Informativo da Produção de Leite
Edição 305 . Ano XXII . Outubro de 2014 . Viçosa - MG
Dica do Veterinário:
Como escolher um bom sucedâneo para aleitar
suas bezerras?
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Veja também nesta edição
Momento do Produtor:
Fazenda Lima Itapeva de propriedade do senhor
José Maria de Barros
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Silagem de brachiariapara vacas leiteiras
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Qualidade do Leite:Mastite X Composição
do Leite
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Comparando as atividades rurais de igual para igual
Não importa qual a atividade o produtor exerce, se é produtor de leite, se produz milho, soja, cana- -de-açúcar, eucalipto ou carne, no fim o objetivo de todos é o mesmo: ter uma atividade rentável econo- micamente.
Mas ainda que a atividade seja atrativa, muitas vezes o produtor se depara com a seguinte dúvida:
será que em outra atividade eu teria um retorno fi- nanceiro maior? Ou se eu arrendasse minhas terras, seria um negócio melhor?
Estes são questionamentos básicos, mas de suma importância para tomar decisões. Para sanar esta dú- vida, é preciso analisar e interpretar os indicadores técnico-econômicos, e através deles realizar a gestão
da empresa rural.
O melhor indicador para responder aos questiona- mentos iniciais é o indicador MB/ha, uma vez que ele compara as atividades num mesmo patamar, de igual para igual. Se trabalhássemos com o indicador ML/
ha, por exemplo, as depreciações e custo da mão de obra familiar seriam incluídos neste cálculo, e ativi- dades que demandam baixo investimento em máqui- nas e benfeitorias ou que raramente são exercidas por mão-de-obra familiar (ex: produção de eucalipto), sai- ria em vantagem se comparada a atividade leite, por exemplo. Assim sendo, obviamente o indicador Lucro também não é o melhor indicador para a análise.
A Margem Bruta (MB) nada mais é do que a Ren- da Bruta (RB) proveniente da atividade exercida (venda do produto e seus derivados) subtraído os de- sembolsos diretos (COE: Custo Operacional Efetivo).
A análise que faremos para comparar uma ativi- dade com outra será Margem Bruta/ha, ou seja, de toda a RB da atividade subtraído o COE, quanto por hectare está ficando de “saldo” para o produtor? Este indicador nos mostra, o quão eficiente o produtor é economicamente em transformar insumos de produ- ção em renda, em 1 hectare de terra (sua capacidade de gerar o máximo de renda em menor espaço de ter- ra). Como referência, para a atividade leite buscamos ter um COE de no máximo 60-65% da RB da ativida- de, logo podemos inferir que o ideal é que tenhamos pelo menos 35-40% de Margem Bruta. Atingindo este valor o produtor provavelmente tem uma atividade atrativa economicamente.
A seguir faremos uma análise comparativa da MB/Ha entre as diferentes atividades exercidas no estado de MG.
Vanessa Martins Felippe de Freitas Estudante de Agronomia
Período analisado 2013/2014
RB/ha (RB/Ha/ano) 4.006,00
Custo Operacional Efetivo/há (R$/Ha/ano) 3.618,00
Margem Bruta (R$/Ha/ano) 388,00
Preço Médio da saca de 60 kg (R$/saca) 21,92
Produtividade (kg/Ha) 10.975,00
Tabela 1: Análise com destaque para a Margem Bruta/ha do milho grão.
Período analisado 2013/2014
RB/ha (RB/Ha/ano) 3.029,00
Custo Operacional Efetivo/há (R$/Ha/ano) 1.984,00
Margem Bruta (R$/Ha/ano) 1045,00
Preço Médio da saca de 60 kg (R$/saca) 58,81
Produtividade (kg/Ha) 3.090,00
Tabela 2: Análise com destaque para a Margem Bruta/ha da soja.
Fonte: Agrinual 2014 - Custo do Estado de MG Fonte: Agrinual 2014 - Custo do Estado de MG
Período analisado 2012
RB/ha (RB/Ha/ano) 1.187,50
Custo Operacional Efetivo/há (R$/Ha/ano) 974,00
Margem Bruta (R$/Ha/ano) 231,50
Preço Médio do m3 da madeira em pé (R$/m3) 25,00
Produtividade (m3/Há/ano) 47,50
Tabela 3: Análise com destaque para a Margem Bruta/ha do Eucalipto.
