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Bem-estar animal e posse responsável no contexto da sociedade brasileira

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Academic year: 2021

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1 BEM-ESTAR ANIMAL E POSSE RESPONSAVEL NO CONTEXTO DA SOCIEDADE BRASILEIRA.

1-Rafael Caetano. 2-Carolina Hoeller Da Silva Boeing.

Resumo: Este artigo é um desdobramento sobre a temática do Bem-estar animal e da posse responsável envolvendo cães e gatos na saúde pública. Esta pesquisa tem a intensão de apresentar, através de pesquisas bibliográficas a importância do Bem-estar animal em um contexto da sociedade brasileira no sentido de proteção aos animais relacionando ao Serviço Social.

Palavras-chave: Bem-Estar animal, Posse Responsável, Políticas Públicas, Serviço Social.

Abstract: This article is an unfolding about the topical of animal welfare and responsible tenure involving cats and dogs in public health. This research has the intension to present, through a bibliographic research the importance of animal welfare and responsible tenure in a context of the Brazilian society in the sense of animal protection relating to Social Service.

Key words: Animal welfare- Responsible tenure- Public policies- Social Service.

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2 Inicialmente é fundamental definirmos os conceitos de posse responsável e Bem-estar animal. Na discussão do Bem-Bem-estar animal a definição do próprio conceito constitui o primeiro desafio do tema, dada à complexidade do assunto observada entre os cientistas que atuam na área. Segundo Hughes (1982), o Bem-estar animal corresponde a um estado onde o animal está em harmonia com a natureza ou com o seu ambiente. Hurnik (1992) adicionou a ideia de que o Bem-estar animal significa uma alta qualidade de vida do animal, defendendo que um ótimo funcionamento biológico do organismo ocorre somente quando a sua vida está identificada ou alinhada com o ambiente, reiterando que este cenário denomina-se estado de harmonia. O Bem-estar animal está associado a sobrevivência e saúde do animal, lesões, doenças, subnutrição e estresse (HURNIK 1992).

Na abordagem de Almeida (2014), pode-se entender como posse responsável, uma série de idéias que ajudam os donos e responsáveis por animais a compreender suas necessidades. De acordo com o autor supracitado a questão da posse responsável de animais domésticos é uma das mais urgentes construções jurídicas do Direito Ambiental. Ainda segundo o autor visto a crescente demanda que se tem verificado nas sociedades, pois a urbanização cada vez mais crescente vem suplantando hábitos coletivos entre os indivíduos que, isolados em seus lares, tem constituído fortes laços afetivos com algumas espécies, como é o caso dos cães e gatos, transformando-os em verdadeiros entes familiares.

O autor relata, porém que esse relacionamento nem sempre foi ético e ambientalmente correto. No cotidiano, observam-se muitas arbitrariedades praticadas pelo homem que aniquilam a dignidade desses seres geralmente indefesos, ao promover toda sorte de maus-tratos e crueldade, ou então, adestram-nos para se tornarem violentos e, assim, portá-los como se arma fosse, quando não os abandona a toda sorte de riscos, transformando-os em vítimas inocentes e vetores de doenças, afetando, inclusive, a saúde pública (ALMEIDA, 2014).

Neste contexto, este artigo tratará de temas como: Bem-estar animal, posse

responsável no contexto da sociedade Brasileira. O interesse pelo tema veio da experiência do autor desenvolvida em estágio curricular obrigatório no curso de Serviço Social nos

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3 anos de 2018 e 2019. Ao animais são vítimas da sociedade brasileira e tem seus direitos defasados por falta de protecionismo do estado (GALVÃO, 2010).

2-Bem-estar animal e posse responsável envolvendo animais de estimação, (Cães e gatos).

Segundo a abordagem de Negrão (2013) as questões relativas às condições de Bem-Estar dos animais, durante os últimos anos num contexto de realidade Brasileira, têm sido abordadas com mais intensidade em razão do questionamento social em relação às formas de exploração animal sob a ótica industrial que visa a produtividade das espécies em série sem atentar para o sofrimento animal. O autor define que o Bem-estar animal é uma ciência que está sendo construída e defende que, o Bem-estar animal não deve estar restrito aos animais de produção, mas sim devem ser estendidos para alcançar a todos os animais sem distinção.

