THE ROLE OF EMPATHICS IN THE INCLUSION PROCESS FROM THE TEACHER´S VIEWPOINT
Isabelle Pereira Primo
DOCENTE
ISABELLE PEREIRA PRIMO
Artigo apresentado ao Curso de Psicologia do Centro Universitário de João Pessoa – UNIPÊ, como requisito parcial para a obtenção do título de Psicóloga, obtendo
Conceito ____________
Data: ________________
() Aprovada () Reprovada
BANCA AVALIADORA
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Ma. Bárbara Bezerra Arruda Câmara.
(Orientadora – UNIPÊ)
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Profa. Esp. Erika Aranha Fernandes Barbosa (Membro – UNIPÊ)
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Ma. Keila Rebeka Simões Oliveira de Freitas (Membro – UFPB)
A educação inclusiva vem enfrentando dificuldades, tem sido observado a falta de apoio proveniente das instituições para com os seus docentes, resultando em professores não capacitados e que sentem falta de uma formação adequada para conseguirem trabalhar com crianças com deficiência. O presente trabalho objetivou abordar a importância do desenvolvimento do olhar empático do docente no processo de ensino-aprendizagem de todas as crianças. Especificamente, observou como os professores entendem essa habilidade e como ela pode ajudar na inserção da criança no ambiente escolar. Tratou-se de uma pesquisa quanti-qualitativa, que contou com a participação de 32 professores que lecionam nas séries iniciais da Educação Infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental, tendo em vista que nessas séries há um maior vínculo afetivo entre professor e aluno. Para atingir os participantes foi utilizada uma técnica de amostragem não probabilística e não aleatória. Quanto aos instrumentos foi utilizado um questionário eletrônico facilitando a coleta e análise de dados, sendo dividido em duas partes, um referente ao questionário sociodemográfico contendo cinco perguntas e a segunda contendo doze questões específicas. Ao final dessa pesquisa foi possível analisar que os professores compreendem sobre a empatia e quais benefícios ela pode trazer para a educação inclusiva, como também os desafios enfrentados por eles nas instituições.
Palavras chaves: Empatia. Inclusão. Docente.
Inclusive education has been facing difficulties, the lack of support from the institutions towards their teachers has been observed, resulting in untrained teachers and who lack adequate training to be able to work with children with disabilities. This work aimed to address the importance of developing the teacher's empathic gaze in the teaching-learning process of children who are part of Inclusive Education. Specifically, he observed how teachers understand this skill and how it can help the child's insertion in the school environment. It was a quantitative and qualitative research, with the participation of 32 teachers who teach in the initial grades of Early Childhood and Elementary Education, considering that in these grades there is a greater emotional bond between teacher and student. To reach the participants, a non-probabilistic and non-random sampling technique was used. As for the instruments, an electronic questionnaire was used to facilitate data collection and analysis, being divided into two parts, one referring to the sociodemographic questionnaire containing five questions and the second containing twelve specific questions. At the end of this research it was possible to analyze that teachers understand about empathy and what benefits it can bring to inclusive education, as well as the challenges they face in institutions
Keywords: Empathy. Inclusion. Teacher
INTRODUÇÃO
O presente trabalho teve como objetivo abordar a importância do desenvolvimento do olhar empático do docente no processo de ensino-aprendizagem de todas as crianças.
O tema se torna relevante porque há um crescente número de crianças que fazem parte da educação inclusiva adentrando nos cenários educacionais, fazendo-se necessário que as escolas se preparem para o desenvolvimento de um trabalho que realmente propicie o desenvolvimento e a aprendizagem dessas crianças.
O professor tem papel fundamental de mediar esse processo de ensino- aprendizagem, e essa função é primordial para o desenvolvimento da criança com deficiência, influenciando diretamente em seu comportamento. Acredita-se que quando o professor e a instituição trabalham em parceria, compreendendo a diversidade existente em sala de aula, olhando para cada aluno em sua singularidade e especificidades; essas ações podem interferir no desenvolvimento e interação do aluno, resultando em ganhos para o seu desenvolvimento.
Etimologicamente, empatia deriva do alemão Einfühlung, que significa “sentir dentro” ou “sentir em”. Ou seja, a empatia surge do ato de partilhar o sentimento de outro,
“sentir o que o outro sente”. Ela se estabelece como componente emocional, que provém de uma resposta a uma situação afetiva vivenciada pelo outro (PAVARINI; SOUZA, 2010).
É classificada como uma habilidade emocional direcionada ao outro, revelada como um importante meio de conversação e relevante meio de relação afetiva entre os seres. A empatia sobrepõe ao conceito de simpatia, pois a simpatia vem de um vínculo mais distante enquanto a empatia advém de um relacionamento mais íntimo onde inevitavelmente vai ser preciso compreender as causas e justificativas, incitado por vezes de forma involuntária, sem intenção e inconsciente (PAVARINI; SOUZA, 2010).
Sabe-se que a escola, para desenvolver um trabalho eficaz com essas crianças, precisa se adaptar às necessidades delas. Assim, faz-se necessário trabalhar em prol da capacitação dos profissionais que, muitas vezes, vivenciaram uma formação em que a Educação Inclusiva não era ensinada de uma maneira adequada e atual.
