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Direito Internacional Privado Joyce Lira

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Academic year: 2021

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Direito Internacional

Privado

Joyce Lira

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5) O direito de família no Direito Internacional Privado.

Aula 18 – Sucessão.

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Sucessão Internacional

- Tópico do estudo de DIPr.

- Critério anterior: critério da nacionalidade.

- LINDB (regra): critério domiciliar como regra de conexão.

Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que

domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação

dos bens.(...) § 2o A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para

suceder.

- LINDB (exceção):

a fim de proteger os filhos e cônjuges brasileiros na sucessão dos bens que se encontrem no Brasil (§ 1º do Art. 10 da LINDB e inciso XXXI, do Art. 5º da CF).

Art. 10. § 1º A sucessão de bens de estrangeiros, situados no País, será regulada pela lei

brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, ou de quem os

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CRFB/88, Art. 5º, inciso XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus";

- Princípio da proteção da família brasileira: assento constitucional desde 1934.

- Problema: os dispositivos excepcionais citam apenas “cônjuge ou filhos brasileiros”. E a união estável? Segue-se a equiparação traçada pela doutrina e jurisprudência brasileiras, reconhecendo-se igualdade da proteção nesse sentido, tanto para o casamento, quanto para a união estável (proteção é da família brasileira). Interpretação teleológica do art. 5º, inciso XXXI, CRFB/88.

- Essência da regra constitucional: caráter unilateral (promove situação de preferência dos direitos que resguardem os nacionais brasileiros).

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- Atividade analítica dividida em dois momentos: 1) analisa se a norma estrangeira é mais favorável aos brasileiros envolvidos do que a norma brasileira; 2) aplica a norma mais favorável ao cônjuge, companheiro ou filhos brasileiros.

- Constituição: tendência de regulamentar questões atinentes ao direito internacional enquanto garantias.

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a) Sucessão causa mortis (conceitos gerais)

- No direito interno: duas formas de determinação da vocação hereditária – testamentária e legal.

- Testamentária: “O testamento é ato solene de última vontade, pelo qual um indivíduo dispõe dos seus bens. Mas a vontade do indivíduo possui um limite imposto pela lei — a sucessão legítima. Nesse caso, os herdeiros são designados por sua estreiteza de parentesco, limitando-se a liberdade de testar.” (Nadia de Araujo)

- Limites ao testamento: disposição de metade dos bens. Proteção à legítima, ou seja, à parcela dos bens reservados àqueles tidos pela lei como herdeiros necessários.

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- Sucessão legítima: regras de direito interno aplicáveis quando a sucessão envolver inventariado que fosse domiciliado no Brasil (último domicílio do de cujus).

- Inventariado domiciliado fora do território nacional: podem ser aplicáveis regras especiais de DIPr. Ex.: sucessão de pessoa falecida domiciliada no estrangeiros, mas envolvendo bens ou herdeiros situados no Brasil.

- Princípio da universalidade sucessória: em regra, aplica-se a regra de conexão vigente no país de último domicílio do de cujus, seja qual for a natureza e a situação dos bens.

- Exceções: casos de pluralidade de foros sucessórios – quando existem bens em diversos países. A maior parte dos Estados não admite decisão estrangeira sobre sucessão envolvendo bens situados em seu território.

- Dupla regência legal da sucessão: é a consequência decorrente dos casos de pluralidade dos foros sucessórios.

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- Possibilidade de aplicação da lei estrangeira na sucessão ocorrida no Brasil: deve-se respeitar a Constituição (ordem pública), o que pode criar situação em que se afasta a lei estrangeira.

- A determinação das regras da sucessão se dá em duas etapas: 1) determina-se a competência jurisdicional, 2) verifica-se a lei aplicável.

→ Momento 1 - determinação da competência: Art. 23, II do CPC. Grande parte das legislações processuais estrangeiras têm previsão similar.

Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: (...)

II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional;

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- Para realizar o segundo momento é necessário promover a atividade analítica já citada (verificar direito comparado).

