RESUMO
No presente relatório de trabalho apresenta-se o exercício de implementação de um Sistema de Gestão Ambiental numa empresa do sector da celulose e papel.
Numa primeira fase, realizou-se um levantamento dos impactes ambientais das actividades da empresa que, conjuntamente com a identificação dos requisitos legais aplicáveis, permitiu definir Objectivos e Metas Ambientais, bem como delinear Programas de Gestão Ambiental.
Na sequência da identificação de aspectos ambientais significativos, foram completados diferentes programas, em especial nas áreas da gestão dos resíduos sólidos, do controlo dos efluentes atmosféricos e do ruído. Foram ainda abordadas, embora de um modo menos aprofundado, questões relacionadas com a higiene e segurança no trabalho.
Logo no início do relatório é apresentada uma explicação teórica sobre as normas ISO 14000, abordagem considerada necessária para que se percebam os fundamentos, objectivos e vantagens de um projecto deste tipo.
Após uma breve apresentação da empresa onde o projecto teve aplicação prática, são descritas as diversas etapas e metodologias do trabalho realizado, que tiveram como suporte teórico a norma ISO 14001: 1996.
No final do presente relatório são apresentadas as conclusões do trabalho desenvolvido, que contribuiu decisivamente para alterar os processos e “modus operandi” da actividade fabril da empresa em causa no que concerne a exigências de natureza ambiental.
Acresce que a maioria das alterações introduzidas (desde uma adequada gestão de resíduos ao controlo das emissões atmosféricas), não só minimizaram a maioria dos aspectos ambientais negativos pré - existentes como permitiram melhorar significativamente a imagem da empresa junto dos seus clientes e fornecedores.
AGRADECIMENTOS
A realização de um projecto deste tipo não depende apenas do empenho de quem o concretiza. Sem a inestimável colaboração de muitas outras pessoas, este trabalho teria sido muito mais árduo e certamente ficaria aquém das nossas próprias expectativas. Cumpre- nos, por isso, expressar os nossos mais sinceros agradecimentos ao Professor Doutor José Manuel Martins, orientador do projecto, pelo apoio que nos deu e pelas dúvidas e dificuldades que nos ajudou a dissipar e a ultrapassar nesta nossa primeira experiência profissional.
Sem a disponibilidade da Cartonagem Cardoso, SA, o projecto nem sequer teria nascido. Queremos agradecer a todos os seus colaboradores pela disponibilidade permanente para nos ajudarem na concretização das acções propostas, com especial destaque para o Sr.
Flávio Reis, da área da produção. E deixar um agradecimento particular à Direcção da empresa, nas pessoas do Sr. Joaquim Pinto Cardoso (Presidente) e do Sr. Jorge Reis.
Finalmente, não podemos deixar de incluir nestes agradecimentos os nossos pais, familiares e amigos pela confiança, paciência e estímulo que nos permitiram levar esta tarefa até ao fim nos moldes que havíamos delineado. E especialmente o Alcides Campos e o João Santos por nos terem disponibilizado algum equipamento informático e fotográfico.
ÍNDICE
RESUMO... I AGRADECIMENTOS... II ÍNDICE... III
PARTE I – SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL...1
1 Introdução... 1
2 O que é a Gestão Ambiental?...2
2.1 Vantagens do SGA...3
3 As normas ISO 14000...4
4 Certificação do Sistema de Gestão Ambiental...5
4.1 O que significa Certificação...5
4.2 O processo de Certificação...5
PARTE II – GESTÃO AMBIENTAL NA CARTONAGEM CARDOSO, SA...6
5 Apresentação Geral da Empresa – Cartonagem Cardoso, SA...6
5.1 Informações Gerais...6
5.2 Historial... 6
5.3 Principais Produtos...6
5.4 Principais Clientes...7
5.5 Prémios Obtidos...7
6 Gestão Ambiental da Cartonagem Cardoso, SA...7
6.1 Estudo Prévio...7
6.2 Política Ambiental...8
6.3 Planeamento...9
6.3.1 Aspectos Ambientais...9
6.3.1.1 Identificação dos Aspectos Ambientais...10
6.3.1.2 Avaliação dos Aspectos Ambientais...10
6.3.2 Requisitos Legais e Outros...16
6.3.3 Objectivos e Metas e Programas de Gestão Ambiental...17
6.4 Implementação e Funcionamento...18
6.4.1 Estrutura e Responsabilidade...18
6.4.2 Formação, Sensibilização e Competência...19
6.4.3 Comunicação...20
6.4.4 Documentação do Sistema de Gestão Ambiental...21
6.4.5 Controlo de Documentos...22
6.4.6 Controlo Operacional...23
6.4.7 Prevenção e Capacidade de Resposta a Emergências...28
6.5 Verificação e Acções Correctivas...30
6.5.1 Monitorização e Medição...30
6.5.2 Não conformidades e Acções Correctivas e Preventivas...31
6.5.3 Registos... 31
6.5.4 Auditoria do Sistema de Gestão Ambiental...32
6.5.5 Revisão pela Direcção...32
PARTE III – CONSIDERAÇÕES FINAIS...33
7 Conclusões... 33
8 Referências... 35
PARTE I – SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL
1 Introdução
Actualmente, as organizações de todos os tipos estão cada vez mais empenhadas em atingir e demonstrar um desempenho ambiental sólido, através do controlo do impacte ambiental das suas actividades, produtos ou serviços, tendo em consideração a sua política e objectivos ambientais. Tais preocupações surgiram no contexto do aparecimento de legislação cada vez mais restritiva, do desenvolvimento de políticas económicas e de outras medidas que fomentam cada vez mais a protecção ambiental, sendo ainda de considerar o crescimento generalizado das preocupações, de distintas partes interessadas, em torno das questões ambientais, incluindo o desenvolvimento sustentável. Passou-se, deste modo, de um passado de legislação punitiva e de carácter essencialmente sancionatório, a um presente em que prevalecem as normas de natureza pró-activa, que através de métodos de gestão permitem alcançar os desejáveis objectivos ambientais.
Entre outros instrumentos de relevante importância, destacam-se as normas ISO 14000, que hoje em dia encontram maior aceitação por parte das organizações (talvez por seguirem uma filosofia de normalização e de certificação), e que de certa forma complementam as normas para certificação de qualidade da série ISO 9000, em que muitas empresas estão envolvidas desde o seu aparecimento em 1987.
Dos diversos modelos de gestão ambiental, evidencia-se o que segue a norma ISO 14001 - Sistemas de gestão ambiental. A presente norma destina-se a proporcionar às organizações os elementos de um sistema eficaz de gestão ambiental, que possam ser integrados com outros requisitos de gestão, de modo a que sejam atingidos os objectivos ambientais e económicos. Esta norma especifica, portanto, os requisitos desse sistema de gestão ambiental e foi redigida de forma a ser aplicável a organizações de todos os tipos e dimensões, bem como a adequar-se a diversas condições geográficas, culturais e sociais. O sucesso do sistema depende do compromisso de todos os níveis e funções, em particular da gestão do topo. Um sistema deste tipo permite à organização estabelecer procedimentos para a definição de uma política e de objectivos ambientais, avaliar a sua eficácia, atingir conformidade com os mesmos e demonstrar essa conformidade perante terceiros. De salientar que muitos dos requisitos podem ser considerados simultaneamente ou reavaliados em qualquer altura e que a presente norma não estabelece requisitos absolutos de desempenho ambiental para além do compromisso, estabelecido na política, de melhoria contínua e de ter em consideração a legislação e regulamentos aplicáveis.
