PROGRAMA APÍCOLA NACIONAL 2014-2016
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INDICE GERAL
SÍNTESE EXECUTIVA ... 7
INTRODUÇÃO ... 8
I. O APICULTOR E A EXPLORAÇÃO ... 11
I.1 Caracterização genérica da atividade apícola em Portugal ... 11
I.1.1 Distribuição regional e dimensão média ... 12
I.1.2 Distribuição da atividade apícola, por classes de dimensão ... 14
I.1.3 Cortiços e Núcleos ... 17
I.1.4 Modelos de colmeias ... 18
I.1.5 Perfil do Apicultor ... 19
I.2 Organização da Produção ... 20
I.2.1 Prestação de Serviços de Assistência Técnica ... 20
I.3 Sanidade ... 22
I.3.1 Zonas Controladas ... 22
I.3.2 Doenças de Declaração Obrigatória ... 31
I.3.3 Luta Integrada contra a Varroose... 31
I.3.4 Rastreio nacional à varroose ... 34
I.4 Transumância ... 35
I.5 Recursos Genéticos ... 37
I.5.1 Conservação ... 38
I.5.2 Seleção e Melhoramento ... 38
I.6 Conta de Cultura ... 39
I.6.2 Valor Bruto da Produção ... 43
I.6.3 Estrutura de Consumos Intermédios ... 44
II. PRODUTOS E SERVIÇO DA COLÓNIA ... 45
II.1 Polinização ... 46
II.2 Própolis ... 47
Abril 2013 (rev. setembro 2013)
2
II.3 Pólen ... 47
II.4 Apitoxina ... 48
II.5 Enxames/Núcleos ... 49
II.6 Geleia Real ... 49
II.7 Criação de Rainhas ... 50
II.8 Cera ... Erro! Marcador não definido. II.1.1 Produção de cera destinada diretamente à atividade apícola ... 53
III. O MEL ... 55
III.1 Tipos de Mel ... 56
III.1.1 Tipificação da Origem Floral ... 56
III.1.2 Mel com Denominação de Origem Protegida ... 59
III.1.3 Mel Biológico ... 62
III.1.4 “Manual de Apicultura em Modo de Produção Biológico” ... 63
III.2.2 Higiene, Rastreabilidade e HACCP ... 64
III.2.2.1 Legislação aplicável ... 64
III.2.3 Controlo de Resíduos ... 67
III.2.3.1 Plano Nacional de Controlo de Resíduos ... 67
III.2.3.2 Implementação da Legislação Comunitária nos Países Terceiros ... 68
III.4 Panorâmica do Mercado Nacional ... 69
III.4.1 Produção, Consumo e Auto aprovisionamento ... 69
III.4.2 Comércio Externo ... 70
III.4.2.1 Balança Comercial ... 70
III.4.2.2. Preços à Importação e à Exportação ... 72
III.5 Panorâmica do Mercado da União Europeia ... 73
III.5.1 Produção, consumo e auto aprovisionamento de mel na UE ... 73
III. 5.2 Comércio Externo da UE por País de Origem e Destino ... 74
III.5.3 Preço à Importação e à Exportação e Preço do Mercado Mundial ... 76
III.6 Panorâmica do Mercado Mundial ... 77
III.6.1 Produção Mundial ... 77
IV DIAGNÓSTICO ... 79
IV.1 Análise interna – Pontos fortes ... 79
IV.2 Análise interna – Pontos fracos... 79
IV.3 Análise externa – Oportunidades... 80
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V. MISSÃO, VETORES E OBJETIVOS ESTRATÉGICOS PARA 2014-2016 ... 81
V.1 Missão ... 81
V.2 Vetores Estratégicos... 83
V.2.1 Estruturar a fileira apícola nacional ... 83
V.2.2 Diferenciar da concorrência (orientar para o mercado) ... 84
V.3 Objetivos Estratégicos ... 85
V.3.1 Melhorar a sanidade e o maneio apícola ... 85
V.3.2 Reforçar a organização da produção e a concentração da oferta ... 85
V.3.3 Melhorar a qualidade do mel ... 86
V.3.4 Melhorar as condições de acesso ao mercado ... 86
VI. Operacionalização da estratégia para 2014-2016 ... 86
VI. Síntese das principais conclusões sobre a avaliação do PAN 2010-2013 ... 88
VI.2 Definição das medidas para o PAN 2014-2016 ... 91
VII. Operacionalização dos objetivos para 2014-2016 ... 91
VII.1 Indicadores de Desempenho e Quantificação das Metas para 2016 ... 92
VII.2 Monotorização e acompanhamento... 94
VII.3 Implicações Financeiras ... 95
ANEXO I ... 97
Medida 1 - Assistência Técnica... 97
Medida 1 A ... 97
Medida 1 - Assistência Técnica... 101
Medida 1 B ... 101
Medida 1 - Assistência Técnica... 103
Medida 1 C ... 103
Medida 2 - Luta contra a varroose ... 105
Medida 3 - Transumância ... 107
Medida 4 - Análises Laboratoriais ... 109
Medida 5 - Repovoamento do efetivo apícola ... 111
Medida 6 - Programas de Investigação Aplicada ... 112
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QUADROS
Quadro 1- Caracterização genérica da atividade apícola Quadro 2- Distribuição regional da atividade registada
Quadro 3 – Distribuição da atividade apícola por classes de dimensão Quadro 4 – Distribuição de Cortiços e Núcleos
Quadro 5 – Lista das Entidades do Setor em 2013
Quadro 6 – Entidades gestoras de Zonas Controladas por concelho 2013 Quadro 7 – Conta de Cultura da Atividade Apícola em Portugal – 2013
Quadro 8 – Síntese da Conta de Cultura da Atividade Apícola em Portugal 2013 Entidades Gestoras de Zonas Controladas por Concelho
Quadro 9 – Estimativa do Valor Bruto da Produção do Setor Apícola Quadro 10 – Evolução do Valor Bruto da Produção do Setor Apícola Quadro 11 – Indústria e Comércio de Cera Destinada à atividade Apícola Quadro 12 – Calendário de Floração de Espécies Melíferas
Quadro 13 – Denominações de Origem Protegida, Nomes Geográficos, Agrupamentos Gestores e Organismos de Controlo e Certificação
Quadro 14 – Caracterização da Produção de Méis com nomes protegidos em 2008 e 2009 Quadro 15 – Preços dos Méis com nomes protegidos em 2008 e 2009
Quadro 16 - Efetivo em modo de produção biológico – evolução entre 2004 e 2010 Quadro 17 – Efetivo em modo de produção biológico por região
Quadro 18 – Controlo de resíduos no mel número de amostras colhidas Quadro 19 –
Produção Nacional de MelQuadro 20 - Balanço de Autoaprovisionamento de Mel Quadro 21 – Evolução da Balança Comercial
Quadro 22 - Evolução das Importações e Exportações Nacionais de Mel (toneladas) Quadro 23 - Evolução dos preços à importação
Quadro 24 - Evolução dos
preços à exportação5
Quadro 25 - Balanço do mel na União Europeia 27
Quadro 26 - Evolução da produção mundial de mel, por país produtor Quadro 23 - Definição das medidas para o PAN 2014-2016
Quadro 28 - Operacionalização dos Objetivos para o PAN 2014-2016
Quadro 29 - Indicadores de desempenho dos objetivos e quantificação das metas para 2016
Quadro 30 - Metas de realização das medidas Quadro 31 – Implicações Financeiras para o PAN
GRÁFICOS
Gráfico 1- Número de apiários por apicultor Gráfico 2 – Número de colmeias por apicultor Gráfico 3 – Atividade apicultores não profissionais
Gráfico 4 – Atividade apicultores profissionais (> de 150 colmeias)
Gráfico 5 – Distribuição da atividade apícola a nível nacional por classes de dimensão Gráfico 6 – Distribuição da atividade apícola a nível nacional
Gráfico 7 – Número de Técnicos Financiados pelo PAN entre 2010 e 2012 Gráfico 8 – Número de análises laboratoriais
Gráfico 9 – Evolução da varroose
Gráfico 10 – Estrutura de consumos intermédios de um apicultor profissional com transu- mância
Gráfico 11 - Estrutura de consumos intermédios de um apicultor não profissional Gráfico 12 – Indústria de Cera – com moldagem