As especificações de todos os alunos fazem com que a inclusão dos mesmos na escola dependa de capacitações do corpo docente, que precisam estar em constante busca de capacitações e treinamentos dessas habilidades necessárias, de modo a trazer ganhos significativos na vida dessas crianças.
A inclusão está nos mais diversificados espaços, ela está no ato de incluir e acrescentar. Sendo um modelo de identidade, diferença e diversidade que reflete vantagens sociais favorecendo o surgimento e o estabelecimento de relações de solidariedade e de colaboração (CAMARGO, 2017).
A Lei Brasileira da Inclusão das Pessoas com Deficiência – LBI, Lei n° 13.146, de 2015, também conhecida como Estatuto da Pessoa com Deficiência, definiu no art. 3º as barreiras como sendo quaisquer entraves, obstáculos, atitudes ou comportamentos que limitem ou impeçam a participação social da pessoa, bem como o gozo, a fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à compreensão, à circulação com segurança (SANTOS, 2016).
A Declaração de Salamanca defende e traz a igualdade como direito de todos no que diz respeito a educação de qualidade, onde a escola precisa ser um ambiente onde exista inclusão, no qual possibilite a todos os alunos as mesmas oportunidades e acessos educacionais, e as especificidades de cada um seja olhada de forma igualitária. Nesse mesmo âmbito, a escola que trabalha e acolhe uma educação inclusiva precisa mostrar e prestar um serviço capacitado, criando em seus docentes uma visão mais adequada e de responsabilidade, criando neles sentimentos de colaboração e cooperação com a instituição (SANTOS; TELES, 2012).
Educar para os direitos humanos é bem mais que adicionar um componente novo à pratica formativa e educativa. É na verdade, construir uma nova identidade: a de educador e educadora em Direitos Humanos, o que faz toda a diferença quando se tem em mente uma educação para o exercício da cidadania, para a construção de uma sociedade marcada, definitivamente, pela dignidade de toda a pessoa humana (CANDAU ET AL, 2013, p.82-83 apud MARIUSSI; GISI; EYNG, 2016, p 448).
A interação social é uma ferramenta necessária e significativa a ser desenvolvida na vida do ser humano em geral, e ainda mais importante que seja estimulada na vida de todas as crianças auxiliando na reestruturação da comunicação, emoção e ajustamento mútuo entre os pares de acordo com suas peculiaridades (LEMOS; SALOMÃO;
AGRIPINO-RAMOS, 2014).
A partir dessa perspectiva, é observado que a inclusão e interação social de forma correta e conduzida por profissionais capacitados é a melhor ferramenta que pode ser utilizada para o desenvolvimento dessas crianças, ajudando-as no conhecimento e compreensão de si mesmas (CAMARGO; BOSA, 2009).
Neste sentido, um dos ambientes que pode auxiliar o desenvolvimento social da criança com dificuldade é a escola pois ela possibilita um ambiente de aprendizagem e
realização da prática da inclusão e interação social. Para tanto, faz-se necessário que a escola tenha como objetivo central intermediar a construção do saber e, através de uma metodologia em que o aluno é o protagonista, proporcionar um ambiente de aceitação e compreensão, estimulando o desenvolvimento de todos (NASCIMENTO; CRUZ;
BRAUN, 2016).
Dessa forma, a escola, enquanto ambiente de conquista e desenvolvimento, precisa estar apta e aberta às adaptações necessárias para promover o melhor desenvolvimento de seus alunos, independentemente de suas necessidades individuais (NASCIMENTO; CRUZ; BRAUN, 2016).
A inclusão escolar é o apoio significativo para o favorecimento da interação social. Criar esse apoio possibilitará ganhos significativos no contato social e comunicação, facilitando não só o seu próprio desenvolvimento, mas de todas as outras crianças, contribuindo para que saibam conviver e aprender com as diferenças (CAMARGO; BOSA, 2009).
Uma vez integrada num ambiente adequado, a criança sofre rápidas transformações e alterações: esse é um processo surpreendentemente rápido, porque o ambiente sociocultural pré-existente estimula na criança as formas necessárias de adaptação, há muito tempo criadas nos adultos que a rodeiam (VYGOTSKY; LURIA, 1996 apud ASBAHR; NASCIMENTO, 2013)
A empatia tem como definição a capacidade de se colocar no lugar do outro, a partir de tomadas de decisão e posturas frente a acontecimentos que geram sentimentos de compreensão e de tentar entender uma realidade diferente da sua. Possibilita ao sujeito vivenciar uma perspectiva diferente e interpretar os fatos fora da sua visão de mundo (KOLLER; CAMINO; RIBEIRO, 2001).
Para Rogers, a compreensão Empática é uma das ferramentas fundamentais para a modelagem e estruturação da personalidade, uma habilidade necessária para exercer uma boa relação entre pares (FONTGALLAND; MOREIRA, 2012).
