Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
0
2010
Parece que foi ontem... Foi em 1911 que tudo começou.
Ao longo dos últimos 100 Anos caminhámos ao lado de muitos projectos e ambições. Apoiámos famílias, empresas e instituições de
solidariedade social. De aldeias a vilas, de vilas a cidades e de geração em geração.
O objectivo desta caminhada, que continua até aos dias de hoje, tem sido um só: criar riqueza que possa ser partilhada com as populações onde o Crédito Agrícola existe.
Um milhão de razões para ser nosso Cliente:
• Um Grupo Financeiro sólido e global que conta com 100 Anos de Actividade.
• Um Grupo Financeiro Próximo dos seus Associados e Clientes.
• Um Grupo Financeiro que
conhece melhor do que ninguém as regiões de Portugal, do interior ao litoral, das zonas rurais aos grandes centros urbanos, apresentando assim uma oferta de Produtos e Serviços adaptada às várias necessidades.
• Um Grupo Financeiro com poder de decisão local, o que lhe permite responder rápida e eficazmente às necessidades dos seus Clientes Particulares e Empresas.
... mas já passaram 100 anos
RELATÓRIO E CONTAS
Relatório da Gestão do Conselho de Administração
Demonstrações Financeiras e Anexo
Parecer do Conselho Fiscal
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
1
INDICE
RELATÓRIO DA GESTÃO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
1. I
NTRODUÇÃO... 2
2. E
NQUADRAMENTOE
CONÓMICO EM
ERCADOB
ANCÁRIO... 6
3. A
CTIVIDADE DE CRÉDITO... 6
4. C
APTAÇÃO DE DEPÓSITOS... 22
5. G
ESTÃO CORRENTE... 23
6. R
ESULTADOS OBTIDOS... 24
7. C
APITAL SOCIAL... 24
8. I
NFORMAÇÕES DE NATUREZA LEGAL... 24
9. Q
UADRO COMPARATIVO DAS PRINCIPAIS RUBRICAS DOB
ALANÇO ORÇAMENTADO E REALIZADO NO EXERCÍCIO DE2010... 26
10. Q
UADRO COMPARATIVO DAS PRINCIPAIS RUBRICAS DAD
EMONSTRAÇÃO DER
ESULTADOS ORÇAMENTADA E REALIZADA NO EXERCÍCIO DE2009 ... 27
11. P
ROPOSTA DE APLICAÇÃO DE RESULTADOS... 28
12. T
RANSFERÊNCIA DA RESERVA LEGAL PARA CAPITAL SOCIAL... 28
13. R
EFERÊNCIAS... 28
P
ARECER DOC
ONSELHOF
ISCAL... 30
D
EMONSTRAÇÕESF
INANCEIRAS EA
NEXO... 33
E SEGUINTESCaixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
2 R
ELATÓRIO DAG
ESTÃO DOC
ONSELHO DEA
DMINISTRAÇÃO1. Introdução
Evolução Resultados Líquidos
-300.000,00 -200.000,00 -100.000,00 0,00 100.000,00 200.000,00 300.000,00 400.000,00 500.000,00 600.000,00
EUR
Em 2010, conforme se assinala no gráfico, tivemos dois períodos distintos em termos de apuramento de resultados líquidos do exercício: os primeiros 5 meses do ano em que mantivemos saldos negativos (situação aliás historicamente excepcional) e os restantes meses do ano, em que recuperámos dessa situação para finalizarmos o exercício de 2010 com um resultado líquido positivo de 243 mil euros, ainda assim correspondente a uma diminuição de -4%, relativamente a 2009.
Para aquela inversão no comportamento dos resultados mensais do exercício contribuíram, no essencial, 3 grandes factores: (1) libertação de parte de provisões excedentárias constituídas em exercícios anteriores, (2) aplicações de excedentes líquidos em títulos de dívida pública portuguesa (no valor de 2,2 milhões de euros) e (3) aplicações em depósitos a prazo na Caixa Central indexados à dívida pública portuguesa.
As situações supra referidas em (2) e (3) tiveram um impacto directo na margem financeira, tendo em conta as taxas de juro implícitas ou contratadas, o que, conjuntamente com a actividade de serviços complementares (nomeadamente, na área dos seguros ramos reais e de vida), nos permitiram melhorar o produto bancário, que se encontrava fortemente penalizado pela manutenção em níveis historicamente muito baixos das taxas “euribor”, normalmente utilizadas como referencial na contratação de grande parte das operações activas (empréstimos) da Caixa.
Como aspecto menos positivo, registamos o nível geral de incumprimento do
crédito vencido para níveis relativamente elevados para o normal da Caixa,
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
3 afectando directamente os gastos do exercício pelo registo de provisões e de imparidades, a que se associa a não contagem de juros activos e correlativo impacto negativo directo na margem financeira e no produto bancário.
Nos dois gráficos seguintes, sintetiza-se as razões para as dificuldades sentidas e essencialmente traduzidas na quebra do resultado neste exercício:
a diminuição sensível da margem de intermediação (com a recuperação enunciada) e o aumento do índice do crédito vencido.
Margem intermediação
0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50 4,00
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
%
A evolução da margem em, 2010, pelas razões atrás referidas teve uma evolução positiva, em especial a partir de Maio de 2010.
Índices Crédito concedido e Crédito vencido (Base 1995 = 100)
0 100 200 300 400 500 600
Crédito concedido vivo Crédito vencido
O crédito em incumprimento manteve-se a níveis relativamente elevados, em especial tendo em conta o histórico a valores muito baixos (desde 1999), registando-se ainda uma diminuição do crédito concedido, face à conjuntura desfavorável em que nos encontramos.