Gráfico 13 - Indústria de Cera – sem moldagem
Gráfico 14 – Produção de Méis com nomes protegidos em 2009 Gráfico 15 – Modalidades de escoamento do mel
Gráfico 16 – Operadores em Modo de Produção Biológico reconhecidos em 2009
Gráfico 17 – Evolução da Balança Comercial
6
Gráfico 18 – Evolução das Importações e Exportações Nacionais de Mel (toneladas) Gráfico 19 - Produção da União Europeia por Estado Membro em 2011
Gráfico 20 – Importações da UE, por origem
Gráfico 21 – Exportações da EU, por país de destino
Gráfico 22 – Evolução da produção mundial de mel, por continente Gráfico 23 - Preços Médios do Comércio Externo da UE
Gráfico 22 - Principais países produtores de mel
MAPAS
Mapa 1 – Zonas Controladas
Mapa 2 – Mapa das Espécies de Flora Melífera de Portugal Continental
Mapa 3 – Mapa dos Méis com Denominação de Origem Protegida
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SÍNTESE EXECUTIVA
O presente trabalho foi elaborado pelo Grupo Acompanhamento do Plano Apícola (GAPA),em es- treita colaboração entre as entidades oficiais e a Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP) que o constituem.
De forma a servir de suporte à elaboração do diagnóstico sectorial, foram realizados inquéritos dirigidos ao setor e aos serviços regionais do MAM:
Um inquérito dirigido às entidades coletivas representativas do setor;
Um inquérito dirigido aos apicultores profissionais com mais de 150 colmeias (enviado a 350 apicultores e recebidas 130 respostas), e
Outro inquérito dirigido às cinco Direções Regionais de Agricultura do Ministério da Agricultura e do Mar e aos serviços competentes das Regiões Autónomas.
Com estes inquéritos, pretendeu obter-se, para além de informação objetiva sobre as condições da produção e comercialização apícola, também uma perspetiva sobre a sensibilidade dos apicul- tores e seus agrupamentos relativamente aos principais problemas/fragilidades da apicultura na- cional, aos efeitos da atuação do Programa Apícola de 2011-2013 e, por último, relativamente às medidas consideradas fundamentais para implementação no âmbito do próximo Programa Apí- cola.
Com base no diagnóstico sectorial efetuado, foi finalmente delineada uma estratégia de interven- ção, consubstanciada pela definição de uma missão para o Programa de 2014-2016, missão com base na qual se construíram os vetores de atuação respetivos objetivos estratégicos.
É de referir, por último, que a operacionalização desta estratégia (vetores e objetivos) se consubs- tanciou através de um conjunto de medidas que, por imperativo jurídico, se inserem no
quadro de medidas estabelecidas pelo Regulamento (CE) n.º 1234/07¹, do Conselho, de 22 de outubro e pelo Regulamento (CE) n.º 917/2004², da Comissão, de 29 de abril.
8
INTRODUÇÃO
O setor apícola em Portugal, tal como no resto da União Europeia, é uma atividade tradicional- mente ligada à agricultura, sendo normalmente encarada como um complemento ao rendimento das explorações, existindo, contudo, uma pequena minoria de apicultores para os quais a apicultura é a base das receitas de exploração. Representa contudo um serviço vital para a agricultura através da polinização e contribui para a preservação da biodiversidade ao manter a diversidade genética das plantas e o equilíbrio ecológico.
Avaliar o setor apícola com base em indicadores económicos diretos implica relevar o mesmo para um plano que subestima fortemente a sua importância na produtividade agrícola, na manutenção dos ecossistemas e espaços naturais, no equilíbrio ecológico da flora e na preservação da biodiver- sidade, ou seja, num aproveitamento integrado e economicamente sustentável do espaço rural.
A apicultura é uma atividade exercível “sem terra” e com um papel a não desprezar na animação do nosso tecido rural e na ligação do homem urbano àquele meio, que não pode, como tal, ser avaliada exclusivamente com base numa relação custo/benefício que tenha por base os fatores de produção envolvidos e o valor dos produtos diretos da atividade, como o mel, a cera, o pólen, a própolis, a geleia real e as abelhas.
Os benefícios indiretos na produção agrícola, resultantes da ação da abelha na polinização e fertili- zação das plantas entomófilas, superam, à semelhança do estimado para outros países, fortemente o valor daqueles produtos. Sendo possível suprir as nossas necessidades em produtos da colmeia através da importação, já é impensável equacionar a competitividade da nossa agricultura, com particular destaque para a fruticultura, sem equacionar a existência de uma atividade apícola que a suporte.
Finalmente, é assinalável o papel relevante do apicultor. Há umas décadas atrás, quando as doenças que afetavam as colmeias de abelhas não tinham a expressão e a incidência que têm hoje, o papel das colmeias “selvagens” na manutenção dos equilíbrios ecológicos e dos espaços naturais e na polinização das culturas agrícolas – explorando recursos naturais renováveis, aproveitáveis pelo homem praticamente só através da abelha – poderia ser relevante. Hoje em dia, porém, e aten- dendo à importância que adquiriu o maneio sanitário, sem uma intervenção do apicultor, os bene- fícios indiretos da abelha ficam nitidamente comprometidos.
9 Pode concluir-se que o mel, enquanto principal produto direto da apicultura nacional, constitui um produto estratégico do ponto de vista de um aproveitamento integrado do espaço rural.
O programa anterior, que vigorou no período 2010-2013, foi elaborado com preocupações acresci- das no sentido de uma estruturação do setor apícola nacional, melhoria da produção e comerciali- zação dos produtos da apicultura, através da profissionalização do setor e de novos incentivos à concentração da oferta. Por outro lado, esse programa tinha a intenção de alcançar uma maior eficácia de execução, face a períodos anteriores de programação.
Embora no período 2011-2013 se tenham verificado aumentos de execução relevantes, inclusiva- mente um aumento ligeiro da profissionalização do setor, os problemas com a burocracia adminis- trativa apesar de atenuados continuaram a constituir um entrave ao Programa.
Neste novo período de programação são eliminadas algumas medidas que tinham execução muito baixa ou nula e introduzimos uma nova medida de promoção. As adaptações mais significativas assentaram essencialmente em três objetivos específicos:
Simplificação administrativa, implementação pelo IFAP I.P. de uma plataforma digital, com acesso pelas diferentes entidades envolvidas (Entidades recetoras e Entidades Avali- adoras) que agiliza substancialmente a operacionalização do Programa.