Fonte: Agrinual 2012 - Custo do Estado de MG
*Foi somado a RB e Custo Variável de 12 anos e realizada a média.
Período analisado 2013/2014
Renda Bruta/ha (RB/Ha/ano) 6.435,61
Custo Operacional Efetivo/ha (R$/Ha/ano) 4.895,00
Margem Bruta (R$/Ha/ano) 1.541,00
Produção por área (L/ha/ano) 5.292,00
Preço médio do leite (R$/L) 1,045
Tabela 4: Análise do custo de produção dos produtores assistidos pelo PDPL/
PCEPL com destaque para a Margem Bruta/ha da atividade leiteira.
Fonte: PDPL/PCEPL; dados corrigidos pelo IGPD-I de agosto/2014;
Período analisado: ago/13 a julho/14.
Na análise realizada, vemos que a MB/ha média obtida pelos produtores assistidos pelo PDPL/PCEPL é maior que a MB/ha obtida em qualquer outra atividade exercida no estado de MG. Como já citado, esta análise pode ser deci- siva quando surgir a oportunidade do produtor arrendar suas terras (fato que rotineiramente ocorre em nossa região) ou quando houver a oportunidade de mudar de atividade, pois com este indicador em mãos é possível avaliar se a sua atividade é menos ou mais rentável que o valor de arrenda- mento na sua região ou se outra atividade realmente será mais rentável, e além disso, com ele conseguimos mensurar o quão eficiente estamos sendo no uso da terra!
Comparativo entre as atividades
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A problemática alimentar está direta- mente ligada ao planejamento e a qua- lidade dos volumosos para atender a demanda do rebanho, que sejam produ- zidos a um baixo custo, de acordo com a possibilidade do produtor e a genética do rebanho.
As mudanças climáticas que vem ocor- rendo dos últimos anos, trazem reflexos diretos em todas as atividades ligadas a meio rural. Os técnicos e produtores de- vem saber cada vez mais sobre os boletins meteorológicos e relatórios a respeito do clima de sua região, pois isso influência diretamente na escolha da planta, época de plantio e colheita. Na pecuária lei- teira não é diferente, dos anos de 2011 e 2012 ocorreu uma das maiores secas dos últimos quarenta anos no Nordes- te, no estado de Pernambuco as perdas foram contabilizadas em R$ 32 milhões na pecuária leiteira. A Agência de Defesa Agropecuária de Pernambuco – ADA- GRO, estima a perda de 200.000 bovinos mortos, animais abatidos 528 mil, fazen- das desativadas 1,5 mil e cerca de 20 mil empregados demitidos. Segundo Sindi- cato das indústrias de Laticínios e Produ- tos Derivados de Estado de Pernambuco
(Sindileite) contabilizava a produção de 2,3 milhões de litros por dia, caindo para 830 mil litros.
Atualmente o sudeste enfrenta uma de suas maiores secas, afetando em cheio o agronegócio. Na região de Viçosa-MG que historicamente tem uma precipita- ção média de 1.300mm/ano neste último período choveu aproximadamente 900 mm com distribuição irregular, que para a pecuária leiteira as consequências estão ligadas às áreas de milho e outras cultu- ras apresentaram baixas produtividades, animais com pouco ganho de peso, den- tre outros.
A produção de forragem é influencia- da pela estacionalidade de produção. As pastagens no Brasil são formadas por plantas nativas e cultivadas, no entan- to, as nativas são grande maioria. Áreas destinadas a esses fins são muitas ve- zes subutilizadas, por diversos fatores, como: taxa de lotações inadequadas, não há divisão de categorias e má formação das pastagens. Por consequência dis- so, encontramos áreas que rapidamente perdem sua capacidade de suportar os animais por longos períodos de tempo, áreas em que o solo, muitas vezes torna- -se pobre com aparecimento de cupins e ervas daninhas, baixa qualidade dos capins; diminuição do tempo de rebrota,
acúmulo de palhas, folhas amareladas, não atendendo as necessidades nutricio- nais nos rebanhos. Uma alternativa seria ter um alimento para os períodos de seca prolongados, sendo este de baixo custo de implantação na propriedade e que seja complemento na alimentação do re- banho.