Este projecto enquadra-se na perspectiva da promoção e aprofundamento da cooperação e intercâmbio de conhecimentos e experiências entre os meios académico e empresarial, através do estabelecimento de objectivos importantes (até porque muitos deles decorrem de exigências legais) para ambas as partes interessadas.
Para as alunas finalistas do curso de Engenharia do Ambiente envolvidas neste trabalho, o projecto contribuiu sobremaneira para alargar os seus conhecimentos e experiências no que diz respeito à gestão ambiental e à realidade profissional na área da Engenharia do Ambiente. Para a empresa onde o projecto teve aplicação prática, também houve benefícios evidentes, na medida em que foram lançadas bases sólidas para a respectiva certificação ambiental, foi
resolvida grande parte dos problemas de ambiente pré - existentes e cultivou-se, ao longo de dez meses, a necessária sensibilização para as cada vez mais decisivas questões ambientais.
Tendo em conta as limitações em termos de recursos humanos e materiais, e essencialmente as enormes lacunas da unidade fabril em causa no que diz respeito à preservação ambiental e ao cumprimento das normas que regem o sector, considera-se que foi dada uma contribuição francamente positiva para a resolução dos problemas da empresa neste domínio. Além do mais, ao trabalho desenvolvido correspondeu uma efectiva melhoria da imagem externa da empresa, designadamente junto de determinados clientes que começavam a dar sinais de alguma incomodidade e de maior exigência a este nível.
2 O que é a Gestão Ambiental?
As actividades e produtos de qualquer organização, independentemente da sua dimensão ou ramo de actividade, têm um impacte no meio ambiente em que a organização se insere ou onde os seus produtos são utilizados. O impacte ambiental, ou seja tudo o que de alguma forma altera as condições ambientais reinantes, é maior ou menor dependendo das actividades desenvolvidas pela organização, dos seus produtos e do respectivo processo de produção. O impacte ambiental pode ser directo (rejeição de subprodutos na atmosfera, poluentes sólidos ou líquidos, alterações de temperatura e humidade, ruído, etc.) ou indirecto (energia consumida, utilização de produtos e
meios de forte carga ecológica, volumes de resíduos, etc.).
Normalmente o impacte ambiental máximo admissível é determinado pelo Estado através de mecanismos legislativos e regulamentares, decorrentes das suas responsabilidades de preservação do meio ambiente.
A redução do impacte ambiental das actividades e produtos das organizações é uma tendência generalizada e crescente, imposta, não só pelo Estado, mas também pelas associações de consumidores, associações ambientalistas, pelos colaboradores, pelas populações vizinhas e pelos próprios clientes e, em alguns casos pelos próprios fornecedores.
Um Sistema de Gestão Ambiental é o conjunto de processos, práticas, métodos e meios que permitem à organização:
a identificação dos impactes (positivos e negativos) das suas actividades e produtos no meio ambiente;
a gestão e melhoria desses impactes;
a gestão das questões ambientais em todo o seus planos futuros e no desenvolvimento das suas actividades;
assegurar a identificação e cumprimento dos requisitos legais aplicáveis às suas actividades e produtos.
2.1Vantagens do SGA
Do ponto de vista externo:
- Melhora a imagem da empresa junto dos organismos regulamentadores e estatais;
- Melhora a imagem da empresa e aumenta o grau de confiança do público e dos consumidores;
- Permite aceder em condições mais concorrenciais a concursos públicos;
- Maior e melhor aceitação no mercado da exportação;
- Abertura a novos e mais exigentes mercados;
- Melhora o poder negocial da organização não só em relação aos clientes como também em relação aos fornecedores;
- Assegura a constante adequação e cumprimento da legislação ambiental aplicável.
Do ponto de vista interno:
- Reduz custos relacionados com o combate à poluição através da racionalização do uso de meios e da prevenção de ocorrências;
- Diminui o número e a gravidade dos acidentes de cariz ecológico;
- Contribui para a melhoria da satisfação dos colaboradores;
- Melhora a eficácia dos processos de produção e controlo dos impactes ambientais;
- Permite reduzir custos associados ao tratamento de resíduos e consumos de energia;
3 As normas ISO 14000
A ISO (Organização Internacional para a Normalização), nasceu em 1947 e tem como objectivo promover o desenvolvimento da normalização e das actividades relacionadas ao nível mundial, visando a troca de produtos e serviços e o desenvolvimento da cooperação das esferas das actividades intelectuais, científicas, tecnológicas e económicas. (http://www.iso.ch).
A ISO 14000 é uma família de normas internacionais, de aplicação voluntária e desenvolvida pelo Comité Técnico 207. Dentro desta família existem várias séries de normas – 1400X, nomeadamente a
pretendam implementar e certificar o seu sistema de gestão ambiental.
Estabelece procedimentos para a definição de uma política, objectivos e metas ambientais, visando a prevenção da poluição e mantendo o equilíbrio entre as necessidades sócio - económicas e o meio ambiente.
Basicamente, a norma ISO 14001 estabelece requisitos para duas componentes do desempenho ambiental: o compromisso (inscrito na política) de cumprir a legislação e regulamentação aplicável e a melhoria contínua. Assim sendo, os requisitos desta norma encontram- se interligados num ciclo de melhoria contínua que constitui a metodologia seguida neste trabalho.
Figura 1 – Ciclo de melhoria contínua.
4 Certificação do Sistema de Gestão Ambiental
4.1O que significa Certificação
A Certificação Ambiental significa, segundo as normas ISO 14001, que a organização dispõe de um Sistema de Gestão Ambiental concebido, implementado e gerido de acordo com os requisitos da norma.
A Certificação do Sistema de Gestão Ambiental pela norma ISO 14001, reveste-se de um cariz objectivo e universal e representa o reconhecimento institucional de que a organização dispõe dos meios e da organização necessária à gestão e melhoria do impacte ambiental das suas actividades e produtos.
4.2O processo de Certificação
O processo de concepção, implementação e certificação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA), segue, de acordo com a metodologia, quatro etapas sequenciais e interligadas:
1. Planeamento e Organização do SGA: incluindo a formação sobre os requisitos do SGA e da norma ISO14001 e sensibilização dos colaboradores, a identificação dos impactes ambientais significativos (requisitos legais e outros, efeitos e significância dos impactes) e da Política de Gestão Ambiental e Objectivos ambientais da empresa, estruturação do SGA;
2. Implementação: incluindo a concepção e elaboração dos Procedimentos Operacionais, Planos de Emergência e Programas de gestão ambiental, a elaboração dos documentos do SGA, incluindo identificação de responsabilidades e manuais de apoio, a consciencialização e Formação dos colaboradores;
3. Auditoria Interna: inclui a formação de auditores internos e a revisão do sistema ambiental pela gestão;
4. Certificação do Sistema. [In Consultores da qualidade]
PARTE II – GESTÃO AMBIENTAL NA CARTONAGEM
CARDOSO, SA
5 Apresentação Geral da Empresa – Cartonagem Cardoso, SA 5.1Informações Gerais
A Cartonagem Cardoso, SA, (CCSA) situa-se no concelho de Santa Maria da Feira, na Zona Industrial de Sanguedo. Esta empresa, do sector da celulose e papel, tem como actividades o fabrico do cartão microcanelado, cartão canelado, embalagens de cartão e de cartolina.
