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OBESIDADE EM ADOLESCENTES E SUAS COMORBIDADES

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NayaraBenevenutoHemerly – e-mail: [email protected] Acadêmica do curso de Nutrição do Centro Universitário São Camilo-ES

Wania Machado Azevedo - e-mail: [email protected] Professora Orientadora

Curso de Graduação em Nutrição Cachoeiro de Itapemirim - ES - 2011

Resumo

A prevalência da obesidade aumentou nos países em desenvolvimento. Houve mudanças nos padrões alimentares, além da redução da prática de atividades físicas e aumento do sedentarismo o que têm contribuído para o aumento de peso dos adolescentes. O objetivo deste trabalho foi realizar um levantamento bibliográfico a fim de levantar dados a cerca da associação entre a obesidade na adolescência e suas comorbidades. Para a revisão do tema foram utilizados artigos de periódicos indexados na base do Scielo e Lilacs, além de livros e periódicos pertencentes ao acervo da biblioteca do Centro Universitário São Camilo-ES. A pesquisa mostrou que existe relação entre a obesidade e suas comorbidades. Portanto faz-se necessária orientação nutricional a fim de prevenir e tratar a obesidade e suas comorbidades.

Palavras chave:Obesidade; Adolescência;Comorbidade; Sedentarismo; Hábitos Alimentares.

Introdução

A obesidade é considerada, em países desenvolvidos, um importante problema de saúde pública, e, pela Organização Mundial da Saúde, uma epidemia global. Esta condição cresce no Brasil, aliada ao aumento da globalização e ao progresso do país, substituindo o problema da desnutrição pelos problemas de excesso de peso e suas comorbidades, fenômeno conhecido como transição nutricional (VITOLO, 2008).

Segundo Oliveira et al. (2003) fatores nutricionais inadequados consequentes da chamada transição nutricional caracterizada por um aumento exagerado do consumo de alimentos ricos em gordura e com alto valor

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calórico, associados a excessivo sedentarismo condicionado por redução na prática de atividade física e incremento de hábitos que não geram gasto calórico com assistir TV, uso de vídeo games e computadores entre outros, enfim por importante mudança no estilo de vida, determinada por fatores culturais, sociais e econômicos.

Ao mesmo tempo em que declina a ocorrência da desnutrição em crianças e adultos num ritmo bem acelerado, aumenta a prevalência de sobrepeso e obesidade na população brasileira (FILHO e RISSIN, 2003).

As recentes e profundas alterações nos hábitos de vida, no que se refere a uma alimentação com consumo excessivo de alimentos ricos em gordura saturada, bebidas hipercalóricas e baixos níveis de atividade física, determinam uma pandemia de sobrepeso e obesidade, e suas consequentes comorbidades, as doenças cardiovasculares isquêmicas e o diabete mellitus não insulino-dependente(RIBEIROet al., 2006).

Em alguns países, mudanças demográficas, socioeconômicas e epidemiológicas levaram a uma alteração dos padrões nutricionais, aumentando significativamente a prevalência de sobrepeso (IMC = 25 – 29,9kg/m2) e obesidade (IMC ≥ 30kg/m2) na população pediátrica e alertando contra uma epidemia mundial (FRANCA e ALVES, 2006).

As crianças vêm se tornando cada vez mais vulneráveis ao excesso de peso, numa versão “júnior” da epidemia global da obesidade adulta. De acordo com Ribeiro et al (2006) estudos recentes têm demonstrado uma redução na prevalência da desnutrição e um predomínio de excesso de peso em crianças e adolescentes.

No Brasil, as taxas de adolescentes com excesso de peso seguiram a mesma tendência nos últimos 20 anos, com prevalência de 7,7% na década de 80 para ambos os sexos. Essa taxa atingiu 17,9% para meninos e 15,4% para meninas na última pesquisa nacional entre 2002 e 2003 (LAVRADORet al., 2011).

