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Avaliação de métodos de estimação do VAR

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Academic year: 2020

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FUNDAC¸ ˜AO GETULIO VARGAS

ESCOLA DE P ´OS-GRADUAC¸ ˜AO EM ECONOMIA

MESTRADO EM FINANC¸ AS E ECONOMIA EMPRESARIAL

Saulo de Barros Bruno

(2)

Saulo de Barros Bruno

Avalia¸

ao de M´

etodos de Estima¸

ao do VaR

Disserta¸c˜ao apresentada `a Escola de P´ os-Gradua¸c˜ao em Economia da Funda¸c˜ao Get´ulio Vargas como exigˆencia parcial `a obten¸c˜ao do grau de Mestre em Finan¸cas e Economia Empresarial

Orientador: Daniela Kubudi Glasman

Rio de Janeiro 2018

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Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Mario Henrique Simonsen/FGV

Bruno, Saulo de Barros

Avaliação de métodos de estimação do VaR / Saulo de Barros Bruno. – 2018. 31 f.

Dissertação (mestrado) - Fundação Getulio Vargas, Escola de Pós- Graduação em Economia.

Orientador: Daniela Kubudi Glasman. Inclui bibliografia.

1. Risco (Economia). 2. Administração de risco. 3. Mercados financeiros futuros. I. Glasman, Daniela Kubudi. II. Fundação Getulio Vargas. Escola de Pós-Graduação em Economia. III. Título.

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Resumo

O objetivo deste trabalho ´e examinar m´etodos de estima¸c˜ao do VaR (Va-lue At Risk) avaliando a performance de cada um em carteiras formadas por ativos expostos `a fatores de risco comumente encontrados em portf´olios de institui¸c˜oes financeiras brasileiras. Com isso ´e poss´ıvel constatar sob quais circunstˆancias ´e prefer´ıvel a utiliza¸c˜ao de certo m´etodo em detrimento dos demais.

Para isso foram criados diversos portf´olios aleatoriamente e calculado o VaR de 1 dia utilizando os principais m´etodos de estima¸c˜ao dispon´ıveis na li-teratura. A performance de cada VaR estimado foi avaliada em todas as amostras. Os resultados indicam que o VaR hist´orico com ajuste de volatili-dade estimada por GARCH tem melhor desempenho para n´ıveis de confian¸ca usuais e se ´e dispon´ıvel um grande hist´orico de pre¸cos.

(6)

Abstract

The purpose of this paper is to examine VaR (Value At Risk) estimation methods by evaluating the performance of each method in portfolios compo-sed by assets expocompo-sed to risk factors commonly found in Brazilian financial institutions. With this it is possible to verify under which circumstances it is preferable to use one method to the detriment of others.

For this, several portfolios were randomly created and the 1-day VaR cal-culated using the main estimation methods available in the literature. The performance of each estimated VaR was evaluated in all samples. The results indicate that the historical VaR with volatility adjustment estimated with a GARCH model performs better at the usual confidence levels and if a large price history is available.

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Sum´

ario

1 Introdu¸c˜ao 6

2 Medidas de risco e suas propriedades 8

2.1 Coerˆencia . . . 8

2.2 Convexidade . . . 9

3 Value At Risk 10 3.1 Modelos Param´etricos . . . 12

3.1.1 Modelo B´asico . . . 12

3.1.2 Fatores de Risco e Retorno Esperado . . . 13

3.1.3 Extens˜ao: Distribui¸c˜ao t de Student . . . 13

3.2 Modelos de Simula¸c˜ao Hist´orica . . . 14

3.2.1 Modelo B´asico . . . 15

3.2.2 Ajuste de Pesos de probabilidade . . . 15

3.2.3 Ajuste de Volatilidade . . . 15

3.2.4 Simula¸c˜ao Hist´orica Filtrada . . . 16

3.2.5 Kernel Fitting . . . 17

3.2.6 Distribui¸c˜oes de Valores Extremos . . . 17

3.2.7 Aproxima¸c˜ao de Cornish-Fisher . . . 17

3.2.8 Distribui¸c˜oes tipo Johnson . . . 18

3.3 Modelos de estima¸c˜ao por Monte Carlo . . . 19

3.4 M´etodos de Backtesting . . . 19

3.4.1 Cobertura Incondicional . . . 19

3.4.2 Independˆencia de Viola¸c˜oes . . . 19

3.4.3 Cobertura Condicional . . . 20

3.4.4 DQ Test . . . 20

3.4.5 Risk Map . . . 20

(8)

1

Introdu¸

ao

Agentes de mercado constantamente tomam decis˜oes envolvendo retorno po-tencial e risco. Crises financeiras demonstram a necessidade do adequado gerenciamento de risco, que sempre toma o foco em eventos que geram ins-tabilidade. O gerenciamento irrespons´avel e subestima¸c˜ao do risco podem levar a cat´astrofes financeiras (Kabir 2005), estas que poderiam ser evitadas ou terem seus efeitos minimizados. Por outro lado, a superestima¸c˜ao do risco tamb´em ´e prejudicial ao sistema financeiro por levar os agentes a reterem seu capital, o qual poderia ser utilizado em investimentos lucrativos. T´ecnicas de mensura¸c˜ao de risco s˜ao partes centrais do processo de gest˜ao de risco. O primeiro grande marco na mensura¸c˜ao de risco foi introduzido por Mar-kowitz (MarMar-kowitz 1952) com a teoria do portf´olio e fronteira eficiente que foi o primeiro a introduzir um modelo formal de mensura¸c˜ao do risco e diver-sifica¸c˜ao. O segundo grande marco veio na d´ecada de 1990 introduzido pela JPMorgan com a defini¸c˜ao do VaR(Value at Risk) que surgiu da necessidade de reportar o risco em eventos cr´ıticos representando a perda m´axima que a carteira pode sofrer para um determinado per´ıodo e certo n´ıvel de confian¸ca (Duffie, Pan 1997). Ap´os o VaR ser adotado pelo comitˆe de Basil´eia para fins de defini¸c˜ao de capital regulat´orio em risco de mercado tornou-se ent˜ao o padr˜ao de mercado. O terceiro grande marco foi apresentado no trabalho de Artzner et al. (Artzner et al. 1999) que surgiu de uma linha de pes-quisa que pretendia determinar propriedades desej´aveis em medidas de risco, dando origem a defini¸c˜ao de medidas de risco coerentes, as quais obedecem aos axiomas propostos em seu trabalho. Apesar de sua popularidade o VaR sofre cr´ıticas, entre elas est´a o fato de que n˜ao ´e uma medida coerente, ou seja, n˜ao cumpre os axiomas propostos por Artzner et al, e tamb´em ao fato de que n˜ao ´e sens´ıvel ao peso do risco nas extremidades da cauda posterior ao n´ıvel de confian¸ca. Semelhantemente `a classe de medidas de risco coe-rentes, outras classes de medidas s˜ao apresentadas e.g.: medidas convexas (Follmer, Schied 2002) e (Frittelli, Gianin 2002), medidas espectrais (Acerbi 2002) assim como outras medidas de risco derivadas do VaR e.g.: ES (Ex-pected Shortfall) (Acerbi, Tache 2002) ou CVaR(Conditional Value at Risk) (Rockafellar, Uryasev 2002) sempre no sentido de apresentar alguma vanta-gem em rela¸c˜ao ao VaR tradicional. Apesar dos problemas evidenciados o VaR ´e uma medida muito popular, principalmente por sua f´acil interpreta¸c˜ao e ´e pouco prov´avel que perca seu posto num horizonte curto de tempo. Este trabalho revisa e avalia a performance de m´etodos de estima¸c˜ao do VaR em