A Cartonagem Cardoso, SA, tem uma área de 8000 m2, empregando 67 trabalhadores.
Figura 2 – Aspecto do interior da fábrica.
5.2Historial
1970 – Início da actividade com fabrico artesanal.
1984 – Denominação de Cartonagem Cardoso, Lda.
1os Investimentos Tecnológicos nas instalações do próprio 1994 – Início da construção das actuais instalações.
1998 – Alteração da sociedade por quotas, para sociedade anónima. (Cartonagem Cardoso, SA)
5.3Principais Produtos
Nas figuras seguintes são apresentados alguns dos produtos da Cartonagem Cardoso, SA:
Figura 3 – Embalagens de alimentos Figura 4 – Embalagens de cartão canelado
Figura 5 – Embalagens de calçado Figura 6 – Embalagens de brinquedos
5.4Principais Clientes
Os seus principais clientes são as industrias dos sectores do calçado, cerâmica, electrodomésticos, têxtil, alimentar e farmacêutica.
5.5Prémios Obtidos
1999, 2000 e 2001 – Prémio Revista Exame – Melhor PME no sector da Celulose e Papel
Figura 7 – Prémio melhor PME 1999 Figura 8 – Prémio melhor PME 2000
6 Gestão Ambiental da Cartonagem Cardoso, SA
6.1Estudo Prévio
Antes de dar início à Implementação do Sistema de Gestão Ambiental na CCSA, foi efectuado um estudo de avaliação da situação da empresa em termos ambientais.
A análise incidiu nos seguintes aspectos:
a) Aplicabilidade da Norma ISO 14001
Inicialmente procedeu-se a um estudo da norma. De seguida analisou-se a aplicabilidade dos seus requisitos na CCSA..
Verificou-se já existir na empresa uma sensibilização para as questões ambientais e uma predisposição para ser atingido um desempenho ambiental sólido, o que contribuiu para a tomada de decisão de
implementar um Sistema de Gestão Ambiental, orientado pela norma ISO 14001.
a) Conformidades Legais
Nesta categoria, foi efectuado um levantamento de toda a legislação aplicável à CCSA para cada uma das áreas ambientais. Após análise constatou-se:
- Efluentes Atmosféricos: No ano 2000, a fonte de emissões atmosféricas existente na CCSA (chaminé – caldeira) foi convertida para gás natural. Desde essa data não tinham sido realizadas quaisquer medições. Não havendo registo dos valores das concentrações de poluentes emitidos, não era possível avaliar o cumprimento do Decreto-Lei n.º 352/90 de 9 de Novembro.
- Ruído: Não havia qualquer possibilidade de avaliar o cumprimento do Decreto-Lei n.º 292/2000 de 14 de Novembro (Regulamento Geral do Ruído), na medida em que não existiam valores dos níveis de ruído emitido para o exterior, originado pelo funcionamento da CCSA.
Relativamente ao cumprimento do Decreto-Lei n.º 72/92 , o qual está relacionado com o ruído interno ( protecção dos trabalhadores contra os riscos devidos à exposição ao ruído durante o trabalho – Área da Higiene e Segurança), não foi possível tirar conclusões. Os valores analíticos das medições efectuadas em 1997 passaram a estar desactualizados desde que houve introdução de novos equipamentos na empresa. Desde então não foram efectuadas novas medições.
- Efluentes líquidos: Não foi possível avaliar o cumprimento do Decreto-Lei n.º 236/98 de 1 de Agosto (relativo às normas da qualidade das águas), pois só se dispunham de valores analíticos de descarga de águas residuais de 1997.
- Resíduos: Não era cumprido na totalidade o Decreto-Lei n.º 239/97 de 9 de Setembro, o qual estabelece as regras a que fica sujeita a gestão de resíduos. Muitos dos resíduos gerados na CCSA não eram recolhidos, transportados, armazenados e tratados devidamente (de acordo com o estipulado por lei).
Era cumprida a Portaria n.º 240/92 que aprova o regulamento de licenciamento das actividades com óleos usados.
b) Outros Aspectos decorrentes da actividade da empresa geradores ou susceptíveis de gerar impactes no ambiente.
- Organização deficiente na armazenagem de produtos e resíduos;
- Inexistência de separação e recolha selectiva dos resíduos gerados na CCSA;
- Existência de alguns resíduos (por exemplo: películas usadas) armazenados nas instalações da empresa praticamente desde o início da sua actividade.
6.2Política Ambiental
A Política ambiental deve ser entendida como o conjunto das grandes linhas de orientação estabelecidas pela direcção de topo da empresa para todos os processos do negócio com impacte no ambiente, ou para a área de negócio, ou actividades em que se pretenda a aplicação da política.
Segundo a norma ISO 14001, tal política deverá ser claramente definida pela Direcção da organização e assegurar:
Cumprimento da legislação, regulamentação e outros requisitos aplicáveis à organização;
Compromisso de melhoria contínua e prevenção da poluição;
Carácter permanente, apenas alterável em função da legislação aplicável;
Toda uma estrutura para implementação e revisão dos objectivos e metas ambientais;
Sua documentação e implementação;
Comunicação ao nível interno e externo à empresa. [In Manual Síntese de Interpretação da Norma ISO 14001 – MSI Norma ISO 14001]
As preocupações ambientais na CCSA tiveram início há já algum tempo atrás, contudo só foram postas em prática no final de 2001, aquando do início do processo de gestão ambiental na empresa.
As preocupações e respectivo compromisso com o ambiente encontram-se claramente definidas no documento – “Política Ambiental” (anexo 1).
A divulgação da política foi efectuada através de panfletos, criados para o efeito, quer a nível interno, na empresa, (divulgação junto dos colaboradores), quer a nível externo (dirigida a clientes e fornecedores).
6.3Planeamento
6.3.1 Aspectos Ambientais
A actividade do planeamento tem como um dos seus objectivos fundamentais a melhor utilização dos recursos disponíveis, o controlo do progresso e a tomada de decisões de replaneamento quando os objectivos não são alcançados, ou não o são da forma pretendida.
O planeamento, utilizando as técnicas que cada empresa entender como mais adequadas, deve no mínimo, identificar as fontes de emissão com características críticas e significativas, em qualquer fase de realização do produto, e, em função das consequências de uma não conformidade, estabelecer as medidas correctivas e preventivas adequadas, nomeadamente, as medidas específicas de controlo, ou seja, aquelas que permitam detectar as falhas, ou as suas causas.
Para iniciar o planeamento, é aconselhável que a organização realize um diagnóstico inicial ao estado do sistema. Este diagnóstico deve ter três componentes:
Levantamento dos aspectos ambientais e caracterização das situações poluentes, com ou sem soluções técnicas para os problemas identificados;
Requisitos legais e outros (enquadramento legislativo dos aspectos ambientais identificados e determinação do grau de cumprimento do sistema com os requisitos da norma ISO14001);
Estabelecimento de objectivos e metas e programas de gestão ambiental. [In MSI Norma ISO 14001]
De acordo com este ponto da norma ISO 14001, foi criado um Procedimento de “Identificação e Avaliação dos Aspectos Ambientais”
da Cartonagem Cardoso, SA (anexo 2 : PA – 001).