Relativamente à evolução dos indicadores de “negócio” registamos uma
estagnação ao nível dos recursos captados, por um lado pelos níveis
conservadores das taxas de juro (e também pelo nível de remuneração dos
excedentes ser relativamente baixo) e, por outro, por efeito da maior
agressividade da concorrência na captação de recursos, por dificuldades no
acesso a financiamento externo. A margem complementar derivada de
actividades de venda cruzada de produtos do Grupo Crédito Agrícola e de
outros serviços bancários manteve-se a um nível elevado e contribuiu muito
positivamente para os resultados alcançados.
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
4
Evolução dos depósitos de clientes e do crédito concedido
0,000 5.000.000,000 10.000.000,000 15.000.000,000 20.000.000,000 25.000.000,000 30.000.000,000 35.000.000,000 40.000.000,000 45.000.000,000 50.000.000,000
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Crédito concedido vivo Depósitos de clientes Euros
Na gestão corrente, manteve-se a contenção de custos (que registou apesar disso um aumento de 3,7% relativamente ao exercício anterior) conforme se evidencia no gráfico seguinte:
Índices da m argem , FSE e Custos Pessoal (Base 1995 = 100)
0 100 200 300 400 500 600
1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Margem FSE Custos com o Pessoal
Uma nota final para os principais indicadores da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra:
Rácios 2007 2008 2009 2010
Rácio de solvabilidade (Aviso 7/96) 14,8% 18,9% 17,4% 18,2%
Rácio de solvabilidade (Aviso 6/99 ou rácio TIER I) 11,7% 13,3% 14,1% 15,7%
Rácio de imobilizado (Inst. 120/96) 34,8% 31,0% 42,8% 47,0%
Rácio Credito Vencido (Aviso 6/99) = Crédi to Ven cido Líqu ido / Crédi to Total L íqu ido 1,0% 1,7% 2,3% 2,3%
Rácio de transformação (APB) = Crédi tos Sobre Cli entes (Brut o) / Recursos 65,2% 68,8% 63,9% 61,8%
Rácio = (Crédito Total Líquido + Aplic. R.C.Líquido + Imobilizado) / Activo Líquido 60,39 % 6 3,08% 59,56% 57,47%
Destacamos o rácio de solvabilidade TIER I que aumentou 1,6%
relativamente ao ano anterior, situando-se em 15,7%, bem acima do recomendado pelo Banco de Portugal (8%) e o rácio de crédito vencido líquido, que se manteve em 2,3% e é, apesar de tudo, ainda inferior a 3%
que é considerado como limite aceitável no nosso sector.
É neste contexto, de reforço da solidez dos principais indicadores da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, que nos preparamos, em 2011, para um ano especialmente difícil, nomeadamente, em termos da gestão do crédito vencido.
Paralelamente às actividades próprias da Caixa de Vale de Cambra e sob a
égide da Caixa Central, têm decorrido reuniões com dirigentes de outras
Caixas Agrícolas limítrofes, no sentido de se vir a proceder a uma fusão com
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
5 essas Caixas, com o objectivo de se promover a constituição de uma Caixa de maior dimensão e dessa forma estarmos melhor preparados para as exigências que se colocam a este tipo de instituições de crédito.
São várias as exigências legais e regulamentares, seja ao nível dos sistemas de controlo interno, de auditoria interna, de avaliação e monitorização de riscos ou de compliance que podem justificar essa opção. Mas são também exigências de maior valor de capital social mínimo obrigatório, apesar da situação que a Caixa de Vale de Cambra cumprir, neste momento e até 2014, esses requisitos, que nos podem levar a concluir ser essa situação inevitável.
Naturalmente, que o Conselho de Administração tudo fará para preservar a identidade da Caixa de Vale de Cambra, mesmo numa situação de adesão a uma fusão, pois as actividades e objecto dessa eventual Caixa a constituir, resultante da fusão, em nada poderá alterar os objectivos essenciais do Crédito Agrícola: apoiar de forma efectiva os seus associados e as populações locais, promovendo o desenvolvimento económico e social das regiões onde se inserem.
Manuel Francisco dos Santos (Presidente do Conselho de Administração)
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
6 2. Enquadramento Económico e Mercado Bancário
1ENQUADRAMENTO MACROECONÓMICO
A envolvente macroeconómica continua a apresentar-se complexa para as condições de exploração das instituições financeiras.
Apesar de se admitir que, no plano internacional, o ponto mais crítico da actual recessão a nível internacional tenha sido atingido entre o final de 2008 e os primeiros trimestres de 2009, verificou-se em 2010 uma grande disparidade no comportamento das principais economias. Com efeito, a reanimação que se observou na parte final de 2009 e no princípio de 2010 assentou em grande medida na manutenção de um crescimento robusto em economias emergentes – como a China, que deve ter crescido 10,3% em 2010, a Índia, com um crescimento neste ano de 9,7%, e o Brasil com um crescimento de 7,5%. Como se sabe, a China tornou-se recentemente a segunda maior economia a nível mundial, em termos do valor do PIB global, embora ainda a grande distância dos EUA.
2010 2011 [Est.] [Proj.]
