Wilson da Mota Martins de Almeida
Previs˜
ao de Radia¸
c˜
ao Solar Direta sob a
Abordagem Singular Spectrum Analysis
Niter´oi - RJ, Brasil 18 de Dezembro de 2019
Universidade Federal Fluminense
Wilson da Mota Martins de Almeida
Previs˜
ao de Radia¸
c˜
ao Solar Direta
sob a Abordagem Singular Spectrum
Analysis
Trabalho de Conclus˜ao de Curso
Monografia apresentada para obten¸c˜ao do grau de Bacharel em Estat´ıstica pela Universidade Federal Fluminense.
Orientador: Prof. Mois´es Lima de Menezes
Niter´oi - RJ, Brasil
Ficha catalográfica automática - SDC/BIME Gerada com informações fornecidas pelo autor
Bibliotecário responsável: Ana Nogueira Braga - CRB7/4776
A447p Almeida, Wilson da Mota Martins de
Previsão de radiação solar direta sob a abordagem
singular spectrum analysis / Wilson da Mota Martins de Almeida ; Moisés Lima de Menezes, orientador. Niterói, 2019.
46 f. : il.
Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em
Estatística)-Universidade Federal Fluminense, Instituto de Matemática e Estatística, Niterói, 2019.
1. Singular spectrum analysis. 2. Modelagem. 3. Energia solar. 4. Análise de séries temporais. 5. Produção intelectual. I. Menezes, Moisés Lima de, orientador. II. Universidade Federal Fluminense. Instituto de Matemática e Estatística. III. Título.
-Resumo
A gera¸c˜ao de energia fotovoltaica vem sendo cada vez mais difundida no contexto das matrizes energ´eticas no mundo e o Brasil desponta com um grande potencial para tal fim, dado que ´e um dos maiores receptores de radia¸c˜ao solar no planeta. Com isso, faz-se necess´ario o desenvolvimento de t´ecnicas capazes de aumentar a capacidade preditiva de incidˆencia de radia¸c˜ao solar, ou da quantidade de tempo de exposi¸c˜ao ao sol de determi-nados locais a fim de auxiliar pesquisas para instala¸c˜oes de usinas geradoras de energia fotovoltaica, bem como qualquer outro estudo que demanda previs˜oes de incidˆencia de ra-dia¸c˜ao solar. Este projeto prop˜oe o uso de Singular Spectrum Analysis (SSA) via an´alise gr´afica de autovetores para filtrar uma s´erie de incidˆencia de exposi¸c˜ao completa ao sol, eliminando a componente ruidosa, e ent˜ao, gerando uma nova s´erie suavizada que foi modelada por Holt-Winters e Box-Jenkins. A s´erie temporal tamb´em foi modelada em sua forma original para fins comparativos com o intuito de testar a capacidade preditiva do modelo sobre a s´erie filtrada via SSA. Neste caso, o software FPW (Forecast Pro for Windows) foi utilizado para gerar os modelos e analisar as estat´ısticas de aderˆencia, o GRETL foi utilizado para analisar fun¸c˜oes de autocorrela¸c˜oes e autocorrela¸c˜oes parciais das s´eries temporais e o R foi utilizado para importar dados referente a res´ıduos e gerar seus gr´aficos. As estat´ısticas de aderˆencia consideradas foram a Raiz Quadrada do Erro Quadr´atico M´edio (RMSE), o Erro M´edio Percentual Absoluto (MAPE), o Desvio M´edio Absoluto (MAD) e o Crit´erio Bayesiano de Informa¸c˜ao (BIC). Os resultados mostram que o filtro Singular Spectrum Analysis melhora a capacidade preditiva dos modelos (tanto o de Holt-Winters quanto o de Box-Jenkins), e que, ap´os a filtragem da s´erie, o modelo de Box-Jenkins foi a melhor escolha para gerar previs˜oes dos dados solarim´etricos estudados.
Palavras-chaves: Energia fotovoltaica; Singular Spectrum Analysis; Autovetores; Holt-Winters; Box-Jenkins; Modelagem; Previs˜ao
Dedicat´
oria
Dedico esta conquista a meus pais, Sonia Maria da Mota Martins de almeida e Wilson Gon¸calves de Almeida, por todo o esfor¸co que fizeram para me criar e para que eu pudesse chegar at´e aqui, e `a Deus, porque nada seria poss´ıvel sem Ele.
Agradecimentos
Gostaria de agradecer aos meus pais, por tudo o que me proporcionaram para que eu conseguisse concluir este trabalho, bem como toda a minha gradua¸c˜ao.
A minha namorada Pˆamela, pelo apoio indondicional, por todo o amor, carinho e companheirismo, que se depender de mim, estar˜ao comigo por toda a minha vida.
Aos amigos que conquistei durante a gradua¸c˜ao, Mar´ılia e Tuany, que estiveram co-migo durante um bom tempo me apoiando e ajudando em todas as dificuldades que a gradua¸c˜ao proporciona, D´ebora, que torceu por mim e me apoiou durante boa parte do curso, e em especial, Bruna que permaneceu ao meu lado durante a gradua¸c˜ao inteira, aturando-me durante os momentos mais dif´ıceis da minha vida.
Ao meu orientador Mois´es, com quem eu obtive um aprendizado gigante, n˜ao s´o sobre o conte´udo deste trabalho, mas sobre diversas ´areas da vida acadˆemica, e por ter compreendido todas as minhas dificuldades, me ajudado a super´a-las com maestria.
`
A professora Keila, que n˜ao hesitou em me ajudar nas disciplinas mais complexas, inclusive, me emprestando materiais de estudos.
Aos professores Marco Sanfins e Wilson Calmon, que aceitaram ser membros da banca deste trabalho.
E `a UFF e todos os seus docentes. O conhecimento que se pode conquistar atrav´es deles ´e astronˆomico e fico extremamente grato por ter tido a chance de absorver um pouco deste conhecimento.
Sum´
ario
Lista de Figuras
Lista de Tabelas
1 Introdu¸c˜ao p. 11
1.1 Contextualiza¸c˜ao . . . p. 11
1.2 A importˆancia das previs˜oes de agentes geradores de energia . . . p. 12
1.3 Revis˜ao Bibliogr´afica . . . p. 13
1.4 Proposta do Projeto . . . p. 14
1.5 Objetivos . . . p. 14
1.6 Estrutura do Trabalho . . . p. 15
2 Materiais e M´etodos p. 16
2.1 Base de Dados . . . p. 16
2.2 An´alise de S´eries Temporais . . . p. 17
2.3 Componentes de uma S´erie Temporal . . . p. 17
2.4 Estacionariedade . . . p. 18 2.5 Teste de Dickey-Fuller Aumentado . . . p. 19
2.6 Teste de Kolmogorov-Smirnov . . . p. 19
2.7 Modelos de Holt-Winters . . . p. 19
2.8 Modelos de Box-Jenkins . . . p. 20
2.8.1 Processo auto-regressivo (AR) . . . p. 21
2.8.3 Processo Auto-Regressivo e de M´edias M´oveis (ARMA) . . . p. 22 2.8.4 Processo Auto-regressivo, Integrado e de M´edias M´oveis ARIMA(p,
d, q) . . . p. 22
2.8.5 Processos com Sazonalidade - SARIM A(p, d, q) × (P, D, Q)s . . p. 22
2.8.6 Fun¸c˜ao de Autocorrela¸c˜ao (F AC) e Fun¸c˜ao de Autocorrela¸c˜ao
Parcial (F ACP ) . . . p. 23
2.9 Singular Spectrum Analysis . . . p. 25 2.9.1 Decomposi¸c˜ao . . . p. 25
2.9.2 Reconstru¸c˜ao . . . p. 26
2.10 Estat´ısticas de Aderˆencia . . . p. 28
2.11 Resumo da Metodologia . . . p. 29
3 An´alise de Resultados p. 30
3.1 Modelagem sobre a s´erie original . . . p. 30
3.2 O melhor modelo para a s´erie original . . . p. 34
3.3 Abordagem SSA com an´alise gr´afica dos autovetores . . . p. 35
3.4 Modelos de Holt-Winters e Box-Jenkins sobre a s´erie filtrada via SSA . p. 37
3.5 O melhor modelo como um todo para a s´erie estudada . . . p. 41
3.6 An´alise da capacidade preditiva com dados coletados ap´os a ´ultima
ob-serva¸c˜ao da s´erie estudada . . . p. 42
4 Conclus˜ao p. 43
Lista de Figuras
1 S´erie temporal de insola¸c˜ao . . . p. 16
2 Fluxograma da proposta do projeto . . . p. 29
3 S´erie Original vs. S´erie Ajustada por Holt-Winters . . . p. 31 4 Comportamento das F AC e F ACP da s´erie original . . . p. 32
5 Comportamento das F AC e F ACP da s´erie original com uma diferen¸ca
sazonal . . . p. 33
6 S´erie Original vs S´erie Ajustada por SARIM A(1, 1, 1) × (1, 1, 1)12 . . . p. 34
7 Res´ıduos do SARIM A(1, 1, 1) × (1, 1, 1)12 . . . p. 35
8 Componente de tendˆencia . . . p. 36
9 Componente harmˆonica . . . p. 36
10 Componente ruidosa . . . p. 36
11 S´erie filtrada via SSA . . . p. 37
12 Comportamento gr´afico da s´erie modelada por Holt-Winters . . . p. 38
13 Correlogramas da s´erie filtrada com uma diferen¸ca . . . p. 39
14 Correlogramas da s´erie filtrada com uma diferen¸ca sazonal . . . p. 40 15 Comportamento gr´afico da s´erie ajustada via modelos de Box-Jenkins . p. 41
Lista de Tabelas
1 Dados de Localiza¸c˜ao da Esta¸c˜ao Solarim´etrica . . . p. 17
2 Estat´ısticas Descritivas da S´erie . . . p. 17
3 Equa¸c˜oes dos modelos de Holt-Winters . . . p. 20 4 Comportamento da F AC e da F ACP para modelos AR, M A e ARM A p. 24
5 Estat´ısticas de Aderˆencia dos modelos de Holt-Winters . . . p. 30
6 Modelo de Holt-Winters com tendˆencia linear e sazonalidade aditiva . . p. 31
7 Componentes Sazonais . . . p. 31
8 Estat´ısticas de Aderˆencia dos modelos de Box-Jenkins . . . p. 33
9 Estat´ısticas de Aderˆencia dos modelos de Holt-Winters . . . p. 35
10 Estat´ısticas de Aderˆencia dos modelos de Holt-Winters . . . p. 37
11 Modelo de Holt-Winters com tendˆencia linear e sazonalidade
multiplica-tiva para a s´erie filtrada . . . p. 38
12 Componentes Sazonais do modelo para a s´erie filtrada . . . p. 38
13 Estat´ısticas de Aderˆencia dos modelos de Box-Jenkins p´os-SSA . . . p. 40
14 Estat´ısticas de Aderˆencia dos modelos de Box-Jenkins p´os-SSA . . . p. 41 15 An´alise da capacidade preditiva dos modelos . . . p. 42
11
1
Introdu¸
c˜
ao
1.1
Contextualiza¸
c˜
ao
O panorama da produ¸c˜ao energ´etica mundial est´a mudando rapidamente, principal-mente devido a quest˜oes ambientais e econˆomicas (VICHI et al., 2009) [1]. A aten¸c˜ao de pesquisadores tem se voltado cada vez mais a fontes de energia renov´aveis. Dentre elas, a fotovoltaica, obtida atrav´es da convers˜ao de energia radiom´etrica em energia el´etrica.