- http://sweet.ua.pt/~jmm/ccsa
6.3.1.1 Identificação dos Aspectos Ambientais
A identificação dos aspectos ambientais pressupõe o levantamento dos elementos das actividades da organização, ou dos seus produtos, que interactuam com o meio ambiente e que têm, ou podem ter impactes significativos no mesmo.
A informação recolhida, bem como as conclusões tiradas devem ser mantidas actualizadas. Para este efeito, a organização deve estabelecer procedimentos documentados que permitam que a identificação dos aspectos ambientais se faça de uma forma sistemática.
O processo de identificação de tais aspectos ambientais deverá considerar:
- A gestão dos resíduos sólidos, emissões atmosféricas, descargas para o meio hídrico, ruído para o exterior, contaminação do solo,
utilização de matérias primas e/ou recursos naturais e outras questões ambientais que se coloquem.
Neste processo deve-se ainda ter em conta:
- Potenciais situações de emergência e/ou operação anormal;
- Levantamento das actividades passadas (os eventuais incidentes anteriores constituem formas úteis para o efeito), actuais e futuras;
- Condições de operação. [In MSI Norma ISO 14001]
O levantamento de todos esses aspectos foi um processo de longa pesquisa, durante a qual foi reunida a maior quantidade de informação possível e disponível. Reunida toda essa informação, relacionada com as áreas e processos de produção geradores de impactes ambientais, partiu-se para a fase de análise, caracterização e avaliação desses aspectos que conduziu ao estabelecimento de objectivos, metas ambientais e planos de controlo e minimização dos impactes geradores ou susceptíveis de serem gerados no meio ambiente.
Na “Ficha de Descrição e Avaliação dos Aspectos Ambientais” (anexo 4: FT – 100) e em “Aspectos Ambientais” (anexo 4: FT – 101) encontram-se registados os resultados da análise de cada um dos 26 aspectos ambientais identificados.
6.3.1.2 Avaliação dos Aspectos Ambientais
Após identificação dos aspectos ambientais, tentou-se obter dados quantitativos dos parâmetros mais importantes dos mesmos, completando a informação relativa aos requisitos legais, quantidades produzidas ou consumidas (consoante se trata de resíduos ou recursos energéticos) e medidas de controlo (análises, medições ou práticas de actuação). Os resultados desta análise foram registados, para cada aspecto ambiental, na sua correspondente “Ficha de Descrição e Avaliação dos Aspectos Ambientais” (anexo 4: FT – 100).
Foi ainda elaborado um quadro de registo das classificações resultantes da avaliação dos aspectos, “Quadro de Classificação dos Aspectos Ambientais” (anexo 4: FT – 102).
Em termos de significância de cada aspecto ambiental, os resultados registam-se no “Quadro de Observações dos Aspectos Ambientais”
(anexo 4: FT – 103).
1. Critérios para avaliação dos aspectos ambientais
Na avaliação dos aspectos ambientais consideraram-se quatro situações diferentes que requerem critérios e prioridades distintas:
a) Condições normais de funcionamento b) Situações potenciais de emergência c) Não cumprimento de legislação
d) Casos excepcionais considerados relevantes pela Direcção
a) Condições normais de funcionamento
Foi utilizado um critério que consiste na atribuição de pontos, consoante as diferentes características dos aspectos ambientais. O resultado desta pontuação fornece uma significância em termos de impacte ambiental de modo a poderem ser elaborados programas de gestão para cada aspecto significativo, segundo as fórmulas especificadas em 2 do ponto 6.3.1.2 do presente relatório. O critério aplica-se para emissões atmosféricas, efluentes líquidos, emissões sonoras e resíduos. A escala de pontuação é de 1 – 3 em todos os critérios, excepto para:
Toxicidade de descargas e emissões em que a escala é de 0 a 3;
Extensão para a qual a escala é de 1 a 4, de forma a incluir valores superiores a 100%;
Sensibilidade dos efluentes líquidos cuja escala usada varia de 1 a 4 pelo facto deste critério permitir um maior número de hipóteses de pontuação.
INTENSIDADE (I)
Avalia-se a concentração do contaminante de cada aspecto ambiental considerado, atribuindo um determinado grau de significância tendo em conta os limites legais correspondentes (LMáx). Relativamente aos resíduos atribui-se um valor limite em termos de quantidade de resíduo produzida anualmente que se considerou adequada, tendo em atenção os valores das quantidades produzidas no ano transacto. Sempre que não se dispunha de dados relativos à concentração ou quantidade atribui-se a pontuação máxima para retratar o cenário mais desfavorável. Para as emissões gasosas, sonoras e descargas líquidas, pelo facto de não terem sido efectuadas medições atribui-se, pontuação máxima, isto é, 3 pontos.
TOXICIDADE (T)
A toxicidade dos resíduos avalia-se com base nas suas características, isto é, se são classificados como tóxicos ou perigosos (segundo o CER – Catálogo Europeu de Resíduos, Portaria 818/97 de 5 de Setembro), ou similares a resíduos urbanos ou ainda como inertes.
Para as emissões atmosféricas e descargas líquidas avalia-se a toxicidade com base nos contaminantes tóxicos que estão presentes na emissão ou descarga, desde que as concentrações excedam o limite estabelecido por lei. Neste contexto atribuiu-se ao ruído 1 ponto (pontuação mínima).
FREQUÊNCIA (F)
Avalia-se a frequência com que se produz cada aspecto ambiental considerado, tendo em conta os seguintes critérios:
Toma-se como referência o número total de horas de funcionamento anual da empresa (Ntotal)
Determina-se o número de horas anuais em que se verifica o aspecto ambiental (Naspecto)
Calcula-se a percentagem de horas de afectação do aspecto relativamente às horas de funcionamento de referência
É atribuída uma pontuação em função da percentagem (especificada no anexo 2: PA – 001).
EXTENSÃO (E)
Avalia-se a extensão em que se produz cada aspecto ambiental considerado, tendo em conta os seguintes critérios:
Toma-se como referência a área total da empresa (Atotal)
Determina-se a área em que se verifica o aspecto ambiental (Aaspecto)
Calcula-se a percentagem de área de afectação do aspecto relativamente à área de referência
É atribuída uma pontuação em função da percentagem (especificada no anexo 2: PA – 001).
Sempre que não seja possível determinar a extensão de afectação do aspecto ambiental, (por exemplo as emissões da chaminé), é atribuída a pontuação máxima.
SENSIBILIDADE (S)
Avalia-se a capacidade do meio receptor para assimilar o impacte produzido pelo aspecto ambiental considerado. Ao ruído atribui-se 1 ponto (mínimo) pois a empresa situa-se numa zona industrial. Às lamas da lavagem dos rolos, por exemplo, atribui-se a pontuação máxima (3 pontos) porque não têm gestor nem destino autorizados.
CUSTO (C)
Avalia-se o custo associado à operação de gestão. Se o custo for baixo (por exemplo adquirir contentores para efectuar recolha selectiva) atribui-se pontuação máxima, para que o aspecto ambiental em causa tenha prioridade de resolução relativamente a outros de custo muito elevado (por exemplo a construção de uma ETAR nova).
RAPIDEZ (R)
Avalia-se a rapidez e a facilidade com que se pode resolver um determinado aspecto ambiental.