(9)

portf´olios comumente encontrados em institui¸c˜oes financeiras brasileiras para que se possa constatar sob quais circunstˆancias ´e prefer´ıvel a utiliza¸c˜ao de certo m´etodo em detrimento dos demais. S˜ao abordados m´etodos populares dispon´ıveis na literatura, evita-se a utiliza¸c˜ao de m´etodos especializados para determinado tipo de risco e evita-se a introdu¸c˜ao de premissas nos m´etodos ou nos portf´olios a serem avaliados.

(10)

2

Medidas de risco e suas propriedades

Uma medida de risco avalia a incerteza do retorno futuro, tem como prop´osito resumir essa informa¸c˜ao numa estat´ıstica concisa. Risco de mercado pode ser definido pela distribui¸c˜ao de probabilidade de retorno de um portf´olio, no en-tanto medidas de risco como VaR mapeiam toda a informa¸c˜ao da distribui¸c˜ao em somente um n´umero que possa ser interpretado como um montante de perda de capital m´axima em determinado horizonte de tempo. Neste processo existe perda de informa¸c˜ao, o que faz a medida n˜ao ter comportamento ideal ou contra econˆomico em determinadas circunstˆancias e por isso ´e importante definir quais s˜ao as propriedades desejadas em uma medida de risco.

2.1

Coerˆ

encia

Uma contribui¸c˜ao importante foi realizada por Artzner et al quando foi pro-posto pela primeira vez um conjunto de axiomas para medidas de risco. As medidas que obedecem `a esses axiomas s˜ao chamadas de medidas coerentes, sejam X e Y perdas futuras de dois portf´olios:

1. Monotonicidade: se X 6 Y ent˜ao ρ(X) 6 ρ(Y ) 2. Homogeneidade: ρ(λX) = λρ(X) ∀ λ > 0

3. Invariˆancia de Transla¸c˜ao: ρ(X + R) = ρ(X) − R, ondeR ≡ ativo livre de risco

4. Subaditividade: ρ(X + Y ) 6 ρ(X) + ρ(Y )

O axioma da monotonicidade garante que a medida de risco com maior valor est´a associada `a maior perda.

O axioma da homogeneidade garante que o risco n˜ao ´e proprocionalmente alterado ao aumentar ou diminuir a exposi¸c˜ao `a uma carteira sem alterar sua composi¸c˜ao. Tamb´em garante que se aumentarmos proporcionalmente a exposi¸c˜ao, aumentamos o risco, intuitivamente, se dobramos a aposta, do-bramos o risco.

O axioma de invariˆancia de transla¸c˜ao implica no fato de que investir em um ativo livre de risco n˜ao deve gerar risco adicional ao agente, o sinal da contribui¸c˜ao do ativo livre de risco ´e negativo porque o risco mensurado como perda ´e padronizado como positivo.

(11)

O axioma da subaditividade garante o benef´ıcio da diversifica¸c˜ao de portf´olio, isto ´e, investir simultˆaneamente nos portf´olios X e Y resulta em risco menor ou igual que o risco total dos portf´olios separadamente. Sem essa propriedade n˜ao haveria incentivo em formar carteiras diversificadas.

2.2

Convexidade

O trabalho em medidas coerentes desenvolvido por Artzner et al foi ampla-mente aceito e tornou-se discuss˜ao necess´aria ao abordar diferentes medidas de risco. No mesmo sentido de introduzir propriedades desej´aveis em medi-das de risco que reflitam corretamente as condi¸c˜oes de mercado, F¨ollmer e Schied (2002) definem medidas de risco convexas. Seus axiomas s˜ao:

1. Monotonicidade: se X 6 Y ent˜ao ρ(X) 6 ρ(Y )

2. Invariˆancia de Transla¸c˜ao: ρ(X + R) = ρ(X) − R, ondeR ≡ ativo livre de risco

3. Convexidade: ρ(λX + (1 − λ)Y ) 6 λρ(X) + (1 − λ)ρ(Y ), com λ ∈ [0, 1]. Em seu trabalho, F¨ollmer e Schied argumentam que o axioma da homoge-neidade de Artzner et al ignora o risco de liquidez de mercado, por exemplo: se um agente dobrar sua posi¸c˜ao em um ativo pouco l´ıquido, tudo mais constante, seu risco deveria ser superior ao dobro do risco da posi¸c˜ao ante-rior. Assim, uma medida coerente ´e o caso especial de uma medida convexa quando o risco de liquidez ´e zero. Com λ = 1/2 a convexidade resulta em:

ρ(1/2(X + Y )) 6 (1/2)(ρ(X) + ρ(Y ))

Quando o risco de liquidez ´e zero, temos homogeneidade, ent˜ao ρ(1/2(X + Y )) = (1/2)ρ((X + Y ), logo:

(12)

3

Value At Risk

VaR (Value at Risk) ´e a perda m´axima que um portfolio pode sofrer em um determinado per´ıodo de tempo com um determinado n´ıvel de confian¸ca. Assim, define-se dois parˆametros b´asicos.

