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c h a m a d a diastase salivar, caracterisada e definida pela propriedade f u n d a m e n t a l de t r a n s f o r m a r em glycose as substancias amylaceas, não é um p r i n -cipio immediato do organismo.

I J n n

Que no estomago se encontra um liquido, por cuja acção alli se opéra u m a transformação nas substancias alimentares azotadas, é um facto havido por incontroverso depois das experiencias de Spal-lanzani e Montegre. Os q u e se applicaram ao estudo da constituição chimica d a q u e l l e liquido, c h a m a d o sncco gástrico, notaram, que 'nelle havia agua, ma-téria organica, e saes; observando as propriedades acidas do succo gástrico, esqueceram por um mo-m e n t o a imo-mportancia das mo-matérias organicas, e ten-taram descobrir, e definir, qual o acido, q u e ao li-quido communicava aquellas propriedades. Depois de r e n h i d a contenda, vendo q u e se n ã o podiam ef-fectuar digestões artificiaes, somente pela interven-ção d'acidos, conceberam a idêa da existencia

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d'al-— 32 d'al-—

gum principio especial no succo gástrico, a cuja acção devessem as substancias albuminóides a sua transformação no eslomago.

S c h w a n n antecipou-se a c h a m a r pepsina ao sup-posto p r i n c i p i o ; nome, que pouco depois se deu a u m a substancia, que P a p p e n h e i m e W a s m a n n , ex-trahiram da mucosa estomacal, e que de facto se viu actuar sobre os alimentos azotados á m a n e i r a do succo gástrico. O processo indicado por Vogel para se obter a pepsina é o s e g u i n t e : — t o m a - s e a mucosa estomacal, corta-se em pequenos pedaços, lançam-se em agua d i s l i l l a d a ; depois de 24 horas de maceração, decanta-se o liquido, deita-se na mu-cosa nova a g u a ; repete-se esta operação por espaço de 15 ou mais dias, até q u e appareça um cheiro, que indique putrefacção. Reunem-se todas as aguas, e tractam-se pelo acetato de c h u m b o : apparece um precipitado branco, floconoso, q u e encerra a pepsina d'cnvolta com matéria albuminosa, e caseosa: la-va-se o precipitado, suspende-se n'agua, pela qual se faz passar u m a correnle de hydrogeneo s u l f u r a d o : filtra-se o liquido; sobre o filtro fica a matéria ca-seosa, e sulfureto de chumbo, e com o liquido passa o acido acético, e a p e p s i n a : junta-se ao liquido filtrado álcool absoluto, que precipita a pepsina, se-parando-a assim do acido acético; e p a r a totalmente se privar d e s t e acido, torna-se a solver em agua, e

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de novo se faz precipitar pelo álcool: secca-se ao ar, fica então em escamas translúcidas, d'um branco amarellado ou p a r d a c e n t o .

Passado algum tempo Deschamps (d'Avallon) lançàndo um pequeno excesso d'ammoniaco no li-quido, encontrado no quarto estomago dos rumi-n a rumi-n t e s (rumi-no coagulador), obteve um precipitado, se-parou-o por meio de filtro, lavou-o, e seccou-o.

Viu que tinha, como a pepsina, a propriedade de t r a n s f o r m a r as substancias azotadas; chamou-lhe por isso chymosina.

Esta substancia, obtida pelo processo de Des-champs, diíTere da pepsina em não ser solúvel na a g u a : substituindo porém no processo o álcool ab-soluto pelo ammoniaco, obtem-se a c h y m o s i n a sem differença da pepsina.

Ultimamente Payen, attendendo a que o princi-pio activo da digestão devia de ser p r o c u r a d o no succo gástrico, e não na m e m b r a n a mucosa do

esto-mago, pôde pelo álcool absoluto precipitar d'aquelle liquido u m a substancia, a que chamou gasterase, e que julgou ser a pepsina produzida n a t u r a l m e n t e no estomago. A gasterase, a i n d a que mais desem-baraçada de substancias e s t r a n h a s do que a pepsi-na, retem comtudo p e q u e n a s porções d a l b u m i n o s e , cellulas d'epitelios, etc.

