRA; SILVA, [2018], p. 3).

Constata-se ainda, que a monografia obedece determinadas normas de redação e apresentação, justamente por se tratar de um trabalho de pesquisa cientifica de maior complexidade. Assim, rege-se pelas normas de Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) de n° 14.724, 10.520 e 6.023.

A norma n° 14.724, como já exposto, institui os princípios gerais para a elaboração dos trabalhos acadêmicos, visando sua apresentação na banca, definindo conceitos essenciais para o desenvolvimento deste (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2005, p. 1).

Quanto a normativa n° 10.520, esta estabelece as características necessárias para utilização de citação em documentos, indicando os tipos de citação existentes, as regras gerais

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de apresentação e os sistemas existentes (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002, p. 1).

E por fim, a norma n° 6.023 regulamenta sobre as referências, estabelecendo os elementos que devem constar nas referências, fixando a ordem destes elementos, além de orientar a preparação e compilação de referências quanto aos materiais utilizados para a produção de documentos, em suma, estipula as regras gerais de apresentação das referências em um documento (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002, p. 2).

Além dessas normas, quanto a estrutura da monografia divide-se o texto em introdução, desenvolvimento e conclusão, onde no desenvolvimento o aluno traz seu referencial bibliográfico, ou seja, sua pesquisa acerca do tema escolhido.

Embora seja um trabalho de maior complexidade diante das exigências, todas essas normas acabam por auxiliar o acadêmico no momento da construção da sua monografia. Nesse viés Bastos, Souza e Nascimento (2004, p. 13) concluem afirmando que “[...]se analisamos bem, cada uma dessas regras tem razão de ser. E o que é mais importante: em conjunto, ajudam-nos a organizar nosso pensamento e facilitam a compreensão de quem nos lê.

2.2 DA ELABORAÇÃO DA MONOGRAFIA

A monografia se inicia a partir da elaboração de um projeto de pesquisa, onde são delimitados requisitos necessários para produção do futuro trabalho de conclusão de curso. Durante o projeto, são definidos o tema, a delimitação do tema, a problematização, a justificativa, os objetivos, as hipóteses, o delineamento de pesquisa, o cronograma e a proposta de sumário.

A partir do preenchimento desses requisitos essenciais, o acadêmico inicia a pesquisa sobre o seu referencial bibliográfico. É o momento em que há a coleta de informações, buscando, como citado anteriormente, o esgotamento de conteúdo.

Bastos, Souza e Nascimento (2004, p. 13) enfatizam que “na verdade, a monografia nos possibilita ampliar a capacidade de pesquisar, analisar e expressar nosso pensamento [...]”.

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Evidente que todo o processo de produção da monografia se trata também de uma auto avaliação, uma vez que o acadêmico, para elaborar este trabalho precisará realizar tudo que já fez durante o curso: ler, pesquisar, questionar, problematizar, buscar referências, coletar dados, traçar objetivos para então começar a produzir.

Em suma,Pereira e Silva ([2018], p. 8) sintetizam brilhantemente o processo de elaboração do TCC ao dispor que:

[...] o Trabalho de Conclusão de Curso é muito importante, pois consegue mexer ao mesmo tempo com os valores essenciais para a formação do futuro profissional e para o indivíduo no seu dia a dia. O primeiro valor seria a tomada de decisão em torno do tema que o aluno irá trabalhar; valor que envolve o conhecimento adquirido ao longo de sua caminhada acadêmica e a definição de seu amor a uma área específica de sua profissão; a escolha do seu orientador onde se envolve confiança, admiração e a esperança de alcançar o objetivo compartilhado; a organização de um plano de ação envolvendo as etapas a serem cumpridas durante a realização do TCC; outros valores ainda são: a dedicação e o empenho para atingir o objetivo final; a perseverança é outro valor a ser considerado, pois às vezes temos que fazer e refazer com objetivo de alcançar a perfeição e, por fim, a realização, valor adquirido no final, quando o conjunto de todos os demais valores se somarão, deixando a doce sensação de dever cumprido e a energia renovadora para começar a vida agora como profissional e como um indivíduo que venceu mais uma etapa de sua existência. 2.3 REGULAMENTAÇÃO SOBRE A MONOGRAFIA

Considerando a sua importância, o TCC se consolidou com prática acadêmica, tornando-se exigência para conclusão de curso, estando presente na maioria dos cursos, inclusive como disciplina. Ademais, com intuito de auxiliar o aluno na elaboração de fundamentos metodológicos para posteriormente utilizar em sua monografia, foi introduzida, em diversas universidades a disciplina denominada Metodologia Científica, que se trata de um instrumento curricular de suma importância para que o aluno obtenha um trabalho acadêmico de qualidade. (PEREIRA; SILVA, [2018], p. 6-7)

Destarte, a relevância da monografia como trabalho de pesquisa científica fica evidenciada no artigo 207 da Constituição Federal, onde dispõe que “as universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (BRASIL, CRFB, 2018).

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Conforme cita Nunes (2015) o Ministério da Educação (MEC), tendo em vista a importância do trabalho de conclusão de curso, baixou uma portaria fazendo da monografia requisito obrigatório para conclusão do curso.

A Portaria n° 1886 de 30 de dezembro de 1994 em seu art. 9º, estabelecia, in verbis: “Para conclusão do curso, será́ obrigatória apresentação de defesa de monografia final, perante banca examinadora, com tema e orientador escolhidos pelo aluno” (MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO, 2018, p. 2).

Todavia, no ano de 2004, foi editada a resolução n.º 9 do CNE/CES que revogou a Portaria Ministerial de n° 1.886 de 1994, alterando a denominação de monografia para Trabalho de curso, conforme dispõe o seu artigo 2º, vejamos:

A organização do Curso de Graduação em Direito, observadas as Diretrizes Curriculares Nacionais se expressa através do seu projeto pedagógico, abrangendo o perfil do formando, as competências e habilidades, os conteúdos curriculares, o estágio curricular supervisionado, as atividades complementares, o sistema de avaliação, o trabalho de curso como componente curricular obrigatório do curso, o regime acadêmico de oferta, a duração do curso, sem prejuízo de outros aspectos que tornem consistente o referido projeto pedagógico (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, Resolução n.º 9, 2018, p. 2).