No caso desta pesquisa, o Bem-estar dos animais domésticos é posto em evidência, por serem os animais mais próximos do dia-a-dia dos seres humanos, presentes nos lares na forma de companhia inclusive como membros da família. O Bem-estar animal é tema recorrente na sociedade atual e que desperta o interesse dos profissionais que lidam com animais, bem como o desejo social de programas e políticas em favor destes, além de maior rigor no cumprimento das leis protetivas, (NEGRÃO, 2013).

Segundo Santana et al (2004), posse responsável é a condição na qual o guardião de um animal de companhia aceita e se compromete a assumir uma série de deveres centrados nas necessidades físicas, psicológicas e ambientais de seu animal, assim como, prevenir os riscos (potencial de agressão, transmissão de doenças ou danos a terceiros) que seu animal possa causar à comunidade ou ao ambiente, como interpretado pela legislação vigente.

A violência contra animais é constante na sociedade humana que desconhece ou ignora a dignidade animal, na qualidade de ser que sente, sofre, tem necessidades e direitos (SANTANA et al. 2004). Tal atitude humana é proveniente da pretensa superioridade de que este se atribui, ou seja, um fenômeno cultural que Peter Singer denomina como

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4 “especismo”, que é conceituado pelo: Como sendo um preconceito ou atitude tendenciosa em favor dos interesses dos membros de sua própria espécie e contra os de outras espécies ou seja, demonstra a resistência do ser humano em reconhecer a sua natureza animal, assim como considerar os demais seres vivos como passíveis de apropriação e domínio (SINGER, 2004).

A falta de planejamento orientada sob os princípios da posse responsável acarreta vários fatores, dentre eles a compra impulsiva de animais, estimulada por comerciantes que os expõe como mercadorias, essa relação de consumo, muitas vezes, não desperta o vínculo afetivo que deve nortear a relação entre homem e animal, fazendo com que as pessoas acabem descartando seus animais de estimação, por se tornarem desinteressantes após a empolgação inicial (SANTANA et al., 2004).

A seguir iremos abordar os principais temas referentes aos maus-tratos aos animais e o impacto destas ações para a sociedade:

2.1 Abandono.

Na abordagem de Castaneda et al, (2001) como consequência do abandono, a densidade populacional de animais errantes, vulgarmente denominados “vira-latas”, alcança números incalculáveis nas ruas das grandes cidades. Um dos principais problemas oriundos da superpopulação desses animais decorre de os mesmos estarem expostos a todo tipo de doenças, intempéries e perigos, sendo vítimas de várias zoonoses, doenças carências e mutilações, constituindo um sério problema de saúde pública. Essa problemática é agravada em virtude do acelerado grau de reprodução e proliferação desses animais (CASTANEDA ET AL, 2010).

Segundo Santana et al (2004) a guarda irresponsável de animais de companhia resulta no abandono em avenidas, parques, imediações de clínicas veterinárias e outros espaços públicos. Os proprietários também deixam seus animais nos centros de zoonoses, mesmo sendo informados que o animal poderá, futuramente, ser submetido à eutanásia. O abandono de animais têm graves consequências e representa sofrimento para os animais

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5 abandonados; perigo para a saúde pública; aumento dos gastos públicos e a superlotação em ONGs. O risco sanitário ocasionado pela superpopulação de animais errantes, formada pela rápida reprodução de animais abandonados, chama a atenção do Estado que vem tentando atuar de forma a prevenir o abandono (SANTANA et al, 2004).

2.2 Maus-tratos.

Roothbard, (2010) concorda que o crime de maus-tratos aos animais possui ligação com a filosofia libertária. Essa filosofia se funda no princípio da não agressão. Segundo Roothbard (2010) esse princípio ético propõe que não deve haver nenhum tipo de agressão ou violação ao direito à vida, a liberdade e a propriedade. O autor supracitado relata que essa filosofia libertária compreende que somente ao homem são conferidos direitos em razão de sua capacidade individual de escolha consciente, necessidade de utilização da mente e da energia para a adoção de objetivos e valores para fins de alcançar sobrevivência e prosperidade por meio de sua capacidade de comunicação e interação com outros seres humanos (ROTHBARD, 2010).

