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DIMENSÕES DA CRISE AMBIENTAL E A CONDUÇÃO DO TEMA NO MERCOSUL

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Academic year: 2021

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Talita Martinelli

Graduanda em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Maringá (UEM)

Resumo:

A crise ambiental que há algum tempo atinge o globo consiste em fato grave, avaliada não apenas como um problema nacional, mas, também um problema internacional. Assim sendo, cresce na maioria dos países a discussão sobre as questões ambientais, suas implicações, alcance e desdobramentos em nível interno e externo. Discutem-se quais são as medidas a serem tomadas e, principalmente, se é possível conceber um modelo de desenvolvimento que consiga associar sustentabilidade com preservação ambiental. A partir deste contexto, o presente trabalho procura examinar o tratamento dado à questão ambiental no âmbito do Mercosul, desde o “Tratado de Assunção” (1991) até o “Acordo-Quadro sobre o Meio Ambiente do Mercosul” (2001), que configura uma preocupação do bloco em relação a questão ambiental. Contudo, embora se confirme que houve mais de uma tentativa de institucionalização de uma política ambiental conjunta, o que torna possível delinear o cenário de soluções a serem implementadas no Mercosul, cabe analisar quais as decisões encaminhadas pelo Subgrupo Nº.6 do Meio Ambiente, tendo em vista compreender que tipo de desenvolvimento já fôra pensado para a região integrada.

Palavras-chave:

Mercosul; Crise ambiental; Relações internacionais; Desenvolvimento; Sustentabilidade.

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INTRODUÇÃO

O agravamento dos problemas ambientais, a preocupação com a preservação do meio ambiente, a minimização da degradação, entre outros, são fatores críticos que influenciaram os Estados nação a reconhecer a necessidade de realizar o debate a cerca da questão ambiental. Considerando esta realidade, se faz necessária a colaboração de cada um dos países para a criação de uma política ambiental conjunta a partir de acordos, tratados e, sobretudo, alterações em sua legislação.

No âmbito do Mercosul, desde o início os países-membros sendo Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai1, instituíram-se a necessidade dos países considerarem a preservação e o

melhoramento do meio ambiente, já que o seu território abrange 56% do espaço ambiental sul-americano, apresentando uma grande biodiversidade. No preâmbulo do “Tratado de Assunção” é demonstrado o caráter socioambiental do documento ao afirmarem que os objetivos da Integração devem ser alcançados “mediante o mais eficaz aproveitamento dos recursos disponíveis, a preservação do meio ambiente, a melhoria das interconexões físicas, coordenação das políticas macroeconômicas e complementação dos diferentes setores da economia com base nos princípios de gradualismo, flexibilidade e equilíbrio.” 2

Pelo fato dos países do Mercosul possuírem grande territorialidade, este abrange uma extensa área de ecossistemas distintos o que torna necessário o tratamento das questões ambientais de forma séria e com urgência, não somente pelos representantes dos governos dos Estados, mas, também, por toda a sociedade civil. Por estas razões, o presente trabalho busca analisar como a questão ambiental foi inserida e de que forma é tratada no âmbito da Integração, que além de seus objetivos comerciais, tem demonstrado de forma mais explícita certa preocupação com o meio ambiente, a partir do “Acordo Quadro sobre o Meio Ambiente

do Mercosul”. Com o intuito de dar continuidade à harmonização das legislações ambientais

dos Estados-partes, foi criado o Subgrupo nº 6 do Meio Ambiente, sendo assim possível analisarmos as decisões encaminhadas por tal, a fim de esquematizarmos o quadro de soluções implementadas pelo Mercosul. Apesar de todo este cenário em torno da questão ambiental, é necessário observar que a construção e o encaminhamento de uma política ambiental nunca ocuparam lugar de destaque na política geral do Bloco.

No contexto a qual nos encontramos e diante aos problemas ambientais vistos frequentemente é exigido que a sociedade esteja mais determinada e mobilizada para se

1 No âmbito da integração vale destacar dois aspectos recentes, a saber: a partir de 12/08/2012 a Venezuela passa a ser Membro efetivo do Mercosul. Em virtude da crise político-institucional no Paraguai, que resultou destituição do presidente Fernando Lugo e caracteriza o chamado “golpe branco”, decidiu-se que pela suspensão temporária do Paraguai no Mercosul, a partir de 29/06/2012.

