4.3.2 Objetivos específicos
Informática: Com o uso da Internet, levar o aluno a reconhecer as obras de Tarsila do Amaral disponíveis na rede e a produzir uma interferência mediante edição de imagens. Após a seleção da obra, o aluno deverá executar os trabalhos propostos, bem como estabelecer relações entre o mundo virtual e a realidade da criação desse mundo.
Usando o Software Photophiltre Studio e suas ferramentas para tratamento de imagem, deve perceber que as ferramentas disponíveis no software auxiliam a transformar e a personalizar uma obra de arte famosa, sem prejuízo dos direitos autorais do artista. Vale salientar que o programa utilizado dispõe de várias ferramentas que transformam o trabalho em uma verdadeira obra de arte. A possibilidade de interação do programa com a criatividade do aluno, dada a capacidade de refino de suas ferramentas e aprimoramento do manuseio do programa, permitem que todos os trabalhos executados tenham, ao final, uma aparência profissional.
Arte: Partindo da observação do real, comparar, distinguir, organizar e registrar formas estilizadas. Estabelecer relações entre os elementos da composição e a realidade visual. Criar ritmos, movimentos e sentimentos nas composições.
4.3.3 Escolha do tema
Tarsila do Amaral – Artista plástica de grande importância nas artes do Brasil e figura de destaque no Modernismo brasileiro.
4.3.4 Sensibilização dos alunos
4.3.5 Organização do trabalho com o grupo classe - Aula expositiva.
- Leitura de livros.
- Imagens em sala de aula.
- Busca das imagens das obras de Tarsila do Amaral na Internet, no laboratório de Informática.
- Tratamento da imagem utilizando o software PhotoPhilter e MS Paint com o qual o aluno faz sua releitura e interferência.
A seguir, algumas ilustrações dos alunos desenvolvendo o trabalho no laboratório de Informática.
Figura 53 – Laboratório de Informática – 8ª série - 2007
4.3.6 Material elaborado pelo professor envolvido no projeto
Fatos precursores da Semana de Arte Moderna de 1922
No início do século XX, São Paulo passa por inúmeras transformações: o advento da luz elétrica, a construção de indústrias, os primeiros automóveis e outras modernizações. Assim poetava Oswald de Andrade sobre a cidade: “Não permita Deus que eu morra / Sem que volte para São Paulo / Sem que veja a Rua 15 / E o progresso de São Paulo”.
Nesse clima de euforia acontece, em São Paulo, a Semana de Arte Moderna de 1922, movimento considerado marco do Modernismo Brasileiro.
O pintor expressionista Lasar Segall protagoniza a primeira exposição definida como modernista no Brasil, provocando a mentalidade conservadora da burguesia paulistana com quadros que retratavam imagens distorcidas.
Anita Malfatti realiza uma exposição, no centro da cidade, em 1917, a qual se tornará um marco do Modernismo Brasileiro. Nessa exposição, apresenta todas as influências adquiridas na Alemanha, onde teve contato com o Expressionismo, e nos Estados Unidos, onde conviveu com artistas de vanguarda, como Marcel Duchamp.
EXPRESSIONISMO -
O impacto dessa exposição foi tão grande que um grupo de intelectuais passou a questionar os modelos acadêmicos e românticos tanto na literatura quanto nas artes visuais.
Após a volta do exterior e a má receptividade do público, Anita resolve ter aulas com Pedro Alexandrino, renomado pintor acadêmico. No ateliê, conhece Tarsila do Amaral, que a apresenta a Mario de Andrade e Oswald de Andrade, formando, com Menotti Del Picchia, o grupo dos cinco. Com exceção de Tarsila, todos haviam participado da Semana de 22.
Na Europa, movimentos vanguardistas surgem a cada momento, disseminando-se em todas as áreas da criação. No Brasil, o movimento cultural, ainda preso ao passado e ao conformismo, provoca, no meio intelectual, um frenético desejo de inovação.
E essa revolução provocará, entre a intelectualidade conservadora, críticas exacerbadas.
No início do século XX, obras literárias e publicações especializadas demoravam a chegar ao país, visto que vinham de navio, e apenas alguns poucos tinham acesso às novas idéias, como Impressionismo, Expressionismo, Surrealismo, Cubismo, Futurismo, Dadaísmo.
Monteiro Lobato, além de escritor, era crítico de arte, e escreveu um artigo desfavorável à exposição de Anita – “Paranóia ou Mistificação”. Para ele, “Embora se dêem como novos, como precursores de arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou teratológica: nasceu como a paranóia ou a mistificação.”
VANGUARDA – Palavra originada
Imagine como seria o impacto da obra, se você vivesse em 1920, e estivesse acostumado às obras acadêmicas.
A Arte Moderna não era bem aceita pelo grande publico brasileiro. Victor Brecheret, no entanto, foi um artista que recebeu apoio do meio intelectual, dos críticos e do público.
Semana de Arte Moderna
A Semana de Arte Moderna de 22 é a grande referência quando se pensa em Modernismo. Esse grande encontro, que aconteceu no Theatro Municipal, reuniu a nata da intelectualidade brasileira na musica, na literatura, nas artes plásticas. Foram expostas obras consideradas acadêmicas e modernas, realizadas conferências, poemas recitados, musicas executadas; enfim, um grande encontro cultural.
ACADEMIA – Quando
O chamado primeiro período do Modernismo Brasileiro era composto por artistas pertencentes a famílias abastadas, com educação no estrangeiro. Não era o caso de Anita Malfatti, cujos estudos foram patrocinados por um tio, e Mário de Andrade, que se mantinha dando aulas de música no conservatório musical. Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral vinham de famílias da sociedade paulista. Nesse panorama, as reuniões de artistas e intelectuais eram realizadas nas residências desses artistas, mais comumente no estúdio de Tarsila.
A Antropofagia
O Movimento Antropofágico surgiu em São Paulo, no inicio do século XX. Em 1924, Oswald de Andrade escreve o Manifesto Pau-Brasil e, em 1928, Manifesto Antropófago. Na época, o manifesto ‘assustou” a sociedade conservadora, cujos modelos de educação eram europeus, especialmente, franceses..