1. Signifiˆancia: α 2. Per´ıodo: T

A significˆancia define o n´ıvel de confianca, isto ´e, 1 − α . Quanto maior o n´ıvel de confiˆancia mais conservador ´e o resultado, com um valor absoluto do VaR maior. ´E comum nas institui¸c˜oes a determina¸c˜ao do VaR para di-ferentes n´ıveis de confian¸ca, muitas vezes o regulador exige a estima¸c˜ao em determinado n´ıvel, agˆencias de risco sugerem outro, esses que tamb´em podem divergir do que a institui¸c˜ao considera mais adequado para o gerenciamento interno. ´E not´avel o fato que alguns modelos tem melhor/pior desempenho para diferentes parˆametros, fato esse que ser´a abordado mais adiante.

Para a determina¸c˜ao do VaR, uma distribui¸c˜ao do retorno do portf´olio ´

e estimada para o horizonte de interesse T . A partir dessa distribui¸c˜ao determina-se pelo quantil inferior α a perda m´axima. Na Figura 1, a curva T=1 representa a distribui¸c˜ao do portf´olio para um horizonte de 1 dia, j´a a curva T=7 tem a mesma distribui¸c˜ao por´em para um horizonte de 7 dias. Os respectivos quantis para α = 5% foram encontrados conforme as linhas verticais.

Resumidamente, estimar o VaR para um horizonte de T dias, significa estimar a distribui¸c˜ao de retornos do portf´olio para esse horizonte. Todos os modelos de estima¸c˜ao do VaR se baseiam nesse princ´ıpio e, em algum momento far˜ao alguma suposi¸c˜ao sobre o comportamento do retorno da car-teira.

Atualmente os principais modelos se enquadram na seguinte classifica¸c˜ao: 1. Modelos Param´etricos: baseados em distribui¸c˜oes de retorno de fatores

de risco multivariada, a qual assume-se ter comportamento normal. 2. Modelos de Simula¸c˜ao Hist´orica: baseado em dados hist´oricos da

car-teira, assume que a distribui¸c˜ao futura pode ser estimada pelo passado. 3. Modelos de estima¸c˜ao por Monte Carlo: na sua forma b´asica assume o mesmo comportamento dos modelos param´etricos, isto ´e, a distribui¸c˜ao tem comportamento normal

(13)
(14)

A seguir ser˜ao descritos mais detalhadamente os modelos que ser˜ao abor-dados. ´E importante salientar que existe uma grande quantidade de modelos e altera¸c˜oes que podem ser feitas visando a melhoria da estima¸c˜ao. Muitas institui¸c˜oes possuem modelos propriet´arios por exemplo. Por uma quest˜ao de defini¸c˜ao de escopo, ser˜ao abordados os modelos mais usuais da literatura.

3.1

Modelos Param´

etricos

Um elemento central para essa classe de modelos ´e a matriz de covariˆancia dos fatores de risco, por isso, modelos dessa classe s˜ao tamb´em popularmente conhecidos como Variance-Covariance VaR. Alguns autores usam a nomen-clatura de Delta-Normal VaR. Por´em, esta n˜ao ´e a ´unica classe a usar uma matriz de covariancia, al´em disso, os fatores de risco podem assumir outras distribui¸c˜oes que n˜ao a normal. Um ponto negativo ´e que sua utiliza¸c˜ao ´e restrita a portfolios lineares, ou seja, se o portf´olio for constitu´ıdo por exem-plo de uma op¸c˜ao bin´aria onde a curva de retorno n˜ao ´e linear, ent˜ao n˜ao ser´a poss´ıvel sua utiliza¸c˜ao. Resumidamente, os fatores de risco ser˜ao todos os fatores que implicam na varia¸c˜ao do valor de uma posi¸c˜ao.

3.1.1 Modelo B´asico

Assumimos que o retorno do portf´olio segue uma distribui¸c˜ao i.i.d. normal XT ,t ∼ N (µT,t, σ2T,t). Ao interpretar a equa¸c˜ao ´e importante notar que XT ,t ´

e a proje¸c˜ao da distribui¸c˜ao no instante t para um horizonte T , o mesmo se aplica para as demais variaveis.

O ponto de partida ´e a an´alise dos fatores de risco. Todos os diferentes tipos de posi¸c˜ao devem ser analisados individualmente para que os fatores possam ser mapeados, e.g.: se o patrimˆonio ´e fixado em reais e h´a uma quantia de d´olares em carteira ent˜ao existe uma exposi¸c˜ao `a varia¸c˜ao cambial, logo o pre¸co da moeda d´olar ´e um fator de risco desse portf´olio. Esse ´e o ponto mais trabalhoso do processo pois em uma carteira diversificada existem diferentes tipos de ativos, cada um com fatores de risco distintos e ainda a possibilidade de um ativo ter exposi¸c˜ao a mais de um fator de risco. Em posse de todos os fatores de risco ´e calculada uma matriz de covariˆancia dos fatores. No momento em que os fatores s˜ao analisados ´e interessante realizar tamb´em o mapeamento das exposi¸c˜oes dos ativos em rela¸c˜ao aos fatores de risco, isto ´e, montar a matriz de exposi¸c˜ao aos fatores de risco. Apesar desse processo ser trabalhoso ao final ser´a poss´ıvel ter um detalhamento dos

(15)

riscos que n˜ao ´e poss´ıvel ser verificado em outros modelos, a matriz completa dos fatores de risco ser´a usada para o calculo do VaR total, por´em pode ser facilmente derivado o VaR de cada fator de risco isoladamente ou na combina¸c˜ao de fatores desejada, abertura essa que tem grande valor para o processo de gest˜ao de risco. Al´em disso, ´e pr´atico construir cen´arios para determinados fatores de risco e verificar seu impacto no VaR, o que tamb´em ´

e um ´otimo instrumento para a gest˜ao de risco. Para o calculo do VaR, a seguinte solu¸c˜ao pode ser derivada (Jorion 2006):

V aRT ,α= Φ−1(1 − α) p

Θ0

Onde Φ−1(1 − α) ´e a normal padr˜ao, equivalente a −Φ−1(α), Θ ´e a matriz de exposi¸c˜ao aos fatores de risco e ΩT ´e a matriz de covariˆancia estimada para os fatores de risco.