A eficiência no uso da terra para a pecuária leiteira é um fator importante, pois áreas disponíveis que permanecem paradas geram custos, a propriedade não utiliza todo seu potencial, tornando o custo de produção alto. Segundo o diag- nóstico da pecuária leiteira de Minas Ge- rais, a produtividade da terra, que seria o valor total de produção nos últimos 12 meses, sobre toda a área disponível para a produção de leite, ou seja, cria, recria, vacas em lactação, produção de volumo- sos, benfeitorias, matas e outros, o que se recomenda são sistemas que produzem acima de 3500L/ha/ano, o que torna a ati- vidade viável economicamente, sobre o capital empatado.
Portanto, investir em alimentos de boa qualidade é de fato melhorar a pro- dutividade do rebanho, valorizar a terra, aumentando os ganhos com a pecuária leiteira. Lembrando sempre que antes de ser pecuarista, o produtor deve sempre ser um bom agricultor.
O aleitamento artificial é uma prática que permite a racio- nalização do manejo, mais higiene na ordenha e controle da quantidade de leite ingerida pela bezerra, que consiste no fornecimento de quantidade fixa de leite ou sucedâneo, em torno de 10% a 14% do peso vivo da bezerra.
O sucedâneo é uma formulação comercial utilizada para substituir o leite in natura que é fornecido à bezerra. Para que a utilização do sucedâneo seja vantajosa ao produtor, é preciso que o produto apresente as seguintes características:
* Ser fácil de preparar – e não deve demandar muito tem- po nem apresentar dificuldades em seu preparo.
* Preço – o preço do sucedâneo não deve ultrapassar 80%
do preço pago pelo litro de leite, pois se este valor for maior não será economicamente viável a utilização deste.
* Ser palatável – se o sabor do sucedâneo não for bom à bezerra irá relutar em ingeri-lo e teremos problemas com ganhos de peso.
*Nutricionalmente adequado - pobre em fibra (máximo 2%), rico em proteína (mínimo 20%), rico em energia (mí- nimo de 80% NDT), enriquecido com minerais e vitaminas.
Além disso, o nível de gordura não deve ser maior que 22%.
As bezerras precisam de níveis proteicos específicos para ga- rantir um bom crescimento.
*Pode se fazer uma inspeção visual do produto ainda seco
- ele deve apresentar coloração cremosa à levemente amare- lado e não apresentar aglomerados e outras partículas.
* Após a diluição com água o produto deve ser rapida- mente dissolvido, não apresentando aglomerados que fi- cam suspensos ou mesmo partículas que fiquem no fundo da vasilha.Quanto maior a proporção de material sedimen- tado, maior a presença de ingredientes não lácteos, ou seja, de pior qualidade.
Sobre o aspecto nutricional devemos prestar atenção nas informações contidas nos rótulos e na embalagem do pro- duto, pois existe uma variedade muito grande de sucedâne- os lácteos disponíveis no mercado. Estes produtos apresen- tam grandes diferenças em relação aos níveis de proteína, gordura e lactose, bem como nos tipos e nas proporções de ingredientes utilizados (origens lácteas e vegetais). Estas diferenças determinam a qualidade e preço dos sucedâne- os. Ou seja, os produtos com maior qualidade são aqueles que apresentam menor teor de fibra e maior teor de lactose.
(mais ingredientes de origem láctea do que vegetal ) A tabela abaixo mostra a composição de alguns sucedâ- neos disponíveis no mercado:
Como podemos ver, a composição dos produtos são va- riadas e o produtor deve escolher um produto que mais se adeque ao seu manejo, pois geralmente os produtos de menor qualidade e um alto valor de fibra têm preços mais acessíveis. Deve-se levar em conta o tipo da bezerra que dispomos e o desempenho que esperamos deste animal.
Ou seja, é importante obsmervar o custo/benefício do su- cedâneo.
