10 Minutos
Setembro de 2012
sobre as perspectivas do setor de resseguros
Destaques
O foco do crescimento e dos investimentos globais está mudando para os mercados em rápida expansão.
Muitos investidores questionam se seus interesses estão alinhados com os das equipes de comando das empresas nas quais investem.
O mercado vê os papéis lastreados em seguros como uma oportunidade para diversificar carteiras, ao mesmo tempo que investidores obtêm ganhos atraentes e ajustados ao risco.
À medida que muitos dos pilares do negócio tradicional de resseguro se transformam em commodities, as empresas terão de adaptar seus modelos de operação.
Como enfrentar as
novas realidades
de um mercado em
constante mudança
A chave para se ter um crescimento sustentável e atender a essas expectativas é, entre outros aspectos, olhar além do que todos buscam e concentrar-se em oferecer algo que o concorrente não tenha. É importante aproveitar ao máximo as inovações em análise de risco e a convergência entre resseguro e mercados de capital, a fim de administrar e transferir riscos de rotina com mais eficiência. O assunto é tratado mais a fundo a seguir.
As resseguradoras que saírem mais fortes da transformação serão capazes de unir as novas realidades do mercado às forças únicas de seu negócio. Já as que falharem em abrir um caminho nesse cenário poderão ficar em um desconfortável patamar mediano.
No complexo mercado de serviços financeiros, as resseguradoras têm razões para otimismo. Os prejuízos estão em queda, os ganhos em alta e os valores de suas ações têm apresentado desempenho melhor que o do setor de seguros. A capacidade dessas empresas de absorver perdas diz muito, tanto sobre sua resiliência como sobre o valor da proteção por elas oferecido em um cenário de risco global desafiador.
A questão que fica é como garantir crescimento lucrativo em um ambiente novo e singular. Com a alta limitada da demanda por resseguros na Europa e nos EUA, os mercados em rápida expansão da América do Sul, Ásia, África e Oriente Médio oferecem grande potencial de crescimento (juntas, essas regiões emergentes formam o que a PwC classifica como SAAME, na sigla em inglês). Por isso, vivem um período de concorrência feroz. Os desafios: as mudanças nos padrões de comércio e risco nos países da SAAME podem expor as resseguradoras a perdas não previstas. Além disso, estar no lugar certo e atrair os melhores negócios, no momento em que um fluxo cada vez maior de produtos e comércio circula apenas dentro desses mercados, é algo a levar em conta. Nesse contexto, os investidores se perguntam se as resseguradoras ambicionam crescer pelos motivos certos – e se seus lucros estão em um patamar considerado suficiente.
Instantâneo
A agenda do diretor-executivo Traçando o futuro:Definindo o mercado futuro e o
ambiente do cliente
Reinventando a organização:Redefinindo a organização para extrair vantagem competitiva
Governança
• Composições e qualificações da diretoria
• Remuneração executiva
• Cumprimento das normas regulatórias
• Gerenciamento de risco
• Relatórios financeiros e controles
Modelo-alvo de operações
• Estrutura legal e física
• Eficiência fiscal e de capital
• Estrutura de custo admissível
• Tecnologia
• Estrutura de parceria
• Pessoas e recursos
Vantagem competitiva
• “Vendo o futuro”
• “Guerra por talento”
• “Reinvenção constante” • “Inovação no produto” • “Agilidade estratégica” • “Adequação operacional” • Reequilíbrio econômico • Estrutura da indústria • Expectativas do investidor • Novas partes interessadas • Regulação
• Política social • Expectativas do cliente
• Adaptação a curto prazo • Adequação às tendências globais • Gerenciamento dos objetivos das novas
partes interessadas
• Determinação do apetite de risco • Redefinição das metas de desempenho • Reequilíbrio da carteira
• Relativa vantagem competitiva
Repensando a estratégia:Adequando o modelo de negócios à nova realidade comercial de mercado
01
Argumentos para
conquistar os
investidores
Perguntas para a diretoria
• O que você pode oferecer em mercados-alvo que concorrentes locais e globais não podem?
• Quando você espera que o retorno do investimento nos mercados SAAME supere o custo do ativo?
• Está suficientemente a par das expectativas dos investidores? • Até que ponto seus interesses estão
alinhados aos dos investidores? • Qual a melhor maneira de explicar a
analistas e investidores seus planos de expansão e a forma de atingi-los?
Muitos investidores questionam se seus interesses estão alinhados o suficiente com os das equipes de comando das empresas nas quais investem. Aqui, a PwC oferece informações que ajudarão as resseguradoras a alinhar suas premissas:
• O foco do crescimento e dos investimentos globais está mudando para os mercados SAAME. Muitas resseguradoras estão entrando na região. Mas os investidores questionam se as estratégias de crescimento delas vão se traduzir em aumento de ganhos.