2 Tratado de Assunção. Disponível em: <http://www.mercosul.gov.br/tratados-e-protocolos/tratado-de-assuncao-1.>

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posicionar de forma propositiva, de tal modo para poder questionar de forma concreta a falta de iniciativa dos governos para institucionalizar políticas pautadas através do binômio sustentabilidade e desenvolvimento.

É de nosso interesse também abordar a discussão relacionada à adoção de medidas reativas versus medidas reducionistas e preservacionistas favoráveis a um desenvolvimento sustentável. Constata-se que a maioria dos países, possui uma postura reativa em relação à degradação ambiental, eles emergem apenas em resposta à destruição da natureza e à falta de condições mínimas de vida. A fim de encontrar soluções para a crise ambiental, diferentes escolas econômicas apresentam suas propostas de políticas e suas preferências por qual tipo de instrumentos de controle ambiental.

Este ensaio decorre de um projeto PIC, cujo recorte histórico encontra-se de 2001 a 2011, porém, para a realização do projeto e melhor compreensão do tema é necessário realizar um resgate histórico, desta forma, abordando neste ensaio o período de 1991 a 2001.

A EVOLUÇÃO DO TRATAMENTO DA QUESTÃO AMBIENTAL NO MERCOSUL

Em março de 1991 com a assinatura do “Tratado de Assunção” cria-se o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) que integra a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai possuindo como principais objetivos a convergência coordenada de políticas macroeconômicas dos Estados-partes; a livre circulação de bens, serviços e fatores de produção entre os países do bloco; o estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum (TEC) e a adoção de uma política comercial conjunta em relação a terceiros Estados, entre outros. A criação do Bloco se deu de forma estratégica a fim de acelerar o desenvolvimento econômico da região com justiça social e melhorar sua inserção no mercado internacional.

Para alcançar os objetivos propostos e uma maior abrangência de proteção ambiental, já que os países do Mercosul apresentam uma extensa biodiversidade, é citada no preâmbulo do “Tratado de Assunção” a intenção de aproveitar eficientemente os recursos disponíveis, preservar o meio ambiente, melhorar as interconexões físicas entre os países, coordenar políticas macroeconômicas e garantir a complementação dos diferentes setores da economia, tendo base os princípios de gradualidade, flexibilidade e equilíbrio. Em vários parágrafos deste Tratado é mencionada a necessidade de acordos setoriais considerarem a preservação e o melhoramento do meio ambiente.

A “Declaração de Canela” consta como o primeiro documento considerando a questão ambiental após o “Tratado de Assunção”, firmada em fevereiro de 1992. Os representantes dos quatro Estados-partes e o representante do Chile negociaram em Canela (RS) uma posição comum dos países do Cone Sul a ser apresentada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992.

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Ainda em 1992, devido à preocupação com o meio ambiente, o Grupo Mercado Comum (GMC), órgão executivo do Mercosul, determinou a criação das Reuniões Especializada do Meio Ambiente (REMA), que tinham como principais objetivos analisar a legislação vigente nos Estados-partes e propor recomendações de medidas de proteção ambiental ao GMC. Com esta decisão, surgiu a expectativa de que o tema ambiental assumiria lugar de destaque no cenário de negociações da integração regional. Porém, como a REMA exercia suas funções de forma paralela aos mecanismos de tomada de decisão institucionais e já que não constituía um subgrupo de trabalho, sua atuação, alcance e aplicabilidade eram limitadas.

Durante os encontros realizados pela REMA entre os anos de 1992 e 1993 analisou-se as legislações nacionais em matéria ambiental e coordenou-se a ação da REMA com a dos Subgrupos de Trabalhos Técnicos (SGTs). Uma de suas principais recomendações elaboradas consiste nas “Diretrizes Básicas em Matéria de Política Ambiental”, aprovadas pela Resolução nº. 10/94 do GMC.

