FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS
JULIANA YUMI MASSUDA
AVALIAÇÃO DO IMPACTO DO CUIDADO COMPARTILHADO EM DERMATOLOGIA
CAMPINAS 2015
AVALIAÇÃO DO IMPACTO DO CUIDADO COMPARTILHADO EM DERMATOLOGIA
Dissertação apresentada à Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas como parte dos requisitos exigidos para a obtenção do título de Mestra em Ciências, área de concentração em Ensino em Saúde.
ORIENTADOR: Prof. Dr. Paulo Eduardo Neves Ferreira Velho
ESTE EXEMPLAR CORRESPONDE À VERSÃO FINAL DA DISSERTAÇÃO DEFENDIDA PELO
ALUNO JULIANA YUMI MASSUDA, E ORIENTADO PELO PROF. DR. PAULO EDUARDO NEVES FERREIRA VELHO.
CAMPINAS 2015
Ficha catalográfica
Universidade Estadual de Campinas Biblioteca da Faculdade de Ciências Médicas
Maristella Soares dos Santos - CRB 8/8402
Massuda, Juliana Yumi, 1984-
M389a MasAvaliação do impacto do cuidado compartilhado em dermatologia / JulianaYumi Massuda. – Campinas, SP : [s.n.], 2015.
MasOrientador: Paulo Eduardo Neves Ferreira Velho.
MasDissertação (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas,
Faculdadede Ciências Médicas.
Mas1. Atenção primária à saúde. 2. Dermatologia. 3. Educação médica. 4. Saúde da família. I. Velho, Paulo Eduardo Neves Ferreira. II. Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Ciências Médicas. III. Título.
Informações para Biblioteca Digital
Título em outro idioma: Impact assessment of shared care in dermatology
Palavras-chave em inglês:
Primary health care Dermatology Medical education Family medicine
Área de concentração:Ensino em Saúde Titulação: Mestra em Clínica Médica
Banca examinadora:
Paulo Eduardo Neves Ferreira Velho [Orientador] Renata Ferreira Magalhães
Cidia Vasconcellos
Data de defesa: 31-08-2015
Aos meus pais, Paulo e Hiromi. Pela sabedoria e pelo carinho com que sempre guiaram meus passos. Ao meu noivo Thiago. A quem me inspira todos os dias a me tornar alguém melhor.
Ao Prof. Dr. Paulo Eduardo Neves Ferreira Velho, pela paciência, pelo
carinho e pela coerência com que sempre trabalha e incentiva seus alunos. Alguém a
ser seguido tanto como professor quanto como pessoa.
Aos ex-residentes em Saúde da Família da Unicamp, Adriana, Driquinha,
Mayra, Xadia, Roberto, Lívia, Paulinha e Paulo, por toda a disponibilidade, pelos
ensinamentos e pela amizade.
Aos preceptores da residência em Saúde da Família, Profa. Dra. Olga
Maria Fernandes de Carvalho, Profa Dra Maria de Lurdes Zanolli, Dr. Felipe Monte
Cardoso e Dr. Giuliano Dimarzio pela disponibilidade e incentivo contínuo à
realização do trabalho.
À Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Amparo, aos médicos
que atuam na cidade e aos demais membros das equipes pelo acolhimento gentil
com que me receberam.
À Profa. Dra. Tânia Alencar de Caldas, pela fundamental ajuda na
elaboração do trabalho.
Ao Dr. Tiago Pina Zanelato, pelo pioneirismo no trabalho em Amparo.
Aos professores da Disciplina de Dermatologia da Unicamp, em especial
à Profa. Dra. Renata Ferreira Magalhães, à Profa. Dra. Aparecida Machado de Moraes,
ao Prof. Dr. Elemir Macedo de Souza, à Profa. Dra. Andrea Fernandes Eloy da Costa
França, à Dra. Michelle Etienne Baptistella Florence pelos ensinamentos e por serem
da Unicamp pelos ensinamentos diários, pela inspiração e por toda a ajuda que me
fornecem.
À CAPES, pelo fornecimento da bolsa de mestrado.
Aos meus pais, Paulo e Hiromi, pelo apoio e amor incondicional com que
sempre me criaram e por serem minhas eternas inspirações.
Ao meu irmão, Fábio, pelo exemplo da dignidade e da humildade do ser
humano.
Ao meu querido Thiago, pela paciência, pelo carinho, pela compreensão,
“Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. ” Rubem Alves
Introdução
As condições dermatológicas são prevalentes nos atendimentos da atenção primária em saúde. Para uma avaliação cuidadosa, as oportunidades de aprendizado na área são essenciais. O cuidado compartilhado promove a integração entre serviços de diferentes níveis de complexidade, melhorando a resolutividade e podendo ser usado como uma ferramenta para educação médica continuada.
Objetivos
Implantar o cuidado compartilhado em dermatologia no município de Amparo e avaliar o seu impacto com relação à efetividade e como estratégia de ensino e educação médica continuada para médicos não dermatologistas e para médicos residentes do Programa Saúde da Família da Universidade Estadual de Campinas.
Metodologia
O cuidado compartilhado em dermatologia foi implantado com reuniões de discussão sobre hipóteses diagnósticas e condutas dos pacientes selecionados. Adicionalmente, procedimentos de baixa complexidade e debates teóricos fizeram parte do processo. Foi efetuada avaliação de impacto sobre o cuidado compartilhado em dermatologia para médicos não dermatologistas, residentes do Programa Saúde da Família, a Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Amparo e os preceptores da residência do Programa Saúde da Família.
Resultados
O cuidado compartilhado em dermatologia efetuado em Amparo foi considerado como excelente por médicos de formação geral e residentes do Programa Saúde da Família. A maioria dos residentes e médicos não dermatologistas consideraram seu desempenho frente às dermatoses como incompletas antes do cuidado compartilhado e com melhora após a implantação do mesmo. Os preceptores da residência do Programa Saúde da Família e a Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Amparo classificaram o cuidado compartilhado em dermatologia como uma experiência fundamental em que a retaguarda de um especialista vinculado à universidade gerou maior segurança aos avaliados pelo contato com protocolos científicos. Concluíram, ainda, que a metodologia é motivadora aos beneficiados e proporciona abordagem mais integral ao paciente.
Conclusão
A ferramenta do cuidado compartilhado em dermatologia otimizou o processo ensino-aprendizado e foi considerada como eficaz metodologia para educação médica continuada por médicos de formação geral e residentes do Programa Saúde da Família. Os preceptores da residência do Programa Saúde da Família e a Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Amparo avaliaram o cuidado compartilhado em dermatologia como um facilitador da articulação entre a especialidade e a atenção primária.
Palavras-chave
Atenção Primária à Saúde. Dermatologia.
Educação médica. Saúde da Família.
Background
Dermatological conditions are prevalent in primary care. Learning opportunities in the area are essential to improve patients careful evaluation. Shared care promotes integration between different complexity levels services, improving resolution, and can be an useful tool for continuing medical education.
Objectives
Implant shared care in dermatology in Amparo city and assess its impact on effectiveness and as a teaching strategy and continuing medical education for general physicians and for family medicine residents.
Methods
Shared care in dermatology was implanted with discussion meetings on diagnostic hypotheses and conduct of selected patients. In addition, low complexity procedures and theoretical debates were part of the process. Impact assessment of shared care in dermatology was performed for general physicians, family medicine residents, Family medicine residency preceptors and the Health Department of Amparo.
Results
Shared care in dermatology was considered excellent by general physicians and family medicine residents. Most residents and physicians considered their performance with dermatoses as incomplete before shared care and had much improvement after its implantation. Family medicine residency preceptors and the Health Department of Amparo classified shared care in dermatology as a fundamental experience in which the rearguard of an university specialist generated greater confidence through contact with scientific protocols. They concluded, also, that the methodology is motivating and provides more comprehensive approach to the patient.
