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AVALIAÇÃO QUALITATIVA DE PULVERIZADORES

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Academic year: 2021

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AVALIAÇÃO QUALITATIVA DE PULVERIZADORES

DALMORA, D. 1; PEREIRA, F.J.S.2

RESUMO: No processo de tratamento fitossanitário, controle das características do

pulverizador deve ser realizado para evitar perdas e danos à lavoura e ao próprio homem. Desta forma, é fundamental a manutenção dos pulverizadores para se obter o melhor desempenho. O objetivo deste trabalho foi realizar em Ponta Porã, no Estado de Mato Grosso do Sul, uma avaliação qualitativa dos pulverizadores agrícolas. Foram checados, a campo, os principais componentes dos pulverizadores. Os pulverizadores avaliados foram divididos em duas categorias: montado e autopropelido. Considerando a presença e o estado de alguns componentes (bico, ponta, manômetro, pingente, entre outros), todos os pulverizadores apresentavam alguma anormalidade, sendo a maior inconformidade encontrada no estado de conservação das pontas, que apresentavam irregularidade na vazão, chegando a ter pulverizador com 81,25% de suas pontas comprometidas, evidenciando a necessidade de manutenção corretiva nos equipamentos para aplicações de produtos fitossanitários.

PALAVRAS CHAVES: Pulverizadores, manutenção, qualidade.

Qualitative Evaluation of Sprayers

ABSTRACT: In the process of chemical treatment, the control of the spraying characteristics

must be carried through to prevent damages to crops and the man himself. Thus, it is important to maintain the sprayers to get the best performance. The objective of this study was in the region of Ponta Porã, in the State of Mato Grosso do Sul, Brazil, a qualitative assessment of agricultural sprayers. They had been checked in the field the conditions and presence of the main components of the sprayers. The sprayers were divided into two categories: attached to tractors and self-propelled. Considering the presence and the conditions of some components (nozzles, tip, manometer, pendant, among others), all the sprayers had some abnormality, being the biggest shortcoming found in the state of conservation of the tips, which showed irregularity in the flow, getting to have sprayer with 81.25% of their tips damaged, generating a need for corrective maintenance of equipment for chemical applications.

KEYWORDS: Sprayers, maintenance, quality.

INTRODUÇÃO

A grande maioria das aplicações de herbicidas na cultura de cana-de-açúcar é realizada com pulverizadores de barra montados em trator (MACHADO NETO, 2007).

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Segundo Alvarenga e Cunha (2010), qualquer técnica de aplicação de defensivos deve conseguir controlar as doenças, plantas daninhas e pragas, utilizando dose mínima e com dis-tribuição adequada do produto, sem afetar o ambiente.

O controle das características da pulverização é uma necessidade na agricultura mo-derna, pois com os avanços tecnológicos, temos que minimizar os desperdícios de produto optando por uma tecnologia de aplicação mais eficiente, em consequência do aumento nos custos de produção agrícola, além do risco à saúde humana e de provocar danos ambientais.

Segundo Marti (1993 citado por SILVEIRA 2006), em aplicação de defensivos, entre os componentes do pulverizador que merecem mais atenção estão o sistema de abastecimento do depósito, o indicador de nível, o dispositivo de regulagem da altura das barras, o sistema de distribuição do líquido na barra, o manômetro, o sistema de agitação e os filtros.

Para Peressin et al. (1996), os bicos de pulverização possuem padrões de distribuição característicos, que determinam a altura entre este e o alvo, e o espaçamento destes na barra de pulverização.

Os pulverizadores devem ser calibrados e revisados antes de ser utilizado para evitar desperdícios e melhorar a distribuição do produto. A adequada revisão dos equipamentos, que pode ser feita por técnicos, pelo próprio agricultor ou ainda por instituições oficiais, no caso de ser necessária a emissão de certificados ou relatórios de inspeção (DORNELLES et al., 2009; GANDOLFO e ANTUNIASSI, 2004).

O setor de pulverização agrícola numa unidade sucroalcooleira tem grande relevância nos custo agrícola, devido a grande extensão de área em que a produção é obtida, assim um pequeno desperdício tem a capacidade de gerar um grande aumento nas despesas com produ-tos fiprodu-tossanitários para possibilitar um eficiente controle do alvo.

Assim, faz-se necessário uma inspeção nos equipamentos de pulverização de produtos fitossanitários para uma melhor aplicação dos produtos. Com este fim, o presente trabalho tem como objetivo identificar e avaliar qualitativamente o estado de conservação dos equipamen-tos de uma unidade sucroalcooleira, na região de Ponta Porã, Estado de Mato Grosso do Sul.

MATERIAL E MÉTODOS

As análises dos equipamentos foram realizadas em uma unidade do setor sucroalcoo-leira na região de Ponta Porã, no Estado de Mato Grosso do Sul. No período de janeiro a feve-reiro de 2011, por meio de visitas programadas. Fora analisadas características dos equipa-mentos conforme uma lista de checagem (check list).

