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Capítulo 08 – VoIP

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Capítulo 08 – VoIP

Sumário

Conceitos... 341

Funcionalidade... 341

Funcionamento... 342

Dificuldades... 343

Confiabilidade... 344

Qualidade de Serviço... 344

Chamadas de Emergência... 345

Envio de Fax... 345

Integração em um sistema global de número telefônico... 345

Telefonia Móvel... 346

Segurança... 346

Protocolos... 346

H.323... 346

SIP... 347

MGCP... 349

H.248/MEGACO... 349

IAX... 349

RTP... 350

RTCP... 350

Uso corporativo... 351

Regulamentação... 351

Posição da ANATEL... 352

Asterisk... 353

Instalação e configuração de um servidor Asterisk com Slackware... 353

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VoIP Conceitos

Voz sobre IP, também chamado VoIP, telefonia IP, telefonia Internet, telefonia em banda larga e voz sobre banda larga é o roteamento de conversação humana usando a Internet ou qualquer outra rede de computadores baseada no Protocolo de Internet, tornando a transmissão de voz mais um dos serviços suportados pela rede de dados.

Empresas que fornecem o serviço de VoIP são geralmente chamadas provedoras, e os protocolos usados para transportar os sinais de voz em uma rede IP são geralmente chamados protocolos VoIP. Existe barateamento de custo devido ao uso de uma única rede para carregar dados e voz, especialmente no qual os utilizadores já possuem uma rede com capacidade subutilizada, que pode transportar dados VoIP sem custo adicional. Chamadas de VoIP para VoIP no geral são gratuitas, enquanto chamadas VoIP para redes públicas (PSTN) podem ter custo para o utilizador VoIP.

Considera-se a telefonia IP a agregação do VoIP com outros serviços agregados para a telefonia.

Funcionalidade

O VoIP pode facilitar tarefas difíceis em redes tradicionais. Chamadas entrantes podem ser automaticamente roteadas para o telefone VoIP, independentemente da localização na rede. Por exemplo, é possível levar um telefone VoIP para uma viagem, e onde você conectá-lo à Internet pode-se receber ligações, contanto que a conexão seja rápida e estável o suficiente. O fato da tecnologia ser atrelada à Internet também traz a vantagem de poder integrar

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telefones VoIP a outros serviços como conversação de vídeo, mensageiros instantâneos, compartilhamento de arquivos e gerenciamento de listas telefônicas.

Estar relacionado à Internet também significa que o custo da chamada independe da localização geodésica e dos horários de utilização, ambos os parâmetros usados na cobrança na telefonia fixa e móvel, e cujos valores variam de operadora a operadora.

Vários pacotes de serviço VoIP incluem funcionalidades que em redes tradicionais seriam cobradas à parte, como conferência a três, redirecionamento de chamadas, rediscagem automática e identificador de chamadas.

Entretanto, apesar de amplamente utilizado através de computadores, o VoIP pode ser utilizado através de adaptadores para telefones analógicos ou gateways VoIP, que são aparelhos que podem ser conectados diretamente em uma conexão banda larga e a um aparelho telefônico comum ou a um PABX em posições de troncos ou ramais. Eles fornecem a interligação entre as redes IP e fixas.

Funcionamento

O procedimento consiste em digitalizar a voz em pacotes de dados para que trafegue pela rede IP e converter em voz novamente em seu destino. Segue passo a passo um caso de uso de uma ligação. O utilizador retira o telefone IP do gancho, e nesse momento é emitido um sinal para a aplicação sinalizadora do roteador de

"telefone fora do gancho". A parte de aplicação emite um sinal de discagem. O utilizador digita o número de destino, cujos dígitos são acumulados e armazenados pela aplicação da sessão.

Os gateways comparam os dígitos acumulados com os números programados; quando há uma coincidência ele mapeia o endereço discado com o IP

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do gateway de destino. A aplicação de sessão roda o protocolo de sessão sobre o IP, para estabelecer um canal de transmissão e recepção para cada direção através da rede IP.

Se a ligação estiver sendo realizada por um PABX, o gateway troca a sinalização analógica digital com o PABX, informando o estado da ligação. Se o número de destino atender a ligação, é estabelecido um fluxo RTP sobre UDP entre o gateway de origem e destino, tornando a conversação possível.

Quando qualquer das extremidades da chamada desligar, a sessão é encerrada.