CONSUMO DE ELECTRICIDADE, COMBÚSTIVEIS E ÁGUA Para estes aspectos ambientais, os critérios anteriormente referidos (intensidade, toxicidade, extensão, frequência, sensibilidade, custo e rapidez), não se aplicam à avaliação da sua significância. O critério adoptado baseia-se no cálculo da razão consumo/vendas dos últimos dois anos (quando houve mudança para gás natural). Analisa-se a média dessas razões com a do ano em estudo, para verificar evolução.
b) Situações potenciais de emergência
As situações de potencial emergência da Cartonagem Cardoso, SA estão registadas na “Lista de Situações de Emergência”, FT – 109. A forma de actuar em caso de emergência encontra-se descrita em
“Preparação e Resposta em Situações de Emergência”, PA – 007, que é um procedimento de gestão integrada. As situações de emergência são sempre significativas.
c) Não cumprimento de legislação
Sempre que se verifique que um aspecto ambiental não cumpre a legislação, quer porque ultrapassa valores limite quer porque não está a ser gerido correctamente, deve ser considerado significativo. No caso das emissões sonoras e gasosas, como não foram efectuadas medições, também se devem considerar significativas.
d) Casos excepcionais considerados relevantes pela Direcção Sempre que a Direcção da Cartonagem Cardoso, SA achar conveniente, pode estabelecer objectivos e metas ambientais para um determinado aspecto ambiental, independentemente do resultado obtido na avaliação dos aspectos ambientais. Assim, o aspecto considerado passa a ser significativo até que os objectivos sejam atingidos.
2. Avaliação dos aspectos ambientais
Cada aspecto ambiental é avaliado segundo os critérios estabelecidos determinando-se quais significativos são ou não.
A pontuação atribuída a cada aspecto ambiental regista-se na “Ficha de Identificação dos Aspectos Ambientais”, FT – 100 e no “Quadro de Classificação dos Aspectos Ambientais”, FT – 102. O nº total de pontos calcula-se através das seguintes fórmulas:
Condições normais de funcionamento:
Significância = { [ ( I T ) +( E S ) ] F } + ( C R )
Condições anormais de funcionamento:
Significância = [ ( I T ) +( E S ) ] + ( C R )
Consideram-se significativos 20% do total de aspectos que tenham obtido pontuação mais elevada. Somam-se a estes as situações de
emergência e o não cumprimento de legislação, que são sempre significativos.
Quando se verificar mais do que um aspecto com pontuação igual ao último aspecto considerado significativo, considera-se que são todos significativos (sendo assim o nº de aspectos significativos é superior a 20%)
Registam-se os resultados nos formatos anteriormente referidos (FT – 100, FT – 102 e no “Quadro de Observações dos Aspectos Ambientais” – FT – 103)
Os aspectos ambientais classificados como significativos foram usados para a definição de objectivos, metas e programas de gestão ambiental, segundo o Procedimento “Estabelecimento de Objectivos e Metas Ambientais”, PA – 003. (No ponto 6.3.3 encontra-se referência a este procedimento)
Para melhor ilustrar a significância dos aspectos ambientais elaborou- se o seguinte gráfico:
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55
Gráfico 1 – Classificação dos Aspectos Ambientais
Exemplo:
Para tornar mais fácil a compreensão do processo de avaliação dos aspectos ambientais, apresenta-se a seguir a classificação do resíduo – Óleos usados não clorados, a título de exemplo:
Trata-se do aspecto ambiental nº 11, um aspecto presente que ocorre normalmente na empresa, utilizado na manutenção e limpeza das máquinas e veículos.
Intensidade : a quantidade produzida deste resíduo é de 0.3 m3ano-
1(inferior a 0.5 m3ano-1), portanto atribuiu-se 1 ponto.
Toxicidade: segundo o código CER este aspecto é considerado tóxico ou perigoso. Atribuiu-se 3 pontos.
Extensão: a área de afectação é inferior a 75%. Atribuíram-se 2 pontos.
Sensibilização: a gestão deste resíduo é efectuada por um gestor autorizado. Atribuiu-se 1 ponto.
Frequência: este resíduo é produzido com uma frequência inferior a 35%. Atribuiu-se 1 ponto.
Custo: o custo de gestão é considerado baixo. Atribuiu-se 3 pontos.
Rapidez: é um aspecto ambiental fácil de resolver. Atribuiu-se 3 pontos.
Pela fórmula de significância para condições normais de funcionamento:
Significância = { [ ( I T ) +( E S ) ] F } + ( C R ) A significância é de:
Significância = { [ ( 1 3 ) +( 2 1 ) ] 1 } + ( 3 3 ) = 14 pontos
o aspecto ambiental é NÃO SIGNIFICATIVO, pois não está incluído nos 20% dos aspectos ambientais mais pontuados.
6.3.2 Requisitos Legais e Outros
Num contexto em que as preocupações ambientais aumentam e se traduzem em legislação cada vez mais restritiva, por via directa das exigências crescentes das partes interessadas, a organização deve estabelecer procedimentos que assegurem a identificação, acesso e análise sistemática da legislação, ou outros requisitos aplicáveis aos aspectos ambientais das suas actividades e produtos.
Para que a identificação dos aspectos ambientais e dos requisitos regulamentares se consiga da forma mais fácil, é recomendável que a organização mantenha, por alguma forma (lista, tabela, base de dados) registos permanentemente actualizados da legislação aplicável. Estes registos podem ser organizados por temas (ar, água, solo, resíduos...) e/ou subtemas (captação de água, efluentes...); podem ainda assumir a forma de uma tabela em que por actividade se identifica, não só a legislação, mas também as obrigações daí resultantes (registos a gerar, relatórios a enviar a entidades públicas...). [In MSI Norma ISO 14001]
Neste contexto foi elaborado o Procedimento de “Identificação e Recolha de Requisitos Legais e Outros Requisitos”, PA – 002, que orientou o levantamento da legislação ambiental aplicável à Cartonagem Cardoso, SA em cada uma das seguintes áreas – Efluentes gasosos, Descargas líquidas, Ruído, Resíduos e Recursos energéticos.
Do bom controlo desta informação depende a sua correcta aplicação.
Foi criado um Manual de Legislação Ambiental, de acesso controlado, que contém as seguintes informações:
“Legislação actual Aplicável à Cartonagem Cardoso, SA”, FT – 104 (anexo 4);
“Consulta de Legislação”, FT – 105 (anexo 4);
Documentos relativos a autorizações ambientais específicas da CCSA
No Manual de Legislação o formato “Legislação Actual Aplicável à Cartonagem Cardoso, SA”, FT – 104, deverá estar sempre actualizado.
Desta forma deverá conter:
Os Regulamentos ou Decretos, acompanhados do respectivo resumo, que foram revogados por nova legislação;
A legislação revogada deverá conter a denominação de qual a legislação que a revogou;
A legislação que revoga outra, deverá conter informação semelhante;
Toda a legislação obsoleta deverá estar marcada com a palavra
“OBSOLETO” em todas as páginas;
Não se guarda mais do que uma versão anterior à vigente. A legislação que se torna obsoleta deve ser retirada e destruída.
O acesso ao Manual de Legislação é controlado através do documento “Consulta de Legislação”, FT – 105, criado pelo Responsável pelo Ambiente para esse efeito.
6.3.3 Objectivos e Metas e Programas de Gestão Ambiental
Os objectivos e metas devem incluir medidas de incremento do desempenho ambiental e de melhoria contínua, devendo ser concordantes com a política ambiental.
