• Nenhum resultado encontrado

Saude soc. vol.24 número4

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Saude soc. vol.24 número4"

Copied!
2
0
0

Texto

(1)

Saúde Soc. São Paulo, v.24, n.4, p.1107-1108, 2015 1107

Editorial

A Saúde e Sociedade abre este número com um conjunto de artigos que contribuem ao atual debate político sobre as propostas de mudança no SUS e suas implicações, especialmente no que concerne à defesa do direito universal à saúde.

Introduzimos o debate com o artigo “Justiça social e equidade em saúde: uma abordagem cen-trada nos funcionamentos”, um ensaio teórico que analisa concepções de justiça social articu-ladas à questão da equidade em saúde, abordada pelo autor como estratégia política visando à “superação da desigualdade entre aqueles que alcançaram e os que não alcançaram a igualdade pretendida em relação ao direito à saúde”. A essa reflexão inicial, seguem-se artigos que colocam em questão o princípio da universalidade desse direito ao problematizarem o uso e acesso aos serviços de saúde por diferentes grupos sociais: população penitenciária, estrangeiros e popula-ções rurais. Essas reflexões são aqui apresen-tadas não apenas no contexto de diversidade, heterogeneidade e desigualdade da sociedade brasileira, mas também em relação a problemas semelhantes enfrentados em outros países da América do Sul, como no estudo sobre a acessi-bilidade de mulheres rurais à saúde materna na Argentina.

Se a necessidade de transformar situações de desigualdade na igualdade pretendida é evidente nesses trabalhos, dois artigos apontam para possi-bilidades de justiça social pela dimensão política e econômica de redistribuição. O primeiro, ao analisar o controle social em saúde e, o segundo, com um estudo sobre os Programas de Transferência Con-dicionada de Renda em diferentes países.

A temática da (in)justiça também atravessa a questão do uso e acesso aos recursos naturais, em particular a água, objeto de debate não apenas am-biental, mas político e econômico, atualmente em evidência no cenário da escassez de água enfrentada no estado de São Paulo.

No artigo “Conflitos ambientais e as águas do rio São Francisco”, os autores abordam os processos de “injustiça ambiental”, destacando

DOI 10.1590/S0104-12902015244100

as relações entre o uso de recursos naturais, dominação política e apropriação econômica, aspectos que tendem a agudizar outros conflitos envolvendo grupos vulneráveis da população. Nesse sentido, o artigo dialoga com os anteriores pela problematização do acesso e uso da água, em estreita relação com a saúde, sob a perspectiva dos determinantes sociais.

A interface entre questões ambientais, saúde e trabalho é destacada em artigos que tratam da percepção de risco; da importância da noção de cadeias produtivas para a discussão de estratégias de vigilância em saúde, trabalho e ambiente; do enfoque de vulnerabilidade nos sistemas de infor-mação em saúde ambiental com ênfase na questão do risco de moradia para a saúde; e de acidentes decorrentes das atividades de trabalho. Nesses artigos, perspectivas de análise sociocultural e econômica ressaltam o contexto da globalização e as desigualdades sociais.

Outros trabalhos contribuem para o deba-te sobre o acesso e o adeba-tendimento à saúde ao problematizarem certas concepções e práticas presentes em políticas institucionais, discursos profissionais e de diferentes grupos sociais, abordando temas igualmente relevantes e atu-ais: percepção de profissionais do CAPS sobre a desinstitucionalização; mulheres usuárias de crack e racismo; geração e gênero nas pesquisas em saúde; “cansaço” como categoria norteadora das experiências de adoecidos pulmonares; e, processo de medicalização social no campo da odontologia.

(2)

1108 Saúde Soc. São Paulo, v.24, n.4, p.1107-1108, 2015

abordam o processo da produção noticiosa sobre o erro médico, com uma pesquisa documental na imprensa portuguesa.

O conjunto de artigos que integram este nú-mero nos instiga à reflexão, seja pela atualidade e relevância das temáticas abordadas, seja pela riqueza de abordagens, na interface entre ciências sociais, humanas, da saúde e ambientais, que

nos possibilitam vislumbrar novas perspectivas ao debate.

Boa leitura!

Referências

Documentos relacionados

However other researches investigating OBS items from several bank perspectives (risk, performance, liquidity, size and regulation) has reached different conclusions: Dionne

Considerando que o MeHg é um poluente ambiental altamente neurotóxico, tanto para animais quanto para seres humanos, e que a disfunção mitocondrial é um

• comprender que la falta de ciertos activos no constituye, desde este enfoque, una incapaci- dad para enfrentar situaciones de amenaza debido a que las capacidades representadas

A diferencia de lo esperado, los libros de texto de EF presentan más porcentaje de imágenes de personas con otros tipos de disca- pacidad inferidas a través de evidencias distintas

Desse modo, o princípio da cooperação e o novo modelo processual colaborativo inaugurados pelo Código de Processo Civil estão em consonância com o processo civil

Resumo Tendo em vista a Emenda Constitucio- nal 95 e a crise econômica, são discutidos os possí- veis efeitos que as medidas de austeridade podem ter no cumprimento das

O módulo “Análise de programas e ações por classe territorial” buscou analisar de forma automatizada o vínculo entre as classes territoriais propostas no estudo e os

É primeiramente no plano clínico que a noção de inconscien- te começa a se impor, antes que as dificuldades conceituais envolvi- das na sua formulação comecem a ser