Boletim 649/14 – Ano VI – 13/11/2014
Custo da folha de pagamento da indústria volta a cair
Os efeitos do ajuste que a indústria faz neste ano - o mais intenso desde a crise de 2008 - têm se estendido cada vez mais além da ocupação e avançam sobre a folha de pagamento real do setor. Em setembro, a variação do custo dos salários mostrado pela Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes) entrou em terreno negativo pela segunda vez neste ano no acumulado em 12 meses, aprofundando a queda, que foi de 0,1% em agosto, para 0,5%.
A ocupação caiu 0,7% em setembro sobre agosto, feito o ajuste sazonal - sexta taxa negativa consecutiva - e já acumula queda 2,8% no ano, patamar superior aos de 2012 e 2013, quando emprego industrial cedeu 1,4% e 1,1%, respectivamente. Nesses dois anos, apesar dos cortes no emprego, a folha de pagamento continuou crescendo, 4,4% e 1,3%, nessa ordem. No confronto em 12 meses, o último resultado negativo foi registrado em junho de 2010.
A folha mais enxuta, apesar de aliviar custos, não é necessariamente uma boa notícia, afirma o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves. De um lado, reflete a queda forte da produção neste ano, de 2,9% no acumulado até setembro. De outro, tem impacto direto na demanda estimulada pela renda e indica que a indústria tem cada vez mais se desfeito da mão de obra qualificada que procurou segurar nos últimos anos - um indício seria a redução de 0,6% da folha real por trabalhador em relação a agosto.
"O cenário confirma os números do Caged [Cadastro Geral de Empregados e Desempregados], que mostram os salários de demissão crescendo em velocidade maior do que os de contratação", pondera. Em setembro, a folha reduziu 1,3% sobre agosto, já feito o ajuste sazonal, e 3,5% sobre o mesmo mês do ano passado. Na comparação com o mês anterior, o segmento de material de transporte mostrou a queda mais forte entre as 18 atividades acompanhadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 11,4%. No acumulado em 12 meses, o recorde negativo é do ramo de aparelhos eletroeletrônicos, com queda de 5,2% na folha real.
Diante da queda forte da produção, a redução das horas pagas - de 3,4% até setembro, em relação ao mesmo período de 2013 - praticamente não teve impacto sobre a produtividade da indústria de
transformação, que patina próximo de zero neste ano, observa Leandro Padulla, da MCM Consultores. Indicador antecedente importante, essa diminuição das horas pagas sinaliza que o emprego do setor não deve se recuperar no curto prazo. "O ajuste na produção deve se estender pelos próximos meses, já que os estoques continuam muito altos", afirma.
A redução do emprego, da folha real e das horas pagas é disseminada entre os locais e setores investigados pelo IBGE. Assim como nos meses anteriores, São Paulo continua sendo a principal influência negativa da pesquisa, com redução de 4% do pessoal ocupado sobre setembro do ano passado e de 5,2% nas horas pagas, na mesma comparação.
"São Paulo, desde novembro do ano passado, lidera as perdas no emprego industrial entre os 14 locais pesquisados", diz o economista Rodrigo Lobo, da coordenação de indústria do IBGE. O Estado, ressalta, representa 34% da atividade da indústria do país e aproximadamente um terço do emprego do setor. Para Gonçalves, do Fator, a "única boa notícia" da Pimes de setembro foi a redução de 2,2% do custo unitário do trabalho em dólar em relação a setembro de 2013, resultado influenciado pela desvalorização de 9% do real no período - de R$ 2,24 para R$ 2,45.
Sozinho, porém, o câmbio não deve ser suficiente para estimular uma recuperação significativa da indústria em 2015. A inflação no teto da meta, afirma o economista, mantém limitado o espaço para uma
desvalorização muito além dos R$ 2,70 por dólar que o mercado tem projetado, em média.
A retomada das exportações, por sua vez, depende muito da demanda do mercado externo, especialmente Estados Unidos e Europa, que ainda se esforçam para trazer seus indicadores econômicos para os níveis pré-crise.
Região Nordeste registra reajustes mais elevados de salários em
acordos coletivos
Em setembro, o Nordeste foi a região que concedeu os maiores reajustes salariais registrados em acordos e convenções coletivas no país - 8% em média em termos nominais, contra 7,8% nas regiões Sudeste e Sul. Entre os setores, o percentual mais alto foi dado pela construção civil, 8,3%. O comércio apurou 7,9% de aumento selado nos acordos e foi seguido pela indústria, que atingiu 7,8%.
