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Vista do A evasão escolar na microrregião de Guaratinguetá.

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A evasão escolar na microrregião de Guaratinguetá: uma

análise a partir de indicadores educacionais

Márcia Maria Dias Reis Pacheco Possui graduação em Pedagogia pela Universidade de Taubaté (1992), Mestrado em Educação: Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2002) e Doutorado em Educação: Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2008). Atualmente é Professor Assistente Doutor da Universidade de Taubaté efetivo (2010), lotado no Departamento de Pedagogia, concursada na disciplina de Didática com atuação na graduação e pós-graduação. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Didática, Didática do Ensino Superior e Psicologia da Educação. Atua como Supervisor de Ensino pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo. Compõe o corpo permanente de docentes do curso de Mestrado Interdisciplinar de Desenvolvimento Humano: formação, políticas e práticas sociais. Suas Áreas de Pesquisa são: Formação de Professores, Avaliação Educacional e Políticas Públicas. André Luiz Silva Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (1996), mestrado em Ciências da Religião (2003) e doutorado em Ciências Sociais (2011) pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É docente efetivo de sociologia, pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas de Práxis Contemporâneas e docente do Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Humano: Formação, Políticas e Práticas Sociais da Universidade de Taubaté. É pesquisador colaborador do Grupo de Estudos de Práticas Culturais Contemporâneas da PUC-SP. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia Urbana, e na área de Sociologia da Cultura. Pesquisa os seguintes temas: conflito simbólico, religiosidade, identidade, diversidade cultural, cultura popular, mediação cultural e políticas culturais. José Edson da Silva Mestrando em Desenvolvimento Humano pela Universidade de Taubaté, Pós-Graduado em Gestão de Produção pela UNESP de Guaratinguetá, Graduado em Tecnologia Mecânica com ênfase em Processos de Produção pelas Faculdades Integradas de Cruzeiro. Experiência profissional de 25 anos na Indústria, em empresas de médio e grande porte tais como Philips do Brasil em São José dos Campos, Tekno S.A. em Guaratinguetá e Iochpe-Maxion Structural Components em Cruzeiro onde trabalha atualmente. Ludmila Correa Gesualdi Chaves Gomes Mestranda em Desenvolvimento Humano pela Universidade de Taubaté. Profissional graduada em Psicologia e com pós-graduação na área de Psicologia Analítica pela UNISAL. Atua no consultório, realizando atendimento clinico.

Resumo

Esse estudo tem como objetivo apreender alguns aspectos do processo em que se dá a evasão escolar, particularmente, entre o ensino fundamental e o ensino médio. A pesquisa se baseia em dados provenientes de censos recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Essas fontes foram utilizadas por meio da Internet em seus respectivos sites oficiais. A microrregião de Guaratinguetá foi escolhida, como locus desse estudo, em virtude da consonância com os objetivos dos pesquisadores que desenvolvem atualmente outros trabalhos científicos em municípios da região. A evasão escolar pode trazer, de forma implícita, uma série de fatores sociais, culturais, econômicos e até religiosos, que, se bem trabalhados, tem a propriedade de definir, em certa medida, o perfil de uma sociedade. Diz-se isto, porque os motivos que levam uma criança ou um jovem a desistir dos estudos antes de concluí-los, (no caso específico da presente pesquisa, deixar de prosseguir no ensino médio, o que pode ser considerado o nível mínimo de formação para um cidadão ter possibilidades de ingressar no mercado de trabalho atual) não acontece sem que haja causas importantes. Este trabalho se propôs a, a partir de indicadores educacionais de acesso público, estabelecer relações de causa e efeito entre

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alguns índices, e analisá-los a fim de revelar relações causais que identifiquem alguns fatores que dificultam a permanência de jovens na transição do ensino fundamental para o ensino médio.

Palavras-chave

Evasão escolar; Guaratinguetá; Indicadores educacionais.

Abstract

This study aims to learn some aspects of the process that gives school dropouts, particularly among elementary school and high school. The research is based on data from recent censuses of the National Institute of Educational Studies Anísio Teixeira (INEP), the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) and the United Nations Development Programme (UNDP). These sources were used over the Internet in their respective official websites. The microregion of Guaratingueta was chosen as the locus of this study, because of the support of the objectives of the researchers are currently developing other scientific works in municipalities. The truancy can bring, implicitly, a number of social, cultural, economic and even religious factors, which, if well-crafted, has the property to define, to some extent, the profile of a company. It is said that because the reasons why a child or young person to give up studies before complete them, (in the particular case of this research, but continuing in high school, which can be considered the minimum level of training for a citizen to have possibilities to enter the current job market) does not happen without major causes. This work proposes to, from educational indicators of public access, establish relations of cause and effect between some indexes, and analyze them in order to reveal causal relationships to identify some factors that make it difficult for young people to remain in the transition from elementary school for high school.

Keywords

School dropouts; Guaratinguetá; Educacional indicators.

Introdução

Existem inúmeros indicadores da educação e todos eles podem auxiliar muito o pesquisador na análise de uma problematização. Informações corriqueiras tais como dados demográficos, pirâmide etária, nível de desemprego, dentre outros, podem ser aliados aos dados específicos da área da educação e resultarem em perspectivas importantes, talvez inéditas, na medida em que determinados indicadores nunca tenham sido juntados.

É de fundamental importância que haja, por parte do pesquisador, o cuidado com a confiabilidade das fontes, assegurando que os dados utilizados sejam sempre fidedignos, bem como, é essencial que haja sensibilidade e clareza no encontro de dois ou mais indicadores de forma que a crítica proposta tenha coerência e relevância.

A análise sobre determinado indicador da educação resultará necessariamente na inclusão de outros indicadores que venham a auxiliar o entendimento de alguns cenários, portanto, deem subsídios para que a pesquisa possua um desenvolvimento analítico que traga algumas respostas possíveis para o problema proposto inicialmente.

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novos indicadores derivados daqueles, proporcionarão ao pesquisador uma relação de causa e efeito, por meio da qual será possível desenvolver hipóteses e provocar novas perguntas. Ao final de cada um desses processos, a compreensão sobre a temática da educação tornar-se-á mais clara e passível de discussões em busca de melhorias.