O artigo 10 da mesma resolução, enfatiza a obrigatoriedade do Trabalho de Curso: “O Trabalho de Curso é componente curricular obrigatório, desenvolvido individualmente, com conteúdo a ser fixado pelas Instituições de Educação Superior em função de seus Projetos Pedagógicos” (CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, Resolução n.º 9, 2018, p. 3).

Importante ressaltar que como a resolução não especificou de que forma e quais as características devem estar presentes no Trabalho de Curso, ficou facultativo a cada universidade definir o seu conteúdo e adotar qual tipo de trabalho acadêmico servirá como o Trabalho de Curso.

Portanto, podemos constatar que esta alteração abriu brecha para que muitas instituições optassem por outros trabalhos que não a monografia para cumprir o requisito obrigatório disposto na resolução acima, utilizando-se muitas vezes de artigos e até mesmo de projeto de pesquisa como Trabalho de Curso.

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2.4 A ÉTICA

Levando em consideração os crescentes casos de fraudes acadêmicas, onde os alunos ignoram as normas e regras tanto da Instituição de Ensino quanto da orientação para elaboração do próprio trabalho científico, deixando de lado a integridade e ética cientifica, verifica-se a necessidade de falar sobre o tema.

É sabido que os comportamentos e atos da vida devem ser pautadas na ética e moral. No meio acadêmico não deveria ser diferente, uma vez que a universidade é também um meio ético educacional.

Madeu e Maciel (2015, p. 36) doutrinam que a vida em sociedade é pautada e regulamentada não só por ordenamentos jurídicos, mas também por normas comportamentais que são de igual forma fundamental para a estruturação da sociedade. Esses preceitos que também normatizam de maneira informal o comportamento e, portanto, as vidas humanas são denominadas ética e moral.

A questão da má conduta cientifica não é algo atual, tendo em vista que casos de fraudes ocorreram desde os tempos antigos, no entanto, o assunto merece destaque tendo em vista a visibilidade que a era digital proporciona, sendo necessário definir conceitos e delimitar a importância da ética e da moral para o presente trabalho.

Como definição de ética, Antunes (2012, p. 11) nos ensina, que “A palavra ética possui sua origem no grego ethos, que quer dizer costume, maneira habitual de agir ou índole. Seu significado é muito próximo ao de moral, palavra que vem no latim mos e moris, que significa normas que representam o comportamento esperado. ”

Bittar (2016, p. 25) afirma que “a ética corresponde ao exercício social de reciprocidade, respeito e responsabilidade. A ética, enquanto exercício da humanidade, nos confirma em nossa condição de seres que vivenciam, aprendem e trocam valores. ”

Nesse sentido, concorda Antunes (2012, p. 10) ao relatar que se pode definir a ética como princípios de comportamentos que orientam a vida humana em sociedade.

Cada ser humano é diferente e por consequência, possui comportamentos diferentes. Vê-se que por ser a ética um estudo da ação humana, dos seus comportamentos, há uma preocupação ética quanto ao que se entende como fraude, desonestidade e atribuição de

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autoria, uma vez que cada indivíduo tem sua percepção sobre o que é ético (KROKOSCZ, 2014, p. 107).

Diante disso, é importante ressaltar a relação existente entre a ética e a liberdade, pois, ao longo da vida, o ser humano está constantemente em situações que exigem uma posição a respeito de algo. Esta decisão é tomada com base naquilo em que se acredita, ou seja, suas ideologias, suas crenças, vivencias e valores, e tendo em vista que indivíduos possuem diferentes comportamentos, diferentes decisões podem ser tomadas acerca da mesma coisa.

A esse respeito, Weber (2013, p. 61) afirma que “decidir e agir numa situação concreta é um problema prático-moral.” De modo consequente, para o mesmo autor “investigar o modo pelo qual a responsabilidade moral se relaciona com a liberdade e com o determinismo aos quais nossos atos estão sujeitos, em outras questões, é um problema que exige reflexão teórica. Isso é competência da ética.” (WEBER, 2013, p. 61)

Portanto, é a partir do livre arbítrio utilizado para optar por determinado posicionamento que se verifica se as atitudes adotadas são éticas ou não. Vivendo em um contexto de crise dos princípios éticos, compete a cada um individualmente a tomada decisão ética, visando o bem geral.

Desse modo, Bittar (2016, p. 16) explica que

Sob o ângulo especificamente ético, não há escolha, exercício da liberdade, definição ética se não houver avaliação, preferência a respeito das ações humanas. Eis por que na base da ética, como dissemos, encontra-se necessariamente a liberdade e a valoração; a ética só́ se põe no mundo da liberdade, da escolha entre ações humanas avaliadas. A escolha, a decisão, que é manifestação de nossa liberdade, só́ é possível tendo por fundamento o mundo axiológico, tanto quanto este tem por condição de possibilidade a liberdade. Não se pode estimar sem alternativas possíveis. Se não houvesse liberdade, não haveria apreciação possível sobre as condutas do homem, não haveria preferencias axiológicas e, portanto, não se daria o campo para o exercício da liberdade. Na medida em que se escolhe, se avalia para obter a consciência do que é preferido. Ao escolher-se um caminho, pondera-se que, de algum modo ou sob algum prisma, é o melhor em relação a outro; o caminho escolhido mata outras possibilidades. Na escolha não pode haver indiferença. A escolha está dirigida à ação, a exteriorização, à tomada de posição.