Conclusions
Shared care in dermatology optimized the teaching and learning process and was considered as an effective methodology for continuing medical education for general physicians and family medicine residents. Family medicine residency preceptors and the Health Department of Amparo considered shared care in dermatology as a relationship facilitator between the specialty and primary care.
Key words
Primary Health Care. Dermatology.
Medical Education. Family Medicine.
Figura 1. Caso clínico 1...90
Figura 2. Caso clínico 2...91
Figura 3. Caso clínico 3...91
Quadro 1. Panorama geral: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais...38 Quadro 2. Relevância de modificações para melhoria do CC: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais...39 Quadro 3. Melhoria dos atendimentos no ambulatório de atenção secundária:
análise descritiva e comparações entre os tipos de
profissionais...40 Quadro 4. Temas para discussão e grau de necessidade: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais...41 Quadro 5. Temas para discussão e grau de necessidade em ordem decrescente ...42 Quadro 6. Impacto do CC: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais...44 Quadro 7. Queratoses actínicas: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais...49 Quadro 8. Melanoma: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais...50
profissionais...50 Quadro 10. Hanseníase: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais...51 Quadro 11. Casos clínicos: análise do padrão de encaminhamento antes e após o CC...51
ApM - Apoio Matricial CC - Cuidado compartilhado
DST - Doenças sexualmente transmissíveis
INAMPS - Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social PSF – Programa Saúde da Família
SUS - Sistema Único de Saúde UBS - Unidade Básica de Saúde
1- Introdução...18
1.1 O ensino médico...18
1.2 O Sistema Único de Saúde...18
1.3 O Matriciamento...20
1.4 O cuidado compartilhado...22
1.5 A dermatologia e o seu ensino...24
1.6 A medicina de família...26
1.7 O Programa Saúde da Família no município de Amparo...28
2- Objetivos...29
2.1 Objetivos gerais...29
2.2 Objetivos específicos...29
3- Sujeitos e métodos...30
3.1 Questões éticas...30
3.2 Implantação do Apoio Matricial...30
3.3 Organização do Apoio Matricial em dermatologia...30
3.4 Atividades teóricas...31
3.6.1 Questionário “Avaliação do cuidado compartilhado em dermatologia”...33
3.6.2 Questionário “Avaliação do impacto do cuidado compartilhado”...33
3.6.3 Questionário “Casos clínicos”...33
3.7 Avaliação da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Amparo...34
3.8 Avaliação dos preceptores da residência do Programa Saúde da Unicamp...34
3.9 Análise estatística quantitativa...34
3.10 Análise qualitativa...34
4- Resultados...37
4.1 Questionário “Avaliação do cuidado compartilhado em dermatologia”...37
4.2 Questionário “Avaliação do impacto do cuidado compartilhado”...43
4.2.1 Análise estatística quantitativa...43
4.2.2 Análise qualitativa...44
4.3 Questionário “Casos clínicos” ...49
4.4 Relatório da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Amparo e dos preceptores da residência do Programa Saúde da Família da Unicamp...52
5.2 Revisão de temas...58
5.3 Antes e após o cuidado compartilhado em dermatologia...62
5.4 Dermatologistas matriciadores...67
5.5 Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Amparo e preceptoria da residência do Programa Saúde da Família da Unicamp...68
5.6 Aprimoramento do cuidado compartilhado...68
6- Conclusão...70
7- Referências bibliográficas...71
8- Anexos...84
8.1 Anexo I. Termo de esclarecimento e consentimento livre e pós-informado...84
8.2 Anexo II. Questionário “Avaliação do cuidado compartilhado em dermatologia”...86
8.3 Anexo III. Questionário “Avaliação do impacto do cuidado compartilhado em dermatologia”...89
8.4 Anexo IV. Questionário “Casos clínicos”...90
1. INTRODUÇÃO
1.1 O ensino médico
Desde sua origem, o ensino médico enfrenta um grande desafio: formar
profissionais capazes de atender às necessidades de saúde da população com
excelência. Para isso, vem sofrendo reformas curriculares mundialmente1-4. Tem-se
buscado avaliar a suficiência ou não do tempo e do conteúdo teórico ministrado às
diferentes áreas de formação. No Brasil, a criação da Associação Brasileira de Educação
Médica, em 1962, trouxe estímulo à reformulação dos currículos de ensino em
medicina5. Em 2001, com posterior revisão em 2014, foram instituídas as Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, que passariam a ser
observadas na organização curricular das instituições do sistema de educação superior
do Brasil, oferecendo sugestões para a melhoria do ensino na área médica6-7.
1.2 O Sistema Único de Saúde
No auge da redemocratização do país, a Constituição de 1988 declarou ser
a saúde um direito do cidadão e um dever do Estado8. Assim, nasceu o Sistema Único de
Saúde (SUS), em 1990, baseado nos princípios de Integralidade, Equidade e
Universalidade, e nas ações de promoção da saúde, na prevenção de agravos à mesma,
tratando, reabilitando, colaborando na redução das desigualdades e cuidando de cada
A palavra “único” presente na expressão do SUS se refere à unificação de
dois sistemas antes vigentes, o previdenciário e o do Ministério da Saúde e secretarias
estaduais e municipais de saúde. Houve incorporação do Instituto Nacional de
Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS) pelo Ministério da Saúde10. A saúde
passou a ser entendida como resultante e geradora de condições de vida, trabalho e
acesso a bens e serviços, ou seja, como componente da cidadania e da democracia, e
não somente como ausência de doença, conceito esse antes vigente. Tal modificação se
deu em concordância na definição de saúde promovida na VIII Conferência Nacional de
Saúde que foi a de “resultante das condições de alimentação, habitação, renda, meio
ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e
acesso aos serviços de saúde”10. O SUS também foi fruto da Reforma Sanitária no
Brasil10. Sob o lema de democratização da saúde, as proposições da Reforma Sanitária
foram difundidas durante a realização da VIII Conferência Nacional de Saúde em 1986.
O destaque dos movimentos sociais a partir da década de 1970, a criação do Centro
Brasileiro de Estudos de Saúde, em 1976, as experiências locais de organização de
serviços de saúde, a presença de sanitaristas no planejamento de instituições de saúde
e o intenso debate nos movimentos sociais e governamentais foram elementos
fundamentais para a elaboração das diretrizes do SUS na forma como hoje são
conhecidas10.
O SUS tem duas linhas de atuação: o Programa Saúde da Família,
responsável pelos cuidados primários, e uma rede com clínicas e hospitais, que presta
atendimentos secundário e terciário11. Nas últimas três décadas, a mortalidade infantil
no país reduziu cerca de 6,3% ao ano, e a expectativa de vida aumentou em 10,6 anos12.
desigualdade de oportunidades e a eficiência limitada do sistema público de saúde
vigente. O principal determinante da limitação dos cuidados prestados pela rede SUS é
a escassez de recursos humanos, a qual, no entanto, é sobretudo qualitativa, e não
apenas quantitativa12.
1.3 O Matriciamento
Existe uma questão fundamental envolvida no seguimento de pacientes com
doenças crônicas que é a falta de comunicação e alinhamento conceitual entre os
diferentes profissionais e serviços envolvidos no cuidado. Na maioria das vezes, os
serviços de saúde são fragmentados, gerando uma comunicação pobre entre os
profissionais e os serviços com os quais eles trabalham13. O resultado final é uma menor
qualidade dos atendimentos prestados e do cuidado, com uso ineficiente dos recursos.