Rogers ainda fala da forma de lidar e acolher os sentimentos do outro, sobre a capacidade de alcançar o outro sem levar em conta a sua realidade, olhando em profundidade e compreensão as experiências e situações do próximo, tornando a relação mais flexível e aberta para um maior compartilhamento de emoções e comportamentos (MOREIRA; TORRES, 2013).
A empatia está ligada à prática de viver e trabalhar sentimentos bons e ruins.
Diante disso, a habilidade empática vem possibilitar uma ótima tarefa com as crianças, ajudando-as a lidar com suas emoções, frustrações, no manuseio da raiva e das diversas
situações enfrentadas no dia-a-dia, tornando-as em indivíduos estruturados e ainda mais empáticos (CECCONELLO; KOLER, 2000).
Diante dessa estruturação emocional da criança, entende-se que assim como é necessário ela aprender a lidar com suas emoções, é importante saber usá-las e conhecer cada uma. Frente a isso, a escola é o espaço onde as crianças passam boa parte de seu cotidiano (COSTA, 2015), sendo, então um lugar onde as crianças devem aprender sobre habilidades socioemocionais também.
Conforme a explicação sobre como o olhar empático possibilita um melhor desenvolvimento, Leite e Tassoni, (2002, p. 13-14) trazem a importância desse olhar e do vínculo afetivo.
Adequar a tarefa às possibilidades do aluno, fornecer meios para que realize a atividade confiando em sua capacidade, demonstrar atenção às suas dificuldades e problemas, são maneiras bastante refinadas de comunicação afetiva. [...] Conforme a criança avança em idade falar da capacidade do aluno, elogiar o seu trabalho, reconhecer seu esforço, constituem formas cognitivas de vinculação afetiva.
Tem se observado um avanço gradativo na percepção da importância em desenvolver e trabalhar essa habilidade empática, tanto em quem está atuando diretamente com o processo de ensino, como nas crianças também. Esse processo empático gera nos indivíduos diferentes pensamentos e análises por cada um conter sua subjetividade, sendo tão crucial o trabalho dessa habilidade na vida das pessoas, principalmente ser desenvolvida desde a infância nas crianças e explorada pela escola (COSTA, 2015).
A afetividade é um exercício primordial em que o sujeito pode envolver-se, sendo uma junção de sentimentos que são experienciados e vivenciados entre pares, ajudando o ser humano a entender e tentar se ajustar a esses sentimentos gerando um controle maior sobre a sua vida emocional (SARNOSKI, 2014).
Murgo, Alves e Francisco (2016, p. 215) dizem que a afetividade se refere “[...]
essencialmente a sentimentos e manifestações de carinho, cuidado e atenção entre as pessoas.”
Neste sentido, pode-se compreender que a afetividade é um composto fundamental das relações interpessoais, adentrando o cenário escolar, tendo em vista que é nele que estas relações são amplamente trabalhadas através da construção da aprendizagem entre discente e docente (SANTOS; JUNTQUEIRA; SILVA, 2016).
A criança por sua vez tende a ser cativada por pessoas do seu convívio estando suscetível a sinais de afetividade dirigidos a elas. É visto de acordo com os estudos e pesquisas feitas de Tassoni e Leite 2013, que, alunos são influenciados de acordo com a forma que são abordados, levando a mudanças no pensamento e abrindo espaço para diversos tipos de sentimentos que afetam de forma positiva e negativa esse processo de aprendizagem.
Segundo Wallon (1995 apud TASSONI; LEITE, 2013), as formas de interagir levam o outro a avanços na forma de se ligar com a esfera material e social, possibilitando a ele novas formas de interagir, refletir e vivenciar. E para cada fase da vida, existem diferentes formas de enfrentamento social e emocional, seguindo o nível intelectual, pois o ser humano é um ser mutável e em constante evolução (TASSONI; LEITE, 2013).
[...] a dimensão afetiva ocupa lugar central tanto do ponto de vista da construção da pessoa quanto do conhecimento, sendo que a emoção tem a função mediadora nessa relação. O processo de desenvolvimento infantil realiza-se nas interações que objetivam não só a satisfação das necessidades básicas como também a construção de novas relações sociais, com o predomínio da emoção sobre as demais atividades (MURGO; ALVES;
FRANCISCO, 2016, p. 212).
Diante dessa perspectiva, o trabalho do docente é formar vínculos afetivos, para estabelecer um espaço seguro e confiável, para gerar nesses alunos bons rendimentos, pois a ação de educar produz consequências na aprendizagem, e por esse motivo é tão importante o envolvimento do afeto e empatia entre educadores e educandos, pois o sujeito é um ser coletivo que precisa do outro (SANTOS; JUNQUEIRA; SILVA, 2016).
Na metodologia do conhecimento, o professoré uma base que se destaca como facilitador desse processo e desenvolvimento, sendo assim tão importante o desenrolar dessa afetividade com o estudante (SARNOSKI, 2014).
Sendo assim, o professor se torna a chave que media a relação entre conhecimento e afeto, entendendo que ele precisa saber o seu verdadeiro papel dentro desse âmbito, que é justamente ser uma âncora para seus alunos assumindo importantes contribuições e estabelecendo um papel necessário no desenrolar emocional e acadêmico de seus alunos (SILVA et al., 2013).