De acordo com o Pereira et al. (2006) [2], o Brasil tem incidˆencias de irradia¸c˜ao solar muito maiores do que pa´ıses que fazem uso de energia solar em grande escala. O n´umero de horas de brilho do Sol pode passar de 3000 horas por ano. Em contrapartida, n˜ao passa nem perto de tirar bom proveito dessa situa¸c˜ao. O menor n´ıvel de irradia¸c˜ao solar no Brasil ´e 40% superior ao maior n´ıvel de irradia¸c˜ao na Alemanha, que ´e o pa´ıs com o maior aproveitamento de energia solar do mundo, o maior mercado, e tudo isso com territ´orio equivalente ao do estado de S˜ao Paulo (ESPOSITO & FUCHS et al., 2014) [3].
A energia hidroel´etrica (ou hidr´aulica) ainda ´e a principal fonte geradora de ener-gia el´etrica para mais de 30 pa´ıses e no Brasil corresponde a 64% de toda a demanda nacional, seguido das usinas termoel´etricas. Sabe-se que ambas s˜ao causadoras de im-pactos ambientas indesejados, principalmente as termoel´etricas, que emitem em demasia gases causadores do efeito estufa, que acaba por agravar o mesmo. Al´em disso, os custos de gera¸c˜ao de energia el´etrica tˆem se tornado pouco atrativos, principalmente quando h´a a necessidade de acionamento das usinas termoel´etricas que funcionam a partir de combust´ıvel f´osseis.
A Usina Hidroel´etrica de Itaipu ´e a maior do pa´ıs, mas tem metade da sua energia compartilhada com o Paraguai devido `a posi¸c˜ao geogr´afica da usina, localizada na fronteira entre os dois pa´ıses. De acordo com Esposito & Fuchs (2014) [3], se fossem instalados sistemas fotovoltaicos sobre o lago da Usina Hidrel´etrica de Itaipu (´area de 1.350 km2), a
1.2 A importˆancia das previs˜oes de agentes geradores de energia 12
´e um perfeito atrativo para investimento em pain´eis solares a fim de gerar e distribuir de energia fotovoltaica no Brasil.
Energias e´olica e hidroel´etrica s˜ao duas formas de energia que, para obter melhor planejamento e dimensionamento estrutural e econˆomico, s˜ao necess´arias previs˜oes de incidˆencia de ventos e de vaz˜ao de afluentes, respectivamente. Para isso, faz-se necesses´ario o uso de t´ecnicas estat´ısticas de an´alise de uma s´erie de dados coletados conforme o tempo (s´eries temporais). De forma intuitiva e dada a importˆancia da an´alise de s´eries temporais, ´e incontest´avel pensar que as mesmas t´ecnicas devem ser aplicadas com a mesma finalidade para prever a incidˆencia de radia¸c˜ao solar, fenˆomeno que pode variar conforme o tempo, o clima, a esta¸c˜ao do ano, o local etc.
1.2
A importˆ
ancia das previs˜
oes de agentes geradores
de energia
Certas matrizes energ´eticas, como a que ser´a abordada neste projeto, s˜ao acompa-nhadas de t´ecnicas estat´ısticas para previs˜ao da incidˆencia direta seus agentes geradores. Menezes et al. (2014) [4] j´a alerta que a popula¸c˜ao e a demanda por energia crescem de forma proporcional. Com a diminui¸c˜ao do uso de fontes f´osseis de energia e o aumento do uso da eletricidade, cresce cada vez mais a procura por fontes energ´eticas renov´aveis, limpas e de menor custo. ´E poss´ıvel enxergar isso nos autom´oveis, que gradativamente deixam de ser movidos `a combust˜ao e passam ao uso de baterias el´etricas para funcionar.
Com o crescimento da demanda por energia e considerando que a gera¸c˜ao fotovol-taica ´e uma das formas de gera¸c˜ao mais eficientes, com capacidade de produ¸c˜ao de longo prazo, impacto ambiental quase nulo e custo mais acess´ıvel, a an´alise de s´eries temporais para previs˜ao de radia¸c˜ao solar tende a ser cada vez mais empregada para viabilizar cons-tru¸c˜oes usinas, com previs˜oes periodicamente atualizadas a fim de promover um melhor planejamento econˆomico para o setor.
Existem ferramentas que podem ser empregadas para se obter uma melhor previs˜ao, com impacto direto na modelagem dos dados. Dentre elas, SSA (Singular Spectrum Analysis) ´e uma t´ecnica capaz de remover a componente ruidosa de uma s´erie temporal, sendo a ferramenta principal que ser´a trabalhada neste projeto, e ent˜ao usar modelos de Holt-Winters e de Box-Jenkins para prever a incidˆencia de insola¸c˜ao.
1.3 Revis˜ao Bibliogr´afica 13
1.3
Revis˜
ao Bibliogr´
afica
Miranda & Silva (2016) [5] utilizaram modelagem de s´eries temporais para previs˜ao de radia¸c˜ao solar a partir de dados coletados do portal da NASA Langley Research Center Atmospheric Science Data Center Surface Meteorological and Solar Energy (SSE), con-cluindo que modelos de Holt-Winters seriam mais indicados para previs˜oes de curto prazo, e que o modelo SARIM A (Box-Jenkins) seria capaz de obter melhor previs˜ao para longo prazo pela capacidade de captar melhor o comportamento sazonal da s´erie.
Couto et al., (2016) [6] fizeram medi¸c˜oes de radia¸c˜ao solar atrav´es de um piranˆometro (instrumento para medir a irradia¸c˜ao solar sobre uma superf´ıcie plana. Em outras pala-vras, ´e um sensor desenhado para medir a densidade do fluxo de radia¸c˜ao solar em W/m2 num campo de 180 graus), nas dependˆencias do Departamento de Engenharia El´etrica (DEE), da Universidade Federal do Cear´a (UFC), campus Fortaleza. Nesta mesma pes-quisa foram utilizados os modelos de m´edias m´oveis simples e o de amortecimento expo-nencial simples, concluindo que este ´ultimo modelo seria melhor para previs˜ao da s´erie estudada, bem como constataram o grande potencial do Cear´a e de toda a regi˜ao Nordeste para gera¸c˜ao de energia solar.
Cavalcante (2016) [7] prop˜oe o uso de SSA na filtragem de uma s´erie temporal de consumo de energia el´etrica usando a Clusteriza¸c˜ao Hier´arquica na fase de agrupamento. Os resultados obtidos mostram que a utiliza¸c˜ao da filtragem SSA proporciona um ganho preditivo `a modelagem e que ao utilizar a clusteriza¸c˜ao hier´arquica, a utiliza¸c˜ao de trˆes clusters obt´em o melhor desempenho e que, neste contexto, a escolha do modelo de Box-Jenkins det´em o melhor desempenho na modelagem e previs˜ao de consumo de energia el´etrica. Tais resultados corroboram para a utiliza¸c˜aao destes modelos no aux´ılio do planejamento energ´etico do pa´ıs.
