|Panorama Geral
O mês que passou
Os destaques do mês ficaram novamente para a atuação dos principais bancos centrais. Logo no inicio do mês, na Europa destaque foi para o Banco Central Europeu e seu presidente, Mario Draghi, que tentou tranquilizar os mercados financeiros afirmando que a instituição pode reforçar as medidas de estímulo se isso for necessário para fazer com que a inflação atinja a meta. Segundo ele, embora o BCE tente minimizar as consequências indesejadas de sua política, "não há dúvidas de que se tivermos que intensificar o uso de nossos instrumentos para garantir que atinjamos nosso mandato de estabilidade dos preços, nós o faremos". Fato é que as medidas de estímulo anunciadas na quinta-feira (03/12) pelo BCE desapontaram. Entre outras medidas, a instituição cortou a taxa de depósito em 10 pontos-base para 0,30% e prorrogou o programa mensal de compra de títulos (QE) para até pelo menos março de 2017. Nos EUA o destaque foi para o Fed. Na reunião de dezembro a autoridade monetária dos EUA elevou a taxa básica de juros pela primeira vez desde dezembro de 2008 e enfatizou que deve subir os juros gradualmente depois disso, em um teste da capacidade da economia de conseguir se manter com menos estímulos de política monetária.
Os dirigentes do Fed declararam que iriam elevar a taxa em 0,25 ponto porcentual na quinta-feira (17/12), para a faixa de 0,25% a 0,50% e iriam ajustar sua estratégia à medida que a performance da economia justificasse. Com essas taxas baixas, eles afirmaram, a política monetária permanece acomodatícia. Por fim, na China o mês de dezembro trouxe como relevante o fato dos líderes terem aprovado um plano econômico para 2016, que observa que o setor externo e o investimento não podem mais ser mais a mola propulsora da economia, dessa forma reformas sociais e mais liberação do mercado financeiro devem dar o tom para que o consumo das famílias e o investimento estrangeiro auxiliem no processo de gestão econômica (e em última análise no pouso suave). Mesmo assim, as preocupações de que a China possa sofrer um hard landing ainda estão presentes no mercado, e não se descarta novas desvalorizações do yuan.
O mês de dezembro foi marcado por uma série de eventos no campo político e econômico. Logo no início do mês, o presidente da câmara deu abertura a um processo de impeachment na câmara dos deputados que, entre idas e vindas ao STF, deve ter continuidade após o recesso parlamentar. Para que chegue ao Senado, será necessário que tenha a votação de pelo menos 2/3 dos deputados. Assim, o governo passou a se mobilizar, especialmente na sua base, para tentar evitar a derrota na câmara e evitar assim o risco de julgamento no senado, contribuindo para a paralisação da pauta do ajuste fiscal no congresso. Outro fato relevante foi a mudança de comando no ministério da Fazenda. Após muito desgaste, o Ministro Joaquim Levy saiu do governo, dando lugar a Nelson Barbosa, que estava no Planejamento. Se por um lado a mudança tende a reduzir a pressão política da base governista por conta do ajuste fiscal, e de certa forma pode melhorar as condições de governabilidade do executivo, por outro causou desconfiança nos mercados, que continuam a enxergar no ajuste fiscal a condição necessária para que o país tenha alguma perspectiva de recuperação no médio prazo. O desafio de curto prazo do novo ministro será reduzir a desconfiança do mercado em relação a uma eventual mudança de orientação da política econômica que abandonasse por completo o ajuste das contas públicas, provocando uma deterioração ainda maior da trajetória da dívida soberana, algo que pode prolongar o cenário vivido em 2015, de forte instabilidade nos preços dos ativos, baixa confiança de empresários e consumidores, recessão econômica e inflação elevada. Por falar em inflação, diante da perspectiva de um IPCA próximo de 11% em 2015, e de expectativas para o 2016 se aproximando dos 7%, o Banco Central tem demonstrado, através das comunicações de seus diretores, e da própria decisão não unânime na reunião do final de novembro do COPOM, que se tornou provável uma retomada do ciclo de alta da taxa Selic em janeiro, mesmo diante de uma forte recessão, que em teoria deveria provocar um alívio nos preços. No balanço de riscos, o risco de deterioração das expectativas futuras de inflação tem ganhado bastante peso, o que sustenta a tese de elevação dos juros. Porém, é um assunto controverso, diante da elevação do custo fiscal para um governo que já se encontra em situação bastante delicada.
