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PARTICIPAÇÃO EM SAÚDE E O PANORAMA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA RESUMO

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Academic year: 2022

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PARTICIPAÇÃO EM SAÚDE E O PANORAMA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA

RESUMO

A  participação  em  saúde  é  uma  das  diretrizes  constitucionais  do  sistema  de  saúde  brasileiro. Passados mais de 25 anos da promulgação da Constituição Brasileira, mostrou­

se  necessário  proceder  uma  investigação  com  o  objetivo  de  verificar  se  a  produção  científica  sobre  o  tema  da  participação  em  saúde  ainda  é  assunto  que  se  encontra  presente  nas  publicações  nacionais.  A  relevância  do  tema  para  o  âmbito  do  direito  sanitário é inegável, vez que no Brasil, é impossível dissociar o reconhecimento da saúde  enquanto  um  direito  de  cidadania    da  participação  popular.  Empreendeu­se  uma  revisão  bibliográfica feita na Scientific Electronic Library Online (SciELO), das produções de artigos  científicos  publicados  no  período  de  2010  –  2014.  Os  resultados  demonstram  que  brasileiros e estrangeiros continuam pesquisando e publicando na temática da participação  em saúde. 

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PARTICIPAÇÃO EM SAÚDE E O PANORAMA DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA

Sandra Mara Campos Alves1

INTRODUÇÃO

A  participação  em  saúde  é  temática  que  sempre  ocupa  papel  de  relevância  na  discussão das políticas de saúde brasileiras. A Constituição Federal Brasileira promulgada  em  05  de  outubro  de  1988  ao  estabelecer  o  princípio  democrático  de  que todo  poder  emana do povo (art. 1º, § único), privilegiou a participação da sociedade civil não apenas  na escolha dos líderes, mas na discussão, problematização, questionamento e proposição  de  alternativas,  propiciando  a  participação  ativa  dos  cidadãos  no  processo  político  e  nas  tomadas de decisões. 

No campo da saúde, a participação da sociedade civil é anterior ao texto político. 

Mesmo  nos  períodos  de  ausência  de  democracia,  marcados  pela  intensa  repressão  de  qualquer  forma  de  mobilização  social,  e  extinção  de  mecanismos  democráticos  de  representação política, o movimento sanitário se mostrava atuante e combativo (FLEURY,  2004)

O movimento conhecido como ‘reforma sanitária’ defendia uma política de saúde  universal,  equânime,  onde  o  acesso  aos  serviços  e  ações  de  saúde  não  estivessem  atrelados ao trabalho formal. Ademais, defendia a construção da política pública por meio  da participação popular (FLEURY e MENDONÇA, 1995).

O movimento sanitário era composto não apenas por profissionais do sistema de  saúde, mas por intelectuais, movimentos populares em sua mais ampla diversidade e por  parcela  da  burocracia.  Todos  em  torno  de  um  objetivo  único,  a  luta  por  um  sistema  universal público e gratuito (FLEURY e MENDONÇA, 1995).

Essa  movimentação  no  campo  político  e  social  foi  o  pano  de  fundo  para  a  realização da 8ª Conferência Nacional de Saúde, que se constituiu como marco histórico  para a origem do Sistema Único de Saúde ­ SUS, formalizado na Constituição de 1988.  

1  Advogada,  Especialista  em  Direito  Sanitário,  Mestre  em  Política  Social  e  Doutoranda  em  Saúde  Coletiva  pela  Universidade  de  Brasília.  Pesquisadora  Colaboradora  do  Programa  de  Direito  Sanitário  da  Fundação  Oswaldo  Cruz  Brasília – Brasil. Email: [email protected]

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Originou­se assim o Sistema Único de Saúde (SUS), no meio de intenso debate  político e social, organizado segundo as diretrizes constitucionais da descentralização, com  administração única em cada esfera de governo; integralidade no atendimento do usuário; 

sendo priorizadas as ações preventivas, sem prejuízo das assistenciais e da participação  da comunidade. 

Após a inscrição no texto constitucional da diretriz da participação da comunidade  na  saúde,  seguiu­se  uma  ampla  regulamentação  infraconstitucional  e  infralegal  sobre  o  assunto, e inúmeros trabalhos acadêmicos começaram a ser realizados com o objetivo de  estudar,  compreender  e  analisar  o  fenômeno  da  participação  da  comunidade  na  construção do sistema de saúde brasileiro. 

Passados mais de 25 anos da promulgação da Constituição Brasileira, necessário  proceder  uma  investigação  com  o  objetivo  de  verificar  se  a  produção  científica  sobre  o  tema  da  participação  em  saúde  ainda  é  tema  que  se  encontra  presente  nas  publicações  nacionais, no período de 2010 – 2014.

A  relevância  do  tema  para  o  âmbito  do  direito  sanitário  é  inegável,  vez  que  no  Brasil, é impossível dissociar o reconhecimento da saúde enquanto um direito de cidadania   da participação popular. 