→ Momento 2 - Fixada a competência do juiz nacional, determina-se a lei aplicável à

sucessão legítima e à testamentária

Regra e exceção:

▪ Aplicação da lei do último domicílio do de cujus, independentemente de sua nacionalidade, na forma do Art. 10 da LINDB) abrangendo bens móveis e imóveis, corpóreos e incorpóreos;

▪ A exceção à regra, prevista no Art. 5º, XXXI da CF, cuida de proteger os interesses de filhos e cônjuges brasileiros

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- Situações possíveis (exemplos):

→ 1) sem filhos ou cônjuge brasileiro e com bem imóvel localizado no Brasil: a sucessão desse imóvel será de competência do Brasil e será regido pelas regras da lei estrangeira do último domicílio do de cujus;

→ 2) com filhos ou cônjuge brasileiro e com bem imóvel localizado no Brasil: a sucessão desse imóvel será de competência do Brasil e será regulada pela lei brasileira, em favor dos filhos ou cônjuge do falecido, exceto quando a lei estrangeira lhes seja mais benéfica aos herdeiros brasileiros, caso em que poderá ser aplicada;

→ 3) sucessão iniciar-se no Brasil (último domicílio do de cujus) e integrarem o patrimônio do de cujus bens imóveis situados em outro país: estes bens não poderão fazer parte do monte a ser partilhado (conforme foi decidido pelo STJ, corroborado no STF)

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Processual Civil. Inventário. Requerimento para expedição de carta rogatória com o objetivo de obter informações a respeito de eventuais depósitos bancários na Suíça. Inviabilidade. - Adotado no ordenamento jurídico pátrio o princípio da pluralidade de juízos sucessórios, inviável se cuidar, em inventário aqui realizado, de eventuais depósitos bancários existentes no estrangeiro. (Resp 397.769 STJ)

- Aberta a sucessão, não serão trazidos à colação os imóveis localizados no estrangeiro.

- Utilização de norma mais benéfica: ocorrência no direito estrangeiro (ex.: França, Itália, Portugal).

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b) Capacidade para suceder

- LINDB: art. 10, §2º.

Art. 10. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido, qualquer que seja a natureza e a situação dos bens.

(...)

§ 2o A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.

- Aparente conflito com a norma do caput do art. 10, LINDB:

→ dentro do âmbito de aplicação da lei da sucessão (lei do domicílio do de cujus) a determinação dos herdeiros, assim como a ordem de vocação hereditária.

→ O parágrafo segundo teria aplicação unicamente nas hipóteses em que, já determinado o herdeiro, a lei do seu domicílio é que seria competente para regular sua capacidade, à semelhança do que já dispõe o Art. 7º, da LINDB. Ex.: casos de indignidade.

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- Explicando o caso:

→ Tratava-se de sucessão de bens de estrangeiro, domiciliado no Brasil.

→ A filha do de cujus fora adotada na Espanha e, lá domiciliada, habilitou-se como herdeira necessária no processo sucessório aberto no Brasil.

→ A adoção, realizada na forma da lei espanhola não concedia à filha direitos sucessórios. → Afirmou o STJ que a lei aplicável à sucessão (que determinaria quem teria qualidade

de herdeiro) era a lei do último domicílio do de cujus, no caso a lei brasileira (Art.

10 da LINDB).

→ Como a lei brasileira não faz qualquer distinção entre filhos naturais e adotados, a filha adotada no Estado estrangeiro foi considerada herdeira na sucessão dos bens situados no Brasil.

→ A lei do domicílio da herdeira só seria considerada para a questão da capacidade

para receber a herança (§2º do Art. 10. da LINDB), sendo que a capacidade para

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c) O testamento com efeitos em outro país

- Os testamentos realizados no estrangeiro devem ser analisados sempre por dois ângulos:

→ o primeiro diz respeito à forma do ato, que segue as regras do local de sua elaboração (regra locus regit actum);

→ o segundo diz respeito a sua substância, dividido-se em questões sobre a capacidade

de testar no momento do ato, e regras da sucessão.

- Problema: o que um Estado considera como sendo questão de forma, para outro pode ser questão de substância.

- A regra locus regit actum: não consta mais na LINDB, mas é bastante utilizada pelos tribunais, sendo de caráter consuetudinário.