Já para Singer (2004), o utilitarismo é uma doutrina ética que tem como fundamento o Bem-estar máximo. Segundo o cálculo utilitarista deve incluir todos os seres dotados de sensibilidade, incluindo os animais. Singer (2004) reconhece que a não inclusão dos animais seria uma forma de especismo, preconceito de espécie. Singer (2004) considera que o fundamental em filosofia moral não é a capacidade de raciocinar ou falar, mas simplesmente a capacidade de sofrer. Ou seja, a capacidade de sentir dor é condição suficiente para que um ser seja levado em consideração em questões morais, (SINGER 2004).

Capez (2007) afirma que os maus-tratos aos animais domésticos é uma preocupação do mundo moderno, que tem na preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida (art. 2º da Lei nº 6.938/81 - Política Nacional de Meio Ambiente), os pilares fundamentais da sociedade. Acerca do conceito de maus-tratos, Capez (2007) ensina que não consiste em bater, espancar, ou ainda manter o animal em lugar sujo,

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6 inadequado, sem comida e água. Cita ainda que o dolo é subjetivo, pois consiste na vontade livre e consciente do indivíduo praticar os atos de maus-tratos. (CAPEZ, 2007).

De acordo com Galvão (2010) maus-tratos é o ato de submeter alguém a tratamento cruel, trabalhos forçados e/ou privação de alimentos ou cuidados. Esses são praticados pelas pessoas por motivos que envolvem aspectos culturais, sociais e psicológicos, sendo muitas vezes praticado sem a consciência de que tal ato é prejudicial (GALVÃO, 2010).

2.3 Transmissões de doenças.

Castaneda et al (2001) propõe que apesar da evidência de que o Bem-estar dos cães de rua pode ser aceitável em algumas ocasiões. A situação mais frequente caracteriza-se por condições de saúde física e mental deficientes, agravadas pela maior suscetibilidade a estados de sofrimento e exposição a maus- tratos (CASTAÑEDA et al, 2001).

Almeida (2014) relata, porém que esse relacionamento nem sempre foi ético e ambientalmente correto. No cotidiano, observam-se muitas arbitrariedades praticadas pelo homem que aniquilam a dignidade desses seres geralmente indefesos, ao promover toda sorte de maus-tratos e crueldade, ou então, adestram-nos para se tornarem violentos e, assim, portá-los como se arma fosse, quando não os abandona a toda sorte de riscos, transformando-os em vítimas inocentes e vetores de doenças, afetando, inclusive, a saúde pública.

O autor relata, porém que esse relacionamento nem sempre foi ético e ambientalmente correto. No cotidiano, observam-se muitas arbitrariedades praticadas pelo homem que aniquilam a dignidade desses seres geralmente indefesos, ao promover toda sorte de maus-tratos e crueldade, ou então, adestram-nos para se tornarem violentos e, assim, portá-los como se arma fosse, quando não os abandona a toda sorte de riscos, transformando-os em vítimas inocentes e vetores de doenças, afetando, inclusive, a saúde pública (ALMEIDA, 2014).

O autor relata que com o estreito convívio dos seres humanos e os animais, deve-se estar atento ao risco de zoonoses transmitidas, assim como, ter o conhecimento dessas

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7 zoonoses, realizar a prevenção, garantindo assim, melhores condições de saúde a todos. A transmissão das zoonoses pode ocorrer através do contato direto com os animais infectados ou, através de alimentos e água contaminados. Ocorre devido, a ausência de medidas simples de controle sanitário e populacional de animais. Segundo o autor dentre as zoonoses mais comuns transmitidas por animais de companhia, se destacam micoses, Sarna Sarcóptica causada por ácaro, pulgas, Ancilostomose, Toxocaríase, Teníase, Brucelose entre outras.

A seguir vamos abordar os aspectos metodológicos da pesquisa: tipo de estudo e objeto da pesquisa.

3- Aspectos metodológicos da pesquisa: tipo de estudo e objeto de pesquisa.

Este artigo foi elaborado através de uma pesquisa bibliográfica. Segundo Gil (2007) a pesquisa bibliográfica se da a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites.

O objeto de pesquisa é o Bem-estar animal e a posse responsável no contexto da sociedade brasileira. A seguir iremos contemplar a apresentação dos resultados envolvendo legislações e políticas públicas junto a procedimentos de regulamentação em um contexto da sociedade brasileira.

4- Apresentação dos resultados:

4.1 Legislações e políticas públicas relacionadas ao Bem-Estar Animal e Posse Responsável num contexto da sociedade brasileira.