Na prática, os objectivos e as metas são ferramentas que servem para traduzir a política ambiental, concretizados através de planos e programas específicos. [In MSI Norma ISO 14001]
Segundo a norma ISO 14001:
A organização ao estabelecer e rever os seus objectivos deve considerar:
Requisitos legais e outros requisitos regulamentares; aspectos ambientais significativos; requisitos financeiros, operacionais e de negócios; opções tecnológicas; considerações das partes interessadas.
A organização deve estabelecer e manter um programa para atingir os seus objectivos e metas, o qual deve incluir:
Designação de responsabilidades; meios pelos quais os mesmos são atingidos; planeamento temporal a cumprir;
Os programas devem ser alterados no caso de:
Novos desenvolvimentos; produtos, serviços ou actividades novas ou modificadas.
Estabelecidos os objectivos e metas, a organização deve programar/planear a sua obtenção. Isto implica o estabelecimento de um calendário, a atribuição de meios e responsabilidades aos níveis adequados da organização.
Na linguagem específica da ISO 14001, o(s) programa(s) devem incluir desde a identificação dos aspectos ambientais, legais, ou outros, o planeamento, a produção, concepção, até mesmo o destino dos resíduos.
Foi criado um Procedimento para o Estabelecimento de Objectivos e Metas Ambientais (anexo 2: PA – 003).
Tendo em conta a política ambiental estabelecida, aspectos ambientais significativos, requisitos legais e financeiros, foram delineados os seguintes objectivos e metas ambientais:
Quadro 1 – Objectivos, Prazos e Responsabilidades da Cartonagem Cardoso, SA
Descrição/L
ocal Nº Objectivo Prazos Responsabili dade Emissões
sonoras 1 Realizar medições e
comparar com a legislação
1º semestre
de 2002
Responsável pelo Ambiente Emissões
atmosféricas 2 Realizar medições e comparar com a
legislação
1º semestre
de 2002
Responsável pelo Ambiente Emissões das
empilhadoras 3 Realizar medições 1º
semestre de 2003
Responsável pelo Ambiente Desperdícios
sujos 4 Correcta gestão do
resíduo Fim de
2002 Responsável
pelo Ambiente Embalagens
metálicas 5 Correcta gestão do
resíduo Fim de
2002 Responsável
pelo Ambiente Chapas de
alumínio 7 Correcta gestão do
resíduo Fim de
2002 Responsável
pelo Ambiente
Solventes 8 Correcta gestão do
resíduo Fim de
2002 Responsável
pelo Ambiente Plásticos de
pequena dimensão
9 Correcta gestão do
resíduo Fim de
2002 Responsável
pelo Ambiente
Aparas de
papel 10 Correcta gestão do
resíduo
Fim de 2002
Responsável pelo Ambiente Água de
lavagem dos
rolos 15 Tratamento do efluente, análises e comparação
com a legislação
Fim de
2003 Responsável
pelo Ambiente Embalagens
plásticas
industriais 19 Correcta gestão do
resíduo Fim de
2002 Responsável
pelo Ambiente Incêndios 25 Minimizar o risco de
incêndios Fim de
2002 Responsável
pelo Ambiente
Os prazos estabelecidos para cada uma das metas ambientais resultam da conjugação de diversos factores – nível de significância dos aspectos ambientais identificados, legislação aplicável, opções tecnológicas e recursos financeiros da empresa. Estes prazos podem sofrer alterações sempre que surjam novos aspectos ambientais e/ou nova legislação a cumprir.
O registo dos parâmetros referenciados é efectuado em “Objectivos e Metas Ambientais”, FT – 116 (anexo 4), após aprovação pela Direcção da CCSA. Para se fazer cumprir cada um dos objectivos propostos foram criados programas de gestão ambiental cujo planeamento teve como suporte base o programa informático Project Plannig (anexo 5:
Planos/Programas).
6.4Implementação e Funcionamento 6.4.1 Estrutura e Responsabilidade
O que é essencial neste ponto é a definição clara da autoridade (o que as pessoas podem decidir, autonomamente) e as responsabilidades (as actividades que têm de desempenhar).
Devem existir descrições de funções dos que gerem (todos os níveis hierárquicos), executam (funções mais relacionadas com as áreas produtivas/executivas) e verificam (funções mais relacionadas com o controlo e gestão ambiental).
Para além da autoridade e responsabilidade, é necessário identificar os recursos necessários à implementação e funcionamento do sistema.
Por recursos deve entender-se, quer os humanos e respectivas qualificações, quer os tecnológicos e financeiros. [In MSI Norma ISO 14001]
Todos os colaboradores da CCSA são responsáveis pela prevenção e minimização de impactes ambientais negativos gerados pela actividade que desempenham. A sua colaboração, por exemplo, na separação de resíduos é essencial para o sucesso da implementação do SGA. Na
implementação e manutenção do SGA. No quadro seguinte apresenta- se a função e responsabilidade de cada deles.
Quadro 2 – Responsáveis na CCSA pelo SGA.
Função Responsabilidade
Presidente da Direcção
Designação de funções, responsabilidades e competências a atribuir a cada um dos colaboradores;
disponibilização dos meios tecnológicos, financeiros e mão de obra necessária. Aprovação de documentos.
Direcção Assegurar que o SGA está a ser correctamente implementado e monitorizado; reportar à Direcção a evolução do sistema informando do estado de cumprimento dos objectivos estabelecidos.
Responsável de Produção
Coordenação das actividades relacionadas com o processo de implementação do SGA.
Responsável pelo
Ambiente Implementação, desenvolvimento e manutenção do SGA.
6.4.2 Formação, Sensibilização e Competência
A organização deve identificar as necessidades de formação. Os colaboradores que desempenham actividades que possam criar impactes ambientais significativos devem receber formação adequada.
O essencial deste ponto é a identificação das necessidades de formação. A elaboração de planos de formação é uma consequência dessas necessidades e um meio para as satisfazer.
Os planos de formação devem consciencializar os colaboradores para:
os requisitos do sistema de gestão ambiental;
os impactes ambientais significativos (actuais ou potenciais) das suas actividades;
os seus papeis e responsabilidades nas situações de emergência e resposta;
as consequências de não respeitar os procedimentos operacionais estabelecidos.
Das acções de formação realizadas devem ser mantidos registos.
Estes devem evidenciar os formandos e formadores, os conteúdos, durações previstas e realizadas, classificações e avaliações. A nível individual deve existir uma ficha, cadastro, ou forma similar, que permita com facilidade evidenciar a formação recebida, nomeadamente, o treino no local. [In MSI Norma ISO 14001]
Os diferentes temas de formação que foram desenvolvidos na CCSA, pelas autoras deste projecto, estão expressos no seguinte quadro:
Quadro 3 – Alguns exemplos de formação ambiental aos colaboradores da CCSA
Formação Ambiental aos Colaboradores da Cartonagem Cardoso, SA
Tema de
Formação Informação/Formação
Política
ambiental Divulgação da política ambiental a todos os colaboradores.
Recolha selectiva
Sensibilização e esclarecimento de questões relacionadas com a recolha selectiva dos resíduos.
(anexo 6) Legislação
ambiental
aplicável à CCSA
Informação relativa à legislação em vigor e importância do seu cumprimento.
Guia de
transporte de resíduos – modelo A
Instruções para o correcto preenchimento do modelo – A, junto dos responsáveis pela gestão de resíduos.