3.1.2 Fatores de Risco e Retorno Esperado

A matriz de covariˆancia fatores de risco pode ser estimada a partir do hist´orico dos fatores de risco ou a partir de premissas de movimentos econˆomicos, ser˜ao reproduzidos os casos mais comuns que s˜ao a partir do hist´orico com a uti-liza¸c˜ao de MA e EWMA(.94).

´

E poss´ıvel ajustar a proje¸c˜ao da distribui¸c˜ao do portf´olio para uma proje¸c˜ao de retorno esperado positivo para no horizonte analisado, por´em n˜ao faremos esse tipo de premissa porque al´em de n˜ao ser realista para as carteiras que ser˜ao analisadas, para um horizonte pequeno (T = 1) o qual ser´a reproduzido esse efeito n˜ao ´e significativo.

3.1.3 Extens˜ao: Distribui¸c˜ao t de Student

O modelo pode ser extendido para o caso onde a distribui¸c˜ao do retorno do portf´olio e dos fatores de risco seja assumida t de Student. Essa extens˜ao

(16)

V aRT,α = t−1ν p

ν−1(ν − 2)(1 − α)pΘ0

O grau de liberdade ser´a estimado por fit da distribui¸c˜ao, os m´etodos uti-lizados ser˜ao MLE (Maximum Likelihood Estimation) e MM(Moment Mat-ching).

3.2

Modelos de Simula¸

ao Hist´

orica

Essa classe de modelos introduzida por (Boudoukh et al. 1988) e (Barone-Adesi et al. 1988-1999) tamb´em tem a nomenclatura de non-parametric VaR. Tem por premissa que as varia¸c˜oes futuras do portf´olio j´a foram observadas, e que a distribui¸c˜ao hist´orica dos retornos ´e a mesma que ser´a observada para um horizonte T. Por outro lado al´em de n˜ao ser limitada a portfolios linea-res, uma vantagem dessa classe de modelos ´e o fato de n˜ao precisar assumir que os retornos assumam uma pr´e determinada distribui¸c˜ao, talvez por esse motivo seja o m´etodo mais popular entre as institui¸c˜oes financeiras. Modelos de simula¸c˜ao hist´orica funcionam bem para horizontes curtos, idealmente de 1 dia, e a cada per´ıodo (dia) o modelo ´e reestimado considerando os dados do per´ıodo (dia) anterior. Para horizontes mais longos percebe-se uma queda de performance quando comparados a outros modelos, o que ´e intuitivamente compat´ıvel dado a grande dependˆencia do modelo com o hist´orico recente de retornos do portf´olio avaliado. Assim, um requisito para simula¸c˜oes hist´oricas ´

e a disponibilidade de uma base com um longo hist´orico at´e o dia mais re-cente. Quando calculamos o VaR hist´orico para um horizonte T estamos calculando a perda que o portf´olio analisado pode ter nesse horizonte, isto ´e, consideramos um portf´olio est´atico para esse horizonte. Com isso, os retornos desse determinado portf´olio ´e avaliado num grande horizonte de tempo para que se possa estimar o VaR do pr´oximo per´ıodo. Da´ı surge umas das princi-pais cr´ıticas do modelo, isto ´e, pode ser n˜ao razo´avel assumir que o portf´olio que ´e ´otimo no per´ıodo atual seria o portf´olio escolhido num passado distante sujeito a diferentes condi¸c˜oes de mercado, quando usamos dados desse pas-sado distante estar´ıamos contaminando o modelo com uma distribui¸c˜ao de retornos que n˜ao representa bem o portf´olio no per´ıodo atual. Apesar disso a vantagem de n˜ao ser necess´aria a premissa dos fatores de risco assumirem determinada distribui¸c˜ao ´e predominante a esse poss´ıvel problema.

(17)

3.2.1 Modelo B´asico

Dado o portf´olio de interesse, reconstruimos um longo per´ıodo hist´orico para o valor desse portf´olio considerando a varia¸c˜ao de pre¸cos dos ativos que o constituem, normalmente esse per´ıodo est´a entre 3 e 5 anos. Com o valor do port´olio em cada dia (no caso horizonte T=1) constru´ımos o retorno em cada dia, definindo uma s´erie de P&L (Profit and Loss). Se desejarmos ho-rizontes diferentes de T=1 devemos construir o P&L verificando o valor do portf´olio entre os per´ıodos desejados. Essa s´erie ´e ent˜ao utilizada para repre-sentar a distribui¸c˜ao dos retornos. O VaR hist´orico ´e obtido diretamente da distribui¸c˜ao dos retornos ao avaliar o valor do quantil α inferior. O motivo dessa classe de modelos necessitar de um grande hist´orico de retornos fica claro nesse momento, como obtemos o VaR diretamente da distribui¸c˜ao de retornos com poucas amostras poder´ıamos ignorar o comportamento da dis-tribui¸c˜ao de retorno na regi˜ao de interesse definida pelo n´ıvel de significˆancia. 3.2.2 Ajuste de Pesos de probabilidade

Um efeito significante decorrente da escolha da janela de amostras ´e a in-clus˜ao ou exclus˜ao de determinados eventos extremos. Se, por exemplo, estamos trabalhando com uma janela de 3 anos e exatamente a 3 anos uma perda significativa foi observada ainda hoje estamos levando esse evento em considera¸c˜ao para o VaR hist´orico, evento esse que pode ser pouco represen-tativo na distribui¸c˜ao atual de retornos. Al´em disso, no dia seguinte, quando passarmos a desprezar esse evento pois agora encontra-se fora da janela de amostras, veremos um significativo decremento no VaR sem que nenhuma mudan¸ca tenha sido observada nas condi¸c˜oes de mercado. Para mitigar esse problema empregaremos EWMA nos retornos observados, onde (1 − λ) ´e o peso do retorno mais recente, λ(1 − λ) do segundo retorno mais recente e λn−1(1 − λ) do ´ultimo retorno considerado na janela. Ser˜ao testados MA e EWMA(.94).