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lia diííerença, q u a n d o u m a e outra se prepara por idêntico processo: o ammoniaco empregado na ex-tracção da chymosina, ou não precipita tudo o q u e é substancia activa, ou lhe causa alteração, e lhe faz p e r d e r alguma cousa de suas propriedades. É certo porém que do coalho, e da m e m b r a n a mucosa do estomago, se obtém pepsina, empregando-se o álcool na sua preparação.

A gasterase e a pepsina só differem na maior ou m e n o r intensidade, com que promovem a transfor-mação das substancias azotadas a l b u m i n ó i d e s ; mas collige-se das experiencias de Dumas, repetidas por Mialhe, que as duas substancias se podem obter sem differença na sua propriedade f u n d a m e n t a l , e característica.

Posto isto, resta-me dizer se a gasterase é um principio immediato do organismo.

Se possivel fora obter cm separado o liquido, q u e as diversas glandulas do estomago segregam, mais fácil seria a resolução do p r o b l e m a ; assim só, pelo q u e fica exposto, e por algumas considerações mais, poderá resolver-se.

A p r o p r i e d a d e f u n d a m e n t a l da gasterase é a de transformar as s u b s t u n c i a s azotadas a l b u m i n ó i d e s ; esta propriedade não lhe é exclusiva, pertence egual-mente á m e m b r a n a mucosa do estomago, ao succo pancreatico, e ao seu principio activo, e a muitas

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substancias organisadas s u b t r a h i d a s ao império da força vital.

A gasterase não é uma substancia única, simples, e sem m i s t u r a ; tem, pelo contrario, muitos resíduos orgânicos: que razão haverá pois para se dizer q u e a propriedade de t r a n s f o r m a r as substancias albu-minóides, pertence a um principio especial do or-ganismo, e não áquelles r e s i d u o s o r g â n i c o s ? A mu-cosa da tracheia, c outros corpos organisados, pro-movem aquella transformação com tanta maior in-tensidade, q u a n t o mais provimos estão da putrefac-ção. O máximo poder da gasterase sobre as matérias albuminóides não é, q u a n d o se extrahe do succO gástrico, mas sim passado algnm tempo depois da sua extracção.

Da combinação de todos estes factos, resulta que ha mais razões para se attribuir a transformação das substancias albuminóides ás matérias organicas em decomposição, do que a um principio immediato do organismo. É sabido, q u e os princípios do or-ganismo, perdem em geral de suas propriedades, tanto mais, q u a n t o maior é o espaço de tempo de-corrido depois de subtrahidos á influencia da força vital; ora, se a gasterase fosse um principio imme-diato do organismo, havia de perder, e não a d q u i r i r , intensidade na p r o p r i e d a d e de t r a n s f o r m a r as sub-stancias a l b u m i n ó i d e s .

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O succo gástrico não é um liquido segregado por um só orgão, glandulas diversas preparam as maté-rias, que entram na sua composição; não é caso averiguado, se o producto das differentes secreções se modifica q u a n d o se m i s t u r a : o que porém se sabe de positivo, é que as substancias ingeridas fazem 'nelle p r e d o m i n a r acido chlorhydrico ou acé-tico, conforme a natureza d'essas substancias. Para se extrahir a gasterase, bem sei que se promove a secreção do succo gástrico por meio de substancias, q u e não alteram sua composição; como porém nas pregas da mucosa estomacal se acham sempre res-tos de digestões anteriores, não se pôde asseverar q u e d'elles não provenha modificação alguma ao succo gástrico; mas pôde affirmarse que parte d e s -ses restos se dissolvem no succo gástrico, de que se extrahe a gasterase, e que lá vão contribuir, como fermentos, para abreviar sua decomposição, e, por consequência, p a r a lhe a u g m e n t a r a inergia na transformação das substancias albuminóides.