Logo, ainda que indivíduo tenha o livre arbitro para optar e decidir de acordo com a “sua ética”, possui do mesmo modo, a obrigação da medir na balança “ética” quais as consequências e frutos da sua escolha. O que se tem visto, no entanto, é que muitos acadêmicos ao cometer o plágio, por exemplo, avaliam que vale mais a pena cometer o ilícito, mas ter seu trabalho do pronto, ainda que este seja oriundo de uma conduta antiética.

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Pithan e Vidal (2013, p. 79) concluem que “Infelizmente, percebe-se que a prática da fraude acadêmica já faz parte de uma cultura de desonestidade na qual há uma distorção de valores e na qual a punição exemplar de alunos que cometem plágio, quando existe, acaba sendo vista com maus olhos [...]”

2.4.1 A moral

Quanto ao conceito de moral, Madeu e Maciel (2015, p. 37) ensinam que “o vocábulo ‘moral’ tem origem no latim moralis e significa tudo aquilo que é relativo aos costumes e represente um dos sistemas variáveis de leis e valores estudados pela ética, responsáveis pela organização da vida das várias comunidades humanas [...]”

Para Dimoulis (2013, p. 56) a moral nasce daquilo em que se acredita. São as convicções, os costumes alicerçados a religião e razão que estabelecem o que é ou não moralmente aceito.

Vázquez (1982, p. 69) esclarece que

[...] a moral é um sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal.

Nesse sentido, Mello (2008, p. 25) defende que por ser algo baseado no que o indivíduo crê intimamente, não há possibilidade de exigir que determinada norma seja comprida, pois cada um deve espontaneamente e de acordo com a sua própria consciência cumprir as normas que considera morais.

Embora a moral não possa ser um meio de coerção, pois se trata de algo pessoal, Dimoulis (2013, p. 54) acredita que a moral “funciona como um dever ser em relação à atuação das pessoas. [...] pois estamos em presença de regras de conduta, que exprimem um dever ser e, em caso de descumprimento, levar à imposição de sanções. ”

Por se tratar de algo íntimo, que envolve também os deveres religiosos do homem as sanções impostas se tratam de condenações internas, onde prevalecem o arrependimento, a reprovação, o repúdio e o remorso. (MADEU; MACIEL, 2015, p. 37)

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Todos concordam que a moral é composta por regras de conduta que cumprem duas funções. Em primeiro lugar, orientam o comportamento dos indivíduos na vida cotidiana: todos devem fazer o bem e evitar a prática do mal. Em segundo lugar, servem como critério de avaliação da conduta humana. A sociedade as utiliza para julgar a conduta dos indivíduos, que é aprovada ou reprovada segundo sua correspondência com os imperativos morais.

Ante o exposto, é evidente a importância para o tema, pois conforme cita Dimoulis “as regras de comportamento moral dependem da consciência de cada um, havendo uma pluralidade de sistemas morais é impossível que o direito esteja em conformidade com todos” (2013, p. 54)

Além disso, questões pertinentes a ética e a moral vêm cada vez mais, ganhando destaque também no meio universitário, considerando os crescentes casos de fraudes acadêmicas. Nesse sentido, Bittar (2016, p. 120) revela que “no ensino superior, há que se destacar, sobretudo, que a carência ética da sociedade repercute e se faz sentir como um mister incontornável, afetando diretamente o ensino do direito. ”

E acrescenta: “De fato, o que ocorre é que os males que afetam a sociedade, o mercado de trabalho, as relações humanas... também haverá de afetar o microuniverso de relações que se dão nas Instituições de Ensino Superior (públicas e privadas) ” (BITTAR, 2016, p. 120).

Dessa forma, percebe-se que tanto a ética quanto a moral estão relacionadas com a liberdade do indivíduo, que opta, voluntária e conscientemente em agir de forma antiética e amoral, praticando diversas fraudes que caracterizam a desonestidade acadêmica.

2.5 A DESONESTIDADE ACADÊMICA

A elaboração do trabalho de curso, consiste, como já exposto, em um trabalho de pesquisa literária, seleção de materiais, elaboração de fichamentos, conhecimento sobre normas e etc., onde todas estas atividades devem ser pautadas na ética e moral do acadêmico, em buscar produzir seu material corretamente, de acordo com as normas impostas.

É indiscutível a importância da monografia tanto na vida acadêmica quanto na vida profissional, pois os benefícios oriundos de uma pesquisa feita baseada na ética e integridade cientifica vão além da visibilidade ao autor. O que vem chamando atenção e

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causando preocupação, no entanto, são os vários casos de má conduta acadêmica em especial na monografia.

Essa má conduta é resultado da desonestidade acadêmica. Cada vez mais comum nos ambientes educacionais, a desonestidade acadêmica pode ser conceituada como o desrespeito e consequente descumprimento a diretrizes institucionais que estabelecem regras de comportamento no ambiente universitário (CAVALCANTI, 2008, p. 4).

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São (2014, p. 31) compreende “[...] por má conduta científica toda conduta de um pesquisador que, por intenção ou negligência, transgrida os valores e princípios que definem a integridade ética da pesquisa científica e das relações entre pesquisadores, [...]”

Sanchez e Inarelli (2012, p. 46) definem a desonestidade acadêmica “[...] como um conjunto de comportamentos inadequados praticados pelos indivíduos, a desonestidade acadêmica abrange diversos tipos de atitudes fraudulentas. ”

Na opinião de Pavela (1978 apud MOURA, 2018, p. 22)

[...] a desonestidade acadêmica classifica-se, quanto às formas, como sendo: a) fraude/cola, mediante a utilização de materiais não autorizados em atividades acadêmicas, tais como, provas e trabalhos; b) fabricação de informações, referenciais ou resultados; c) plágios; e d) auxiliar outros estudantes a praticar a desonestidade acadêmica, permitindo, por exemplo, que copiem determinado trabalho ou fornecendo cola em uma prova.

Independente da forma da desonestidade, sabe-se que o indivíduo tem a opção de escolher entre agir corretamente ou de forma desonesta, ficando evidente que a má conduta acadêmica não se trata de uma ação impulsiva, mas de uma decisão que avalia os benefícios do ato, acreditando que a desonestidade vale mais que os riscos (MOURA, 2018, p. 23).