Depois de avaliar sua composição e escolher o suce- dâneo a ser utilizado, basta o produtor seguir o procedi- mento correto para o preparo e fornecimento do produto.
Geralmente a temperatura recomendada para o sucedâneo do leite é de 15ºC a 20ºC para frios e de 36ºC a 42ºC para mornos. Alimentos muito frios aumentam as chances de um bezerro se deprimir e até mesmo contribuem para uma diarreia, enquanto os quentes demais podem queimar a boca do animal. Além disso, é importante assegurar que a temperatura seja a mesma em todas as outras refeições.
Isso é importante porque a alimentação de seu bezerro na temperatura errada, pode resultar em redução da qualida- de de proteínas e na quebra da gordura no leite.
As bezerras devem receber colostro e leite colostral nos primeiros 3 dias de vida. O sucedâneo do leite pode ser incorporado à dieta de bezerros a partir da 3º semana de vida, numa proporção de 10 a 14% do seu peso ao nasci- mento, e o desmame pode ser iniciado assim que a bezerra estiver consumindo mais que 900g/dia de ração concen- trada.
Informativo da Produção de Leite
Dica do Veterinário Dica do Veterinário
Como escolher um bom sucedâneo para aleitar suas bezerras?
Murilo Cânepa Vargas
Estudante de Medicina Veterinária da Uniderp-Anhanguera
Problemática Alimentar na Bovinocultura Leiteira
Alex Marques Resende Estudante de Zootecnia – UFRPE
Produto Gordura Proteína Lactose Fibra Diluição
Sucedâneo A 12 20 25 1,5 1:14
Sucedâneo B 15 20 35 0,7 1:9
Sucedâneo C 8,5 25,5 25 2,5 1:9
*O nome comercial dos produtos não foi divulgado, porém todos eles são comercializados na região.
Olá! Eu sou o Tobias, esse mês fui co- nhecer a Fazenda Lima Ita- peva, localizada no município de Presidente Bernardes – MG, propriedade do senhor José Ma- ria de Barros. Para conduzir a rotina da propriedade o senhor José Maria conta com a ajuda de seu filho Tiago, que é seu braço direito no gerenciamento das atividades. Em agosto de 2011, a fazenda tornou-se integrante do grupo de propriedades assistidas pelo PDPL/PCEPL em busca de melhorias nos seus índices téc-
nicos e econômicos.
Quando a assistência técnica teve início, o rebanho era composto por 34 vacas em lactação, com média de produção de 12 litros/dia e as novilhas apresentavam idade ao primeiro parto de 34 meses. Atualmente são 42 vacas em lactação com média de 19 litros/dia e novilhas com idade ao primeiro parto de 28 meses. Graças ao empenho e dedicação dos produtores, este ano a fazenda foi um dos destaques do XXV Torneio Leiteiro do PDPL/PCEPL, onde o animal Jóia sagrou-se campeã da categoria vaca adulta até 35 kg, com produção de 34,450kg/dia.
A propriedade é autossuficiente na produção de volumosos para alimentação do rebanho durante o ano todo. Vacas de alta produção e de primeira cria recebem silagem de milho o ano todo, animais com produção intermediária é ofertada cana-de-açúcar corrigida com uréia 1%, mais silagem de milho na proporção 50:50 na seca, e nas águas é ofertado capim elefante.
Os animais de baixa produção recebem cana- de-açúcar corrigida com uréia 1% na seca e apenas capim elefante nas águas. Vacas secas e animais em recria são mantido no pasto o ano todo, recebendo suplementação volumosa de cana-de-açúcar corrigida com ureia 1% na seca, acompanhada de mistura mineral (proteinado).
XXV Torneio Leiteiro do PDPL/PCEPL da funcionária Regiane.
Senhor José Maria e a campeã do XXV Torneio Leiteiro
A propriedade tem alcançado bons índices zootécnicos ao longo do ano. A redução na idade ao primeiro parto é fruto de um trabalho atencioso do senhor José Maria e Tiago, que fazem o trato dos animais com muita atenção. Seguindo sempre a rotina adequada, os produtores dão as melhores condições para que os animais possam expressar o seu potencial produtivo. O ganho de peso médio da recria ao longo deste ano tem sido um dos destaques na propriedade, em torno de 0,620 kg/dia.