Pessanha (2017) [8] propˆos um estudo sobre velocidades do vento em diferentes regi˜oes do Brasil, tendo como objetivo a an´alise de viabilidade de instala¸c˜ao de usinas e´olicas para produ¸c˜ao de energia el´etrica. Diferentes s´eries de velocidade do vento foram estudadas, utilizando an´alises e previs˜oes com modelagens de Holt-Winters e de Box-Jenkins.
1.4 Proposta do Projeto 14
1.4
Proposta do Projeto
Este trabalho tem como proposta a an´alise de uma s´erie temporal sob a abordagem SSA para previs˜ao de incidˆencia de insola¸c˜ao (radia¸c˜ao solar direta). A s´erie ser´a mode-lada via m´etodos de amortecimento exponencial de Holt-Winters sob diversos aspectos e via modelos ARIMA de Box & Jenkins de acordo com os resultados dos testes de nor-malidade, testes de raiz unit´aria e an´alises de correlogramas. Em seguida, esta s´erie ser´a filtrada via SSA de acordo com os resultados obtidos na an´alise de autovetores na fase de agrupamento. A s´erie filtrada via SSA tamb´em ser´a modelada via Holt-Winters e Box & Jenkins nos mesmos moldes aos quais a s´erie original foi submetida.
Ap´os obter os modelos, ser˜ao feitas an´alises dos res´ıduos para averiguar a adequa¸c˜ao do modelo. Os modelos considerados adequados passar˜ao por um crit´erio de escolha de acordo com a sua capacidade preditiva baseado nas estat´ısticas de aderˆencia. Ser´a considerado o modelo ideal aquele que minimizar as estat´ısticas de aderˆencia e os crit´erios utilizados. Ser˜ao usados, para fim de avalia¸c˜ao, os crit´erios e estat´ısticas de aderˆencia: Crit´erio de Informa¸c˜ao de Akaike (AIC), Crit´erio Bayesiano de Informa¸c˜ao (BIC), Erro Quadr´atico M´edio (RM SE), Erro Percentual M´edio Absoluto (M AP E) e Desvio M´edio Absoluto (M AD).
Neste projeto alguns softwares ser˜ao aplicados para facilitar as an´alises: FPW para modelagens de Holt-Winters e Box & Jenkins, calcular as estat´ısticas de aderˆencia e fazer an´alise de res´ıduos; Excel e R para gr´aficos de autovetores, s´erie original bem como filtrada e modelada, scaterplots e estat´ısticas descritivas; GRETL e R para testes de ra´ız unit´aria, testes de normalidade, an´alise de correlogramas e an´alise de res´ıduos; Caterpillar para filtragem SSA.
1.5
Objetivos
O objetivo deste projeto ´e avaliar a capacidade preditiva do modelo ap´os filtrar a s´erie usando o m´etodo SSA e comparar com a modelagem feita sem o filtro. Tendo como motiva¸c˜ao o crescimento do uso de energia fotovoltaica, este trabalho tamb´em se destina a auxiliar pesquisas para instala¸c˜oes de usinas de energia solar e outros estudos que precisem de previs˜oes de incidˆencia de radia¸c˜ao solar, bem como obter modelos de previs˜ao adequados.
1.6 Estrutura do Trabalho 15
1.6
Estrutura do Trabalho
O projeto se divide em 5 cap´ıtulos. No primeiro, consta a introdu¸c˜ao, que descreve contextaliza¸c˜oes e motiva¸c˜oes, a importˆancia de se fazer previs˜oes de dados solarim´etricos, revis˜ao bibliogr´afica e proposta do projeto. O cap´ıtulo 2 cont´em os objetivos. O terceiro ´e composto por materiais e m´etodos. O cap´ıtulo 4 concentra a an´alise de resultados e as conclus˜oes ficam no cap´ıtulo 5.
16
2
Materiais e M´
etodos
2.1
Base de Dados
Considerou-se uma base de dados com 252 observa¸c˜oes sobre ´ındices de radia¸c˜ao solar captados por ´area e por tempo, medidas mensalmente entre Janeiro de 1998 e Dezembro de 2018 por uma esta¸c˜ao situada em Petrolina, no estado de Pernambuco. A mesma foi fornecida pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). As medidas est˜ao descritas como o total de horas de exposi¸c˜ao ao sol no mˆes, representando momentos onde h´a forte indicˆencia de radia¸c˜ao solar. A figura 1 representa o comportamento da s´erie conforme os meses, bem como uma linha de tendˆencia.
Figura 1: S´erie temporal de insola¸c˜ao
As tabelas 1 e 2 representam, respectivamente, dados de localiza¸c˜ao da esta¸c˜ao sola-rim´etrica utilizada no projeto e estat´ısticas descritivas da s´erie temporal.
2.2 An´alise de S´eries Temporais 17
Tabela 1: Dados de Localiza¸c˜ao da Esta¸c˜ao Solarim´etrica Latitude (graus) Longitude (graus) Altitude (metros)
−9.38 −40.48 370.46
Tabela 2: Estat´ısticas Descritivas da S´erie
M´ınimo 1o Quartil Mediana M´edia 3o Quartil M´aximo Desvio Padr˜ao 123.9 235.0 259.6 257.6 285.1 336.1 34.7
2.2
An´
alise de S´
eries Temporais
Uma s´erie temporal ´e uma cole¸c˜ao de observa¸c˜oes feitas sequencialmente ao longo do tempo. A caracter´ıstica mais importante deste tipo de dados ´e que as observa¸c˜oes vizinhas s˜ao dependentes e o interesse est´a em analisar e modelar esta dependˆencia (EHLERS et al., 2007) [9]. ´E poss´ıvel enumerar v´arios exemplos de s´eries temporais: temperaturas m´aximas e m´ınimas di´arias em uma cidade, vendas mensais de uma empresa, valores mensais do IPC-A, valores de fechamento di´arios do IBOVESPA, resultado de um ele-troencefalograma, gr´afico de controle de um processo produtivo, bem como o processo abordado por este projeto: incidˆencia de radia¸c˜ao direta.
Segundo Chaftfield (2000) [10], grande parte das s´eries temporais s˜ao realiza¸c˜oes de processos estoc´asticos, com valores futuros sendo parcialmente dependentes de valores observados no passado. Um processo estoc´astico pode ser descrito como uma fam´ılia de vari´aveis aleat´orias {Z1, Z2, Z3, ..., Zt} indexadas no tempo (XAVIER et al., 2016) [11].
Na maioria dos casos, objetivo de se analisar uma s´erie temporal ´e conseguir, com o uso de t´ecnicas de modelagem espec´ıficas, determinar uma equa¸c˜ao que descreva e calcule previs˜oes futuras da forma mais precisa poss´ıvel.
2.3
Componentes de uma S´
erie Temporal
Segundo o modelo cl´assico, todas as s´eries temporais s˜ao compostas de quatro padr˜oes:
• Tendˆencia (T ), que ´e o comportamento de longo prazo da s´erie. Este tipo de va-ria¸c˜ao est´a presente quando uma s´erie exibe constantes crescimentos ou decl´ınios, em sucessivos per´ıodos de tempo.
• Ciclos (C), que descrevem flutua¸c˜oes peri´odicas nos valores da vari´avel estudada. Com o passar dos anos, tais flutua¸c˜oes acontecem com certa frequˆencia. No caso de estudo de dados meteorol´ogicos, geralmente s˜ao resultados de fenˆomenos clim´aticos.
2.4 Estacionariedade 18
• Sazonalidade (S), que tamb´em descreve flutua¸c˜oes no valor das vari´aveis, mas di-ferente dos ciclos, ocorrem sempre num determinado per´ıodo de tempo inferior a um ano. Geralmente ao se coletar dados de consumo mensais por alguns anos, nota-se um crescimento do mesmo em ´epocas festivas. O mesmo pode ocorrer em dados meteorol´ogicos em detrimento das esta¸c˜oes do ano, onde h´a ´epocas com maior incidˆencia de radia¸c˜ao solar e outras com menos.
• Varia¸c˜oes Irregulares (I), que s˜ao mudan¸cas inexplic´aveis no comportamento da s´erie num intervalo de tempo. Podem ser ocasionadas por qualquer acontecimento ines-perado. Embora seja dif´ıcil de ocorrer em processos meteorol´ogicos, uma cat´astrofe natural poderia provocar flutua¸c˜oes desses dados.
2.4
Estacionariedade
Diz-se de um processo estoc´astico que ele ´e estacion´ario se mant´em as suas propri-edades estat´ısticas independente do intervalo de tempo. Pode-se definir trˆes tipos de estacionariedade:
1. Estacionariedade Estrita: quando a estrutura probabilistica n˜ao varia com o tempo, ou seja, p(Zt1, Zt2, ...Ztn) = p(Zt1+k, Zt2+k, ..., Ztn+k)
2. Estacionariedade Ampla: quando os momentos E(Zt(i)), i = 1, 2, ..., n n˜ao variam no tempo;
3. Estacionaridade de 2a ordem: quando a estacionariedade ampla est´a restrita a n = 2, ou seja, m´edia constante, variˆancia constante e a fun¸c˜ao de autocovariˆancia s´o depende da diferen¸ca dos tempos.
Para os estudos referentes aos modelos a serem usados neste trabalho, ser´a tratada a estacionariedade de 2a ordem.
2.5 Teste de Dickey-Fuller Aumentado 19
2.5
Teste de Dickey-Fuller Aumentado
O teste de Dickey-Fuller ´e um teste de raiz unit´aria. Necessariamente, quando uma s´erie temporal possui raiz unit´aria, ela n˜ao ´e estacion´aria. As hip´oteses do teste podem ser vistas de forma simples.