Rothbard (2010) relata que o conhecimento acerca da legislação sobre os maus-tratos com animais é de extrema importância para uma possível prevenção contra os abusos cometidos a esses. Segundo Rothbard (2010) a falta de conhecimento da população sobre os direitos dos animais implica na ausência de reivindicação de direitos junto às autoridades

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8 públicas. O autor ainda afirma que a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, §1º, inciso VII, reconhece que os animais são seres vivos dotados de direitos, impondo a sociedade e ao Estado o dever de respeitar a vida, a liberdade corporal e a integridade física deles, além de proibir expressamente as práticas que provoquem a extinção ou submetam à crueldade, qualquer animal.

A abordagem acerca das legislações protetivas dos animais adquire importância de cunho interdisciplinar abarcando os direitos dos animais em todos os aspectos, incluindo também a saúde pública sendo que crimes de maus-tratos aos animais possui ligação com a filosofia libertária (ROTHBARD, 2010).

A filosofia de Rothbard (2010) se funda no princípio da não agressão. Esse princípio ético propõe que não deve haver nenhum tipo de agressão ou violação ao direito à vida, a liberdade e a propriedade. Rothbard (2010) propõe que essa filosofia libertária compreende que somente ao homem são conferidos direitos em razão de sua capacidade individual de escolha consciente, necessidade de utilização da mente e da energia para a adoção de objetivos e valores para fins de alcançar sobrevivência e prosperidade por meio de sua capacidade de comunicação e interação com outros seres humanos (ROTHBARD, 2010).

Para Muraro e Alves (2014) ao se deparar com os maus-tratos contra os animais, a pessoa deverá imediatamente se dirigir à autoridade policial e relatar o crime para averiguação. As delegacias têm obrigação de registrar o crime; se o escrivão se recusar, o delegado de plantão deve ser acionado, e, se este for omisso, tal fato deve ser levado ao conhecimento ao Ministério Público (MURARO, ALVES, 2014).

Segundo, Galvão (2010) a Constituição Federal de 1988 reconhece que os animais têm direitos, impondo a sociedade e ao Estado o dever de proteção (art. 225, §1º, inciso VII). Seguindo esse entendimento Galvão (2010) aborda a Lei dos Crimes Ambientais (Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998) em seu art. 32 prevê sanções para os infratores ou quem praticar ato de abuso contra qualquer animal, estabelecendo o seguinte: “Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. O parágrafo 1º deste

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9 artigo disciplina que incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos”. Nos crimes previstos na Lei nº 9.605/98, a ação penal é pública e incondicionada, ou seja, qualquer cidadão poderá recorrer ao Ministério Público que é o titular da ação penal. Galvão relata que o Ministério Público ingressará com ação judicial em defesa do animal e a punição se dará com base no art. 32 da Lei dos Crimes Ambientais (GALVÃO, 2010).

Na abordagem de Rodrigues (2013) ocorre que, a pena por ser inferior a dois anos de prisão. O autor supracitado relata que o Poder Judiciário fornece penas alternativas, por exemplo, quando o infrator recupera o dano ou paga seu crédito para com a sociedade. Assim segundo Rodrigues (2013), será aplicada a Lei nº 9.099/95 (Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais). Segundo essa lei, no art. 76, é possível a aplicação da pena restritiva de direitos ou multa, se aceito pelo réu e tiver o aval do juiz. Rodrigues (2013) relata por essa razão, diz-se que a pena para quem maltrata animais, atualmente, é branda. As sanções previstas na Lei nº 9.099/95 não são hábeis à função de prevenir condutas ilícitas. A Lei dos Juizados Especiais Criminais permite a transação, o que serve de estímulo à prática de atos de maus-tratos (RODRIGUES, 2003).

Na abordagem de Almeida (2014) usar o Direito Penal para garantir a proteção efetiva do ambiente é uma premente necessidade, visto que as penalidades referentes aos maus-tratos contra animais possuem penas insuficientes para coibir tal prática. Para Gomes (2013), um fator relevante e que contribui para os maus-tratos de animais no Brasil é a falta de leis mais rigorosas para os que cometem crimes contra os animais. Segundo Gomes guardiões irresponsáveis maltratam os animais, porque sabem que, na maioria das vezes, ocorre a transação penal (a pena é convertida na prestação de serviços, pagamento de cesta básica, entre outras), uma vez que o crime de maus-tratos é considerado de baixo potencial ofensivo de acordo com a Lei Federal nº 9.099/95. Gomes (2013) relata que esses direitos devem estar positivados na legislação. Ainda segundo o autor a questão dos direitos dos animais tem grande importância, pois se os animais tiverem direitos, estes têm de ser respeitados, mesmo com encargos aos seres humanos. Gomes (2013) defende que os animais têm direitos, têm seguramente o direito de não serem mortos.