Com esse intuito, pretende-se refletir nesse estudo, sobre a evasão escolar que se dá entre o ensino fundamental e o ensino médio, dessa forma, foram utilizados dados relativos ao número de alunos matriculados nos anos finais do ensino fundamental e alunos matriculados no ensino médio. Definido o indicador principal para análise, para que se tenha foco e delimitação no presente trabalho, foi proposto considerar a microrregião de Guaratinguetá inserida na mesorregião do Vale do Paraíba Paulista. Por fim, foram considerados alguns indicadores adicionais para dar subsídio ao entendimento desse objeto, que compreende a diminuição do número de alunos matriculados no ensino médio quando comparado ao número de alunos matriculados nos anos finais no ensino fundamental.

Metodologia

A partir da definição sobre o indicador da educação que seria o objeto do estudo, foi realizada pesquisa exploratória a fim de obter dados atualizados que possibilitassem a construção do indicador primário. O objeto “evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio” não foi localizado de forma direta, por isso, foram utilizados os dados sobre a quantidade de alunos matriculados nos anos finais do ensino fundamental e a quantidade de alunos matriculados no ensino médio. Por meio desses dois tipos de dados foi calculado o percentual de diferença entre as quantidades de alunos no ensino fundamental e médio. O cálculo foi realizado para cada um dos onze municípios que compõem a microrregião escolhida para análise. Esses dados foram obtidos em consulta ao site do INEP (2014).

Em consulta ao PNUD (2013) foram obtidos os dados do IDHM de cada município. Esse indicador foi escolhido para análise de relação causal com o indicador de evasão escolar em função de sua representação multidimensional. O IDHM é um índice que reúne vários aspectos e que é amplamente conhecido e utilizado para medição de condições gerais para o desenvolvimento humano de uma determinada cidade, região, estado, e assim por diante.

O segundo indicador pesquisado para relação causal com a evasão escolar, foi a resultante entre a quantidade de escolas e a população. Esses dados foram coletados no site do IBGE (2014) e foram trazidos com o objetivo de entender possíveis relações de causa e efeito entre a quantidade de escolas disponíveis no ensino fundamental e no ensino médio, com a desistência de alunos.

Por fim, foram utilizados os dados relativos à quantidade de alunos por sala, também no ensino fundamental e médio, para análise da relação causal com a evasão escolar. Esses dados foram obtidos no site do INEP (2014).

Depois da organização de todos os dados em torno de indicadores originais e indicadores criados a partir de outros, cada relação de causa e efeito foi analisada separadamente com o uso de quadros comparativos e gráficos de Pareto. Ao fim de todas essas correlações, foi elaborada uma única matriz por meio da qual pretendeu-se possibilitar a visualização de todos os indicadores em um único ambiente. Esses dados foram analisados por meio de um critério criado pelos pesquisadores no qual foram selecionados os três municípios com menor evasão escolar e os três municípios com maior evasão escolar, e a partir daí, foram apontados todos os demais indicadores da mesma forma. Foi feita a observação da presença e da frequência dos municípios em blocos similares, ou seja, três melhores e três piores, para cada indicador.

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O resultado desse cruzamento de dados possibilitou a construção de um quadro final que serviu de base para as discussões conclusivas a respeito do tema estudado.

Revisão de literatura

Com a intenção de refletir e promover o debate teórico sobre a evasão escolar que se dá entre o Ensino Fundamental e o Ensino Médio, buscar-se-á conhecer os estudos que já existem a respeito desse fenômeno. Inicialmente, será feito um relato introdutório do caminho metodológico traçado para execução desta pesquisa denominada “Estado do Conhecimento”. E após, uma apresentação sobre a análise das produções acadêmicas encontradas.

As pesquisas denominadas Estado do Conhecimento, são:

Definidas como de caráter bibliográfico, elas parecem trazer em comum o desafio de mapear e de discutir uma certa produção acadêmica em diferentes campos do conhecimento, tentando responder que aspectos e dimensões vêm sendo destacados e privilegiados em diferentes épocas e lugares, de que formas e em que condições têm sido produzidas certas dissertações de mestrado, teses de doutorado, publicações em periódicos e comunicações em anais de congressos e de seminários (FERREIRA, 2002, p.258).

Esse tipo de busca é considerado como pesquisa bibliográfica. O método utilizado foi o exploratório-descritivo, considerando, para análise, os seguintes descritores: Evasão Escolar, Ensino Fundamental e Ensino Médio. O período de anos e o idioma também foram determinados. Optou-se por considerar o português e os últimos 10 anos, portanto, o período de 2005 a 2015.

A pesquisa foi elaborada a partir de uma busca realizada no Banco de Dados de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e também no diretório de dados da Scielo (Scientific Eletronic Library Online), biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros.

A discussão e as considerações finais foram apresentadas sob a forma textual com uma linguagem descritiva, sem acréscimo de gráficos ou quadros ilustrativos.

Faz-se necessário apontar que esse mapeamento, tem suas limitações, pois apenas auxilia na organização textual e no conhecimento dos teóricos da área. É pretensioso da parte do pesquisador acreditar que sua construção sobre “estado do conhecimento” é capaz de refletir fidedignamente a trajetória histórica de um objeto específico de investigação (PEREIRA, 2014).

Diante disso, o que se propõe com este estudo de caráter bibliográfico é ampliar o universo informacional sobre o tema Evasão Escolar entre o Ensino Fundamental e o Ensino Médio.

Conforme já mencionado, foram utilizados dois bancos de dados para essa pesquisa, a CAPES e o diretório da Scielo.

Em relação a CAPES, a pesquisa pautou-se pela identificação dos periódicos com os seguintes descritores: Evasão Escolar, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Como filtros de pesquisa foram utilizados o idioma português e os anos de 2005 a 2015.

No banco de dados da Scielo os descritores foram os mesmos obedecendo as mesmas regras estipuladas pelo filtro dos anos.

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De todos os trabalhos encontrados, em ambas as bases de dados eletrônicas, foram analisados, de maneira sucinta e breve, o título, as palavras-chaves e resumo. Com base nessa análise inicial, selecionou-se os textos que tratavam de assunto correlatos com o tema da Evasão Escolar que acontece entre o ensino fundamental e médio no sistema de ensino brasileiro.