Entendendo o papel chave que o professor assume no processo de afetividade, a pesquisa desenvolvida por Murgo, Alves e Francisco (2016) aponta que a afetividade existente na relação professor-aluno, desenvolvido a partir de uma boa capacitação e da
compreensão da importância do processo afetivo, influenciam de forma positiva a construção do saber no aluno, facilitando os caminhos para o conhecimento.
Afetividade é carinho pelo outro, saber ouvir, respeitar; acredito que afetividade é toda atenção prestada a alguém, de forma carinhosa, amorosa; A capacidade de lidar com os sentimentos nas relações sociais; carinho, respeito, bem querer, identificação mútua estabelecida em uma relação (MURGO;
ALVES; FRANCISCO, 2016, p. 212).
Por essa razão, a escola precisa ser um ambiente além da busca racional pelo conhecimento, um espaço para a troca de experiências, autoconhecimento e autocontrole, formando personalidades. Pois, tanto a cognição quanto a vivência de emoções, são imprescindíveis para um bom desenvolvimento (SANTOS; JUNQUEIRA; SILVA, 2016).
A partir do exposto, a importância desse trabalho se dá pela necessidade de inclusão de todos os alunos inseridos no ambiente escolar, e diante disso é necessário que a escola esteja preparada para trabalhar com essas crianças de forma direcionada, sendo necessário o funcionamento de uma equipe que esteja preparada sobre o tema inclusão para um melhor desenvolvimento.
Faz-se necessário que seja dialogado com o quanto essa prática empática pode influenciar no dia a dia dessas crianças e quais ações podem ser vistas para melhoria e especialização da classe docente, para que se qualifiquem e consigam agregar de forma significativa a vida de cada aluno que precisa de apoio e uma atenção direcionada.
É relevante que esse conhecimento empático esteja inserido no contexto da escola, tanto entre alunos e principalmente entre professores, buscando o desenvolvimento afetivo e intelectual da turma no geral, para que possa ser experienciado o desenvolvimento de todos os aspectos, cognitivo, social e emocional.
Partindo dessa premissa, o trabalho teve como objetivo identificar, a partir da ótica docente, como a empatia pode interferir no processo de inclusão de crianças com deficiência. Para tanto, foi realizada uma pesquisa com docentes, das classes iniciais, abordando a visão que eles possuem sobre a importância da habilidade empática e como esta pode interferir no processo de aprendizagem das crianças.
METODOLOGIA
O presente trabalho abordou uma pesquisa de campo, descritiva e de natureza quantitativa-qualitativa. Segundo Esperón (2017) a pesquisa quantitativa é aquela que
levanta um número considerável de amostras e as analisam tornando-se apto e eficaz para obtenção de informações relevantes para comprovação do que está sendo explorado. De acordo com Fernandes (2014), a pesquisa qualitativa tem intuito de esclarecer assuntos poucos estudados aplicados em um grupo menor e específico que possibilite um novo saber sobre a pesquisa desenvolvida
A pesquisa foi realizada por meio eletrônico, sendo um questionário online com professores acerca de como eles identificam e compreendem a importância da habilidade empática no processo de inclusão. Participaram desse estudo 32 professores que foram selecionados pelo método de conveniência que é uma técnica de amostragem não probabilística e não aleatória de acordo com Oliveira (2001).
Foram incluídos os professores das séries primárias que atuam com crianças com deficiências em sala de aula, das séries iniciais (Infantis II, III, IV, V e 1º ano), tendo em vista que nessas séries há um maior vínculo afetivo entre professor e aluno.
O questionário eletrônico, composto por quatro perguntas objetivas e oito subjetivas e elaborado pela autora desta pesquisa, foi dividido em duas partes: um referente ao questionário sociodemográfico contendo seis perguntas e a segunda contendo doze questões específicas relacionadas à ótica do professor acerca da empatia, do desenvolvimento infantil e da educação inclusiva. A pesquisa só foi iniciada após a aprovação pelo Comitê de ética do Unipê e os participantes assinaram o TCLE para participarem da pesquisa que respeitou todos os aspectos éticos pertinentes a pesquisa envolvendo seres humanos, de acordo com a Resolução nº 466/12 CNS/MS (BRASIL,2012). Ademais, no TCLE, os participantes foram esclarecidos sobre riscos e benefícios de suas participações na pesquisa.
Os resultados do questionário sociodemográfico e dos dados quantitativos foram tratados por meio de estatísticas descritivas. As análises foram processadas por meio do pacote estatístico SPSS em sua versão 20.0 com o auxílio da própria plataforma Google Forms, quedá acesso a uma análise automática. Os resultados das questões qualitativas foram analisados por meio da técnica de análise de conteúdo (Bardin, 2010), que foi aplicada à análise de textos escritos ou de qualquer comunicação (oral, visual, gestual), reduzida a um texto ou documento.