Mas o que Oswald de Andrade quer dizer com Antropofagia ou em ser um antropófago?.
Como encontro de tantos artistas no Theatro Municipal?
Em primeiro lugar, o Theatro Municipal foi alugado e patrocinado por empresários da época. Entre eles, destaca-se o nome de Paulo Prado, cuja família, assim como a dos outros patrocinadores, era, em sua grande maioria, ligada à produção do café.
O café foi a grande fonte de enriquecimento do país, do início do século até 1929.
ANTROPOFAGIA – estado ou condição de antropófago.
Para Oswald, “antropofagiar” significa assimilar o que vinha da Europa e transformar em algo nosso, com a “cara brasileira”.
O Brasil não possuía a tradição dos europeus, mas tínhamos o nosso índio. No manifesto, Oswald exalta os valores indígenas, mas não ao modo romântico. As influências européias não deveriam ser rejeitadas, mas absorvidas, “devoradas”.
“Só a Antropofagia nos une”.
Oswald faz referência à célebre frase de Shakespeare em Hamlet “ To be or not to be. That is the question”. Assimilar a cultura européia, tirar dela o que há de melhor e transubstanciá-la em cultura bem brasileira.
Mário de Andrade adere à idéia da Antropofagia e escreve Macunaíma, em 1928, resultado de pesquisas das lendas e mitos folclóricos e indígenas e de viagens pelo Brasil.
“Tarsila.
Menina nascida no interior do Estado de São Paulo: Capivari. Tarsila.
Filha de fazendeiros de café. Tarsila.
Mulher brasileira. Tarsila.
Pintora brasileira. Brasileira mesmo!” (ROSA, 1998)
Tarsila do Amaral nasceu em 1882. Cresceu feliz nas fazendas de seus pais: uma, chamada São Bernardo, em Capivari; a outra, chamada Santa Teresa do Alto, em Jundiaí.
Tornou-se uma mulher linda, vistosa, elegante e vaidosa. Alegre e extrovertida. Impregnada de arte.
Estudou com Émile Renard e expôs uma tela no Salon Officiel des Artistes Français, em 1922. Sua pintura ainda era influenciada pelo Impressionismo, movimento artístico iniciado em 1874 com Monet, Cézanne e Renoir, entre outros. Os pintores impressionistas buscavam registrar em suas pinturas a luz nas cores da natureza.
Em 1922, descobriu o Modernismo.
O Modernismo abrangeu vários momentos: o Expressionismo, nascido na Alemanha, com o quadro O Grito de Münch; o Cubismo com Picasso; o Abstracionismo com Kandinsky.
Tarsila retornou ao Brasil em junho de 1922. Alguns meses antes, mais precisamente, em fevereiro de 1922, acontecia a Semana de Arte Moderna, no Theatro Municipal de São Paulo, com exposições de escultores, como Vítor Brecheret, pintores como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Rego Monteiro, além de concertos, debates e conferências.
Tarsila começou a envolver-se com o Cubismo. Esse movimento artístico, iniciado por Cézanne, representava os objetos em um mesmo plano, isto é, sem perspectiva, sem profundidade. Não havia preocupação em retratar a realidade.
Para Tarsila, “o cubismo é o serviço militar do artista. Todo artista para ser forte deve passar por ele”.
Tarsila, porém, iria além do Cubismo. Sua inspiração viria no contato com a terra, com a cultura, com as tradições do Brasil. O quadro A Negra já começa a refletir esse momento.
Observando esse quadro, notamos que Tarsila pintou linhas paralelas, uma ao lado da outra, no limite da tela, sem se preocupar com noção de profundidade e perspectiva. Colocou-as numa disposição geométrica. Uma novidade para a época!
(A Negra -1922)
A tela A Cuca mostra uma lenda de sua infância: a cuca e os animais em torno dela, fitando-a! Nota-se também uma árvore de corações. Tarsila tratava a natureza com carinho, afeto. Seus traços sempre arredondados, sem violência, sem quebra, sem ruptura. Uma relação romântica de amor ao seu país.
Os artistas intelectuais dessa época continuavam buscando a identidade brasileira, seguindo o movimento da Semana de Arte Moderna, mesmo que eles precisassem “devorar” os colonizadores europeus. Na prática, isso significava não ser influenciado pela cultura européia buscar de sua própria identidade. Assim, os artistas procuravam símbolos que representassem esse pensamento.
Em 1928, Tarsila pinta “Abaporu”, que significa “antropófago”, “comedor de gente”, traduzindo o sentimento que predominava naquele momento.
(Abaporu – 1928)
(Antropofagia – 1929)
Em 1929, Tarsila começou a ter problemas financeiros e, em 1930, viajou para a União Soviética, onde expôs no Museu de Arte Moderna Ocidental.
Ao retornar, preocupou-se em pintar temas sociais.
Tarsila do Amaral, ao longo de sua vida, recebeu muitos prêmios e o reconhecimento por sua obra. Escreveu artigos sobre arte no jornal Diário de São Paulo. Continuou viajando e
pintando até seu falecimento, em São Paulo, em janeiro de 1973, aos 86 anos.
Sua vida foi a pintura. Uma pintura que cativou, discutiu,
polemizou,
despertou nossas raízes, nossa cultura, nosso povo.
Tarsila,
uma mulher brasileira... uma mulher corajosa...
digna de representar
a Arte Moderna Brasileira. (ROSA, 1998)
Bibliografia:
JORDÃO, Rose e OLIVEIRA, Clenir Bellezi. Linguagens Estrutura e Arte. São Paulo: Moderna, 1999
Museu de Arte Brasileira - MAB e Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP. Da Antropafagia a Brasília, 2002/2003
4.3.7 Produção dos alunos
Figura 55 - Releitura da obra Abaporu – alunas Cláudia e Júlia - 8a série – 2007
Figura 57 - Releitura da obra Abaporu – alunas Heloísa, Mariana e Marina - 8a série – 2007
4.3.8 Depoimento da professora responsável pelo projeto
Nome: Marisa de Jesus Penhalber
Formação: Bacharelado e licenciatura em Arte
Experiência acadêmica: 22 anos de magistério no Ensino Fundamental II Tempo de trabalho no Colégio Albert Sabin: 10 anos
1. Como foi o planejamento dessa aula?
Cruzando o conteúdo sobre a Arte Moderna com o Modernismo Brasileiro, valorizando a arte e as questões a ela relacionadas.