H0 : A s´erie possui raiz unit´aria
H1 : A s´erie n˜ao possui raiz unit´aria
2.6
Teste de Kolmogorov-Smirnov
O teste de Kolmogorov-Smirnov ´e um teste de aderˆencia, geralmente utilizado para verificar se os dados seguem distribui¸c˜ao normal. Este teste compara a m´axima diferen¸ca absoluta entre a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao acumulada assumida para os dados, no caso a normal, e a fun¸c˜ao de distribui¸c˜ao emp´ırica dos dados. O teste pode ser usado para avaliar as seguintes hip´oteses:
H0 : Os dados seguem uma distribui¸c˜ao normal
H1 : Os dados n˜ao seguem uma distribui¸c˜ao normal
Neste caso, ao rejeitar a hip´otese nula, n˜ao h´a evidˆencias para crer que os dados seguem uma distribui¸c˜ao normal. Caso contr´ario, assume-se distribui¸c˜ao normal para os dados observados.
2.7
Modelos de Holt-Winters
O m´etodo de Holt-Winters foi sugerido por Holt (1957) [12] e Winters (1960) [13], que trabalharam no School of Industrial Administration e em Carnegie Institute of Te-chnology. O m´etodo usa m´edias m´oveis ponderadas exponencialmente para atualizar as estimativas da m´edia ajustada sazonalmente (chamada de n´ıvel), inclina¸c˜ao (tendˆencia) e sazonalidade.
2.8 Modelos de Box-Jenkins 20
al. (2010) [14] sugerem que o melhor crit´erio de escolha entre os fatores multiplicativos ou aditivos ´e calcular medidas de precis˜ao, assim a op¸c˜ao recai naquela que apresentar o(s) menor(es) erro(s). Outra poss´ıvel forma de indicar o modelo aditivo, ´e se a s´erie apresentar oscila¸c˜oes aproximadamente constantes. Entretando, se as oscila¸c˜oes sazonais forem pro-porcionais ao n´ıvel da s´erie, o modelo multiplicativo ´e mais indicado (VASCONCELOS; COSTA, 2008) [15].
A tabela 3 apresenta as equa¸c˜oes de atualiza¸c˜ao dos parˆametros dos modelos de Holt-Winters tanto com sazonalidade aditiva quanto com sazonalidade multiplicativa:
Tabela 3: Equa¸c˜oes dos modelos de Holt-Winters Modelo Aditivo N´ıvel Lt= α(Zt− St−s) + (1 − α)(Lt−1+ Tt−1) Tendˆencia Tt= β(Lt− Lt−1) + (1 − β)Tt−1 Sazonalidade St = γ(Zt− Lt) + (1 − γ)St−s Previs˜ao Zt+h= (Lt+ h × Tt) + St−s+h Modelo Multiplicativo N´ıvel Lt = αSZt−st + (1 − α)(Lt−1+ Tt−1) Tendˆencia Tt= β(Lt− Lt−1) + (1 − β)Tt−1 Sazonalidade St= γZLtt + (1 − γ)St−s Previs˜ao Zt+h= (Lt+ h × Tt)St−s+h Onde:
• S ´e o comprimento da Sazonalidade;
• Lt ´e o N´ıvel da s´erie;
• Tt´e a Tendˆencia da s´erie;
• St ´e a Componente Sazonal;
• Zt+h ´e a previs˜ao h passos `a frente;
• Zt ´e o Valor Observado;
• α, β, γ s˜ao constantes de amortecimento de n´ıvel, tendˆencia e sazonalidade, respec-tivamente;
2.8
Modelos de Box-Jenkins
Os modelos de Box-Jenkins, tamb´em conhecidos como Modelos Autoregressivos Inte-grados e de M´edias M´oveis, ou simplesmente ARIM A (Autoregressive Integrated Moving
2.8 Modelos de Box-Jenkins 21
Average), foram propostos por George Box e Gwilym Jenkins no in´ıcio dos anos 70 (BOX & JENKINS, 1970) [16].
Os modelos de Box-Jenkins partem da id´eia de que os valores de uma s´erie temporal s˜ao altamente dependentes, ou seja, cada valor pode ser explicado por valores pr´evios da s´erie. Os modelos ARIMA representam a classe mais geral de modelos para a an´alise de s´eries temporais (PELLEGRINI et al., 2000) [17].
Segundo Fava (2000) [18], os modelos ARIMA resultam da combina¸c˜ao de trˆes compo-nentes denominados “filtros”: o componente auto-regressivo (AR), o filtro de integra¸c˜ao (I ) e o componente de m´edias m´oveis (MA). Uma s´erie pode ser modelada pelos trˆes filtros ou apenas um subconjunto deles.
2.8.1
Processo auto-regressivo (AR)
Uma vari´avel aleat´oria Zt, t ∈ R, ´e um processo auto-regressivo de ordem p e pode-se
denotar Zt∼ AR(p). A equa¸c˜ao do modelo pode ser escrita da seguinte forma:
Zt= φ1Zt−1+ φ2Zt−2+ ... + φpZt−p+ at
Onde φ1, φ2, ..., φp s˜ao parˆametros reais e at´e um ru´ıdo branco, independente,
identi-camente distribu´ıdo e at∼ N (0, σ2).
2.8.2
Processo de M´
edias M´
oveis (MA)
Os modelos de m´edias m´oveis geralmente representam a observa¸c˜ao Zt subtra´ıda da
m´edia, depende linearmente de um n´umero finito q de valores pr´evios do ru´ıdo aleat´orio at, isto ´e, s˜ao formados por combina¸c˜oes lineares com o ru´ıdo branco.
No processo de m´edias m´oveis, pode-se escrever Zt ∼ M A(q) e tem-se a seguinte
equa¸c˜ao do modelo:
Zt= at− θ1at−1− θ2at−2− ... − θqat−q
Onde θ1, θ2, ..., θq s˜ao parˆametros reais e at´e ru´ıdo branco, com valores independentes
2.8 Modelos de Box-Jenkins 22
2.8.3
Processo Auto-Regressivo e de M´
edias M´
oveis (ARMA)
Em certas ocasi˜oes, modelar uma s´erie temporal apenas com equa¸c˜oes de processos auto-regressivos ou de m´edias-m´oveis n˜ao produz boas previs˜oes. ´E poss´ıvel que se uti-lize um modelo misto para resolver problemas desse tipo, incluindo termos de ambos os modelos. O resultado pode ser chamado de modelo ARMA(p, q) e sua equa¸c˜ao pode ser escrita da seguinte forma:
Zt= φ1Zt−1+ φ2Zt−2+ ... + φpZt−p+ at− θ1at−1− θ2at−2− ... − θqat−q
Onde φ1, φ2, ..., φp s˜ao parˆametros reais da parte auto-regressiva, θ1, θ2, ..., θq
perten-cem `a parte de m´edias m´oveis e at´e o ru´ıdo branco, com m´edia zero e variˆancia σ2.
2.8.4
Processo Auto-regressivo, Integrado e de M´
edias M´
oveis
ARIMA(p, d, q)
´
E a forma generalizada dos modelos de Box-Jenkins. Trivialmente, para se usar mo-delos da classe ARIMA sem nenhuma transforma¸c˜ao nos dados (casos vistos nos modelos auto-regressivos e de m´edias m´oveis), uma s´erie deve ser naturalmente estacion´aria. Caso os dados n˜ao se distribuam de forma estacion´aria ao longo do tempo, transforma¸c˜oes devem ser feitas at´e que se consiga uma s´erie estacion´aria. Geralmente aplica-se quan-tas diferencia¸c˜oes forem necess´arias entre as observa¸c˜oes da s´erie at´e que a mesma se torne estacion´aria. O n´umero de diferen¸cas aplicadas para tornar a s´erie estacion´aria ´e denominado de ordem de integra¸c˜ao (d). O modelo ARIMA(p, d, q) tem forma:
φ(B)∇dZt= θ(B)at
Onde B ´e operador de defasagem tal que BkZ
t = Zt−k, ∇ = (1 − B) ´e o operador
das diferen¸cas tal que ∇Zt = Zt− Zt−1, φ(B) ´e o polinˆomio da parte auto-regressiva de
ordem p, φ(B) = 1 − φ1B − φ2B2 − ... − φpBp, θ(B) ´e o polinˆomio da parte de m´edias
m´oveis de ordem q, sendo θ(B) = 1 − θ1B − θ2B2− ... − θqBq.
2.8.5
Processos com Sazonalidade - SARIM A(p, d, q)×(P, D, Q)
sDe acordo com Montgomery et al. (1990) [19], grande parte das s´eries temporais apresentam varia¸c˜oes sazonais. Isto ocorre quando se percebe alguma varia¸c˜ao peri´odica que ocorre a cada s intervalos de tempo. Exemplo de varia¸c˜oes sazonais podem ser vistas
2.8 Modelos de Box-Jenkins 23
em acontecimentos clim´aticos, pois as esta¸c˜oes mudam no mesmo momento em cada ano. Tais varia¸c˜oes s˜ao chamadas de sazonalidade anual e geralmente, s = 12, representando os doze meses do ano.