• Fazer dinheiro em mercados onde os volumes normalmente são fracos é um desafio, principalmente quando empresas adotam estratégias de expansão parecidas. Além disso, novos entrantes estrangeiros podem enfrentar restrições a suas operações ou a concorrência bem estabelecida de influentes empresas locais, que se beneficiam de quotas para resseguro. • As ações de muitas resseguradoras são
negociadas a preços baixos por uma série de razões. Contudo, o impacto do fraco retorno dos papéis na lucratividade dessas empresas pode ser exagerado. Como disse recentemente um administrador de fundos de hedge ao jornal Financial Times: ‘Fundos de pensão consideram mais importante preservar os ativos que obter ganhos extraordinários e assumir riscos extraordinários para obtê-los. Observamos que ganhos positivos não correlacionados são mais importantes para investidores institucionais que grandes retornos.’
• É exatamente isso que está impulsionando os ganhos dos papéis lastreados em seguros (ILS, na sigla em inglês), e, apesar de poder ajudar o setor de resseguros, a verdade é que os investidores não estão totalmente convencidos – fundamentalmente, no que diz respeito à equiparação de ganhos com os da diretoria. • Muitas resseguradoras talvez tenham de
fazer mais para mostrar onde estão as melhores oportunidades para seu negócio, o que elas estão fazendo para capitalizar essas oportunidades e o que as capacita para entregar resultados. Isso exige uma visão clara de onde e como a empresa vai competir. Também demanda um plano de execução com credibilidade. A vantagem aqui é tangível e significativa, com investidores mais que dispostos a apoiar uma estratégia que realmente crie uma equiparação de ganhos.
02
Rápidas mudanças
no cenário de risco
global
Perguntas para a diretoria
• O quanto é confiável o modelo de riscos e avaliação de preços nos mercados da região SAAME?
• Como compensar a produção limitada de modelos e dados de risco nos países dessa região?
• Políticas multiterritoriais levam
suficientemente em conta as novas zonas de risco?
• As capacidades de subscrição necessárias estão disponíveis para julgar os riscos? • Como obter o talento necessário para
desenvolver a avaliação de riscos na região?
O crescimento da indústria e da demanda nos mercados SAAME está provocando uma rápida alta nos valores dos passivos. O valor de fábricas e infraestrutura elegíveis ao resseguro na China, na Índia e no Brasil disparou desde 2005, com quase US$ 20 trilhões em investimentos. Mas, apesar de terem subido, os volumes de prêmio ainda terão de aumentar em ritmo acelerado para acompanhar o valor do bem segurado. Os maiores desafios para as resseguradoras são a interconectividade e a interdependência crescentes dos mercados SAAME: • O comércio intra-SAAME vem crescendo mais
rapidamente que o registrado entre mercados desenvolvidos ou entre os desenvolvidos e emergentes. Apesar de muitas resseguradoras estarem ampliando sua presença no SAAME, elas podem ter de ir a outros centros emergentes, como Labuan (Malásia), Xangai ou São Paulo. • Perdas não previstas: à medida que as cadeias
de produção de empresas globais se tornam mais distantes e os estoques dos principais componentes diminuem, aumenta o potencial para perdas com interrupção nos negócios. Há, portanto, o perigo de confiar demais em modelos de risco único, que não levam em conta as exposições indiretas que isso provoca.
• O risco de perdas não previstas geradas pelo aumento nos valores de passivos na região do SAAME e pela interdependência econômica global foi ilustrado pelos prejuízos de US$ 12 bilhões decorrentes das enchentes na Tailândia em 2011. Os prêmios de seguro na indústria tailandesa, que cobriram a maior parte das perdas, eram de apenas US$ 370 milhões em 2011, o que resultou em um coeficiente de perdas superior a 3.000%.
• Olhando à frente, a marcha do cenário de risco global e os desafios que ele traz vão acelerar. Com a alta dos salários nos mercados SAAME mais desenvolvidos, como Brasil e China, os direitos dos trabalhadores devem ser ampliados. Assim, uma parte considerável da indústria mundial irá para locais de menor custo e mais próximos dos centros de expansão do mercado consumidor. Isso inclui a África, onde os dados disponíveis de risco e análise são ainda limitados.
• Os modelos de risco de catástrofe de mercados desenvolvidos, de prejuízos com terremotos nos EUA e Japão e vendavais nos EUA e Europa, continuam sendo dominantes. Será preciso identificar novas zonas de risco e atualizar os modelos.
03
O potencial dos ILS
Perguntas para a diretoria
• Os ILS conseguirão atrair investimentos que não iriam para suas principais operações?
• Como ter certeza de que sua análise de risco é confiável o bastante para tranquilizar e atrair investidores? • Como proporcionar taxas de retorno
estáveis, assumindo ao mesmo tempo riscos nos dois lados do balanço? • Como equiparar suas estruturas de ILS
aos diferentes apetites por risco e às expectativas de ganho de investidores em potencial?
• Como administrar as distintas
necessidades de consumidores de ILS e acionistas?
• Como atrair mais interesse e capital dos investidores SAAME?
• Como melhorar a análise e a avaliação de riscos, a fim de desenvolver estruturas de ILS para os riscos do mercado SAAME?