“As diretrizes tinham como objetivo assegurar condições equitativas de competitividade no Mercosul, com a adoção de práticas de manejo sustentável no aproveitamento de recursos naturais, uso de tecnologias adequadas de produção, reciclagem e tratamento de resíduos, harmonização dos procedimentos legais de habilitação e acompanhamento de atividades passíveis de gerar impactos ambientais em ecossistemas compartilhados. Outros objetivos eram a criação de critérios ambientais comuns para negociação e implementação de atos internacionais com repercussões sobre o processo de integração e estímulo ao desenvolvimento de turismo regional sem prejuízo ao meio ambiente. As diretrizes constituiriam o ponto de partida para a criação de uma legislação ambiental do Mercosul.”3

O marco no crescimento da questão ambiental nas negociações do Bloco se deu em meados de 1995 com a realização da Primeira Reunião de Ministros do Meio Ambiente do Mercosul, em Montevidéu. Nesta reunião, discutiram-se os avanços da REMA; a adoção das normas de qualidade ambiental da série ISO 14000; a necessidade de legislações e normas conjuntas ambientais para os países-membros; custos ambientais de processos produtivos; entre outros. O documento final do encontro, conhecido como “Declaração de Taranco”, assinalou o compromisso de coordenação de posições conjuntas em foros mundiais de meio ambiente. O mais importante avanço nesta ocasião consistiu em transformar a REMA em um Subgrupo de Trabalho do GMC, o que fez surgir o Subgrupo de Trabalho de Meio Ambiente (SGT-6), que passou a funcionar a partir de 1995.

Com o intuito de dar continuidade à harmonização das legislações ambientais dos Estados-partes, criou-se o Subgrupo nº 6 do Meio Ambiente, suas metas e prazos encontram-se

3 IRACHANDE, Aninho Mucundramo; ALMEIDA, Lucimar Batista de; VIEIRA, Marilena Maria Augusto. O Mercosul e a construção de uma política ambiental para os países do Cone Sul. Disponível em: <http://www. periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/view/2175-7984.2010v9n16p205>.

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na Resolução nº. 38/95. Tais metas são:

1. Análise das restrições não tarifárias relacionadas a meio ambiente. 2. Competitividade e meio ambiente.

3. Adoção das Normas Institucionais – ISO 14.000. 4. Temas setoriais, abrangendo outros subgrupos.

5. Projeto de Instrumento Jurídico de Meio Ambiente no MERCOSUL. 6. Criação de um sistema de informação ambiental.

7. Estabelecimento de Selo Verde no Mercosul.

Desde sua criação, o SGT-6 realiza a cada trimestre uma reunião ordinária e sempre que acordado entre os parceiros reuniões extraordinárias. A partir de uma análise parcial de algumas Atas resultantes de reuniões do Subgrupo 6, é possível perceber frequentemente resultados repetidos e pouco avanço nestas questões se comparados aos avanços registrados em outras áreas de integração, como a área econômica e comercial. O que torna possível observar que as questões de competividade comercial estão sempre em destaque, consequentemente deixando pra segundo plano a necessidade de políticas para outros segmentos.

É de conhecimento geral que o objetivo dos Estados-partes do Mercosul no âmbito das questões ambientais implica na implementação de um documento capaz de acordar as normas relacionadas ao meio ambiente com a intenção de harmonização das leis ambientais, assim torna-se necessário esclarecer que harmonizar não significa criar uma legislação única, mas sim eliminar assimetrias e diminuir possíveis conflitos, a saber que serão respeitadas as particularidades das legislações de cada país membro.

Com a intenção de alcançar o objetivo citado anteriormente, o SGT-6 tinha, como uma de suas principais tarefas, criar um “Instrumento Jurídico de Meio Ambiente no Mercosul”, este instrumento baseia-se nas diretrizes básicas em matéria de política ambiental presentes na Resolução nº 10/94 do GMC. Em junho de 1997, o SGT-6 elaborou o “Projeto de Decisão

relativo ao Protocolo Adicional ao Tratado de Assunção sobre Meio Ambiente”, documento este

apresentado ao GMC através da Recomendação nº 4/97. Porém, devido a sua má formulação, acabou por não ser votado, mesmo sendo discutido em várias reuniões; críticos apontam carência e desordem na estruturação de temas importantes e imprecisão na terminologia como os principais problemas do projeto.

Apesar da implementação do Protocolo ser barrada, este serviu de incentivo para continuar a discussão entre os signatários do Mercosul. Em março de 2001 em uma Reunião Extraordinária o SGT Nº 6 assinou em Florianópolis o “Acordo Quadro sobre Meio Ambiente”,

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que reafirma as principais propostas da “Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e

Desenvolvimento”, de 1992 (ECO 92), sendo este Acordo celebrado em 22 de junho de 2001,

em Reunião do Conselho Mercado Comum (CMC) na cidade de Assunção.