Segundo Morettin & Toloi (2006) [20], SARIM A ´e um dos modelos mais utilizados para fazer previs˜oes. Ele tem a seguinte forma:
φ(B)Φ(Bs)∇d∇D
s Zt= θ(B)Θ(Bs)at
Em que:
• φ(B) componente auto-regressivo de ordem p;
• Φ(Bs) componente auto-regressiva sazonal de ordem P ;
• θ(B) componente de m´edias-m´oveis de ordem q;
• Θ(Bs) componente de m´edias-m´oveis sazonal de ordem Q;
• ∇d operador de diferen¸cas de ordem d;
• ∇D
s operador de diferen¸cas sazonal de ordem D;
• at ru´ıdo branco
2.8.6
Fun¸
c˜
ao de Autocorrela¸
c˜
ao (F AC) e Fun¸
c˜
ao de
Autocor-rela¸
c˜
ao Parcial (F ACP )
A fun¸c˜ao de autocorrela¸c˜ao mede o grau de correla¸c˜ao de uma vari´avel, em um dado instante, consigo mesma, em um instante de tempo posterior. Ela permite que se analise o grau de irregularidade de um sinal.
A an´alise da F AC e da F ACP ´e de fundamental importˆancia para o procedimento de previsˆao de s´eries temporais, pois ´e com ela que se identifica as ordens p e q de um modelo ARM A. Pode ser definida como a raz˜ao entre a autocovariˆancia (γ) e a variˆancia
2.8 Modelos de Box-Jenkins 24
(σ2) para um conjunto de dados:
γk = N −k X t=1 1 N − k(Zt− ¯Z)(Zt+k − ¯Z) ¯ Z = N X t=1 Zt N ρk = γk γ0
A fun¸c˜ao de autocorrela¸c˜ao parcial (F ACP ) ´e uma medida que corresponde `a
cor-rela¸c˜ao entre as observa¸c˜oes Zte Zt−k, removendo o efeito das observa¸c˜oes de Zt−1, Zt−2, ..., Zt−k+1
e pode-se denotar por φkk. Matematicamente, tem-se:
φkk = Cor(Zt, Zt−1/Zt−1, Zt−2, ..., Zt−k+1)
As Equa¸c˜oes de Yule-Wlaker s˜ao um m´etodo geral para se obter a F ACP de um processo estacion´ario. Elas podem ser representadas na forma matricial:
1 ρ1 ρ2 · · · ρp−1 ρ1 1 ρ1 · · · ρp−2 ρ2 ρ1 1 · · · ρp−3 .. . ... ... . .. ... ρp1 ρp−2 ρp−3 · · · 1 φ1p φ2p φ3p .. . φpp = ρ1 ρ2 ρ3 .. . ρp
Com isto, tem-se propriedades das fun¸c˜oes de autocorrela¸c˜ao e autocorrela¸c˜ao par-cial para alguns procesos estacion´arios que auxiliam na identifica¸c˜ao do modelo, melhor apresentado na tabela 4:
Tabela 4: Comportamento da F AC e da F ACP para modelos AR, M A e ARM A
Processo F AC F ACP
Ru´ıdo Branco 0 0
AR Decaimento Exponencial Corte brusco na defasagem p M A Corte brusco na defasagem q Decaimento exponencial ARM A Decaimento exponencial na Decaimento exponencial na
2.9 Singular Spectrum Analysis 25
2.9
Singular Spectrum Analysis
Singular Spectrum Analysis (SSA), ´e uma t´ecnica n˜ao param´etrica que permite de-compor uma s´erie temporal em sinal e ru´ıdo. ´E uma t´ecnica ´util para filtrar dados de s´eries temporais. Menezes et al. (2014) [4] utilizaram trˆes metodologias na abordagem SSA: An´alise de componentes principais (ACP), ACP associado com An´alise de Cluster e An´alise Gr´afica dos Vetores Singulares. Em seu artigo ´e mostrado que o melhor m´etodo em SSA ´e a An´alise Gr´afica dos vetores singulares, que ser´a usado neste projeto. SSA ´e um m´etodo recente e poderoso em s´eries temporais que incorpora elementos de an´alise cl´assica de s´eries temporais, estat´ıstica multivariada, geometria multivariada, sistemas dinˆamicos e processamentos de sinais (Elsner & Tsonis, 1996) [21]. SSA tem sido apli-cada com sucesso em diversas ´areas: na matem´atica e f´ısica a economia e matem´atica financeira, na meteorologia e oceanografia a ciˆencias sociais (GOLYANDINA et al., 2001) [22].
O m´etodo SSA ´e um procedimento que pode ser utilizado, dentre outras aplica¸c˜oes, na remo¸c˜ao de ru´ıdo e de s´eries temporais (GOLYANDINA et al., 2001; HASSANI et al., 2012) [22], [24]. A vers˜ao b´asica do m´etodo SSA pode ser dividida em duas etapas: decomposi¸c˜ao e reconstru¸c˜ao.
2.9.1
Decomposi¸
c˜
ao
Segundo Golyandina et al. (2001) [22], a etapa de decomposi¸c˜ao pode ser subdividida em duas partes: Incorpora¸c˜ao e decomposi¸c˜ao em valores singulares (SVD – Singular Value Decomposition).
Seja Zt = [z1, . . . zT]1×T uma s´erie temporal (HAMILTON, 1994) [23] e considere L
tal que 2 ≤ L ≤ T de modo que L ´e um parˆametro a ser estimado e ´e chamado de comprimento da janela. Entende-se por Incorpora¸c˜ao o procedimento no qual uma s´erie temporal ZT ´e levada a uma matriz X = [z1, . . . , zk]L×T, para todo k ∈ [1, . . . , K], onde
K = T − L + 1. A matriz X, conhecida como matriz trajet´oria ´e uma matriz Hankel, ou seja, os elementos de xi,j tal que i + j = constante s˜ao iguais.
Considere S = XX0. Os autovalores de S dispostos em ordem de significˆancia λ1 ≥ · · · ≥ λL ≥ 0 s˜ao obtidos e os respectivos autovetores U1, . . . , UL s˜ao encontrados.
Considere V = (X0UL)/
√
2.9 Singular Spectrum Analysis 26
pode ser expressa pela decomposi¸c˜ao em valores singulares (SVD) apresentada em (2.1):
X = E1+ E2+ · · · + EL, (2.1)
onde El =
√
λUlVl0, para todo l = 1, . . . , L. A cole¸c˜ao (
√
λl, Ul, Vl) ´e conhecida como
autotripla da expans˜ao SVD de X. Os elementos da autotripla s˜ao definidos respectiva-mente por: valor singular, vetor singular `a esquerda e vetor singular `a direita de X [4]. A contribui¸c˜ao de cada componente em (2.1) pode ser mensurada pela raz˜ao de autovalores λl/PLl=1λl.
2.9.2
Reconstru¸
c˜
ao
Segundo Golyandina et al. (2001) [22], a etapa de reconstru¸c˜ao est´a subdividida em duas partes: agrupamento e m´edia diagonal. A etapa de agrupamento consiste no procedimento de agrupar algumas sequˆencias de matrizes elementares resultantes da de-composi¸c˜ao SVD em grupos disjuntos e, ap´os isso, som´a-las, gerando novas matrizes elementares.
Considere a sequencia PL
l=1El de matrizes elementares da expans˜ao de SVD. Agrupe
as mesmas em m grupos disjuntos utilizando algum m´etodo, por exemplo, por meio de an´alise de componentes principais, an´alise gr´afica de vetores singulares ou agrupamento hier´arquico e assumir que o conjunto de ´ındices gerado ´e dado por {I1, . . . , Im}, de modo
que a expans˜ao (2.1) pode ser reescrita como em (2.2), sendo XIi arbitr´aria tal queXIi = Ppi j=1XIij. X = L X l=1 El = m X i=1 XIi (2.2)
O objetivo do agrupamento ´e diminuir o n´umero de componentes na expans˜ao da matriz trajet´oria X. A contribui¸c˜ao de cada componente ´e mensurada pela raz˜ao (2.3).
Ppi
j=1λIij
PL
l=1λl
. (2.3)
Considere a matriz trajet´oria X e assuma que L∗ = min(L, K) e K∗ = max(L, K). Considere x(i)l,k um elemento na linha l e coluna k na matriz XIi. O elemento z
(i)
t da
componente hz(i)t i
1×T
2.9 Singular Spectrum Analysis 27
da matriz elementar XIi definida em (2.4), a partir da matriz elementar XIi.
z(i)t = t P l=1 x(i)l,t−l+1 t , se 1 ≤ t < L ∗ L∗ P l=1 x(i)l,t−l+1 L∗ , se L ∗ ≤ t < K∗ T −K∗+1 P l=t−K∗+1 x(i)l,t−l+1 T −K∗+1 , se K ∗ ≤ t ≤ T (2.4)
Cada componente hzt(i)i
1×T
concentra parte da energia da s´erie temporal original
[zt]1×T que pode ser mensurada pela raz˜ao de autovalores pi P j=1 λIij/ d P l=1 λl. De acordo com
Hassani et al. (2012)[24], podemos classificar as componentes SSAhzt(i)i
1×T
de uma s´erie temporal arbitr´aria [zt]1×T em trˆes categorais: tendˆencia, componentes harmˆonicas (ciclo
e sazonalidade) e ru´ıdo (GOLYANDINA et al., 2001) [22].