Países Desenvolvidos 3,0 2,7 0,2 -3,4 3,0 2,5
EUA 2,8 2,1 0,0 -2,6 2,8 3,0
Japão 2,4 2,3 -1,2 -6,3 4,3 1,6
Zona Euro 2,8 2,7 0,5 -4,1 1,8 1,5
Paises em Desenvolvimento 7,9 8,3 6,0 2,6 7,1 6,5
China 11,6 13,0 9,6 9,2 10,3 9,6
Índia 9,8 9,4 6,4 5,7 9,7 8,4
Rússia 7,4 8,1 5,2 -7,9 3,7 4,5
Brasil 3,8 5,7 5,1 -0,6 7,5 4,5
Economia Mundial 5,1 5,2 2,8 -0,6 5,0 4,4
∆% Comércio Munidal* 9,3 7,3 3,0 -10,7 12,0 7,1
Evolução da Economia Mundial
Taxas de crescimento ∆% PIB
* Bens e serviços
Fonte: FMI, Wordl Economic Outlook (Update, Janeiro/11)
2006 2007 2008 2009
1 Texto (ponto 2) elaborado pela Caixa Central
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
7
Este dinamismo das economias emergentes transmitiu-se às economias avançadas com sectores exportadores mais competitivos – v.g. a Alemanha, cujo crescimento em 2010 foi de 3,6% e Japão com 4,3%, e os próprios EUA (com um crescimento da ordem de 2,8%, no entanto considerado escasso face ao potencial produtivo e à evolução dos anos anteriores). A maioria das economias do continente europeu, e desde logo a Zona Euro no seu conjunto, continuaram porém a evidenciar fraco dinamismo (1,7% para o conjunto da Zona Euro, 1,6%
para a França e 1% para a Itália, e contracção económica em Espanha, com o PIB a cair 0,2%).
2010 2011 [Est.] [Proj.]
Zona Euro 2,8 2,7 0,5 -4,1 1.8 1,5
Alemanha 3,0 2,5 1,0 -4,7 3,6 2,2
França 2,2 2,3 0,1 -2,5 1.6 1,6
Itália 1,8 1,6 -1,3 -5,0 1,0 1,0
Espanha 3,9 3,6 0,9 -3,7 -0,2 0,6
Evolução da Economia Europeia
Taxas de crescimento ∆% PIB
Fonte: FMI, Wordl Economic Outlook (Update, Janeiro/11) 2006 2007 2008 2009
A desaceleração verificada na segunda metade do ano transacto nas economias
avançadas foi consequência do esgotamento do impulso, que se fez sentir nos
últimos meses de 2009 e início de 2010, da reconstituição dos stocks – os quais
na parte final de 2008 e início de 2009 haviam sido massivamente reduzidos
como reacção de pânico. Mas a desaceleração ficou também a dever-se a um
certo arrefecimento nos países emergentes, em alguns dos quais as respectivas
autoridades adoptaram recentemente medidas para fazer face ao
sobreaquecimento da economia. O progressivo desmantelamento das medidas de
estímulo fiscal em muitos países, agora - como consequência da crise - a braços
com défices públicos muito expressivos, igualmente contribuiu para o
afrouxamento registado.
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
8
2010 2011 2010 2011
(E) (P) (E) (P)
Alemanha -0,2 -0,1 -3,3 -5,0 -4,7 65,1 66,0 73,2 78,8 81,6
Espanha +2,2 -3,9 -11,2 -9,8 -8,8 36,2 39,7 53,2 64,9 72,5
Irlanda +0,2 -7,2 -14,3 -11,7* -12,1 25,0 43,9 64,0 77,3 87,3
Grécia ___ -7,7 -13,6 -9,3 -9,9 ___ 99,2 115,1 124,9 133,9
Reino Unido -2,6 -5,4 -11,5 -12,0 -10,0 44,1 52,0 68,1 79,1 86,9
Japão -2,5 -5,6 -6,9 -6,7 -6,6 187,7 172,0 189,2 193,5 194,9
EUA -2,9 -5,3 -11,0 -10,0 -9,9 62,9 70,7 84,0 93,6 102,5
Impacto da crise financeira nas finanças públicas
Dívida Pública/PIB (%) 2007 2008 2009
Fonte: DI/Caixa Central com base na Moody’s Investment Services
2007 2008 2009 Saldo contas públicas/PIB (%)
E/P: Estimativa/Previsão 32% do PIB.
* Integrando o apoio do Estado Irlandês aos bancos em dificuldades, o défice sobe para o nível colossal de
Neste estado de coisas, e sobretudo como consequência de o crescimento económico não estar a absorver o desemprego existente, que permanecia elevado (9,4%)
∗e mostrava tendência de subida, as autoridades dos EUA decidiram manter em vigor as políticas de estímulo à actividade económica, incluindo a política monetária abertamente expansionista, deixando invariantes, no nível actual de praticamente 0%, as suas taxas directoras (fundos federais).
Em paralelo prosseguiram com as cedências massivas de liquidez ao sistema bancário e à economia.
Evolução da Euribor 3M e das Taxas Directoras da Zona Euro e dos EUA
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5 5 5,5 6
Jan-07 Abr-07 Jun-07 Set-07 Dez-07 Mar-08 Jun-08 Set-08 Dez-08 Mar-09 Jun-09 Set-09 Dez-09 Mar-10 Jun-10 Set-10 Dez-10
%
BCE (TAXA REDESCONTO) FED FUNDS Euribor 3M
∗Os últimos números sobre o desemprego, já do início de 2011, apresentaram uma significativa redução da taxa de desemprego para 9%, aguardando-se a informação para os meses subsequentes para ver se esta melhoria se consolida.