O que se espera de um acadêmico, independentemente do nível de ensino, é que este haja com ética e integridade em sua busca pelo conhecimento, principalmente durante a elaboração de trabalhos acadêmicos. O que se tem visto, todavia, é a preferência por caminhos mais “fáceis” e nada corretos (TEIXEIRA, 2012, p.1).

Nesse sentido, Cavalcanti (2008, p. 6) afirma que “muitas vezes os valores éticos e morais são atropelados pelo desejo desenfreado de obter resultados excelentes, mesmo que seja por meio da desonestidade acadêmica. ”

Vê-se que o acadêmico que prática a fraude tem o intuito de enganar. Na maioria dos casos, não são somente as normas institucionais que estão sendo descumpridas, mas as

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leis também. Dentre as práticas que configuram a fraude acadêmica enquadram-se principalmente a falsificação e ocultação de dados, a alteração quanto a autoria e ao pagamento a terceiro para que produza o trabalho, todas estas com fito de obter vantagem.

De acordo com Kremer (1982 apud Rodrigues, Crespo e Mirada (2006, p. 34), os principais problemas de desonestidade acadêmica estão conectados a violação dos direitos autorais, em relação ao:

[...] crédito adequado a cada colaborador, ou co-autor, no momento de publicar os resultados da pesquisa compartilhada; e o plágio, tanto no uso quanto na apropriação e publicação de dados, ou idéias, aproveitados da pesquisa de outro, como se fossem seu. Um exemplo muito comum é a citação textual sem a menção da fonte, ou com a fonte descrita de forma incompleta atrapalhando, intencionalmente, a recuperação do texto original.

Mas não se resumem a isso:

Pode-se ainda acrescentar mais dois problemas, o da distorção de idéias com a citação da fonte, na tentativa de comprometer a integridade do autor; e o da inclusão do nome de um pesquisador de prestígio em um trabalho ou projeto, visando obter sucesso às suas custas, ignorando seu conhecimento e consentimento acerca do caso (KREMER,1982 apud RODRIGUES; CRESPO; MIRANDA, 2006, p. 34).

Por conta destes casos a desonestidade acadêmica tem recebido cada vez mais atenção da sociedade em virtude dos avanços tecnológicos, além disso pela “percepção de que essa recorrente prática durante os anos escolares poderia estimular em futuros profissionais a formação de parte dos valores e comportamentos hoje criticáveis, mas encontrados na sociedade” (SANCHEZ; INNARELLI, 2012, p. 47).

É evidente que as práticas fraudulentas não constituem um novo acontecimento, pois já ocorriam há tempos, o que difere hoje é que o avanço tecnológico, tem facilitado e ampliado as possibilidades de ocorrência dessas práticas (SANCHEZ; INNARELLI, 2012, p. 46).

Os mesmos autores acreditam que “tais vantagens, vêm acompanhadas, por vezes de um ‘custo’, especialmente no que tange às preocupações relacionadas ao acesso à informação, muitas vezes, desprovidas de qualquer tipo de proteção permitindo, frequentemente, o acesso irrestrito” (RODRIGUES; CRESPO; MIRANDA, 2006, p. 42).

Logo, ainda que a obtenção de informações e obras tenha se tornado mais acessível, a rapidez com que se propagam e reproduzem acaba tornando a internet um cenário incerto no tocante a confiabilidade dessas informações (TEIXEIRA, 2012, p. 1).

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Por conta disso, as mídias digitais se tornaram um ambiente favorável para essas práticas, tendo em vista que “a informação veiculada em meio eletrônico é mais flexível e permite cópia, alteração e compartilhamento que não são viáveis na forma impressa. ” (REIS; ROZADOS, 2013, p. 2)

Dessa forma, fica evidente que “o progresso da humanidade culminou na revolução tecnológica, que desencadeou novos problemas e oportunidades relacionados ao direito autoral” (REIS; ROZADOS, 2013, p. 2). Isto posto, vê-se que a era digital influenciou negativamente as fraudes acadêmicas, já que facilitou e possibilitou que novas formas de desonestidade acadêmica sejam praticadas pelos alunos.

Buscando regulamentar direitos que eram e ainda são violados pelas fraudes acadêmicas como o plágio, no ano de 1998 foi promulgada a Lei nº 9.610 que consolidou a legislação a respeito dos direitos autorais.

A referida lei dispõe em seu art. 1º “Esta Lei regula os direitos autorais, entendendo-se sob esta denominação os direitos de autor e os que lhes são conexos” (BRASIL, lei 9.610/1998, 2018).

Com a intenção de preservar ainda mais o direito autoral, a Lei 9.610 de 1998, estabeleceu em seu art. 7º as obras cujos direitos autorais estariam protegidos, dentre elas, as principais para este trabalho, são:

Art. 7º [...] I - os textos de obras literárias, artísticas ou científicas; II - as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza; III - as obras dramáticas e dramático-musicais;

IV - as obras coreográficas e pantomímicas, cuja execução cênica se fixe por escrito ou por outra qualquer forma;

[...] VI - as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; VII - as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia;

[...] XI - as adaptações, traduções e outras transformações de obras originais, apresentadas como criação intelectual nova;

XII - os programas de computador;

XIII - as coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de dados e outras obras, que, por sua seleção, organização ou disposição de seu conteúdo, constituam uma criação intelectual. (BRASIL, lei 9.610/1998, 2018) A partir do artigo citado acima, se vê que embora seja proveitoso ao autor publicar sua obra no meio digital, tendo em vista a extensa divulgação proporcionada pela internet, esta estará desprotegida, ainda que amparada pela lei, podendo ser utilizada indevidamente por qualquer um que tenha acesso ao seu conteúdo (TAKAO, 2008, p. 1).