A identidade, que ha entre a gasterase e a pe-psina, na propriedade f u n d a m e n t a l de ambas trans-formarem as substancias azotadas albuminóides, suscita considerações d'algum valor para a resolu-ção da questão, que se tracla. Ê a pepsina extrahida da m e m b r a n a mucosa do estomago depois de lavada, e privada de todas as matérias estranhas. E n t r e as

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parles solidas do organismo, que depois da morte primeiro soffrem putrefacção, deve contar-se a mu-cosa do estomago.

O processo, por que se obtém a pepsina, muilo favorece a putrefacção lenta da mucosa. Ora, estando esla m e m b r a n a em maceração por q u i n z e ou mais dias, até manifestar putrefacção, como poderá dei-xar de se admittir, que as substancias organicas solvidas no liquido não têm soffrido alteração? Como admittir que na precipitação pelo álcool seja arras-tada u m a só matéria organica, sem ler experimen-tado alguma decomposição, ou ao m e n o s modifica-ção ?

Ou a pepsina seja um resultado de putrefacção, ou seja um produclo de combinação de varias ma-térias, o que é certo, é que, obtida pelo processo de maceração, e precipitação, não pôde ser tida como um principio immediato do organismo. Mas a pe-psina não differe da gasterase senão cm gráo d'en-tensidade d'acção; pôde com lado levar-se a ponto de não apprecer differença enlre as p r o p r i e d a d e s essenciaes d ' u m a e outra s u b s t a n c i a . Ora, como nós não conhecemos a essencia das cousas, e julgamos da identidade d'ellas somente pelas suas proprieda-des, segue-se que lendo a pepsina e a gasterase pro-priedades idênticas, necessariamente são idênticas por n a t u r e z a : portanto, não sendo a p e p s i n a um

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principio immediato do organismo, lambem a gas-terase o não deve ser.

A vista pois das considerações, que tenho exposto, parece-me ser licilo concluir q u e a gasterase não é um principio immediato do organismo.

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Cláudio Bernard, por meio de fistulas convenien-temente estabelecidas, pôde alcançar liquido bastante p a r a suas observações, segregado pelo pancreas, e estudar a sua composição chimica, e acção sobre as substancias alimenticias. Resulta de suas investiga-ções q u e o liquido pancreatico é em g r a n d e parte f o r m a d o por uma substancia, n a t u r a l m e n t e liquida, coagulavel pelo calor, ácidos fortes, e álcool, inco-lora dotada d ' u m a certa viscocidade, susceptível de acidificar gorduras, emulsionar oleos, e de converter féculas em glycose: a esta substancia se deu o n o m e de pancreatina.

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a natureza dos processos lhe faça perder cousa algu-ma de suas propriedades.

1.° Sujeitando o succo pancreatico a uma tempe-ratura de 50 a 60 graus centígrados, a pancreatina coagula-se, e pode separar-se da agua, com que fica na capsula.

2.° Tractado o mesmo succo pancreatico pelos ácidos azotico, sulfurico, e chlorydrico, precipita-se a pancreatina, e separa-se facilmente por meio d ' u m filtro.

3.° Filtrado pelo sulfato de magnesia, a pancrea-tina fica coagulada no filtro.

4.° O álcool absoluto precipita egualmente a pan-creatina.

Por estes processos se pode ella obter sem q u e a sua natureza se altere.

Vè-se pois q u e tem caracteres mixtos entre a ca-seína e a a l b u m i n a ; não é porém admissível que seja uma mistura d'aquellas d u a s substancias, por-q u e em tal caso o sulfato de magnesia não precipi-taria s e n ã o a porção da caseína, c deixaria passar a albumina, e o calor e o álcool coagulariam só esta substancia, e aquella não.