RESULTADOS
Em relação as características sociodemográficas da amostra, observou-se que a maior parte dos docentes possuem idade entre 40 e 50 anos (64,5%), são do sexo feminino (96,9%), a maioria casadas e com renda entre 2 a 3 salários mínimos, que lecionam em apenas 1 escola, sendo a maior parte particulares.
Tabela- 1 Características sociodemográfica da amostra.
VARIÁVEL FREQUÊNCIA
Idade (anos) N %
Entre 20 e 30 12 35,5
Entre 40 e 50 20 64,5
Sexo N %
Feminino 31 96.9
Masculino 1 3,1
Estado Civil N %
Casado Solteiro Viúvo Divorciado Noivo
22 6 0 3 1
68,8 18,8 0 9,4 3,1 Renda
1 salário mínimo 2 a 3 salários mínimos 3 a 4 salários mínimos + de 5 salários mínimos
N 6 12 11 3
% 18,8 37,5 34,4 9,4 Em quantas escolas trabalha
1 2 3+
N 24 6 2
% 75 18,8
6,3 Docente de instituição
Particular Pública Ambas
N 17 13 2
% 53,1 40,6 6,3 Fonte: Elaborado pelo Autor.
O gráfico 01 apresenta os resultados referentes ao ano escolar no qual a amostra leciona. É possível observar que 46,9% da amostra leciona no Ensino Fundamental I, seguido de 21,9% dos participantes que lecionam no Ensino Infantil 4. 18,8% da amostra leciona no Ensino Infantil 5. 6,3% no Ensino Infantil 2 e 6,3% no Ensino Infantil 3.
Gráfico 01. Turmas nas quais os participantes lecionam
Fonte: Elaborado pelo Autor.
No gráfico 02, é possível observar a frequência de treinamentos de capacitação oferecidos pela escola com os professores. Percebe-se que 40,6% dos participantes nunca receberam nenhuma capacitação sobre a Educação Inclusiva. 28,1% dos participantes apontaram que participam de capacitações oferecidas pela escola para melhorar o trabalho com alunos da Educação Inclusiva; 21,9% a cada 6 meses e 9,4%
relataram que recebem capacitação a cada 3 meses.
Gráfico 02. Capacitação oferecida pela escola para os docentes, referente à Educação Inclusiva.
Fonte: Elaborado pelo Autor.
No gráfico 03, foi questionado aos participantes se a instituição educacional onde eles trabalham respeita as necessidades individuais dos alunos, e a maioria (87,5%) afirmaram que sim, que há respeito e cuidado com as necessidades de cada aluno. E 12,5% relataram que a instituição na qual lecionam não trabalha respeitando as necessidades individuais dos alunos.
Gráfico 03. A instituição educacional trabalha respeitando as necessidades individuais dos alunos.
Fonte: Elaborado pelo Autor.
O gráfico 04 refere-se ao questionamento se a instituição utiliza recursos para apoiar a inclusão escolar, a maioria respondeu a opção sim (81,3%) e uma pequena parte respondeu não (18,8).
Gráfico 04. Os recursos da escola são utilizados para apoiar a inclusão.
Fonte: Elaborado pelo Autor.
Tabela 1: (F32) Categorização das respostas dos participantes.
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS UNIDADES
TEMÁTICAS F
Compreensão da empatia.
Se colocar no lugar do outro e compreender.
“Se colocar no lugar do outro para melhor compreender [...]”.
19
“[...] entender e ajudar ao próximo em sua
necessidade, compreendendo seus
limites”
“É colocar-se no lugar do outro”. v Capacidade de sentir o
que o outro sente.
“É a capacidade de se identificar com outra
pessoa [...]”.
13
“[...] sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na
mesma situação vivenciada por ela [...]”.
“Compreender o estado emocional do outro”.
Fonte: elaborado pelo autor, 2020.
Na tabela 1, ilustrada acima, pode-se observar que para a amostra coletada de 32 professores, a habilidade empática é caracterizada por eles como um sentimento de colocar-se no lugar do outro e sentir o que o outro sente.
Tabela 2 (F32): Categorização das respostas dos participantes.
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS UNIDADES TEMÁTICAS F
O olhar empático ajuda no processo de inclusão de
crianças com deficiência
Sim, a empatia transforma.
“Com certeza. A empatia transforma o olhar da
compreensão do
comportamento autista”. 11
“Sim. A empatia é a força propulsora para a inclusão”.
A empatia favorece o processo de inclusão, adaptação, acolhimento
e compreensão.
“Sim, a partir da empatia com o outro é possível haver
um processo de adaptação e acolhimento [...]”.
21
“[...] Se colocar no lugar do outro é o ponto de partida no processo de inclusão”.
“Sem dúvida, a empatia faz parte do processo de inclusão de crianças autistas [...]”.
Fonte: elaborado pelo autor, 2020.
Na tabela 2, a categoria está voltada a questionar se olhar empático influencia no desenvolvimento e inclusão da criança com deficiência, e um número de 32 professores responderam que sim, que esse olhar é transformador e influencia na inclusão e desenvolvimento infantil.
Tabela 3 (F32): Categorização das respostas dos participantes.