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→ Testamento Ológrafo

"TESTAMENTO PARTICULAR FEITO NA ITALIA, SEM TESTEMUNHAS. SUA EXEQUIBILIDADE NO BRASIL. TANTO O ART. 10 DA NOSSA LEI DE INTRODUÇÃO COMO O ART. 23 DA ITALIANA DIZEM RESPEITO A LEI REGULADORA DA SUCESSÃO. E AQUI NÃO SE DISCUTE SOBRE A LEI REGULADORA DA SUCESSÃO MAS SOBRE FORMALIDADES DO TESTAMENTO. DA FORMA DO TESTAMENTO CUIDA, NÃO O CITADO ART. 23 MAS O ART. 26. DEVOLUÇÃO. A ESTA E INFENSA A ATUAL LEI DE INTRODUÇÃO (ART. 16). A LEI ITALIANA E A LEI BRASILEIRA ADMITEM O TESTAMENTO OLOGRAFO OU PARTICULAR, DIVERGINDO APENAS NO TOCANTE AS RESPECTIVAS FORMALIDADES, MATÉRIA EM QUE, INDUBITAVELMENTE, SE APLICA O PRINCÍPIO LOCUS REGIT ACTUM" II. EMBARGOS DE DIVERGENCIA CONHECIDOS MAS REJEITADOS.

(RE 68157 EDv, Relator(a): Min. THOMPSON FLORES, Tribunal Pleno, julgado em 14/12/1972, DJ 30-03-1973 PP-01921 EMENT VOL-00904-01 PP-00135)

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→ Testamento conjuntivo

- STJ, Resp 1.362.400 (julgamento 28 de abril de 2015).

RECURSO ESPECIAL. DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO. AÇÃO DE SONEGADOS PROMOVIDA PELOS NETOS DA AUTORA DA HERANÇA (E ALEGADAMENTE HERDEIROS POR REPRESENTAÇÃO DE SEU PAI, PRÉ-MORTO) EM FACE DA FILHA SOBREVIVENTE DA DE CUJUS, REPUTADA HERDEIRA ÚNICA POR TESTAMENTO

CERRADO E CONJUNTIVO FEITO EM 1943, EM MEIO A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL,

NA ALEMANHA, DESTINADA A SOBREPARTILHAR BEM IMÓVEL SITUADO NAQUELE PAÍS (OU O PRODUTO DE SUA VENDA). 1. LEI DO DOMICÍLIO DO AUTOR DA

HERANÇA PARA REGULAR A CORRELATA SUCESSÃO. REGRA QUE COMPORTA

EXCEÇÃO. EXISTÊNCIA DE BENS EM ESTADOS DIFERENTES. 2. JURISDIÇÃO BRASILEIRA. NÃO INSTAURAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE DELIBERAR SOBRE BEM

SITUADO NO EXTERIOR. ADOÇÃO DO PRINCÍPIO DA PLURALIDADE DOS JUÍZOS SUCESSÓRIOS.

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3. EXISTÊNCIA DE IMÓVEL SITUADO NA ALEMANHA, BEM COMO REALIZAÇÃO DE TESTAMENTO NESSE PAÍS. CIRCUNSTÂNCIAS PREVALENTES A DEFINIR A LEX

REI SITAE COMO A REGENTE DA SUCESSÃO RELATIVA AO ALUDIDO BEM.

APLICAÇÃO. 4. PRETENSÃO DE SOBREPARTILHAR O IMÓVEL SITO NA ALEMANHA OU O PRODUTO DE SUA VENDA. INADMISSIBILIDADE. RECONHECIMENTO, PELA LEI E PELO PODER JUDICIÁRIO ALEMÃO, DA CONDIÇÃO DE HERDEIRA ÚNICA DO BEM. INCORPORAÇÃO AO SEU PATRIMÔNIO JURÍDICO POR DIREITO PRÓPRIO. LEI DO DOMICILIO DO DE CUJUS. INAPLICABILIDADE ANTES E DEPOIS DO ENCERRAMENTO DA SUCESSÃO RELACIONADA AO IMÓVEL SITUADO NO EXTERIOR. 5. IMPUTAÇÃO DE MÁ-FÉ DA INVENTARIANTE. INSUBSISTÊNCIA. 6. RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO.