“No Preâmbulo do presente Acordo, as Repúblicas argentina, brasileira, paraguaia e uruguaia, reafirmam a necessidade de proteger o meio ambiente e a utilização sustentável dos recursos naturais, procurando melhorar a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável e a importância da cooperação entre os países membros do bloco.”4

O documento é composto por 4 capítulos, 11 artigos e um anexo, sendo menor e mais prático que o Protocolo.

A partir de uma reflexão do tratamento da questão ambiental no Mercosul, torna-se questionável como se pretende alcançar um desenvolvimento sustentável na área da Integração, considerando que a maioria dos países, inclusive o Brasil, possui uma postura reativa em relação à degradação ambiental, eles emergem apenas em resposta à destruição da natureza e à falta de condições mínimas de vida. Faz-se necessário verificar em que medida os Estados-partes preferem a adoção de medidas reativas inversas às posturas reducionistas e preservacionistas, de natureza propositiva.

Há diversas apropriações do conceito de desenvolvimento sustentável, segundo diferentes autores que se dedicam ao tema e diferentes linhas de pesquisa. O conceito mais usado, cuja definição foi feita pela ONU (Organização das Nações Unidas) acredita o desenvolvimento sustentável ser “aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras satisfazerem suas próprias necessidades”. 5

Considero ser longo o caminho a ser percorrido pelos países da América do Sul ao encontro de um desenvolvimento sustentável, já que há muito tempo posicionam-se de forma reativa aos problemas ambientais, procuram tomar iniciativas, soluções e alternativas quando os problemas atingem grandes proporções, principalmente no que se relaciona com a área ambiental, pois se posicionar desta forma pode trazer prejuízos em outras áreas, como para a economia. Ao contrário, os países podem adotar medidas de caráter proativas, adquirindo posturas reducionistas e preservacionistas a fim de evitar problemas futuros.

Desde o início, o Mercosul mostrou que a sua principal preocupação seria encontrar meios de melhorar as condições de vida da nação sul-americana, proporcionando um máximo envolvimento dos Estados-partes no processo da Integração, desta forma, respeitando os ritmos

4 MERENDI, Tatiana Peghim. O MERCOSUL E O MEIO AMBIENTE: BREVES CONSIDERAÇÕES. Disponível em: <http://www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/Anais/Tatiana%20Peghim%20Merendi.pdf>. 5 CHOW, Cláudia. Conceitos. Disponível em: <http://scienceblogs.com.br/ecodesenvolvimento/2008/02/ conceitos/>.

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e as sensibilidades de cada país. Com a intenção de melhoria para todos, é necessário um direcionamento geral para um ponto comum, tanto no âmbito interno quanto no externo, a fim de criar instituições que venham a estruturar “espaços regionais comuns”, neste sentido, se justifica a necessidade da criação de um documento capaz de harmonizar as leis ambientais e diminuir as simetrias existentes nesta área, consequentemente, evoluindo no processo de atingir um desenvolvimento associado à sustentabilidade nesta região.

Ao considerar que o desenvolvimento sustentável passou a ser uma preocupação geral em nível internacional, se faz necessário o debate a cerca da escolha de instrumentos de política ambiental adequado aos propósitos da sustentabilidade. Três diferentes abordagens de teoria econômica apresentam distintas propostas de políticas voltadas para este fim, sendo elas: neoclássicos; institucionalistas e evolucionistas.

A visão neoclássica, conhecida como mainstream por ser preponderante no debate, acredita ser necessária uma intervenção governamental quando se trata de problemas ambientais, segundo eles, a degradação ambiental é traduzida como discrepância entre os custos privados e sociais. É explícita a preferência por instrumentos econômicos, como: taxas; tarifas; certificados; subsídios; sistema de devolução de depósitos; licenciamento de atividades poluidoras; zoneamento e educação ambiental. Admite também ser possível uma combinação de políticas de “comando e controle” e instrumentos econômicos usados concomitantemente para enfrentar o problema. A política de “comando e controle” também denominada de instrumentos de regulação direta consiste em: padrões de poluição para fontes específicas; controle de equipamentos; controle de processos; controle de produtos e controle do uso de cotas de extração.