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10 Gomes (2013) defende como mecanismo jurídico de proteção, a Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985 elenca considerações a respeito da ação civil pública ambiental na efetividade da proteção ao meio ambiente, inclusive no que diz respeito aos maus-tratos com animais apenas com a Constituição Federal de 1988, que elevou o meio ambiente ao status constitucional, é que os animais passaram a ser vistos como sujeitos de direitos. Segundo Gomes (2013), a Constituição Federal de 1988 reconhece que os animais têm direitos, impondo a sociedade e ao Estado o dever de proteção (art. 225, §1º, inciso VII). Seguindo esse entendimento do autor supracitado também cita a Lei dos Crimes Ambientais (Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998) em seu art. 32 prevê sanções para os infratores ou quem praticar ato de abuso contra qualquer animal, estabelecendo o seguinte: Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. O parágrafo 1º deste artigo disciplina que Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos (GOMES, 2013).

Para Almeida (2014) a utilização do Direito Penal para garantir a proteção efetiva do meio ambiente se torna cada vez mais necessária, pois as penalidades decorrentes dos maus-tratos contra animais não são suficientes para dar fim a tal prática, visto que as normas que tratam deste tema apresentam pena irrisória em contrassenso ao caráter ilícito do fato.

4.2- O Processo de Regulação.

De acordo com Rodrigues (2008), as leis surgem para disciplinar o comportamento da sociedade de forma a determinar, regulamentar, nortear e dirigir as posturas dos indivíduos, promovendo a ordem e a harmonia dos membros de uma sociedade. Estas disposições compõem a legislação, cujo objetivo é o de regrar as condutas humanas, observando princípios éticos e morais. A responsabilidade sobre o controle da população de animais domésticos, recai, nos municípios, sobre os órgãos executores de controle de zoonoses, cujas criações e atribuições encontram-se reguladas por lei. Logo, leis municipais

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11 são instrumento de regulação de uma política ou programa descontrole animal para o município (RODRIGUES, 2008).

Para Ackel (2001) a efetividade e a eficiência de uma política pública de controle de população animal são necessário entendimento e obediência à legislação vigente; programa permanente de educação ambiental; desenvolvimento de estratégias de comunicação e informação à população; estruturação das atividades do programa pelo poder público; atendimento às prioridades pelo poder público; capacitação dos profissionais das áreas envolvidas e participação da comunidade e atuação das organizações não-governamentais. Para a efetividade e a eficiência de uma política pública de controle de população animal são necessários: entendimento e obediência à legislação vigente (ACKEL, 2001).

Segundo Rodrigues (2008) a maioria dos municípios brasileiros enfrentam problemas relativos a animais sem controle (errantes); crias indesejadas; abandono animal; superpopulação de animais; criação e comercialização desregrada ou irregular; denúncias de maus-tratos e outras; mordeduras e demais agravos e desconhecimento ou não incorporação dos preceitos de Bem-estar animal para o desenvolvimento de um programa de controle de animais.

Segundo a abordagem de Galvão (2010) assim, aos animais deve ser garantido um lar com condições de vida e saúde, fornecendo-lhes alimentação, higiene, cuidados médico veterinários, lazer, enfim, tudo o que é necessário para o Bem-estar, o que deve ser concretizado por meio de políticas públicas em prol da saúde pública e do respeito a legislação e aos direitos inerentes aos animais.

O autor supracitado consta que a manutenção do Bem-estar animal é dever de todos, visto que os animais são considerados parte do meio ambiente, o qual deve ser ecologicamente equilibrado e, portanto, sadio, para as presentes e futuras gerações. Galvão (2010) verifica que constantes inquietações com o Bem-estar animal refletem-se na necessidade de implementação de políticas públicas em seu favor, bem como de maiores reivindicações por parte da sociedade.