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
9
Na Zona Euro, no entanto, apesar de as taxas de desemprego continuarem também persistentemente elevadas em vários países, o Banco Central Europeu, mantendo embora a sua taxa directora (taxa
refi) em 1%, nível em que seencontra desde Maio de 2009, procedeu à inflexão da sua política monetária, começando a drenar, gradualmente, a liquidez injectada massivamente no sistema no auge da crise financeira. Em virtude deste reajustamento da política monetária na Zona Euro, as taxas
euribor, que tinham descido para níveisesmagados, de quase 0% nos prazos mais curtos, encetaram uma paulatina recuperação, que, depois de um período ainda incerto, tem prosseguido nos últimos meses.
No entanto, o possível reacendimento de tensões inflacionistas nos EUA e na Europa – no caso particular da Zona Euro a taxa de inflação homóloga mensal, ultrapassou, nos últimos meses já o target de 2% pelo qual o BCE norteia a sua política monetária – introduziria um factor de complicação na actual postura acomodatícia dos bancos centrais dos dois lados do Atlântico, obrigando-os a dar, desde já, também atenção à contenção da subida de preços. As declarações dos principais responsáveis têm ido, no entanto, no sentido de considerarem que a inflação ainda não é um problema. Assim, no caso particular da Zona Euro, não é de prever qualquer subida da taxa directora do BCE para os meses mais próximos.
Neste contexto económico de fraco dinamismo e de acentuada incerteza, os mercados financeiros mantiveram uma marcada volatilidade, prevalecendo no sector obrigacionista uma atitude de aversão ao risco, com a correlativa fuga para a qualidade que afectou, e profundamente, o próprio mercado da dívida pública. No sector accionista, por seu turno, ocorreram nos últimos meses do ano significativos movimentos de correcção que anularam os ganhos iniciais, embora com comportamento diferenciado entre os principais mercados (os índices dos EUA e Alemanha subiram, no resto da Europa em geral regrediram).
Face à conjuntura muito deprimida a nível internacional, a economia portuguesa
registou uma estagnação em 2008 e uma acentuada contracção em 2009, ano
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
10
em que o PIB decaiu 2,6%, evolução esta que, ao induzir uma forte redução das receitas do Estado e um aumento súbito da despesa pública via subsídios de desemprego – a taxa de desemprego subiu para 10,8% e mantém tendência ascendente
∗– provocou uma “crise fiscal”, agravada pelo afrouxamento, em 2009, do esforço de saneamento das contas públicas que vinha sendo seguido e pela situação estrutural de excessivo peso das despesas do Estado. O défice público em percentagem do PIB atingiu assim 9,3% em 2009 e projectava-se que ficasse em 8,3% em 2010, nível subsequentemente revisto para 7,3%, como reflexo das medidas entretanto adoptadas.
No tocante à evolução dos preços na economia portuguesa, verifica-se uma tendência semelhante à que se descreveu para a Zona Euro, explicada pelos mesmos factores - subida do custo de produtos de base energéticos, industriais e alimentares -, a que, no caso português, poderá vir a acrescer o efeito do aumento do IVA. Assim, a taxa de inflação média em 2010 situou-se em 1,4%, contra a inflação negativa de -0,8% registada em 2009. Aliás, as variações mensais mais recentes, também à semelhança do que ocorre na Zona Euro, mostram uma subida mais vincada do índice de preços no consumidor. (Em Dezembro foi de 2,4%).
2010 2011
Est. Prev.
Consumo Privado 1,1 1,6 1,8 -1,0 1,8 -2,7
Consumo Público -0,3 0,0 0,8 2,9 3,2 -4,6
FBCF -2,0 3,1 -1,8 -11,9 -5,0 -6,8
Exportações 9,1 7,5 -0,3 -11,8 9,0 5,9
Importação 4,2 5,6 2,8 -10,9 5,0 -1,9
PIB 1,3 1,9 0,0 -2,6 1,3∗ -1,3**
Procura Interna 0,3 1,6 1,2 -3,4 0,6 -3,9
Export.Líquidas 1,0 0,3 -1,2 0,8 0,7 2,5
Fonte:
• 2008, 2009: BdP, Boletim Económico, Outono 2010
• 2010,2011: BdP, boletim Económico, Inverno 2010
∗ Números recentes do INE elevaram a variação do PIB para 1,4%
**A projecção do Governo contida no OGE é de crescimento do PIB em 0,2%.
Evolução das componentes do PIB v.h. em %
2006 2007 2008 2009
∗A taxa de desemprego em Janeiro/2011, conforme dados recém-divulgados pelo INE, atingiu 11,1%, correspondendo a cerca de 620.000 desempregados.
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
11
Fonte: PEC (Março de 2010) e OE - 2011. Os níveis de dívida pública contemplados na revisão de Julho/2010 eram de 83,5% do PIB para 2010 e de 85,9% para 2011, os níveis respectivos são 82,1% e 86,6%.
Dívida Pública em % do PIB
86,6%
82,1%
77,2%
66,4%
63,6%
64,7%
63,6%
58,3%
2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010(E) 2011(P)
O nível do défice público, aliado ao crescimento da sensibilidade ao risco da dívida soberana dos países periféricos da Zona Euro que actualmente se verifica, e que afectou fortemente os yield da dívida portuguesa, veio criar a necessidade de um considerável reforço das medidas correctivas do défice, com impacto inevitavelmente gravoso. Estas medidas vão, no imediato, e porventura por algum tempo no futuro, restringir consideravelmente o crescimento da economia nacional, afectando o nível de actividade das empresas e avolumando o desemprego, sendo necessário compensar o efeito negativo na procura interna através de uma maior dinâmica das exportações, que aliás têm tido ultimamente comportamento razoável, nomeadamente de produtos não tradicionais e para mercados fora da Zona Euro.