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Os dados coletados a campo foram anotados e avaliados por meio descritivo e qualita-tivo. Todas as avaliações originaram um banco de dados, gerando um relatório específico para cada equipamento.

As avaliações consistiram no tipo de equipamentos e modelo utilizados pela unidade sucroalcooleira (montado e autopropelido), presença de vazamentos, mangueiras danificadas, localização das mangueiras, presença e estado de conservação de filtro de linha e antigoteja-dores, condições e tipo de ponta, espaçamento entre bicos, presença e condições do manôme-tro e idade do equipamento.

No local, encontrou-se quatro equipamentos de pulverização. Sendo três autopropeli-dos, porém foram avaliados apenas dois equipamentos já que um deles estava em reparo na bomba de pulverização e um montado desenvolvido para a cultura da cana-de-açúcar.

O estado das pontas foi determinado pelo teste de vazão, verificando-se a vazão das pontas e anotando-se o valor para cada uma delas. Definiram-se, como pontas desgastadas as que apresentaram a vazão superior a 10% da vazão de uma ponta nova ou da vazão nominal da tabela. A variação de vazão entre as pontas não deve ser maior ou menor que 5% da média das pontas da barra.

As avaliações dos equipamentos consistiram na observação e anotações dos parâme-tros dos pulverizadores numa lista de checagem. Para a determinação da vazão das pontas utilizou-se uma proveta de plástico de 1000 mililitros, bem como recipientes para coletar o volume de vazão obtida por um período de tempo estabelecido para cada tipo de ponta.

Atribui-se como critérios de avaliação como presença ou ausência, adequado ou ina-dequado, correto ou incorreto.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Ao considerar os aspectos qualitativos e quantitativos avaliados, como fatores de aprovação ou reprovação nas avaliações, constatou-se que todos os equipamentos apresenta-ram algum tipo de irregularidade. A principal irregularidade detectada foi a respeito do estado de conservação das pontas de aplicação, que apresentavam um volume de vazão irregular.

Na unidade sucroalcooleira em questão, a aplicação de produtos fitossanitários é de responsabilidade de colaboradores terceirizados com equipamentos autopropelido e montado.

Nas Tabelas 1, 2 e 3, mostram-se o estado e a presença de alguns componentes impor-tantes que os pulverizadores agrícolas devem constituir.

Tabela 1. Presença e estado de alguns componentes importantes para o pulverizador

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Itens Autopropelido 1

Acessório Pingente com bico duplo

Comando eletrônico Presença

Condição das mangueiras Adequado

Espaçamento entre bicos 1,00x0,50m/incorreto

Localização das mangueiras Inadequado

Manômetro Superdimensionado

Presença e estado de anti-gotejadores Presença/inadequado Presença e estado do Filtro de linha Presença/adequado

Vazamentos Presença

Tabela 2. Presença e estado de alguns componentes importantes para o pulverizador

autopro-pelido 2.

Itens Autopropelido 2 Acessório Pingente com bico

duplo Comando

eletrô-nico Presença

Condição das

man-gueiras Correto Espaçamento entre bicos 1,00x0,50m/correto Localização das mangueiras Adequado Manômetro Superdimensionado Presença e estado de antigotejadores Presença/inadequado Presença e estado

do Filtro de linha Presença/adequado

Vazamentos Presença

Os equipamentos autopropelidos apresentaram maiores irregularidades quando equi-pados com pingentes, que se encontravam desalinhados, dobrados, com molas desgastadas. Os desalinhamentos dos pingentes ocasionavam quebra do jato de aplicação bem como mau direcionamento do produto sobre o alvo diminuindo a eficácia do agente controlador.

Notou-se também, que algumas das mangueiras de conexão dos pingentes encontra-vam-se dobradas, obstruindo a livre fluidez do líquido além de apresentarem vazamentos nas conexões dos bicos como pode ser observado na tabela 4. No autopropelido 1, também se detectou uma má fixação dos pingentes na barra de aplicação.

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Outro item verificado que apresentou inconformidade era o manômetro. Nos equipa-mentos avaliados estavam superdimensionados diminuindo a precisão na regulagem em baixa pressão.

Tabela 3. Presença e estado de alguns componentes importantes para o pulverizador

monta-do.

Itens Montado

Acessório Bico

Comando eletrônico Presença Condição das

man-gueiras Incorreto

Espaçamento entre

bicos 0,50m/correto

Localização das

man-gueiras Adequado

Manômetro Dimensionado

Presença e estado de

antigotejadores Presença/inadequado Presença e estado do

Filtro de linha Presença/adequado

Vazamentos Presença

No equipamento montado detectaram-se vazamentos nos corpos múltiplos dos bicos além de vazamentos decorrentes de antigotejadores desgastados, bem como, vazamentos em conexões de mangueiras como mostra a tabela 4, além de mangueiras dobradas e torcidas.