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Assim, em razão da inexistência de mecanismos técnicos e até mesmo jurídicos para verificar e fiscalizar eventuais violações ao direito do autor, fica evidente que ainda não existem meios completamente eficazes de controlar a obra postada na internet (TAKAO, 2008, p. 1).

Tendo em vista a crescente ocorrência dos diversos tipos de fraude acadêmica, percebe-se que a Lei de Direito Autoral não consegue abranger todos os casos, sendo necessário a criação de Lei específica.

A importância e seriedade do tema é evidente, “pois dele se desenrolam diversos fatores que acabam por definir que tipo de profissionais e cidadãos estão sendo formados pelas IES” (CAVALCANTI, 2008, p. 6).

Conforme afirmam Maranhão, Santos e Pereira (2017, p. 255) “a crise gerada não se restringe somente aos ‘corredores’ das universidades, mas ao comprometimento do papel da educação. Dessa forma, as consequências herdadas por essa prática são muito piores que o ato em si. ”

Santos (2017, p. 10) ressalta que não dar a devida importância ao assunto o torna mais perigoso do que já é, uma vez que a banalização da fraude evita que as universidades façam uma reflexão necessária quanto a ocorrência destas práticas, acarretando assim, problemas éticos e acadêmicos à formação aluno.

O grande problema da desonestidade, além da própria desonestidade em si, são os resultados que esta pode proporcionar ao acadêmico fraudador, pois essas práticas podem favorecer ilicitamente os acadêmicos autores, obtendo através das fraudes certificados e até mesmo diplomas, adquirindo assim vantagens indevidas em suas carreiras.

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2011, p. 3) acredita que para resolver esses problemas de fraude acadêmica, é necessário ter duas linhas de ações divididas em ações preventivas e pedagógicas e ações de desestímulo a más condutas. As ações preventivas têm intuito de orientar os acadêmicos a adquirir boas práticas acadêmicas, estimulando que sejam ofertadas durante os cursos disciplinas de cunho ético que visem a integridade na pesquisa. Quanto as ações de desestímulo, o CNPq recomenda que seja instituído uma comissão para averiguar situações em que haja dúvida quanto a integridade de determinada pesquisa.

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Nesse sentido, Almeida, et al., (2016, p. 40) relata que “[...] podemos considerar que se distinguem geralmente três etapas nas abordagens para travar a fraude: a) prevenção através de informação e sensibilização; b) observação, vigilância e detecção de fraudes; c) anulação dos efeitos da fraude e sanções. ”

Considerando que a preocupação com os aspectos éticos da atividade científica vem expandindo, diversas instituições e entidades vem buscando criar mecanismos para informar e evitar as fraudes acadêmicas.

Desta forma, a Comissão de Integridade de Pesquisa do CNPq produziu um relatório onde constam diretrizes básicas para a integridade e ética da atividade de pesquisa, merecendo destaque as seguintes:

[...]13: O autor tem a responsabilidade ética de relatar evidências que contrariem seu ponto de vista, sempre que existirem. Ademais, as evidências usadas em apoio a suas posições devem ser metodologicamente sólidas. Quando for necessário recorrer a estudos que apresentem deficiências metodológicas, estatísticas ou outras, tais defeitos devem ser claramente apontados aos leitores.

14: O autor tem a obrigação ética de relatar todos os aspectos do estudo que possam ser importantes para a reprodutibilidade independente de sua pesquisa.

19: Todos os autores de um trabalho são responsáveis pela veracidade e idoneidade do trabalho, cabendo ao primeiro autor e ao autor correspondente responsabilidade integral, e aos demais autores responsabilidade pelas suas contribuições individuais. 21: Todo trabalho de pesquisa deve ser conduzido dentro de padrões éticos na sua execução, seja com animais ou com seres humanos. (CONSELHO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO, 2011, p. 5-6)

Também com intuito de orientar sobre as más condutas acadêmica e precavê-las, a Universidade de São Paulo criou em setembro de 2017 o Comitê de Boas Práticas Científicas, cujo objetivo é promover ações educativas no campo da integridade e ética científica e ajudar a prevenir os casos de fraude acadêmica (COMITÊ DE BOAS PRÁTICAS CIENTÍFICAS..., 2017, p. 1).

No mesmo sentido, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (2011, p. 1) elaborou um Código de Boas Práticas, que contem diretrizes éticas para as atividades científicas que vão desde a elaboração até a tutoria.

Além disso, buscando colocar o assunto em evidência e informar a respeito, a mesma instituição criou em sua revista Pesquisa FAPESP, a coluna mensal intitulada “Boas Práticas”, que aborda casos relevantes no combate a fraudes acadêmicas. (ROCHA FILHO, 2013, p. 357-358)

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Já a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (2011, p. 1) tendo como base as orientações do Conselho Federal da OAB, que adotou procedimento para adoção de políticas de conscientização e informação sobre a propriedade intelectual, além de procedimento para evitar e coibir a prática de plágio nos trabalhos acadêmicos, divulgou às instituições de ensino público e privado tais recomendações, que visam, especialmente o combate ao plágio.

Além disso, com intuito de impedir algumas práticas, muitas universidades adotam em seus sistemas programas que verificam e detectam a incidência de plágio nos trabalhos acadêmicos. Softwares como DOCXWEB, Plagius, Farejador de Plagio, CopySpider, entre outros, são também uma ferramenta de combate a desonestidade acadêmica.

Embora diversos mecanismos estejam constantemente em desenvolvimento para interromper as condutas desonestas, nem todos têm logrado êxito. Isto posto, veremos a seguir os mais comuns tipos de fraude acadêmica, com o plágio, a contrafação, a utilização do Ghost-writer e por fim, a comercialização de monografias, tema do presente trabalho.

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3 FRAUDES ACADÊMICAS

Diante do conteúdo já apresentado acerca dos aspectos relacionados ao trabalho de conclusão de curso, veremos no presente capítulo as fraudes e crimes cometidos nos trabalhos acadêmicos, com ênfase na monografia, que representam a desonestidade acadêmica e principalmente a falta de ética e moral por parte dos acadêmicos que aderem a essas práticas.