METODOLOGIA

Trata­se  de  revisão  bibliográfica  feita  na  Scientific  Electronic  Library  Online  (SciELO),  que  reúne  uma  ampla  coleção  de  periódicos  científicos  brasileiros,  e  está  disponível no  endereço www.scielo.br.

Foram  utilizados  descritores  específicos  para  selecionar,  no  campo  índice  de  assuntos, os artigos publicados no período de 2010 – 2014. 

Uma vez que o vocábulo participação apresenta conceito polissêmico que permite  várias interpretações (GOHN, 2003), foi utilizado um grande número de descritores com o  objetivo  de  abranger  o  maior  número  de  publicações  sobre  o  tema  da  participação  em  saúde. 

Os descritores utilizados foram: (i) participação da comunidade; (ii) participação da  sociedade civil; (iii) participação democrática; (iv) participação do paciente; (v)participação  dos  cidadãos;  (vi)  participação  dos  usuários;  (vii)  participação  e  saúde;  (viii)  participação  popular;  (ix)  participação  popular  em  saúde;  (x)  participação  social  na  saúde;  (xi)  participação;  (xii)  participacion  ciudadana;  (xiii)  participacion  del  paciente;  (xiiii) 

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participacion  en  salud;  (xv)  paticipacion  popular,  (xvi)  participacion  social;  e  (xvii)  participacion social en salud.

Essa  diversidade  de  descritores,  também  propiciou  uma  grande  repetição  de  artigos  científicos.  Todavia,  quando  da  sistematização  dos  dados  na  tabela  excel,  essas  repetições foram excluídas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Dos  31  artigos  selecionados,  observou­se  que  o  tema  da  participação  em  saúde  teve uma produção constante no período de 2010­2013, com um aumento significativo no  ano de 2014 (gráfico 1).

Gráfico 1: produção científica sobre o tema da participação em saúde por ano de publicação

5

6

4

6

10

0 2 4 6 8 10 12

2010 2011 2012 2013 2014

Ano de publicação

Quantidaddartigos

Fonte: elabora pela autora

Esse  aumento  pode  ser  atribuído  ao  suplemento  especial  do  periódico  Interface­

Comunicação,  Saúde  e  Educação,  publicado  em  dezembro  daquele  ano,  abordando  o  tema  da  Educação  Popular  em  Saúde.  Dos  5  (cinco)  periódicos  que  no  ano  de  2014  apresentaram publicações sobre participação em saúde, a referida revista continha 6 (seis)  artigos.

O  tema  da  participação  no  setor  saúde  precede  o  próprio  reconhecimento  do  direito  à  saúde  na  Constituição  Brasileira  de  1988,  quando  o  movimento  da  Reforma  Sanitária defendia um novo modelo de saúde pública para o Brasil, e que tinha, entre seus 

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elementos  informadores  a  participação  da  comunidade  no  processo  de  construção  e  avaliação das políticas públicas de saúde.

Demo  (1988)  afirma  que  a  participação  é  o  eixo  político  central  das  políticas  sociais,  reconhecendo  seu  caráter  instrumental  e  metodológico.  Para  o  referido  autor,  a  concretização da participação está intimamente ligada com a questão de poder, uma vez  que participação é uma outra forma de poder.

A  importância  do  estudo  do  fenômeno  da  participação  no  setor  saúde  pode  ser  comprovada  não  apenas  pelo  quantitativo  de  publicações  produzidas,  bem  como  pela  diversidade  de  periódicos  científicos  que  dedicaram  espaços  para  a  veiculação  desse  assunto (gráfico 2).

  Gráfico 2: produção científica sobre o tema da participação em saúde por periódico científico (2010 – 2014)

1 1 1 1 1 1 1 1 1

2 2 2

4

5

7

0 1 2 3 4 5 6 7 8

Arq. Bras. Cardiol.

Esc Anna Nery Psicol. Soc.

Rev. bras. enferm.

Rev. esc. enferm. USP Rev. Katál.

Rev. Saúde Pública Saúde debate Texto contexto ­ enferm.

Cad. Saúde Pública Estud. psicol. (Natal) Physis Saude soc.

Ciênc. saúde coletiva Interface

Perdicocienficos

Artigos publicados

Fonte: elabora pela autora

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Importante ainda salientar que o tema é sensível para todos os profissionais que  direta ou indiretamente atuam na política pública de saúde, pois a participação em saúde  envolve  os  diversos  ciclos  de  formação,  implementação  e  avaliação  da  política,  sendo  imprescindível  a  articulação  entre  os  diversos  atores  sociais  que  compõem  os  poderes  públicos e a sociedade civil.

Para tanto, utiliza­se o conceito de sociedade civil utilizado é aquele apresentado  por  Dagnino  et  alli  (2006)  que  concebe  uma  sociedade  civil  heterogênea,  pondo  fim  ao  modelo dicotômico de sociedade civil homogênea e virtuosa em contraposição ao Estado  igualmente homogêneo e repleto de vícios.