Dificuldades

Como o UDP não fornece um mecanismo para assegurar que os pacotes de dados sejam entregues em ordem sequencial, ou ainda que forneça garantias de qualidade de serviço, as implementações VoIP sofrem com o problema de latência e jitter (variações de atraso). Esse problema é acentuado quando uma conexão por satélite é usada, devido ao grande atraso de propagação (entre 400 e 600 milisegundos para um satélite geoestacionário). O nó receptor deve reestruturar os pacotes IP que podem estar fora de ordem, atrasados ou desaparecidos, enquanto assegura o fluxo de áudio.

Outro desafio para o roteamento de tráfego VoIP são os firewalls e os tradutores de endereço. O Skype utiliza um protocolo proprietário para rotear chamadas entre utilizadores Skype, permitindo atravessar NAT e firewall[1]. Outros métodos para passar firewalls incluem STUN e ICE.

Em resumo, os principais desafios técnicos do VoIP são latência, perda de pacotes, eco, jitter e segurança. A principal causa de perda de pacotes é o

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congestionamento, que pode ser controlado por gerenciadores de congestionamento de rede. Causas comuns de eco incluem inconsistências de impedância em circuitos analógicos.

Do ponto de vista de gestão, se a estrutura de rede e os equipamentos forem antigos ou inexistentes, uma mudança para VoIP pode custar alto para a aquisição de novos equipamentos como o cabeamento, comutadores, roteadores, telefones IP, e aumento da banda de conexão, além da mão de obra especializada.

Confiabilidade

Telefones convencionais são conectados diretamente às linhas de telefone da empresa de telefonia, que, em caso de falha de energia, ainda são funcionais pelo uso de geradores de energia de apoio localizados na central telefônica. Entretanto, os equipamentos VoIP domésticos utilizam roteadores de banda larga e outros equipamentos que dependem da energia elétrica.

Mesmo que a energia elétrica esteja disponível, o provedor de acesso à Internet pode estar indisponível. Enquanto o PSTN amadureceu através das décadas de uso e atualmente é considerado confiável, a maioria das redes de banda larga são novas.

Qualidade de serviço

Algumas conexões de banda larga possuem uma qualidade pobre de transmissão. Quando os pacotes IP são perdidos ou atrasados em algum ponto da rede, existe um queda momentânea da voz na conversação. Isso é mais perceptível em redes bastante congestionadas ou onde existe grandes distâncias entre os pontos de conexão.

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Alguns protocolos já foram definidos para suportar e relatar qualidade de serviço em ligações VoIP, incluindo RTCP XR (RFC3611), SIP RTCP Summary Reports, H.460.9 Annex B (para H.323), H.248.30 e extensões MGCP.

Chamadas de emergência

A natureza do Protocolo de Internet torna difícil a localização geográfica dos utilizadores na rede. Chamadas de emergência portanto não podem ser roteadas facilmente para o centro de chamadas mais próximo, e são impossíveis em alguns sistemas. Entretanto, sistemas VoIP podem rotear chamadas de emergência para linhas de telefone não emergenciais.

Envio de fax

O suporte de envio de fax sobre VoIP ainda é limitado. Os codecs de voz existentes não foram desenvolvidos para a transmissão de fax. Um esforço para remediar essa situação é definir uma solução baseada em IP alternativa para oferecer Fax sobre IP, nomeadamente o protocolo T.38. Outra solução possível é tratar o sistema de fax como um sistema de troca de mensagens que não necessita transmitir em tempo real, assim como enviar um fax como anexo de e-mail ou como uma impressão remota.

Integração em um sistema global de número telefônico

Enquanto redes tradicionais e móveis compartilham um padrão global comum (E.164) que permite alocação e identificação de qualquer linha telefônica, não existe padrão similar adotado em redes VoIP.

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Telefonia móvel

Os telefones móveis constituem uma tecnologia de grande uso no mercado, sendo inclusive usados para substituir por completo telefones tradicionais. Portanto, não está claro se haverá demanda suficiente para o VoIP entre os consumidores até que as redes sem fio possuam cobertura similar às redes de celular, permitindo o uso dos telefones WiFi. Equipamentos híbridos entre as duas redes são esperados para que o VoIP torne-se mais popular.

Segurança

A maioria das soluções VoIP ainda não suportam criptografia, o que resulta na possibilidade de se ouvir chamadas alheias ou alterar seu conteúdo. Um método de segurança é disponível através de codificadores de áudio patenteados que não são disponíveis para o público externo, dificultando o entendimento do que está sendo trafegado e protegendo o consumidor. Entretanto, outras áreas de segurança através de obscuridade não têm tido sucesso a longo prazo devido à grupos de engenharia reversa. Algumas empresas usam compressão de dados para tornar a escuta alheia mais difícil. Entretanto, segurança através de criptografia e autenticação ainda não está amplamente disponível ao público.