Por fim, os dados macroeconômicos divulgados em dezembro continuaram a mostrar um quadro de atividade bastante frágil, embora tenham (ao menos) em sua maioria, superado as estimativas de analistas (o que sugere que o nível de pessimismo dos agentes permanece em níveis muito elevados). Só como exemplo, as vendas a varejo de outubro registraram alta, contrariando a mediana das estimativas que apontava para queda, e o desemprego medido pelo IBGE recuou para 7,5% em novembro (a estimativa era de que superasse 8%). De
Dezembro/2015
qualquer forma, a comparação dos dados mais recentes com os níveis observados no final de 2014 reforça a perspectiva de que o PIB sofrerá a maior retração desde o início do plano Real. De todas as variáveis econômicas, as únicas que estão de fato mostrando uma melhora consistente são aquelas relacionadas ao setor externo, que tem mostrado um forte ajuste ao longo deste ano, seja pela forte desvalorização da moeda, seja pelos efeitos da recessão sobre o consumo de importados. Assim, temos observado uma redução da dependência dos recursos de curto prazo (aplicações financeiras em renda fixa e variável) para financiar o balanço de pagamentos, o que diminui a vulnerabilidade externa do país. O importante daqui para frente é monitorar os efeitos da recessão e perspectiva futura para o país sobre os investimentos diretos, que até o momento foram pouco impactados. Em síntese, exceção feita ao setor externo, os números mais recentes continuam a demonstrar uma perspectiva desafiadora para a economia brasileira em 2016. Não à toa, o rating da dívida soberana Brasileira sofreu o rebaixamento por mais uma das três principais agências de classificação, a Fitch. Assim, perdemos em definitivo o status de grau de investimento.
O que olhar neste mês
Para o próximo mês esperamos que os EUA permaneçam no seu processo de consolidação da atividade econômica, o que referenda a decisão tomada pelo Fed na elevação de taxa de juros. É claro que devemos nos recordar que o primeiro trimestre é um período sazonalmente desfavorável para alguns indicadores, uma vez que o inverno rigoroso no hemisfério norte acaba comprometendo alguns setores da economia. Em relação à Europa, a atenção vai para os próximos passos do BCE, que em tese deve “turbinar” seu programa de quantitative easing, ainda que o processo deflagrado pelo Fed já tenha dado uma boa ajuda em sua missão de desvalorizar o Euro (gerando inflação e tornando suas exportações mais competitivas). Alias, gerar inflação também deverá ser, mais uma vez, a meta do BOJ. O país nipônico tem vivido um processo decenal na espiral baixa inflação – baixo crescimento.
Quanto aos emergentes, desde 2014 esses países vem enfrentando um ambiente econômico desfavorável principalmente devido a três ajustes fundamentais na economia global: i) queda do preço das commodities, ii) fortalecimento do dólar, e iii) a aproximação do processo de elevação da taxa de juros básica nos Estados Unidos. Ainda que boa parte desses ajustes já esteja em estágios avançados ou, ao menos, relativamente bem precificada pelos mercados (como mostrou a reação tranquila à alta do Fed) não esperamos nenhuma reversão dessas tendências no curto ou médio prazo, o que por si só já apontaria para um cenário não benigno para os países emergentes ao menos na primeira metade de 2016.
Ademais, acreditamos que outros dois elementos ainda estão em estágios iniciais de ajuste: o processo de desalavancagem do crédito nas economias emergentes e a reversão da tendência de apreciação da moeda chinesa (yuan). Com efeito, durante o boom dos preços de commodities e com juros bastante reduzidos nos países desenvolvidos, a maior parte das economias emergentes registrou elevação substancial do crédito (tanto de companhias e famílias, quanto em alguns casos do governo) que atingiu níveis excessivos em muitos casos. Além disso, o yuan acompanhou a tendência de apreciação do dólar até poucos meses atrás, quando o governo daquele país promoveu uma pequena desvalorização da moeda
¬ e nossa avaliação é que embora nenhum movimento irá ocorrer de forma abrupta, a tendência futura é de alguma depreciação gradual da moeda, o que representa uma restrição relevante para países que até recentemente registraram algum ganho de competitividade em relação à China.
No mês de janeiro poderemos ver algum alívio no cenário político, diante do recesso parlamentar. Diante disso, as informações econômicas tendem a ganhar maior importância, com destaque para:
- o pontapé inicial da gestão de Nelson Barbosa no ministério da Fazenda. É forte a expectativa por anúncios de medidas, que indiquem qual o caminho que a política econômica seguirá daqui para frente. O desafio do novo ministro será conseguir lançar mão de alternativas que busquem mitigar os efeitos da recessão, e ao mesmo tempo não abandonar o ajuste fiscal, necessário para que a dívida pública volte a mostrar uma trajetória sustentável no longo prazo. Portanto, acompanhada de eventuais medidas de estímulo no curto prazo, acreditamos que é necessária e urgente uma agenda de reformas mais estruturais, em especial naquilo que envolve os gastos com previdência.