(18)

atuais. Primeiramente deve ser obtida uma s´erie de volatilidades para cada dia (ou o per´ıodo de interesse). Para estimar a volatilidade de cada per´ıodo ´

e utilizado um modelo GARCH. A corre¸c˜ao dos retornos da s´erie ´e um fator multiplicador σT/σt , onde σT ´e a volatilidade do per´ıodo atual, i.e. o mais recente, e σt´e a volatilidade dos per´ıodos passados (t = 2, 3, ..., N ).

3.2.4 Simula¸c˜ao Hist´orica Filtrada

Uma abordagem diferente para o ajuste de volatilidade foi sugerida por (Barone-Adesi et al. 1999). A ideia ´e utilizar um modelo de retornos de volatilidade para simular o retorno para o pr´oximo per´ıodo. Para isso, defi-nimos:

ε = rt/ ˆσt

Onde rt´e retorno do horizonte e ˆσt´e a volatilidade estimada por GARCH do horizonte t. A volatilidade de partida ´e definida por:

ˆ

σt2 = ˆω + ˆαˆr20+ ˆβ ˆσ20

Onde ˆr0 e ˆσ02 s˜ao o retorno e a variˆancia mais atual do portf´olio, ˆω, ˆα e ˆβ s˜ao obtidos pelo GARCH.

Assim, ´e definido o retorno do primeiro dia projetado, dado por ˆr1 = ε1σˆ1. Onde ˆσ1 ´e o desvio padr˜ao mais atual do portf´olio e ε1 ´e uma amostra aleat´oria dos retornos de volatilidade da s´erie hist´orica. Esse modelo ´e parti-cularmente interessante para horizontes de mais de um dia, nesses casos ser´a realizado um bootstrap para definir os novos retornos e variˆancias de partida, assim, para os dias subsequentes ser´a utilizado:

ˆ

σt+12 = ˆω + ˆαˆr2t + ˆβ ˆσ2t

Onde ˆrt = εtσˆt. Ao projetar o ´ultimo dia ser´a ent˜ao definido o retorno projetado para o horizonte: ˆr = ˆr1+ ... + ˆrT Todo o processo anterior dever´a ser repetido algumas milhares de vezes, lembrando que a amostra aleat´oria ir´a sempre variar, e guardar o retorno projetado ˆr. Em posse de diversos cen´arios para o retorno projetado ´e definida a distribui¸c˜ao de retornos do portf´olio e a partir da´ı ´e poss´ıvel extrair o VaR, sujeito ao quantil α de interesse.

(19)

3.2.5 Kernel Fitting

Como j´a mencionado o VaR hist´orico tem a necessidade de possuir um grande horizonte de dados para n˜ao nos depararmos com problemas de amostras in-sufiscientes pr´oximos ao quantil de interesse. No entanto, quanto menor o α, isto ´e, quanto mais extremo ´e o quantil de interesse, maior ´e o efeito de distor¸c˜ao causado pela falta de amostras. A solu¸c˜ao ´e ent˜ao fazer um fit da cauda em uma distribui¸c˜ao cont´ınua sem que seja necess´ario fazer alguma suposi¸c˜ao sobre o comportamento param´etrico da cauda. Para superar esse problema alguns autores como (Butler, Schachter 1998), utilizam kernel fit-ting para suavizar a curva no intervalo de interesse. Nesse trabalho ser´a utilizado kernel fitting para suavizar a distribui¸c˜ao de retorno com ajuste de volatilidade, utilizando as fun¸c˜oes normal e Epanechnikov, por serem as mais usualmente aplicadas.

3.2.6 Distribui¸c˜oes de Valores Extremos

Um poss´ıvel problema ao utilizar kernel fitting seria que poss´ıvelmente a amostra utilizada n˜ao ter a cauda t˜ao pesada quando a cauda da popula¸c˜ao ´

e pesada, devido a poucas amostras presentes. Uma alternativa ´e utilizar uma distribui¸c˜ao que conhecidamente tenha a cauda pesada para fazer o fit da cauda. Ser´a utilizada a Distribui¸c˜ao Generalizada de Pareto tamb´em a partir da distribui¸c˜ao de retorno com ajuste de volatilidade com um treshold de 5%.

3.2.7 Aproxima¸c˜ao de Cornish-Fisher

No contexto de VaR a aproxima¸c˜ao de Cornish-Fisher (Cornish, Fisher 1937) pode ser utilizada para estimar quantis extremos a partir dos primeiros qua-tro momentos da distribui¸c˜ao de retornos. A aproxima¸c˜ao de quarta ordem para uma distribui¸c˜ao com m´edia 0 e variˆancia 1 ´e dada por

(20)

3.2.8 Distribui¸c˜oes tipo Johnson

Um poss´ıvel problema da aproxima¸c˜ao de Cornish-Fisher acontece quando a distribui¸c˜ao tem alta assimetria ou curtose, nota-se que ela passa a su-bestimar o VaR nesses casos. As distribui¸c˜oes da fam´ılia Johnson (Johnson 1949) s˜ao bastante flex´ıveis e podem solucionar esse problema. Uma vari´avel aleat´oria X tem uma distribui¸c˜ao Johnson se

(X − ξ)/λ = sinh(Z − γ)/δ

onde Z ´e vari´avel padr˜ao normalizada, ξ determina a localiza¸c˜ao da dis-tribui¸c˜ao, λ determina a escala, γ determina a assimetria e δ a curtose. No contexto do VaR, o quantil α de X pode ser definido por

xα = λsinh(zα− γ)/δ + ξ

Para estimar os quatro momentos (Tuenter 2001) prop˜oe o seguinte al-gor´ıtimo: 1. Defina ω = exp(δ−2) 2. Defina m = 4 + 2[ω2 κ+6ˆ ω2+2ω+3] 1/2 − 2 , onde ˆκ ´e a curtose 3. Defina o limite superior de ω: ωsup = (−1 + (2( ˆκ + 2))1/2)1/2

4. Defina o limite inferior de ω: ωinf = max(ω1, ω2), onde ω1 ´e a ´unica solu¸c˜ao positiva de ω4+ 2ω3+ 3ω2− ˆ

κ − 6 = 0, e ω2 ´e a ´unica solu¸c˜ao positiva de (ω − 1)(ω + 2)2 = ˆτ2, onde ˆτ ´e a assimetria.