Protocolos

Alguns dos protocolos utilizados no VoIP para sinalização de chamadas são:

H.323

O padrão H.323 é parte da família de recomendações ITU-T (International Telecommunication Union Telecommunication Standardization sector) H.32x, que

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pertence a série H da ITU-T, e que trata de "Sistemas Audiovisuais e Multimídia". A recomendação H.323 tem o objetivo de especificar sistemas de comunicação multimídia em redes baseadas em pacotes e que não provêem uma Qualidade de Serviço (QoS) garantida. Além disso, estabelece padrões para codificação e decodificação de fluxos de dados de áudio e vídeo, garantindo que produtos baseados no padrão H.323 de um fabricante inter-opere com produtos H.323 de outros fabricantes.

Redes baseadas em pacotes incluem as redes IP (Internet Protocol) como a Internet, redes IPX (Internet Packet Exchange), as redes metropolitanas, as redes de longa distância (WAN) e ainda conexões discadas usando PPP. O padrão H.323 é completamente independente dos aspectos relacionados à rede. Dessa forma, podem ser utilizadas quaisquer tecnologias de enlace, podendo-se escolher livremente entre as que dominam o mercado atual como Ethernet, Fast Ethernet, FDDI, ou Token Ring.

Também não há restrições quanto à topologia da rede, que pode consistir tanto de uma única ligação ponto a ponto, ou de um único segmento de rede, ou ainda serem complexas, incorporando vários segmentos de redes interconectados.

O padrão H.323 especifica o uso de áudio, vídeo e dados em comunicações multimídia, sendo que apenas o suporte à mídia de áudio é obrigatório. Mesmo sendo somente o áudio obrigatório, cada mídia (áudio, vídeo e/ou dados), quando utilizada, deve seguir as especificações do padrão. Pode-se ter uma variedade de formas de comunicação, envolvendo áudio apenas (telefonia IP), áudio e vídeo (videoconferência), áudio e dados e, por fim, áudio, vídeo e dados;

SIP

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O Protocolo de Iniciação de Sessão (SIP) é um protocolo de aplicação, que utiliza o modelo “requisição-resposta”, similar ao HTTP, para iniciar sessões de comunicação interativa entre usuários. É um padrão da Internet Engineering Task Force (IETF) (RFC 3261, 2002.).

O SIP é um protocolo de sinal para estabelecer chamadas e conferências através de redes via Protocolo IP. O estabelecimento, mudança ou término da sessão é independente do tipo de mídia ou aplicação que será usada na chamada;

uma chamada pode utilizar diferentes tipos de dados, incluindo áudio e vídeo. O SIP teve origem em meados da década de 1990 (naquele tempo o H.323 estava começando a ser finalizado como um padrão) para que fosse possível adicionar ou remover participantes dinamicamente em uma sessão multicast.

O desenvolvimento do SIP talvez se concentre em ter um impacto tão significante quanto o protocolo HTTP, a tecnologia por trás das páginas da web que permite que uma página com links clicáveis conecte com textos, áudio, vídeo e outras páginas da web. Enquanto o HTTP efetua essa integração através de uma página web, o SIP integra diversos conteúdos a sessões de administração. O SIP recebeu uma adoção rápida como padrão para comunicações integradas e aplicações que usam presença.

O SIP foi modelado (inspirado) em outros protocolos de Internet baseados em texto como o SMTP (email) e o HTTP (páginas da web) e foi desenvolvido para estabelecer, mudar e terminar chamadas em um ou mais usuários em uma rede IP de uma maneira totalmente independente do conteúdo de mídia da chamada. Como o HTTP, o SIP leva os controles da aplicação para o terminal, eliminando a necessidade de uma central de comutação;

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MGCP

MGCP é um acrônimo para a expressão inglesa Media Gateway Control Protocol, um protocolo proposto pelo grupo de trabalho IETF (Internet Engineer Task Force) para integração da arquitetura SS#7 em redes VOIP. Embora o SS#7 se encontre presente na telefonia tradicional, o MGCP especifica com redes IP, Frame Relay e ATM.

O sistema é composto por um Call Agent, pelo menos um media gateway (MG), responsável pela conversão dos sinais entre circuitos e pacotes, e pelo menos um Signaling Gateway (SG), quando conectado a um PSTN.

Durante a evolução do MGCP, o trabalho cooperativo de grupos do ITU-T e do IETF resultou na recomendação H.248, definida também com o protocolo Megaco (IETF), através do RFC 3015.

