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4.1 CONSEQUÊNCIAS ACADÊMICAS, PENAIS E CIVIS

4.1.3 Consequências civis

Concernente as sanções civis, dispõem os artigos 102, 103 e 104 da Lei de Direitos Autorais:

Art. 102. O titular cuja obra seja fraudulentamente reproduzida, divulgada ou de qualquer forma utilizada, poderá requerer a apreensão dos exemplares reproduzidos ou a suspensão da divulgação, sem prejuízo da indenização cabível.

Art. 103. Quem editar obra literária, artística ou científica, sem autorização do titular, perderá para este os exemplares que se apreenderem e pagar-lhe-á o preço dos que tiver vendido.

Art. 104. Quem vender, expuser a venda, ocultar, adquirir, distribuir, tiver em depósito ou utilizar obra ou fonograma reproduzidos com fraude, com a finalidade de vender, obter ganho, vantagem, proveito, lucro direto ou indireto, para si ou para outrem, será solidariamente responsável com o contrafator, nos termos dos artigos precedentes, respondendo como contrafatores o importador e o distribuidor em caso de reprodução no exterior. (BRASIL, lei 9.610/1998, 2018)

Ainda, estabelece o artigo 108 da LDA que “Quem, na utilização, por qualquer modalidade, de obra intelectual, deixar de indicar ou de anunciar, como tal, o nome, pseudônimo ou sinal convencional do autor e do intérprete, além de responder por danos morais, está obrigado a divulgar-lhes a identidade [...] (BRASIL, lei 9.610/1998, 2018).

Nesse sentido, Czelusniak (2012, p. 1) afirma que se o acadêmico que comprou seu trabalho for processado pelo verdadeiro autor em decorrência de utilização de texto indevida, este não poderá este alegar que o trabalho foi feito por terceiro, diante a nulidade do negócio jurídico compactuado.

É o que preceituam os incisos II e III do artigo 166 do Código Civil, ao dispor que é nulo o negócio jurídico quando: “II – for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto; III – o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; [...]” (BRASIL, CC, 2018)

Nesse sentido, é o entendimento jurisprudencial:

DIREITO CIVIL. CONTRATO DE ELABORAÇÃO DE MONOGRAFIA. OBJETO ILÍCITO. NULIDADE. RESTITUIÇÃO DOS VALORES PAGOS. DANOS MORAIS INEXISTENTES. 1 – Na forma do art. 46 da Lei 9.099/1995, a ementa serve de acórdão. Recurso próprio, regular e tempestivo. 2 – Nulidade do contrato. Elaboração de monografia por terceiro. Evidenciado, pelo documento de ID. 2891239, págs. 05/07, 09/10, e 20/21, que o contrato formalizado pelas partes se refere à elaboração de monografia por pessoa distinta do discente, deve ser reconhecida a ilicitude do objeto do contrato, de forma que resta patente sua nulidade, na forma do artigo 104, II, do Código Civil. Precedentes: (Acórdão n. 384310, 20080111452086ACJ, Relator: LUIS EDUARDO YATSUDA ARIMA) 3 – Retorno ao estado anterior. Na forma do art. 166, II do Código Civil, é nulo o

negócio jurídico quando for ilícito, impossível ou indeterminável o seu objeto.

Reconhecida a nulidade do contrato, a restituição das partes ao estado anterior é medida de se impõe, com a devolução dos valores despendidos em razão da avença. 4 – Valor a ser restituído. Considerando que a autora comprovou o pagamento de apenas R$ 155, OO (ID. 2891227 – pág. 01), este deve ser o valor a ser ressarcido em razão da declaração de nulidade do contrato. 5 – Responsabilidade civil. Danos morais. O inadimplemento contratual, em regra, não tem aptidão de atingir a dignidade da pessoa humana e dar ensejo ao dever de reparação por dano moral.

Ademais aquele que submete a confecção de trabalho de conclusão de curso à terceiro estranho à instituição de ensino, deve se sujeitar aos altos riscos do negócio, cujos previsíveis infortúnios, ainda que possam causar algum abalo

emocional ao aluno, não são aptos a atingir os direitos de personalidade e demandar a reparação por danos extrapatrimoniais. Sentença que se reforma para condenar a ré ao pagamento de R$ 155,00 (cento e cinquenta e cinco reais), que deverão ser acrescidos de correção monetária a partir do desembolso e juros de mora desde a citação. 6 – Recurso conhecido e provido em parte. Sem custas e sem honorários advocatícios, na forma do art. 55 da Lei 9.099/1995, inaplicáveis as disposições do CPC. 03 (TJ-DF 07050677720178070020 DF 0705067-77.2017.8.07.0020, Relator: AISTON HENRIQUE DE SOUSA, Data de Julgamento: 05/02/2018, 1 Tuma Recursal dos Juizados Especiais Civeis e Criminais do DF, Data de Publicação: Publicado no DJE: 20/02/2018. Pág.: Sem Página Cadastrada.) (DISTRITO FEDERAL, 2018) (grifo nosso)

Dessa forma, Ramos (2012, p. 106) conclui que a fraude acadêmica, seja ela através da terceirização ou de outras práticas já vistas, traduz, independente do motivo, a intenção de conseguir uma vantagem indevida, uma vez que são utilizados diversos mecanismos para burlar e fraudar o processo de avaliação.