Plano Integrado de Assistência Técnica (PIAT), que integra as medidas de assistência téc- nica, profilaxia e maneio, de forma a obter o efeito de maximização do impacto setorial pretendido com este regime de apoio, e de acordo com os objetivos sectoriais preconiza- dos.
Comercialização, tendo em consideração a estratégia do MAM relativamente à concentra- ção da oferta e à promoção, pretende-se neste PAN privilegiar as Organizações de Produ- tores enquanto beneficiários.
O diagnóstico setorial e a avaliação efetuada ao programa 2011-2013, permitiu concluir que os pressupostos que estiveram na sua génese são ainda válidos e oportunos para o setor, e que os três anos de aplicação foram insuficientes para a adaptação dos operadores e da própria administração às alterações de paradigma então preconizadas. No entanto, foram evidentes os sinais de que ao longo do período a experiência e conhecimento por parte de todos os intervenientes permitiu uma crescente adesão pelo setor e melhoria da resposta pela administração.
10 A abordagem ao novo período de programação tem por base a continuidade do programa anterior, possibilitando mais tempo de aplicação e amadurecimento, utilizando a experiência adquirida para efetuar adequações nas ações/medidas preconizadas, quer em matéria de conceção quer de ope- racionalização e controlo, nomeadamente, no que respeita a simplificação administrativa, relação custo/benefício e seletividade da atribuição dos apoios face aos objetivos do Programa, e em res- peito pelo enquadramento regulamentar aplicável.
11
I. O APICULTOR E A EXPLORAÇÃO
I.1 Caracterização genérica da atividade apícola em Portugal
Existem atualmente em Portugal cerca de 17mil apicultores registados, correspondendo a um uni- verso de, aproximadamente, 40 mil apiários e 567 mil colmeias. Apresentam-se no quadro 1 os dados relativos à evolução desta atividade entre 2010 e 2013 podemos concluir que:
Decréscimo do número de apicultores;
Aumento de menos de 1% do número de colmeias e de 5% no número de apiários.
Quadro 1 - Caracterização genérica da atividade apícola
2010 2013 Variação
N.º de apicultores 17 291 16 774 -517 -2,99%
N.º de apiários 38 203 40 176 1 973 5,16%
N.º de colmeias 562 557 566 793 4 236 0,75%
Fonte: DGAV - Dados de fevereiro de 2013
12 Evolução do setor: aumento da dimensão média dos apicultores com aumento significativo do nú- mero de apiários, ainda que o número total de colmeias só tenha aumentado 1%.
I.1.1 Distribuição regional e dimensão média
Da análise da distribuição regional dos apicultores registados (quadro 2), verifica-se que existe uma forte dispersão da atividade apícola pelo território nacional:
O Centro é a região onde se situa um maior número de apicultores (36% do total);
O Algarve e o Alentejo são as regiões do Continente com um menor número de apiculto- res, mas onde se localizam os apicultores de maior dimensão média (respetivamente, 125 e 58 colmeias por apicultor);
A Madeira e a região de Portugal com menor número de apicultores, de apiários e de col- meias mas é os Açores a região do país com apicultores de menor dimensão média (13 colmeias por apicultor).
Quadro 2 - Distribuição regional da atividade apícola registada
Apicultores Total de apiários Total de colmeias Total de apiários por api-
cultor
Total de colmeias por api-
cultor Valor
Absoluto
% Total da região
Valor Absoluto
% Total da região
Valor Absoluto
% Total da região
NORTE 5 240 31 9 837 25 159 236 28 2 30
CENTRO 5 951 36 11 526 29 129 834 25 2 22
LVT 2 330 14 5 360 13 74 957 13 2,3 32
ALT 1 701 23 5 107 12 99 569 18 3 58
ALG 733 4 6 948 17 91 802 17 10 125
RAM 313 2 587 2 4 791 1 2 15
RAA 506 3 811 2 6 604 1 1,6 13
MÉDIA 2,40
13 Gráfico 1 - Número de apiários por apicultor
Fonte: DGAV - Dados de fevereiro de 2013
A análise da dimensão das explorações permite concluir que os apicultores portugueses detêm, em média:
2,40 apiários encontrando-se apenas as regiões do Alentejo e do Algarve acima da mé- dia nacional, com, respetivamente, 3 e 10 apiários por apicultor;
Em valor absoluto e o Centro que tem mais apiários.
Gráfico 2 - Número de colmeias por apicultor
Fonte: DGAV - Dados de fevereiro de 2013
14
I.1.2 Distribuição da atividade apícola, por classes de dimensão
Dentro das classes de dimensão analisadas, consideram-se:
Como apicultores não profissionais, os que detêm um efetivo inferior a 150 colmeias (sendo, abaixo das 25 colmeias, identificados com autoconsumo);
Como apicultores profissionais, os que detêm um efetivo superior a 150 colmeias.
Quadro 3 - Distribuição da atividade apícola por classes de dimensão Região CLASSES DIMENSÃO
(número colmeias) Apicultores Apiários Total colmeias Total de colmeias/
apicultor
Norte
1a49 4 547 6 204 56 550 12
50 a150 490 1 669 39 549 81
>150 203 1 964 63 137 311
5 240 9 837 159 236 30
Alentejo
1a49 1 213 1 938 22 726 19
50a150 360 1 461 29 320 81
>150 128 1 708 47 523 371
1701 5107 99 569 59
Centro
1a49 5 452 8 909 66 070 12
50a150 393 1 522 29 802 76
>150 106 1 095 33 962 320
5 951 11 526 129 834 22
LVT
1a49 1 969 3 398 31 364 16
50a150 2 95 1 267 23 043 78
>150 66 695 20 550 311
2 330 5 360 74 957 32
Algarve
1a49 402 1 238 7 381 18
50a150 164 1 370 13 923 85
>150 167 4 340 70 498 422
733 6948 91 802 125
Açores
1a49 293 457 2 934 10
50a150 18 105 1 438 80
>150 2 25 419 210
313 587 4 791 15
Madeira
1a49 486 728 4 928 10
50a150 19 74 1 505 79
>150 1 9 171 171
506 811 6 604 13
Total Na- cional
1a49 14 362 22 872 191 953 13
50a150 1 739 7 468 138 580 80
>150 673 9 836 236 260 351
TOTAL 16 774 40 176 566 793 34
Fonte: DGAV - Dados de março de 2013
15 No quadro 3, apresenta a distribuição da atividade apícola por classes de dimensão. A sua análise permite concluir que os apicultores portugueses são maioritariamente pequenos a muito pequenos apicultores e que a taxa de profissionalização do setor é extremamente reduzida, a dimensão mé- dia do apicultor português é de 34 colmeias por apicultor.
Gráfico 3 – Atividade apicultores não profissionais
Fonte: DGV - Dados de março de 2013Os apicultores não profissionais, no seu conjunto, representam 93% do total de apicultores portu- gueses e detêm 58 % do total de colmeias - dimensão média de 34 colmeias por apicultor.