A pesquisa realizada no portal de periódicos da CAPES, se deu da seguinte forma: num primeiro momento foi colocado o descritor “Evasão Escolar” com o filtro do idioma português e dos anos 2005 a 2010. Os resultados foram de 136 (cento e trinta e seis) para portal de periódicos. Em seguida acrescentou-se o descritor “Ensino Fundamental”, considerando os mesmos filtros. Foram localizadas 29 (vinte e nove) unidades para o portal de periódicos e selecionados para uma análise mais detalhada 16 (dezesseis) unidades. Os nãos selecionados tratavam de temas distintos dos pesquisados aqui, como por exemplo, evasão escolar no ensino superior, desempenho no vestibular, como os professores lidam com os diferentes níveis de sono e vigília dos alunos, educação de jovens e adultos (EJA), crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, comunidade indígena e educação nos presídios.

Após essa pesquisa, limparam-se os campos e foram colocados os descritores “Evasão Escolar” e “Ensino Médio” respeitando os mesmos filtros. Localizou-se 18 (dezoito) unidades para portal de periódicos. Após análise breve do título, palavras-chaves e resumo, selecionou-se 09 (nove) unidades. As outras unidades tratavam de objetos tais como, o currículo de matemática no ensino médio, evasão na educação técnica, trajetória educacional acidentada de alunos que cursam o ensino médio regular no período noturno, educação de Jovens e Adultos (EJA), educação indígena e ensino superior.

Após análise, foi possível perceber que muitos periódicos se repetem no decorrer na pesquisa, totalizando assim 20 (vinte) unidades de periódicos da base de dados da CAPES para uma leitura e análise maior e mais detalhada, que será apresentado abaixo.

Os mesmos descritores de seleção utilizados para a pesquisa no banco de dados da CAPES foi utilizado na Scielo. Porém, os resultados foram bem diferentes, como segue a seguir. Utilizando apenas o descritor “Evasão Escolar” um total de 13 (treze) periódicos foram localizados. Porém, somente 01 (um) foi selecionado para análise, pois o restante trata de objetos específicos e distintos do interesse essa revisão de literatura como, evasão no ensino superior, educação para jovens e adultos (EJA), desempenhos no vestibular e ensino técnico. Acrescentou-se o descritor “Ensino Fundamental” e não se localizou nenhuma unidade.

Com os descritores “Evasão Escolar” e “Ensino Médio” localizou-se 01 (um) artigo, que não foi selecionado para análise detalhada, pois o mesmo trata de entender a evasão no ensino técnico de nível médio de Minas Gerais, logo, não contempla o objeto de estudo da evasão entre o ensino fundamental e médio.

Uma nova pesquisa foi realizada juntando os três descritores, Evasão Escolar, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Nenhuma referência foi encontrada.

A partir da Revisão de Literatura sobre o tema da Evasão Escolar que ocorre entre o ensino fundamental e médio, foi possível perceber que a evasão escolar está dentre os assuntos que, historicamente, faz parte dos debates e reflexões no âmbito da educação pública e que até os dias atuais está presente de maneira preocupante. (QUEIROZ, 2006).

No artigo de Figueiredo (2009) e na dissertação de Yamamoto (2012), evidencia-se, historicamente, que o país tem se preocupado com o tema e têm proposto medidas. A partir de 1990, políticas públicas, programas e projetos têm sido gerados e financiados com o intuito de enfrentar as altas taxas de evasão.

Foi possível perceber ainda que a evasão escolar não é um problema restrito apenas a algumas unidades escolares especificas, mas sim nacional que vem ocupando relevante papel

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nas discussões e pesquisas educacionais no cenário brasileiro. (QUEIROZ, 2006). Segundo Silveira (2008), o levantamento na base de dados do INEP revelou altas taxas de evasão escolar no Brasil, como todo.

Como aponta Klein (2006), o acesso ao ensino fundamental está, de certa maneira, generalizado no Brasil, mas a sua conclusão não é garantida. Segundo o autor, as taxas de evasão escolar (embora altas) deixaram de cair nos últimos anos e estão subindo no ensino médio. A expansão do ensino médio estagnou. Logo, a conclusão do ensino fundamental e do médio, por parte dos alunos, ainda não é generalizada ou mesmo satisfatória.

Por algum tempo, a evasão escolar era vista como, apenas, fator social e cultural, o que gerava uma certa isenção de responsabilidade por parte da escola, por seu corpo administrativo e docente. Mas Cerratti (2008, p. 17) faz uma reflexão apresentando uma dúvida, que faz mudar esse cenário, se a evasão estaria voltada para a “cultura social e política, que por sua vez é segregadora e excludente, ou se a escola não reproduz essa mesma sociedade contribuindo para que os alunos continuem excluídos da sociedade”. A partir dessa reflexão a passividade da escola frente ao tema toma outra característica.

Em relação às causas da evasão escolar, os estudos apontam, de maneira geral, que existem fatores internos e externos à escola que excluem os alunos da dinâmica escolar. Dentre os fatores internos, os quais mais se repetiram foram o conteúdo do ensino e o preparo dos professores. Já os fatores externos, o próprio aluno, familiares e econômicos.

Os pesquisadores colocam essas questões de maneiras distintas. Para Ceratti (2008) o fracasso escolar é o produto da interação de três tipos de determinantes: psicológicos, socioculturais e institucionais.

Segundo Queiroz (2006, p.38),

[...] vários estudos têm apontado aspectos sociais considerados como determinantes da evasão escolar, dentre eles, a desestruturação familiar, as políticas de governo, o desemprego, a desnutrição, a escola e a própria criança, sem que, com isto, eximam a responsabilidade da escola no processo de exclusão das crianças do sistema.

No artigo publicado em 2011, Evasão escolar no ensino médio: velhos ou novos

dilemas? dos autores, Antonia de Abreu Sousa, Tássia Pinheiro de Sousa, Mayra Pontes de

Queiroz, Érika Sales Lôbo da Silva, realizou-se uma análise da evasão escolar de alunos que cursam o Ensino Médio regular da rede pública. E a falta de incentivo da família e da escola, a necessidade de trabalhar e o excesso de conteúdos escolares e amizades erradas foram as causas da evasão segundo a direção da escola, os docentes e discentes.

De acordo com Auler; Ferrão (2012), os resultados da evasão escolar podem ser sintetizados em três categorias temáticas: cumprir programas, interesse: fazer sentido estar na escola e Currículo naturalizado.

Nos estudos realizados por Neri (2009), identificou como os motivos da evasão escolar, dificuldade de acesso a escola, necessidade de trabalho e de geração de renda e falta intrínseca de interesse.

Já para Falcão (2010), o motivo principal da evasão escolar por parte de estudantes dos ensinos fundamental e médio seria a “chatice da escola” (sic). E para o autor, uma das razões da chatice seria a desconexão da escola em relação ao mundo extra-escolar.