Há necessidade de se encontrar formas de melhorar a interface de comunicação entre
serviços. Uma maneira para que isso se estabeleça é a utilização de modelos de atenção
que buscam preencher as lacunas entre os serviços. Foi proposto, no Brasil, o arranjo
organizacional do Apoio Matricial (ApM) ou Matriciamento. Ele procura, por meio de
reformas estruturais, aumentar a resolutividade do sistema e a produção de saúde14. A
interconsulta ou o encaminhamento surgiram, anteriormente ao ApM, como modelo de
comunicação entre a atenção básica de saúde e os demais níveis. São utilizados quando
os problemas de saúde apresentados extrapolam os limites de atuação da equipe no
nível primário da atenção. É o momento de encaminhamento que o ApM pretende
mental em Campinas, São Paulo15 e nos programas Humaniza-SUS e Saúde Mental do
Ministério da Saúde16.
Define-se o ApM como “momentos relacionais em que se estabelece troca
de saberes entre profissionais de diferentes serviços de atenção envolvidos no cuidado
dos usuários, objetivando garantir que as equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBS)
e das unidades referenciadas vinculem-se aos pacientes e responsabilizem-se pelas
ações desencadeadas no processo de assistência, garantindo também a integralidade da
atenção”14. Em outras palavras, o ApM visa aumentar o grau de resolubilidade das ações
de saúde, oferecendo retaguarda assistencial e reformulando a organização dos serviços
para uma prática mais horizontal de conhecimento em equipes interdisciplinares. O ApM
pretende fornecer também suporte técnico e pedagógico às equipes de referência16.
Propõe-se uma ferramenta organizacional que estimula o compromisso das equipes e a
quebra de obstáculos à comunicação.
A transdisciplinaridade é um objetivo difícil de ser alcançado, pois implica na
articulação entre campos de conhecimento e de responsabilidade distintos entre si.
Atualmente, a estrutura tradicional dos serviços de saúde reforça o isolamento
profissional e reproduz a fragmentação do processo de trabalho. Na lógica da integração
contínua proposta pelo ApM, os encontros periódicos entre os profissionais tentariam
minimizar esses desacertos. A reorganização sugerida pretende facilitar a troca de
opinião e a articulação entre os profissionais para a elaboração de projetos
terapêuticos16.
Cabe ao especialista agregar conhecimento e contribuir com intervenções
pelo paciente na atenção primária. Ele procura construir espaço para comunicação e
para o compartilhamento de conhecimento entre profissionais de referência e
apoiadores. Há diversas maneiras para que isso se efetive. Primeiro, com aulas de
conteúdo teórico ministradas por especialistas. Existe a possibilidade, ainda, de ocorrer
encontros periódicos entre a equipe de referência e o apoiador matricial. Neles, seriam
discutidos casos selecionados para elaborar projetos terapêuticos, com o paciente em
questão presente ou não. Deve-se reservar tempo também para diálogo sobre outros
temas clínicos. Já em casos urgentes, o profissional aciona o ApM, de preferência por
meios diretos de comunicação, solicitando algum tipo de intervenção. Dessa forma, o
especialista integra-se organicamente às equipes que necessitam do seu trabalho. Seria
alterada, então, o tradicional modelo de referência e contra-referência vigente nos
sistemas de saúde: não há encaminhamento, mas elaboração de projetos terapêuticos
que são executados por um conjunto de profissionais17.
1.4 O cuidado compartilhado
Desde a década de 1970, o modelo do cuidado compartilhado (CC) foi
implementado como forma de atingir os mesmos resultados desejados com o ApM18.
Foi desenvolvido com o propósito de gerir as questões de encaminhamentos, má-
comunicação e fragmentação do cuidado, além de aumentar a capacidade de
atendimento em ambulatórios de atenção especializada e hospitais, à semelhança do
que se almeja com o ApM, podendo, portanto, ser considerado uma das maneiras de
Modelos de CC podem ser vistos como intervenções complexas, dependentes do
comportamento e da escolha dos pacientes envolvidos, e devem possuir alta eficácia19.
As intervenções complexas possuem múltiplos componentes e os resultados
são dependentes do contexto e também do comportamento dos participantes e
provedores de atenção19. Assim, os modelos de CC constituem um exemplo de
intervenção complexa, tanto pelo aspecto de multicomponentes, como pelos resultados
e pelas implicações, que são suscetíveis de mudança pelo contexto de alguma forma
(grupo de pacientes, localização ou ambiente organizacional)19. O CC pressupõe um
trabalho de interface entre a atenção primária e a secundária20. Dessa forma, a
realização de encontros de discussão com o paciente, a equipe da UBS e o especialista
constitui uma forma de CC. Reforça o conceito de transdisciplinariedade proposto no
ApM uma vez que envolve diferentes níveis de atenção e implica no desenho de projetos
terapêuticos.
Um estudo sobre o uso do CC para seguimento de pacientes com doenças
crônicas sugere benefícios em relação ao acompanhamento especializado apenas. Os
pacientes são assistidos de maneira mais próxima, não necessitando enfrentar longas
distâncias para chegarem a um centro de referência, possibilitando, consequentemente,
menores alterações nas suas vidas cotidianas21. O índice de absenteísmo também
parece ser menor pela facilidade de acesso ao serviço de atenção primária21. Estudos
observacionais na Holanda e na Austrália relataram desfechos clínicos semelhantes para
crianças com fibrose cística que receberam cuidados especializados em comparação
com aqueles que seguiram no modelo de atenção do CC22-23. É importante ressaltar a
Condições como a asma, a depressão, a hipertensão e a dislipidemia são comuns. As
doenças crônicas são, a longo prazo, melhor geridas por equipes multidisciplinares que
conhecem o paciente e com quem ele possa se relacionar facilmente pela possibilidade
de encontros regulares. Vale lembrar também que os cuidados na modernidade para
doenças crônicas estão cada vez mais relacionados a uma questão de negociação
pessoal sobre modificações no estilo de vida do que à prescrição de tratamento
farmacológico propriamente dito. Isso pressupõe paciente e médico numa relação de
continuidade, característica inerente ao CC21.
No entanto, as vantagens do cuidado a doenças crônicas no âmbito da
atenção primária só constituem em forte argumento se a terapêutica e o seguimento
propostos forem embasados em protocolos clínicos e organizacionais específicos.
Portanto, o profissional que atua na atenção primária necessita de educação continuada
e suporte do especialista para o sucesso dessa premissa24.
1.5 A dermatologia e o seu ensino
A dermatologia é a especialidade médica que estuda a pele e as doenças e
condições relacionadas a ela e seus anexos, como os cabelos e as unhas. Seu órgão de
interesse é passível de exame clínico e, por isso, a inspeção de lesões é frequente pelos
pacientes e seus familiares25, o que gera uma alta demanda de indivíduos que procuram
atenção médica espontaneamente26-28.
Estima-se que cerca de 10 a 35% das buscas por atendimento clínico são por
queixas cutâneas28-29.Em uma população, que por seis meses ficou sem assistência
atendimentos30. As consultas devido a dermatoses são responsáveis por uma alta
porcentagem no total de doenças atendidas pelos médicos de família31-33. Chama a
atenção o fato de que cerca de 90% dessa demanda poderia ser resolvida no nível
primário da atenção em saúde28. Em Campinas, um estudo demonstrou que 95% das
demandas encaminhadas à dermatologia pelos profissionais da atenção primária
poderia ter sido resolvida na própria UBS29. Entre as consultas pediátricas, estima-se que
aproximadamente 15 a 30% sejam decorrentes de doenças na pele34 e nos
atendimentos a crianças em serviços de urgência, cerca de 4 a 6% dos atendimentos são
por problemas dermatológicos35-39.
Há uma tendência à subvalorização desses dados pela baixa letalidade das
dermatoses, a subestimação de sua morbidade e, consequentemente, de sua
importância como problema de saúde pública. Os estudos mostram, porém, que as
doenças dermatológicas têm significativo impacto na qualidade de vida dos doentes,
tornando-os mais propensos a apresentar quadros depressivos40. São também fatores
causadores de estresse, mesmo quando as lesões se localizam em áreas não- expostas41.