Com a elevada prevalência de excesso de peso corporal, nota-se um aumento das morbidades associadas a este distúrbio, como por exemplo, a

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diabetes, hipertensão, hipercolesterolemia, doenças cardiovasculares e desenvolvimento da síndrome metabólica (KRINSKIet al., 2011).

Os autores destacam que comorbidades, como hipertensão arterial, dislipidemia, diabete mellitus (DM) tipo 2 – cada vez mais evidente na população pediátrica – acometem 40% dos adolescentes norte-americanos, e a coexistência dessas alterações metabólicas chega a ser sete vezes maior no obeso.

Sabe-se que a adolescência é uma etapa evolutiva peculiar ao ser humano, que encerra todo o processomaturativo biopsicossocial do indivíduo.

Caracterizada por profundas transformações somáticas, psicológicas e sociais, compreende, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a idade de 10 a 19 anos (VITOLO, 2008).

Neste período da vida vários fatores interferem no consumo alimentar, tais como valores socioculturais, imagem corporal, situação financeira, influência da mídia, hábitos alimentares entre outros. Aparentemente, a dieta de adolescentes caracteriza-se pela preferência por produtosalimentícios com inadequado valor nutricional. Em particular, os adolescentes consomem quantidades excessivas de gordura, açúcar e sal (MIRANDAet al., 2007).

Objetivo

Realizar um levantamento bibliográfico a fim de levantar dados a cerca da associação entre a obesidade na adolescência e suas comorbidades.

Metodologia

O artigo foi desenvolvido tendo como base artigos de periódicos indexados na base do Scielo e Lilacs entre os anos de 2001 a 2011, além de livros e periódicos pertencentes ao acervo da biblioteca do Centro Universitário São Camilo-ES.

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Desenvolvimento

A obesidade tem sido descrita como um importante problema de saúde pública da atualidade e vem ganhando destaque no cenário epidemiológico mundial. Sua prevalência aumentou nas últimas décadas em todo o mundo, inclusive nos países em desenvolvimento, como o Brasil, onde anteriormente predominavam os problemas relacionados à desnutrição (Enes e Slater, 2010).

O crescimento, na fase da adolescência, está relacionado ao aumento da massa corporal e desenvolvimento físico, compreendendo também a maturação dos órgãos e sistemas para a aquisição de capacidades novas e específicas. Em ambos os processos há influências genéticas, ambientais, nutricionais, hormonais, sociais e culturais, resultando em uma alteração constante entre esses fatores (VITOLO, 2008).

Miranda et al. (2007) afirmam que a adolescência implica uma série de mudanças morfológicas, funcionais e psicológicas, conduzindo a um completo deformismo sexual, aquisição de capacidade reprodutora e o aparecimento de novos modos de comportamentos.

Os autores ainda destacam que trata-se de uma etapa crítica para intervenções preventivas, principalmente para aumentar a consciência, o conhecimento, as habilidades, a motivação no sentido de escolhas dietéticas saudáveis. Embora a adolescência possa ser marcada com novas descobertas e oportunidades, também podem produzir ansiedade e tumulto.

De acordo com Lavradoretal. (2011), a adolescência é um dos períodos críticos para início ou persistência da obesidade e para o desenvolvimento de suas complicações. Embora fatores genéticos predisponham ao desenvolvimento da obesidade, destacam-se fatores ambientais e comportamentais – como a diminuição da atividade física com aumento das atividades sedentárias – associados ao maior consumo de alimentos como principais causas do aumento da prevalência da obesidade.

O aumento do número de crianças obesas pode ser atribuído ao estilo de vida moderno, havendo desequilíbrio entre a ingestão e o gasto energético, resultando num balanço energético positivo, com deposição de gordura (SILVEIRA et al., 2010).

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A obesidade ocorre quando a ingestão de energia excede o gasto; uma explicação mais provável para isso é que as crianças se tornaram mais sedentárias. A criança que passa horas na frente da televisão ou do computador pode tornar-se obesa mesmo quando come menos calorias que um colega ativo (SHILS et al., 2003; SIZER et al., 2003).