Diante disso, o que se pode perceber em relação ao conteúdo do ensino, é que muitas das vezes, eles são mesmos distantes da realidade do aluno, se tornando assim desinteressante

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e sem ligação alguma com a realidade vivida por eles fora dos muros da escola.

De fato, uma certa vertente do discurso psicológico (em psicologia da aprendizagem e do desenvolvimento cognitivo) sugere que a escola (isto é, os conteúdos e atividades de ensino-aprendizagem) seria chata sempre que se desconectasse da “vida real”, e seria interessante sempre que se mostrasse “relevante”, “contextualizada”, “instrumental” (FALCÃO, 2010, p.641).

Nesse sentido, o autor continua sua reflexão, defendendo que para que a sala de aula seja atraente e eficaz, é preciso que aja um professor comprometido, que seja um mediador, e não apenas detentor de informação, que promova “discussão e ofereça a seus pupilos a necessária educação para a atividade intelectual de construção do saber”. (FALCÃO, 2010, p. 652)

Ceratti (2008) também faz uma reflexão sobre os motivos que afastam os alunos da escola, e segundo ele, são fatores didáticos e pedagógicos, que acaba deixando os educandos desestimulados e com baixa autoestima.

A linguagem diferenciada utilizada pelos professores com os alunos e os elementos afetivos na relação professor-aluno também se fizeram presentes nas pesquisadas analisadas. Percebeu-se que os professores utilizam linguagens que não fazem parte do vocabulário dos alunos, dificultando assim a aprendizagem e o interesse deles. E as relações afetivas, geralmente são pobres (QUEIROZ, 2006).

Sobre os fatores econômicos, pode-se dizer que a evasão escolar e pobreza estão intimamente ligadas (NERI, 2009), que existe uma necessidade, muitas vezes, imediata de renda, por parte da família dos alunos e que se encontra uma falta de perspectiva na escola, uma vez que os retornos futuros oriundos de estudos são baixos.

Em uma perspectiva mais crítica, Avila (2007, p. 68) diz que,

[...] o capitalismo neoliberal generalizou a pobreza, obrigando muitas famílias a recorrer ao trabalho dos filhos para garantir sua subsistência. Pelo trabalho, as crianças abandonam a escola. Quando adultos, pela perda da educação, só conseguem ocupações que exigem menor qualificação e pelas quais recebem menores ganhos. Em conseqüência, provavelmente serão pais de novas crianças trabalhadoras, reproduzindo intergerações a pobreza.

Dentre os fatores ligados a ordem econômica, Queiroz (2006) aponta as necessidades do aluno de trabalhar, as condições de desnutrição das crianças que acaba tendo impacto direto na sua aprendizagem e as desvantagens culturais, vistas a partir da imensa desigualdade social existente na sociedade.

Outro ponto que merece destaque diz respeito a família e ao próprio aluno. Segundo Queiroz (2006), as condições da família destacando-se o nível de escolaridade dos pais e o não acompanhamento dos filhos em suas atividades escolares, são geradores de evasão escolar.

Em relação aos fatores que dizem respeito aos próprios alunos sobre o tema da evasão, as pesquisas apontam que a falta de interesse do aluno, às vezes, é uma maneira de mascarar sua incapacidade para se esforçar, e que a criança pode ser responsabilizada sim por seu abandono dos estudos, através da pobreza, da má-alimentação, da falta de esforço, ou mesmo pelo desinteresse (CERATTI, 2008; QUEIROZ, 2006).

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Cerullo (2006) em sua tese aponta para indícios de que maiores dimensões de capital social, nos tópicos de informação e comunicação, confiança e solidariedade e coesão e inclusão social, podem estar relacionados, de forma não determinante, a melhores desempenhos nas unidades escolares. Seu objeto de pesquisa foi levantar e analisar as relações existentes entre o capital social e dois indicadores específicos de desempenho de instituições educacionais: evasão escolar e reprovação.

Já Silva (2009), também em sua tese, objetivou compreender algumas questões relacionadas ao fracasso, à indisciplina e à evasão escolar sob a perspectiva do aluno pobre, que segundo ela, vivencia a experiência de não ter se adaptado ao sistema formal de ensino público.

Dimiani (2006) fez uma investigação, num primeiro momento, sobre os fatores de risco para o fracasso escolar (entendidos como repetência e/ou evasão escolar). Os resultados confirmam os encontrados em outras pesquisas, indicando a importante influência de fatores como grupo étnico, renda familiar, número de irmãos, escolaridade dos pais, tipo de moradia, entre outros, sobre o desempenho das crianças. A segunda parte do trabalho relata estudos de caso de duas escolas cujas taxas de reprovação e evasão eram contrastantes.

Em síntese, a partir da revisão de literatura, foi possível perceber que discutir a questão da evasão escolar é bastante delicado, pois a problemática envolve diversos fatores, e que vai muito além de apontar apenas um ou outro responsável.

Nas considerações finais do estudo realizado por Queiroz (2006) ele aponta que tanto a escola quanto à família, pouco têm feito pela criança que evade. Segundo o autor, no que se refere à evasão, o que tem sido feito são ações isoladas com crianças que frequentam a escola, e não às crianças que a abandonaram.

Diante disso, é preciso pensar e planejar políticas públicas que cuide desse fenômeno que atinge a educação brasileira.

Queiroz (2006, p. 69) aponta duas sugestões para a problemática. Uma seria cuidar e incentivar as crianças que estão na sala de aula, e buscar propor atividades que demandam a participação dos pais. A segunda seria a inclusão da criança na escola, através de projetos políticos e que garantam a participação da família nesses projetos, que “lutem e reivindiquem junto ao poder público, apoio, orientação e acompanhamento, recursos materiais e de pessoal, espaços físicos, para atividades específicas para que o aluno possa retornar à escola”.

Finalizando, Paiva; Silva (2013) acreditam que a evasão escolar, principalmente no ensino médio, implica na substituição dessa sociedade meritocrática e individualista, na qual o sujeito é totalmente responsabilizado pelo seu sucesso e pelo seu fracasso; por uma sociedade, na qual todos os bens materiais e culturais estejam disponíveis a todos os cidadãos.