H.248/MEGACO

H.248, também conhecido como protocolo Megaco, é um padrão desenvolvido cooperativamente entre o ITU e a IETF para permitir que um Media Gateway Controller (MGC) desempenha seu papel em um media gateway (MG).

Competindo com outros protocolos como o MGCP e MDCP, é considerado um protocolo complementar ao H.323 e ao SIP, no qual o MGC controla os MGs via H.248, mas comunicará com outro via H.323 ou SIP.

IAX

Scrônimo para “Inter-Asterisk Exchange” é um protocolo desenvolvido pela Digium com o objetivo de estabelecer comunicação entre servidores Asterisk. IAX é um protocolo de transporte, tal como o SIP, no entanto faz uso apenas de uma única

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porta UDP (4569) tanto para sinalização como para streams RTP. O fato de utilizar apenas uma porta é uma vantagem em cenários de Firewall e ou NAT. IAX2 é versão nr. 2 do IAX.

Atualmente este protocolo já é utilizado, para além de comunicação entre servidores Asterisk, em telefones VoIP. Assim como existem telefones SIP existem também telefones IAX2.

IAX é um acrônimo para Inter Asterisk eXchange, protocolo usado pelo Asterisk VoIP PBX alternativo ao SIP, H.323, para conectar a outros dispositivos que suportam IAX (uma lista limitada no momento, mas com rápido crescimento).

Atualmente está na versão 2. O Asterisk suporta tanto o IAX quanto o IAX 2.

RTP

Em ciência da computação, RTP (do inglês Real Time Protocol) é um protocolo de redes utilizado em aplicações de tempo real como, por exemplo, entrega de dados áudio ponto-a-ponto, como Voz sobre IP. Define como deve ser feita a fragmentação do fluxo de dados áudio, adicionando a cada fragmento informação de seqüência e de tempo de entrega. O controle é realizado pelo RTCP - Real Time Control Protocol. Ambos utilizam o UDP como protocolo de transporte, o qual não oferece qualquer garantia que os pacotes serão entregues num determinado intervalo. Os protocolos RTP/RTCP são definidos pela RFC 3550 do IETF (Internet Engineering Task Force).

RTCP

O protocolo RTCP (Real-Time Transport Control Protocol ), definido também através da recomendação RFC 3550 do IETF, é baseado no envio periódico de

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pacotes de controle a todos os participantes da conexão (chamada), usando o mesmo mecanismo de distribuição dos pacotes de mídia (Voz). Desta forma, com um controle mínimo é feita a transmissão de dados em tempo real usando o suporte dos pacotes UDP (para Voz e controle) da rede IP.

Uso corporativo

Apesar de poucos ambientes de escritório e residências utilizarem uma infra- estrutura puramente de telefonia IP, provedores de telecomunicações usam a tecnologia rotineiramente, geralmente em uma rede IP dedicada para conectar estações e converter sinais de voz em pacotes IP e vice e versa. O resultado é uma rede digital genérica (tráfego de voz e dados) com escalabilidade. O consumidor corporativo usa a telefonia IP para obter as vantagens da abstração da informação na rede. Com o VoIP é necessário somente fornecer uma conexão de dados e mais banda de rede. Não sendo necessário distribuir uma rede específica para a telefonia no ambiente de trabalho. Empresas maiores também fazem uso de gateways para as redes tradicionais, reduzindo custos de mão de obra externa o serviço. Seu uso é ainda mais visível quando uma empresa necessita comunicar dois sítios distantes a nível internacional.

Regulamentação

Ainda não existe um consenso regulatório sobre a VoIP no mundo. No Brasil ainda não existe uma discussão sobre a regulamentação da tecnologia. O órgão responsável pela regulamentação de telefonia no Brasil é a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), que é gerida pela Lei Geral de Telecomunicações, LGT. A legislação brasileira não enquadra a VoIP como serviço de

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telecomunicações, e sim como serviço de valor adicionado, quando utiliza parte da rede pública de telecomunicações. Portanto o serviço é regido pelo artigo 61 da LGT.

Posição da Anatel

No portal da Anatel está observado que o VoIP é um conjunto de tecnologias que usam a Internet ou redes do IP privadas para a comunicação de voz, substituindo ou complementando os sistemas de telefonia convencionais. A agência não regulamenta as tecnologias, mas os serviços de telecomunicações que delas se utilizam.

A comunicação de voz utilizando computadores conectados à Internet, uma das aplicações desta tecnologia, é considerada Serviço de Valor Adicionado, não sendo necessária autorização da Anatel para prestá-lo.