A dermatite atópica, uma das dermatoses mais prevalentes na prática diária, afeta a vida
de muitos pacientes, sendo responsável por modificar, inclusive, suas relações pessoais,
sociais e no trabalho42.
Outro fato a ser considerado é a alta incidência do câncer de pele, apesar do
sub-registro e do sub-diagnóstico. O melanoma é a sexta causa de mortalidade por
câncer no mundo43. A detecção precoce de tumores finos, com subsequente excisão
cirúrgica, continua a ser o melhor fator de sobrevida prolongada44-45. Mesmo diante
aplicadas menos frequentemente que outras práticas preventivas como o exame das
mamas, o de Papanicolaou e exames retais46. A maioria dos pacientes, incluindo os de
alto risco, não tem a pele examinada como parte da rotina na atenção primária47-49,
apesar da recomendação de triagem para pacientes de alto risco50. Além da ausência de
guidelines para rastreamento do câncer de pele, a falta de conhecimento e treinamento sobre o exame dermatológico foi identificada como barreira na prática48-49,51-52.
Assim, a dermatologia estuda uma ampla variedade de doenças e se baseia
no exame clínico detalhado e cuidadoso para que sejam elaborados diagnósticos
diferenciais que permitam a condução do raciocínio clínico para a abordagem
terapêutica mais adequada. O exame dermatológico exige vivência e tempo para que
possa ser construído, sedimentado e aplicado corretamente, inclusive para que se
possam identificar as lesões elementares. Também demanda do médico um vasto
conhecimento teórico. Aliado a isso, a dermatologia apresentou um vertiginoso
crescimento científico quantitativo e qualitativo, evoluindo de especialidade puramente
clínica para clínica-cirúrgica ao longo dos anos53. O conhecimento da patogênese das
dermatoses foi ampliado e se incorporaram novas terapêuticas, que tem beneficiado de maneira crescente os portadores de dermatoses e, por isso, necessitam ser estudadas e divulgadas àqueles que lidam com as doenças de pele no cotidiano53.
1.6 A medicina de família
Sabe-se que o papel do médico da atenção primária é cada vez mais
importante. São vistos mundialmente como “guardiões do portão”, uma vez que são
somente quando necessário54-55. Os primeiros dados da literatura sugerem que a
medicina de família foi criada e reconhecida como especialidade médica na década de
6056.
Um estudo demonstrou que um maior investimento nos cuidadosprimários
de um sistema de saúde está associado a menores custos, maior satisfação da
população, melhores níveis de saúde e menor uso de medicamentos57. Outro trabalho
comprovou que há uma relação consistente entre a disponibilidade de médicos da
atenção primária e níveis de saúde, avaliada pela mortalidade padronizada por doenças,
mortalidade associada ao câncer e às doenças cardiovasculares, mortalidade neonatal e
expectativa de vida58. O aumento no atendimento eficaz por médicos da atenção
primária conduz, ainda, ao benefício da redução de custos. Welch e colaboradores, em
1993, concluíram que os custos dos cuidados de saúde para idosos nos Estados Unidos
foram menores nas áreas do país com maiores proporções de médicos de família59.
Starfield, em 1994, mostrou que as taxas de hospitalização evitáveis por atendimento
ambulatorial adequado foram significativamente inferiores em áreas onde as
proporções de médicos da atenção primária às populações eram maiores60.
Devido a um maior investimento na formação geral dos médicos, na
Holanda, um estudo encontrou que mais de 80% dos pacientes incluídos na pesquisa
haviam buscado atendimento com o médico de família e não com especialistas para
tratamento de dermatoses, e desses, 65% foram acompanhados somente pelo médico
de formação geral61. Essa porcentagem de resolutividade na atenção primária é
semelhante ao seguimento de qualquer doença crônica, como a hipertensão arterial
médicos da atenção primária terão de desempenhar um papel importante e crescente
no exame dermatológico aos pacientes durante as consultas de rotina62.
1.7 O Programa Saúde da Família no município de Amparo
O município de Amparo é localizado no Estado de São Paulo e possui,
aproximadamente, 66000 habitantes. O Programa Saúde da Família (PSF) foi implantado
em 1995 na cidade, contando, à época do estudo, com doze Unidades de Saúde da
Família. Pelo seu pioneirismo e qualidade de atendimento, o modelo da atenção
embasado no PSF de Amparo é considerado como referência nacional no Brasil. Desde
sua criação em 1995 até 2013, o programa de residência em Saúde da Família da
2. OBJETIVOS
2.1 Objetivos gerais
Os objetivos do trabalho foram implantar o arranjo organizacional do
ApM por meio do CC em dermatologia no município de Amparo e avaliar seu impacto
com relação à efetividade e como estratégia de ensino e educação médica
continuada para médicos de formação geral que atuam na atenção primária e para
médicos residentes do PSF da Unicamp.
2.2 Objetivos específicos
1. Otimizar o processo ensino-aprendizado visando aumentar o
conhecimento do médico não dermatologista nessa especialidade utilizando um
instrumento pedagógico, o CC, para aprimoramento na área.
2. Avaliar o impacto do CC em dermatologia na opinião dos médicos de
formação geral que atendem em UBS e dos médicos residentes do PSF da Unicamp.
3. Avaliar o impacto do CC em dermatologia sob a perspectiva da
Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal do município de Amparo e na opinião
dos docentes e médicos preceptores responsáveis pela residência do PSF da
3. SUJEITOS E MÉTODOS
3.1 Questões éticas
O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Unicamp após
autorização da prefeitura de Amparo para sua realização. Todos os participantes
assinaram e receberam uma cópia do Termo de esclarecimento e consentimento
livre e pós-informado (anexo I).
3.2 Implantação do Apoio Matricial
Implantou-se o ApM em dermatologia de março de 2011 a dezembro de
2012 em sete Unidades de Saúde da Família (USF) do município de Amparo (Jardim São
Dimas, Jardim América Figueira, Centro, Jardim Silvestre II, Jardim Brasil, Jardim
Camanducaia e Jardim das Aves). A escolha das unidades foi responsabilidade da
Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Amparo seguindo os critérios de
necessidade da população, disponibilidade da equipe e volume de pacientes atendidos
na região.
3.3 Organização do Apoio Matricial em dermatologia
Foram efetuados encontros uma vez por semana, com duração de cinco
horas, ao longo dos 22 meses, totalizando 95 encontros. Houve esquema de rodízio
determinada unidade. As equipes das unidades eram avisadas com um mês de
antecedência e separavam os casos e os pacientes para atendimento conjunto
presencial com o dermatologista.
Os atendimentos foram acompanhados por dois especialistas, com tempo
de onze meses cada um. Os pacientes eram selecionados por médicos ou enfermeiros
da USF, que participavam dos atendimentos e das discussões no dia dos encontros. Em
cada período, os atendimentos também foram acompanhados por um residente do PSF
da Unicamp. Não havia restrição à escolha dos pacientes e foram atendidas crianças,
adultos, gestantes e idosos. Eram discutidas hipóteses diagnósticas e condutas na
mesma data.
3.4 Atividades teóricas
Foram ministradas aulas como atividade teórica sobre hanseníase (mês 8),
eczemas (mês 14) e feridas crônicas e curativos (mês 20) pelos dermatologistas com
presença dos residentes do PSF e dos médicos de formação geral. Os temas foram
selecionados pela Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Amparo. O enfoque
principal das aulas foi em diagnóstico e terapêutica.
3.5 Extensão do Apoio Matricial: o cuidado compartilhado
Pequenos procedimentos como troca de curativos, cauterizações químicas
e curetagem de lesões eram realizados no mesmo dia das discussões, quando havia
complexidade, como matricectomias para onicocriptose e algumas biópsias, a realização
se dava na própria USF pelo residente ou pelo médico responsável pelo paciente com
auxílio do dermatologista matriciador.