6.4.3 Comunicação
Este requisito inclui dois tipos de comunicação, no que diz respeito aos aspectos ambientais e ao próprio sistema de gestão ambiental.
Por um lado, a comunicação interna, entre os diversos níveis e funções relacionadas com o ambiente, com o objectivo de facilitar o entendimento e a cooperação mútua de todo o pessoal envolvido no desempenho ambiental. Nomeadamente, deve ser comunicado: política, objectivos e metas, resultados dos controlos efectuados, resultados das auditorias internas e da revisão do sistema, evidentemente aos níveis que necessitam destas informações.
Por outro lado, a comunicação externa, com o objectivo de responder às solicitações provenientes das partes interessadas.
A comunicação, através das suas diversas formas, deve traduzir-se efectivamente na possibilidade de:
os colaboradores poderem manifestar as suas preocupações;
as partes interessadas poderem manifestar as suas preocupações.
A existência de um “boletim interno”, ou outra forma similar, deve ser aproveitada para a comunicação interna e até mesmo para a externa.
De todas as comunicações devem ser mantidos registos. [In MSI Norma ISO 14001]
Neste âmbito foi elaborado um panfleto de informação, formação e sensibilização aos colaboradores da CCSA. Por este meio foi-lhes dado a conhecer a importância da sua colaboração para a melhoria do desempenho ambiental da empresa, nomeadamente no processo de recolha selectiva dos resíduos gerados pelas diferentes áreas de produção.
De igual modo (através de um panfleto) foi feita uma comunicação externa dirigida aos clientes e fornecedores, na qual se deu a conhecer as preocupações ambientais com as quais actualmente a Cartonagem Cardoso se prende, bem como o compromisso para com o ambiente, expresso na sua política (anexo 6 – Comunicação)
6.4.4 Documentação do Sistema de Gestão Ambiental
Este requisito implica que a empresa defina a estrutura da documentação usada no sistema de gestão ambiental e em todas as actividades associadas.
Esta estrutura deve ser lógica (existência de uma hierarquia de documentos) e assegurar a coerência do conjunto da documentação (evitar sobreposições de conteúdos entre documentos, e/ou lacunas no mesmo nível documental).
A estrutura da documentação pode ser expressa por diversas formas, como por exemplo uma pirâmide, uma árvore, um diagrama ou outras.
Esta estrutura deverá ainda permitir identificar, a todos os níveis, os documentos relacionados com cada um dos requisitos da norma. [In MSI Norma ISO 14001]
A estrutura da documentação criada para o sistema de gestão ambiental da CCSA, pode ser expressa através de uma pirâmide (Figura 9) em que do topo até à base da mesma se encontra definida a hierarquia dos documentos existentes – Procedimentos, Instruções de trabalho e Formatos específicos.
Figura 9 – Hierarquia de documentos da CC, SA
Os procedimentos existentes são de aplicação ao sistema de gestão ambiental: Procedimentos Ambientais: PA – XXX (Quadro 4), podendo ser adaptados a outras vertentes da gestão na empresa. Nessa situação, quando for realizada uma revisão ou nova edição, os procedimentos referidos terão uma codificação diferente, uma vez que serão de aplicação geral para as áreas da Qualidade, Higiene e Segurança no Trabalho e Ambiente.
Os Procedimentos Ambientais que foram criados encontram-se no topo da hierarquia documental da pirâmide, uma vez que estes constituem a “chave mestra” para dar início e desenvolver a correcta gestão ambiental da empresa. Todos os procedimentos ambientais, registados no Manual de Procedimentos (anexo 2), constituem um documento base da metodologia a seguir no processo de gestão ambiental, remetendo sempre que se justifique para Instruções de Trabalho e/ou Formatos Específicos.
As Instruções de Trabalho desenvolvidas: IT – 5XX (Quadro 5) encontram-se num nível hierárquico, em termos documentais, inferior ao dos Procedimentos. Tratam-se de documentos que especificam com detalhe os aspectos técnicos associados à realização de trabalhos com implicações em termos ambientais.
Os Formatos Específicos (FT – 1XX) são documentos expressos sob a forma de quadros, relatórios ou fichas, que de uma forma simples e objectiva (de fácil interpretação e consulta) registam dados e informação relativa aos aspectos ambientais, acções passadas, presentes ou futuras relacionadas com a gestão ambiental.
Quadro 4 – Lista de procedimentos da Cartonagem Cardoso, SA
Código Identificação do Procedimento Ediçã
o Revis ão PA – 001 Identificação e Avaliação dos Aspectos
Ambientais 1 0
PA – 002 Identificação e Recolha de Requisitos Legais e
outros Requisitos 1 0
PA – 003 Estabelecimento de Objectivos e Metas
Ambientais 1 0
PA – 004 Codificação dos resíduos Gerados 1 0 PA – 005 Controlo Operacional dos Aspectos
Ambientais 1 0
PA – 006 Controlo de Não-Conformidades 1 0
PA – 007 Acções Correctivas e Preventivas 1 0
PA – 008 Controlo de Documentos 1 0
PA – 009 Formação 1 0
PA – 010 Preparação a Resposta a Situações de
Emergência 1 0
Quadro 5 – Lista de Instruções de Trabalho da Cartonagem Cardoso, SA
Código Identificação da Instrução de Trabalho Ediçã o
Revis ão
IT – 501 Emissões Sonoras 1 0
IT – 502 Emissões Atmosféricas 1 0
IT – 503 Emissões das empilhadoras 1 0
IT – 504 Desperdícios Contaminados 1 0
IT – 505 Embalagens metálicas 1 0
IT – 507 Chapas de alumínio 1 0
IT – 508 Solventes 1 0
IT – 509 Plásticos de pequena dimensão 1 0
IT – 510 Aparas de Papel 1 0
IT – 515 Água de lavagem dos rolos 1 0
IT – 519 Embalagens plásticas industriais 1 0
6.4.5 Controlo de Documentos
De acordo com a Norma ISO 14001, a organização deve estabelecer e manter procedimentos para controlar os documentos exigidos pela mesma, de forma a assegurar que:
possam ser localizados;
sejam periodicamente analisados, revistos quando necessário, e aprovados por pessoal autorizado;
as versões actualizadas dos documentos se encontrem disponíveis nos locais adequados ao bom funcionamento do sistema de gestão ambiental;
os documentos obsoletos sejam retirados dos locais de edição e uso;
todos os documentos obsoletos retidos se encontrem devidamente identificados;
A documentação deve ser legível, datada e facilmente identificável.
Devem ser definidos e mantidos procedimentos e responsabilidades, referentes à criação e alteração dos diversos tipos de documentos.
De acordo com este requisito da Norma foi elaborado um procedimento de “Controlo de Documentos”, PA – 008, que assegura o controlo da documentação do sistema de gestão da CCSA –
procedimentos ambientais, instruções de trabalho e formatos específicos. O procedimento em causa estabelece a metodologia de codificação e responsabilidades relativas à revisão, edição, aprovação, distribuição e arquivo desses documentos.
Após elaboração, todos os documentos do SGA têm de ser aprovados pela Direcção. Revisões e novas edições são sempre sujeitas a aprovação.
Os documentos originais, bem como os originais obsoletos das edições e revisões anteriores devem ser arquivados no Manual de Procedimentos sob a supervisão do Responsável pelo Ambiente. Todos os originais obsoletos devem ser identificados na folha de rosto com a palavra “OBSOLETO”. As cópias obsoletas devem ser destruídas para que não sejam indevidamente utilizadas.