* OE - 2011
Défice Público em % do PIB
-4,0%
-2,7% -2,7%
-9,3%
-7,3%
-4,6%*
2006 2007 2008 2009 2010(E) 2011(P)
Os factores críticos para o comportamento das exportações prendem-se,
naturalmente, com a melhoria da competitividade, que por sua vez depende do
crescimento da produtividade – que exige medidas estruturais – e da contenção
dos custos e da remuneração dos factores produtivos internos. A competitividade
também depende, porém, da evolução do euro em relação às principais divisas,
num quadro em que se especula sobre o ressurgimento de uma competição
cambial entre os mais importantes pólos económicos. Em tal eventualidade, a
subida do euro para além da cotação de 1€ = 1,35 USD, seria susceptível de
prejudicar significativamente a evolução das nossas exportações, e de outros
países da Zona Euro, e constituiria mais um factor de agravamento das
dificuldades de ajustamento da economia nacional.
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
12
2007 2008 2009 2010
Taxa de desemprego (%) 8,0 7,6 9,5 10,7*
Desemprego de longa duração (%) 48,8 49,8 46,5 54,2*
Desempregados (v.h.%) +4,9 -4,8 23,8 15,5*
Inflação (IPC v.h.%)* 2,5 2,6 -0,8 1,4
da qual
prod. energéticas 3,5 6,5 -8,0 9,5
bens alimentares 2,8 4,2 -2,5 0,4
* Até Novembro
Fonte: BdP, Indicadores de conjuntura, Set 2010 e Jan 2011 Boletim Económico Inverno 2010
Desemprego e Inflação
De referir finalmente que o défice da balança corrente e de capital, que traduz a evolução do endividamento da economia portuguesa face ao exterior, registou em 2010, em percentagem do PIB, uma ligeira melhoria – descendo de 9,4% no ano anterior para 8,8% –, antevendo-se nova redução do défice (em % do PIB) em 2011 para 7,1%. No entanto, estes níveis de desequilíbrio mantêm-se excessivos, e são insustentáveis num cenário de subsistência de restrições ao financiamento externo da economia portuguesa.
Balança Corrente e de Capital ( % do PIB)
-8,1
-10,5
-9,4 -8,8
-7,1
2007 2008 2009 2010 (E) 2011 (P)
Fonte: BdP, Boletim Económico, Inverno/2010
MERCADO BANCÁRIO
As perspectivas para o sector bancário que decorrem deste panorama
macroeconómico são desfavoráveis no tocante à dinâmica e às condições gerais
do negócio, na medida em que, à evolução quantitativamente desfavorável do
crédito, se vão adicionar factores de risco, agravados pelas dificuldades da
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
13
conjuntura, que tenderão a deteriorar a qualidade da carteira e a aumentar as imparidades.
Dez-08 Mar-09 Jun-09 Set-09 Dez-09 Mar-10 Set-10 Nov-10
8,5 6,2 4,7 4,6 3 2,8 2,2 2,1
14 10,9 8,8 7 1,7 0,8 0,2 0,6
4,2 2,4 1,3 2,5 4,1 4,6 4,0 3,4
3,9 2,4 1,5 3,1 5,1 5,5 5,1 4,6
12,1 5,5 3,3 1,8 1,8 2 1,0 -1,2
Evolução dos Agregados de Crédito Variação homóloga em %
Fonte: Banco de Portugal; Indicadores de Conjuntura
Habitação Consumo Total
Empresas Particulares
Estas tendências já se verificam, aliás, no momento presente, na medida em que o crédito a empresas se encontra em estagnação – o que traduz um volume muito limitado de crédito novo – e o crédito vencido tem registado níveis de crescimento consideráveis. Entre 2007 e Junho de 2009 o crédito vencido de empresas aumentou 178,1%, representando mais 2.649 milhões de euros em valor absoluto nesse período, e de meados de 2009 até Novembro de 2010 registou-se novo incremento de 2.026 milhões. No crédito a particulares, embora de modo menos expressivo, o crédito vencido apresentou igualmente, no mesmo período, grande aumento, particularmente no crédito ao consumo (mais de 800 milhões de euros desde 2007) uma vez que no crédito à habitação o crescimento do crédito em mora é significativamente menos acentuado.
Jun-09 Jun-10 Jun-09 Nov-10
Dez-07 Jun-09 Dez-07 Jun-09
Particulares 1.296 794 58,7 22,7
do qual:
Habitação 516 202 40,8 11,3
Consumo 452 359 89,5 37,5
Empresas 2.649 2.026 178,1 49,0
das quais Construção e
Imobiliário 1.436 957 371,3 47,2
TOTAL 3.617 2.820 97,9 36,9
Fonte: BdP, Boletim Estatístico
∆%
Crédito Vencido no Sistema Bancário Nacional Evolução
∆ absoluta Milhões de euros
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
14
Sobre este pano de fundo já complexo, as restrições de balanço que as instituições enfrentam, a necessidade de iniciarem a adaptação para o enquadramento normativo de Basileia III, e, sobretudo, as actuais dificuldades em se refinanciarem nos mercados financeiros internacionais – o que é uma sequela do actual grau de endividamento global do país, combinando as dívidas do sector público com as dos agentes privados, que se reflectem no balanço dos bancos – são factores que vão igualmente pesar nas perspectivas para o negócio bancário no futuro próximo.