3.1 PLÁGIO

Diante do conteúdo já apresentado acerca dos aspectos relacionados ao trabalho de conclusão de curso, veremos no presente capítulo as fraudes e crimes cometidos nos trabalhos acadêmicos, com ênfase na monografia, que representam a desonestidade acadêmica e principalmente a falta de ética e moral por parte dos acadêmicos que aderem a essas práticas.

Conforme demonstrado no primeiro capítulo, a internet potencializa a ocorrência dos casos de fraude. No entanto, atribuir o aumento de casos de desonestidade acadêmica somente a internet é equivocadamente estreitar o problema, uma vez que o real responsável pela fraude ética e muitas vezes ilícita, é o ser humano (MORAES, 2004, p. 98).

Percebe-se que grande parte dos acadêmicos, utiliza da internet para cometer algumas práticas caracterizadores de fraudes acadêmicas, acreditando que a mesma é um espaço “sem lei”, de forma que, não poderão ser descobertos e consequentemente condenados pelo cometimento de algum crime cometido no ciberespaço.

Neste capítulo veremos os principais tipos de fraudes existentes no meio acadêmico e suas consequências tanto acadêmicas quanto civis e penais. Todavia, de início é necessário explanar sobre o Direito Autoral, pois tendo em vista os inúmeros casos de desonestidade por parte dos acadêmicos, questiona-se qual o conhecimento que estes possuem acerca do Direito Autoral. E ainda, até que ponto estão cientes das violações que podem estar cometendo, quando não respeitam o direito do autor (BARBASTEFANO; SOUZA; 2007, p. 2).

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3.1.1 Definição doutrinária

Com relação ao direito autoral, a Constituição da República Federativa do Brasil, assegura a proteção legal quanto a autoria, em seu art. 5.º incisos XXVII e XXVIII:

Art. 5.º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se a todos os brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar. XXVIII - são assegurados, nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas. [...] (BRASIL, CRFB, 2018).

Além de estar garantido na Carta Magna, o direito autoral encontra embasamento na Lei nº. 9.610 de 19 de fevereiro de 1998, também conhecida como Lei de Direitos Autorais, que dispõe em seu art. 1º: “Esta Lei regula os direitos autorais, entendendo-se sob esta denominação os direitos de autor e os que lhes são conexos” (BRASIL, Lei 9.610/98, 2018).

Conforme dispõe a cartilha sobre o plágio acadêmico: “O direito autoral se refere diretamente à obra intelectual e o direito que seu criador exerce sobre ela. ” (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, 2010, p. 10)

Ademais a Lei 9.610 de 1998, estabelece em seu art. 11 o conceito de autor, ao expor: Art. 11. Autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica. ” (BRASIL, Lei 9.610/1998, 2018)

Classificado como uma das maiores afrontas ao direito do autor está o crime de plágio. Embora a lei de Direitos Autorais não o conceitue especificamente, em linhas gerais, o plágio caracteriza-se pela apropriação de determinada obra, protegida pela Lei 9.610, sem a devida menção da autoria, como se sua fosse.

Para Zanini (2017, p. 1) “O plágio constitui indubitavelmente lesão a direitos da personalidade do autor, estando intimamente ligado ao direito ao reconhecimento da paternidade. ”

Embora a ocorrência de plágio tenha sido facilitada com a internet e a prática do “copiar e colar” tenha se espalhado pelos acadêmicos, há tempos existem os plagiários.

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Conforme ensina Moraes (2007, p. 93) “plagiário vem do latim plagiarius. Era quem, na Antiga Roma, roubava escravos ou vendia como escravos indivíduos livres. ”

É, somente, a partir de uma metáfora criada por Marcial, que a expressão plagiário é trazida para o campo literário, passando a significar, conforme o poema, uma apropriação fraudulenta. (MORAES, 2007, p. 93)

Daniel Rocha (2001, p. 15 apud MORAES, 2007, p. 93-94) afirma:

Entre os plagiatores é que o poeta Marcial inclui os que furtam o talento alheio, na célebre polêmica com seu rival Fidentino (Epigrama, 30, Livro I) que traduzimos adiante:

“Segundo consta, Fidentino, tu lês os meus trabalhos ao povo como se fossem teus. Se queres que os digam meus, mandar-te-ei de graça os meus poemas; se quiseres que os digam teus, compra-os, para que deixem de ser meus”. [...] Num quinto Epigrama a Fidentino (1-67), proclama: “Quem busca a fama por meio de poesias alheias, que lê como suas, deve comprar não o livro, mas o silêncio do autor”. O plágio enquanto instituto jurídico é conceituado a partir da falsa atribuição de produções alheias como se fosse da autoria do plagiador, o que é evidentemente uma ofensa ao direito do real autor. (ZANINI, 2017, p. 1)

Para Afonso (2009, p. 121) “O plágio consiste em apresentar como própria a obra intelectual produzida por outra pessoa. [...] mais que os benefícios econômicos, o plagiador procura o reconhecimento como criador da obra intelectual. ”

Para a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado São Paulo (2011, p. 31) o plágio caracteriza uma má conduta cientifica e o define como: “a utilização de ideias ou formulações verbais, orais ou escritas de outrem sem dar-lhe por elas, expressa e claramente, o devido crédito, de modo a gerar razoavelmente a percepção de que sejam ideias ou formulações de autoria própria. ”

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2011, p. 4) estabelece que o plágio:

[...] consiste na apresentação, como se fosse de sua autoria, de resultados ou conclusões anteriormente obtidos por outro autor, bem como de textos integrais ou de parte substancial de textos alheios sem os cuidados detalhados nas Diretrizes. Comete igualmente plágio quem se utiliza de ideias ou dados obtidos em análises de projetos ou manuscritos não publicados aos quais teve acesso como consultor, revisor, editor, ou assemelhado.