2. Como foi feita a seleção de conteúdo?
Já fazia parte do planejamento e foi adequado para ser realizado também nas aulas de computação.
3. Como foi selecionado o método didático de ensino?
Por meio de livros, imagens e uma apostila.
4. Quais as vantagens do método escolhido?
Desenvolver a habilidade do uso das ferramentas de programas, gráficos, estabelecendo relação entre os elementos da computação e a realidade visual.
5. Quais as intercorrências durante a execução da aula?
O ar condicionado na sala não estava funcionando, e algumas máquinas apresentaram problemas nos servidores para salvar os trabalhos.
6. Como você observou a reação dos alunos, especificamente no que diz respeito ao conteúdo ensinado?
Normal, pois antes de trabalhar com a Informática, trabalhamos em sala de aula com métodos tradicionais de desenho e pintura.
7. Quais as manifestações dos alunos após a aula?
Satisfação e alegria com os resultados, ao perceberem que conseguiram entender e compreender a proposta inicial do projeto e se apropriaram do conhecimento desenvolvido do projeto.
8. Quais as dificuldades encontradas durante o desenvolvimento da aula?
As maiores dificuldades foram em relação ao software, pois alguns alunos ainda não conheciam.
9. Cite os pontos positivos e os pontos negativos dessa aula especificamente.
A busca das imagens na internet com o software PhotoPhiltre e MSPaint fez com que o trabalho ficasse com um toque a mais de modernidade e com a “cara” dos alunos, pois eles sempre buscam referências em seu cotidiano. Não observei pontos negativos.
10. Anote, a seguir, algum comentário que você ache pertinente e que não foi possível ser explorado nas questões anteriores.
11. Faça um paralelo/comparação entre a experiência de ministrar aula com o uso do computador e suas experiências anteriores ao ministrar o mesmo conteúdo sem o uso desse recurso.
São realidades bem opostas. Em sala de aula, os recursos são outros: papel, lápis grafite, lápis de cor, tesoura, cola. Na sala de informática, somente o computador e os programas.
12. O que você teve de aprender, estudar e treinar para, como professor, conseguir utilizar essa tecnologia?
Não utilizei, só administrei, pois a professora de Informática esteve presente.
13. Qual a sua avaliação dessa aula com esse tipo de recurso didático?
Satisfatória, pois os alunos conseguiram entender a proposta do projeto.
4.3.9 Depoimentosde alunos
Nesses depoimentos, mantivemos a escrita espontânea dos alunos.
Aluno 2: No começo de tudo aprendemos sobre o Modernismo e o trabalho de Tarsila do Amaral, depois fizemos uma releitura da obra Abaporu. Após o trabalho na sala de Artes, seguimos para a computação e trabalhamos com outra obra, Antropofagia. Lá utilizamos programas para fotografia e montagem de fotos. A etapa mais motivante foi quando usamos o computador para fazer a releitura do quadro, pois nós queríamos representar os opostos e também a atração. Com as idéias de cada uma o trabalho ficou do jeito que queríamos, lindo. As vantagens são muitas como a grande variedade de ferramentas para montagem da foto, a internet ajuda na procura das fotos, o computador as vezes pode expressar melhor o que você quer dizer no desenho. A única desvantagem é não poder fazer o desenho você mesmo, com as próprias mãos.
Aluno 3: Antes de desenvolver a parte prática, aprendemos a parte teórica, história da pintora Tarsila do Amaral, fizemos uma releitura do quadro “Abaporu” em sala de aula e na aula seguinte fomos ao laboratório, fizemos grupos de três e desenvolvemos uma releitura do quadro Antropofagia de Tarsila do Amaral, que está sendo exposta na escada do nosso prédio. A etapa mais motivante foi depois que terminamos o trabalho, vimos o quanto ficou lindo e quando a gente usa a sério a atividade sempre fica bom. As vantagens são poucas tanto quanto as desvantagens, que foi bem mais rápido, mas por outro lado trabalhoso, porque a gente não sabia mexer direito no programa. As desvantagens, é bem claro que não é a mesma coisa fazer um trabalho a mão do que fazer no computador, computador qualquer problema, se você não salva, pronto, tchau tchau pra você, a mão é mais demorado porém mais motivante, você fica naquela expectativa.
Aluno 5: Nós pegamos a imagem do Abaporu, colocamos no paint e fizemos a releitura. O mais motivante de tudo foi a própria releitura. Fizemos um trabalho diferente do que costumávamos fazer nas aulas de arte e o trabalho ficou mais bem feito.
Aluno 6: Procuramos no google a imagem do Abaporu, fizemos as mudanças na imagem, exemplo, o cabelo (releitura), salvamos e imprimimos em papel fotográfico. A etapa mais motivante foi a da releitura, a modificação da imagem. Em minha opinião as vantagens da utilização da Informática neste trabalho são que você consegue alguns efeitos que não conseguiria fazer sem o computador, é mais rápido, se errar tem como desfazer. Não veja desvantagens.
mesma liberdade de desenhar como ocorre no processo manual, com os computadores os desenhos manuais se tornam mais difíceis de serem feitos, limitando a personalização.
Aluno 8: Houve a apresentação ao autor da obra, Tarsila do Amaral, conhecemos um pouco de sua biografia, a época que vivia, sobre a semana de arte moderna de 1922, posteriormente realizamos em classe a releitura da obra, no papel, após terminada, na sala de informática realizamos uma releitura virtual, abordando temos cômicos, políticos e etc. A releitura virtual estimulou a criatividade e imaginação do aluno, em que alguns realizavam modificações na obra original, de cores, formas, distorcendo-a, outras com sentido cômico, e outras retratavam a realidade atual, política, econômica e social. A informática, creio eu, sempre foi um meio didático mais dinâmico que, além de ser uma ferramenta fundamental e quase obrigatória, reflete a realidade do jovem adolescente, pois convivemos com ela e temos domínio sobre ela, e com ela estimulamos nossa criatividade, retratamos nossos desejos e etc. Nem sempre todos levam a sério a obrigação, o dever e pelo fato de ser uma aula fora dos parâmetros rotineiros, ela se torna mais dinâmica, e acaba distraindo alguns.