Resultados e discussão

De acordo com o IBGE (2014) o Vale do Paraíba Paulista compõem uma mesorregião da unidade federativa de São Paulo. Essa mesorregião é subdividida em seis microrregiões sendo, Bananal, Campos do Jordão, Caraguatatuba, Guaratinguetá, Paraibuna/Paraitinga e São José dos Campos. É objeto desse estudo a microrregião de Guaratinguetá, que é composta de onze municípios sendo, Aparecida, Cachoeira Paulista, Canas, Cruzeiro, Guaratinguetá, Lavrinhas, Lorena, Piquete, Potim, Queluz e Roseira. Essa microrregião, dentre as seis que constituem a mesorregião do Vale do Paraíba Paulista, é mais distante geograficamente da capital do Estado de São Paulo, e situa-se mais próxima das divisas com os Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, especificamente Sul de Minas e Leste Fluminense.

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A escolha pelo estudo da microrregião de Guaratinguetá se deu em função do interesse dos pesquisadores participantes, que desenvolvem outros estudos correlatos em municípios dessa região, o que vem a contribuir com a consolidação do entendimento sobre as demais pesquisas em andamento.

Apresenta-se inicialmente, conforme o Quadro 1, o número de alunos matriculados no ensino fundamental e os alunos matriculados no ensino médio, por município. Além disso, o quadro traz as totalizações dos municípios, por ensino fundamental e médio, e a relação percentual da diminuição do número de alunos matriculados no ensino médio quando comparado ao número de alunos matriculados nos anos finais do ensino fundamental.

Observa-se que a média de evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio na microrregião de Guaratinguetá é de 28,4%, o que representa em números absolutos, quase 7.000 alunos a menos, num universo de pouco mais de 24.000 alunos que chegaram até o final do ensino fundamental. A partir dessa média é possível evidenciar municípios que se posicionam acima e abaixo dessa linha referencial, sendo que, o município de Cruzeiro detém o menor índice de evasão, com 21%, portanto, o melhor desempenho dentre os municípios estudados, enquanto o município de Potim detém 47,8% de evasão, o pior desempenho entre os municípios estudados. Nesse último caso, tem-se uma queda praticamente pela metade, do número de jovens que terminam o ensino fundamental e ingressam no ensino médio.

Dos 11 municípios estudados, 8 apresentam índice acima da média que compõem a microrregião de Guaratinguetá, enquanto apenas 3 posicionam-se abaixo da média. São eles Cruzeiro, Guaratinguetá e Lavrinhas, com 21%, 22,3% e 23,3%, respectivamente. Para que se tenha um parâmetro comparativo de maior amplitude, foram levantados na mesma fonte de dados, os indicadores do município de São Paulo, capital do Estado, e também do município de São José dos Campos, o mais populoso e de maior arrecadação da mesorregião do Vale do Paraíba Paulista. O índice de São Paulo é de 19,1%, enquanto São José dos Campos apresenta 22,4%. Percebe-se que, a média da microrregião de Guaratinguetá encontra-se acima da referência de dois grandes municípios do Estado de São Paulo, contudo, há municípios que estão tecnicamente nivelados com esse parâmetro. É importante salientar que, os municípios de São Paulo e São José dos Campos não podem ser considerados como referência positiva meramente por serem mais populosos e de maior renda, trata-se portanto de conjecturas possíveis que se fazem para aguçar a reflexão.

Em números absolutos, o município de Canas tem o menor número de alunos matriculados, tanto no ensino fundamental, 302, como no ensino médio, 172, enquanto o município de Guaratinguetá tem o maior número, 6.788 no ensino fundamental e 5.274 no ensino médio.

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A Figura 1 é um gráfico de Pareto que permite relativizar percentualmente o número de alunos matriculados nos anos finais do ensino fundamental por município da microrregião de Guaratinguetá. Observa-se que os municípios de Guaratinguetá, Lorena e Cruzeiro, são os mais numerosos nesse quesito, ao passo que, Roseira, Canas e Lavrinhas, são os menos numerosos. Cabe explicar que o gráfico consolidou os dados de Canas e Lavrinhas na última coluna denominada como other em função de modelo matemático advindo do próprio software onde o Pareto foi elaborado.

Juntos, Guaratinguetá, Lorena e Cruzeiro, representam 68,4% do total de alunos matriculados no ensino fundamental nessa microrregião. Os municípios de Roseira, Canas e Lavrinhas representam 5,4% do total.

Figura 1

Fonte: Censo escolar 2014 do INEP (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) Elaboração: SILVA, J.E. (2015)

A Figura 2 também traz um gráfico de Pareto. Os dados referem-se aos números de alunos matriculados no ensino médio por município. Nesse caso, os municípios com maior número de alunos continuam sendo Guaratinguetá, Lorena e Cruzeiro, como foi observado no ensino fundamental, todavia, a segunda posição se inverte com a terceira, passando Cruzeiro a ter maior número de alunos matriculados no ensino médio que Lorena. Essa alteração numérica remete ao bom desempenho percebido no Quadro 1 com relação ao município de Cruzeiro. Ou seja, a menor diferença entre o número de matrículas entre o final do ensino fundamental e o ensino médio. Esses três municípios somam 70,6% do total de alunos matriculados no ensino médio nessa microrregião, enquanto, Roseira, Canas e Lavrinhas, representam 4,9% do total, nesse gráfico consolidados todos como other na última coluna.

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Figura 2

Fonte: Censo escolar 2014 do INEP (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) Elaboração: SILVA, J.E. (2015)

Na Figura 3 observa-se o confronto dos dados relativos ao número de alunos matriculados no ensino fundamental com os dados relativos ao número de alunos matriculados no ensino médio, por município, o que resulta numa relativização percentual que mostra a evasão de alunos entre essas duas etapas da formação escolar.

O município de Potim apresenta a maior evasão, conforme comentado junto à análise do Quadro 1, enquanto o município de Cruzeiro apresenta a menor evasão. Contudo, o gráfico apresentado como Figura 3 acrescenta mais um dado, que é o percentual de evasão a partir da comparação dos percentuais individuais, entre todos os municípios estudados. Dessa forma, Potim é responsável por 12,9% do total de alunos evadidos nessa microrregião, seguido de Queluz com 12,1% e Canas com 11,6%. Os municípios de Cruzeiro, Guaratinguetá e Lavrinhas, com os melhores índices, somam juntos, 18% do total de alunos evadidos.

Figura 3

Fonte: Censo escolar 2014 do INEP (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) Elaboração: SILVA, J.E. (2015)

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(Índice de Desenvolvimento Humano Municipal) para cada município da microrregião de Guaratinguetá, como forma de permitir a discussão sobre a evasão de alunos entre o ensino fundamental e o ensino médio na microrregião estudada, a partir de algumas correlações entre esses indicadores.