Em 2012, houve um salto na convergência do mercado de ações com o resseguro. Muitos investidores veem os ILS como uma oportunidade de diversificar suas carteiras, ao mesmo tempo que obtêm ganhos atraentes e ajustados ao risco – um volume significativo do novo dinheiro vem dos fundos de pensão. Os ILS permitem que os investidores entrem, lucrem e se retirem mais rapidamente do que ocorreria com o resseguro comum. Destaques:
• À medida que o mercado de ILS evolui, os avalistas melhoram a técnica de formação de preços e ajustam estruturas, adaptando-as aos diferentes apetites por risco e recompensa dos investidores. Além disso, abrem caminho para uma uniformização do produto no mercado. • Os ILS são às vezes mostrados como uma
ameaça ao resseguro, pois atrai investimentos e negócios de transferência de riscos. Mas cada vez mais participantes tradicionais do mercado estabelecem seus próprios instrumentos, equipes ou segmentos de ILS, passando a vê-los como um complemento que pode ajudá-los a atrair investidores que não querem aplicar no resseguro convencional.
• Como algumas áreas do resseguro se
transformaram em commodities, a concorrência dos mercados de capital pela transferência de risco tornou-se inevitável e deve crescer. Resseguradoras com visão de futuro veem nisso uma oportunidade e podem, por exemplo, prover seu conhecimento e experiência aos avalistas de ILS em troca de honorários, desfrutar de novas fontes de capital e dar a seus clientes uma mistura melhor de opções de transferência de risco.
• A expansão dos ILS também permitirá que as resseguradoras transfiram alguns riscos rotineiros de seus balanços para os mercados de ações, liberando capital e recursos para se concentrar em riscos novos e, potencialmente, mais lucrativos.
• De uma perspectiva de investimento, a expansão dos ILS mostra que os investidores buscam o risco não correlacionado puro e, muito importante, comunicado de forma transparente. • A longo prazo, os ILS também criam
oportunidades para unir capital e risco em mercados de rápido crescimento. Vários novos investimentos em ILS vêm de China, Oriente Médio e outros mercados SAAME . Sucessivamente, centros locais de resseguro em expansão poderão fornecer uma valiosa experiência regional de risco e canais para atrair ainda mais capital para os ILS.
04
Competição em
duas frentes e
recompensas
Perguntas para a diretoria
• O quanto é forte o seu negócio nos diferentes atributos de escala, competências, parceria de risco e transformação de risco?
• Como é possível aproveitar os recentes avanços em análise matemática para melhorar os contratos de resseguro? • Como essas inovações podem mudar
a maneira como seus clientes fecham contratos de resseguro?
• A automação maior dos contratos rotineiros permitirá mudar o foco dos talentos humanos para oportunidades mais lucrativas?
As novas realidades do mercado estão gerando desafios estratégicos, de gestão de riscos e de relações com investidores. Como muitos dos pilares do negócio tradicional de resseguro se estão se transformando em commodities, as empresas precisam adaptar seus modelos de operação. O principal desafio operacional é reconciliar duas trajetórias de crescimento muito diferentes: como controlar custos e melhorar os serviços em operações de rotina, enquanto se redireciona talento e recursos para oportunidades mais lucrativas. Tendo isso em mente, é importante saber:
• Resseguradoras com visão de futuro já buscam equilibrar os fatores de sucesso de escala, competências, parceria de risco e transformação de risco que permitam atender às demandas do mercado e do consumidor.
• A parceira de risco pode ajudar a reposicionar o resseguro como uma ferramenta estratégica, além de aumentar o valor do negócio.
• Obter o máximo das oportunidades de transferência de riscos permitirá às
resseguradoras buscar o papel de transformação mais adequado. Isso inclui equiparar a demanda por transferência de risco ao apetite dos
mercados acionários.
• Análises matemáticas de risco já são um fator de diferenciação que permite às resseguradoras obter melhor compreensão de seus riscos, estabelecer preços mais moderados e capitalizar oportunidades que as rivais podem não ter visto. • À medida que a subscrição de riscos se tornar
mais automatizada e bem controlada, os subscritores poderão dedicar mais tempo à supervisão e aos desafios, assessorando clientes e criando soluções, bem como analisando riscos complexos, específicos e desconhecidos.
Como colher recompensas
Mecanismos alternativos de transferência de riscos, como os ILS, podem reduzir ganhos de um lado, mas também proporcionam novas oportunidades de honorários e permitem às resseguradoras se concentrar em operações de gestão de riscos mais lucrativas. Na seção Instantâneo desta publicação, a PwC mapeia as principais considerações a serem feitas pelos altos executivos que buscam melhorar a competitividade de suas organizações e atrair investimentos em um cenário cambiante. Nos mercados SAAME, isso significa desenvolver a destreza na avaliação de riscos e ter acesso a negócios-chave para operar com lucro.
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Como a PwC pode
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Sócio PwC - Brasil, Líder do Segmento de Serviços Financeiros
(11) 3674 3833
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[email protected] Alfredo Sneyers
Sócio PwC - Brasil, Líder de Consultoria em Serviços Financeiros
(11) 3674 3698
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