A dedicação do produtor aliada à assistência técnica e gerencial de qualidade oferecida pelo PDPL/PCEPL, contribuiu para otimização da rotina da propriedade. O trabalho conjunto entre produtor e estagiários
tem refletido no bom desempenho econômico da propriedade.
O rebanho da propriedade é composto por animais das raças Girolando e Holandês, com graus de sangue entre ½ HZ até 15/16 HZ, sendo os animais com maior proporção de sangue holandês acasalados com touros Gir Leiteiro. Os animais são bem adaptados à região onde a fazenda está localizada, que apresenta temperaturas elevadas no verão e relevo montanhoso.
O responsável pelas duas ordenhas é o Tiago, que conduz a rotina com apoio do Valério. A preocupação com a qualidade do leite também é uma constante na propriedade, que vem alcançando bons resultados no decorrer do ano. Em todas as análises realizadas pelo PDPL/PCEPL a propriedade obteve resultados abaixo dos parâmetros vigentes preconizados pela instrução normativa 62.
Animais recebendo o trato após a ordenha da manhã
As bezerras são criadas no sistema de abrigo individual onde recebem leite e concentrado à vontade e são desaleitadas com peso médio de 90 kg e 75 dias de idade
Lote de primíparas com produção média de 25 kg leite/dia.
Fonte: Banco de dados PDPL/PCEPL
Fonte: Banco de dados PDPL/PCEPL
Tabela: Comparativo de indicadores técnico-econômicos
Indicadores 2011 2014 Variação (%)
Produção de Leite (L/ano) 142.400 229.134 161%
Produção média de leite (L/dia) 390,14 627,8 161%
Produção por área para pecuária (L/há/ano) 2.833,27 4.364,46 154%
Vacas em lactação/Total de vacas 80,88 87,89 109%
Produção por vaca em lactação (L/dia) 13,9 19,0 137%
Fonte: Banco de dados PDPL/PCEPL
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Silagem de brachiaria para vacas leiteiras
A utilização de silagem de gramí- neas tropicais vem sendo uma exce- lente alternativa para produtores, de modo a conservar a forragem e pre- servar seu valor nutritivo possibilitan- do fornecer aos animais um alimento de boa qualidade na época da seca, e assim diminuir a variação de produ- ção ao longo do ano. E nessa linha a silagem de brachiaria vem ganhando destaque por sua alta produção por hectare, boa proporção de folhas e bom valor nutricional quando mane- jado adequadamente.
Por outro lado, em dietas de ele- vada exigência energética, para vacas leiteiras de alta produção, há uma ten- dência de diminuição no teor de fibra e aumento na utilização de alimentos
concentrados a fim de atender os re- querimentos desses animais. A falta ou o baixo nível de fibra desencadeia uma série de eventos, que podem acarretar uma acidose ruminal, tor- ções de abomaso, problemas de par- to e redução no consumo de matéria seca, afetando assim diretamente a rentabilidade do produtor.
O ponto de ensilagem é um fator fundamental a ser observado no pro- cesso. Segundo experimentos são re- comendados valores em torno 30 cm de altura para o corte,é nesse ponto onde encontramos melhor qualida- de da forragem aliada a uma maior produção de matéria seca. Quando não seguimos esses passos acabamos colhendo um material de baixa qua- lidade (alta quantidade de fibra indi- gestível), que refletirá em problemas na compactação e consequentemen-
te no processo fermentativo. Por ou- tro lado, adiando muito a colheita acaba-se tendo baixa produtividade e aumento nas perdas por efluentes.
Com o avanço da tecnologia hoje são usados aditivos químicos ou inocu- lantes bacterianos, no intuito de me- lhorar os processos fermentativos e reduzir a umidade da forrageira.
No produtor Antônio Maria foi fei- ta, no mês de junho, a ensilagem de brachiaria com objetivo de aumentar o teor de fibra efetiva para as vacas em produção, a fim de diminuir a incidên- cia de problemas metabólicos decor- rentes do alto desafio dos animais. No processo foram utilizados 10% 10% de casca de café, para aumentar a matéria seca, e o dobro da dose de inoculante bacteriano (4g para cada tonelada de material ensilado) visando melhorar o padrão fermentativo. Para tanto foi
feita uma inclusão de 2,5 kg/vaca dia de silagem de brachiaria na dieta total e já se percebe a melhora na saúde do rebanho como um todo.