5. Encontre ω tal que ωinf < ω < ωinf e que (ω−1−m)(ω+2+m/2)2 = ˆτ2 6. Defina os momentos:

ˆ

σ = (lnω)(− 1/2), ˆ

γ = θˆσ, onde θ = −sign(ˆτ sinh−1[(ω+1)(ω−1−m)2ωm 1/2] ˆ

λ = ((ω−1)(ωcosh2θ+1)2ˆδ2 )1/2 ˆ

ξ = ˆµ − sign(ˆτ )δ(ω−m−1)ˆ ω−1 1/2), onde ˆµ e ˆδ s˜ao a m´edia e desvio padr˜ao da distribui¸c˜ao de retornos.

Ap´os estimar os momentos ´e poss´ıvel ent˜ao estimar o VaR hist´orico, espera-se que essa aproxima¸c˜ao tenha melhor desempenho do que a aproxima¸c˜ao de Cornish-Fisher para distribui¸c˜oes com a cauda mais pesada.

(21)

3.3

Modelos de estima¸

ao por Monte Carlo

Na sua forma mais b´asica essa classe de modelos ´e semelhante aos modelos param´etricos. Assume que a matriz de covariˆancia dos fatores de risco mapeia por completo a dependˆencia entre os retornos dos fatores de risco e que esses tem distribui¸c˜ao normal. Por´em essa classe de modelos ´e bastante flex´ıvel e permite que muitas dessas premissas possam ser alteradas. Um ponto negativo ´e estar sujeito a erro de amostragem, o que ´e mitigado somente ao realizar muitas simula¸c˜oes. Isso leva a outro problema que ´e o esfor¸co computacional despendido para rodar o modelo. Essa classe de modelos n˜ao ser´a implementada, sua grande vantagem est´a no fato da facilidade de introduzir certos tipos de premissas nos m´etodos de estima¸c˜ao, como por exemplo atribuir uma distribui¸c˜ao normal para um fator de risco e uma distribui¸c˜ao t-stutent para outro fator. Este trabalho evita a utiliza¸c˜ao de premissas para as amostras geradas no intuito de evitar vi´es para determinado modelo ao comparar os resultados.

3.4

etodos de Backtesting

Para avaliar a performance de cada modelo s˜ao aplicados aos resultados os principais m´etodos de backtest dispon´ıveis na literatura.

3.4.1 Cobertura Incondicional

Em seu trabalho Kupiec (1995) apresenta o teste de cobertura incondici-onal (LR UC), tamb´em conhecido como POF (proportion of failures) que mede se a quantidade de erros do modelo ´e consistente com o n´ıvel de con-fian¸ca, onde ´e considerado erro quando a perda ´e superior ao VaR estimado (rt< −V aR(α)). A intui¸c˜ao deste teste ´e verificar que quando a quantidade de erros ´e superior ao esperado o modelo est´a subestimando o VaR, e quanto a quantidade de erros ´e inferior ao esperado ent˜ao o modelo est´a superes-timando o VaR. Campbell (2005) mostra que esse teste ´e estatisticamente

(22)

prever as viola¸c˜oes. Christoffersen (1998) prop˜oe o teste de independˆencia de viola¸c˜oes (LR IND), al´em do comportamento de independˆencia ´e poss´ıvel verificar se o modelo captura bem varia¸c˜oes de mercado pelo fato de rejeitar modelos com aglomera¸c˜oes de erros.

3.4.3 Cobertura Condicional

O teste de cobertura condicional (LR CC) avalia conjuntamente a cobertura incondicional e independˆencia de vioala¸c˜oes, o que n˜ao ´e um substituto direto para ambos os testes isoladamente (Christoffersen (2012)).

3.4.4 DQ Test

Engle e Manganelli (2004) sugerem um teste baseado em uma regress˜ao li-near, conhecido como DQ Test (dynamic conditional quantile), associando erros atuais aos erros passados. Define-se Hi(α) = It(α) − α, onde:

It(α) =

 1, para rt< −V aRt|t−1(α) 0, para rt> −V aRt|t−1(α) Utiliza-se a seguinte regress˜ao:

DQOOS = (Hit0tXt[Xt0Xt]−1Xt0Hitt)/(α(1 − α))

Onde Xt= [c, V aR(α), Zt] e onde Zt ´e Hitt atrasado/deslocado. A hip´otese nula do teste ´e a independˆencia entre Hitte Xt, isto ´e, a independˆencia entre os erros e um conjunto de variaveis explicativas, s˜ao elas, uma constante, a pr´opria distribui¸c˜ao do VaR e a distribui¸c˜ao de erros deslocada em n per´ıodos. Intuitivamente, assim como Christoffersen, procura-se a independˆencia dos erros em rela¸c˜ao `as demais informa¸c˜oes dispon´ıveis.

3.4.5 Risk Map

At´e agora todos os backtests baseiam-se em ocorrˆencias ou n˜ao de erro, ig-norando o tamanho do erro. Colletaz, Hurlin e Perignon (2013) apresentam o conceito de super-exception. Definimos anteriormente um erro (exception) quando rt< −V aR(α). Uma super-exception ocorre quando rt < −V aR(α0), com α0 < α, ou seja, o erro continua ocorrendo mesmo ao utilizar um n´ıvel de significˆancia mais conservador. O Risk Map utiliza a quantidade de erros e super-exceptions que testam conjuntamente o quantidade e magnitude dos

(23)

erros. Usualmente ´e utilizado α0 = α/5. Nota-se que este teste ´e pouco aplic´avel para altos n´ıveis de significˆancia (e.g. α = 0, 1%) pois mesmo com amostras muito grandes as ocorrˆencias de super-exceptions s˜ao poucas, o que torna o teste impreciso.