Os dados compõem os primeiros resultados do projeto salarios.org.br, lançado ontem pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). Com defasagem de pouco mais de um mês, o site acompanha diferentes cláusulas das negociações homologadas no Ministério do Trabalho - cerca de 200 novas por dia -, mostra a trajetória da folha de salários do país - que chega a R$ 85 bilhões até agosto, contabilizando apenas o setor formal - e o valor médio da remuneração de cada categoria, com filtros por Estado, gênero, faixa etária, escolaridade e cor.
"As informações sobre os reajustes salariais no Brasil são tardias e parciais. Para muitas empresas e trabalhadores é importante saber o que está acontecendo em outras mesas antes de negociar", diz o coordenador da iniciativa, Hélio Zylberstajn, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA-USP).
Entre as conclusões preliminares, a ferramenta registrou, por exemplo, que algumas negociações formalizam instrumentos hoje ilegais, como o parcelamento da participação de lucros em mais de duas vezes ou a distribuição desse benefício em cooperativas e organizações não governamentais.
Trabalho em minas
A 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) não conheceu de recurso da Mineração Caraíba contra condenação ao pagamento de horas extras a um auxiliar de operação que trabalhava em minas de subsolo. Para os ministros, quando o empregado atua nas minas, aplica-se o artigo 293 da CLT, que limita a jornada a seis horas diárias ou 36 semanais, não podendo existir acordo de compensação de horas, a não ser
mediante prévia autorização do Ministério do Trabalho e Emprego, autoridade competente em matéria de higiene do trabalho. No caso, o auxiliar de operação trabalhava em turnos de revezamento de sete horas (das 6h às 13h, das 12h às 19h, das 18h à 1h ou da meia-noite às 7h), sem intervalo, mesmo depois de ter sido promovido a supervisor. Na reclamação trabalhista, ele alegou que o limite de seis horas à jornada dos que
atuam nas minas de subsolo é medida de higiene, saúde e segurança do trabalho, devido ao elevado grau de insalubridade da atividade. Em sua defesa, a Mineração Caraíba afirmou que, mediante acordo coletivo de trabalho, a empresa pactuou o pagamento de compensação pecuniária aos trabalhadores das minas a título de adicional de turno, exatamente para compensar a carga horária de 42 horas mensais.
(Fonte: Valor Econômico 13-11-2014).
Emprego na indústria cai pelo sexto mês seguido
O emprego na indústria brasileira registrou queda de 0,7% em setembro, a sexta seguida, segundo informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Frente ao mesmo mês do ano passado, a retração foi ainda maior, de 3,9% - o 36º resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto e mais intenso desde outubro de 2009, quando o indicador recuou 5,4%.
Com isso, no terceiro trimestre deste ano, o índice de emprego tem queda de 3,7% e, no ano, de janeiro a setembro, de 2,8% (ambas em relação ao mesmo período de 2013). Em 12 meses, o recuo é de 2,6%. Frente a setembro de 2013, o contingente de trabalhadores diminuiu em 13 dos 14 locais pesquisados, com o principal impacto negativo partindo de São Paulo, onde a queda foi de 4,7%, pressionado pelo dado negativo das indústrias de meios de transporte 7,0%), máquinas e equipamentos 6,1%) e produtos de metal (-9,0%), entre outras.
No ano, foram registradas taxas negativas em 13 locais e em 15 dos 18 setores investigados, com o maior impacto negativo vindo também de São Paulo (-4,0%). A única pressão positiva veio de Pernambuco, cujo emprego na indústria subiu 0,9%. Na análise por setores, as contribuições negativas mais relevantes partiram de produtos de metal (-7,0%), máquinas e equipamentos (-5,3%) e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-6,9%), entre outros.
Após dois meses de alta, a produção da indústria nacional registrou queda de 0,2% em setembro, na comparação com o mês anterior, de acordo com o IBGE, em divulgação da semana passada.
Na comparação com o mesmo período de 2013, a atividade fabril recuou ainda mais, 2,1%, a sétima queda seguida. Considerando o resultado de setembro, o setor acumula baixa de 3,7% no terceiro trimestre, de 2,9% nos nove primeiros meses do ano e de 2,2% em 12 meses.
Horas de trabalho
O número de horas pagas aos trabalhadores da indústria recuou 0,2% frente a agosto, a quinta taxa negativa consecutiva, acumulando nesse período perda de 3,3%. Na comparação trimestre contra trimestre anterior, indicador recuou 1,9%.