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1. A lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro (LINDB) elegeu o domicílio como relevante regra de conexão para solver conflitos decorrentes de situações jurídicas relacionadas a mais de um sistema legal (conflitos de leis interespaciais), porquanto consistente na própria sede jurídica do indivíduo. Em que pese a prevalência da lei do domicílio do indivíduo para regular as suas relações jurídicas pessoais, conforme preceitua a LINDB, esta regra de conexão não é absoluta. 1.2 Especificamente à lei regente da sucessão, pode-se assentar, de igual modo, que o art. 10 da LINDB, ao estabelecer a lei do domicílio do autor da herança para regê-la, não assume caráter absoluto. A conformação do direito internacional privado exige a ponderação de outros

elementos de conectividade que deverão, a depender da situação, prevalecer sobre a

lei de domicílio do de cujus. Na espécie, destacam-se a situação da coisa e a própria

vontade da autora da herança ao outorgar testamento, elegendo, quanto ao bem sito

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2. O art. 10, caput, da LINDB deve ser analisado e interpretado sistematicamente, em conjunto, portanto, com as demais normas internas que regulam o tema, em especial o art. 8º, caput, e § 1º do art. 12, ambos da LINDB e o art. 89 do CPC. E, o fazendo, verifica-se que, na hipótese de haver bens imóveis a inventariar situados, simultaneamente, aqui e no exterior, o Brasil adota o princípio da pluralidade dos

juízos sucessórios. 2.1 Inserem-se, inarredavelmente, no espectro de relações afetas

aos bens imóveis aquelas destinadas a sua transmissão/alienação, seja por ato entre vivos, seja causa mortis, cabendo, portanto, à lei do país em que situados regê-las (art. 8º, caput, LINDB). 2.2 A Jurisdição brasileira, com exclusão de qualquer outra, deve

conhecer e julgar as ações relativas aos imóveis situados no país, assim como

proceder ao inventário e partilha de bens situados no Brasil, independente do domicílio ou da nacionalidade do autor da herança (Art. 89 CPC e § 2º do art. 12 da LINDB)

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3. A existência de imóvel situado na Alemanha, bem como a realização de

testamento nesse país são circunstâncias prevalentes a definir a lex rei sitae como a regente da sucessão relativa ao aludido bem (e somente a ele, ressalta-se), afastando-se, assim, a lei brasileira, de domicílio da autora da herança. Será,

portanto, herdeiro do aludido imóvel quem a lei alemã disser que o é. E, segundo a decisão exarada pela Justiça alemã, em que se reconheceu a validade e eficácia do testamento efetuado pelo casal em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, a demandada é a única herdeira do imóvel situado naquele país (ante a verificação das circunstâncias ali referidas - morte dos testadores e de um dos filhos). 3.1 Esta decisão

não tem qualquer repercussão na sucessão aberta - e concluída - no Brasil, relacionada ao patrimônio aqui situado. De igual modo, a jurisdição brasileira,

porque também não instaurada, não pode proceder a qualquer deliberação quanto à extensão do que, na Alemanha, restou decidido sobre o imóvel lá situado.

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4. O imóvel situado na Alemanha (ou posteriormente, o seu produto), de acordo com a lei de regência da correspondente sucessão, passou a integrar o patrimônio jurídico da única

herdeira. A lei brasileira, de domicílio da autora da herança, não tem aplicação em relação à

sucessão do referido bem, antes de sua consecução, e, muito menos, depois que o imóvel passou a compor a esfera jurídica da única herdeira. Assim, a providência judicial do juízo

sucessório brasileiro de inventariar e sobrepartilhar o imóvel ou o produto de sua venda afigurar-se-ia inexistente, porquanto remanesceria não instaurada, de igual modo, a jurisdição nacional. E, por consectário, a pretensão de posterior compensação revela-se de todo descabida, porquanto significaria, em última análise, a aplicação indevida e indireta da própria lei brasileira. 5. O decreto expedido pelo Governo alemão, que viabilizara a restituição de bens confiscados aos proprietários que comprovassem a correspondente titularidade, é fato ocorrido muito tempo depois do encerramento da sucessão aberta no Brasil e que, por óbvio, refugiu, a toda evidência, da vontade e do domínio da inventariante. Desde 1983, a ré, em conjunto com os autores, envidou esforços para obter a restituição do bem. E, sendo direito próprio, já que o bem passou a integrar seu patrimônio jurídico, absolutamente descabido exigir qualquer iniciativa da ré em sobrepartilhar tal bem, ou o produto de sua venda. Do que ressai absolutamente infundada qualquer imputação de má-fé à pessoa da inventariante. 6. Recurso especial improvido.

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Bibliografia

- ARAUJO, Nadia de. Direito Internacional Privado: Teoria e Prática Brasileira. 1. ed. Porto Alegre: Revolução eBook, 2016.

Referências

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