Uma análise detalhada das várias classes de dimensão de não profissionais demonstra que:
As explorações com uma dimensão até 50 colmeias são detidas por 86 % dos apicultores (14 362 apicultores) e representam 34% das colmeias - dimensão média de 13 colmeias por apicultor;
As explorações com uma dimensão entre 50 e 150 colmeias são detidas por 10% dos api- cultores (1 739 apicultores) e representam 24% das colmeias - dimensão média de 80 col- meias por apicultor;
Gráfico 4 – Atividade apicultores profissionais (> de 150 colmeias)
Fonte: DGV - Dados de março de 2013No que respeita aos apicultores profissionais, representam apenas 4% do número de apicultores (apenas 673 apicultores) e, em contrapartida, detêm 42% do efetivo total - dimensão média de 351 colmeias por apicultor.
A análise conjunta dos gráficos 3 e 4 é bem demonstrativa do contraste existente entre a estrutura do número de apicultores e a estrutura do potencial produtivo:
As explorações com menos de 50 colmeias representam 86% do número de apicultores e detêm 34% do efetivo;
As explorações com mais de 150 colmeias, como referido, representam 4% do número de apicultores e detêm 42% do efetivo.
Gráfico 5 - Distribuição da atividade apícola a nível nacional
por classes de dimensão
16 Fonte: DGV - Dados de março de 2013
Gráfico 6 - Distribuição da atividade apícola a nível nacional por classes de dimensão e por região
Fonte: DGAV - Dados de março de 2013
Apresenta-se de seguida uma breve síntese da distribuição da atividade apícola por classes de di- mensão a nível regional:
Norte
87% dos apicultores têm menos de 50 colmeias e representam apenas 362% das colmeias (dimensão média de 12 colmeias por apicultor);
4% dos apicultores têm mais de 150 colmeias e representam 40% das colmeias (dimen- são média de 311 colmeias por apicultor).
Centro
92% dos apicultores têm menos de 50colmeias e representam 51% das colmeias (dimen- são média de 12 colmeias por apicultor);
2% dos apicultores têm mais de 150 colmeias e representam 26% das colmeias (dimen- são média de 320 colmeias por apicultor).
Lisboa e Vale do Tejo
85% dos apicultores têm menos de 50colmeias e representam apenas 42% das colmeias (dimensão média de 11 colmeias por apicultor);
3% dos apicultores têm mais de 150 colmeias e representam apenas 3% das colmeias (dimensão média de 311colmeias por apicultor).
Alentejo
71% dos apicultores têm menos de 50 colmeias e representam apenas 23% das colmeias (dimensão média de 19colmeias por apicultor);
8% dos apicultores têm mais de 150 colmeias e representam 48% das colmeias (dimen- são média de 371colmeias por apicultor).
17
Algarve
55% dos apicultores têm menos de 50 colmeias e representam apenas 8% das colmeias (dimensão média de 12 colmeias por apicultor);
23% dos apicultores têm mais de 150 colmeias e representam 15% das colmeias (dimen- são média de 422colmeias por apicultor).
Açores
94% dos apicultores têm menos de 50colmeias e representam 61% das colmeias (dimen- são média de 7,8 colmeias por apicultor);
Apenas dois apicultores têm mais de 150 colmeias e representam 9% das colmeias (di- mensão média de 223 colmeias).
Madeira
96% dos apicultores têm menos de 50 colmeias e representam 75% das colmeias (di- mensão média de 10 colmeias por apicultor);
Apenas um apicultor tem mais de 150 colmeias e representa 3% das colmeias.
I.1.3 Cortiços e Núcleos
Fotos: Helena Guedes
18 Existem, atualmente, pouco mais de 51 mil cortiços e núcleos em Portugal, que representam cerca de 8,7% do número total de colmeias + cortiços.
Dentro do número global de cortiços e núcleos, não é possível, de acordo com os dados atualmente disponíveis, discriminar o número de cortiços e o número de núcleos.
O Centro e o Alentejo são as regiões em que cortiços e núcleos apresentam um peso mais signi- ficativo no número total de colmeias.
Nota metodológica: tendo em conta a reduzida expressão destes suportes de colmeias apícolas, em termos de análise de estrutura setorial e aplicação de medidas neste programa são considera- dos como ‘colmeias’
Quadro 4 - Distribuição de Cortiços e Núcleos
I.1.4 Modelos de colmeias
De acordo com o Estudo “Eficácia atual do Apistan e do Apivar na Luta contra a Varroose em Por- tugal” da responsabilidade da Universidade de Évora, do Instituto Politécnico de Bragança e da Uni- versidade Técnica do Alto Douro, os principais modelos de colmeias utilizados pelos apicultores em Portugal correspondem ao modelo Lusitana (sobretudo no norte do país), Reversível (sobretudo no Sul do País) e Langstroth (sobretudo no centro e em Bragança).
19
Apiário de Colmeias Langstroth
I.1.5 Perfil do Apicultor
Como já se referiu, a apicultura portuguesa é maioritariamente detida por pequenos apicultores.
Trata-se de uma atividade exercida a título acessório, como complemento de uma atividade princi- pal agrícola ou não, com efetivos médios inferiores a 50 colmeias e constituindo uma apicultura que, sobretudo no escalão inferior a 25 colmeias, é fundamentalmente baseada no autoconsumo.
Na maioria das explorações, uma vez que a apicultura não constitui a atividade principal, a produ- ção encontra-se orientada para resultados de curto prazo, verificando-se uma quase inexistência de planeamento estratégico e de orientação para o mercado.
Tecnicamente, as explorações possuem efetivos de baixa produtividade, falta de mão de obra es- pecializada duradoura, carências a nível de maneio sanitário e um deficiente maneio técnico (es- casso recurso a alimentação artificial, insuficiente substituição de rainhas, falta de controlo da en- xameação, escasso recurso à prática da transumância e inadequada instalação dos apiários).
20
I.2 Organização da Produção
No seu conjunto, encontram-se identificadas 56 entidades coletivas representativas do setor, das quais 40 são associações de produtores, 16 cooperativas . Destas entidades 5 são Organizações de produtores reconhecidos para o setor do mel.
Finalmente, deve ser realçado o papel dinamizador da Federação Nacional dos Apicultores de Por- tugal, a qual agrega 39 entidades coletivas que representam 31,38% dos apicultores ativos (total de 16.774) e 48,99% das colmeias ativas (431.619).
I.2.1 Prestação de Serviços de Assistência Técnica
A grande maioria destas entidades coletivas com atuação no domínio da apicultura tem como prin- cipal objetivo a prestação de serviços aos associados, sobretudo ao nível da assistência técnica.