Também considerada uma prática antiética, o plágio caracteriza-se pela presença da dissimulação, uma vez que o leitor é levado a ilusão de que as informações contidas na obra são da autoria do plagiário. (MARINHO; VARELLA, 2015, p. 359)

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O plágio trata-se, portanto, de um tipo de fraude gerado pela desonestidade acadêmica, pois a sua utilização em trabalhos acadêmicos é contrária a principal base do trabalho acadêmico, que é justamente o reconhecimento dos autores sobre determinado tema. (MARINHO; VARELLA, 2015, p. 355)

3.1.2 Legislação sobre o plágio

O inciso II do art. 24 da Lei de Direitos Autorais, dispõe quanto a necessidade de referência do autor da obra: “São direitos morais do autor: [...] II - o de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra; ” (BRASIL, Lei 9.610/1998, 2018).

Esta fraude pode estar presente em um trabalho de formas diferentes, sendo a mais comum a cópia integral de um trabalho com autoria de terceiro. Contudo, pode ocorrer também através da utilização de partes e/ou trechos de determinada obra sem a devida referência a autoria, e pela utilização da propriedade intelectual sem autorização do autor. (LIMA, 2016, p. 18)

Embora não tenha conceito definido juridicamente, o que dificulta a detecção da fraude, o plágio muitas vezes é diagnosticado através de comportamentos, conforme explica Lima (2016, 18-19):

Quando alguém escreve um texto e inclui nele diversos parágrafos copiados de um escrito produzido por outra pessoa, sem indicar a fonte ou sem sequer referir se o texto foi retirado de qualquer fonte, estamos claramente perante um caso de plágio. Outro exemplo pode ser um extrato muito pequeno (ou mesmo uma única frase ou uma palavra apenas, especificamente conotada com o pensamento de uma pessoa claramente identificada) que tenha sido copiado sem o reconhecimento da respetiva origem. Quando não existe referência à fonte original desta informação, continuamos no domínio do plágio. Uma situação mais complexa é quando um autor toma as ideias e os argumentos de outro escritor e exprime esses conteúdos nas suas próprias palavras, sem referir a respetiva fonte. Quando essas ideias estão claramente associadas ao pensamento de um determinado autor (ou de um conjunto de autores), será plágio não referir a sua origem.

Percebe-se, então, que o plágio possui íntima relação com a obra literária e sua originalidade, pois, por obra original devemos compreender aquela que não deriva de nenhuma outra, que não existiu antes, e que é, portanto, uma invenção do autor. (ROCHA, 2001, p. 61)

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Importante destacar que, o autor ao escrever determinada obra não inventa e nem cria tudo, pois as ideias ali presentes que deram vida ao seu trabalho foram transmitidas por outros autores que o antecederam, e esta apropriação de ideias não caracteriza o plágio, como bem assevera o art. 8º da Lei de Direitos Autorais: “Não são objeto de proteção como direitos autorais de que trata esta Lei: I - as idéias [sic], procedimentos normativos, sistemas, métodos, projetos ou conceitos matemáticos como tais; [...]” (BRASIL, Lei 9.610/1998, 2018)

Pela redação do artigo 8º, inciso I, constata-se que não existe o plágio de ideias, isto porquê estas são consideradas da coletividade e dessa forma, inapropriável. Vê-se que o direito autoral busca proteger a forma pessoal que o autor da a determinada ideia. É certo que o direito autoral não exige novidade absoluta, pois, conforme já citado, o autor recebe influências e ideias do meio em que vive. Dessa forma a originalidade está relacionada com a forma com que o autor se apropria de determinada ideia, moldando-a a partir de traços característicos seus. (MORAES, 2004, p. 97)

Além disso, a Lei de Direitos Autorais expressa, em seu art. 46, os casos em que há limitação quanto ao direito do autor:

Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais: I - a reprodução: [...]

II - a reprodução, em um só exemplar de pequenos trechos, para uso privado do copista, desde que feita por este, sem intuito de lucro;

III - a citação em livros, jornais, revistas ou qualquer outro meio de comunicação, de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor e a origem da obra; [...]

VIII - a reprodução, em quaisquer obras, de pequenos trechos de obras preexistentes, de qualquer natureza, ou de obra integral, quando de artes plásticas, sempre que a reprodução em si não seja o objetivo principal da obra nova e que não prejudique a exploração normal da obra reproduzida nem cause um prejuízo injustificado aos legítimos interesses dos autores (BRASIL, Lei 9.610/1998, 2018).

A partir do artigo acima exposto, temos no inciso III a necessidade da citação ao fazer uso de trechos ou passagens de uma obra. O direito à citação corresponde a referência ao real autor, indicando seu nome e origem da obra. Não referenciar é cometer plágio.

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3.1.3 Normas da ABNT

Conforme dispõe a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2002, p. 2) na NBR 14.724 o conceito de citação é definido como a “menção de uma informação extraída de outra fonte”.

O art. 24 da Lei 9.610 de 1998, explana sobre os direitos morais do autor, sendo um deles o de ter seu nome indicado caso se faça uso de sua obra, vejamos: “São direitos morais do autor: I - o de reivindicar, a qualquer tempo, a autoria da obra; II - o de ter seu nome, pseudônimo ou sinal convencional indicado ou anunciado, como sendo o do autor, na utilização de sua obra; [...]” (BRASIL, Lei 9.610/1998, 2018)

Marinho e Varella (2015, p. 356) acreditam que não havendo a devida citação coloca-se em risco não somente a qualidade do trabalho, mas a reputação do autor plagiário e da instituição em que o trabalho fora produzido.

Ante a relevância da citação, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2011, p. 4) em seu relatório de comissão de integridade e pesquisa, englobou-a ao dispor na diretriz de número 1: “O autor deve sempre dar crédito a todas as fontes que fundamentam diretamente seu trabalho. ”

Diante a importância de fazer a citação e assim não cometer o plágio é necessário saber como fazê-lo. Com intuito de padronizar e tornar mais fácil a identificação de autores e obras, a Associação Brasileira de Normas Técnicas editou a normativa NBR 10.520 de 2002, que tem como objetivo “especificar as características exigíveis para apresentação em documentos ” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002, p. 1).