Tabela 4. Componentes que apresentaram vazamentos.

Equipamentos Componentes Quantidade

Autopropelido 1 Antigotejador 2 Conexão do bico 4 Autopropelido 2 Antigotejador 1 Conexão do bico 3 Tabela 4. Continuação...

Equipamentos Componentes Quantidade

Montado Antigotejador 3 Conexão de mangueira 5 Corpo múltiplo 3

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Em relação às pontas, verificou o uso de pontas de jato plano tipo defletor (TTI11003 e TTI11004) nos autopropelidos 1 e 2, respectivamente, e pontas de jato plano uniforme (XR8003) no montado. Tanto as pontas tipo defletor como os de jato plano uniforme apresen-taram irregularidades no estado de conservação, indicando um estado de uso elevado, ocasio-nando uma variação nas vazões coletadas, o que dificultava na regulagem correta dos equi-pamentos.

Na Tabela 5, mostra o percentual de pontas desgastadas encontradas em cada equipa-mento. Verifica-se no equipamento 1 que 81,25% das pontas apresentaram diferença de vazão maior do que 10% do aceitável, demonstrando um elevado nível de desgaste das pontas. Já o equipamento 2, apresentou uma condição ideal das pontas, devido à avaliação ter ocorrido após a substituição das pontas antigas e de menor vazão por novas e de vazão maior. No pul-verizador montado, 59,25% das pontas apresentavam diferença de vazão maior do que 10% do aceitável, devido uma substituição parcial das pontas na barra de pulverização.

Tabela 5. Percentual de pontas inadequadas.

Equipamentos Total de pontas Pontas inadequadas Percentual (%)

Autopropelido 1 48 38 81,25

Autopropelido 2 48 0 0

Montado 27 16 59,25

A partir das informações coletadas, tanto o autopropelido 1 como o montado apresen-taram pontas de pulverização desgastadas, ocasionando uma dificuldade na regulagem do equipamento, bem como uma aplicação deficitária trazendo uma ineficiência no controle do alvo, podendo ocasionar danos à lavoura, ao meio ambiente e ao próprio homem, além de elevar o custo agrícola. Bauer et al. (2009), identificaram que a maioria dos pulverizadores avaliados utilizavam pontas de pulverização que já deveriam ter sido substituídas por apresen-tarem variação da vazão superior aos limites estabelecidos.

CONCLUSÃO

Os pulverizadores utilizados pela usina apresentam manutenção inadequada ou insufi-ciente para uma boa aplicação de produtos agroquímicos.

Considerando os principais componentes avaliados, a maior inconformidade encontra-se no estado de conencontra-servação das pontas, que apreencontra-sentavam irregularidade na vazão. Devido a essas inconformidades um dos equipamentos autopropelido e um montado por apresentarem uma variação superior á 10% na vazão das pontas, foram classificados como inaptos para o

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uso na aplicação de produtos fitossanitários da maneira que se encontravam, sendo necessária a substituição das pontas.

Evidenciou-se a necessidade de uma manutenção de correção dos equipamentos para a realização das aplicações de produtos fitossanitários dentro das boas técnicas de aplicação.

REFERÊNCIAS

ALVARENGA, Cleyton B. de; CUNHA, João P. A. R. da. Aspectos qualitativos da

avaliação de pulverizadores hidráulicos de barra na região de Uberlândia, Minas Gerais. Eng. Agríc. [online], Jaboticabal vol. 30, n. 3, 2010.

ANTUNIASSI, Ulisses R.; GANDOLFO, Marco A. Projeto IPP - Inspeção Periódica De

Pulverizadores. In: III SINTAG - Qualidade Em Tecnologia De Aplicação. Editores:

RAETANO, C.G.; ANTUNIASSI, U.R.. Botucatu: FEPAF. 2004, pg. 69 a 84.

BAUER, Fernando C. et al. Diagnóstico das condições, tempo de uso e manutenção de

pulverizadores no Estado de Mato Grosso do Sul. Eng. Agríc. [online], Jaboticabal, vol.

29, n. 3, 2009.

DORNELLES, Marçal E. et al. Inspeção técnica de pulverizadores agrícolas: histórico e importância. Cienc. Rural [online], vol. 39, n. 5, 2009.

MACHADO NETO, J. G.; COSTA, G. M.; OLIVEIRA, M. L. Segurança do trabalhador

em aplicações de herbicidas com pulverizadores de barra em cana-de-açúcar. Planta

daninha [online], Viçosa, vol. 25, n. 3, 2007.

PERESSIN, V. A. et al. Aplicação em jato dirigido em cana-de-açúcar. II: espaçamento entre bicos turbo floodjet para a aplicação de herbicidas. Planta daninha [online], Viçosa, vol. 14, n. 2, 1996.

SILVEIRA, João C. M. et al. Avaliação qualitativa de pulverizadores da região de

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