De acordo com Hassani et al. (2012) [24], um dos principais conceitos estudados em SSA ´e a propriedade de separabilidade. Tal propriedade caracteriza qu˜ao bem separados est˜ao as diferentes, componentes, umas das outras. Uma boa medida de separabilidade ´e a Correla¸c˜ao Ponderada. Por correla¸c˜ao ponderada weighted correlation ou w-correla¸c˜ao, podemos entender como uma fun¸c˜ao que quantifica a dependˆencia linear entre duas com-ponentes SSA ZT(1) e ZT(2) definida em (2.5).
ρ(w)ij = ZT(i), ZT(j) w ||ZT(i)||w||Z (j) T ||w . (2.5) onde ||ZT(i)||w = r ZT(i), ZT(i) w ; ||ZT(j)||w = r ZT(j), ZT(j) w ;ZT(i), ZT(j) w = T P k=1 wkz (i) k z (j) k e wk= min{k, L, T − k}.
Atrav´es da separabilidade, pode-se verificar estatisticamente se duas componentes SSA est˜ao bem separadas, em termos de dependˆencia linear. Se o valor absoluto da w-correla¸c˜ao ´e pequeno, ent˜ao as componentes SSA correspondentes s˜ao classificadas como w-ortogonais (ou quase w-ortogonais); caso contr´ario, s˜ao ditas mal separadas. Salienta-se que comumente utiliza-se a correla¸c˜ao ponderada na fase de agrupamento SSA (GOLYAN-DINA et al., 2001) [22].
2.10 Estat´ısticas de Aderˆencia 28
2.10
Estat´ısticas de Aderˆ
encia
A escolha do melhor m´etodo de previs˜ao estimado depende da an´alise de algumas medidas de erro com o objetivo de apontar o modelo que tenha uma precis˜ao maior na hora de prever os dados. Neste caso, considera-se algumas estat´ısticas de aderˆencia: RMSE (Root Mean Squared Error) ou a Raiz quadrada da Erro Quadr´atico M´edio; MAPE (Mean Absolute Percentage Error) ou Erro M´edio Percentual Absoluto; MAD (Mean Absolute Deviation) ou Desvio M´edio Absoluto, cujas equa¸c˜oes s˜ao apresentadas abaixo, respectivamente: RM SE = v u u t N X t=1 (Zt− bZt)2 N (2.6) M AP E = N X t=1 Zt− bZt Zt N (2.7) M AD = N X t=1 Zt− bZt N (2.8)
Sendo N o n´umero de observa¸c˜oes, Zte bZto valor observado e o estimado pelo modelo
no instante t, respectivamente.
Tamb´em ´e importante observar os crit´erios AIC (Crit´erio de Informa¸c˜ao de Akaike e BIC (Crit´erio Bayesiano de Informa¸c˜ao), que s˜ao estat´ısticas que penalizam o n´umero elevado de parˆametros do modelo:
AIC(p, q) = −2 ln(σp,q2 ) + 2(p + q + 2) (2.9)
BIC(p, q) = −2 ln(σp,q2 ) + (p + q)ln(N )
N (2.10)
Onde N ´e o n´umero de observa¸c˜oes e σ2
p,q ´e a variˆancia estimada pelo modelo com
ordens p e q.
O melhor modelo em termos de capacidade preditiva ´e aquele que minimiza as es-tat´ısticas de aderˆencia, isto ´e, quanto menor os valores de tais estat´ısticas, mais acurado ´e o modelo, e que apresenta valores mais baixos nos crit´erios AIC e BIC.
2.11 Resumo da Metodologia 29
2.11
Resumo da Metodologia
O cap´ıtulo 2 expˆos os objetivos deste estudo. A s´erie de dados original, primeiramente, ser´a modelada atrav´es de modelos de Holt-Winters e Box-Jenkins antes de ser filtrada via SSA. Os modelos ser˜ao analisados com base em suas estat´ısticas de aderˆencia e ser´a escolhido um que tenha melhor capacidade preditiva.
E ent˜ao a s´erie original passar´a pelo filtro SSA, e a s´erie gerada ser´a, novamente, modelada por Holt-Winters e Box-Jenkins. Os modelos gerados (com e sem a abordagem Singular Spectrum Analysis) ser˜ao avaliados quanto as suas estat´ısticas de aderˆencia e capacidade de prever melhor os futuros ´ındices de radia¸c˜ao direta.
A figura 2 apresenta o fluxograma que descreve os passos que ser˜ao executados neste projeto:
30
3
An´
alise de Resultados
3.1
Modelagem sobre a s´
erie original
Inicialmente a s´erie original foi modelada a via Amortecimento Exponencial de Holt-Winters utilizando o software FPW. Apesar de existir a op¸c˜ao de modelagem autom´atica cujo programa julga ser o modelo mais adequado, foram utilizadas todas as varia¸c˜oes de modelos de amortecimento exponencial, isto ´e, com e sem tendˆencia linear, bem como sazonalidade aditiva e multiplicativa. A tabela 5 cont´em as estat´ısticas de aderˆencia dos modelos.
Tabela 5: Estat´ısticas de Aderˆencia dos modelos de Holt-Winters
Modelos M AP E RM SE M AD BIC
SEM tendˆencia linear e SEM sazonalidade 0.11260 34.12 27.64 34.50 SEM tendˆencia linear e COM saz. ADITIVA 0.08783 28.22 21.38 28.85 SEM tendˆencia linear e COM saz. MULTIPLICATIVA 0.08801 28.28 21.44 28.90 COM tendˆencia linear e SEM sazonalidade 0.11560 35.14 28.04 35.92 COM tendˆencia linear e COM saz. ADITIVA 0.08803 28.13 21.25 29.07 COM tendˆencia linear e COM saz. MULTIPLICATIVA 0.08871 28.20 21.32 29.15
O melhor modelo ´e aquele que minimiza as estat´ısticas de aderˆencia. H´a 2 modelos que poderiam ser escolhidos, pois cada um possui duas das menores medidas de qualidade de ajuste. Ambos possuem sazonalidade aditiva e a diferen¸ca fica a cargo de um possuir tendˆencia linear e o outro, n˜ao. Devido ao modelo com tendˆencia linear ter um R2ajustado
de 0.3342 e a mesma medida do modelo sem tendˆencia linear ser de 0.3327, o modelo com tendˆencia linear ser´a escolhido como a melhor modelagem de Holt-Winters para a s´erie original. Os parˆametros do escolhido encontram-se nas tabelas 6 e 7. Neste caso, o R2 ´e uma estat´ıstica que explica, em porcentagem, a variabilidade do modelo, 0 ≤ R2 ≤ 1 e
quanto maior, melhor.
A figura 3 apresenta o comportamento da s´erie original e a s´erie ajustada atrav´es do modelo escolhido.
3.1 Modelagem sobre a s´erie original 31
Tabela 6: Modelo de Holt-Winters com tendˆencia linear e sazonalidade aditiva Parˆametros
N´ıvel Lt= 0.01284
Tendˆencia Tt = 0.01702
Sazonalidade St= 0.06560
Tabela 7: Componentes Sazonais Jan -3.1507 Jul -5.8589 Fev -30.630 Ago 21.801 Mar -3.0490 Set 21.379 Abr -10.364 Out 32.844 Mai -18.113 Nov 14.893 Jun -23.462 Dez 3.7092
Figura 3: S´erie Original vs. S´erie Ajustada por Holt-Winters
Nota-se que o modelo ajustado consegue perceber boa parte das varia¸c˜oes dos dados originais, exceto os picos. Mesmo em casos de fenˆomenos naturais, h´a anomalias que s˜ao dif´ıceis de se prever.
Para os modelos da classe ARIM A de Box-Jenkins, o software GRETL foi utilizado para an´alise das fun¸c˜oes de autocorrela¸c˜ao e autocorrela¸c˜ao parcial (F AC e F ACP ), bem como para fazer testes de estacionariedade e normalidade da s´erie temporal. O teste de Dickey-Fuller aumentado n˜ao rejeitou a hip´otese de a s´erie possuir raiz unit´aria, ent˜ao a s´erie n˜ao ´e naturalmente estacion´aria. Uma diferen¸ca foi aplicada nos valores e foi suficiente para que se alcan¸casse a estacionariedade, um pr´e-requisito para modelos de Box-Jenkins. Pelo teste de Kolmogorov-Smirnov, h´a evidˆencias de que os dados estudados seguem distribui¸c˜ao normal. Para todos os testes, um n´ıvel de signifcˆancia de 5% foi
3.1 Modelagem sobre a s´erie original 32
considerado.
Na figura 4 tem-se os gr´aficos da F AC e F ACP da s´erie ap´os a diferen¸ca.
Figura 4: Comportamento das F AC e F ACP da s´erie original
Observa-se um corte brusco com um valor muito alto na primeira defasagem do gr´afico da F AC, bem como um decaimento exponencial no comportamento das autocorrela¸c˜oes parciais. A partir da an´alise do correlograma, o modelo mais adequado ficaria a cargo de um processo de m´edias m´oveis de ordem 1 com uma diferen¸ca aplicada na s´erie, que pode ser expresso por ARIM A(0, 1, 1). Embora essa seja a conclus˜ao natural, alguns testes foram realizados para verificar outros modelos, tendo o processo ARIM A(1, 1, 1) obtendo medidas de qualidade de ajuste melhores, como visto na tabela 8.