4.3.10 Análise do projeto - professores
A criatividade na Arte é uma das habilidades que se faz presente e cada vez mais necessária no uso de novas tecnologias. O apoio técnico e a presença da professora de Informática no laboratório fizeram com que a professora de Arte superasse suas dificuldades na utilização do computador e levasse os alunos a esse espaço, dando-lhes a oportunidade de descobrir o que um software gráfico pode contribuir para melhoria do trabalho.
Estudando o Modernismo Brasileiro, os alunos das 8ª séries tiveram a oportunidade de trabalhar com uma ferramenta diferenciada, produzindo, com software gráfico,
novas releituras da obra ABAPORU e ANTROPOFAGIA de Tarsila do Amaral, com recortes, colagens e grafismo (professora de Arte).
Do questionário respondido pela professora podemos destacar alguns aspectos.
A aula foi planejada juntamente com a professora de Informática. Em decorrência de uma situação frustrante no ano de 2006, no mês de abril, houve uma preocupação maior em testar os equipamentos e o software antes de levar os alunos ao laboratório. A preocupação em antecipar o conteúdo em sala de aula também fez parte desse planejamento, até mesmo para mostrar as várias possibilidades que o programa poderia oferecer.
[...] antes de trabalhar com a Informática, trabalhamos em sala de aula com métodos tradicionais de desenho e pintura (professora de Arte).
4.3.11 Análise do projeto – alunos
Passou-se um questionário para ser respondido por nove alunos, para termos uma amostragem, ainda que pequena, de como eles perceberam a aula., uma vez que Arte é uma disciplina que desperta bastante interesse em sala de aula.
O resultado foi bastante positivo. Os próprios alunos fizeram descobertas a respeito do programa. Houve uma interação muito grande entre eles. Durante a aula, queriam mostrar aos colegas seus desenhos, suas releituras.
Primeiro nós pegamos a imagem do Abaporu no site de pesquisa (Google), copiamos a imagem e colamos no paint, depois, nós modificamos do novo jeito. A
etapa mais motivante foi de criar na imagem do Abaporu o que nós desejávamos. As vantagens de usar a informática é que podemos utilizar vários recursos diferentes e é mais divertido(Aluno 4).
O contato dos alunos com o computador não se restringe apenas a trabalhos e pesquisas; eles têm uma “afinidade” com a máquina e um fascínio que facilita qualquer desafio proposto.
O mais interessante nesse projeto foi perceber o orgulho que sentiram pela autoria da releitura da obra de Tarsila do Amaral. Eles construíram o seu conhecimento.
Quando, a partir de um tema, o aluno pesquisa, cria um roteiro de trabalho, escolhe imagens, produz textos, formula hipóteses, troca idéias com seus colegas mediante o trabalho em grupo, aceita intervenções de seu professor, que o reconduz às suas reflexões, podemos afirmar que está construindo seu conhecimento. Diferentemente de apenas ler um texto e responder a algumas questões (Primerano, 2004, p.110). Percebemos, também, por meio das manifestações espontâneas, a disposição em ajudar o colega a utilizar o software.
4.4 PROJETO: Torres de Hanói
Série: 8ª série do Ensino Fundamental II Data da realização: Maio/2007
Número de alunos: 158
Disciplinas envolvidas: Matemática e Informática
4.4.1 Objetivos gerais
O presente trabalho pretende utilizar o programa Torre de Hanói e, por meio de atividades, aplicar a idéia de potenciação. O objetivo é que os alunos percebam que, por meio de uma atividade prática, podemos introduzir conceitos matemáticos.
4.4.2 Objetivos específicos
Identificar a aplicabilidade da notação de potências para registrar números muito grandes ou muito pequenos (crescimento exponencial).
4.4.3 Escolha do tema
A assessora do departamento de Química Profª. Drª. Áurea Bazzi sugeriu que fizéssemos um experimento de grupo controle/ grupo experimental. Daí surgiu o interesse do professor de Matemática em participar, utilizando um conteúdo pertinente ao planejamento e que fosse possível avaliar quantitativamente.
4.4.4 Sensibilização dos alunos
4.4.5 Material elaborado pelo professor responsável pelo projeto
TRABALHANDO COM O SOFTWARE TORRE DE HANÓI:
INTRODUÇÃO
A Torre de Hanói é um dos quebra-cabeças matemáticos mais populares. Ele foi inventado por Edouard Lucas, aproximadamente, em 1883. O jogo é constituído de n peças de tamanhos diferentes e consiste em uma base com três pinos com um furo no centro onde são colocados os discos; como mostra a figura abaixo:
No início, os discos estão dispostos num primeiro pino e formam uma torre em ordem decrescente de tamanho. O objetivo do jogo é sempre transportar toda a torre para um dos outros pinos de modo que cada movimento seja feito somente com um disco, não sendo permitido que um disco maior fique sobre um disco menor.
O objetivo do jogo é descobrir qual é o menor número de movimentos necessário para transportar os discos, quando o número de discos for n.
EXECUÇÃO
seguindo suas instruções. Os sacerdotes obedeceram e começaram o seu trabalho, dia e noite. Quando eles terminassem, a Torre de Brahma ruiria e o mundo desapareceria.”
E agora, quando será que a Torre de Brahma irá ruir, e o mundo desaparecerá? Será que podemos prever?
Cada dupla, de posse do software Torre de Hanói, tentará dispor os discos, anotando sempre o número de jogadas necessárias para transpor as peças, obedecendo às seguintes regras:
(a) Em cada movimento, só poderá ser transferido um disco;
(b) Em nenhum dos movimentos poderá o jogador colocar um disco sobre outro de menor diâmetro.