Teoricamente, as crianças e os adolescentes poderiam facilmente prevenir o ganho excessivo de peso, pois estão crescendo, ou seja, precisam de energia extra para crescer e têm a possibilidade de gastar muito mais energia em atividades de lazer do que os adultos. Entretanto, esses possíveis facilitadores parecem não exceder os muitos fatores que concorrem para a crescente epidemia da obesidade (SICHIERI e SOUZA, 2008).

Segundo Almeida et al. (2002) no Brasil, adolescentes passam cerca de cinco horas por dia diante da TV, isto pode estar associado à obesidade, pois cada hora diante da televisão pode resultar em um aumento de até 2% em sua prevalência, além de exercer grande influência sobre os hábitos alimentares e promover o sedentarismo.

A predominância da obesidade na infância e na adolescência cresce drasticamente e representa problema de saúde pública relevante nos países desenvolvidos e em muitos países em desenvolvimento (LAVRADOR et al., 2011).

Krinski et al. (2011) relatam que o aumento na prevalência de sobrepeso e obesidade entre crianças e adolescentes parece estar relacionado a modificação do estilo de vida, levando as crianças e adolescentes a passar mais tempo em atividades sedentárias, o que pode implicar um rápido aumento da epidemia de obesidade no Brasil.

As crianças são mais obesas hoje do que há 20 anos. Desde o final da década de 1970, a prevalência de sobrepeso quase duplicou em crianças.

Esse padrão é uma tendência secular, isto é, não pode ser explicada pela genética. Dieta e atividade física são os possíveis responsáveis (SIZER et al., 2003).

O aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade em idades cada vez mais precoces tem despertado a preocupação de pesquisadores e

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profissionais da área de saúde, em razão dos danos e agravos à saúde provocados pelo excesso de peso, tais como hipertensão arterial, cardiopatias, diabetes e hiperlipidemias (ENES e SLATER, 2010).

Sichieri e Souza (2008) ressaltam que a obesidade associa-se a um elevado custo financeiro, e os custos diretos das hospitalizações relacionadas à obesidade no Brasil indicam que os percentuais de gastos são similares aos de países desenvolvidos. Entre adolescentes vale ainda salientar o custo emocional da obesidade em uma sociedade que valoriza o ser muito magro como exemplo de beleza.

Nesse sentido, Enes e Slater(2010) demonstram que no Brasil, segundo o primeiro levantamento sobre os custos da obesidade, em 2003;

aproximadamente 1 bilhão e 100 milhões de reais são gastos a cada ano com internações hospitalares, consultas médicas e remédios para o tratamento e das doenças associadas. Apenas o Sistema Único de Saúde (SUS) destina 600 milhões de reais para intervenções relativas à obesidade.

Observa-se que a obesidade está associada a problemas relevantes de saúde na população pediátrica e constitui-se fator de risco para muitas morbidades e mortalidade na vida adulta. Acredita-se que crianças e adolescentes obesos tornam-se adultos obesos, com relação direta entre gravidade da obesidade na infância e o risco de se manter o sobrepeso ou a obesidade na vida adulta (LAVRADOR et al., 2011; RICCO et al., 2010).

Oliveira et al (2003) e Sichieri e Souza (2008)evidenciam que as preferências alimentares das crianças, assim como atividades físicas, são práticas influenciadas diretamente pelos hábitos dos pais, que persistem frequentemente na vida adulta.Isto indica o importante papel da família em relação ao ganho de peso infantil.

De acordo com Sizer et al. (2003), na idade adulta, os hábitos desenvolvidos na infância, como comer em excesso alimentos ricos em gordura e levar um estilo de vida sedentário, são especialmente difíceis de serem mudados.

Durante a etapa da adolescência deve ser considerada a importância da consolidação de hábitos alimentares e de estilo de vida saudáveis. É nessa

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fase que esses hábitos são estabelecidos e muitas vezes mantidos na vida adulta (ENES e SLATER, 2010).

O controle da obesidade infantil pode ser mais difícil do que no adulto, uma vez que estes pacientes dependem das escolhas alimentares e disponibilidade dos pais (OLIVEIRA et al., 2010).