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS UNIDADES TEMÁTICAS F
Possui capacitação necessária para trabalhar com crianças com deficiência
Sim, embora tenha sempre que me
aperfeiçoar.
“Sim, mas sempre precisando estudar mais”.
“[...] Acredito que ainda 14 tenho muito à aprender”.
Não, mas pesquiso sobre o assunto.
“[...] procuro ler muito sobre o assunto, assisto palestras na
escola sobre o tema e tenho experiência na prática”.
“não me considero, porque 18 não tenho formação pra esse
caso. Qd se tem empatia, se descobre novos caminhos, novas abordagens por conta
própria [...]”.
Fonte: elaborado pelo autor, 2020.
Na tabela 3, em relação a capacitação necessária para trabalhar com crianças com deficiência, foi possível observar que 18 participantes relataram que não possuíam a capacitação necessária, mas que buscavam estudar e se capacitar mais. Em contrapartida, 14 participantes, responderam que, apesar de possuírem a capacitação necessária, continuam em busca de maiores aperfeiçoamentos.
Tabela 4 (F32): Categorização das respostas dos participantes.
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS UNIDADES TEMÁTICAS F
A instituição onde você trabalha oferece capacitações para o trabalho
inclusivo
Sim
“Sim, é comum participarmos de palestras
sobre o tema”. 19
“De forma muito superficial”.
Não, mas buscava me capacitar.
“[...]não tínhamos nenhum suporte [...], [...] adequei meu
material didático de língua inglesa pra realidade deles;
em cada conteúdo. Fui aplicando, testando e
aprimorando [...]”.
13
“A nossa escola se esforça bastante, porém ainda
distante”.
Fonte: elaborado pelo autor, 2020.
Na tabela 4, referente ao questionamento se a instituição onde trabalham oferece capacitações para o trabalho inclusivo, é possível observar que 19 participantes responderam que a instituição oferece capacitações sim, em contrapartida 13 participantes relataram que as escolas não ofereciam capacitações, e o que faziam ou sabiam era buscado por conta própria.
Tabela 5 (F32): Categorização das respostas dos participantes.
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS UNIDADES TEMÁTICAS F
Sim, traz segurança “Sim. O olhar empático traz
mais segurança [...]”. 7
O seu olhar empático influencia a vida social das
crianças com deficiência
“Sim, pois permite de certa forma uma segurança ao
educando [...]”.
“Sim. Ela vai sentir-se acolhida e segura”.
Promove integração
“Sim. Torna as mais integradas e sociais”.
8
“Sim, [...] interação e acolhimento”.
“[...] Empatia está relacionada ao amor, aceitação, inclusão."
“No auxílio ao processo de inclusão na sala de aula em atividades coletivas [...]”.
Proporciona o amor, acolhimento, respeito e
aceitação.
“[...] a criança sente percebe quando é aceito valorizado”.
17
“Sim, se sentem acolhidas [...]”.
“Sim! O olhar cuidadoso e amoroso [...].”
“[...] respeitando e sabendo lhe dar com suas limitações eu amenizo desconfortos
para ele”.
Fonte: elaborado pelo autor, 2020.
Na tabela 5, referente ao olhar empático e a influência na vida social das crianças com deficiência, observa-se que 7 participantes apontam que esse olhar influencia trazendo segurança para a vida das crianças. 8 participantes pontuam que o olhar influencia trazendo integração com os demais e 17 participantes disseram que esse olhar proporciona amor, acolhimento, respeito e aceitação.
Tabela 6 (F32): Categorização das respostas dos participantes.
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS UNIDADES TEMÁTICAS F
É importante a criança ter um suporte adequado para um bom desenvolvimento
Sim, a ajuda específica facilita no processo de
inclusão.
“[...] facilita o processo tanto de inclusão como de desenvolvimento das
habilidades”.
9
“O desempenho do trabalho realizado com a criança só terá efeito positivo a partir do
envolvimento dos profissionais atuantes em sua
especialidade [...]”.
“Sim, com certeza, uma ajuda especializada sempre é
mais eficaz”
Sim, é importante
“Sem dúvida! É fundamental”.
“Sim. Não só é importante 24 quanto é necessário demais”.
“Importantíssimo”.
Fonte: elaborado pelo autor, 2020.
Na tabela 6, referente a categoria da importância de um suporte adequado a criança com deficiência para um bom desenvolvimento, foi identificado que toda a amostra considera que é fundamental a instituição e os professores ofertarem um melhor suporte para as crianças porque isso facilita o processo de inclusão.
Tabela 7 (F32): Categorização das respostas dos participantes.
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS UNIDADES TEMÁTICAS F
A escola trabalha com projetos de inclusão
Sim, com salas multidisciplinares e de
apoio.
“Sim. Com equipe multidisciplinar e com salas
com materiais didáticos”.
“Sim. Existe uma sala de 6 atendimento educacional especializado que já dá esse
suporte”
Sim
“Sim. Enfatiza-se os projetos na semana de datas
especiais”.
“Sim, trabalhamos com o 18 Projeto Valores que aborda
vários temas e principalmente inclusão”.