Gráfico 7 - Número de Técnicos Financiados pelo PAN entre 2010 e 2012
Quadro 5 - Lista das Entidades do Setor em 2013
Designação Social
Norte
FAFEMEL - Cooperativa dos Produtores de Mel de Fafe, CRL AANP - Associação dos Apicultores do Norte de Portugal CAPOLIB – Cooperativa Agrícola de Boticas, CRL
MONTIMEL – Cooperativa dos Apicultores do Alto Tâmega, CRL
Cooperativa de Produtores de Mel da Terra Quente e Frutos Secos, CRL Agrupamento de Produtores “Mel do Parque”
Alfamel - Agrupamento de Apicultores de Alfândega da Fé
Associação dos Apicultores do Parque Natural do Douro Internacional Associação dos Apicultores do Nordeste
Associação dos Apicultores do Parque Natural de Montesinho
Aguiarfloresta - Associação Florestal e Ambiental de Vila Pouca de Aguiar
21
Associação dos Apicultores do Parque Natural da Serra da Estrela
Meltagus – Associação dos Apicultores do Parque Natural do Tejo Internacional Pinus Verde - Associação de Desenvolvimento Integrado da Floresta
Beiramel - Cooperativa de Apicultores da Beira Interior, CRL Associação de Desenvolvimento Rural e Agrícola das Beiras
MeimoaCoop - Cooperativa Agricola e de Desenvolvimento Rural, CRL Associação de Apicultores da Serra Malcata
Centro
Lousãmel - Cooperativa Agrícola dos Apicultores da Lousã e Concelhos Limítrofes, CRL SICOLÓNIA - Associação de Apicultores da Serra de Sicó
AALCentro - Associação de Apicultores do Litoral Centro VERDE LAFÕES – Associação de Produtores Florestais Associação de Produtores Florestais de Montemuro e Paiva AARLeiria - Associação de Apicultores da Região de Leiria AABAlta - Associação de Apicultores da Beira Alta
Associação das Famílias dos Apicultores e Produtores de Mel de Estarreja SERRAMEL - Associação de Apicultores do Concelho de Penela
Associação de Apicultores da Serra do Açor Associação de Apicultores do Concelho de Góis Associação de Apicultores de Carregal do Sal
Associação Recreativa e Cultural dos Apicultores de Antuã
LVT
SAP - Sociedade dos Apicultores de Portugal
APISET – Associação de Apicultores da Península de Setúbal CATIM - Centro de Apoio Técnico à Indústria do Mel
Associação dos Apicultores Centro de Portugal
Associação de Apicultores do Seixal, Barreiro e Almada
Melbandos - Cooperativa de Apicultores do Concelho de Mação, CRL
22
Alentejo
Apilegre – Associação de Apicultores do Nordeste do Alentejo Apisor – Associação de Apicultores do Concelho de Ponte de Sôr
Apirural - Associação para a Qualidade dos Produtos Agrícolas e do Mundo Rural AderAvis - Associação para o Desenvolvimento Rural e Produções Tradicionais de Avis Montemormel - Associação dos Apicultores do Concelho de Montemor-o-Novo
Apiguadiana - Associação de Apicultores do Parque Natural do Vale do Guadiana Associação dos Apicultores do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina
Associação de Apicultores da Serra do Caldeirão e Planície Alentejana Melbionisa – Agrupamento . Produtores Apícolas Norte Alentejano, Lda ALG
NORMEL - Cooperativa de Apicultores do Nordeste Algarvio, CRL MELGARBE – Associação de Apicultores do Sotavento Algarvio APILGARBE – Associação de Apicultores do Barlavento Algarvio
RAA
Frutercoop - Cooperativa de Fruticultores da Ilha Terceira, CRL
Casermel - Cooperativa de Apicultores e Sericultores da Ilha de São Miguel, CRL
AGROMARIENSECOOP- Cooperativa de Produtores Agropecuários da Ilha de Santa Maria Cooperativa Agrícola da Ilha do Faial
Flor de Incenso - Cooperativa Apícola da Ilha do Pico, CRL Associação de Agricultores da Ilha do Faial
RAM APIMADEIRA - Cooperativa de Apicultores da Região Autónoma da Madeira, CRL
I.3 Sanidade
I.3.1 Zonas Controladas
A criação de Zonas Controladas em Portugal é considerada condição indispensável para o controlo e erradicação das doenças das abelhas de declaração obrigatória.
23 As Zonas Controladas são zonas geográficas onde se procede a controlo sistemático das doenças e em que a ausência da doença não foi demonstrada. Este controlo é efetuado por entidade gestora reconhecida pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária.
A introdução, em zonas controladas, de abelhas, enxames, colmeias ou colmeias e seus produtos, bem como substâncias, materiais ou utensílios destinados à apicultura carece de prévia autorização da autoridade sanitária nacional.
O estatuto de zona controlada é concedido, a seu pedido, a organizações de produtores legalmente constituídas e que sejam integradas por um número de apicultores que:
Seja igual ou superior a 60% dos apicultores registados na sua área geográfica de atuação, ou;
Represente, pelo menos, 60% do total das colmeias existentes nessa área.
As Organizações de Apicultores denominadas Entidades Gestoras da Zona Controlada desenvol- vem as ações de profilaxia sanitária constantes do Programa Sanitário Apícola homologado pela DGAV para o efeito.
O processo de reconhecimento, os critérios a considerar na aprovação das Zonas Controladas, as competências dos serviços oficiais envolvidos, as obrigações das organizações de apicultores res- ponsáveis, bem assim como o respetivo quadro sancionatório, são objeto de Decreto-Lei nº 203/2005 de 25 de novembro.
O reconhecimento do estatuto de zona controlada pressupõe uma série de obrigações para os api- cultores – todos os apicultores e apiários da zona controlada – entre as quais se destacam, pela sua importância para o apicultor, a manutenção atualizada:
De um registo de que constem os factos de natureza sanitária ocorridos na zona, e
De um boletim de apiário de que constem, por ordem sequencial, todas as operações rea- lizadas no apiário.
É de referir que o estatuto de zona controlada, por si só, não garante a ausência de doenças na área em causa, mas pressupõe a existência de uma vigilância e prevenção constantes das ocorrências epidemiológicas:
24
Obrigatoriedade de diagnósticos e de adoção de medidas de controlo das doenças de de- claração obrigatória;
Necessidade de autorização prévia para introdução em zonas controladas de abelhas, en- xames, colmeias ou colmeias e seus produtos, bem como de substâncias, materiais ou utensílios destinados à apicultura.
A diferenciação das ajudas específicas para as entidades gestoras das Zonas Controladas no PAN 2008 - 2010, e a colaboração estreita entre todas as entidades envolvidas (DGAV, organizações de apicultores e apicultores individuais),fomentaram a criação de zonas controladas a nível nacional.
Foram criadas 14 zonas controladas no continente, que representavam 56 concelhos e represen- tavam cerca de 150 000 colmeias. Durante o PAN 2011-2013, manteve-se a diferenciação das aju- das específicas para as entidades gestoras das Zonas Controladas o que permitiu a sua manutenção alargamento das áreas das zonas controladas que passaram a abranger um total de 66 concelhos representando, em 2013, um total de cerca de 230 000 colmeias, mais 80 000, que em 2010.