(24)

4

Resultados

Esta parte do trabalho ´e dedicata a explicar a metodologia empregada para o calculo do VaR, defini¸c˜ao das carteiras, testes realizados e avalia¸c˜ao dos resultados obtidos.

Foram geradas aleatoriamente 10.000 carteiras, cada uma contendo posi¸c˜oes em bolsa (Brasil e EUA) e fluxos de caixa. Dessa forma gera-se a exposi¸c˜ao ao pre¸cos das a¸c˜oes, varia¸c˜ao cambial e curva de juros. As a¸c˜oes e a posi¸c˜ao das a¸c˜oes na carteira s˜ao definidas aleatoriamente, assim como as posi¸c˜oes e prazos dos fluxos de caixa.

Os pre¸cos das a¸c˜oes, cˆambio e curva de juros foram extra´ıdos do servi¸co de dados da Bloomberg no per´ıodo de janeiro de 2012 at´e maio de 2018.

Para o calculo da VaR foi empregada uma janela hist´orica de 900 dias ´uteis para alimenta¸c˜ao dos modelos, o VaR de 1 dia referente ao per´ıodo subse-quente da janela ´e computado para todos os modelos. No per´ıodo seguinte, a janela hist´orica ´e deslocada para desprezar o ´ultimo dia da janela e incluir o pr´oximo dia, com isso, os modelos s˜ao refatorados o novamente calcula-se o VaR de 1 dia para o per´ıodo subsequente. Este processo ´e repetido at´e que se esgotem os dados da amostra, conforme ilustrado na figura 2.

Figura 2: Exemplo VaR

Para cada modelo foi gerado o VaR para α = (10%, 5%, 1%, 0, 1%). A figura 3 cont´em um exemplo do vetor de P&L comparado ao VaR(5%) de uma carteira aleat´oria utilizando os m´etodos Param´etrico Normal e Param´etrico Normal ajustado por EWMA.

A partir das s´eries de P&L e os resultados obtidos, foram aplicados os m´etodos de backtesting mencionados para cada m´etodo/alpha/portfolio.

(25)

Figura 3: Exemplo P&L, Param. Normal e Param. Normal com ajuste EWMA

Verifica-se se o modelo passou ou n˜ao em cada m´etodo de backtesting apli-cado. Os resultados expressos em percentual de vezes que o m´etodo passou em cada backtest podem ser observados nas tabelas 1, 2, 3 e 4.

(26)

LR T est DQ T est Risk Map LR UC LR IND LR CC DQ UC DQ IND DQ CC LR MUC Hist´ orico Regular 77,2% 63,4% 61,2% 78,9% 58,1% 58,5% 73,3% Hist´ orico Ajuste Retorno 66,7% 87,6% 71,1% 64,9% 84,5% 69,6% 69,2% Hist´ orico Ajuste V ol EWMA 57,6% 59,5% 42,0% 59,9% 54,8% 40,3% 56,1% Hist´ orico Ajuste V ol Garc h 86,4% 65,2% 70,1% 88,7% 62,0% 67,5% 73,1% Hist´ orico Filtra do 18,0% 49,1% 17,0% 17,4% 41,8% 16,9% 18,0% P arametrico Normal 34,3% 68,6% 27,7% 36,6% 77,4% 27,5% 32,4% P arametrico Normal EWMA 61,1% 73,7% 56,1% 65,1% 73,2% 56,7% 47,2% P arametrico T-Studen t 40,6% 65,7% 32,9% 41,9% 74,9% 32,0% 37,7% P arametrico T-Studen t EW MA 58,5% 72,7% 53,3% 59,0% 66,3% 50,8% 56,3% T ab ela 1: Resultados para α = 10%

(27)

LR T est DQ T est Risk Map LR UC LR IND LR CC DQ UC DQ IND DQ CC LR MUC 76,1% 77,3% 66,8% 75,5% 65,3% 59,7% 76,0% Retorno 64,0% 90,2% 69,8% 58,6% 87,6% 65,1% 70,5% V ol EWMA 59,6% 74,9% 52,6% 59,4% 62,5% 46,5% 61,1% V ol Garc h 89,8% 79,7% 80,2% 89,8% 69,5% 73,2% 87,5% do 17,5% 56,5% 18,7% 16,7% 42,6% 17,5% 18,2% 46,3% 83,0% 39,8% 47,3% 78,5% 38,2% 45,7% EWMA 91,6% 85,4% 85,1% 92,5% 78,1% 81,5% 87,1% t 41,4% 81,6% 37,0% 41,6% 76,7% 35,4% 42,1% t EW MA 73,4% 84,5% 71,4% 72,2% 75,1% 65,2% 72,5% T ab ela 2: Resultados para α = 5%

(28)

LR T est DQ T est Risk Map LR UC LR IND LR CC DQ UC DQ IND DQ CC LR MUC Hist´ orico Regular 80,1% 96,0% 82,9% 77,7% 76,6% 61,9% 83,8% Hist´ orico Aj. Retorno 5,3% 95,8% 9,9% 3,3% 73,1% 3,8% 7,7% Hist´ orico Aj. V ol EWMA 44,5% 94,9% 47,0% 42,1% 71,2% 32,9% 46,3% Hist´ orico Aj. V ol Garc h 91,2% 97,5% 91,7% 90,5% 80,6% 75,5% 93,0% Hist´ orico Cornish Fisher 83,6% 98,2% 95,0% 95,4% 87,6% 86,0% 96,1% Hist´ orico Filtra do 19,3% 85,2% 21,3% 17,4% 49,0% 18,7% 20,6% Hist´ orico Gen P areto 92,9% 97,5% 93,1% 92,5% 81,1% 78,9% 94,3% Hist´ orico Johnson F am 55,0% 85,0% 56,2% 55,3% 57,6% 45,4% 56,5% Hist´ orico Kernel Epanec h 93,2% 97,6% 93,6% 92,7% 80,4% 78,0% 94,5% Hist´ orico Kernel Normal 93,3% 97,6% 93,8% 92,9% 80,7% 78,2% 94,6% P arametrico Normal 53,1% 95,8% 74,3% 70,5% 81,8% 60,2% 76,0% P arametrico Normal EWMA 81,5% 97,9% 84,9% 78,0% 84,7% 69,8% 84,9% P arametrico T-Studen t 69,7% 96,3% 89,6% 86,4% 84,8% 76,3% 90,3% P arametrico T-Stt EWMA 94,2% 98,6% 94,3% 93,7% 85,3% 83,3% 94,8% T ab ela 3: Resultados para α = 1%