Não
“Não. Atualmente estou em 3 escolas[...]”.
8
“Não. A instituição precisa muito pensar nisso!!”.
“Não, pelo menos a que eu trabalho, é neutra não opina eu vejo como um faz de
conta [...]”.
Fonte: elaborado pelo autor, 2020.
Na tabela 7, referente a se a instituição oferece projetos de inclusão, 24 professores responderam que a instituição trabalha com projetos que focam o processo inclusivo, tanto a partir de salas que promovem o apoio multidisciplinar como em situações específicas, como em datas comemorativas. Em contrapartida, 8 participantes disseram que a instituição não oferece projetos de inclusão, deixando a desejar nesse aspecto.
Tabela 8 (F32): Categorização das respostas dos participantes.
CATEGORIAS SUBCATEGORIAS UNIDADES TEMÁTICAS F
Você influencia seus alunos a desenvolverem um olhar
empático
Sim, roda de conversas
“Sim, proporcionando momentos de conversa em
roda [...]”. 9
“Sim. Com conversas, leituras e ações”.
“[...] em roda de conversa falamos sobre as características desse (s) aluno
para sabermos como lidar e como ele (s)precisam da ajuda e compreensão de
todos[...]”.
Conscientização
“Sim. Conscientizando da importância do respeito e de
o amor as diferenças”.
“Sim, conscientizando sobre 6 a importância de ter um olhar diferenciado para a limitação
de cada um”.
Utilizando estratégias e atividades.
“Sim, usando estratégias que ajude as crianças [...]”.
17
“Sim! Sempre trabalhando em grupo”.
“Sim. Desenvolvimento sempre atividades e trabalhos
envolvendo toda a sala”.
Fonte: elaborado pelo autor, 2020.
Na tabela 8, referente a ser trabalhado o olhar empático nos demais alunos em sala de aula, todos os participantes responderam que estimulam esse desenvolvimento nos alunos, sendo que 9 participantes desenvolvem através de rodas de conversa, 6 participantes responderam que estimulam utilizando a conscientização e 17 através de estratégias que utilizam atividades e trabalhos que envolvem a sala.
DISCUSSÃO
De acordo com Galery (2018), o conceito de empatia é descrito como “colocar- se no lugar do outro” e é considerado muito vago e banal, pois nós seres humanos não conseguimos desenvolver essa habilidade, porque o outro é muito diferente de nós, em personalidade, desejos e expectativas. O autor vem expor que a empatia serve para desconceituar o outro, para olhar o outro sem julgamento, sem nenhuma carga de vida própria. Diante disso, foi possível analisar na tabela 1 que a compreensão dos professores sobre a empatia corrobora com o que é exposto no senso comum, a ideia de que empatia está relacionada à capacidade do ser humano de se colocar no lugar do outro, conforme exposto na fala do participante P12 “É colocar-se no lugar do outro” e, aprofundando ainda o que é comumente associado à empatia dentro do senso comum, sentir o que o outro está sentindo, como expresso pelo participante P8: “A capacidade de sentir o que sentiria uma outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela”, podendo observar que nesse contexto a empatia está sendo um conceito pronto onde os
professores descrevem algo que é muito falado e pouco vivenciado, indo de encontro ao proposto por Galery (2018) que define empatia como sendo uma ferramenta para
“desobjetificar” o sujeito, fundamental para entendimento do outro como um ser singular e independente, tornando notório a existência de um segundo.
Foi constatado que a utilização do olhar empático apresentado na tabela 2, influência de forma positiva a vida das crianças com deficiência, favorecendo o processo de inclusão, adaptação, acolhimento e compreensão como expresso pelo participante P26:
“Sem dúvida, a empatia faz parte do processo de inclusão de crianças autistas. O profissional de educação infantil precisa ter um olhar acolhedor com essa criança, se faz necessário sensibilidade para entender a criança e buscar meios para ajudá-la”.
Corroborando com isso, Mattos (2012) afirma que a empatia é o meio que assegura uma integração e melhor desenvolvimento, sendo um meio crucial para o ensino aprendizagem, além de desenvolver um ambiente afetivo para inclusão de qualquer criança.
O gráfico 2 e as tabelas 3 e 4 abordam a capacitação dos professores, tanto oferecida pela escola quanto desenvolvidas por interesse próprio. Acerca dessa temática, é possível observar uma negligência por parte das instituições no sentido de ofertar os conhecimentos e formações necessárias para que o professor tenha as melhores estratégias e condições de trabalho junto às crianças que fazem parte da educação inclusiva. É possível observar essa lacuna a partir da fala do participante P17 “...
recebemos portadores de deficiência visual, posteriormente outros tipos. Foi algo imposto pelas diretrizes, sem que antes tivéssemos uma formação. Fiquei uma noite em claro, depois de 23 anos de sala de aula sem saber o que fazer e que estratégia iria usar pra ter um bom desempenho com meus alunos portadores de deficiência1...”. Rosin- Pinola, Del Prette (2014) trazem que, quando a instituição tem percepção que sua finalidade na vida dessas crianças é ajudar o aluno a obter habilidades e aprendizagem que os ajude a viver incluído na sociedade de forma autônoma, as atividades oferecidas por ela se alteram de forma a beneficiar e garantir essa independência e inclusão de cada criança, pois esse suporte se faz exclusivo no processo de escolarização, e ai a formação de docentes capacitados se torna uma ferramenta fundamental, social.