Na comparação com setembro de 2013, o número de horas pagas recuou 4,2%, com destaque para máquinas e equipamentos (-8,3%), meios de transporte (-7,7%) e produtos de metal (-10,1%), entre outros. Assim como nas outras comparações, São Paulo teve a maior queda, de 5,2%, pressionado pela redução no número de horas pagas nos setores de máquinas e equipamentos (-9,2%) e meios de transporte (-7,6%), entre outros.
Salários
Em setembro, o valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria recuou 1,3% frente ao mês imediatamente anterior. Verifica-se a influência negativa da indústria de transformação (-1,5%), já que o setor
extrativo mostrou avanço de 3,2%. Na comparação trimestre contra trimestre anterior, o valor da folha de pagamento real recuou 3,9%.
Na comparação com igual mês do ano anterior, os salários caíram 3,5%, a quarta taxa negativa seguida nesse tipo de confronto e a mais intensa desde novembro de 2013 (-3,6%). No fechamento do terceiro trimestre, o indicador tem queda de 2,9% e no acumulado em nove meses, de 0,1%.
A principal influência negativa foi vista em São Paulo (-5,4%), pressionado pela queda nos setores de meios de transporte (-12,5%), alimentos e bebidas (-7,2%), além de máquinas e equipamentos (-5,1%), entre outros.
Montadoras demitem mil por mês e puxam para baixo média da indústria
Nos últimos 12 meses, a indústria automobilística demitiu em média mil trabalhadores por mês. Desde outubro do ano passado, 12.637 postos de trabalho foram fechados pelas montadoras, que, no mesmo período, reduziram a produção em 16%.Foi o setor automotivo que, mais uma vez, puxou para baixo o nível de emprego na indústria. Segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no acumulado do ano até
setembro os postos de trabalho já recuaram 2,8% (leia mais nesta página).
Os dados das montadoras, um mês à frente dos números do IBGE, mostram que as fabricantes de veículos e máquinas agrícolas empregam atualmente 147 mil pessoas, voltando assim aos níveis de maio de 2012. Já o segmento de autopeças, que tem 70% da produção voltada às montadoras, projeta para este ano o fechamento de 19 mil vagas. As empresas devem encerrar o ano com 201 mil funcionários, ante 220 mil em 2013. Será o menor nível dos últimos cinco anos.
Além das demissões, que de janeiro a setembro somam 10 mil pessoas - mantendo a média de mil pessoas por mês -, a indústria automobilística tem 4 mil trabalhadores em lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho).
Esse pessoal fica em casa por até cinco meses, período em que recebe parte do salário pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) em forma de bolsa qualificação.
Novo modelo. Indústria e centrais sindicais negociam com o governo um novo modelo de lay-off, baseado no sistema alemão, que prevê até dois anos de afastamento sem que o trabalhador seja desvinculado da empresa.
Nas próximas semanas, as partes vão se reunir com o governo para fechar uma proposta sobre o que batizaram de Programa de Proteção ao Emprego. “Acredito que ainda neste mandato a presidente Dilma Rousseff vai apresentar uma proposta, pois ela a considerou modernizadora das relações entre capital e trabalho”, disse Rafael Marques, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.
Segundo Marques, se o programa estivesse em vigor, “muitos empregos teriam sido salvos”. As empresas metalúrgicas do ABC paulista representadas na base do sindicato demitiram 4,2 mil pessoas este ano. “O primeiro semestre foi bastante complicado, mas nos últimos dois meses houve uma estabilização no número de vagas”, afirmou o sindicalista.
“As crises são cíclicas e seria importante flexibilizar as regras atuais para enfrentá-las sem demissões em massa”, disse o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan.
Estão atualmente com trabalhadores em lay-off a Mercedes-Benz - nas fábricas de São Bernardo do Campo (SP) e Juiz de Fora (MG) -, a Volkswagen (em São José dos Pinhais, no Paraná), a Nissan (em Resende, no Rio de Janeiro), a Ford (em Taubaté, interior de São Paulo), a General Motors (em São Caetano do Sul e São José dos Campos) e a MAN Latin America (também em Resende).
Moan informou que a maioria dos cortes nas montadoras foi feita por meio de programas de demissão voluntária (PDV), aposentadorias e saídas voluntárias cujas vagas não foram repostas.