2007 2008 2008 2009 2009 2010
Dez Jun Dez Jun Dez Set
< 20.000 10,6 11,0 11,1 12,6 14,0 15,2
20.000 – 50.000 7,3 7,7 8,0 9,3 9,9 11,1
50.000 – 100.000 5,9 6,6 6,9 8,5 9,0 10,2
100.000 – 200.000 4,8 5,5 6,0 7,2 7,9 8,8
200.000 – 400.000 4,0 4,4 4,7 6,1 6,5 7,9
400.000 – 1.000.000 3,5 4,0 4,6 6,3 6,7 7,8
1.000.000 – 5.000.000 2,6 3,2 3,5 5,0 5,6 7,2
> 5.000.000 0,4 0,7 1,0 2,7 2,6 3,2
Fonte: BdP, Boletim Estatístico
Rácios de crédito vencido empresariais por escalões do crédito concedido
[Intervalos em euros]
Outro aspecto relevante da actual situação do mercado é a persistência, apesar da ligeira recuperação que se verificou recentemente, do baixo nível das taxas
euribor, que, no tocante à sua actividade doméstica, penalizou a margemfinanceira dos diferentes bancos, e naturalmente em maior medida daqueles em cuja carteira de crédito têm peso elevado os empréstimos a prazos longos indexados a esses referenciais de mercado. Alguns bancos, no entanto, conseguiram, pelo menos em parte, compensar esta evolução com os proveitos da sua actividade internacional, e através do aumento da margem complementar.
Apesar da ligeira subida das taxas
euribor nos últimos tempos, a margemfinanceira mantém-se sob pressão, devido à expressiva subida do custo dos
recursos, que tenderá a acentuar-se, seja em consequência da crescente
competição pelos depósitos – induzida pela necessidade em que as instituições se
encontram de recomporem a estrutura do seu passivo – seja pelos spreads mais
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
15
altos (em relação ao passado recente) nos financiamentos junto dos mercados financeiros internacionais, quando estes se voltarem a abrir.
O fraco crescimento que se pode antever na massa global de recursos (depósitos e recursos fora do balanço) como reflexo da fraca dinâmica da economia e da própria contenção do crédito, para além de outros factores, vai ser um factor adicional de intensificação da concorrência entre as instituições financeiras na captação de recursos de clientes.
Verifica-se, na verdade, um crescimento da taxa média de remuneração dos depósitos nos últimos meses claramente superior ao que se tem verificado no crédito. Assim, desde Junho até Novembro a taxa média dos depósitos até dois anos subiu 0,46 pontos percentuais, quando no mesmo período a taxa média do crédito a empresas apenas subiu 0,33%, sendo a subida ainda menor nas taxas do crédito a particulares.
2006 2007 2008 2008 2009 2009 2010 2010 ∆pp ∆pp
Dez Dez Jun Dez Jun Dez Jun Nov Jun10 - Jun09 Nov - Jun10 Depósitos até 2 anos 2,72 3,58 3,72 3,99 2,37 1,67 1,46 1,92 -0,91 +0,46 Crédito a empresas* 5,39 6,15 6,29 6,14 4,02 3,34 3,31 3,64 -0,71 +0,33 Crédito à habitação 4,79 5,51 5,63 5,86 3,08 2,00 1,86 2,06 -1,22 +0,20 Crédito pessoal
(consumo…) 8,07 8,75 8,98 9,04 8,00 7,32 7,76 7,87 -0,24 +0,11
* Sociedades não financeiras
Fonte: BdP, Indicadores de Conjuntura, Set/2010
Nível de Taxas de Juro Médias no Sistema Bancário
Os bancos portugueses, como se sabe, têm compensado as maiores dificuldades de financiamento nos mercados recorrendo ao Banco Central Europeu, obtendo assim recursos em condições até bastante favoráveis, mas este canal não ficará indefinidamente aberto nos termos e nos moldes actuais.
É porém expectável que a subida no custo dos recursos venha a reflectir-se no
preço do crédito, uma vez que as instituições não têm margem de manobra para
acomodar essa subida sem ajustamento nas taxas activas.
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
16
CRÉDITO AGRÍCOLA - EVOLUÇÃO RECENTE E PERSPECTIVAS
O Crédito Agrícola é uma instituição bancária de base cooperativa, integrando-se num modelo com presença de grande relevo nos sistemas financeiros de outros países europeus, como a Alemanha, a França, a Holanda e a Itália. A nível europeu, os bancos cooperativos dispõem de uma quota de mercado de mais de 20%, servem 170 milhões de clientes através de 4.100 bancos locais com 65.000 balcões, e empregam centenas de milhares de pessoas. Alguns dos bancos cooperativos encontram-se entre as instituições líderes do continente europeu. É reconhecido que os bancos cooperativos foram os que melhor suportaram o impacto da crise financeira, de que não foram causadores, funcionando no contexto da crise como um factor de estabilidade.
Com a mesma vocação dos seus congéneres europeus, eles também com laços históricos à agricultura, embora abertos hoje em dia a outros sectores económicos, o Crédito Agrícola tem vindo a fortalecer continuamente a sua solidez económico-financeira. Tal está bem expresso no valor da sua situação líquida, de mais de 1.000 milhões de euros, bem como no nível do rácio de solvabilidade e do rácio Tier 1 (relativo aos fundos próprios de base), situando-se este último actualmente em 12,2 %. Este rácio é o mais elevado no conjunto dos grupos bancários de maior relevância no sistema financeiro nacional, e está muito acima dos mínimos definidos pelo Banco de Portugal, e também dos que decorrem do novo regime normativo internacional conhecido como Basileia III.