Uma propriedade mui notável distingue a pan-creatina da a l b u m i n a : esta u m a vez coagulada não se dessolve n'agua, e aquella sim, excepto q u a n d o é coagulada por um calor forte.

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Só no succo pancreafico se encontra a pancrea-t i n a ; será uni principio immediapancrea-to do o r g a n i s m o ? Julgo q u e s i m :

1.® É a pancreatina separada do liquido pancrea-tico, pela propriedade que tem de se coagular, e de se precipitar debaixo da influencia d a g e n t e s diver-s o diver-s : odiver-s procediver-sdiver-sodiver-s por q u e diver-se obtém não lhe tiram n e n h u m a de suas propriedades características; pro-va isto, q u e ella existe formada no liquido segre-gado pelo pancreas, e que não é um resultado d'acção chimica dos agentes empregados na sua extracção; p o r q u e , se assim fora, sendo diversa a natureza d'aquelles agentes, diverso deveria ser também o seu producto.

2.° Não é o succo pancreatico um composto de varias secreções, como o é a saliva e o succo gás-trico; por tanto, n ã o se pôde dizer que a pancrea-tina procede da m u t u a acção de muitos liquidos.

3.° A p a n c r e a t i n a exerce sobre as gorduras, fe-culos, e matérias oleosas a mesma acção que o succo pancreatico. Ora, isto não aconteceria, se 04 pro-cessos d'extracção alterassem chimicamente a pan-creatina.

4.° Ha uma relação constante no estado physio-logico, entre a q u a n t i d a d e de succo pancreatico se-gregado, e a q u a n t i d a d e de pancreatina 'nelle exis-t e n exis-t e ; esexis-ta relação alexis-tera-se no esexis-tado paexis-thologico.

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e alteram-se suas p r o p r i e d a d e s ; j u n t a n d o a isto a consideração, de q u e só no succo pancreatico se encontra aquella substancia, e de que n e n h u m a ou-tra substancia organica tem as propriedades, q u e caracterisam aquella, concluo que na sua formação intervem um trabalho directo da economia, e q u e por isso deve ser considerada como principio im-mediato do organismo.

Dir-se-ha talvez, que a p a n c r e a t i n a se não pôde obter pura, porque, observada ao microscopio, se lhe conhecem muitos crystaes de sulfato de cal, e que por tanto se deve reputar uma mistura, etc.

Os trabalhos de Cl. B e r n a r d provam que por successivas filtrações sc separam muitos d a q u e l l e s crystaes, separam-se até pelo r e p o u s o ; e o micro-scopio, que faz descobrir os crystaes, também mostra q u e a pancreatina existe como matéria própria, e sem mistura, porque no porte-objecto se vêem gran-des porções de p a n c r e a t i n a , i n t e i r a m e n t e privada de substancias e x t r a n h a s .

T e r m i n a r e i a p r i m e i r a parte da m i n h a dissertação com o seguinte pararello:

Dos processos empregados na preparação da dias-tase salivar e da pancreatina, não se pôde colligir que sejam principios immediatos do o r g a n i s m o ; são, pelo contrario, os processos da preparação da

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pan-— 42 pan-—

crealina, q u e mais provam, que ella é um principio immediato do organismo.

A diastase e a gasterase a d q u i r e m com o tempo i n t e n s i d a d e d a c ç ã o sobre os a l i m e n t o s ; a pancrea-tina perde-a.

A diastase e a gasterase não têm u m a e n t i d a d e real e d e t e r m i n a d a ; a substancia material q u e as representa, é um conjuncto de matéria organicas e inorganicas, em que se não conbece existir um prin-cipio especial de o r g a n i s m o ; pelo contrario, a pan-creatina tem u m a existencia real e sensível, com pro-priedades, que a distinguem de todas as outras sub-stancias organicas; e da substancia material q u e a representa, não tem sido possível até o presente ex-trahir outras matérias organicas.

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M D A PARTE.