- A decisão de juros do BC em seu primeiro comitê de política monetária (COPOM) do ano. As opiniões em torno da necessidade de novas elevações da taxa básica de juros (Selic) em 2016 estão bastante dividas entre analistas. Para boa parte deles, a alta dos juros é fundamental para evitar deterioração adicional das expectativas futuras de inflação, que em última análise dificultará ainda mais a convergência da inflação para a meta nos próximos anos. Por outro lado, muitos deles acreditam que o problema do Brasil é essencialmente fiscal e, portanto a elevação dos juros, embora ainda ajude a conter a inflação, tem uma eficácia cada vez menor, e a um custo muito elevado para o governo, que no curto prazo piora ainda mais a situação da dívida pública. Enfim, como não há consenso, qualquer que seja a decisão do BC, esta terá o potencial de provocar fortes ajustes nos mercados. A monitorar.
Estratégia de Investimento
Renda Variável
O mês de dezembro foi marcado pela contínua piora no preço do petróleo e do minério de ferro, o que acabou influenciando negativamente os setores de mineração/siderurgia e energia ao redor do mundo. O último mês do ano foi onde o FED (Banco Central Americano) iniciou o seu processo de normalização dos juros e deixou claro que novos aumentos virão em 2016 (o mercado futuro projeta duas elevações ao longo do próximo ano); o BCE (Banco Central Europeu) indicou que muito provavelmente vai aumentar o poder mensal do QE em 2016 (hoje esse montante é de 60 bilhões de euros e muito provavelmente irá para algo entre 65/75 bilhões de euros); o Japão vem mostrando intenções de estimular a economia já no começo de 2016 e a China muito provavelmente vai continuar a desvalorizar a sua moeda juntamente com estímulos fiscais e monetários, com objetivo de continuar crescendo a uma taxa anual próxima de 6,5%/7%. Vindo para o Brasil, a contínua piora do quadro político e números muito fracos da economia, além da pressão inflacionária e a necessidade de ajustar a taxa real de juros as condições atuais de mercado, continuaram a fazer preço na bolsa brasileira e no mercado de juros futuro. Uma recessão econômica estimada em 3,7%, disparada de 50% do dólar, tombo das commodities, perda do grau de investimento, as intermináveis consequências da Operação Lava-Jato e a crise política. O ano que passou foi muito ruim com o mercado de capitais brasileiro, e o segmento acionário foi um dos que mais acusaram o golpe. O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) vai encerrar com a terceira queda anual consecutiva. O Ibovespa, que reúne as principais ações brasileiras, recuou 3,92% em dezembro, puxado para baixo sobretudo pela desvalorização de ações do setor bancário, da Petrobras e da Vale, que têm maior peso no indicador. A perda acumulada no ano foi de 13,30%. Isso torna o desempenho da Bolsa brasileira o pior entre os principais índices acionários do mundo em 2015. Quando o Ibovespa é analisado em dólar, parâmetro importante para determinar seu valor aos olhos de investidores internacionais, o quadro é pior. Com a depreciação do real, o índice registrou recuo de 40,35%, o pior desempenho anual desde 2008. Naquele ano, quando a eclosão da crise financeira global derrubou o valor dos ativos e a aversão a risco levou à apreciação da moeda americana, a Bolsa brasileira despencou 55,33% em dólar. Mas o nível do Ibovespa em dólar é o menor desde 2005. Esse quadro ruim deverá permanecer ainda no começo de 2016. Seria muito importante a volta da confiança dos investidores internacionais no Brasil.
Iniciar o processo de alta dos juros para ancorar as expectativas inflacionárias e uma agenda positiva no Congresso Nacional, com objetivo de fazer as reformas necessárias para o crescimento do país e, principalmente, entregar resultados fiscais sólidos ao longo do ano, a fim de voltar a gerar a confiança de curto, médio e longo prazo que os investidores tanto prezam na hora de investir em ativos de risco. Apesar da queda vista no último ano, o Ibovespa não se encontra em um patamar atrativo (P/L estimado para 2016 próximo da média histórica), além da taxa de desconto ser ainda elevada. Sendo assim, continuamos olhando para investimentos em renda variável no exterior, onde podemos enxergar valor e crescimento dos lucros das empresas (em especial nos EUA e regiões onde deveremos ver estímulos monetários em 2016 - Europa, China e Japão).
