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2 Materiais e métodos

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Academic year: 2022

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33 Resumo: O presente artigo é resultado de estudo sobre vícios comuns que freqüentemente ocorrem na Construção Civil, ocasionados principalmente pela falta ou má qualifi cação dos profi ssionais da área.

Objetiva-se destacar a importância de todo o processo construtivo, desde a fase da concepção até a utilização da edifi cação. Para isso, realizou-se uma pesquisa baseada em um estudo de caso em uma residência que apresenta uma série de patologias originadas por falhas comuns. As mesmas foram identifi cadas, documentadas, com coleta de informações sobre sua execução e análise de amostras em laboratório utilizando-se metodologia científi ca, que exemplifi cam os Vícios na Construção Civil.

Palavras Chave: vícios na construção, patologias, estudo de caso

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Introdução

Defi nida a necessidade de se construir uma obra de Engenharia Civil oferecendo as garantias de uma construção sólida, resistente, de custos justos e de qualidade, há de se estabelecer o tempo e o correspondente custo de garantia da continuidade de desempenho satisfatório da mesma, o que impli- ca a adoção de um sistema de manutenção adequado. Isto é, a defi nição prévia, em nível de etapa de concepção, da vida útil da construção.

Sabemos da importância dos cuidados que devem ser tomados quando se trata da construção de uma estrutura, seja ela habitacional, comercial, unifamiliar ou multifamiliar. Todo e qualquer tipo de obra deve receber atenção em todas as suas etapas. Isso, porém, muitas vezes não ocorre, por vários motivos que se caracterizam como vícios da construção civil.

2 Materiais e métodos

Foram adotados métodos para a elaboração deste artigo como: visitas ao local, documentação foto- gráfi ca, pesquisas bibliográfi cas, ensaios em laboratórios para análise de amostras retiradas da estrutura em estudo, que apresenta problemas patológicos gerados por vícios de construção.

No Brasil a construção civil costuma ser elaborada de maneira pragmática. Na maioria dos casos são realizadas sem preocupação com alguns fatores importantes como: elaboração de projetos, acom- panhamento por Responsável Técnico ou Engenheiro, controle de qualidade da mão-de-obra e dos materiais empregados.

João Batista B. da Fonseca; Profª. Cláudia Regina Silveira;

Jair Luis A. S. Filho; José Antonio Bourscheid Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina - IF-SC Av. Mauro Ramos, 950, Florianópolis/SC. CEP 88020-300 E-mail: [email protected]

Guilherme Schuch; Maria Lúcia da Silva;

Luana Moreira Camerini Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia

de Santa Catarina - IF-SC Av. Mauro Ramos, 950, Florianópolis/SC. CEP 88020-300 E-mail: luafl [email protected]

PAT O L O G I A S G E R A D A S P O R V Í C I O S

N A C O N S T R U Ç Ã O C I V I L

P A T O L O G I A S G E R A D A S P O R V Í C I O S N A C O N S T R U Ç Ã O C I V I L

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A construção estudada, não foi diferente; no ato de sua realização, o proprietário não contou com a elaboração de um projeto, nem com o acompanhamento de Responsáveis Técnicos e profi ssionais qualifi cados.

Inicialmente acreditou-se na hipótese do dano ter sido causado por problema estrutural (erro de dimensionamento, sobrecarga). Na seqüência, o caso foi discutido com orientadores. Por fi m, verifi cou- se que o problema não era somente estrutural, mas, um conjunto de problemas causados por vários fatores comuns em obras civis, que caracterizam os vícios da construção civil.

Segundo o proprietário, em 1992 foi realizada edifi cação de 18m² de uma estrutura engastada a casa a partir de uma sacada de 1,20m.

Aproximadamente cinco anos depois, os pilares começaram a apresentar fi ssuras e trincas e co- meçaram a desprender blocos do concreto deixando expostas as ferragens, a ponto de alguns pilares estarem com os ferros principais aparentes.

O mesmo está ocorrendo com as vigas.

Há também uma reação nas colunas que sustentam a sacada, pois, em suas ferragens foram “amar- rados” os ferros da esteira, que foi montada sobre os vigotes. Esta reação ocasionou a formação de uma trinca de 0,2mm na parte superior na laje, exatamente onde existe a viga principal.

Durante a visita foram ainda constatados:

• Ninhos existentes na junção do pilar com a viga. Verifi cação nítida do acúmulo de brita, e a exis- tência de microorganismos vivos, como os musgos verdes.

• Trincas de até 1,5 mm no sentido horizontal (comprimento da armadura) da viga que sustenta a sacada ao qual foi engastada a nova laje. Através desta trinca é possível verifi car o acúmulo de óxido de ferro em algumas partes, ou seja, a expansão da bitola da barra de aço.

3 Resultados e discussões

Salvo os casos correspondentes à ocorrência de catástrofes naturais, em que a violência das solici- tações, aliada ao caráter marcadamente imprevisível das mesmas, será o fator preponderante, os pro- blemas patológicos têm suas origens motivadas por falhas que ocorrem durante a realização de uma ou mais das atividades inerentes ao processo genérico a que se denomina de construção civil, processo este que pode ser dividido, em três etapas básicas: concepção, execução e utilização (SOUZA e RIPPER, 1998, p. 22).

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35 Em 1988, Carmona & Marega realizaram um amplo levantamento no Brasil que indicaram a inci- dência dos principais problemas patológicos das estruturas de concreto quanto à sua origem. Observou- se que deveria ser dada atenção para o controle de execução das obras de concreto, ou seja, para a qualidade da mão de obra.