A silagem de brachiaria é nos dias de hoje uma boa opção de volumoso, que manejado adequadamente encai- xa-se nos mais diversos sistemas de produção, sendo uma saída para pro- priedades que estão trabalhando com a produção de volumoso se ajusta a necessidade do rebanho, e também como forma de fornecer fibra nas die- tas dos animais.
Gustavo Falcão Estudante de Zootecnia
Análise Bromatológica Sil. Brachiaria
MN% MS%
Matéria Seca 24,83
Proteína Bruta 3,15 12,7
FDN 15,46 62,26
FDA 10,04 40,43
CNF 3,85 15,5
Fonte: Análise bromatológica 3rlab
Visita Técnica PDPL/Setembro
No dia 28/10, três técnicos e 45 es- tagiários do PDPL/PCEPL saíram a campo para realizar mais uma viagem técnica. O objetivo principal da visita foi proporcionar aos estagiários o con- tato com uma realidade diferente da de Viçosa e região. Os estudantes pu- deram conhecer a tecnologia Compost Barn, aplicada em uma fazenda na cidade de Patrocínio (MG), e também entraram em contato com proprieda- des que fazem uma eficiente utiliza- ção de subprodutos para alimentação animal. Os visitantes também obser- varam a rotina de ex-estagiários do PDPL/PCEPL no trabalho da extensão rural, suas áreas de atuação e como se comportam no mercado de trabalho.
Na segunda-feira pela manhã os estudantes visitaram a fazenda Takao Massuda, em Ibiá, assistida pelo ve- terinário João Vitor, do Projeto Edu- campo/Sebrae. Pela tarde, foram a Patrocínio, na fazenda do produtor
Gasparino, assistida pelo veterinário Sérgio. Esta fazenda utiliza o inovador sistema de produção conhecido como Compost Barn. Este sistema se baseia em uma alternativa para confinamento de vacas leiteiras em áreas forradas de cama comum (área de descanso), que visa melhorar o conforto e bem-estar dos animais e, consequentemente, os níveis de produtividade do rebanho.
Um dos diferenciais desse sistema é a compostagem, que transforma, ao longo do tempo, o material da cama e a matéria orgânica dos dejetos dos animais em adubo. O Compost Barn começou a se popularizar primeira- mente nos Estados Unidos e ainda é pouco utilizado no Brasil. A fazenda do Gasparino é a primeira da região a utilizar esta técnica, e o sucesso desse processo é visível, pois apenas um ano foi necessário para cobrir os custos do investimento deste novo sistema.
Ainda na segunda-feira, os visitan-
tes foram para Coromandel passar a noite e na terça-feira pela manhã, vi- sitaram a fazenda do produtor Gervá- sio, assistida pelo veterinário Hamil- ton, ex-estagiário do PDPL. Na tarde de terça-feira, os estudantes e técnicos visitaram a Laticínios Coronata, na Fa- zenda Fiqueireda, que está iniciando a prática do Compost Barn, e a empresa UBS (Unidade de Beneficiamento de Sementes) da Riber KWS Sementes. A Riber KWS investe em uma moderna estrutura no beneficiamento de milho híbrido, sorgo e soja de alta qualida- de. Na noite de terça todos retorna- ram à Viçosa.
Rafael Moura Guimarães, estudante de zootecnia, foi à viagem técnica pela primeira vez, e acredita que o maior aprendizado adquirido foi resultante da observação do avanço técnico de outras regiões. O estagiário do PDPL se impressionou com o tamanho físi- co e investimento em tecnologias nas
propriedades, além da enorme preo- cupação com a integridade e bem-es- tar do animal. “Aqui em Viçosa temos problema com logística de entrega de insumos e lá está tudo acessível, tudo é produzido próximo às fazendas e, por isso, a terra e o modo de produ- ção são totalmente diferentes. Vimos na prática o Compost Barn, que aqui é apenas mencionado em sala de aula.