Faremos uma tabela coletiva na lousa a fim de descobrir qual o menor número possível de jogadas para cada peça.
Dessa forma, duas inquietações passarão a nortear o trabalho:
x Será que existe alguma relação entre o número de peças e o de jogadas? x Será que o número de jogadas é uma função do número de peças?
Caso a resposta dessas indagações seja afirmativa, podemos concluir que é possível prever um número de jogadas mínimas necessárias para vencer o jogo, independentemente do número de peças!
Tabela de Passos
Nº de discos Nº de passos
4.4.6 Aula no Laboratório de Informática, utilizando o software Torres de Hanói
Figura 62 – Laboratório de Informática – Torres de Hanói – 2007
4.4.7 Aula em sala de aula, utilizando o jogo Torre de Hanói
Figura 64 – Laboratório de Informática – Torres de Hanói - 2007
Figura 66 – Sala de aula – jogo Torres de Hanói - 2007
4.4.8 Avaliação
Foi aplicada, após a utilização dos jogo de pinos e do software Torres de Hanói, uma avaliação com cinco questões objetivas valendo dois pontos cada para aferir em que medida o uso do software Torres de Hanói proporcionou uma maior aprendizagem quanto ao conteúdo proposto. Os alunos das 8ªs séries B e D trabalharam com o jogo de discos e pinos em sala de aula, e os alunos das 8ªs séries A,C e E utilizaram o software Torres de Hanói no Laboratório de Informática. A distribuição de alunos por sala é: 8ª A 30 alunos, 8ªB 30 alunos, 8ª C 32 alunos, 8ªD 29 alunos e 8ªE 32 alunos. A tabela seguinte mostra o desempenho da série, por turma e a média de cada sala.
AVALIAÇÃO DE ÁLGEBRA SOBRE O QUEBRA-CABEÇA TORRE DE HANÓI
1) O número mínimo de jogadas para 3, 4 e 5 discos é, respectivamente: a) 7, 15 e 32
b) 8, 15 e 31 c) 7, 16 e 31 d) 7, 15 e 31 e) 7, 16 e 32
2) Sabendo-se que o número y (mínimo de jogadas) depende da quantidade x de discos, podemos afirmar que:
a) x
y 2 b) x 2y c) y 2x 1 d) x 2y 1 e)x y
3) Pedro efetuou 2047 movimentos durante um jogo; conferiu e confirmou ser essa a quantidade mínima de jogadas, então, o número de discos foi:
a) 7 b) 8 c) 9 d) 10 e) 11
4) Considerando, ainda, que Pedro demora 1 segundo por movimento, o tempo que levou para efetuar os 2047 movimentos, em minutos, foi de aproximadamente:
5) Segundo a lenda: “No começo dos tempos, Deus criou a Torre de Brahma, que continha três pinos de diamante e colocou, no primeiro pino, 64 discos de ouro maciço. Deus, então, chamou seus sacerdotes e ordenou-lhes que transferissem todos os discos para o terceiro pino. Os sacerdotes obedeceram e começaram o seu trabalho, dia e noite. Quando eles terminassem, a Torre de Brahma ruiria e o mundo desapareceria.” A expressão matemática que descreve o número mínimo de movimentos para tal é:
a) 264 1 b)632 1 c)263 1 d)642 1 e) 21 64
Quadro de resposta
A B C D E 1
4.4.9 Resultados da avaliação
Tabela 5 –Desempenho da série, por turma, e a média de cada sala
8ª A 8ª B 8ª C 8ª D 8ª E 1 4 10 10 8 10 2 4 8 10 8 10 3 10 8 10 10 10 4 10 8 10 10 6 5 10 6 10 10 6 6 10 10 8 10 4 7 10 10 10 10 6 8 6 8 10 8 6 9 8 6 8 8 8 10 10 8 10 8 10 11 10 8 4 10 6 12 10 2 8 10 10 13 4 10 10 10 10 14 10 10 10 4 10 15 4 10 10 10 2 16 8 6 10 8 2 17 8 8 8 10 10 18 8 10 10 4 8 19 10 10 8 6 0 20 10 10 8 10 10 21 10 10 10 6 6 22 10 10 10 10 6 23 8 10 10 10 10 24 8 10 8 10 8 25 10 10 10 10 10 26 10 8 8 10 8 27 10 10 8 10 10 28 10 10 10 10 6 29 10 4 10 10 4 30 10 6 10 6 31 10 10
32 10 6
Total 260 254 296 258 234
Média 8,6 8,4 9,2 8,8 7,3
4.4.10 Considerações sobre os resultados
As 8ªs séries A, C e E utilizaram o software Torres de Hanói no laboratório de Informática, antes da avaliação. Pudemos observar a média de cada sala: 8,6 , 9,2 e 7,3, respectivamente.
As 8ªs séries B e D utilizaram o jogo de pinos Torres de Hanói em sala de aula, também antes da avaliação. Para essas duas salas, também pudemos observar uma média de 8,4 e 8,8, respectivamente.
Diante desses resultados, constatamos que o uso do software não fez muita diferença para o resultado do desempenho do aluno. Inclusive, a 8ªE foi a que obteve a média mais baixa. Talvez isso tenha ocorrido porque as duas formas de ensinar o assunto consistem em trabalhar concretamente e interativamente. Por outro lado, a 8ª C destacou-se, demonstrando uma eficiência considerável na utilização do software. As salas que utilizaram o jogo tiveram uma variação muito pequena no resultado.
Gráfico 3 - Médias das turmas – Torres de Hanói - 8ª série Fonte: Elaborado pela autora
8,6
8,4
8,8
7,3 9,2
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Turm as
Mé
di
a
4.4.11 Considerações sobre as questões por série
Habilidades necessárias para resolução de cada questão
Questão 1: Perceber a relação existente entre o número de jogadas e o número de discos. Há uma expressão que descreve qual o número mínimo y de jogadas para x discos; este se relaciona com uma potência de base 2.