Na infância e adolescência, verifica-se um decréscimo nos níveis de atividade física e participação em atividades desportivas. Crianças e adolescentes tem se tornado cada vez mais sedentários em virtude do hábito de ver TV, jogar vídeo game e o uso exagerado do computador. A isto, alia-se a prática de maus hábitos alimentares em que ocorre a diminuição do consumo de alimentos com alto valor nutritivo como frutas, verduras e legumes e aumento do consumo de alimentos altamente calóricos e ricos em gorduras, como sanduíches, salgadinhos e frituras (CARDOSO et al., 2004).

Enes e Slater (2010) confirmam que a prática de atividade física entre os jovens apresenta relação inversa com o risco de doenças crônicas não transmissíveis, dentre elas a obesidade. Além disso, o padrão de atividade na adolescência determina parte dos níveis de atividade física na idade adulta.

Segundo Silveira et al. (2010) programas de tratamento que incluem intervenção nutricional, em combinaçãocom exercícios, possuem índices de sucesso mais altos do que apenas a modificação dietética.

O consumo exagerado de açúcares e gorduras, bem como a ingestão diminuída de hortaliças e frutas, associado ao estilo de vida sedentário são fatores indicativos de sobrepeso e obesidade. Além disso, existe uma tendência entre os adolescentes de suprimir refeições, em especial o café da manhã o que pode levar ao baixo rendimento escolar, risco cardiovascular, diabetes mellitus, depressões (estado de humor), deficiência de nutrientes (cálcio e ferro) ou ainda um indicador de desordem alimentar (MIRANDA et al., 2007).

Estudo transversal realizado com 58 adolescentes que iniciaram o atendimento nutricional com sobrepeso ou obesidade em um serviço de saúde pública em Belo Horizonte (MG), observou-se que cerca de 58,7% e 65,5% dos adolescentes apresentaram consumo de guloseimas e frituras,

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respectivamente, diariamente ou quase todos os dias. Além disso, o consumo de refrigerante quase todos os dias foi de 22,8% dentro dessa amostra (OLIVEIRA et al. 2010).

A autora ainda destaca que a alimentação inadequada nesta fase pode levar a desequilíbrios nutricionais que interferem no crescimento e no estado de saúde dos indivíduos adolescentes.

Sizer et al. (2003), evidencia que a prevenção da obesidade infantil parece crítica porque crianças com sobrepeso são especialmente propensas a sofrer de doenças cardíacas e arteriais anos mais tarde. Muitas vezes, a criança obesa também terá colesterol sanguíneo mais alto, hipertensão arterial e diabetes, que juntos, podem predizer um risco elevado de doenças cardíacas quando adulta.

Dislipidemia, hipertensão e diabetes do tipo 2 são algumas das comorbidades relacionadas à obesidade, aliados a maus hábitos alimentares e sedentarismo são condições ideais para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Esses fatores de risco não são exclusivos dos adultos e começam a surgir cada vez mais em crianças e adolescentes.

Lavrador et al (2011), em seu estudo realizado com 80 adolescentes obesos, observou que o maior grau de obesidade, dentro da amostra, também apresentou associação significante com outros parâmetros metabólicos e clínicos, como hipertrigliceridemia, HDL alterado, hiperglicemia dejejum e hipertensão.

Cuppari (2005) ressalta que fatores genéticos, endócrinos, neurológicos, psicológicos e ambientais podem desempenhar, em diferentes indivíduos, papéis importantes na patogênese da obesidade. É difícil definir os fatores que contribuem para o aparecimento da obesidade em determinado indivíduo, mas está claro que a obesidade não é uma doença única, mas um grupo heterogêneo de distúrbios, todos manifestados pelo excesso de gordura corpórea.

De acordo com Teixeira et al. (2007), existe uma relação entre o consumo alimentar de crianças e adolescentes e o desenvolvimento de doenças crônicas na idade adulta tais como doenças cardiovasculares, câncer

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e osteoporose. Dessa forma, a avaliação dos hábitos alimentares nessa fase torna-se relevante para avaliação de hábitos de risco.

