DISPOSITIVOS DE VISIBILIDADE EM UMA EXPOSIÇÃO DE ARTE DISPOSITIVOS DE VISIBILIDADE EM UMA EXPOSIÇÃO DE ARTE 1. INTRODUÇÃO

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DISPOSITIVOS DE VISIBILIDADE EM UMA EXPOSIÇÃO DE ARTE

Autor(es): PETRUCCI, Simone Blanco; CAIMES, Leonardo de Castro; ALSINA, Michele Larroza; REIS, Thiago Rosinha, ZIMMER, Gustavo Ramos. Apresentador: Simone Blanco Petrucci

Orientador: Lauer Alves Nunes dos Santos Revisor 1: Mari Lúcie da Silva Loreto Revisor 2: Ursula Rosa da Silva Instituição: UFPel

DISPOSITIVOS DE VISIBILIDADE EM UMA EXPOSIÇÃO DE ARTE

PETRUCCI, Simone Blanco1; CAIMES, Leonardo de Castro2; ALSINA, Michele Larroza3; REIS, Thiago Rosinha4, ZIMMER, Gustavo Ramos5.

1, 2,3,4,5 - Bacharelado em Artes Visuais. Instituto de Artes e Design – UFPel simonepetrucci@hotmail.com

1. INTRODUÇÃO

O homem tem uma necessidade de entender, no sentido de compreender racionalmente, a arte. Para isso, ele tem elaborado categorias e conceitos, que comumente são generalizadores. Portanto, para uma análise mais eficaz, o uso da semiótica oferece importantes contribuições.

Neste trabalho o corpus compreende os dispositivos de visibilidade de uma exposição de arte e seus elementos constituintes, desde o histórico das obras que são apresentadas, sua montagem, iluminação, processo curatorial,as oposições conceituais geradas e o retorno que estes fatores trazem para o evento. Isso inclui ainda a análise dos dados relativos ao local escolhido, a região da cidade a que pertence, as características do prédio e das salas e as funções desempenhadas por todos esses elementos na constituição da exposição como um todo que gera significação.

O objetivo deste trabalho é analisar através do aparato da semiótica francesa os diferentes dispositivos de visibilidade em uma exposição de arte. Tratando das oposições entre o espaço, o tempo, a forma e o croma. Além disso, a análise pretende realizar um breve relato sobre a montagem da exposição e a história das obras.

A análise do evento seguirá por diferentes caminhos de interpretação, levando em conta aspectos diversos e que podem contribuir no reconhecimento das obras expostas, como dados relativos ao acervo a que as obras pertencem, a

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origem da Escola de Belas Artes e informações sobre o Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo.

2. MATERIAL E MÉTODOS

Para realização deste estudo foi utilizada a sala de exposições Antonio Caringi pertencente às instalações do Grande Hotel. Administrada pela Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Pelotas, este espaço recente tem buscado se firmar como um local de referência para as artes do município e da região, recebendo exposições de convidados nacionais e internacionais. Embora, o trabalho esteja concentrado na sala Antonio Caringi, o espaço conta ainda com outra sala de exposição, a sala Frederico Trebbi, que abriga a produção contemporânea realizada na cidade de Pelotas, de artistas selecionados por edital.

O Grande Hotel, inaugurado em 1928, pertence á região central da cidade, mais especificamente no entorno da praça Coronel Pedro Osório que é cercada por casarios tradicionais.Apresenta um estilo eclético, inspirado na arquitetura italiana. Suas fachadas frontais possuem uma preocupação formal com o ecletismo historicista. Com a desativação da atividade comercial do prédio, o Grande Hotel passou a abrigar as duas salas de exposições.

A exposição analisada denomina-se “Acervo MALG ex-alunos da Escola de Belas Artes”. O título nos dá a informação exata de que se trata de uma exposição constituída por trabalhos de egressos da EBA. Esta iniciou suas atividades em 19 de março de 1949, através do empenho da professora Marina de Moraes Pires, que sentia necessidade dos alunos receberem orientações em Artes Plásticas. O currículo inicial do curso era constituído pelo ensino de teorias, técnicas, experiências e aspectos artesanais em arte.

As primeiras aulas foram ministradas pelo renomado artista Aldo Locatelli e ocorreram em um sobrado situado na Rua Félix da Cunha. A situação permaneceu assim até que em 1969 a EBA é agregada a Universidade Federal de Pelotas, vindo a transformar-se, em 1976, no Instituto de Letras e Artes, recentemente denominado Instituto de Artes e Design.

As obras presentes na exposição pertencem ao acervo do Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo, o qual dispõe de uma série de coleções permanentes. Neste último são encontradas aproximadamente cento e sete obras doadas pelos artistas, dentre as quais, quatorze fazem parte da exposição analisada; na qual as obras estão dispostas sobre uma estrutura fixa retangular na cor preta, que remete à contemporaneidade.

A iluminação da exposição é feita através da cúpula e clarabóia que permite a incidência de luz natural no espaço, porém, foram utilizados outros recursos para valorização das obras expostas, como a iluminação artificial direcionada, feita através de lâmpadas dicróicas.