O IDHM foi escolhido por conta de representar um indicador com relativa robustez, haja vista, ser constituído de várias dimensões. Apesar de não ser possível, no IDHM, ter todas as variáveis importantes representadas, noutra via, esse índice considera algumas vertentes relevantes.

Pode-se tomar o IDHM como uma das causas que explicam a evasão escolar, mas também é possível entender que a evasão escolar compõem, direta ou indiretamente, esse índice. Assim, permitiu-se aqui propor, que o IDHM é, com relação à evasão escolar, tanto causa, como efeito.

A Figura 4 apresenta um gráfico de Pareto com o IDHM de cada município da microrregião de Guaratinguetá. Pode-se observar que Guaratinguetá, Cruzeiro e Lorena, tem os melhores índices, ao passo que Queluz, Canas e Potim, tem os índices mais baixos.

Nessa primeira relação causal observa-se um comportamento que chama a atenção, pois os dois municípios com maior IDHM são os mesmos que apresentam menor evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio, bem como, os três municípios com maior evasão escolar, são os mesmos municípios detentores dos IDHM mais baixos. A única alternância percebida nessa relação é do município de Lavrinhas, que aparece como um dos três com menor evasão escolar, contudo, é o oitavo IDHM entre os municípios considerados.

Dessa maneira, evidencia-se mais concordâncias do que diferenças, o que permite supor que haja importante relação causal entre o IDHM e a evasão de alunos entre o ensino fundamental e o ensino médio nos municípios. O fato do município de Lavrinhas ser o único que fugiu dessa tendência pode denotar a influência de outros componentes do IDHM que exercem peso sobre esse índice e que são mais significativos do que a evasão escolar em si. Cada município e cada indicador contém inúmeras possibilidades de exploração analítica, porém, não cabe nesse estudo o aprofundamento do caso de Lavrinhas, mas deixa-se em aberto a possibilidade para novos estudos desse caso específico.

Ao analisar o gráfico da Figura 4 pode-se interpretar a princípio que, apesar de haver

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diferença do IDHM dos municípios, a variação é pequena, sendo o maior 0,798 e o menor 0,697, ou seja, apenas 13% de distância entre os extremos desse gráfico, o que faz dele, na relação percentual, praticamente uma reta, com as colunas absolutas muito niveladas. Todavia, a que se ter cuidado com essa perspectiva matemática, pois há uma classificação por níveis designados pelo IDHM, nesse caso, 0,798 é tido como alto, enquanto 0,697 é tido como médio.

Mais do que isso, observando o ranking do IDHM de 2013, nota-se a sensível diferença representativa desse índice quando se trata de um munícipio classificado com 0,798 em comparação com outro com a classificação 0,697. Foram analisados 5.565 municípios abrangendo todo o território nacional brasileiro e Guaratinguetá com 0,798 ocupa a posição 47 nesse ranking, enquanto o município de Potim com 0,697 ocupa a posição 1.995 juntamente com alguns outros municípios. O município de São Caetano do Sul, localizado nas imediações da capital paulista, tem a primeira colocação no ranking brasileiro com o IDHM 0,862. Na outra extremidade do ranking, ocupando a posição 5.565, está o município de Melgaço, no Estado do Pará, com o IDHM 0,418.

Portanto, cabe novamente, chamar a atenção para as diversas possibilidades de análise acerca dos municípios e seus indicadores como oportunidades futuras, mas para o presente estudo, faz-se a contenção do foco estabelecido para a evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio. Para dar conta da relação causal proposta entre o IDHM e a evasão escolar, sugere-se cautela na interpretação dos dados apresentados, mediante as perspectivas apontadas, sendo que, o município de Potim, com o IDHM mais baixo dentre os municípios da microrregião de Guaratinguetá, também detentor do mais alto índice de evasão escolar dessa amostra, pode ser considerado afetado em relação causa e efeito de forma direta entre esses indicadores. Entretanto, pode-se acrescentar ainda, que, o município de Potim, se comparado com São Caetano do Sul, com relação ao IDHM, é bastante deficitário, mas, se comparado aos índices nacionais, encontra-se em posição intermediária. Por fim, entende-se relevante observar que numa microrregião com onze municípios, naturalmente inscritos geograficamente em região de características muito semelhantes, tem-se uma diferença entre um índice de desenvolvimento humano que distancia o mais privilegiado, nesse caso, Guaratinguetá, em 1.948 posições no ranking, do menos privilegiado, nesse caso, Potim.

Pretende-se, com esse diálogo entre os indicadores IDHM e evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio, predizer que foi constatada relação causal entre eles.

Figura 4

Fonte: Censo escolar 2014 do INEP (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) Elaboração: SILVA, J.E. (2015)

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Como segunda relação de causa e efeito propõem-se apresentar os dados relativos ao número de escolas do ensino fundamental e do ensino médio, por município, para refletir sobre a influência da disponibilidade de escolas com relação às oportunidades que os jovens possuem, em suas localidades, para ter acesso adequado ao ensino médio. Porém, fez-se necessário agregar outro dado a essa análise, pois, considerar de forma simples e direta, a quantidade de escolas, provavelmente acarretará distorções à análise dos dados. Por essa razão, foram trazidos os dados relativos às populações dos municípios. Evidentemente, o tema abordado nesse trabalho está relacionado ao público jovem, na fase adolescente, e não a toda população, no entanto, seria inviável para o propósito dessa pesquisa, buscar os dados exatos por faixa etária, pois, inclusive a idade de trânsito entre o ensino fundamental e ensino médio podem ter variações, o que também causaria distorções nos resultados das análises. Por isso, entendendo que haja um comportamento etário semelhante na microrregião de Guaratinguetá, a população total dos municípios foi utilizada como dado complementar ao número de escolas para que fosse possível criar um fator relativizado que permitisse análise mais confiável.

No Quadro 3, encontra-se a quantidade de escolas de cada município e a população deste, o que resulta num fator de “habitantes/escola”. A correlação foi feita para as escolas do ensino fundamental e também para as escolas do ensino médio.