Questão 2: Para x discos, temos 2x – 1 jogadas mínimas. Logo, a representação com as variáveis x e y, (sendo y a quantidade mínima de jogadas dependendo de x discos), inicia no
aluno a noção intuitiva de função.
Questão 3: Diante da lei de associação entre y discos e x movimentos, é possível calcular tanto discos, quando conhecemos os movimentos mínimos, quanto vice-versa.
Questão 4: Estabelecer relações entre número de movimentos e tempo por movimento. Converter unidades de tempo (segundos para minutos). Usar a estimativa para obter o resultado.
Questão 5: Observar o crescimento do número de jogadas, quando o número de discos aumenta. Esse crescimento exponencial comprova ser humanamente impossível transpor 64 discos do 1o ao 3o pino. Se o sacerdote gastasse 1 segundo por movimento, a tarefa levaria mais de 500 bilhões de anos.
Tabela 6 – Porcentagem de acertos por série/questão
Questão 8ªA 8ªB 8ªC 8ªD 8ªE Total Classificação
1 90% 83% 90% 96% 59% 328 4
2 76% 83% 93% 93% 68% 337 3
3 83% 80% 81% 82% 71% 314 5
4 96% 93% 96% 96% 87% 372 1
5 83% 83% 100% 82% 78% 343 2
Fonte: Elaborado pela autora
As questões 1 e 3 mostraram um desempenho menor que o esperado. Alguns alunos têm dificuldade em associar uma grandeza à uma incógnita e estabelecer relações entre elas. As duas questões exigiam do aluno a transferência de relação entre o número de discos e a quantidade mínima de jogadas.
A questão 2, assim como as questões 1 e 3, requer estabelecimento de relações. Entender que uma variável está em função de outra, por meio de uma lei de associação.
As questões 4 e 5 exigiam estimativas de tempo por movimento em relação à quantidade mínima de jogadores. A utilização de uma regra de três simples solucionava o problema.
A seguir, sintetizamos, graficamente, os resultados obtidos das questões, por sala.
Gráfico 4 – Porcentagem de acertos por questão - 8ªA Fonte: Elaborado pela autora
90% 76% 83% 96% 83% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Número das questões
Gráfico 5 – Porcentagem de acertos por questão - 8ªB Fonte: Elaborado pela autora
90% 93% 81% 96% 100% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Número das questões
Questão 1 Questão 2 Questão 3 Questão 4 Questão 5
Gráfico 6 – Porcentagem de acertos por questão - 8ªC Fonte: Elaborado pela autora
83% 83% 80%
93% 83% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Número das questões
96% 93% 82% 96% 82% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Número das questões
Questão 1 Questão 2 Questão 3 Questão 4 Questão 5
Gráfico 7 – Porcentagem de acertos por questão - 8ªD Fonte: Elaborado pela autora
59% 68% 71% 87% 78% 0% 20% 40% 60% 80% 100%
Número das questões
Questão 1 Questão 2 Questão 3 Questão 4 Questão 5
4.4.12 Depoimento do professor responsável pelo projeto Nome: Dalson Alves de Lima Graça
Formação: Licenciatura em Matemática, mestre em Educação, Administração e Comunicação
Experiência acadêmica: 9 anos como professor de Matemática, Cálculo e Estatística Aplicada no Ensino Fundamental II, Médio e Superior
Tempo que trabalha no Colégio Albert Sabin: 7 anos
1. Como foi o planejamento desta aula?
A aula foi planejada visando a tornar aplicativo o tema “potenciação” por meio de uma atividade lúdica. Busca por textos e jogos relacionados ao tema. As aulas foram divididas em: encontros para apresentação, trabalho com o software “Torres de Hanói”, jogando com os pinos e discos e avaliação.
2. Como foi feita a seleção de conteúdo?
Conteúdo programático da 8a série: potenciação e suas propriedades.
3. Como foi selecionado o método didático de ensino?
O método comparativo foi selecionado para identificar pontos em que a aprendizagem não foi efetiva. Alguns grupos foram ao laboratório trabalhar com o software, e outros grupos o fizeram em sala de aula com os jogos. Todos os grupos tiveram a introdução teórica em sala.
4. Quais as vantagens do método escolhido?
Facilita a análise dos dados. Após a avaliação, faz-se uma tabulação dos resultados. Posteriormente, comparam-se os grupos que foram ao laboratório e os grupos que trabalharam com os jogos em sala.
5. Quais as intercorrências durante a execução da aula?
Não houve intercorrências.
6. Como você observou a reação dos alunos, especificamente, no que diz respeito ao conteúdo que estava sendo ensinado?
7. Quais as manifestações dos alunos após a aula?
Utilizar práticas diferentes da rotina (lousa e giz) sempre é bem vista pelos alunos. Cabe ao professor explorá-las a fim de absorver ao máximo a criatividade e o envolvimento dos alunos. A manifestação comum era: “quando vamos sair da sala como os colegas da outra turma?”
8. Quais as dificuldades encontradas durante o desenvolvimento da aula?
Alguns alunos são mais lentos, mas não considero isso uma dificuldade.
9. Cite os pontos positivos e os pontos negativos desta aula especificamente.
Positivos: exploração, transferência, estabelecimento de relações entre a teoria e a prática. Negativos: alguns alunos têm dificuldade em estabelecer relações, por mais lúdica que seja a atividade, há um bloqueio quando é preciso utilizar cálculos.
10. Anote, a seguir, algum comentário que você ache pertinente e que não foi possível ser explorado nas questões anteriores.
O projeto Torres de Hanói pode ser adaptado, segundo o olhar do professor, para outras séries abrangendo os tópicos: seqüências, funções e contagem.
11. Faça um paralelo/comparação entre a experiência de ministrar aula com o uso do computador e suas experiências anteriores, ao ministrar o mesmo conteúdo sem o uso desse recurso.
Estimular a memória do aluno é uma prática que considero relevante para o estabelecimento de associações entre teoria e prática. O dinamismo da aula deve ocorrer tanto com a utilização do computador como sem ele. O computador é um recurso didático. Cabe ao professor fazer dele seu aliado para aumentar o entusiasmo dos alunos pela sua aula.