Queda do emprego indica recuo rápido da indústria
Os indicadores do emprego na indústria, divulgados ontem pelo IBGE, confirmam os piores prognósticos acerca do comportamento do setor secundário: caíram o número de empregados, a folha de pagamentos e as horas trabalhadas. Se para as empresas a situação é ruim, ela é pior para muitos trabalhadores que, para manter um emprego formal, têm de aceitar os salários em geral mais baixos oferecidos pelo setor de
serviços.
Entre agosto e setembro, o pessoal ocupado na indústria caiu 0,7% - e o indicador vem caindo sem
interrupção há seis meses, período em que acumulou um saldo negativo de 3,5%. Entre setembro de 2013 e setembro de 2014, a queda do emprego industrial foi de 3,9% e, pelo mesmo critério de comparação, a queda é ininterrupta há nada menos que 36 meses. Entre janeiro e setembro, comparado a igual período de 2013, houve recuo de 2,8%, e de 2,6% em 12 meses até setembro, sobre os 12 meses anteriores. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) já estima que a queda anual do emprego atingirá 2,8%. O recuo é generalizado, alcançando 13 dos 14 locais pesquisados. São Paulo lidera a queda (-4,7%, neste ano), com redução de pessoal em 16 de 18 atividades, mas os números também foram negativos em outros Estados altamente industrializados, como Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. O número de horas pagas caiu 0,2% no mês e 4,2%, entre setembro de 2013 e setembro de 2014, e a folha de pagamento real em valor ajustado sazonalmente diminuiu 1,3% e 3,5% nos mesmos períodos. Mas, se, entre agosto e setembro, houve queda de 0,9% na folha per capita, nos últimos 12 meses ainda ocorreu alta real - de 2%, comparativamente aos 12 meses anteriores, e de 2,8%, entre janeiro e setembro deste ano, comparada à de igual período de 2013. Essa é uma evidência de que a escassez de empregados altamente qualificados está levando as indústrias a pagar salários mais altos para reter seus melhores quadros. Entre os segmentos que mais cortaram pessoal estão produtos de metal, máquinas e equipamentos e máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações. A indústria de bens de capital declina, pois os investimentos - que deveriam ocupar o lugar dos gastos com consumo como indutores do crescimento - estão contidos. Os indicadores justificam a apreensão quanto ao futuro da indústria de manufaturas, mais do que a extrativa, em que a queda do emprego é menor.
Câmara reduz INSS de domésticas
O projeto de lei que reduz a alíquota da contribuição ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) recolhida pelo empregador e o trabalhador doméstico está pronto para a sanção da presidente Dilma Rousseff. A proposta foi aprovada em caráter terminativo na terça-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. Com isso, faltará apenas a assinatura da presidente Dilma para entrar em vigor uma alíquota única de 6% sobre o salário para a contribuição social recolhida por empregador e pelo trabalhador.
O recolhimento para a seguridade social do funcionário doméstico variava, até agora, entre 8%, 9% e 11%. A contribuição devida pelo empregador era de 12% do salário, conforme previsto até então pela Lei nº 8.212, de 1991 - agora alterada pelos parlamentares. A revisão da lei havia sido aprovada em julho pela comissão, mas a redação final sobre a alíquota foi definida apenas nesta semana.
O projeto de lei é anterior à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Domésticas, cuja regulamentação está há mais de um ano parado no Congresso.
O Instituto Doméstica Legal, uma das entidades que apoiaram a redução da alíquota do INSS, defendeu durante a tramitação do projeto que a proposta de redução do pagamento do INSS estimula a formalização de trabalhadores e diminui demissões.
A entidade defendeu também que as mudanças nas regras de recolhimento do INSS ajudariam o governo a aumentar a arrecadação em função do aumento do números de patrões e empregados recolhendo o imposto. O instituto calcula que o projeto poderá render ao governo um aumento anual de R$ 2,6 bilhões na
arrecadação de impostos no emprego doméstico.
A reformulação da Lei nº 8.212 ocorreu a partir da campanha de abaixo assinado "Legalize sua doméstica e pague menos INSS". A campanha, realizada em 2005, recolheu 56 mil assinaturas.
Em um informativo que circulou no Congresso durante a tramitação do projeto, o Doméstica Legal indicou que há 6,5 milhões de trabalhadores domésticos no País, sendo que 70% estão na informalidade.
Para justificar seu pleito, a entidade cita outras medidas recentes adotadas pelo governo que evitaram demissões em outros setores, como as desonerações na folha de pagamento e a redução do INSS dos Microempreendedores Individuais (MEI).