A  pesquisa  corrobora  bem  essa  necessidade  de  articulação  dos  diversos  atores  uma vez que demonstrou, em seus resultados, que os autores dos periódicos examinados  estão  ligados  não  apenas  as  instituições  de  ensino  acadêmicas  (universidades  e  faculdades), mas também as escolas de formação profissional, órgãos do Poder Executivo  e Organizações Não Governamentais.

Neste ponto destaca­se ainda a presença não apenas de autores provenientes de  instituições  nacionais,  mas  também  estrangeiras,  reforçando  o  grande  valor  do  assunto  objeto  da  pesquisa.  O  trabalho  revelou  ainda  que  esses  autores  estrangeiros  algumas  vezes publicaram em co­autoria com autores advindos de instituições nacionais, e algumas  vezes  apresentaram  produções  exclusivas  de  autores  de  instituição  estrangeiras  (gráfico  3).

Gráfico 3: Quantidade e categorias de instituições as quais os autores das publicações estão vinculados 27

4

8

1 5

1 0 1

0 5 10 15 20 25 30

Universidade Escola de Saúde Pública

Poder executivo Organização Não Governamental Instituição

Quantidaddinstituões

Nacional Estrangueira

Fonte: elabora pela autora

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Uma vez que a pesquisa empreendida foi realizada em base de dados que reúne  exclusivamente  periódicos  científicos  brasileiros,  a  presença  de  autores  vinculados  a  instituições estrangeiras pode ter uma dupla interpretação. Primeiramente, a relevância do  tema não apenas no âmbito nacional, mas também no cenário internacional, vez que estão  presentes instituições da América do Sul, América do Norte e Europa.

Outra  interpretação  que  pode  ser  dada  é  o  reconhecimento  dos  periódicos  brasileiros  como  importante  veículo  para  a  disseminação  e  discussão  da  produção  científica sobre participação em saúde.

Gráfico 4: Produção científica realizada por autores vinculados a instituições estrangeiras

1 1 1 1 1

2

0 1 2 3

CANADÁ CHILE ESPANHA PORTUGAL VENEZUELA MÉXICO

Instituões estrangueiras

Quantidade de países publicantes Fonte: elabora pela autora

Por  fim,  tendo  como  norte  o  panorama  nacional,  a  distribuição  da  produção  científica  se  concentra  na  Região  Sudeste,  seguida  das  regiões  Nordeste,  Sul  e  Centro  Oeste. Não se observou nenhuma produção advinda de região Norte.

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Gráfico  5:  Produção  científica  realizada  por  autores  vinculados  a  instituições  nacionais,  por  unidade  da  federação

1 1 1 1

2 2

3

4 5 5

6

9

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

DISTRITO FEDERAL GOIAS MATO GROSSO PARAÍBA RIO GRANDE DO SUL SANTA CATARINA BAHIA ESPÍRITO SANTO MINAS GERAIS RIO DE JANEIRO CEARÁ SÃO PAULO

EstadoBrasileiros

Quantidade de instituições

Fonte: elabora pela autora

CONCLUSÃO

Embora o tema da participação em saúde não seja recente, a produção científica  permanece  despertando  interesses.  De  um  lado,  os  pesquisadores  –  nacionais  e  estrangeiros  ­  que  se  debruçam  investigando  e  tentando  compreender  em  sua  plenitude,  esse complexo fenômeno social. De outro, os periódicos científicos que conferem espaço e  relevância para essa produção ser difundida.

A ampliação da democracia participativa e o reconhecimento de novas formas de  inserção  dos  múltiplos  atores  sociais  na  construção,  implementação  e  avaliação  de  importante  política  pública  significa  não  apenas  uma  redefinição  de  prioridades  políticas,  mas a diferença entre a garantia e a negação do direito à saúde.

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REFERÊNCIAS

DAGNINO, Evelina; OLVERA, Alberto J. e PANFICHI, Aldo. Para uma outra leitura da  disputa pela construção democrática na América latina. In: DAGNINO, Evelina; OLVERA,  Alberto J. e PANFICHI, Aldo (Org.). A disputa pela construção democrática na América  Latina. São Paulo: Paz e Terra, 2006. p. 13­91

DEMO, Pedro.  Participação é conquista. São Paulo: Cortez, 1988.

FLEURY, Sonia. Contra­reforma e resistência. In: Rocha, Denise e Bernardo, Maristela  (Org). A era FHC e o Governo Lula: transição? Brasília, INESC, 2004.

Disponível em: 

http://www.inesc.org.br/conteudo/publicacoes/livros/4GW7inLLkRaDio1vtL3RpN44o0Jj5IxZ / Seguridade%20Social.pdf.  ! Acesso em: 2. set. 2007.

FLEURY, Sonia e MENDONÇA, Maria Helena. Reformas Sanitárias na Itália e no Brasil: 

comparações. In: FLEURY, Sonia (Org). Reforma sanitária: em busca de uma teoria. São  Paulo: Cortez, 1995. p. 193­232.

GOHN, Maria da Glória. Conselhos gestores e participação sociopolítica. 2. ed. São Paulo: 

Cortez, 2003.

Referências

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