12. O que você teve de aprender, estudar e treinar para, como professor, conseguir utilizar essa tecnologia?
A elaboração da avaliação solicitou cuidados: não havia um conteúdo com exercícios, e sim uma série de situações que envolviam o número de discos, a quantidade de movimentos e a lenda das Torres de Hanói.
13. Qual sua avaliação dessa aula com esse tipo de recurso didático?
4.4.13 Análise dos resultados - professor
5 RESULTADOS E CONCLUSÃO
Essa dissertação teve como objetivo o desenvolvimento de uma proposta de formação continuada de caráter colaborativo, facilitando a introdução dos professores na utilização do recurso da Informática como possibilidade de representar conhecimentos significativos em um ambiente de aprendizagem.
As atividades foram realizadas no Colégio. Assim, os professores tiveram condições para utilizar os recursos disponíveis no laboratório e na sala dos professores.
A discussão sobre o uso do computador na educação gira em torno de vários e diversificados argumentos, determinando formas diferentes de seu uso. Um desafio refere-se à formação dos professores: o que aprender, como aprender, quem deve aprender, quem ensina.
O acompanhamento contínuo da coleta de dados dos projetos e da formação dos professores, tanto em serviço como em cursos de atualização contínua, permitiu-me concluir que o uso do computador somente terá sentido educacional se propiciar mudanças significativas no ambiente de aprendizagem. Para chegar-se a essas mudanças, é urgente: - valorizar a escola como ambiente de aprendizagem docente que permita trocas efetivas entre todos os elementos, ou seja, que favoreça a comunicação, redimensionando as relações dinâmicas entre professor-aluno, aluno-aluno e professor-professor. Nesse ambiente de aprendizagem, professores colaborativos levam a práticas pedagógicas que proporcionam um desenvolvimento integrado dos conteúdos e, conseqüentemente, um ensino significativo para o aluno.
- ter como meta sua integração, na medida do possível, em um projeto interdisciplinar, com a finalidade de provocar mudanças nas práticas dentro da escola, isto é, propiciar práticas coletivas de trabalho entre diferentes sujeitos que envolvem professores e alunos e a adoção de uma atitude diferenciada quanto à construção do saber.
A informática educativa tem sido utilizada para favorecer o processo de
ensino/aprendizagem, a aprendizagem com autonomia como co-autora nos aspectos afetivos, sociais e cognitivos do ser humano, auxiliando na elaboração de projetos de trabalho como poderoso recurso didático proporcionado pelo uso da mídia (PETITTO, 2003, p. 22).
- orientar a prática docente a favor de um ensino reflexivo, observando o ambiente de aprendizagem em que o computador deve ser visto como uma ferramenta por meio da qual as pessoas possam compartilhar suas indagações e descobertas com outras pessoas;
- despertar a consciência do professor, elemento importante na mediação da aprendizagem, como informador, facilitador e aprendiz nas discussões com os alunos, responsável pelas buscas de materiais culturais para o enriquecimento do ambiente de aprendizagem, pesquisador constante e organizador de conteúdos e das atividades curriculares socialmente relevantes;
- criar uma prática educacional que leve à interdisciplinaridade, vista nos seus diferentes ângulos: desenvolvimento de uma atitude interdisciplinar na construção do conhecimento, trabalho coletivo, construção do conhecimento pelo diálogo;
“Não podemos reduzir o papel da tecnologia a uma parceira do processo de ensino, onde o professor é ativo transmissor de informações e o aluno é um ser passivo receptor. A tecnologia, enquanto recurso agregador de valor pedagógico, deve proporcionar situações que colaborem efetivamente para o processo de ensino, que tem como contrapartida uma aprendizagem significativa, rumando para o desenvolvimento de habilidades e competências” (PRIMERANO,2004, p. 37).
- valorizar os registros durante todo o processo de desenvolvimento dos projetos e, constantemente, reavaliar o seu andamento.
A complexidade do assunto formação docente e uso da Informática na educação exige reflexões amplas. A formação de professores deve vir acompanhada não somente de conhecimento técnico, mas também de uma supervisão participativa e de uma fundamentação filosófica da educação, como: conhecimento básico de Informática, conhecimento pedagógico, formas de gerenciamento da sala de aula ao utilizar recursos tecnológicos, didática, interdisciplinaridade e forma de abordagem da aprendizagem significativa.
Conclui-se que essa formação deve ser contínua e permanente, sofrendo reavaliações constantes por meio de cursos, reuniões, palestras, momentos de reflexão e de troca sobre a prática vivenciada pelos professores.
Este trabalho mostrou, também, que a Informática pode ser inserida em qualquer disciplina do currículo, pois o nível de domínio exigido dos professores depende apenas do seu convívio com os computadores, uma vez que há sempre um técnico à disposição para auxiliar em uma eventual necessidade.
Podemos esclarecer esse aspecto, recorrendo a seus depoimentos:
“Pensando em facilitar a atividade para os alunos, elaborei uma apostila, explicando o menu do Cabri e fazendo um roteiro dos passos a serem realizados no
computador.”
O depoimento acima é da professora de Matemática com especialização em análise de sistemas. Espontaneamente e com facilidade, preparou material complementar para os alunos.
Ao ser questionada sobre os saberes que deveria ter para utilizar o programa, a professora de Arte respondeu: “só administrei, pois a professora de Informática esteve presente”.
Observamos que a presença da professora especialista trouxe mais segurança à professora.
Podemos inferir que, ao utilizar o computador, a segurança do professor depende de uma estrutura escolar de apoio tecnológico e pedagógico, ambos inter-relacionados. Essa reciprocidade de relações, tentando suprir as necessidades, pode ser avaliada como um momento de reflexão sobre a prática pedagógica, contribuindo com o processo de formação contínua dos professores.
Os dados obtidos e as análises realizadas referentes aos projetos desenvolvidos sugerem resultados positivos no que diz respeito à aprendizagem do aluno e do professor.