Os institucionalistas apresentam um caráter holístico, procuram levar em conta o comportamento do indivíduo e o contexto sociocultural o qual é inserido. Esta visão questiona os instrumentos propostos pelos neoclássicos, porém, não aponta instrumentos de sua preferência, sendo a favor de especificações de padrões sustentáveis do ponto de vista ecológico, e alegam que o fator decisivo de instrumentos para os neoclássicos é a viabilidade econômica.

Por fim, os evolucionários procuram criar elos entre economia - tecnologia- meio ambiente. O principal objetivo desta escola está em entrelaçar trajetórias de crescimento e desenvolvimento tecnológico que sejam sustentáveis ecologicamente, o debate realizado por eles em torno de políticas é muito limitado, possuindo como ponto de partida a ideia de promover uma transição de tecnologia ambiental de caráter corretiva para uma que de princípio previna o surgimento de problemas ambientais.

“Um ‘ambiente seletivo’ favorável é o elemento crucial para induzir à emergência e à difusão de uma trajetória tecnológica ambientalmente ‘correta’. Esta tende a se tornar mais palpável à medida que se eleve a preocupação social com os problemas ambientais, alterando o comportamento dos agentes envolvidos. No que se refere

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à iniciativa das empresas, uma consideração importante é que a introdução de ‘tecnologias ambientais’ tende a caracterizar uma inovação atípica, pois sua difusão difere do processo tradicional de mudanças tecnológica ‘normal’.” 6

Levando em conta os instrumentos de controle ambiental, é evidente a preferência das regulações diretas em âmbito internacional, notadamente por sua eficácia ecológica. É de extrema importância criar a consciência de que nenhum avanço social e ecológico é possível sem que ocorram, ao mesmo tempo, as necessárias transformações produtivas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos últimos anos nos vimos obrigados a enfrentar uma crise ambiental, que tem tomado proporções cada vez maiores e está ligada, inclusive, às questões de segurança, diretamente relacionada à nossa sobrevivência, à das futuras gerações e à do planeta que nos abriga. Levando em conta que a preservação ambiental é de interesse global, e reverter à degradação do meio ambiente é um problema mundial, verifica-se que não por acaso a questão ambiental é tema na Agenda internacional.

Devido o contexto a qual nos encontramos, os Estados-partes do Mercosul consideraram a necessidade de incluir as questões ambientais em suas pautas, principalmente porque o seu território abrange 56% do espaço ambiental sul-americano, possuindo uma rica biodiversidade.

Como já apresentado, é possível perceber esta intenção desde o início, no “Tratado

de Assunção”, e no decorrer do processo da Integração diversas tentativas de harmonização

das leis ambientais, algumas obtiveram resultados, outras não. A fim de alcançar este objetivo implantaram-se as Reuniões Especializada do Meio Ambiente (REMA), e, posteriormente, o Subgrupo nº 6 do Meio Ambiente que gerou o “Protocolo Adicional do Meio Ambiente”, porém, este documento não foi aprovado devido suas má formulação. As discussões após o Protocolo em torno das questões ambientais continuaram, o que resultou em 2001 no atual “Acordo Quadro Sobre Meio Ambiental”, documento que celebra uma nova fase no tratamento do meio ambiente no âmbito do Mercosul.

Ao realizar uma breve análise de documentos resultantes das reuniões ordinárias e extraordinárias do SGT-6, percebe-se pouco avanço no tema, principalmente comparado as outras esferas. É importante ressaltar que as considerações feitas neste ensaio são inconclusivas, pois a pesquisa está em curso.

O desenvolvimento econômico com justiça social consta como um dos principais objetivos do Bloco, todavia, observa-se que os países do Cone Sul dificilmente alcançarão um desenvolvimento sustentável se não adotarem medidas de caráter propositivas.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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16-64.

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ecodesenvolvimento/2008/02/conceitos/>. Acesso em: 04 out. 2012.

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do Cone Sul. Disponível em: <http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/politica/article/

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MERCOSUL/GMC/RES. Nº 38/95. Pautas negociadoras dos subgrupos de trabalho, das

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MERCOSUL/CMC/DEC. Nº 28/12. Regulamentação de aspectos operativos da suspensão

da República do Paraguai. X CMC EXT. – Brasília, 30/VII/12.

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