Isto posto, é notório que os casos de fraudes sejam elas acadêmicas ou fora deste ambiente, se tratam, primeiramente de um problema ético e moral, onde os violadores desrespeitam e descumprem não só normas institucionais, mas especialmente normas de conduta.

Ademais, constatamos que as consequências acadêmicas ainda são pequenas tendo em vista a gravidade das fraudes cometidas. Seja por não querer associar a imagem do aluno fraudador a universidade ou até mesmo por acreditar que o acadêmico tenha agido de boa-fé, sem conhecer as normas técnicas e legislação necessária para elaboração de trabalhos acadêmicos, onde raramente se chega a expulsão do mesmo, ficando, na maioria das vezes, limitada a reprovação do aluno na banca examinadora.

Na esfera penal, a falta de legislação que caracterize a compra e venda de trabalhos acadêmicos, aliado a falta de casos levados e julgados pelo judiciário, faz com que a terceirização continue a se disseminar principalmente no meio acadêmico, tendo em vista que nada acontece com os violadores, saindo, na maioria dos casos, impunes.

Mediante todo o exposto, diversas medidas são necessárias para coibir e extinguir essa prática. Inicialmente, é imprescindível a criação de legislação específica, que caracterize principalmente o “instituto” da compra e venda de trabalhos acadêmicos, levando em consideração os crescentes casos de má conduta acadêmica.

Dentro da acadêmica o orientador desempenha importante função para evitar o cometimento de alguma fraude, conhecendo o aluno, suas limitações e capacidades, participando ativamente da elaboração da monografia. Consequentemente, nas instituições de ensino é fundamental que haja mais suporte ao aluno, ensinando desde o início da faculdade a metodologia científica, elaborando diversos tipos de trabalhos acadêmicos para que o aluno desenvolva seu pensamento crítico e escrita e essencialmente, destacar a importância da integridade e ética científica na elaboração dos trabalhos acadêmicos.

Diante disso, levando em consideração a facilidade que a internet proporciona para o cometimento dessas fraudes, podemos concluir que é primordial a retomada de valores que estão sendo perdidos diante da era tecnológica.

5 CONCLUSÃO

Diante o exposto, concluímos que as práticas de fraudes acadêmicas são uma realidade. A internet, através do seu fácil e livre acesso possibilitou a expansão das fraudes acadêmicas e hoje é o local onde elas mais ocorrem.

De início, pudemos constatar que a vida em sociedade é pautada por ordenamentos jurídicos e normas comportamentais que estruturam a sociedade. Dessa forma, é evidente que cada indivíduo possui liberdade para tomar suas decisões de acordo com sua ética e moral.

O que ficou explícito ao longo deste trabalho, é que há uma distorção de valores que resultam em uma cultura de desonestidade, onde os acadêmicos avaliam que vale mais a pena cometer uma fraude, ainda que esta seja oriunda de uma conduta antiética.

Foi possível evidenciar ainda, que a desonestidade acadêmica não se trata de uma prática atual, mas sim que foi expandida com o advento da internet. Pois anteriormente, como constatado ao longo do trabalho, ocorria através dos murais das universidades.

Diante deste cenário, a Lei 9.610 de 1998, que estabelece os direitos do autor, buscou proteger os direitos autorais daqueles que estavam sendo vítimas de fraudes. No entanto, atualmente, a referida lei não consegue dar suporte a todos os tipos de fraude, vez que não os comtempla em seu texto.

Por conta disso, certos de que não serão descobertos e ainda de que sairão impunes de qualquer eventual consequência, muitos alunos, aproveitam-se dessa ausência legislativa para cometer as fraudes acadêmicas.

Todavia, uma vez constatada e comprovada a fraude acadêmica, pode aluno responder pela prática cometida. Nesse caso, no tocante as consequências acadêmicas, averiguou-se que estas variam desde a reprovação na banca até a expulsão do aluno da instituição de ensino. No entanto, é comum as universidades oferecerem uma segunda chance ao acadêmico, possibilitando que o mesmo possa refazer o trabalho.

Quanto as consequências penais, verificou-se que tanto aquele que encomenda e compra o seu trabalho quanto o escritor que presta o serviço pode ser enquadrado por equiparação nos crimes dispostos nos artigos 299, 304 e 307 todos do Código Penal. No

entanto, a falta de legislação específica aliada a falta de casos levados ao judiciário, deixa a dúvida qual a real consequência no caso concreto.

E por fim, concernente as consequências civis, o acadêmico pode responder pelos artigos 102, 103, 104 e 108 da Lei de direitos autorais, podendo ainda ser processado, respondendo por danos morais. Neste caso, observou-se que o acadêmico não pode alegar que o trabalho foi escrito por terceiro, por força do artigo 166, incisos II e III do Código Civil.

Dessa forma, fica evidente que o ghost writer e a comercialização de trabalhos científicos necessitam com urgência de legislação a respeito, a fim de que se torne legalmente proibido esta prática.

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