Cada uma (Testas substancias (diastase salivar,

gas-terase, c pancreatina) que importancia tèm nos

phenomenos chimicos da digestão?

. • • , _ Í f, 3 . ( • , . ! , ; . í _ . . ; • - I : •

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Y\\\\iovUiuáa à,& iWasAasA saVvciM woj 'çWMmtuos teuos i\a iV\ij(»Uvo.

A multiplicidade de substancias, com q u e o ho-mem e os restantes a n i m a e s se alimentam, pôde ser reduzida a Ires grupos bem d i s t i n c t o s :

1.° Substancias vegetaes h y d r o c a r b o n a d a s (as-sacares, amido).

2.° Substancias azotadas a l b u m i n ó i d e s ( f i b r i n a , albumina, etc.).

3." Substancias gordurosas (oleos, gorduras). P a r a que estas substancias possam ser absorvi-das, e assimilaabsorvi-das, têm de soffrer u m a série de

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meta-— 4 4 meta-—

m o r p h o s e s : liquidificar c separar as partes nutriti-vas das substancias estranhas c o duplo oííicio do a p p a r e l h o digestivo, em cujas funeções se notam acções physicas, chimicas e vitaes. Determinar a parte, q u e tem a diastase salivar nos p h e n o m e n o s chimicos da digestão, é o problema, que primeiro se me a p p r e s e n t a : só pela experiencia, e invocando os factos, é que elle pôde ser resolvido.

Antes da descoberta da diastase salivar a acção chimica da saliva sobre os alimentos não era bem c o n h e c i d a : conjecturava-se que grande devia ser sua importancia, pela constancia do apparelho sali-var na maior parte dos animaes. L e u s c h s foi o pri-meiro que demonstrou q u e o amydo cosido e posto em contacto com a saliva, passadas algumas horas se liquidificava, e se convertia em glycose; effeito este que se não conseguia com a ptyalina, nem com a a l b u m i n a .

Depois da descoberta da diastase salivar empre-h e n d e u Mialempre-he uma série d'experiencias, e por ella foi levado a concluir que a conversão da fécula em glycose pela saliva era devida u n i c a m e n t e á presen-ça da diastase, e que primeiro se convertia a fécula em dextrina, e esta depois em glycose. As mesmas experiencias foram feitas por outros, e chegou-se a um resultado similhante.

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saliva ou a sua diastase tem o poder de transfor-m a r a fécula, se esta é cosida e h y d r o t a d a ; a trans-formação é mais rapida, do que quando ó crua.

Mostram os factos que na transformação do amydo não perde nem a d q u i r e cousa alguma a diastase sa-l i v a r ; basta a a p p r o x i m a ç ã o d'esta aquesa-lsa-la substan-cia para q u e o p h e n o m e n o t e n h a logar. No estudo da chimica inorganica encontram-se p h e n o m e n o s similhantes; e oxigeneo e hydrogeneo, que a mais elevada t e m p e r a t u r a se não c o m b i n a m , na presença da esponja de platina p r o m p t a m e n t e se combinam c formam a g u a : com mais frequencia se encontram no estudo da chimica organica, p h e n o m e n o s de transformação d ' u m a substancia d e t e r m i n a d a pela presença ou contacto d ' u m corpo. Brezelius intro-duziu na chimica a palavra catalyse para designar que uma força especial, opéra aquelles phenome-nos. O que se passa entre a diastase salivar e o amydo é uma verdadeira catalyse, é um

phenome-no similhante ao das fermentações, ou antes é uma verdadeira fermentação, cm que a diastase repre-senta o fermento, que t r a n s f o r m a o amydo, e o con-verte ' n u m a substancia solúvel, e por isso idónea para ser absorvida pelo organismo, e p a r a 'nelle se accommodar aos trabalhos da nutrição.

Terá a diastase salivar sobre o assucar crystalli-sado o mesmo p o d e r ?

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