Posição Atual: Under Over
Renda Fixa
Dezembro foi um mês de bastante volatilidade no mercado de juros, com várias noticias importantes afetando as expectativas futuras. O início do mês foi marcado pelas especulações em torno saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda, e pela declaração do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reafirmando a independência da instituição na condução da politica monetária, sinalizando que o Banco Central não hesitará em elevar os juros para fazer a inflação convergir à meta de 2017 mas mantendo a inflação de 2016 abaixo do teto de 6,5%. Com isso o mercado precificou aumentos em 2016 de quase dois pontos percentuais. Após o andamento do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara, na mesma semana que ocorreriam fatos importantes como a elevação de juros nos EUA e a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no Congresso, as taxas recuaram devolvendo as altas registradas anteriormente. Em seguida a agencia Fitch rebaixou o rating do Brasil abaixo do grau de investimento, movimento já esperado pelo mercado e que não teve tanta relevância sobre as taxas. No final do mês, depois da oficialização de Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda, substituindo Joaquim Levy, o cenário foi marcado por mais incerteza no mercado futuro de juros. Apesar do discurso de Barbosa, prometendo manter o esforço para o ajuste fiscal, após a divulgação de dados ruins do setor público, as taxas dos contratos futuros subiram de forma consistente, em meio ao aumento da aversão ao risco. O mês encerrou com a curva de juros mais alta (40-50bps), tanto nos DI´s futuros quanto nos cupons reais das NTN-Bs.
Pós-Fixado: Under Over Pré-Fixado e Inflação: Under Over
Moedas
O ano de 2015 foi marcado pelo fortalecimento do dólar ao redor do mundo (DXY +7,94%), num ambiente de queda generalizada das commodities, juntamente com a desaceleração da economia chinesa e início de normalização da taxa de juros nos EUA. As moedas de países emergentes foram as mais impactadas no ano, e dentre elas, o real brasileiro foi destaque de queda (-32,77%), e só não foi pior que o peso argentino (-34,02%) que passou por uma maxidesvalorização de mais de 30% após o presidente Mauricio Macri assumir. O rand sul- africano (-25,67%), peso colombiano (-25,17%), e rublo russo (-20,30%) também tiveram variações significativas durante o ano. No mundo desenvolvido, os principais destaques negativos foram dos países ligados a commodities – dólar canadense (-16,35%), coroa norueguesa (-15,50%), dólar neozelandês (-12,62%) e dólar australiano (-10,95%). As principais divisas internacionais, o euro (-10,06%), a libra esterlina (-4,79%) e o Iene (-0,86%), e o franco suíço (+0,01%) tiveram desempenhos mistos com destaque para o euro. O cenário de dólar forte deve permanecer em 2016 e as divisas emergentes, particularmente de países latino americanos e asiáticos, parecem ser as mais frágeis e devem seguir pressionadas. Uma nova desvalorização do yuan chinês, com intenção de estimular a competitividade do país, pode ter desdobramentos importantes para as moedas de países que dependem da segunda maior economia do mundo. Seguimos com posição comprada no dólar americano e continuaremos a monitorar a ocorrência de movimentos exagerados no mercado para ajustar taticamente nossa exposição.
Posição Atual: Under Over
Multiestratégia
Dezembro foi um período no qual os ativos de risco apresentaram forte oscilações em seus preços. No âmbito doméstico, a volatilidade vista nos mercados foram por conta do cenário político conturbado, com saída do Ministro da Fazendo Joaquim Levy e entrada do Nelson Barbosa em seu lugar. Enquanto isso, o Banco Central brasileiro segue afirmando certa independência em seus discursos, mostrando possibilidade de mais um ciclo de alta nos juros. No escopo internacional, destaque para o Fed (Banco Central americano) que iniciou processo de elevação de juros. Neste ambiente, a estratégia MACRO acabou com desempenho abaixo do CDI no mês, principalmente os gestores com maior exposição nos ativos domésticos, com apostas no mercado de Renda Fixa ou câmbio. Já os gestores que concentraram o risco nos mercados internacionais, estes, em sua maioria conseguiram bons resultados no mês. O destaque foram os fundos de ARBITRAGEM que conseguiram capturar bons retornos através de distorções que a atual volatilidade causou nos preços dos ativos.
Os fundos LONG SHORT, com posições compradas e vendidas no mercado de Renda Variável, também conseguiram bons resultados. Continuamos mais defensivos neste momento, preferindo gestores com maior exposição no mercado internacional ou que trabalham com posições mais táticas.
Posição Atual: Under Over
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