O tratamento da obesidade infantil e juvenil constitui estratégia importante no enfrentamento dessa enfermidade, pois os hábitos alimentares, de atividade física e a autoimagem da criança são construídos neste período.

As modificações do estilo de vida introduzidas na infância e adolescência podem se tornar permanentes. Além disso, neste período de transição, caracterizado por intensas mudanças, a realização de intervenções poderá evitar a persistência da obesidade e, consequentemente, a ocorrência de comorbidades (OLIVEIRA et al., 2010).

Comorbidades associadas à obesidade

A obesidade é uma doença multifatorial que pode ser definida, de forma simplificada, como acúmulo excessivo de gordura corporal. Trata-se de distúrbio metabólico que vem assumindo carácter epidêmico e preocupante, por constituir fator de risco para outras doenças como hipertensão e diabetes (OLIVEIRA et al. 2010).

Segundo Oliveira e Fisberg (2003) a associação da obesidade com alterações metabólicas, como dislipidemias, a hipertensão e a intolerância à glicose, considerados fatores de risco para o diabetes melitus tipo 2 e as doenças cardiovasculares até alguns anos atrás, eram mais evidentes em adultos; no entanto, hoje já podem ser observadas frequentemente na faixa etária mais jovem.

Diabetes mellitus tipo 2 é causado pela resistência à insulina, em que ocorre falha em seu uso apropriado, combinando-se com uma deficiência relativa de insulina. Normalmente, os indivíduos apresentam excesso de peso, são sedentários e com histórico familiar de diabetes. Os fatores de risco para essa patologia são genética, obesidade e idade (STUMP, 2007).

O mesmo autor alega que o diagnóstico de crianças com diabetes tipo 2 vem aumentando. Geralmente, esses pequenos pacientes são diagnosticados quando têm mais de 10 anos de idade, na metade ou final da

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puberdade. Na medida em que as crianças vão ficando cada vez mais obesas, pode-se esperar que o diabetes tipo 2 ocorra em crianças com menos idade. A obesidade está aumentando não apenas nos Estados Unidos, mas também em muitos outros países, ocorrendo também aumento da incidência de diabetes tipo 2. São fatores de risco: sedentarismo, histórico familiar de diabetes tipo 2, aumento da ingestão de energia e gordura na dieta.

Outra comorbidade muito comum associada à obesidade é a hipertensão. Esta patologia é resultante de um aumento sustentado na pressão arterial diastólica ou sistólica -160/95 mmHg ou superior (STUMP, 2007).

Ricco et al. (2010) acredita que houve aumento da incidência da hipertensão arterial paralelamente à epidemia de obesidade na infância e que o aumento mundial da prevalência de crianças e adolescentes com hipertensão primária está diretamente relacionado ao aumento da prevalência da obesidade. Observa-se que há uma relação direta entre o grau da obesidade e o risco de hipertensão arterial sistêmica na infância.

Entende-se por dislipidemias as alterações dos níveis sanguíneos dos lipídeos circulantes. Quando esses níveis estão aumentados, recebem o nome de hiperlipidemias, que são classificados em hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia (CUPPARI, 2005).

De acordo com Vitolo (2008), já há evidências, em nosso meio, de que durante a infância e adolescência podem ocorrer alterações dos lipídeos séricos (hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia) e que a presença de excesso de peso agrava essa situação.

Teixeira et al. (2007) enfatiza que a prática de atividade física regular pode trazer benefícios diretos e indiretos sobre o perfil lipêmico.

No estudo desenvolvido por Oliveira et al. (2010) com uma amostra de 58 adolescentes atendidos em ambulatório de obesidade;obteve-se valores de lipídeos sanguíneos, 71,2% encontravam-se com concentrações acima dos valores desejáveis para colesterol total e 65,3% encontram-se com valores acima dos desejáveis para triglicerídeos. Na análise dos valores de HDL- colesterol, 39,2% encontravam-se com concentrações abaixo dos valores desejáveis. O percentual de adolescentes que apresentaram concentração de

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LDL-colesterol desfavorável foi de 37,8%. No entanto, mais da metade (55,8%) dos pacientes apresentou colesterol aumentado, fato que caracteriza dislipidemia.