De acordo com Vitta, Vitta e Monteiro, (2010) um suporte adequado só reafirma e potencializa os ganhos no que se refere ao desenvolvimento dessas crianças tanto
1 Recomenda-se usar "pessoa com deficiência" ou "PcD".
cognitivamente como socialmente. Salientando ainda que é necessário a instituição prestar a formação adequada a professores para que beneficie diretamente as crianças com deficiência. O discurso dos referidos autores pode ser observado nas falas dos participantes P7: “... O envolvimento de todos facilita o processo tanto de inclusão como de desenvolvimento de habilidades”, bem como no excerto retirado do participante P14:
“... Uma ajuda especializada sempre é mais eficaz”. Esses discursos demonstram a importância de um suporte adequado e da oferta de capacitações para os docentes, o que influencia diretamente na vida dessas crianças, juntamente com a prática da habilidade empática
Segundo Cotta et al. (2020) a empatia tem desenvolvimento acentuado na infância por essas crianças estarem em ambientes que incentivem esse desenvolvimento, por esse motivo a pesquisa em questão foi coletada para analisar o trabalho docente diante dessa amostra como ilustrado no gráfico 1.
Um princípio relevante para o trabalho das instituições com a educação inclusiva e projetos na área, é o favorecimento do desenvolvimento e aprendizagem de todas as crianças, apoiando-as no que possam necessitar, acolhendo e respeitando toda diversidade, e dessa maneira é necessário pensar em como vai se dar esse apoio, desenvolver projetos que incluam práticas inclusivas no ambiente escolar, dispondo a escola estabelecer relações de equidade assegurando o máximo desenvolvimento. Ao questionar aos participantes se as instituições onde eles lecionam trabalham com projetos inclusivos e se há um empenho para desenvolver a equidade que esta pesquisa chegou a uma quantitativo significativo de respostas “sim”, porém, ao aprofundar qualitativamente o “como”, os dados coletados se tornaram vagos porque um número significativo de participantes pontuaram que os projetos são desenvolvidos apenas em datas especiais, evidenciando que a inclusão ainda não é uma realidade cotidiana para muitas escolas, mas apenas um projeto temporário, como é possível perceber através do discurso de P7: “Sim.
Enfatiza-se os projetos na semana de datas especiais”, corroborando assim com o exposto por Menino-Mencia et al. (2019) que afirma que a inclusão não deve se resumir a projetos que busquem durante o ano incluir as crianças com deficiência. Indo além, a inclusão não deve ser entendida como um projeto, e sim como uma realidade, uma vivência, como educação e, como tal, é um direito de todos.
Por fim, foi coletado se os professores influenciam seus alunos a desenvolveram um olhar empático com relação à educação inclusiva, e foi visto que todos os participantes afirmam que desenvolvem esse olhar empático em seus alunos através de conversas e
conscientização e através da utilização de estratégias que ajudem nesse desenvolvimento, como exposto no discurso do participante P10: “Sim. Conscientizando da importância do respeito e de o amor as diferenças”, e no discurso do participante P14: “Sim, usando estratégias que ajude as crianças a se comunicarem e a lidarem com o diferente”. Os discursos dos participantes corroboram com o observado por Cotta et al. (2020) ao afirmarem que na infância é onde a criança consegue desenvolver melhor essa habilidade e contribuir para um melhor convívio em sala de aula, ajudando essas crianças a terem uma responsabilidade afetiva e comportamental para com o outro.
CONCLUSÃO
O desenvolvimento da habilidade empática é um salto para um aprimoramento na educação inclusiva infantil, se tornando um caminho para a equidade, onde essas crianças desfrutarão de uma política justa e que permita seu desenvolvimento em sociedade.
Foi possível verificar que nesse caminho os professores ainda enfrentam uma série de dificuldades para se tornar aptos e habilidosos a trabalharem com crianças que necessitam de uma atenção maior, e a busca por desenvolver essa habilidade empática os ajuda a olhar e enxergar a criança em sua totalidade e não na dificuldade que ela apresenta, constatando a dificuldade que se permeia por terem que se desdobrar para conseguir atingir essas crianças.
Destacando que os docentes enxergam essa habilidade empática como ferramenta do processo ensino aprendizagem, pois a comunicação afetiva gera um vínculo aluno- professor que consequentemente gera confiança, facilitando assim esse convívio e incluindo cada vez mais essas crianças no ambiente social.
Fica como sugestão dessa pesquisa, que as instituições tenham um olhar mais atento e desenvolvam um sistema que tenha capacidade de incluir e acolher todos os tipos de deficiências, que criem programas de capacitação docente durante todo o ano letivo, desenvolvendo palestras tanto para os professores como para os pais e disponibilizem apoio multidisciplinar para tais.
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