Aplicou-se uma diferen¸ca nos valores da parte sazonal da s´erie j´a diferenciada a fim de se obter a sazonalidade e obteve-se os gr´aficos de autocorrela¸c˜oes vistos na figura 5.
3.1 Modelagem sobre a s´erie original 33
Figura 5: Comportamento das F AC e F ACP da s´erie original com uma diferen¸ca sazonal
A defasagem 12 do gr´afico da F AC apresenta um alto valor, mantendo as outras autocorrela¸c˜oes muito baixas e abaixo do corte. Nas autocorrela¸c˜oes parciais, um de-caimento exponencial ocorre novamente a partir da defasagem 12, indicando um pro-cesso de m´edias m´oveis de ordem 1 na parte sazonal da s´erie e gerando um modelo SARIM A(0, 1, 1) × (0, 1, 1). Alternativamente, o comportamento das F AC e F ACP podem levar ao modelo SARIM A(1, 1, 1) × (1, 1, 1)12.
Tabela 8: Estat´ısticas de Aderˆencia dos modelos de Box-Jenkins Modelos M AP E RM SE M AD BIC SARIM A(0, 1, 1) × (1, 0, 1)12 0.08788 28.34 21.49 29.29 SARIM A(1, 1, 2) × (0, 1, 1)12 0.08368 27.76 20.42 27.76 SARIM A(0, 1, 1) × (0, 1, 1)12 0.08482 28.10 20.74 28.73 SARIM A(1, 1, 1) × (0, 1, 1)12 0.08358 27.74 20.40 28.67 SARIM A(1, 1, 1) × (1, 1, 1)12 0.08095 27.11 19.52 28.32
Ap´os diversos modelos testados, conforme visto na tabela 8, o modelo que apresentou menores estat´ısticas de aderˆencia foi o SARIM A(1, 1, 1) × (1, 1, 1), cujos parˆametros estimados s˜ao: φ1 = 0.0267 e Φ1 = 0.0683 como coeficientes das partes autorregressivas e
3.2 O melhor modelo para a s´erie original 34
θ1 = 0.9421 e Θ1 = 0.8852 como coeficientes dos processos de m´edias m´oveis. Tem-se a
seguinte equa¸c˜ao do modelo:
Zt = 0.0267Zt−1+ Zt−12− 0.0683Zt−13+ at− 0.9996at−1− at−12− 0.92102at−13
Pode ser visto na tabela 8 que o modelo SARIM A(1, 1, 1) × (1, 1, 1) minimiza as estat´ısticas de aderˆencia e, portanto, foi o modelo escolhido. A s´erie ajustada via modelos de Box-Jenkins tem seu comportamento apresentado na figura 6.
Figura 6: S´erie Original vs S´erie Ajustada por SARIM A(1, 1, 1) × (1, 1, 1)12
Bem como os modelos de Holt-Winters, os modelos de Box-Jenkins tamb´em percebem a maior parte das varia¸c˜oes n˜ao muito acentuadas dos dados, sendo os picos considerados como uma varia¸c˜ao incomum decorrente de anomalias naturais.
3.2
O melhor modelo para a s´
erie original
A se¸c˜ao 3.1 mostrou todo o processo de modelagem da s´erie original. Obteve-se o modelo sem tendˆencia linear e com sazonalidade aditiva como o melhor pelo m´etodo de amortecimento exponencial de Holt-Winters e um processo SARIM A(1, 1, 1) × (1, 1, 1)12
como o mais adequado pelo m´etodo de Box-Jenkins. A tabela 9 compara as estat´ısticas de aderˆencia dos dois modelos.
O modelo SARIM A se saiu melhor com base nas medidas de qualidade dos ajustes vistas, sendo escolhido como o melhor modelo de s´erie temporal para os dados originais.
3.3 Abordagem SSA com an´alise gr´afica dos autovetores 35
Tabela 9: Estat´ısticas de Aderˆencia dos modelos de Holt-Winters Modelos M AP E RM SE M AD BIC Modelo de Holt-Winters 0.08783 28.22 21.38 28.85 SARIM A(1, 1, 1) × (1, 1, 1)12 0.08095 27.11 19.52 28.32
Os res´ıduos, como mostram a figura 7, tiveram um comportamento adequado, com baix´ıssimas correla¸c˜oes entre os erros e dispers˜ao normalmente distrubu´ıda em torno de zero.
Figura 7: Res´ıduos do SARIM A(1, 1, 1) × (1, 1, 1)12
3.3
Abordagem SSA com an´
alise gr´
afica dos
autove-tores
Para este caso, lan¸cou-se m˜ao do software CaterpillarSSA. De acordo com Golyandina et al. (2001) [22], o valor ´otimo para o comprimento de janela em SSA ´e L = T /2. Com isso, a s´erie original com 252 observa¸c˜oes foi decomposta usando um comprimento de janela L = 126. Ap´os an´alise gr´afica dos autovalores, trˆes componentes foram geradas: tendˆencia, harmˆonica e ru´ıdo. A disposi¸c˜ao gr´afica de cada componente est´a nas figuras 8, 9 e 10.
A componente ruidosa ´e exclu´ıda e as duas primeiras, de tendˆencia e harmˆonica, s˜ao usadas para reconstruir uma nova s´erie, sendo esta uma s´erie filtrada via SSA usando an´alise gr´afica dos vetores. A figura 11 apresenta a nova s´erie filtrada.
3.3 Abordagem SSA com an´alise gr´afica dos autovetores 36
Figura 8: Componente de tendˆencia
Figura 9: Componente harmˆonica
3.4 Modelos de Holt-Winters e Box-Jenkins sobre a s´erie filtrada via SSA 37
Figura 11: S´erie filtrada via SSA
3.4
Modelos de Holt-Winters e Box-Jenkins sobre a
s´
erie filtrada via SSA
Seguindo-se o mesmo roteiro usado na s´erie original, primeiramente a s´erie filtrada foi modelada via amortecimento exponencial de Holt-Winters utilizando o software FPW para calcular os parˆametros estimados pelos modelos e as estat´ısticas de aderˆencia. A tabela 5 mostra as estat´ısticas de aderˆencia de cada modelo.
Tabela 10: Estat´ısticas de Aderˆencia dos modelos de Holt-Winters
Modelos M AP E M AD BIC RM SE
SEM tendˆencia linear e SEM sazonalidade 0.03456 8.969 10.720 10.600 SEM tendˆencia linear e COM saz. ADITIVA 0.01000 2.529 3.830 3.747 SEM tendˆencia linear e COM saz. MULTIPLICATIVA 0.01002 2.535 3.834 3.751 COM tendˆencia linear e SEM sazonalidade 0.03473 9.012 10.890 10.650 COM tendˆencia linear e COM saz. ADITIVA 0.00957 2.430 3.714 3.594 COM tendˆencia linear e COM saz. MULTIPLICATIVA 0.00965 2.458 3.701 3.582
Tem-se novamente dois modelos com as menores estat´ısticas de aderˆencia. Os dois modelos possuem tendˆencia linear, sendo que um possui sazonalidade aditiva e o outro, multiplicativa. O modelo com sazonalidade multiplicativa teve um R2 ajustado de 0.9718, um pouco maior que os 0.9716 obtidos pelo modelo com sazonalidade aditiva. Como o modelo com sazonalidade multiplicativa teve mais medidas de qualidade de ajuste entre as melhores, optou-se pelo mesmo como modelo de Holt-Winters para a s´erie filtrada.
3.4 Modelos de Holt-Winters e Box-Jenkins sobre a s´erie filtrada via SSA 38
Com as medidas de qualidade de ajuste apresentadas, o modelo escolhido foi o mo-delo com tendˆencia linear e sazonalidade multiplicativa, cujo comportamento gr´afico ´e apresentado na figura 12, e os parˆametros do modelo est˜ao dispostos nas tabelas 11 e 12.
Figura 12: Comportamento gr´afico da s´erie modelada por Holt-Winters
Tabela 11: Modelo de Holt-Winters com tendˆencia linear e sazonalidade multiplicativa para a s´erie filtrada
Parˆametros N´ıvel Lt= 0.01029
Tendˆencia Tt = 0.99419
Sazonalidade St= 0.99987
Tabela 12: Componentes Sazonais do modelo para a s´erie filtrada Jan 0.96791 Jul 1.03205 Fev 0.94667 Ago 1.09440 Mar 0.93780 Set 1.12911 Abr 0.92817 Out 1.09897 Mai 0.93746 Nov 1.03890 Jun 0.96925 Dez 0.94770
Para modelar a s´erie por Box-Jenkins, uma diferen¸ca foi a aplicada na s´erie, pois a mesma n˜ao rejeita a hip´otese nula do teste de Dickey-Fuller aumentado, sendo uma s´erie n˜ao estacion´aria. Com uma diferen¸ca aplicada j´a foi poss´ıvel tornar a s´erie estacion´aria. A hip´otese nula do teste de Kolmogorov-Smirnov para normalidade tamb´em n˜ao ´e rejeitada neste caso. Um n´ıvel de significˆancia de 5% foi assumido para todos os testes. Ap´os isso, obteve-se os gr´aficos das F AC e F ACP , como mostra a figura 13.