A Síndrome Metabólica é um transtorno representado por um conjunto de fatores de risco cardiovasculares, tais como hipertensão arterial, deposição central de gordura, dislipidemia (LDL-colesterol e triglicerídeos elevados e, HDL-colesterol reduzido) e resistência à insulina (MORAES et al., 2009).

Segundo Vitolo (2008), a obesidade na infância e na adolescência parece ser a condição que mais predispõe a complicações metabólicas na vida adulta.

A autora ainda menciona que os mecanismos fisiopatológicos relacionados à síndrome estão se tornando cada vez mais frequentes nas crianças e nos adolescentes e seu aumento é diretamente proporcional ao aumento da prevalência de obesidade nessa faixa etária.

As patologias citadas acima e o excesso de adiposidade são fatores de risco para doenças cardiovasculares (DCV) na população infantil. Essa condição aumenta o risco de aterosclerose na vida adulta ou até mesmo na adolescência. A presença de pelo menos um fator de risco para DVC tem sido observada em 60% das crianças e dos adolescentes com excesso de peso, sendo que 20% apresentaram dois ou mais fatores de risco (VITOLO, 2008).

As doenças cardiovasculares manifestadas na idade adulta podem ter origem na infância e na adolescência. Portanto, aqueles jovens que eventualmente venham a apresentar fatores de risco, com o avanço da idade tendem a apresentar maior predisposição ao desenvolvimento das DCV. Sendo assim, tentar detectar precocemente a presença de fatores de risco no jovem possibilita o planejamento e a implementação de programas intervencionistas preventivos direcionados à redução da probabilidade de manifestação das DCV futuras (SILVA et al., 2009).

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Considerações finais

Os objetivos deste trabalho foram plenamente alcançados visto que existe uma vasta bibliografia sobre o tema pesquisado.

Pode-se observar através desta pesquisa que no Brasil, nas últimas décadas, houve grande aumento da prevalência de sobrepeso/obesidade na população, inclusive entre os adolescentes.

Os adolescentes podem ser considerados um grupo de risco nutricional, devido à inadequação de sua dieta decorrente do aumento das necessidades energéticas e nutrientes para atender à demanda do crescimento.

A excessiva oferta de alimentos industrializados e mais práticos de alto valor calórico e, muitas vezes com alto conteúdo de gordura saturada, colesterol, gordura trans, carboidratos simples e sal; parece contribuir de maneira relevante para o desenvolvimento das comorbidades e a da obesidade.

O estado nutricional do adolescente é de particular interesse, pois a presença de obesidade nesta faixa etária tem sido associada ao aparecimento precoce de hipertensão arterial, dislipidemias e aumento da ocorrência de diabete tipo 2.

As intervenções destinadas a prevenir o excesso de peso na infância e adolescência devem envolver os pais como importante força de mudança no comportamento alimentar de seus filhos. É necessário desenvolver programas que visem melhorar a capacidade dos pais em facilitar a mudança de comportamento das crianças e adolescentes para uma alimentação saudável e um estilo de vida mais ativo.

Além do mais, promover medidas de educação nutricional com caráter educativo e informativo, através do currículo escolar e dos meios de comunicação de massa, assim como, o controle de propaganda de alimentos não saudáveis, dirigidos principalmente ao público infantil e adolescente.

Portanto, existe a necessidade de um profissional de nutrição para esclarecer ao público adolescente e os pais sobre os fatores de risco para a obesidade; sobre alimentação recomendável e sobre a importância da prática

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regular de exercícios físicos como medidas de prevenção primária. Além disso, adotar um consumo adequado de frutas, legumes e verduras, tem sido apontado como fator protetor para ocorrência da obesidade.

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