Conhecidas ou estimadas as características de deterioração do material concreto e dos sistemas estruturais, entende-se como durabilidade o parâmetro que relaciona a aplicação destas características a uma determinada construção, individualizando-a pela avaliação da resposta que dará os efeitos da agressividade ambiental, e defi nindo, então, a vida útil da mesma.

Conforme os diversos estudos e pesquisas realizados sobre concreto, pôde-se analisar e identifi car as defi ciências da obra estudada.

É sabido que a relação água/cimento utilizada no traço do concreto deve variar entre 0,50 e 0,70.

Neste caso, segundo análise laboratorial, utilizou-se 0,92, ou seja, um valor muito superior ao desejado, o que resultou um concreto poroso, com 10% de índice de absorção, proporcionando assim a segrega- ção do mesmo, dando margem ao aparecimento de falhas na concretagem, ou, nichos.

Além do concreto de má qualidade, a concretagem também não foi bem executada. Verifi cou-se a falta de cobrimento necessário, pois hoje a Norma exige que se utilize cobrimento de no mínimo 2 cm, e a do caso descrito era inferior a 1 cm.

Estes fatores facilitaram a penetração da água que chegou até as armaduras e iniciou um proces- so de corrosão. Como a estrutura encontra-se em local aberto, e não apresenta nenhuma forma de revestimento de proteção (por exemplo, pintura), é evidente que a mesma estaria sujeita a sofrer este processo.

A formação da pilha eletrolítica já está em processo avançado, comprometendo a estrutura. Nos pilares e vigas, as ferragens expandiram e já romperam o concreto que, em alguns locais já se desprende da estrutura sem qualquer esforço.

Outro fato observado foi à falta de uma junta de dilatação, ou até mesmo a falta de armadura ne- gativa na união na estrutura da laje nova com a da sacada. Esta falha acarretou uma trinca na parte su- perior da laje, onde está infi ltrando água. As armaduras da viga que se encontram logo abaixo da trinca já estão sofrendo processo de corrosão também. Já aparecem trincas na viga e pilares que sustentam a mesma e manchas de ferrugem na viga.

Após rigorosa analises para identifi car a causa da patologia deve ser atribuído o tipo de tratamento a ser aplicado, o que dependerá da anomalia detectada.

Também é importante defi nir se a estrutura passará por recuperação, reforço, ou por ambos os pro- cessos. A recuperação é o retorno da integridade das peças estruturais incluindo a vida útil inicial. Já os reforços pressupõem a perda da resistência residual, ou seja, a estrutura não atende mais às solicitações de projeto. Assim, nem sempre o reforço é recomendado para elementos em estágio avançado de de- generação onde a recuperação é importante.

Na hipótese da recuperação a solução é a recomposição da geometria das peças antecedida do tratamento do substrato de concreto deteriorado e das armaduras. Como geralmente o problema é a oxidação das armaduras, é necessário conter o processo e aplicar produtos inibidores, que impedem o progresso das reações de corrosão. A recomposição é feita de acordo com a necessidade, com argamas- sas pré-dosadas, tixotrópicas e/ou concretos aditivados.

A metodologia tradicional para reforçar uma estrutura debilitada é o aumento das seções dos ele- mentos resistentes tais como: vigas, pilares e lajes, para elevar a capacidade de carga da estrutura. Nesse caso, uma nova camada de concreto é aplicada à superfície existente com o objetivo de produzir um elemento monolítico. Argamassas também são empregadas, assim como, polímeros particularmente em ambientes susceptíveis a ataques químicos.

4 Conclusão

A execução desta obra é um retrato de como ainda são realizadas as pequenas construções no Bra- sil, onde em busca de economia, opta-se por contratar simples pedreiros, ou qualquer profi ssional sem qualifi cação, para a execução e acompanhamento, inclusive na função de Responsável Técnico, sem oferecer qualquer segurança ao cliente no que se refere à estabilidade e durabilidade da obra, podendo

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causar riscos e prejuízos materiais e humanos.

Faz-se necessário então que seja dada a devida importância para todas as etapas da execução de uma edifi cação, evitando-se desta forma os vícios na construção civil.

É importante também que estes valores sejam incorporados aos conceitos dos profi ssionais da área, para que seja dada a devida atenção e responsabilidade para com suas obras e conseqüentemente seus clientes.

5 Referências

SOUZA, Vicente Custódio Moreira de; RIPPER, Thomas. Patologia, Recuperação e Reforço de Etrutu- ras de Concreto. Editora Pini, São Paulo, 1998.

HELENE, Paulo; et al. Manual de Reabilitação de Estruturas de Concreto: Reparo, Reforço e Proteção.

Red Rehabilitar Editores, São Paulo, 2003.

ANDRADE, Carmem. Manual para Diagnóstico de Obras Deterioradas por Corrosão de Armaduras.

Editora Pini, São Paulo, 1992.

BOTELHO, Manoel Henrique Campos. Concreto Armado Eu Te Amo: para arquitetos. Edgard Blücher Editora, São Paulo, 2006.

GIAMMUSSO, Salvador E. Manual do Concreto. Editora Pini, São Paulo, 1992.

NEVILLE, Adam N. Propriedades do Concreto. Editora Pini, São Paulo, 1997.

VERCOZA, Enio José. Patologia das Edifi cações. Editora Sagra, Porto Alegre, 1991.

Responsabilidade de autoria

As informações contidas neste artigo são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões nele emitidas não representam, necessariamente, pontos de vista da Instituição.

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