Já procedimentos de maior complexidade como exéreses, biópsias maiores
e eletrocoagulações de lesões eram agendados para serem feitos pelo residente do PSF
que havia acompanhado o ApM com o dermatologista numa unidade de atenção
secundária. Os médicos responsáveis pelos casos eram convidados a participar dos
procedimentos. Pacientes com doenças de maior gravidade, que não poderiam
aguardar a data do ApM na USF, eram conduzidos pelos dermatologistas matriciadores
e os residentes do PSF no ambulatório de atenção secundária, onde havia um período
semanal de atendimento de até doze pacientes. Nos casos de urgência, em que não seria
possível aguardar o ApM na respectiva USF, os médicos ligavam diretamente ao
dermatologista matriciador e os pacientes eram atendidos no prazo de até uma semana
na unidade de atenção secundária.
Ao conjunto de atividades teóricas e práticas, clínicas e cirúrgicas, realizadas
nos encontros do ApM e no ambulatório de atenção secundária, chamou-se de cuidado
compartilhado em dermatologia.
3.6 Avaliação final do cuidado compartilhado
Ao final de 22 meses, foram aplicados três questionários a oito médicos de
formação geral e a oito residentes do PSF da Unicamp que desejaram participar do
3.6.1 Questionário “Avaliação do cuidado compartilhado em
dermatologia”
O questionário constou de perguntas sobre a avaliação do CC em
dermatologia e sugestões de melhoria. Também avaliou quais eram as dermatoses em
que os médicos se consideravam mais insuficientemente formados. O questionário
visou mostrar um panorama da situação geral do CC em dermatologia (anexo II).
3.6.2 Questionário “Avaliação do impacto do cuidado compartilhado”
O segundo grupo de perguntas procurou avaliar o impacto do CC em
dermatologia na opinião dos médicos de formação geral e dos residentes do PSF através
de questões abertas (anexo III).
3.6.3 Questionário “Casos clínicos”
O questionário continha quatro casos clínicos com dados de pacientes
hipotéticos, seus sintomas e imagens de lesões sugestivas de queratose actínica,
melanoma, eczema de estase e hanseníase, porém sem informar os diagnósticos. Os
participantes avaliaram sua conduta frente ao caso antes e depois do CC em
dermatologia (anexo IV). A escolha das imagens se deu através de fontes comuns da
internet para que não houvesse o viés da foto ter sido tirada por um dos dermatologistas
matriciadores com alta resolução e enfoque na lesão, o que poderia sugestionar o
3.7 Avaliação da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de
Amparo
Para a avaliação do impacto do CC para a Secretaria de Saúde da Prefeitura
Municipal de Amparo, foi solicitado relatório da gerente de saúde ligada à especialidade
dermatologia e às USF ao final dos 22 meses.
3.8 Avaliação dos preceptores da residência do Programa Saúde
da Família da Unicamp
Os preceptores dos residentes do PSF também foram convidados a efetuar
um relatório que contemplou os seguintes aspectos: avaliação do desempenho dos
dermatologistas matriciadores, do resultado e do impacto do CC em dermatologia. No
total, três preceptores da residência do PSF da Unicamp colaboraram com a avaliação.
3.9 Análise estatística quantitativa
Foi efetuada análise descritiva dos questionários aplicados ao final do CC em
dermatologia com apresentação de tabelas de frequências para variáveis categóricas.
Para comparação de proporções foi utilizado o teste exato de Fisher e, para
comparação de proporções em amostras relacionadas, foi utilizado o teste de McNemar.
O nível de significância adotado para os testes estatísticos foi de 5%.
A análise qualitativa de dados pode ser definida como uma metodologia que
interpreta informações e, nesse sentido, pode-se afirmar que tal ferramenta consiste
em extrair sentido de dados de texto e imagem63. Segundo Flick, a análise de conteúdo,
uma metodologia de interpretação qualitativa, consiste na etapa que se segue à coleta
dos dados e que necessita de uma técnica mais qualificada, sendo utilizada nas
pesquisas qualitativas nas diversas áreas do conhecimento64-65.
No Brasil, a autora mais citada nas pesquisas que adotam a metodologia da
análise qualitativa por meio da análise de conteúdo é Bardin66. Portanto, foi adotada sua
conceituação, em razão de tratarem-se de técnicas de análise de comunicações, que
utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo de textos. Cabe
ressaltar que a intenção final da análise de conteúdo é a inferência de conhecimentos
relativos às condições de produção, inferência esta que recorre a indicadores, sejam
quantitativos ou não. O objetivo principal da análise de conteúdo é o de gerar
compreensão crítica sobre o sentido das comunicações, seu conteúdo manifesto ou
latentes e também as significações explícitas ou ocultas67.
Como parte do material coletado nos questionários do estudo foi textual,
para a análise dos documentos, adotou-se a análise de categorias e, para tanto, foram
utilizadas as três fases de trabalho: pré-análise, exploração do material e tratamento
dos resultados, inferência e interpretação66.
Na pré-análise, todo o material foi organizado de forma a destacar as ideias
centrais. No segundo momento, orientado pelas hipóteses da pesquisa e pela revisão da
literatura, ocorreu a seleção das categorias e sua ligação com trechos das falas dos
entrevistados. Assim, codificação, classificação e categorização são fases que integraram
elementos constitutivos de um conjunto por diferenciação e, após, por reagrupamento,
segundo o gênero, com os critérios previamente definidos. As categorias são classes as
quais reúnem um grupo de elementos sob um título genérico, agrupamento esse
efetuado em razão dos caracteres comuns destes elementos66. Quanto à terceira fase,
nela é desenvolvido o tratamento dos resultados nas quais inferências podem ser feitas
e para qual interpretação os dados apontam, com uma análise que pode ser reflexiva e
crítica.
Considerando a relevância da confiabilidade de uma pesquisa, Bauer e
Gaskell afirmam que a validade da análise de conteúdo deve ser julgada não contra uma
leitura verdadeira do texto, mas em sua fundamentação nos materiais pesquisados e
sua congruência com a teoria do pesquisador, tendo em vista o objetivo de pesquisa68.
Na busca pela validação dos resultados da pesquisa, empregou-se o software N
Vivo 10, que facilita a análise de conteúdo. O uso de tecnologias pode contribuir para
facilitar as análises. No entanto, a relevância da seleção dos materiais coletados deve
ser incumbência do pesquisador, já que o programa computacional é apenas uma
ferramenta. Os dados analisados também proporcionaram alguns dados quantitativos
para determinadas categorias.