Além dos dispositivos físicos presentes no próprio local de exposição, foram utilizados outros mecanismos para divulgação do evento como folder, convites, banner, mídia impressa e eletrônica. No folder há um breve apanhado sobre os artistas, curadores e obras. Apresenta a programação das duas salas. Na Sala Frederico Trebbi a gravurista contemporânea, Letícia Costa Gomes com a exposição “Labirintos” e na Sala Antonio Caringi a exposição de que trata este trabalho.

O folder é dividido internamente em parte superior e inferior. Na superior existem três divisões, compostas, da esquerda para a direita, por texto e ilustração

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do logotipo da sala, três fotos de trabalhos e texto da artista. A composição é monocromática, possuindo formas abertas, fechadas, regulares e irregulares.

Na parte inferior existem duas divisões: seleção de imagens da exposição, logotipo e texto, gerando uma composição policromática. Na segunda parte há o texto sobre a exposição escrito pela diretora do MALG, Raquel Schwonke.

A área externa do folder se utiliza do tradicional e do contemporâneo. A capa tem uma imagem de arabescos e papel em cor pastel que nos remete ao tradicional, em contraposição com o papel industrializado, de aparência reciclada e impressão detalhada. A composição resultou em um material com mensagem límpida onde o leitor tem facilmente acesso as informações sobre o evento. O convite da exposição é uma síntese do folder onde foi acrescentado na frente deste uma etiqueta monocromática com os dados do destinatário.

O banner contém um texto referente a exposição. É de forma retangular onde centralizado na parte superior há a mesma imagem monocromática do folder, abaixo destaca-se o titulo da exposição e um texto resumindo o conteúdo da exposição. Nas laterais inferiores há as logomarcas dos parceiros. Embora o conteúdo do banner seja de vital importância a escolha do local onde está disposto interferiu negativamente, pois concorria com as obras em exposição situado a direita da sala de exposição, ao lado da obra de Mello da Costa.

Na mídia impressa foram veiculadas matérias nos dias 06, 19 e 31 de julho no Diário da Manhã e nos dias 13 e 27 de julho no Diário Popular. As notícias tratavam da exposição, artistas participantes e da importância da mesma. Na mídia eletrônica foram divulgadas informações no site da cidade de Pelotas no dia 10 de julho, contendo dados sobre o início e término da exposição, curadores e artistas.

Os dispositivos de visibilidade utilizaram uma mensagem clara e direta, contendo informações relevantes para a compreensão do evento, como dados dos curadores, artistas, local, obras, entre outros valorizando este.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Considerando o percurso do olhar do indivíduo, Fayga Ostrower, em Universos da Arte, diz que o nosso olhar inicia-se na parte superior esquerda e percorre o espaço concluindo-se no canto inferior direito. Portanto, na entrada do evento são identificadas obras figurativas dos anos 50 a 80, construidas através de óleo sobre tela e todos com molduras tradicionais, caracterizando um período mais acadêmico

Seguindo o percurso da exposição, a próxima obra se localiza no painel contíguo ao primeiro, situado ao fundo da sala. A obra possui dimensões maiores que as demais e chama a atenção por ocupar grande parte do espaço destinado a ela. Esta faz a passagem para a contemporaneidade, assim como sua autora Lenir de Miranda, que foi uma das responsáveis pela introdução da arte contemporânea na Escola de Belas Artes, da qual foi professora.

No lado direito da sala, na parede paralela à primeira, nos defrontamos com uma produção mais “moderna” da Escola. São seis obras de períodos distintos, sendo algumas figurativas e com graus variáveis de abstração.

A ultima obra da exposição situa-se em frente à de Lenir de Miranda; trata-se de um nu feminino em óleo sobre tela do artista Mello da Costa, que possui características do período acadêmico, mas foi produzido mais recentemente (1990). Mello da Costa mereceu um destaque especial, pois, foi colega de Lenir de Miranda

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e estaria completando sessenta anos no decorrer do presente ano. Essa obra tem pinceladas rígidas e visíveis e sua disposição estabelece uma oposição direta com a obra de Lenir de Miranda.

No desenvolver do trabalho, através do aparato semiótico, identificamos várias oposições geradas, desde arquitetura do local escolhido para montagem, as características obras, disposição destas, iluminação, etc. Observa-se então que baseado na semiótica a oposição central gerada se dá entre: acadêmico versus novo, tradicional versus inovador, moderno versus antigo.

Assim, quando analisamos uma exposição de arte, podemos nos ater a esse princípio, a fim de, reconhecer a intenção dos curadores quanto à disposição das obras. Nesta exposição deduz-se que os trabalhos estão organizados cronologicamente.

4. CONCLUSÕES

O conjunto de obras e dispositivos estudados nos mostram um significativo panorama de egressos da Escola de Belas Artes. A necessidade de expandir as possibilidades de interpretação no campo artístico deflagrou esse estudo, que contou com o aparato da semiótica francesa para que fosse encontrado um significado para os diferentes fatores que compõem e decifram uma exposição de arte.

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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