Na análise voltada para o ensino fundamental, dentre os municípios da microrregião de Guaratinguetá, Lavrinhas apresenta a menor relação de habitantes por escola, 1.098, o que pode ser interpretado como aspecto positivo, pois, em tese, há maior disponibilidade de escolas para atender à população. Na mesma perspectiva, Potim apresenta a maior relação de habitantes por escola, com 4.849, o que pode denotar maior concorrência por vagas, ou até mesmo, maior distanciamento físico entre os munícipes e as escolas. A média observada nessa amostragem é 1.880 habitantes/escola, portanto, há nove municípios abaixo da média, enquanto apenas dois, acima da média, são eles, Potim e Canas.

No caso do ensino médio, o município de Potim continua apresentando o índice mais alto, com 19.397 habitantes/escola, enquanto Lavrinhas, que apresenta relação mais baixa no ensino fundamental, tem 3.295 habitantes/escola. No entanto, o município com a relação mais baixa no ensino médio é Cachoeira Paulista, com 2.736 habitantes/escola. A média observada na relação com ensino médio é de 6.706 habitantes/escola. Sendo assim, sete municípios estão abaixo da média, e outros quatro, acima da média, são eles, Aparecida, Piquete, Queluz e Potim.

Na Figura 5, o gráfico de Pareto mostra a relação entre número de habitantes e número de escolas no ensino fundamental. Chama a atenção nesse indicador, a acentuada diferença do município de Potim em relação aos demais. O município de Canas aparece como segundo maior na relação de habitantes por escola e Aparecida vem em terceiro praticamente igual a Guaratinguetá. Os municípios de Cachoeira Paulista, Piquete e Lavrinhas tem as relações mais baixas. Na Figura 6, o gráfico relativo ao ensino médio, mostra Potim e Queluz com as maiores relações, enquanto, Canas, Lavrinhas e Roseira, tem as relações mais baixas. Dessa forma, observa-se que Potim tem a maior relação de habitantes por escola, tanto no ensino fundamental como no ensino médio.

No ensino fundamental, Cachoeira Paulista, Piquete e Lavrinhas, tem as menores relações, enquanto no ensino médio, ocorre uma alternância com Canas, Lavrinhas e Roseira, portanto, somente Lavrinhas permanece nos dois grupos.

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Diferentemente da relação estabelecida com o IDHM, o número de escolas apresenta menos comportamentos convergentes entre os indicadores. Observa-se uma alternância entre os municípios nas extremidades dos gráficos quando analisa-se o ensino fundamental e o ensino médio. Contudo, há um município que merece destaque, pois em todas as relações construídas até aqui, demonstra evidências de comportamento com tendência regular. É o caso do município de Potim, que, figura como a maior evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio conforme Figura 3, o menor IDHM conforme Figura 4, a maior relação de habitantes por escola no ensino fundamental conforme Figura 5 e a maior relação de habitantes por escola no ensino médio conforme Figura 6.

Entende-se que, a quantidade de escolas existentes num município, não determina de forma isolada, a qualidade do ensino para as pessoas, sendo indispensável levar em conta as condições físicas das instalações, os salários dos professores e funcionários da escola, a qualidade e disponibilidade da merenda, a qualidade e oferta da biblioteca, as questões sócio-econômicas das famílias, etc., mas reforça-se aqui, a necessidade de confrontar diferentes dados para buscar o entendimento aproximado das questões que circundam a temática da educação.

Figura 5

Fonte: Censo 2014 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) Elaboração: SILVA, J.E. (2015)

Cabe refletir, por exemplo, que o município de Cruzeiro, que aparece com a menor

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evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio, se posiciona de forma também positiva com relação ao IDHM, mas em posição intermediária nas relações de número de habitantes por escola. Pode-se, dessa forma, inferir que, o IDHM somado a outros fatores auxiliam o município de Cruzeiro a sofrer menos baixas de alunos na passagem do ensino fundamental para o ensino médio, independentemente do número de escolas existentes. Também é possível perceber que para o município de Potim, ter um IDHM mais baixo e também ter uma oferta de escolas relativamente baixa, causa impacto grave na continuidade dos estudos dos jovens que saem do ensino fundamental, impossibilitando-os de ingressar no ensino médio. Portanto, mediante essas considerações, é proposto que, também ocorre relação causal entre a evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio com o número de escolas existentes em cada município.

Figura 6

Fonte: Censo 2014 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) Elaboração: SILVA, J.E. (2015)

Com o objetivo de estabelecer mais uma relação de causa e efeito, o Quadro 4 apresenta o número de alunos por sala de aula no ensino fundamental e no ensino médio. Esses dados foram entendidos como importantes para a correlação com a evasão escolar, mediante a perspectiva de que uma sala com maior ocupação pode configurar tendência de menor atenção ao aluno por parte do professor, além de maior desconforto para compartilhar os recursos físicos, por exemplo, cadeiras, carteiras, materiais de trabalho, a própria sensação de calor em épocas de temperaturas mais elevadas, iluminação, proximidade das lousas, painéis, projetores, e assim por diante.

A média de alunos por sala de aula no ensino fundamental observada na microrregião de Guaratinguetá foi de 25,7. O município de Roseira apresenta o menor índice, com 20,6 alunos por sala, seguido de perto por Lavrinhas, com 20,9. Além dos municípios de Roseira e Lavrinhas, outros cinco apresentaram índice abaixo da média observada, enquanto quatro mostraram índices acima da média.

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Dentre os quatro municípios com índice acima da média, Potim apresenta o valor mais elevado, com 33,1 alunos por sala de aula no ensino fundamental. Além de Potim, Aparecida, com 28,9 alunos por sala, Guaratinguetá, com 27 alunos por sala, e Lorena, com 28,9 alunos por sala, formam o grupo de municípios acima da média.

Ao analisar os dados do ensino médio, nota-se que, o município de Canas, com 24,7 alunos por sala, apresenta o menor índice, ao passo que, o município de Potim, com 34,7 alunos por sala, apresenta o maior índice. A média observada para o ensino médio foi de 30,8 alunos por sala, sendo assim, cinco municípios apresentaram índices abaixo da meta, são eles, Cachoeira Paulista, Canas, Guaratinguetá, Lorena e Roseira.

Assim como foi abordado nos indicadores anteriores, este também não pretende ser decisivo, mas, contribuinte para a compreensão da evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio. De forma ainda mais indireta do que os demais, este indicador não oferece números diretos para retratar a evasão, mas pretende-se nessa análise, sugerir que salas mais cheias ofereçam menos incentivo para os alunos permanecerem na escola.