Quanto ao projeto Torres de Hanói, fizemos um experimento grupo-experimental, para aferir em que medida a Informática faria uma diferença na aprendizagem discente, quando realizada em concomitância com as tradicionais salas de aulas. Percebemos que não houve uma diferença significativa; porém, um único experimento não é suficiente para avaliarmos os benefícios ou não da Informática na aprendizagem.
processo de autoformação, foram consideradas, pois percebemos que os professores foram capazes de acompanhar as atividades propostas e motivar os colegas.
Retomando os conceitos de Fullan e Hargreaves, citados no capítulo 2 desta pesquisa, nas escolas em movimento, isto é, aquelas enriquecidas em termos de aprendizagem, predominam o trabalho em conjunto, compartilhado. A ajuda recíproca faz parte de aperfeiçoamento contínuo.
Ao longo dos anos, paralelamente ao crescimento da Informática Educacional, a Informática administrativa do Colégio também se desenvolveu, passando de uma fase em que quase tudo era manual para uma fase em que quase tudo, em termos de procedimentos, é eletrônico.
É caso de carteirinha com foto digitalizada, do controle de notas, das fichas disciplinares de alunos disponíveis no site do Colégio, do diário de classe. Hoje, caminhamos para a disponibilidade e o compartilhamento de informações. Todo esse trabalho está a cargo do Departamento de Informática do Colégio que é comandado por um programador e um analista de sistemas.
Esse caminho é corroborado pelo depoimento da diretora do Colégio Albert Sabin: Na prática, no Colégio Albert Sabin, parece-me que a escola está em movimento constante na direção do aperfeiçoamento e da ampliação da utilização destes recursos, seja através do investimento na composição de um parque de equipamentos adequado, seja por meio do investimento na formação das equipes docente e administrativa para o domínio das possibilidades oferecidas pela tecnologia, seja através da construção de uma cultura que privilegia a construção/disseminação do conhecimento, que incentiva indiretamente a busca de meios mais ágeis e eficazes que a suportem.
lista dos infoexcluídos, e seus alunos, na de analfabetos digitais. A preocupação com a formação e a definição de suas estratégias, suas finalidades, o incentivo à reflexão, tão necessária à atuação consciente desses profissionais, inclusive com relação a como e por que adotar tecnologias em suas salas de aula permearam o desenvolvimento deste trabalho.
Assumindo o pressuposto de que a formação é resultante de uma trajetória pessoal e profissional, que não se restringe a momentos de formação em serviço, que exige um grau de reflexão e transformação, de uma participação ativa no processo de ensino-aprendizagem, defende-se a idéia de que foi um projeto que trouxe contribuições significativas a professores e alunos.
A aplicação / desenvolvimento de atividades para a formação de professores, que permitem a construção de conhecimento no contexto de trabalho, envolve o acompanhamento e assessoramento pedagógico constantes como um auxiliar na construção desses novos conhecimentos.
A contribuição final deste trabalho encontra-se nos relatos apresentados pelos professores e alunos em que se evidenciam os aspectos educacionais da utilização da Informática como recurso para melhoria das aulas. Conclui-se que essa prática provocou mudanças significativas em todo o ambiente escolar. Esse recurso educacional, porém, somente se sustenta com uma proposta mais ampla de educação, por intermédio do movimento de formação docente continuada, em um trabalho reflexivo, que encontre na escola um espaço de experimentação, avaliação e aprendizagem.
“O professor jamais será substituído pelo computador, o que ocorrerá é uma mudança
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YUS, Rafael. Educação integral uma educação holística para o século XXI. Porto Alegre: Artmed, 2002.
APÊNDICE 1
Questionário inicial aplicado aos professores do Ensino Fundamental – nível II
Nome: __________________________________________________________________ Disciplina: _______________________________________________________________ Séries: __________________________________________________________________
x Você já teve alguma experiência em projetos com uso da Informática?
( ) Sim ( ) Não
x Você faz uso pessoal dos recursos da Informática? Em caso afirmativo quais?
( ) Sim ( ) Não
___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________
x Sugira temas para a capacitação docente no uso da Informática.
APÊNDICE 2
Questionário aplicado à diretora do Colégio Albert Sabin
1. Qual sua formação?
2. Há quanto tempo trabalha neste Colégio?
3. Como você descreveria o Colégio do ponto de vista administrativo e pedagógico?
4. Como você avalia o processo de formação docente no Colégio? 5. Qual o perfil necessário do profissional para este novo século?
APÊNDICE 3
Questionário aplicado aos professores após o projeto desenvolvido junto a Informática
Nome: ___________________________________________________________________ Formação: ________________________________________________________________ Experiência acadêmica: _____________________________________________________ Há quanto tempo trabalha no Colégio Albert Sabin? ______________________________
1. Como foi o planejamento desta aula?
2. Como foi feita a seleção de conteúdo?
3. Como foi selecionado o método didático de ensino? 4. Quais as vantagens do método escolhido?
5. Quais as intercorrências durante a execução da aula?
6. Como você observou a reação dos alunos especificamente no que diz respeito ao conteúdo que estava sendo ensinado?
7. Quais as manifestações dos alunos após a aula?
8. Quais as dificuldades encontradas durante o desenvolvimento da aula? 9. Cite os pontos positivos e os pontos negativos desta aula especificamente.
10. Anote, a seguir, algum comentário que você ache pertinente e que não foi possível explorar nas questões anteriores.
11. Crie um paralelo/comparação entre a experiência de ministrar aula com o uso do computador e suas experiências anteriores, ao ministrar o mesmo conteúdo sem o uso deste recurso.
12. O que você teve que aprender, estudar e treinar para, como professor, conseguir utilizar essa tecnologia?
13. Qual a sua avaliação dessa aula com esse tipo de recurso didático?
APÊNDICE 4
Questionário aplicado aos alunos após o projeto desenvolvido junto a Informática
No Tempo das Galinhas
1. O que você mais gostou no trabalho ?
2. Como foi trabalhar com o mesmo material em várias disciplinas?
3. Escreva como foi o trabalho utilizando a informática.
ABAPORU
1. Escreva as etapas desenvolvidas até a produção final.
2. Qual foi a etapa mais motivante?
ANEXO 1
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Autorização (devolução obrigatória)
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