Atualmente existem 16 zonas controladas
25
Quadro 6 – Entidades gestoras de Zonas Controladas por concelho 2013
DSAVR
ENTIDADE GESTORA DA ZONA CONTROLADA Concelhos
NORTE
Aguiarfloresta
Ribeira de Pena
Vila Pouca de Aguiar
APIMIL- Associação de Apicultores Entre Minho e Lima
Arcos de Valdevez
Caminha
Melgaço
Monção
Paredes de Coura
Ponte da Barca
Ponte de Lima
Valença
Viana do Castelo
Vila Nova de Cerveira
Associação dos Apicultores do Parque Natural de Mon- tesinho
Bragança
Miranda do Douro
26 Vimioso
Vinhais
Capolib
Boticas
Montalegre
Cooperativa de Apicultores de Mel da Terra Quente e Frutos Secos
Alfandega da Fé
Macedo de Cavaleiros
Mirandela
Torre de Moncorvo
Vila Flor
Montimel
Chaves
Valpaços
CENTRO Associação dos Apicultores da Região de Leiria
Abrantes
Alcanena
Batalha
Ferreira do Zêzere
Gavião
Leiria
Marinha Grande
27 Ourém
Pombal
Porto de Mos
Tomar
Torres Novas
Vila Nova da Barquinha
Associação dos Apicultores do Litoral Centro
Anadia
Cantanhede
Coimbra
Figueira da Foz
Mealhada
Mira
Montemor-o-Velho
Mortágua
Penacova
Santa Comba Dão
Associação de Produtores Florestais de Montemuro e Paiva
Castro Daire
Cinfães
28 Vila Nova de Paiva
Meimoacoop
Belmonte
Guarda
Penamacor
Sabugal
Melbandos
Mação
Proença-a-Nova
Sertã
Vila de Rei
Meltagus
Castelo Branco
Idanha-a-Nova
Vila Velha de Ródão
Pinus Verde
Covilhã
Fundão
Oleiros
Piscotávora Associação de Produtores Florestais
Almeida
Figueira de Castelo Rodrigo
Meda
29 Pinhel
Trancoso
ALENTEJO
Apilegre
Arronches
Castelo de Vide
Crato
Marvão
Monforte
Nisa
Portalegre
Montemormel
Alcácer do Sal
Montemor-o-Novo Fonte: DGAV – Dados de setembro 2013
30
Mapa 1 - Zonas controladas
Fonte: DGAV – Dados de setembro 2013
31
I.3.2 Doenças de Declaração Obrigatória
É obrigatória a declaração dos casos suspeitos ou confirmados de qualquer das seguintes doenças:
Loque americana
Loque europeia
Acarapis ose
Varroose
Aethinose por Aethinatumida
Tropilaelaps por Tropilaelapssp
Ascosferiose (unicamente em ZCs)
Nosemose (unicamente em ZCs)
Com vista à delimitação ou erradicação destas doenças, a DGAV pode adotar as medidas de sani- dade que entender necessárias e que podem ir, desde visitas sanitárias e inquéritos, à atribuição de estatutos sanitários a áreas geográficas delimitadas, a restrições ao trânsito de abelhas, enxa- mes, colmeias, colmeias e produtos para apicultura, ao tratamento das colmeias, ou, mesmo, ao seu abate e aplicação de medidas de higiene e desinfeção.
I.3.3 Luta Integrada contra a Varroose
Integrada no âmbito do Programa Apícola Nacional, tem sido apoiada, desde 1997, uma ação de luta contra a varroose.
Esta ação foi desenvolvida com base num procedimento de aquisição de medicamentos pelo Estado e da sua entrega avulsa a todos os apicultores registados (opção tomada no início do Programa e que se manteve até ao Programa Apícola Nacional 2005-2007) e inseriu-se numa lógica de incen- tivo/captação dos apicultores ao registo apícola (tornado obrigatório em 2000). Para além do facto de o registo ter sido rapidamente realizado, houve uma diminuição da incidência da varroose, a curto prazo.
32 Nos Programas Apícolas Nacionais 2008-2010 e 2011-2013,a aquisição e distribuição passou a ser efetuada exclusivamente pelas organizações de produtores do setor do mel (excetuando nas Regi- ões Autónomas da Madeira e Açores), permitindo uma dinamização mais concertada e estratégica do ponto de vista sanitário por parte dessas organizações a nível local. O estímulo dado à criação de Zonas Controladas revelou-se extremamente importante face ao aumento significativo das mes- mas, com objetivos estratégicos e muito dinamismo face ao novo projeto, e que se repercutiu pos- teriormente em alargamentos de áreas geográficas de algumas das Zonas Controladas.
No âmbito da luta integrada contra a varroose, várias medidas foram contempladas no Programa Apícola Nacional 2011-2013 baseadas na entrega de medicamento que permitiu dois tratamentos anuais contra a varroose, entrega de quadros e ceras para melhoria das condições higío-sanitárias dos apiários e a realização de análises laboratoriais anátomo-patológicas de abelhas e favos para diagnóstico da doença.
Colheita de amostras
Fotos: Sofia Quintans
Da análise dos dados laboratoriais (Gráfico 8) veri-
fica-se por um lado, um acréscimo substancial de análises efetuadas pelo setor que se deve ao trabalho conjunto do Estado, dos laboratórios envolvidos e do setor na sensibilização dos apiculto- res para a importância das análises laboratoriais para um correto diagnóstico das doenças nos apiá- rios, e sobretudo pelo aparecimento e crescimento das zonas controladas a partir de 2008.
33 Por outro lado, da análise da evolução dos resultados à varroose verifica-se uma clara diminuição da percentagem de apiários positivos à doença a partir de 2008 que se tem mantido estável nos últimos 4 anos.
Gráfico 8 – Número de análises laboratoriais
Fonte: DGAV – Dados de março 2013
Gráfico 9 – Evolução da varroose
Fonte: DGAV – Dados de março 2013
34
I.3.4 Rastreio nacional à varroose
Em 2011, a Comissão Europeia propôs a cada Estado Membro a apresentação de um programa de vigilância piloto com o objetivo de avaliar as causas de perdas de colmeias de abelhas na Europa, mediante estratégias definidas e concertadas pelos Estados Membros participantes, sendo que este permitirá elaborar recomendações e propostas para delinear e melhorar sistemas de vigilância na Europa.
A Direção Geral de Alimentação e Veterinária apresentou em 2011 um Programa de Vigilância Na- cional, a implementar em 2012 e 2013, que foi aprovado pela Comissão Europeia a 15 de maio de 2012 e que está a ser executado desde 2012 no território nacional continental pelas Direções de Serviços de Alimentação e Veterinária das Regiões da DGAV.
O programa encontra-se disponível para consulta pública no portal da DGAV (www.dgav.pt).
O Programa supracitado prevê a realização de 3 visitas a apiários selecionados aleatoriamente em todo o território nacional, em 2012 e 2013, com observação e colheita de amostras para análise anátomo-patológicas de abelhas e favos, permitindo assim o diagnóstico de várias doenças de abe- lhas incluindo a varroose. Tendo em conta que o projeto-piloto acima referido permite alcançar os objetivos previstos na medida 2B – rastreio nacional contra a varroose, não foi considerado nem pelo setor nem pela DGAV que houvesse interesse e necessidade de realizar um rastreio nacional no âmbito do programa apícola nacional 2011-2013.
35
I.4 Transumância
A transumância é o movimento de colmeias de um local para outro, com uma das seguintes finali- dades:
Produções de mel – neste caso, procuram-se zonas do território onde ocorrem florações distintas ou meladas (mais especificamente fluxos de néctar, ou de meladas) em datas desfasadas, mantendo-se as colmeias em produção por mais tempo e retornando de se- guida aos locais de origem: a transumância pode trazer um incremento de produção da ordem dos 50 a 100%, dependendo das culturas de origem e destino;
Polinização de culturas – neste caso, a produção de mel pode ser considerada secundária perante a rentabilidade inerente à contratualização do serviço de polinização, sendo que, muitas vezes, e dependendo do tipo de cultura (flora não melífera, ou pouco rentável) não existe sequer produção de mel;
Transumância de inverno – este tipo de transumância realiza-se essencialmente por dois motivos:
Deslocação das colmeias para locais mais favoráveis em termos edafo-climáticos (ainda que, eventualmente, desfavoráveis do ponto de vista produtivo), com o objetivo de reduzir as baixas no efetivo e facilitar as operações de maneio durante o inverno, ou seja, reduzindo as deslocações ao apiário e, consequentemente, os gastos;
Reforço e fortalecimento das colmeias, preparando-as para a próxima época de produção.