(29)

LR T est DQ T est Risk Map LR UC LR IND LR CC DQ UC DQ IND DQ CC LR MUC 89,5% 100,0% 94,3% 79,6% 98,2% 78,7% 92,9% Retorno 0,1% 99,1% 0,6% 0,0% 65,4% 0,0% 0,4% V ol EWMA 35,5% 99,4% 48,1% 21,5% 80,1% 19,6% 45,3% V ol Garc h 99,0% 100,0% 99,6% 96,1% 99,8% 96,0% 99,5% Fisher 96,7% 99,8% 97,1% 94,7% 99,2% 94,6% 97,0% do 35,2% 100,0% 39,6% 30,2% 62,5% 30,1% 37,8% P areto 97,8% 100,0% 99,2% 93,9% 99,4% 93,6% 98,8% F am 45,6% 90,8% 50,3% 38,6% 59,0% 37,7% 47,7% Epanec h 99,4% 100,0% 99,7% 97,0% 99,8% 96,9% 99,6% Normal 99,4% 100,0% 99,7% 96,9% 99,8% 96,8% 99,6% 57,8% 99,5% 68,1% 44,7% 88,1% 42,5% 64,9% EWMA 63,6% 100,0% 77,4% 43,3% 92,5% 42,7% 74,2% t 93,6% 100,0% 97,4% 86,2% 99,8% 86,2% 94,9% EWMA 96,0% 100,0% 97,6% 92,8% 98,1% 92,1% 97,9% T ab ela 4: Resultados para α = 0 ,1%

(30)

Nos resultados obtidos para α = 10% ´e poss´ıvel verificar que os modelos que possuem algum tipo de corre¸c˜ao do hist´orico de dados, e.g. EWMA, tem resultados significativamente melhores do que aqueles que n˜ao fazem ajustes, dentre eles destaca-se o Hist´orico com ajuste de volatilidade por GARCH. Nos resultados obtidos para α = 5% continua-se a observar a vantagem dos modelos que fazem ajuste, novamente com destaque Hist´orico com ajuste de volatilidade por GARCH e tamb´em pelo Param´etrico Normal com ajuste EWMA.

Para os resultados de α = 1%, s˜ao inclu´ıdos os m´etodos de aproxima¸c˜ao ba-seados no P&L gerado pelo hist´orico com ajuste de volatilidade por GARCH. Verifica-se um bom fit pela Distribui¸c˜ao Generalizada de Pareto (GPD), Cor-nish Fisher e em ambos os Kernels. O Param´etrico T-Student EWMA passa a se sobressair em rela¸c˜ao ao Normal EWMA.

Para os resultados de α = 0, 1%, s˜ao inclu´ıdos os m´etodos de aproxima¸c˜ao ba-seados no P&L gerado pelo hist´orico com ajuste de volatilidade por GARCH. Apesar do alto n´ıvel de confian¸ca o VaR hist´orico com ajuste de volatilidade por GARCH continua com um bom desempenho, o que pode ser explicado pela janela grande utilizada. GDP e ambos os Kernels continuam com bons resultados. Param´etrico T-Student EWMA continua melhor que o Normal EWMA.

Apesar do VaR hist´orico com ajuste de volatilidade por GARCH ter apre-sentado bons indicadores para um alpha muito pequeno, foi observado recor-rentemente um claro overshoot quando comparado a outros modelos. Esse comportamento pode ser observado em uma amostra representada na figura 8. O mesmo comportamento, em menor escala, foi observado para o VaR hist´orico com suaviza¸c˜ao por Kernel Normal e Epanechnikov, assim, para quantis extremos conclui-se que o VaR hist´orico ´e melhor ajustado pela Dis-tribui¸c˜ao Generalizada de Pareto.

(31)

Figura 4: P&L e VaR para α = 0, 1%

5

Conclus˜

ao

Foram avaliados os principais m´etodos de estima¸c˜ao do VaR dispon´ıveis na literatura. Os resultados mostraram que quando h´a disponibilidade de um grande hist´orico de pre¸cos a performance do VaR hist´orico com ajuste de vo-latilidade por GARCH para quantis entre 1% − 10% ´e a melhor alternativa, por´em, para quantis extremos onde a cauda da distribui¸c˜ao perde precis˜ao a melhor alternativa ´e fazer o fit da cauda pela Distribui¸c˜ao Generalizada de Pareto.

Caso n˜ao esteja dispon´ıvel um grande hist´orico de pre¸cos, para quantis entre 5% − 10% indica-se a utliza¸c˜ao do VaR Param´etrico Normal ajustado por EWMA. J´a para faixa de 1% ou menor, a distribui¸c˜ao T-Student que tem a cauda mais pesada que a normal nessa faixa mostrou-se a melhor alternativa. Os resultados contudo n˜ao afirmam que esses s˜ao os melhores modelos poss´ıveis para qualquer portfolio pois existem m´etodos para realizar ajustes nos mo-delos uma vez que ´e conhecido algum comportamento sobre portfolio de

(32)

6

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Imagem

Figura 1: Exemplo VaR
Figura 2: Exemplo VaR
Figura 3: Exemplo P&amp;L, Param. Normal e Param. Normal com ajuste EWMA
Figura 4: P&amp;L e VaR para α = 0, 1%

Referências

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