No período 2002-2010, o Crédito Agrícola aumentou o seu rácio
Tier 1 em 4pontos percentuais, tendo conseguido um notável reforço da sua solvabilidade.
Ao mesmo tempo que mantém esta forte posição em termos de solvabilidade, o
Crédito Agrícola dispõe igualmente de uma posição de liquidez ímpar, que é o
resultado da prudente política, que sempre manteve, de limitar o volume do
crédito que concede aos depósitos que capta, deixando ainda uma significativa
margem de segurança. Esta prática dispensa o Grupo de recorrer aos mercados
financeiros internacionais para o financiamento da sua actividade creditícia.
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
17
Evolução do Rácio Tier 1 do Crédito Agrícola
8,1%
9,1%
10,4% 10,5%
11,6% 11,5% 12,0% 11,8% 12,2%
6,0%
8,0%
10,0%
12,0%
14,0%
2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Set-10
Ano
Percentagem
Evolução da Situação Líquida do SICAM
520 570
657 738
828 873
979 1.000 1.016
0 200 400 600 800 1.000 1.200
2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Set-10
Ano
Valores em Milhões de euros
Rácio TIER I - Junho 2010
12,36%
12,21%
8,90%
8,20%
7,90%
8,90%
9,50%
8,40%
8,60%
0,00% 12,36%
Em 2010 o Crédito Agrícola voltou a reforçar os seus capitais próprios, apesar das dificuldades da conjuntura e do efeito exógeno da política monetária do BCE que, esmagando as taxas
euribor, a que muitos contratos de crédito seencontram indexados, prejudicou bastante a margem financeira das Caixas Associadas, reduzindo em consequência o seu produto bancário e os resultados.
Estes mantiveram-se, no entanto, no conjunto do Crédito Agrícola, amplamente positivos no corrente exercício, tendo ultrapassado os 37 milhões de euros para o SICAM (Caixa Central e Caixas Associadas) e atingido cerca de 9 milhões de euros na actividade seguradora.
A actual conjuntura tem conduzido a um aumento do crédito mal parado no
conjunto do sistema bancário nacional, fenómeno inevitável e que se verifica
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
18
Evolução do Activo do SICAM
7.946 8.251 8.696 9.319 10.044 10.566
11.447 12.093 13.098
0 2.000 4.000 6.000 8.000 10.000 12.000 14.000
2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Set-10
Ano
Valores em milhões de euros
Evolução dos Depósitos de Clientes do SICAM
6.863 7.181 7.599 8.174 8.671 9.158 9.613 10.070 9.994
0 2.000 4.000 6.000 8.000 10.000 12.000
2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 Set-10
Ano
Valores em milhões de euros
igualmente noutros países, dadas as dificuldades enfrentadas por numerosas empresas e famílias. Todavia, o aumento do crédito vencido no Crédito Agrícola, no contexto da actual crise, está bastante aquém do que se regista no sistema bancário no seu todo.
Refira-se aliás que, nos últimos anos, o Crédito Agrícola reforçou de modo significativo a sua cobertura de provisões para crédito vencido, a qual se elevou de 73,6% no final de 2002 para cerca de 129% no último exercício.
O activo líquido do Crédito Agrícola situava-se, ao terminar o exercício de 2010, em cerca de 14 mil milhões de euros (13 mil milhões no SICAM), o que, representando já cerca de 8% do Produto Interno Bruto português, atesta a dimensão nacional do Grupo e a sua relevância no sistema financeiro português.
Para além desta evolução no plano financeiro, o Crédito Agrícola conseguiu igualmente nos últimos anos uma evolução marcante em diversos aspectos da sua actividade, com melhorias visíveis na sua base tecnológica e no plano operativo, bem como na modernização da sua imagem e reforço da notoriedade.
Do mesmo modo, o Crédito Agrícola tem prosseguido o crescimento da sua rede,
mesmo neste período em que o ambiente de negócio se apresenta menos
favorável, dispondo actualmente de 690 balcões, cobrindo a totalidade do
território nacional (com excepção da Região Autónoma da Madeira). Em alguns
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
19
distritos do continente a rede do Crédito Agrícola representa mais de 30% da rede bancária existente.
Evolução do número de balcões do SICAM
584 598
616
628 632
647
670 680 690
520 540 560 580 600 620 640 660 680 700
2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010
Ano
Valores em milhões de euros
O Grupo dispõe de um dos mais vastos parques de ATM (com 1.400 unidades, 10% da rede nacional, das quais 400 em localidades onde não existe qualquer outro tipo de serviço bancário), para além de um sistema avançado de auto- serviço bancário (Balcão 24, actualmente com 202 máquinas), e quase 15.700 TPA’s em pontos de venda. O Crédito Agrícola presta, actualmente, também o serviço de acquirer, detendo uma quota de mercado em cartões de 7%.
10%
5,6 % 7,2 %
Quota de Mercado
1.400 ATMs
1.007.281 15.640 Nº
TPAs Cartões
10%
5,6 % 7,2 %
Quota de Mercado
1.400 ATMs
1.007.281 15.640 Nº
TPAs Cartões
Quotas de Mercado Dezembro 2010
É ainda de referir que o Crédito Agrícola colocou à disposição dos seus associados
e clientes um serviço de internet banking, designado por CA On-Line, que oferece
uma gama alargada de funcionalidades para consultas e transacções bancárias,
quer para empresas quer para particulares, que tem granjeado adesão crescente,
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
20
e igualmente instalou um canal de banca telefónica, também com grande utilização.
