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Ecos do Turismo: o turismo ecológico em áreasprotegidas

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Academic year: 2021

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D E C A N R

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DE TU RISM

OVIRTUAL

Book Review:” Ecos do Turismo: o turismo ecológico em áreas protegidas” de Giovanni de Farias Seabra Regina Baracuhy

Caderno Virtual de Turismo

ISSN: 1677-6976 Vol. 3, N° 2 (2003)

Ecos do Turismo: o turismo ecológico em áreas protegidas

Giovanni de Farias Seabra. Editora: Papirus.

www.ivt -rj.net

Laboratório de Tecnologia e Desenvolvimento Social

LTDS

Por Regina Baracuhy

O turismo tornou-se uma imperiosa necessidade no mundo em que vivemos, porque possibilita ao ser humano, fugir, evadir-se do cotidiano geralmente estressante, violento, neurastênico com o qual ele convive nos centros urbanos. A

paz, a harmonia e a tranqüilidade que as paisagens naturais oferecem são atrativos irresistíveis para os habitantes de um país com dimensões continentais como o nosso, que apresenta dunas, praias desertas, cachoeiras de águas cristalinas, flora e fauna exuberantes. Entretanto, a procura desenfreada por esses "paraísos tropicais", incentivada pela mídia, provoca sérios impactos sócio-ambientais e culturais, o que exige reflexões sobre a atividade turística nessas áreas, a fim de preservar esse patrimônio para as gerações atuais e futuras.

Uma leitura indispensável sobre esse assunto é a do livro Ecos do Turismo: o turismo ecológico em áreas protegidas, editado pela Papirus, em que o professor Giovanni de Farias Seabra, doutor em Geografia Física pela Universidade de São Paulo e integrante do Departamento de Geociências da Universidade Federal da Paraíba, faz um alerta sobre a prática do ecoturismo no Brasil.

Com larga experiência na área de gestão e planejamento turístico e ambiental,

o autor nos brinda com uma análise crítica e minuciosa da atividade turística nas áreas de preservação.

Configurado em quatro capítulos, o livro se inicia de uma maneira agradavelmente didática, apresentando um panorama histórico que nos informa sobre os primórdios do turismo no Ocidente, desde a Antigüidade greco-latina até os dias atuais, com ênfase na história do turismo no Brasil. Essa "viagem" se torna interessante na medida que o autor não apenas descreve fatos importantes para o desenvolvimento da atividade turística no mundo, como a Revolução Industrial e o avanço tecnológico, que permitiram a democratização do turismo, tornando-o um fenômeno mundial de massas, ou ainda, a criação do Passaporte Brasil em 1986, que possibilitou a construção dos "albergues da juventude", mas através de sua análise, ajuda-nos a compreender melhor como funcionam as políticas e os órgãos públicos que regulam o turismo, e mais especificamente, a prática do turismo ecológico em nosso país.

A discussão sobre o que se diz e o que efetivamente se faz na área do turismo ecológico é a tônica do capítulo dois. Nele, o autor vai pontuando os conceitos de desenvolvimento sustentável, turismo

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DE TU RISM

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Book Review:” Ecos do Turismo: o turismo ecológico em áreas protegidas” de Giovanni de Farias Seabra Regina Baracuhy

Caderno Virtual de Turismo

ISSN: 1677-6976 Vol. 3, N° 2 (2003)

sustentável, turismo ecológico, dentre outros, a fim de nos revelar a discrepância entre o discurso oficial e a realidade nacional.

Os problemas existentes nas unidades de conservação como a escassez de recursos financeiros para manutenção, falta de funcionários qualificados, a questão fundiária dos parques nacionais, bem como as conseqüências que tudo isso acarreta são pontos de reflexão para o leitor que, cúmplice do autor, entende que o turismo ecológico não se limita a uma viagem para contemplação da natureza, mas que é fundamental, nessa forma de lazer, o respeito ao meio ambiente e à paisagem humana que integram as últimas fronteiras a serem preservadas. Seabra também alerta para a rapidez com que projetos ecoturísticos estão sendo implantados no país e critica a falta de planejamento da atividade turística nas áreas protegidas, que gera a devastação das culturas locais, a massificação do turismo ecológico, além do forte impacto ambiental.

No capítulo três, a análise se direciona para o uso e a ocupação das unidades de conservação no Brasil.Segundo o autor, temos quarenta e três parques nacionais criados "com o objetivo de preservação da vida silvestre, dos monumentos naturais e dos mananciais hídricos necessários à sobrevivência das espécies vegetais, animais e do próprio homem", mas a prática desordenada do turismo nesses santuários ecológicos, com o aval dos órgãos públicos e estimulada pela mídia, resulta na devastação expressiva das riquezas naturais e põe em risco, até mesmo, a vida dos visitantes. Para exemplificar essas

observações, Seabra se detém no funcionamento da atividade turística em alguns parques nacionais, como o da Chapada dos Veadeiros, e avalia os impactos ambientais do turismo em regiões litorâneas com a construção de megaprojetos hoteleiros nas áreas de preservação ambiental.

Considerando que a "turistificação" dos espaços protegidos traz conseqüências danosas e irreversíveis ao nosso patrimônio ecológico, o último capítulo do livro apresenta minuciosamente uma proposta de gestão e planejamento ambiental desses espaços como uma das soluções viáveis para a prática saudável do ecoturismo. Saliente-se a abordagem didática e esclarecedora que o autor utiliza para tratar da legislação ambiental no Brasil, revelando que, embora haja leis para controle e preservação dos recursos naturais, não há mecanismos eficientes que garantam o cumprimento delas nas áreas protegidas.

No sentido inverso ao da preservação ambiental, o apelo turístico-publicitário para o uso das áreas preservadas tem promovido a invasão desordenada de turistas com o afã de desbravar essas "paisagens exóticas"

e praticar esportes radicais, como o montanhismo, a canoagem, sem que haja, muitas vezes, a preocupação e o respeito ao meio ambiente.

Diante dessas considerações, resta-nos o desejo de que o turismo, dito "ecológico", que se pratica nos espaços protegidos torne- se, de fato, uma atividade de base social e holística ou as gerações futuras terão que se contentar apenas com os ECOS DO TURISMO.

Regina Baracuhy. Mestra em Língua Portuguesa, docente do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da UFPB.

Atualmente, faz doutoramento em Língua Portuguesa na UNESP, campus de Araraquara, São Paulo.

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