36 Em Portugal as deslocações de colmeias são normalmente feitas de Sul para Norte, do litoral para o interior, ou de zonas de baixa cota para outras de maior altitude. As duas primeiras são as mais frequentes.
As distâncias percorridas podem ser curtas ou não, variando a localização das novas pastagens com a finalidade a que se destina a transumância
A maioria dos apicultores portugueses não recorre à prática de transumância, estimando o estudo
“Eficácia do Apistan e Apivar na Luta contra a Varroose em Portugal” que se trate de uma prática realizada por menos de 10% de apicultores e com uma expressão mais significativa nos distritos de Faro e Beja.
37
Diagrama 1 - Principais movimentos de deslocação das colmeias
Sul Norte
Algarve para Alentejo
Litoral Interior
Distritos de Lisboa, Leiria e Aveiro para o Alentejo Distritos de Lisboa, Leiria e Aveiro para a Beira Interior
Em altitude:
Terra Quente Transmontana para Terra Fria Transmontana Distrito de Castelo Branco para a Serra da Estrela
I.5 Recursos Genéticos
A par do maneio produtivo e sanitário, a seleção e o melhoramento genético são dois importantes instrumentos para obter um aumento da produtividade e, por essa via, uma maximização do ren- dimento da exploração.
O melhoramento animal pode ser entendido em três vertentes:
Preservação da raça e seus ecótipos ou variedades nacionais, com a finalidade do seu es- tudo e da preservação de indivíduos autóctones, isto é, do património genético nacional;
Seleção e produção de animais com melhores características, visando uma mais-valia para a produção dos produtos apícolas (resistência às doenças, maior produção de mel, menor agressividade, etc.)
38
Desenvolvimento da oferta de animais com melhores características, fomentando a pro- dução e o mercado dos animais (rainhas e enxames).
I.5.1 Conservação
Em Portugal, existe uma raça autóctone, a Apismelliferaiberica, raça de aptidão melífera que não beneficia de qualquer proteção legal e que, atualmente, se encontra cruzada com as três principais raças europeias, bem como com a abelha do Norte de África que, no Centro e Sul do nosso país, representa cerca de 20%. Os estudos existentes neste domínio não estão compilados.
A tentativa de recuperação desta raça afigura-se uma tarefa difícil de concretizar, envolvendo ne- cessariamente avultados meios técnicos e disponibilidades financeiras. De qualquer modo, todo o trabalho de investigação que vise aumentar, a nível nacional e regional, o conhecimento sobre as nossas abelhas ao nível do seu comportamento de adaptação regional, produção, agressividade e tolerância às pragas e doenças, é de apoiar e de estimular.
I.5.2 Seleção e Melhoramento
Pressupondo-se que na sua evolução as abelhas adquiriram adaptação às condições regionais, é importante assentar quer a produção, quer a utilização de rainhas numa base regional.
As organizações de apicultores relevam-se, assim, no assegurar desta relação, de particular impor- tância. O estabelecimento de centros de criação de rainhas por parte de organizações de apiculto- res, dotados dos meios técnicos necessários, conta para além deste aspeto, com a vantagem de disporem de significativa quantidade de material biológico para efeitos de seleção e controlo.
Sem prejuízo desta ação, que se afigura de real interesse regional e, por conseguinte, nacional, este não constitui o maior problema com que se debate a apicultura nacional na atualidade, sendo este antes o que se relaciona com o controle das pragas e doenças (no sentido de que não adianta ter uma rainha de elevada estirpe, se esta não tiver um ambiente saudável na colónia).
Atualmente, em Portugal, ao nível do apicultor, é pontual a oferta de indivíduos melhorados, bem como a sua introdução na exploração:
39
é, geralmente, empírica a seleção com base nas melhores características para a produção (sendo ou não linhas puras);
é residual o mercado de rainhas e enxames com o objetivo de obtenção de uma mais valia para a produção dos produtos apícolas.
I.6 Conta de Cultura
Apresentam-se, no quadro 7, dados relativos à conta de cultura da atividade apícola em Portugal, em 2010, discriminando:
A atividade apícola não profissional, à qual é atribuída uma produtividade de 16 Kg por colónia e em que se apresenta o caso de um apicultor com 25 colmeias; e
A atividade apícola profissional, à qual é atribuída uma produtividade de 22 Kg por coló- nia, com um acréscimo de produtividade de 50% em transumância (considerando que a transumância é efetuada por 40% do efetivo) e em que se apresenta o caso de um apicul- tor com 400 colmeias.
40
Quadro 7 - Conta de Cultura da Atividade Apícola em Portugal – 2013
Fonte: FNAP 2013
41 No quadro 8, é apresentada uma síntese dos dados constantes do quadro 7, efetuada com o obje- tivo de destacar os valores dos custos (fixos e variáveis), o valor bruto da produção (VBP), o valor acrescentado bruto (VAB) e do resultado empresarial líquido (REL) para os seguintes tipos de di- mensão:
Dentro da atividade apícola não profissional, escolheram-se dois níveis de apicultores:
apicultores com 21 colmeias (que, como já foi referido, corresponde à dimensão média do apicultor não profissional);
42
apicultores com 31 colmeias (que, como também já foi referido, corresponde à dimensão média do apicultor português);
apicultores com 80 colmeias (que, como também já foi referido, corresponde à dimensão média do apicultor com mais de 50 e menos de 150 colmeias);
e, dentro da atividade apícola profissional, escolheram-se os seguintes níveis:
apicultores com 300 colmeias;
apicultores com 600 colmeias;
e apicultores com 1000 colmeias.
Quadro 8 – Síntese da Conta de Cultura da Atividade Apícola em Portugal 2013 (Unid: euros)
Apicultores não profis-
sionais (n.º de colmeias) Apicultores profissionais (n.º de colmeias)
21 31 80
300 600 1000
Sem transu- mância
Com transu- mância
Sem transu- mância
Com transu- mância
Sem transu- mância
Com transu- mância Custo Variá-
vel (CV) por colmeia
31,38 29,78 27,72 25,23 28,4 23,78 25,37 23,2 24,15 Custo Fixo
(CF) por col- meia
70,81 52,91 29,89 48,5 54,4 29,83 32,78 22,36 24,13
Custo Total (CT) por
colmeia 102,19 82,69 57,61 73,74 82,8 53,61 58,15 45,56 48,28
VBP por kg 6,375 6,375 4,94 5,26 3,434 3,74 3,38 3,70 3,35
VBP por col-
meia 102 102 79,09 115,72 113,37 123,39 111,41 122,21 110,63
VAB (VBP-
CV) por kg 4,41 4,51 3,21 2,68 2,57 2,66 2,61 2,65 2,62
VAB (VBP- CV) por col-
meia 70,56 72,16 51,36 58,96 84,81 58,52 86,13 58,3 86,46
REL (VBP-
CT) por kg -0,01 1,21 1,34 0,48 0,93 1,3 1,61 1,63 1,89
REL (VBP- CT) por col-
meia -0,19 19,31 21,48 10,56 30,69 28,6 53,13 35,86 62,37
43 Da análise do quadro 8, constata-se:
Atividade apícola não profissional
um apicultor com uma dimensão média de 21 colmeias, correspondente à dimensão mé- dia do apicultor não profissional (ou seja, a 96,6% dos apicultores portugueses) apresenta um custo total de 92,1 €/colónia;
um apicultor com uma dimensão média de 33 colmeias, correspondente à dimensão mé- dia do apicultor português, apresenta um custo total de 68,4 €/colónia;
um apicultor com uma dimensão média de 79 colmeias, correspondente à dimensão mé- dia do apicultor não profissional de maior dimensão (ou seja, a 10,3% dos apicultores portugueses) apresenta um custo total de 44,2 €/colónia.