Os questionários abertos e os relatórios do gestor da Secretaria de Saúde da
Prefeitura Municipal de Amparo e dos preceptores da residência do PSF da Unicamp
4. RESULTADOS
4.1 Questionário “Avaliação do cuidado compartilhado em
dermatologia”
Foram analisadas as respostas fornecidas pelos oito médicos de formação
geral e oito residentes do PSF que participaram do estudo. Os dados encontram-se nos
Quadro 1. Panorama geral: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais
Médicos não dermatologistas Residentes Total p
(N=8) (N=8) (N=16)
Como considero a ferramenta do CC
Bom 3 (37,5%) 2 (25,0%) 5 (31,3%) 1.00³
Excelente 5 (62,5%) 6 (75,0%) 11 (68,8%)
Como considero o CC em
dermatologia efetuado em Amparo
Bom 2 (25,0%) 3 (37,5%) 5 (31,3%) NC
Excelente 6 (75,0%) 5 (62,5%) 11 (68,8%)
Como considero a divulgação
do CC na UBS para a equipe
Regular 3 (37,5%) 0 (0,0%) 3 (18,8%) NC
Bom 4 (50,0%) 8 (100,0%) 12 (75,0%)
Excelente 1 (12,5%) 0 (0,0%) 1 (6,3%)
Como imagino que os pacientes
considerem o CC em dermatologia
Regular 1 (12,5%) 0 (0,0%) 1 (6,3%) NC
Bom 5 (62,5%) 1 (12,5%) 6 (37,5%)
Excelente 2 (25,0%) 7 (87,5%) 9 (56,3%)
Como a equipe da UBS se engajou
com o CC em dermatologia
Regular 3 (37,5%) 4 (50,0%) 7 (43,8%) NC
Bom 3 (37,5%) 4 (50,0%) 7 (43,8%)
Excelente 2 (25,0%) 0 (0,0%) 2 (12,5%)
Como considero meu aprendizado
com o CC em dermatologia
Bom 8 (100,0%) 4 (50,0%) 12 (75,0%) 0.077³
Excelente 0 (0,0%) 4 (50,0%) 4 (25,0%)
³: baseado no teste exato de Fisher
NC: não calculado devido à baixa
Quadro 2. Relevância de modificações para melhoria do CC: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais
Médicos não dermatologistas Residentes Total p
(N=8) (N=8) (N=16)
Seria necessário aumentar
o volume de pacientes
Irrelevante ou pouco relevante 2 (25,0%) 4 (50,0%) 6 (37,5%) NC
Relevante 4 (50,0%) 4 (50,0%) 8 (50,0%)
Relevante e necessário 2 (25,0%) 0 (0,0%) 2 (12,5%)
Deveria haver mais CC em minha
UBS
Pouco relevante 1 (12,5%) 1 (12,5%) 2 (12,5%) NC
Relevante 5 (62,5%) 5 (62,5%) 10 (62,5%)
Relevante e necessário 2 (25,0%) 2 (25,0%) 4 (25,0%)
Mais profissionais da UBS
deveriam participar
Irrelevante ou pouco relevante 3 (37,5%) 0 (0,0%) 3 (18,8%) 0,046³
Relevante 0 (0,0%) 3 (37,5%) 3 (18,8%)
Relevante e necessário 5 (62,5%) 5 (62,5%) 10 (62,5%)
A divulgação para separação dos
casos deveria ser realizada com
maior antecedência
Irrelevante ou pouco relevante 3 (37,5%) 3 (37,5%) 6 (37,5%) 0,60³
Relevante 1 (12,5%) 3 (37,5%) 4 (25,0%)
Relevante e necessário 4 (50,0%) 2 (25,0%) 6 (37,5%)
Os profissionais que não participem
do CC não poderiam separar
pacientes
Irrelevante ou pouco relevante 4 (50,0%) 5 (62,5%) 9 (56,3%) NC
Relevante 0 (0,0%) 2 (25,0%) 2 (12,5%)
Relevante e necessário 4 (50,0%) 1 (12,5%) 5 (31,3%)
Poderíamos realizar mais
procedimentos no CC
Pouco relevante 1 (12,5%) 4 (50,0%) 5 (31,3%) 0,13³
Relevante 4 (50,0%) 4 (50,0%) 8 (50,0%)
Relevante e necessário 3 (37,5%) 0 (0,0%) 3 (18,8%)
Poderia haver mais reuniões
de conteúdo teórico
Pouco relevante 0 (0,0%) 6 (75,0%) 6 (37,5%) 0,013³
Relevante 3 (37,5%) 1 (12,5%) 4 (25,0%)
Relevante e necessário 5 (62,5%) 1 (12,5%) 6 (37,5%)
³: baseado no teste exato de Fisher
NC: não calculado devido à baixa
Quadro 3. Melhoria dos atendimentos no ambulatório de atenção secundária: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais
Médicos não dermatologistas Residentes Total p
(N=8) (N=8) (N=16)
Aumentar o envolvimento de todos
os profissionais médicos da UBS
Talvez 1 (12,5%) 0 (0,0%) 1 (6,3%) NC
Verdadeiro 7 (87,5%) 8 (100,0%) 15 (93,8%)
Fornecer uma escala de urgência de
dermatoses que fosse padronizada
Falso 1 (12,5%) 0 (0,0%) 1 (6,3%) NC
Talvez 1 (12,5%) 0 (0,0%) 1 (6,3%)
Verdadeiro 6 (75,0%) 8 (100,0%) 14 (87,5%)
Os profissionais que tivessem
participado do CC terem prioridade
no encaminhamento dos pacientes
Falso 2 (25,0%) 1 (12,5%) 3 (18,8%) 0,67³
Talvez 3 (37,5%) 5 (62,5%) 8 (50,0%)
Verdadeiro 3 (37,5%) 2 (25,0%) 5 (31,3%)
³: baseado no teste exato de Fisher
NC: não calculado devido à baixa
Quadro 4. Temas para discussão e grau de necessidade: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais
Médicos não dermatologistas Residentes Total p
(N=8) (N=8) (N=16) Micoses superficiais Pouco necessário 1 (12,5%) 0 (0,0%) 1 (6,3%) NC Intermediário 3 (37,5%) 6 (75,0%) 9 (56,3%) Muito necessário 4 (50,0%) 2 (25,0%) 6 (37,5%) Alterações ungueais Intermediário 2 (25,0%) 4 (50,0%) 6 (37,5%) 0,61³ Muito necessário 6 (75,0%) 4 (50,0%) 10 (62,5%) Acne Pouco necessário 1 (12,5%) 0 (0,0%) 1 (6,3%) NC Intermediário 4 (50,0%) 5 (62,5%) 9 (56,3%) Muito necessário 3 (37,5%) 3 (37,5%) 6 (37,5%) Psoríase Pouco necessário 0 (0,0%) 3 (37,5%) 3 (18,8%) 0,060³ Intermediário 1 (12,5%) 3 (37,5%) 4 (25,0%) Muito necessário 7 (87,5%) 2 (25,0%) 9 (56,3%)
Diagnóstico diferencial entre
neoplasias benignas e malignas
Pouco necessário 0 (0,0%) 1 (12,5%) 1 (6,3%) NC Intermediário 1 (12,5%) 0 (0,0%) 1 (6,3%) Muito necessário 7 (87,5%) 7 (87,5%) 14 (87,5%) Doenças sexualmente transmissíveis Intermediário 4 (50,0%) 2 (25,0%) 6 (37,5%) 0,61³ Muito necessário 4 (50,0%) 6 (75,0%) 10 (62,5%) Estratificação de dermatoses de encaminhamento de urgência Pouco necessário 1 (12,5%) 1 (12,5%) 2 (12,5%) NC Intermediário 1 (12,5%) 2 (25,0%) 3 (18,8%) Muito necessário 6 (75,0%) 5 (62,5%) 11 (68,8%) Lesões elementares Intermediário 3 (37,5%) 4 (50,0%) 7 (43,8%) 1,00³ Muito necessário 5 (62,5%) 4 (50,0%) 9 (56,3%) Dermatoses pediátricas Pouco necessário 1 (12,5%) 0 (0,0%) 1 (6,3%) NC Intermediário 4 (50,0%) 3 (37,5%) 7 (43,8%) Muito necessário 3 (37,5%) 5 (62,5%) 8 (50,0%)
Dermatoses virais e bacterianas
Pouco necessário 0 (0,0%) 1 (12,5%) 1 (6,3%) NC
Intermediário 3 (37,5%) 5 (62,5%) 8 (50,0%)
Urticária Intermediário 4 (50,0%) 5 (62,5%) 9 (56,3%) 1,00³ Muito necessário 4 (50,0%) 3 (37,5%) 7 (43,8%) Alopecias Pouco necessário 1 (12,5%) 1 (12,5%) 2 (12,5%) NC Intermediário 2 (25,0%) 6 (75,0%) 8 (50,0%) Muito necessário 5 (62,5%) 1 (12,5%) 6 (37,5%)
³: baseado no teste exato de Fisher
NC: não calculado devido a baixa
frequência de respostas
Quadro 5. Temas para discussão e grau de necessidade em ordem decrescente
Temas Pouco necessário Intermediário Muito necessário
Neoplasias benignas x malignas 1 (6,3%) 1 (6,3%) 14 (87,5%) Estratificação de dermatoses de urgência 2 (12,5%) 3 (18,8%) 11 (68,8%)
Alterações ungueais 0 (0,0%) 6 (37,5%) 10 (62,5%)
Doenças sexualmente transmissíveis 0 (0,0%) 6 (37,5%) 10 (62,5%)
Psoríase 3 (18,8%) 4 (25,0%) 9 (56,3%)
Lesões elementares 0 (0,0%) 7 (43,8%) 9 (56,3%)
Dermatoses pediátricas 1 (6,3%) 7 (43,8%) 8 (50,0%)
Dermatoses virais e bacterianas 1 (6,3%) 8 (50,0%) 7 (43,8%)
Urticária 0 (0,0%) 9 (56,3%) 7 (43,8%)
Micoses superficiais 1 (6,3%) 9 (56,3%) 6 (37,5%)
Acne 1 (6,3%) 9 (56,3%) 6 (37,5%)
Alopecias 2 (12,5%) 8 (50,0%) 6 (37,5%)
Num panorama geral, o CC em dermatologia efetuado em Amparo foi
considerado como excelente por residentes do PSF e médicos de formação geral. Ambos
os grupos também afirmaram que o resultado foi positivo aos pacientes. A divulgação
do CC para as equipes e o aprendizado foram considerados como bons. Para melhoria
do CC, os médicos sugeriram aumentar o engajamento das equipes e dos profissionais,
expandir o volume de pacientes atendidos, promover mais encontros de ApM e
estimular a realização de maior quantidade de procedimentos. Também colocaram
essas temáticas, não houve diferença estatisticamente significativa entre médicos não
dermatologistas e residentes do PSF.