A distribuição de cópias dos documentos é da competência do Responsável pelo Ambiente.
6.4.6 Controlo Operacional
Neste ponto a Norma diz que a organização deve identificar as operações e as actividades associadas aos aspectos ambientais significativos segundo a sua política, os seus objectivos e as suas metas. A organização deve planear estas actividades, incluindo a manutenção, por forma a garantir que estas são realizadas sob determinadas condições, através:
da definição e manutenção de procedimentos documentados que abranjam situações nas quais a sua inexistência possa conduzir a desvios da política, objectivos e metas ambientais;
da definição de critérios operacionais nos procedimentos;
da definição e manutenção de procedimentos relacionados com os aspectos ambientais significativos identificáveis, dos bens e serviços utilizados pela organização.
Neste âmbito foi elaborado um procedimento de controlo, “Controlo Operacional dos Aspectos Ambientais Significativos”, PA – 005 (anexo 2), que sustenta a implementação da política ambiental e dos objectivos traçados. Este procedimento remete para outros documentos do SGA, tais como procedimentos, instruções de trabalho, etc. Permite proceder ao planeamento de acções de gestão e controlo de aspectos ambientais.
Embora tenha sido criado para minimizar aspectos ambientais de carácter significativo pode ser aplicado a qualquer(s) aspectos(s) ambiental(s) identificado(s).
O controlo operacional dos aspectos significativos da Cartonagem
1. Emissões atmosféricas 2. Ruído
3. Descargas de efluentes líquidos 4. Gestão de resíduos
Neste contexto, foram criados procedimentos e instruções de trabalho que definem as formas de actuar e documentar o controlo sobre aquelas.
Como já foi referido no ponto 6.4.4 do presente relatório, as instruções de trabalho constituem uma importante ferramenta na gestão correcta dos aspectos ambientais significativos, pois definem uma série de requisitos a concretizar, garantindo assim a conformidade do controlo operacional com as normas seguidas.
1. Controlo de emissões atmosféricas
O controlo de emissões de poluentes para a atmosfera é efectuado de acordo com o descrito na Instrução de Trabalho, IT – 502 (anexo 3).
Nesta Instrução de Trabalho constam as seguintes indicações:
I. Frequência de amostragem: devem-se efectuar medições à caldeira duas vezes no ano. No caso de se verificar qualquer(s) irregularidade(s) no funcionamento da caldeira que possa(m) ter implicação(s) na fonte de emissão, dever-se-á proceder a amostragens extras afim de regularizar a situação.
II. Responsável(s) pelas medições: A entidade prestadora do serviço em causa deve ser, se possível, licenciada.
As medições atmosféricas na chaminé da CCSA foram realizadas por uma empresa acreditada e certificada para efectuar as mesmas.
Foi celebrado um contrato anual que consta de um compromisso entre a empresa solicitadora (CCSA) e a solicitada para a realização de amostragens semestrais.
III. A empresa solicitada para fazer as amostragens deve ter a garantia que a empresa solicitadora reúne todas as condições técnicas e de segurança, necessárias para que aquelas sejam efectuadas. Essa garantia deverá ser assegurada pelo Responsável do Ambiente.
IV. A recepção do relatório, deve ser registada em “Registos de Análises e Medições”, FT – 114, bem como a data, resultados, a empresa que efectuou a medição, a data da próxima medição e observações que se considerem relevantes.
A amostragem à caldeira a gás natural da CCSA data do dia 3 de Junho de 2002. As informações contidas no relatório foram devidamente analisadas e registadas. Para todos os parâmetros analisados, os resultados indicam conformidade com a legislação em vigor (Decreto-Lei nº 352/90)
2. Controlo de ruído
O controlo dos níveis de ruído no exterior da empresa é efectuado de acordo com o descrito na Instrução de Trabalho, IT – 501 (anexo 3).
Nesta Instrução de Trabalho constam as seguintes indicações:
I. Frequência de amostragem: devem-se efectuar medições de controlo do nível de incomodidade no exterior uma vez por ano.
No caso de se verificar qualquer(s) alteração(s) no funcionamento da empresa (ex.: aquisição de novos equipamentos) que possa(m) ter implicação nas emissões sonoras, dever-se-á proceder a amostragens extras afim de se fiscalizar a situação.
II. Responsável(s) pelas medições: A entidade prestadora do serviço em causa deve ser, se possível, licenciada.
As medições dos níveis de ruído da CCSA foram realizadas por uma empresa acreditada e certificada para o efeito.
III. A empresa solicitada para fazer as amostragens deve ter a garantia que a empresa solicitadora reúne todas as condições técnicas indispensáveis para que aquelas sejam efectuadas.
IV. A recepção do relatório, deve ser registada em “Registos de Análises e Medições”, FT – 114, bem como a data, resultados, a empresa que efectuou a medição, a data da próxima medição e observações que se considerem relevantes.
As análises de ruído datam do dia 22 de Maio de 2002. As informações contidas no relatório foram devidamente analisadas e registadas. Os resultados indicam não existir incomodidade em termos de ruído no exterior da CCSA. (Decreto-lei nº 292/2000)
3. Controlo de descargas de efluentes líquidos
A CCSA não dispõe de um colector para descarga das suas águas residuais industriais (após um prévio tratamento). Actualmente estas águas são recolhidas numa fossa. Na CCSA existe um sistema de tratamento para o efluente resultante da lavagem dos rolos. Este sistema apresenta problemas de controlo e manutenção, estando já em curso um processo para a adjudicação de uma nova ETAR. O objectivo é implementar uma estação que faça o tratamento de todos os efluentes líquidos gerados na empresa.
O controlo da água de lavagem dos rolos é efectuado de acordo com o descrito na Instrução de Trabalho, IT – 515 (anexo 3).
Nesta Instrução de Trabalho constam as seguintes indicações:
I. Frequência de amostragem: devem-se efectuar análises às águas residuais provenientes das lavagens dos rolos contaminados com tintas e solventes pelo menos uma vez por ano. Essas análises deverão ser efectuadas à entrada e à saída da ETAR, de forma a ser possível controlar a concentração dos contaminantes presentes no efluente de saída e avaliar a eficiência do sistema de tratamento implementado.
II. A entidade prestadora do serviço em causa deve ser, se possível, licenciada.
III. A recepção do relatório, deve ser registada em “Registos de Análises e Medições”, FT – 114, bem como a data, resultados, a empresa que efectuou a medição, a data da próxima medição e observações que se considerem relevantes.
IV. Sempre que sejam efectuadas análises, o Responsável pelo Ambiente deve proceder aos trâmites administrativos necessário para que as Entidades Competentes tomem conhecimento das medições efectuadas.
Das águas residuais geradas na CCSA consta ainda o efluente resultante da lavagem dos depósitos de cola. Na Instrução de Trabalho, IT – 515, não consta o método de controlo deste efluente uma vez que este executa um circuito fechado, onde existe aproveitamento das águas para a produção de nova cola. Não há, portanto, descarga na fossa deste efluente.
Relativamente ao efluente do tipo doméstico (proveniente das instalações sanitárias), a CCSA tem licença para a sua descarga no solo. De acordo com os parâmetros legais estabelecidos, a CCSA deve proceder a análises das águas residuais domésticas para renovação da
“Licença de Utilização do Domínio Hídrico”.