Quadro 4

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A Figura 7 é constituída de um gráfico de barras que permite a comparação entre a ocupação das salas de aula no ensino fundamental e no ensino médio. É importante compreender corretamente a dinâmica desse gráfico. A barra que representa a quantidade de alunos por sala no ensino fundamental, legendada como EF, será melhor, quanto menor for seu comprimento, pois significa que há menor sobrecarga de alunos por sala. Dessa forma, Roseira e Lavrinhas estão em condição mais favorável. Da mesma maneira, Aparecida, Lorena e Potim, apresentam condições supostamente mais desfavoráveis.

Ao analisar os dados do ensino médio, EM, a lógica para interpretação é a mesma, portanto, Potim, Queluz, Piquete e Aparecida, apresentam condições mais desfavoráveis, enquanto, Cachoeira Paulista e Canas, apresentam condições mais favoráveis.

Todavia, esse gráfico também deve ser analisado por meio da comparação entre as duas barras de cada município, pois essa perspectiva mostra a diferença que um aluno, efetivamente, sentirá ao sair de uma sala do ensino fundamental e entrar numa sala do ensino médio. Por exemplo, o aluno do município de Potim que estudou no ensino fundamental com 33,1 alunos por sala, passará a estudar numa sala de 34,7 alunos. A diferença de ocupação dessa sala em Potim é de 4,8% conforme o Quadro 4. Porém, em Lavrinhas, o aluno que cursou o ensino fundamental e adaptou-se a uma realidade de 20,9 alunos na sala, enfrentará no ensino médio, salas com 31,3 alunos, o que representa uma diferença adicional de 49,8%.

Nesse caso, os indicadores parecem conduzir o entendimento para uma composição entre dois fatores, sendo um deles a quantidade de alunos por sala acima da média de forma direta, e o outro, o salto na quantidade de alunos por sala na transição do ensino fundamental para o ensino médio. Observa-se que o município de Potim, apresenta o maior número de alunos por sala em ambos os cenários, ensino fundamental e médio. Portanto, intui-se que, mesmo com uma pequena diferença na transição entre os níveis fundamental e médio, ser o detentor do mais alto índice de alunos por sala, em comparação com os municípios da microrregião em que está inserido, tem maior significância com relação à evasão escolar. Essa hipótese é ainda mais reforçada na medida em que analisa-se o município de Lavrinhas, que acabamos de citar, tem o maior distanciamento entre o número de alunos por sala na comparação entre o ensino fundamental e o ensino médio, todavia está entre os três municípios com menor evasão escolar.

Portanto, o estudo sugere que a quantidade de alunos por sala, independente no nível de ensino, constitua um aspecto importante para a evasão escolar, caracterizando a relação causal.

De acordo com o Quadro 5, foi possível estabelecer algumas relações de causa e efeito num único ambiente de comparação entre indicadores. Primeiramente, na parte superior do quadro, foi feita a organização dos municípios em blocos, sendo dispostos em três melhores índices e três piores índices por indicador. Nessa parte do quadro, o indicador de referência que está sendo estudado também foi posicionado da mesma forma, ou seja, a evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio.

Na parte inferior do quadro foi montada uma matriz por meio da qual foi possível listar todos os municípios do grupo estudado, e atribuir a cada um deles um número, que corresponde a quantidade de vezes que o município apareceu no quadro superior, no bloco dos melhores índices e no bloco dos piores índices.

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Ao analisar a matriz do Quadro 5, observa-se que os três municípios que apresentam a menor evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio na microrregião de Guaratinguetá, não figuram nenhuma vez no bloco dos piores índices, ao passo que aparecem ao menos uma vez no bloco dos melhores índices. Os municípios que apresentam os maiores índices de evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio na microrregião de Guaratinguetá, aparecem no mínimo duas vezes no bloco dos piores índices, e não aparecem no bloco dos melhores índices necessariamente.

A primeira ressalva a se fazer com relação aos resultados dessa matriz, é que o município de Canas está entre os três maiores índices de evasão escolar, porém, aparece três vezes no bloco dos melhores índices. Também vale ressaltar que os municípios de Guaratinguetá e Cruzeiro, têm os menores índices de evasão escolar, mas aparecem apenas uma vez no bloco dos melhores índices.

Portanto, pode-se ponderar sobre esses resultados matriciais considerando que, para apresentar os menores índices de evasão escolar é mais importante não estar presente no bloco dos piores índices nenhuma vez, do que figurar várias vezes no bloco dos melhores índices. Também pode-se supor que o IDHM, particularmente, tem maior representatividade na evasão escolar do que os demais indicadores considerados nas análises de causa e efeito. Dos seis municípios que apresentaram os três maiores e os três menores índices de evasão escolar, cinco também estão no grupo dos três maiores e três menores IDHM, portanto, dos indicadores considerados nesse estudo o IDHM é o que apresenta maior fidelidade com os indicadores de evasão escolar entre o ensino fundamental e o ensino médio.

Também entende-se como relevante, observar os índices do município de Potim, pois, diferentemente dos demais, que permaneceram em zonas intermediárias ou navegaram entre o bloco dos melhores e o bloco dos piores índices, este se diferencia muito da amostra, com índices desfavoráveis em todos os indicadores, o que pode dar mais sustentação à relação de causa e efeito entre todos esses indicadores.

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Considerações finais

A guisa de conclusão, entende-se que, por meio dos dados eleitos e apresentados nesse estudo, na forma original ou modificada em alguns casos, foi possível desenvolver análises com bases numéricas, por isso quantitativas, e também reflexões de teor subjetivo. Todas essas discussões remetem ao entendimento de que não há indicadores absolutos e independentes, mas sim, indicadores que auxiliam na construção do conhecimento por meio de correlações com outros indicadores e também sob a análise crítica do pesquisador. Particularmente, os indicadores explorados nesse estudo levam à conclusão de que há relação causal entre todos eles, em maior ou menor grau, e de acordo com especificidades de cada município e também da microrregião. A descontinuidade dos estudos do jovem na faixa de 14 ou 15 anos de idade, pode trazer prejuízos irreversíveis para o futuro do sujeito e da sociedade, portanto, entende-se que esse estudo tem potencial para provocar e auxiliar na discussão sobre a evasão de alunos entre o ensino fundamental e médio, ficando em aberto a possibilidade importante de elaborar estudos que ajudem a sociedade na compreensão dos desdobramentos que essa evasão escolar pode causar em médio e longo prazo.

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