E, quando se trata de aproveitamento de subprodutos, eles estão bem à fren- te.” afirma o estudante.
Ele ainda recomenda que todos os estagiários participem das viagens técnicas do PDPL/PCEPL, pois todos os anos elas são realizadas para luga- res distintos onde são abordadas te- máticas divergentes. “O mercado de trabalho vai nos apresentar realidades diferentes e vendo na prática como as propriedades funcionam, nos tor- namos profissionais mais completos”
conclui o Rafael.
Fazenda que utiliza a tecnologia do Compost Barn Técnicos, estagiários e colaboradores do PDPL
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Qualidade do Leite Qualidade do Leite
A mastite é uma inflamação da glândula mamária caracterizada pelo aumento no número de células so- máticas (CCS) e por causar modificações nas caracte- rísticas físicas e químicas do leite. Tanto na forma clí- nica como na forma subclínica, a mastite é a doença que causa os maiores prejuízos na cadeia produtiva do leite, pois afeta a produção, a qualidade do leite, os rendimentos dos derivados e a vida de prateleira dos produtos lácteos, além dos custos com o tratamento (serviços veterinários, exames laboratoriais e medica- mentos) e o descarte do leite.
Com o aumento das células somáticas (CCS), em resposta a infecção da glândula mamária, são obser- vadas intensas mudanças nas concentrações tanto dos principais componentes (por ex.: proteína, gordura e lactose) quanto dos componentes encontrados em me- nores níveis no leite (por ex.: minerais e enzimas).
Impacto da Mastite sobre a Proteína
O efeito da mastite sobre a concentração total de proteína do leite é variável, pois ocorre uma diminui- ção da síntese de proteína nas células epiteliais (case- ína, lactoalbumina e lactoglobulina), mas, um aumen- to do influxo de proteínas séricas (imunoglobulinas e soroalbumina) sendo que o efeito geral normalmente é a manutenção do nível de proteína total. Entretanto há uma redução da caseína, principal proteína do leite que apresenta alta qualidade nutricional e é muito im-
portante na fabricação dos queijos. Quando se analisa a quantidade total de proteínas do leite de vacas com mastite, nota-se que a concentração apresenta uma re- dução quando a contagem de células somáticas (CCS) excede a 1.000.000/ml.
Impacto da Mastite sobre a Gordura do Leite Normalmente, o teor de gordura é reduzido com o aumento da CCS. Os glóbulos de gordura do leite são envoltos por uma membrana, sendo que em vacas com mastite a síntese dessas membranas é alterada, fazen- do com que as moléculas de gordura fiquem mais ex- postas à ação das enzimas lipolíticas.
As alterações no teor e composição da gordura do leite ocorrem de maneira significativa quando a infec- ção se torna severa: CCS > 2.000.000/ml.
Impacto da mastite sobre a Lactose
A inflamação da glândula mamária resulta em di- minuição da síntese de lactose e, consequentemente, a concentração deste composto no leite é menor em va- cas com mastite. Essa redução, em parte, é devida às lesões nas células alveolares, no entanto, outros fatores como a passagem de lactose para o sangue também po- dem estar envolvidos. A concentração desse nutriente no leite deve ser levada em conta, pois essa influencia de maneira direta na produção de leite da glândula mamária.
Impacto da Mastite sobre Minerais
Os tecidos do úbere que controlam a passagem de íons do sangue para o leite ficam com esta capacidade enfraquecida durante a mastite. Desse modo, aumen- tam as concentrações de sódio e de cloretos e as quan-
tidades de cálcio, fósforo, magnésio e potássio caem consideravelmente.
Impacto da Mastite sobre Minerais
Os tecidos do úbere que controlam a passagem de íons do sangue para o leite ficam com esta capacidade enfraquecida durante a mastite. Desse modo, aumen- tam as concentrações de sódio e de cloretos; e as quan- tidades de cálcio, fósforo, magnésio e potássio caem consideravelmente.