Regulamentação. A unificação da alíquota do INSS foi a segunda vitória comemorada pelos trabalhadores domésticos no Congresso nesta semana. A comissão especial criada no Senado para regulamentar a PEC das Domésticas aprovou, também na terça-feira, um conjunto de mudanças.
A principal delas foi o pagamento pelo empregador de um adicional de 20% sobre o salário para repasse ao INSS, o pagamento de seguro de acidente de trabalho e o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). A PEC das Domésticas, no entanto, ainda está em tramitação no Congresso. Tem de passar pelo plenário do Senado e, depois disso, passa mais uma vez pela Câmara, já que várias emendas dos deputados foram derrubadas no Senado.
Setor de calçados e couro corta mais empregos em setembro, diz IBGE
A indústria de calçados e couro foi a que mais demitiu em setembro, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O setor cortou em 8,7% no quadro de trabalhadores das fábricas em relação a setembro de 2013.A redução é reflexo do fim das atividades produtivas de importantes empresas, como a Via Uno, na Bahia, e a Alpargatas, no Rio Grande do Norte. Em Franca (SP), uma fábrica demitiu 400 pessoas no fim de agosto, sem aviso prévio. Sindicalistas comentam que está é a pior crise nos últimos anos no setor.
Já o segmento de fumo apresentou um aumento de 6,8% nas contratações de pessoal assalariado em setembro ante igual mês de 2013. A alta é um efeito do início da safra 2014/2015.
De acordo com o IBGE, no geral, a indústria cortou 0,7% das vagas de emprego entre agosto e setembro. Na comparação com setembro de 2013, os postos de trabalho na indústria diminuíram em 3,9%. Entre janeiro e setembro, o emprego industrial acumula queda de 2,8% sobre um ano antes.
O valor da folha de pagamento real da indústria também recuou 1,3% na passagem de agosto para setembro e 3,5% sobre um ano antes
Transporte
As dispensas de trabalhadores nas montadoras de automóveis e caminhões no País são o principal
responsável pela queda no emprego industrial. A pesquisa mostra que no terceiro trimestre a fraca atividade da indústria automotiva resultou em uma queda de 7,3% nos empregos do setor, ante baixa de 4,4% no segundo trimestre.
"Essa menor produção de veículos automotores que já vem acontecendo há algum tempo se reflete no mercado de trabalho da indústria há mais de quatro meses", afirmou o economista do IBGE, Rodrigo Lobo. A atividade de meios de transporte registrou redução de 7,8% no pessoal ocupado no País em setembro, na comparação anual. Em São Paulo, maior parque industrial, a queda no número de empregados foi de 7%. O segmento lidera o ranking de impactos tanto sobre o parque industrial paulista quanto sobre o total nacional há quatro meses.
Investimentos
Em relação a setembro do ano passado, houve grande influência ainda sobre o emprego industrial no Brasil as dispensas no setor de máquinas e equipamentos, com queda de 6,9% no número de trabalhadores, e produtos de metal, com recuo de 8,4%.
Para Carlos Pastoriza, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o segmento tem sido afetado pela ausência de investimentos em infraestrutura, o abandono do tripé (juros, câmbio e tributos), exigências de conteúdo local e a falta de acordos comerciais. "A indústria de bens de capital do país passa por um momento muito difícil. Vivemos uma situação de juros elevados, carga tributária desproporcional e câmbio valorizado. Tudo isso dificulta a competitividade do setor", disse
"Estamos vivendo um momento crítico. A presidente do Brasil [Dilma Rousseff] precisa rever o cenário da indústria e as possibilidades para aumentar a competitividade no País", diz Pastoriza, que tem encabeçado diálogo com o governo.
Região
Na indústria de São Paulo, houve redução de pessoal em 16 das 18 atividades pesquisadas pelo IBGE em setembro, com destaque para máquinas e equipamentos (-6,1%) e produtos de metal (-9%), além de alimentos e bebidas (-2,7%).
São Paulo 4,0%) apontou o principal impacto negativo, seguido por Rio Grande do Sul 4,2%), Paraná (-4,2%), Minas Gerais (-2,2%), região Nordeste (-1,4%) e Rio de Janeiro (-2,3%). Pernambuco teve o único avanço, de 0,9%.
Analistas observam que o desempenho negativo do emprego industrial reflete o que vem ocorrendo na atividade produtiva da indústria brasileira nos últimos anos. A produção industrial acumula queda de 2,9% neste ano.
(Fonte: Diário do Estado 13-11-2014).
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