Atividade apícola profissional
um apicultor com uma dimensão média de 300 colmeias, apresenta um custo total de 63,93€ e 68,98€ por colmeia, com e sem transumância.
um apicultor com uma dimensão média de 1000 colmeias, apresenta um custo total de
45,56€ e 48,28€ por colmeia com e sem transumância.
I.6.2 Valor Bruto da Produção
De acordo com os dados que serviram de base à elaboração da conta de cultura apresentada no quadro 11, é possível estimar o seguinte Valor Bruto da Produção médio, para cada uma das várias classes de dimensão:
Quadro 9 - Estimativa do Valor Bruto da Produção do Setor Apícola
GRUPOS (n.º de col- meias)
N.º Total de col-
meias
DimensãoMédia (n.ºcolmeias/api-
cultor)
VBP médio
(€/colmeia) VBP Total (€)
1-49 191 953 13 102 19 579 206
50-150 138 580 80 79,09 10 960 292
> 150 236 260 351 83,65 19 763 149
566 793 50 302 647
44 Chega-se, por esta via, a uma estimativa global de, aproximadamente, 50 milhões de euros para o VBP do setor apícola.
Relativamente ao triénio anterior o VPB Total passou de 49 063 454 euros para 50 302 647 euros o que corresponde a um aumento de 3%.
Tendo em atenção o VBP estimado para a produção animal, para o ano 2012, que atinge o mon- tante de 5.995,8 milhões de euros, é possível concluir que a produção apícola representa cerca de 1% do total do valor bruto da produção animal.
Quadro 10 – Evolução do Valor Bruto da Produção do Setor Apícola
(Unid: euros)I.6.3 Estrutura de Consumos Intermédios
A análise da estrutura dos consumos intermédios, efeituada a partir do quadro 10 e que se apre- senta nos gráficos 4 e 5, permite constatar que as despesas com o controlo das doenças e com a reposição de ceras são as duas rubricas que assumem um maior peso no cômputo global:
as despesas com o controlo das doenças representam, pelo menos, 28% do total dos con- sumos intermédios (35% no caso do apicultor profissional transumante);
as despesas com embalagens são a segunda rubrica mais pesada na estrutura de consumos intermédios, do apicultor não profissional (grande peso da venda de mel embalado, em compensação com um preço mais elevado relativamente ao preço de venda a granel).
para o apicultor transumante as despesas com a reposição de ceras e com a alimentação artificial são as segundas rubricas mais pesadas
Em terceiro lugar, surgem:
para o apicultor profissional (com transumância), as despesas com a reposição de ceras (25%), as embalagens (8%) e com viaturas (7%) e, por último, as despesas com a reposição de quadros (6%).
45
Gráfico 10 - Estrutura de consumos intermédios de um apicultor profissional
com transumância
para o pequeno apicultor, as despesas com a alimentação artificial (15%), com as viaturas (12%) e com a reposição das ceras (20%)
Gráfico 11 - Estrutura de consumos intermédios de um apicultor não profissional
II. PRODUTOS E SERVIÇO DA COLÓNIA
As colmeias de abelhas proporcionam vários produtos passivem de serem explorados e com inte- resse e valor comercial. A utilização dos produtos apícolas é vasta e diversa, quer para fins alimen- tares, cosmética e terapêuticos, sendo crescente a Apiterapia nas sociedades ocidentais.
A maioria dos apicultores tem uma informação deficiente sobre o mercado de outros produtos apí- colas para além do mel, pelo que não incrementam a rentabilidade das suas explorações apícolas.
A procura de outros produtos da colónia (Geleia Real, Pólen, Própolis) pelas diversas indústrias, tem sido crescente porquanto a oferta é reduzida sendo necessário recorrer a produtos importados A atividade apícola proporciona ainda um serviço – a polinização - relevante para a continuidade dos ecossistemas, na preservação da biodiversidade florística e no aumento da produção agrícola designadamente em culturas produtoras de grão, semente e de frutos.
46 Pela sua importância na apicultura nacional o produto – Mel será abordado num capítulo autónomo deste estudo (Capitulo III. O Mel).
II.1 Polinização
A abelha é um polinizador por excelência, apresenta um comportamento de fidelidade à espécie visitada e vive em grandes colmeias
Os benefícios deste serviço traduzem-se em aumentos no valor comercial dos frutos, do teor de óleo das sementes, do tempo de conservação os frutos, entre outros aspetos. Ao acréscimo de produtividade variam de 37% (Girassol) a 500% (Cebola).
Nos EUA o serviço de polinização prestado pelas colmeias de abelhas chega a representar mais de 50% do rendimento do apicultor.
A nível mundial estima-se em 200 bilhões de dólares anuais (COSTANZA et al., 1997) os benefícios gerados pela polinização.
47 Em Portugal, a utilização de colmeias para o serviço de polinização é ainda pouco usual, apenas alguns apicultores de maior dimensão rentabilizam as suas explorações apícolas através dos con- tratos de polinização .
II.2 Própolis
Substância resinosa libertada pelas plantas, para a proteção dos gomos ou de feridas, é recolhida pelas abelhas que lhes adicionam secreções glan- dulares transformando a substância inicial num produto fundamental para a colónia. Usado no revestimento dos favos, na mumificação de cadáveres e na consolidação das peças da colmeia estabilizando a temperatura e a humidade no seu interior.
A composição química do própolis confere-lhe múltiplas propriedades e aplicações.
A indústria farmacêutica, a cosmética e a apiterapia são os consumidores de excelência deste pro- duto da colónia.
No mercado do própolis destacam-se, a União Europeia (Alemanha, Itália e França), a Suíça, o Japão e os Estados Unidos.
Pode obter-se uma produção de 500grs de própolis/colmeia/ano, utilizando redes para o efeito e sem afetar outras produções da colónia.
II.3 Pólen
Recolhido nas estruturas masculina das flores (anteras) pelas abelhas que adicionam néctar e secreções glandulares formando pequenas pelotas que transportam nas patas. Na colmeia o pólen é usado na alimentação das larvas. Na sua composição química constam ami- noácidos essenciais minerais e vitaminas, sendo utilizado em diversas terapêuticas tem uma procura crescente na indústria alimentar de produtos dietéticos e suplementos alimentares.