De acordo com os dados encontrados, houve diferença estatisticamente
significativa (p= 0,046) sobre se mais profissionais da unidade deveriam participar do
CC, em que os médicos não dermatologistas se dividiram 37,5% em irrelevante ou pouco
relevante e 62,5% acharam relevante e necessário e entre os residentes 37,5 % acharam
relevante e 62,5% acharam relevante e necessário. A segunda questão em que houve
diferença estatisticamente significativa (p= 0,013) foi sobre haver mais reuniões de
conteúdo teórico, no qual os médicos não dermatologistas acharam que era relevante
(37,5%) ou relevante e necessário (62,5%) e os residentes se dividiram entre pouco
relevante (75%), relevante (12,5%) e relevante e necessário (12,5%).
Os temas que foram considerados mais relevantes pelos 16 médicos foram
o diagnóstico diferencial entre neoplasias benignas e malignas, a estratificação dos
encaminhamentos de urgência, as alterações ungueais, as doenças sexualmente
transmissíveis (DST), a psoríase, a caracterização das lesões elementares e as
dermatoses pediátricas. Já a abordagem de micoses superficiais, a acne, as dermatoses
virais e bacterianas, a urticária e as alopecias foram considerados temas de
intermediária necessidade de revisão.
4.2 Questionário “Avaliação do impacto do cuidado
compartilhado”
Para análise estatística quantitativa, as respostam foram categorizadas. Os
dados coletados no questionário encontram-se resumidos no quadro 6.
Quadro 6. Impacto do CC: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais
Médicos não dermatologistas Residentes Total p
(N=8) (N=8) (N=16)
Como você avalia sua atividade com
dermatoses antes do CC
Incompleta 5 (62,5%) 8 (100,0%) 13 (81,3%) 0,20³
Razoável ou boa 3 (37,5%) 0 (0,0%) 3 (18,8%)
Como você avalia sua atividade com
dermatoses após o CC
Pouca melhora 1 (12,5%) 1 (12,5%) 2 (12,5%) NC
Muita melhora 7 (87,5%) 7 (87,5%) 14 (87,5%)
Como você avalia o desempenho
dos dermatologistas matriciadores
Muito bom 8 (100,0%) 8 (100,0%) 16 (100,0%) NC
Como você avalia o resultado do CC
Positivo 8 (100,0%) 8 (100,0%) 16 (100,0%) NC
³: baseado no teste exato de Fisher
NC: não calculado devido à baixa
frequência de respostas
A maioria dos residentes e médicos não dermatologistas no estudo
considerarou seu desempenho frente às dermatoses antes do CC como incompletas e
que, após o CC, houve muita melhora. Avaliaram, ainda, o desempenho dos
dermatologistas matriciadores como excelente.
A partir das respostas dos sujeitos da pesquisa e , através da metodologia de
análise de conteúdo, duas categorias principais foram criadas: dermatologia e CC. Os
dados qualitativos, quando analisados pelo programa computacional N Vivo 10,
proporcionaram alguns dados quantitativos para cada uma das grandes categorias.
Sobre a categoria dermatologia, verificou-se que aprendizado, avaliação em
dermatoses e sistematização de temas foram as principais subcategorias levantadas (gráfico 1).
Gráfico 1. Subcategorias da dermatologia
Da análise qualitativa, a primeira categoria levantada foi a dermatologia.
Nela, foram representadas as subcategorias com seus respectivos comentários:
Aprendizado 0 1 2 3 4 Sistematização de temas Avaliação em dermatoses Aprendizado Aspectos comentados
- O aprendizado na prática com os pacientes é melhor;
- O aprendizado parece ser melhor elaborado quando feito com os próprios
pacientes do médico em questão;
- Existe a necessidade de educação médica continuada.
Avaliação em dermatoses
- O encaminhamento para dermatologistas era mais frequente;
- No futuro, as demandas para o especialista podem ser reduzidas;
- Sempre tive dificuldade com dermatoses;
- A variedade de diagnósticos diferenciais era limitada.
Sistematização de temas
- Alguns temas deveriam ser revistos de maneira mais sistematizada.
Quanto à categoria do CC, as subcategorias criadas foram antes do CC, após
Gráfico 2. Subcategorias do CC
Da análise qualitativa, a segunda categoria levantada foi o CC. Nela, foram
representadas as seguintes subcategorias com seus respectivos comentários:
Antes do CC
- Conhecimento técnico mediano e prático defasado;
- O potencial para diagnóstico diferencial era menor;
- Anteriormente ao CC, havia menos autonomia para resolver os casos de
dermatoses seja do ponto de vista clínico ou cirúrgico.
- Atuação restrita e pouco resolutiva;
- Era comum ter muitas dúvidas nos casos dermatológicos;
- Os conhecimentos adquiridos na graduação eram superficiais e pouco
0 1 2 3 4 5 6 7
Desempenho dos matriciadores Avaliação do CC Após o CC Antes do CC
práticos, não refletindo a prevalência das dermatoses mais comuns.
- Não realizava nenhum tipo de procedimento antes do CC e, na maioria das
vezes, encaminhava ao especialista.
Após o CC
- Ainda há dificuldade com dermatoses;
- É possível efetuar diagnósticos e tratamentos mais precisos, além de
procedimentos;
- Após o CC, ganha-se maior segurança para conduzir casos dermatológicos;
- Melhora com relação ao diagnóstico diferencial;
- Maior segurança para realizar procedimentos.
Avaliação do CC
- Um dos estágios mais proveitosos da residência do PSF da Unicamp; - Uma boa ferramenta de aprendizado para os médicos de formação geral; - Resolução das problemáticas e capacitação para atender casos semelhantes;
- No ambulatório de atenção secundária, foi adequado o volume de pacientes atendidos;
- Resultado positivo, necessitando haver continuidade. Desempenho dos matriciadores
- Boa didática, conseguindo transmitir seus conhecimentos de maneira acessível;
- Desempenho excelente, tanto do ponto de vista técnico, como pedagógico e de empenho;
- Efetuaram o CC de forma coerente com o que é vivenciado na atenção básica, sem tratamentos de alta complexidade aos pacientes;
- Ciência de que não estavam preceptorando residentes de dermatologia e sim médicos de formação geral e levavam essa particularidade em consideração.