A citação pode ser dividida em direta e indireta. A citação direta ocorre quando há a transcrição de uma parte da obra consultada. Nesse caso a cópia é exatamente fiel a obra do autor citado. Já a citação indireta ocorre quando há a paráfrase, ou seja, a transcrição feita é baseada na obra do autor consultado, extraindo a ideia do mesmo, mas com as palavras que quem estiver citando. (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2002, p. 2) Por ser uma transcrição literal da obra do autor, a citação direta possui algumas regras de apresentação definidas pela NBR 10.520 de 2002. Para Moraes (2004, p. 103) a regra principal é quanto ao seu tamanho, podendo ser curta ou longa. É considerada citação curta quando tiver até três linhas, assim sendo, esta deve estar contida em aspas duplas e

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inserida no mesmo parágrafo do texto, pois não se cria novo parágrafo em citações curtas. Já a citação longa é caracterizada pelo uso de mais de três linhas do texto. Neste caso, devem estar em novo parágrafo, com recuo de 4 cm da margem a esquerda e letra menor que a utilizada no restante do texto, e sem as aspas.

Kretschmann e Neto (2014, p. 68) destacam que no tocante as citações indiretas, denominadas paráfrases, estas apenas são permitidas, quando além de citar o autor, forem elaboradas de maneira que não apresentem uma reprodução da obra, conforme dispõe o art. 47 da Lei de Direitos Autorais: “São livres as paráfrases e paródias que não forem verdadeiras reproduções da obra originária nem lhe implicarem descrédito” (BRASIL, Lei 9.610/1998, 2018).

A paráfrase também foi recepcionada pelo relatório do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (2011, p. 4), conforme dispõe a diretriz de número 3: “Quando se resume um texto alheio, o autor deve procurar reproduzir o significado exato das ideias ou fatos apresentados pelo autor original, que deve ser citado.”

3.1.4 Espécies de plágio

Dada as características e regulamento para realizar a citação de maneira correta, se torna mais fácil visualizar os elementos que caracterizam o plágio. No entanto, existem outros elementos categorizadores dessa modalidade de ilícito. Zanini (2017) afirma que o plágio pode também ser classificado quanto a sua extensão, podendo a obra ser parcialmente ou totalmente plagiada. Além disso, é possível torna-lo ainda mais específico, diante a existência do plágio sútil e do plágio grosseiro.

No plágio grosseiro, tem-se a transcrição ipsis litteris da obra plagiada, com a alteração do nome do verdadeiro autor. Embora haja a dissimulada tentativa do plagiador ao tentar enganar a todos, levando a crer que este é realmente o autor da obra, hoje, com os softwares desenvolvidos e a facilidade em localizar as obras, este tipo de plágio se tornou de fácil identificação e por conta disso, menos utilizado. (ZANINI, 2017, p. 1)

Por outro lado, no plágio sútil a identificação se torna mais difícil, conforme leciona Zanini (2017, p. 1) “uma vez que o plagiador modifica habilmente a obra nova,

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alterando sua composição e expressão, atingindo amplo sucesso na dissimulação de sua conduta. ”

Isto posto, Netto (2009) conclui que o crime de plágio representa o tipo de apropriação e usurpação intelectual mais repudiado por todos, justamente por utilizar de malícia, dissimulação e principalmente pela consciente e intencional má-fé do plagiador. Importante ressaltar, que se trata de ação dolosa de usurpação, onde o suposto autor tem a intenção de lesar e tirar proveito de obra de terceiros.

3.1.5 O crime de plágio

Para aquele que comete o crime de plágio há penalidade acadêmica, assim como civil e penal, vez que esta prática como já exposto, caracteriza fraude, má-fé e crime. No tocante as sanções acadêmicas que possam ser imputadas ao aluno plagiário, estão desde a reprovação à expulsão da instituição de ensino, cabendo, portanto, a universidade decidir de que forma o aluno responderá pelo ilícito.

É importante ressaltar que as instituições de ensino possuem autonomia didático-científico, cabendo à elas presar pela integridade e ética científica dos trabalhos acadêmicos elaborados. Dessa forma, diante a comprovação de plágio na monografia do aluno a universidade pode reprovar o aluno sem que haja cometimento de qualquer ilícito.

Nesse sentido é o entendimento da jurisprudência do Estado de Santa Catarina: APELAÇAO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS AJUIZADA POR ALUNA CONTRA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. INCONFORMISMO DA AUTORA. RESPONSABILIDADE CIVIL. TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO. CENSURA E REPROVAÇÃO ANTE O FLAGRANTE DE PLÁGIO.

CULPA EXCLUSIVA DA DISCENTE. EXERCÍCIO REGULAR DE UM

DIREITO RECONHECIDO À INSTITUIÇÃO DE ENSINO. EXCLUDENTE DE ILICITUDE QUE AFASTA O DEVER DE INDENIZAR. SENTENÇA MANTIDA. A reprodução de trabalhos intelectuais, de cunho literário, artístico

ou científico, sem a devida fonte, configura plágio (art. 7 da Lei n. 9.610/98), porquanto fere com gravidade a propriedade intelectual, razão pela qual ressumbra legítima a conduta da instituição de ensino que, dotada de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial (art. 207 da Constituição Federal), censura e reprova discente ante a constatação de plágio no trabalho de conclusão de curso. RECURSO

CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJ-SC – AC: 00013763720108240063 São Joaquim 0001376-37.2010.8.24.0063, Relator: Jorge Luis Costa Beber, Data de Julgamento: 24/05/2018, Primeira Câmara de Direito Civil) (SANTA CATARINA, 2018, p. 1, grifo nosso)

Referências

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