Conclusão
A mastite tanto na sua forma clínica como na sub- clínica causa prejuízos enormes para a cadeia produ- tiva do leite, sendo um dos mais impactantes a redu- ção na sua produção. Além disso, altera a composição do mesmo, reduzindo os teores de gordura, lactose e caseína e aumentando os teores de sódio e cloreto, fazendo com que o leite perca as suas propriedades satisfatórias para o processamento e apresente gosto e aroma desagradável.
Mastite X Composição do Leite
Isabela Eloisa Bianchi
Estudante de Zootecnia - UFMT
As 10 maiores produções do mês de Outubro de 2014
Nº Produtor Município Produção
1 Antônio Maria Cajuri 154.628
2 Hermann Muller Visconde do Rio Branco 69271
3 Joaquim Campos Júnior Dores do Turvo 60.403,5
4 Paulo Frederico Araponga 50504
5 Paulo Cupertino Coimbra 39.690
6 Cristiano Lana Piranga 36781
7 Ozanan Moreira Ubá 29.005
8 João Bosco Diogo Porto Firme 22410
9 Geraldo Aleixo Porto Firme 21.516
10 José Maria de Barros Presidente Bernardes 21452
As 10 maiores produtividades do mês de Outubro de 2014
Nº Produtor Município Produtividade por
vaca em lactação Produtividade por vaca total
1 Antônio Maria Cajuri 28,5 25,1
2 Ozanan Moreira Ubá 26,0 22,8
3 Áureo de Alcântara Ferreira Guaraciaba 21,7 19,4
4 Rogério Barbosa Teixeiras 19,8 16,2
5 Cláudio Cacilhas Sabioni Visconde do Rio Branco 19,6 14,6
6 João Bosco Diogo Porto Firme 19,0 16,1
7 Alaelson José Ubá 18,9 16,1
8 Antônio Carlos Reis Piranga 18,5 12,1
9 Paulo Cupertino Coimbra 17,5 14,7
10 Paulo Frederico Araponga 17,5 15,2
Tabela: CCS alterando a composição do leite Componentes do Leite Alteração Sólidos Totais Redução de até 12%
Caseína Redução de até 18%
Gordura Redução de até 12%
Cálcio e Fósforo Redução de até 75%
Sódio Aumento de até 100%
Cloretos Aumento de até 1.000 vezes
Fonte: A qualidade do leite, EMBRAPA (1998)
Um dos grandes avanços na agricultura brasileira foi a adoção do sistema de plantio direto a partir da década de 70. Atualmente ocupa 75 % da área planta- da, o que permitiu aumento de produtividade e me- lhoria nas condições do solo. O principal componente do sistema é a manutenção de uma boa cobertura ve- getal.
A palhada tem a função de proteger o solo redu- zindo a ação direta dos raios solares, mantendo a sua temperatura amena e retendo a sua umidade, o que
favorece significativamente o desenvolvimento e a produção das lavouras; protege o solo da ação desa- gregadora do impacto direto das gotas de água das chuvas, reduzindo a erosão, que causa a perda de solo e de água. A formação de palhada também tem contri- buído para a redução de plantas daninhas.
A palhada tem ainda outras funções, como pro- porcionar maior atividade biológica no solo, poten- cializando o controle biológico de pragas e doenças, permitindo o aumento do teor da matéria orgânica do solo (MOS), que pode responder por até 80% da capa- cidade de troca catiônica (CTC) dos solos.
A cobertura tem sido realizada por muitas vezes a partir dos resíduos que ficam após a colheita (milho,
sorgo, feijão), mas devem ser adotadas forrageiras que possuam tal finalidade (milheto, braquiárias, cro- talárias etc.). As gramíneas devem ser optadas como plantas de cobertura, pois possuem maior relação C/N (carbono/nitrogênio), proporcionando um período su- perior de cobertura do solo, apresentam uma decom- posição mais lenta quando comparada a leguminosas e crucíferas.
Visto a importância da palhada no plantio direto e seus inúmeros benefícios, aliado da redução de custos de plantio, o mesmo deverá ser planejado com antece- dência, através da recomendação de estagiários e téc- nicos do PDPL/PCEPL, visando um bom manejo da lavoura e excelente produtividade na safra 2014/2015.
Importâcia da Palhada no Plantio Direto
Lucas Silva Marques Estudante de Zootecnia