4.3 Questionário “Casos clínicos”
Para análise estatística quantitativa, as respostam foram categorizadas em
“encaminhamento ao especialista”, “encaminhamento ao especialista após conduta
inicial na USF” e “conduta integral efetuada na USF”.
Os dados coletados no questionário encontram-se resumidos nos quadros
7, 8, 9 e 10.
Quadro 7. Queratoses actínicas: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais
Médicos não dermatologistas Residentes Total
(n=8) (n=8) (n=16) Pré CC Pós CC Pré CC Pós CC Pré CC Pós CC Enc 6 (75,0%) 0 (0,0%) 6 (75,0%) 0 (0,0%) 12 (75,0%) 0 (0,0%) Enc pós UBS 2 (25,0%) 3 (37,5%) 2 (25,0%) 1 (12,5%) 4 (25,0%) 4 (25,0%) Conduta UBS 0 (0,0%) 5 (62,5%) 0 (0,0%) 7 (87,5%) 0 (0,0%) 12 (75,0%) p (pré CC): 1,00³ p (pós CC): 0,57³ Legenda:
Enc: encaminhamento ao especialista
Enc pós UBS: encaminhamento ao especialista após conduta inicial na UBS Conduta UBS: conduta integralmente dada na UBS
Quadro 8. Melanoma: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais
Médicos não
dermatologistas Residentes Total
(n=8) (n=8) (n=16)
Pré CC Pós CC Pré CC Pós CC Pré CC Pós CC
Enc 8 (100,0%) 3 (37,5%) 6 (75,0%) 5 (62,5%) 14 (87,5%) 8 (50,0%) Enc pós UBS 0 (0,0%) 5 (62,5%) 1 (12,5%) 3 (37,5%) 1 (6,3%) 8 (50,0%) Conduta UBS 0 (0,0%) 0 (0,0%) 1 (12,5%) 0 (0,0%) 1 (6,3%) 0 (0,0%) p (pré CC): não calculado devido à baixa frequência de respostas
p (pós CC): 0,62³
Legenda:
Enc: encaminhamento ao especialista
Enc pós UBS: encaminhamento ao especialista após conduta inicial na UBS Conduta UBS: conduta integralmente dada na UBS
³: baseado no teste exato de Fisher
Quadro 9. Eczema de estase: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais
Médicos não dermatologistas Residentes Total
(n=8) (n=8) (n=16)
Pré CC Pós CC Pré CC Pós CC Pré CC Pós CC
Enc 5 (62,5%) 0 (0,0%) 3 (37,5%) 0 (0,0%) 8 (50,0%) 0 (0,0%) Enc pós UBS 0 (0,0%) 0 (0,0%) 1 (12,5%) 2 (25,0%) 1 (6,3%) 2 (12,5%) Conduta UBS 3 (37,5%) 8 (100,0%) 4 (50,0%) 6 (75,0%) 7 (43,8%) 14 (87,5%) p (pré CC): não calculado devido à baixa frequência de respostas
p (pós CC): não calculado devido à baixa frequência de respostas
Legenda:
Enc: encaminhamento ao especialista
Enc pós UBS: encaminhamento ao especialista após conduta inicial na UBS Conduta UBS: conduta integralmente dada na UBS
Quadro 10. Hanseníase: análise descritiva e comparações entre os tipos de profissionais
Médicos não dermatologistas Residentes Total
(n=8) (n=8) (n=16)
Pré CC Pós CC Pré CC Pós CC Pré CC Pós CC
Enc 8 (100,0%) 2 (25,0%) 6 (75,0%) 0 (0,0%) 14 (87,5%) 2 (12,5%) Enc pós UBS 0 (0,0%) 5 (62,5%) 2 (25,0%) 5 (62,5%) 2 (12,5%) 10 (62,5%) Conduta UBS 0 (0,0%) 1 (12,5%) 0 (0,0%) 3 (37,5%) 0 (0,0%) 4 (25,0%) p (pré CC): não calculado devido à baixa frequência de respostas
p (pós CC): não calculado devido à baixa frequência de respostas
Legenda:
Enc: encaminhamento ao especialista
Enc pós UBS: encaminhamento ao especialista após conduta inicial na UBS Conduta UBS: conduta integralmente dada na UBS
O quadro 11 resume o padrão de encaminhamento antes e após o CC
agrupando residentes e médicos não dermatologistas.
Quadro 11. Casos clínicos: análise do padrão de encaminhamento antes e após o CC
Encaminhamento Encaminhamento Conduta dada ao especialista após conduta inicial na UBS integralmente na UBS Queratoses actínicas Pré CC 12 (75,0%) 4 (25,0%) 0 (0,0%) Após CC 0 (0,0%) 4 (25,0%) 12 (75,0%) Melanoma Pré CC 14 (87,5%) 1 (6,3%) 1 (6,3%) Após CC 8 (50,0%) 8 (50,0%) 0 (0,0%) Eczema de estase Pré CC 8 (50,0%) 1 (6,3%) 7 (43,8%) Após CC 0 (0,0%) 2 (12,5%) 14 (87,5%) Hanseníase Pré CC 14 (87,5%) 2 (12,5%) 0 (0,0%) Após CC 2 (12,5%) 10 (62,5%) 4 (25,0%)
Nas questões clínicas sobre queratose actínica e eczema de estase, após o
CC, a maior parte dos entrevistados teria fornecido conduta integral perante essas
dermatoses. Já para o melanoma, somente uma parte dos avaliados teria alterado sua
conduta diante do diagnóstico após o CC em dermatologia. No caso da hanseníase, a
maior parte dos residentes e médicos de formação geral teria alterado a conduta para
algumas medidas iniciais antes do encaminhamento ao dermatologista, mas ainda assim
teriam encaminhado o paciente.
4.4 Relatório da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de
Amparo e dos preceptores da residência do Programa Saúde da Família da
Unicamp
As falas dos gestores e tutores foram objeto de análise de conteúdo
Gráfico 3 - Avaliação de gestores e tutores acerca do CC em Amparo
Aprendizado
- Ganho em aprendizado nessa especialidade;
- Quanto ao processo pedagógico, a maioria das atividades se deu em nível
secundário num primeiro momento.
Benefícios
- Para os usuários, o benefício talvez tenha sido o maior de todos;
- Gerou atendimento especializado de alta qualidade;
- A universidade esteve na retaguarda garantindo acesso a critérios e
protocolos bem estabelecidos;
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 As p ec to s co men ta d o s
- Os pacientes, quando se deparam com a prática do ApM, externam maior
segurança ao experimentarem a proximidade do especialista junto ao seu médico de
referência e coordenador do cuidado, resultando em maior grau de satisfação;
- Os dermatologistas foram bastante comprometidos com a rede de saúde
de Amparo e com a residência do PSF da Unicamp;
- O CC foi uma experiência fundamental.
Conhecimento
- Grande ganho de conhecimento teórico e principalmente prático;
- A troca de experiências e saberes agrega conhecimento;
- Os matriciadores atuaram evidenciando competência para o exercício das
habilidades e conhecimentos relacionados à especialidade em questão. Dificuldades
- O projeto do CC em Amparo não teve continuidade;
- Pelo especialista, houve dificuldade quando do atendimento nas USF pois,
em diversas ocasiões, parte dos profissionais se ausentava dos encontros do ApM já que
a unidade também tem outras demandas de pronto-atendimento;
- Alguns profissionais da atenção básica necessitam de sensibilização quanto
a esta metodologia para a eficácia do processo;
- Houve momentos para trocar informações e experiências com os
dermatologistas.
Experiências compartilhadas
- Os dermatologistas acrescentaram muito aos residentes por sua