3.4 Modelos de Holt-Winters e Box-Jenkins sobre a s´erie filtrada via SSA 39
Figura 13: Correlogramas da s´erie filtrada com uma diferen¸ca
Com 2 valores extremos no gr´afico das autocorrela¸c˜oes parciais, um decaimento ex-ponencial no gr´afico da F AC e a diferen¸ca que foi aplicada na s´erie, tem-se tudo para crer que o modelo mais adequado seria um processo autorregressivo de ordem 2 com uma diferen¸ca, configurando um ARIM A(2, 1, 0).
Para modelar a parte sazonal da s´erie, uma diferen¸ca sazonal foi aplicada e observou-se o gr´afico das autocorrela¸c˜oes dispostos na figura 14.
Independente da magnitude das correla¸c˜oes, tanto as autocorrela¸c˜oes quanto as auto-correla¸c˜oes parciais tem um decaimento exponencial a partir da defasagem 12. Conside-rando a diferen¸ca sazonal que foi aplicada, o modelo completo de Box-Jenkins, conside-rando o comportamento dos gr´aficos da F AC e da F ACP , seria um SARIM A(2, 1, 0) × (1, 1, 1)12, podendo variar a ordem dos processos da parte sazonal devido ao fato da clara
dificuldade de identificar as ordens olhando apenas a parte gr´afica. Parte-se, ent˜ao, para a an´alise das estat´ısticas de aderˆencia para identificar qual o melhor modelo, dispostas na tabela 13.
3.4 Modelos de Holt-Winters e Box-Jenkins sobre a s´erie filtrada via SSA 40
Figura 14: Correlogramas da s´erie filtrada com uma diferen¸ca sazonal
Tabela 13: Estat´ısticas de Aderˆencia dos modelos de Box-Jenkins p´os-SSA Modelos M AP E M AD BIC RM SE SARIM A(2, 1, 0) × (1, 1, 1)12 0.003236 0.8258 1.3190 1.2620 SARIM A(2, 1, 0) × (1, 1, 2)12 0.002871 0.7358 1.2010 1.1370 SARIM A(2, 1, 0) × (2, 1, 1)12 0.003028 0.7753 1.2670 1.1990 SARIM A(2, 1, 0) × (2, 1, 2)12 0.003021 0.7738 1.2700 1.1890 SARIM A(2, 1, 1) × (1, 1, 2)12 0.002629 0.6701 1.1100 1.0390 SARIM A(2, 1, 2) × (1, 1, 2)12 0.002539 0.6473 1.0350 0.9584 SARIM A(2, 1, 3) × (1, 1, 2)12 0.002177 0.5561 0.9302 0.8520 SARIM A(2, 1, 3) × (1, 1, 3)12 0.002129 0.5448 0.8892 0.8056
Conforme a tabela 13, o modelo SARIM A(2, 1, 3) × (1, 1, 3)12 ´e tido como o que
melhor se ajusta `a s´erie temporal, cujos parˆametros s˜ao: φ1 = 1.5009, φ2 = −0.9466 e
Φ1 = −0.3017 como coeficientes das partes autorregressivas e θ1 = 0.5058, Θ1 = −0.3487,
Θ2 = −0.6025 e Θ3 = 0.2528 como coeficientes dos processos de m´edias m´oveis. O
3.5 O melhor modelo como um todo para a s´erie estudada 41
Figura 15: Comportamento gr´afico da s´erie ajustada via modelos de Box-Jenkins
Percebe-se que, ap´os a filtragem da s´erie, tanto os modelos de Holt-Winters quanto os de Box-Jenkins conseguem acompanhar o comportamento gr´afico da s´erie. Comparando-se a figura 12, onde apreComparando-senta-Comparando-se o gr´afico do modelo de Holt-Winters, com a figura 15, ´e poss´ıvel notar que o modelo de Box-Jenkins ´e visivelmente superior ao modelo de Holt-Winters no contexto dos dados estudados. As concavidades e os picos do gr´afico ficaram melhor acompanhadas pelo modelo de Box-Jenkins, que se sobrep˜oe quase perfeitamente ao gr´afico da s´erie.
3.5
O melhor modelo como um todo para a s´
erie
es-tudada
A compara¸c˜ao das estat´ısticas de aderˆencia de todos os modelos que foram feitos at´e aqui levam a crer que o modelo SARIM A(2, 1, 3) × (1, 1, 3)12, que foi feito com base na
s´erie filtrada via SSA, ´e o melhor modelo para a s´erie temporal estudada, conforme visto na tabela 14.
Tabela 14: Estat´ısticas de Aderˆencia dos modelos de Box-Jenkins p´os-SSA Modelos M AP E M AD BIC RM SE Holt-Winters via s´erie original 0.08803 28.1300 21.2500 29,0700 Box-Jenkins via s´erie original 0.08095 27.1100 19.5200 28.3200 Holt-Winters p´os-SSA 0.00965 2.4580 3.7010 3.5820 Box-Jenkins p´os-SSA 0.002129 0.5448 0.8892 0.8056
3.6 An´alise da capacidade preditiva com dados coletados ap´os a ´ultima observa¸c˜ao da s´erie estudada42
Al´em de possuir as menores estat´ısticas de aderˆencia, o modelo de Box-Jenkins feito sobre a s´erie filtrada possui um coeficiente de determina¸c˜ao (R2) de 0, 9985, um valor alto, indicando que 99, 85% da variabilidade dos dados conseguem ser explicadas pelo modelo ajustado.
3.6
An´
alise da capacidade preditiva com dados
cole-tados ap´
os a ´
ultima observa¸
c˜
ao da s´
erie estudada
Para completar o estudo, dados observados ap´os o ´ultimo termo da s´erie estudada foram coletados, novamente, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para testar a melhora na capacidade preditiva do modelo feito sobre a s´erie filtrada via SSA em rela¸c˜ao ao melhor modelo feito sobre a s´erie original.
Coletou-se dados de cinco observa¸c˜oes posteriores `a ´ultima observa¸c˜ao da s´erie original e lan¸cou-se m˜ao das estat´ısticas de aderˆencia RM SE, M AP E, M AD e R2 conforme visto
na tabela 15.
Tabela 15: An´alise da capacidade preditiva dos modelos
Modelo RM SE M AD M AP E R2 Box-Jenkins via s´erie original 19.4034 15.3894 0.0633 0.3632 Box-Jenkins p´os-SSA 15.8346 12.8170 0.0502 0.3825
Os modelos de Box-Jenkins mostraram-se melhores para previs˜oes de dados sola-rim´etricos e, como era de se esperar, o filtro SSA por meio de an´alise gr´afica de autovetores aumentou a capacidade preditiva do modelo, conforme a tabela 15, onde o modelo feito sobre a s´erie filtrada apresentou um maior coeficiente de determina¸c˜ao (R2) e menores estat´ısticas RM SE, M AD e M AP E.
43
4
Conclus˜
ao
Este estudo observou que os ´ındices de irradia¸c˜ao solar n˜ao tˆem comportamento uni-forme durante o ano. A produ¸c˜ao de energia solar fotovoltaica precisa da exposi¸c˜ao total ao sol. Desta forma, imp˜oe-se que a gera¸c˜ao de energia solar aconte¸ca conforme as horas em que a usina produtora est´a exposta ao sol e os per´ıodos em que isto n˜ao ocorre s˜ao praticamente improdutivos. A insola¸c˜ao ´e um fenˆomeno natural que depende de v´arios outros fatores clim´aticos e est´a sujeita a varia¸c˜oes conforme o tempo, assim como a ener-gia natural afluente usada para produzir enerener-gia hidroel´etrica. Por isso ´e importante que haja um planejamento pr´evio para suprir as demandas de gera¸c˜ao energ´etica a fim de evitar desperd´ıcios e erros de c´alculos de qualquer dimens˜ao em usinas de grande porte.
Os modelos de previs˜oes de s´eries temporais tem grande valia no planejamento de gera¸c˜ao de energia e ´e muito importante que se utilize t´ecnicas estat´ısticas que levam a melhores modelos, com melhores previs˜oes. Este estudo teve como objetivo mostrar a capacidade que o filtro SSA tem para melhorar o c´alculo de previs˜oes dos modelos de s´eries temporais.
A s´erie analisada, cujos dados foram coletados pela esta¸c˜ao solarim´etrica de Petrolina, em Pernambuco, e obtidos atrav´es do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), foi inicialmente modelada por modelos de Holt-Winters e Box-Jenkins. Ap´os isso, o filtro SSA via an´alise gr´afica de autovetores foi aplicado na s´erie original, gerando uma nova s´erie sem componente ruidosa. Novamente os modelos de Holt-Winters e Box-Jenkins foram aplicados na s´erie filtrada, e ent˜ao, comparados via estat´ısticas de aderˆencia. Os resultados mostraram que o modelo de Box-Jenkins feito sobre a s´erie filtrada por SSA obteve melhores estat´ısticas de aderˆencia, sendo o melhor modelo para se obter previs˜oes de tempo de exposi¸c˜ao completa ao sol no mˆes.
Com isso, pode-se concluir que a abordagem Singular Spectrum Analysis proporciona ganhos de previs˜ao. Dentre a escolha de modelar a s´erie original e a s´erie suavizada via SSA, o desempenho preditivo da s´erie suavizada tem melhora significativa em rela¸c˜ao ao
4 Conclus˜ao 44
trabalho feito em cima da s´erie original, sendo o modelo de Box-Jenkins o que se mostrou mais adequado para a finalidade de modelar e prever ´ındices de horas de exposi¸c˜ao solar no mˆes.
45
Referˆ
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