Ainda é comum que esses infratores não sejam denunciados, porque muitas testemunhas têm medo de sofrerem represália (GALVÃO, 2010).

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12 5- Considerações Finais.

A difusão dos princípios do Bem- estar animal e posse responsável propiciou algumas mudanças em relação aos cuidados dispensados aos animais. Esta mudança de atitude acarretou melhorias na qualidade de vida dos animais, e consequentemente, elevação dos padrões de Bem-estar dos mesmos.

É um tema de grande importância porque essa preocupação, aos poucos, vem crescendo no Brasil, ao que já é possível perceber a sua devida importância. Dessa forma, é preciso que Políticas Públicas e legislações sejam implementadas em favor dos animais, com ampla divulgação por meio de campanhas para que a sociedade brasileira, cada vez mais, conheça o seu dever de proteger os animais e evitar que estes sejam maltratados.

A implantação de um programa de Bem-estar animal necessita de profissionais qualificados como Assistentes Sociais, Veterinários entre outros profissionais. Além da alocação de recursos financeiros, técnicos e equipes de trabalho, exige planejamento que englobe: estudo prévio (diagnóstico), ações preventivas, controle, monitoramento, avaliação e dedicação permanente (que exige o envolvimento e o propósito de todos).

A atuação do Poder Público precisa ser eficiente, modificando condutas e prevenindo o abandono de animais, ser humanitária, justa e de responsabilidade de todos. Incluindo as autoridades, profissionais de saúde, educadores, organizações não governamentais e cidadãos em geral. A função de proteger o Meio Ambiente, em especial os animais, é um dever de todos, da sociedade em geral, a qual tem seus direitos garantidos, porém seus deveres, incluindo neles, a preservação da natureza como um todo, o que inclui a proteção dos animais. O que será garantido, por meio da posse responsável dos cães e da conscientização dessa sociedade da dignidade a eles inerente.

Conclui-se que no contexto dessa pesquisa são atributos do Assistente Social, realizar estudos e pesquisas para avaliar a realidade social, além de produzir parecer social e propor medidas e políticas sociais; Planejar, elaborar e executar planos, programas e projetos sociais entre outras atribuições pertinentes ao Assistente Social. O Assistente

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13 Social na área de Bem- estar animal tem a função social de garantir o cumprimento de programas e projetos de protecionismo animal. Devido a defasagem por parte do Estado em assegurar a integridade Física dos animais no contexto da sociedade brasileira. Eu pude contemplar a importância do Serviço Social no contexto do Bem-estar animal relacionando a pratica do estágio. Através de todas as vivencias nas atividades da Dibea registradas no Diário de Campo. Durante os respectivos períodos de estágio em 2018 e 2019. Relatando sobre reuniões junto a outros profissionais de saúde para formulação, execução e avaliação de programas e projetos voltados ao Bem-Estar animal.

Conforme já mencionado possibilitou a oportunidade de vivenciar como estagiário na Diretoria de Bem-estar Animal (DIBEA), no município de São José, Santa Catarina. Possibilitou uma vivencia inspiradora para esta pesquisa. Relacionando conhecimento teórico ao técnico operativo. Através do estudo prévio (diagnóstico), projeto de intervenção e projeto de avaliação.

6- Referências Bibliográficas:

ACKEL, F. Direito dos animais. São Paulo: Themis; 2001.

ALMEIDA, E. H. de P. Maus tratos contra animais. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, XVII, n. 122, mar 2014.

CAPEZ, F. Curso de Direito Penal. Legislação Penal Especial. v. 4. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2007.

CASTAÑEDA, H.; CASTELLANOS A; CALDERÓN, N. Evaluacióndelcomportamiento social de un grupo de individuos de lapoblación canina callejeraenlaGaitanalocalidadde Suba. Trabalho de conclusão de curso (graduação). Universidad Distrital Francisco Jose de Caldas Facultad de Ciencias y Educación.2002.

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14 GALVÃO, P. Os animais têm direitos? Perspectivas e argumentos. Lisboa, Portugal: Dina livro, p.240, 2010.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

GOMES, C. C. M. Um estudo sobre a responsabilidade civil dos proprietários e a entrega de cães e gatos na Diretoria de Vigilância Ambiental do Distrito Federal. Monografia de graduação, Universidade de Brasília, Brasília, Distrito Federal. P. 71, 2013.

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15 YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. 2.ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.

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Referências

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