Para além das 85 Caixas Agrícolas e da Caixa Central, que entre si formam o SICAM, o Crédito Agrícola integra um conjunto de empresas especializadas, nas áreas de seguros, de gestão de activos e de consultadoria, com crescente importância. Merece destaque, neste contexto, a relevância já adquirida pela actividade seguradora do Grupo, distinguindo-se as duas companhias – a CA Vida e a CA Seguros -, quer pela evolução dos seus indicadores económicos e financeiros quer pela crescente qualidade do serviço. Tal conduziu ao reconhecimento da CA Seguros como a melhor seguradora de ramos reais em Portugal no seu segmento, distinção que obteve, em 2010, pelo terceiro ano consecutivo. Em 2006 a CA Vida fora, por sua vez, considerada a melhor seguradora do Ramo Vida e tem mantido, nos últimos anos, posição de destaque no “ranking”.
As perspectivas do Grupo para o próximo ano continuam condicionadas pela conjuntura de crise económica e financeira, admitindo-se no entanto que a recuperação paulatina a que se assiste desde há já alguns meses nas taxas
euribor tenha continuidade e se reflicta positivamente na margem financeira dasCaixas Associadas. Em sentido contrário, está a assistir-se a uma concorrência mais aguda pelos recursos, com impacto no seu custo, dada a necessidade em que os demais bancos se encontram de reajustarem a composição do passivo.
A chamada margem complementar, em que se integram, entre outros, os
proveitos da venda cruzada, nomeadamente de seguros, as comissões do
negócio de cartões, etc. tem vindo a dar igualmente um contributo mais
expressivo para o produto bancário, e tal tendência deverá manter-se em 2011.
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
21
Já no que toca ao crédito mal parado, o seu valor tenderá a aumentar, como sempre sucede em situações de recessão ou de fraco crescimento económico, mas como se viu atrás, o Crédito Agrícola dispõe de uma ampla cobertura de provisões, o que constitui uma salvaguarda nesta conjuntura complexa.
Admite-se que o efeito conjugado dos vários factores em presença se traduzirá em 2011 numa melhoria dos lucros consolidados do Crédito Agrícola comparativamente a 2010. A este respeito, são já conhecidos os resultados de Janeiro de 2011 que foram, em termos líquidos, de 10 milhões de euros no conjunto do SICAM, marcando um início muito positivo para o actual exercício, que é mais de realçar no actual contexto.
3. Actividade de crédito
Durante o exercício de 2010, o crédito concedido diminuiu relativamente ao ano anterior em -4,2% (em 2009 esta percentagem tinha sido de um aumento de +3,4%). Trata-se de uma situação decorrente da situação de crise em que o País se encontra mergulhado, com uma consequente diminuição da procura de crédito por um lado e por maiores exigências em termos de análise e de condições para a sua concessão.
A evolução do crédito concedido não vencido, em termos de capitais mutuados, encontra-se detalhada no quadro seguinte (valores em €):
2009 2010 Var. %
Crédito concedido 26.815.274 25.689.271 -4,2%
… A curto prazo 4.049.281 3.122.826 -22,9%
… A médio e longo prazo 22.765.993 22.566.445 -0,9%
A evolução do crédito e juros vencidos e provisões foi a seguinte (valores em
€):
2009 2010 Var. %
Crédito e juros vencidos 1.166.973 1.421.135 21,8%
Provisões totais acumuladas (1.239.007) (1.371.176) 10,7%
Percentagem de cobertura 106,17% 96,48%
Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Vale de Cambra, CRL, R. do Hospital, N.º 402 - 3730-250 Vale de Cambra, Tel. 256 423 628/9, e-mail [email protected], www.creditoagricola.pt, Capital Social 1.500.000 euros (variável) – Registo na Conservatória de Vale de Cambra, sob o n.º 3/840418 – Contribuinte 501292 730
22 O crédito vencido e não pago, que em 2009 representava 4,17% do total do crédito concedido (em termos brutos), passou a representar em 31 de Dezembro de 2010, 5,23% do total. Em termos líquidos de provisões (Aviso 6/99 do Banco de Portugal) o valor deste rácio foi de 2,3% (igual em 2009).
4. Captação de depósitos
Em 2010, os recursos de clientes (depósitos à ordem, a prazo e poupanças) registaram um aumento com uma variação mínima de +0,3% (em 2009 o aumento tinha sido de +12,6%).
Esta situação, algo anómala para o histórico da Caixa, decorre, de acordo com a nossa análise, da situação muito agressiva por parte da concorrência, como sabemos limitada no acesso ao seu financiamento nos mercados de dívida (em especial nos mercados externos), com a consequente maior atenção no mercado interno.
A este propósito, o Conselho de Administração da Caixa está a já a tomar as medidas que considera ajustadas a esta situação, com soluções que reputamos concorrenciais e ainda mais favoráveis para os nossos clientes e associados, considerando ainda que a Caixa dispõe de bastante liquidez e disponibilidades para suprir as necessidades de crédito, cumpridos que estejam os requisitos necessários à sua concessão.
Comparativamente às nossas previsões (constantes do nosso Plano de Actividades e Orçamento para 2010), a captação de depósitos esteve aquém do previsto.
A evolução dos depósitos captados foi a seguinte (valores em €):
2009 2010 Variação %
Depósitos 43.534.688 43.656.382 +0,3%
...À Ordem 9.889.884 11.064.372 +11,9%
...A Prazo e poupança 33.644.804 32.592.009 -3,1%