Nesse contexto, o uso da tecnologia de VoIP deve ser analisado sob três aspectos principais:

•••• A comunicação de voz efetuada entre dois computadores pessoais, utilizando programa específico e recursos de áudio do próprio computador, com acesso limitado a usuários que possuam tal programa, não constitui serviço de telecomunicações, mas Serviço de Valor Adicionado, conforme entendimento internacional;

•••• A comunicação de voz no âmbito restrito de uma rede corporativa ou na rede de uma prestadora de serviços de telecomunicações, de forma transparente para o assinante, efetuada entre equipamentos que podem incluir o aparelho telefônico, é caracterizada como serviço de telecomunicações. Neste caso, é exigida a autorização para exploração de

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serviço de telecomunicações para uso próprio ou para prestação a terceiros;

•••• A comunicação de voz de forma irrestrita com acesso a usuários de outros serviços de telecomunicações e numeração específica (objeto de controle pela Anatel) é caracterizada como serviço de telecomunicações de interesse coletivo. É imprescindível autorização da Agência e a prestação do serviço deve estar em conformidade com a regulamentação;

Asterisk

Asterisk é um PABX open source que permite a comunicação entre linhas telefônicas convencionais e VoIP.

Cada telefone é configurado como uma extensão no PABX, mas a maior vantagem é do Asterisk é que a extensão não tem que estar na mesma localidade física. Isto significa que você pode ter extensões espalhadas pelo mundo inteiro, desde que estas estejam conectadas à Internet e configuradas corretamente com a informação de seu servidor.

Como em qualquer sistema PABX, Asterisk disponibiliza ferramentas como:

voicemail, conferência e transferência de chamadas, entre outras.

Uma das maiores vantagens do Asterisk é que ele permite que você configure o seu Dial Plan e Code de acordo com o que você necessita.

Instalação e configuração de um servidor Asterisk com Slackware Especificações

Hardware mínimo recomendado para uma aplicação com 10 canais simultâneos:

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•••• Processador Intel 900Mhz (Mínimo);

•••• Memória RAM de 512 MB;

•••• Disco Rígido de 20GB (sem correio de voz);

Plataforma operacional utilizada:

•••• Slackware Linux versão 10.1;

•••• Asterisk 1.2.10;

•••• LibPri 1.2.3;

•••• Zaptel 1.2.7;

Instalação do sistema operacional

O conhecimento básico de instalação de um sistema GNU/Linux é necessário, portanto não será abordado o procedimento de instalação como um todo.

Proceda com a instalação normal do sistema GNU/Linux tendo como única precaução, no momento da escolha dos pacotes, selecionar a opção "menu" e em seguida "full" para evitar problemas de resolução de dependências posteriores.

DICA: Remova os pacotes de instalação das interfaces gráficas Gnome e KDE, isso irá lhe economizar cerca de 1,5 GB durante a instalação, além de deixar seu sistema mais "enxuto" na inicialização.

Obter os pacotes com o código fonte do Asterisk e de suas dependências Certifique-se que o seu GNU/Linux esteja em uma rede local com acesso a internet, e execute como root o comando "netconfig" e coloque manualmente as configurações de IP, DNS, etc.

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Uma vez que a internet esteja configurada, efetue o download dos pacotes através do comando: wget http://enderecocompletodopacote ou baixe em um browser convencional e grave em um CD.

Os pacotes a serem baixados são:

•••• Asterisk;

•••• Libpri;

•••• Zaptel;

Os pacotes podem ser baixados através do site: http://www.asterisk.org/

Preparando os pacotes para instalação

Crie um diretório chamado "asterisk" dentro do diretório /usr/src/ com o comando: # mkdir /usr/src/asterisk

Mova/copie os arquivos asterisk-versao, libpri-versao e zaptel-versao para o diretório criado.

Copiar: # cp asterisk-versao libpri-versao zaptel-versao /usr/src/asterisk Mover: # mv asterisk-versao libpri-versao zaptel-versao /usr/src/asterisk Acesse o diretório com os novos arquivos e descompacte todos eles, os comandos são:

# cd /usr/src/asterisk

# tar -zxvf asterisk-versao

# tar -zxvf libpri-versao

# tar -zxvf zaptel-versao

Compilando os fontes

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A compilação dos fontes deve seguir exatamente esta seqüência para não haver problemas de dependências.

Primeiro compile o pacote libpri.

Estando em /usr/src/asterisk:

# cd librpi-versao

# make clean

# make

# make install

Segundo compile o pacote zaptel.

Estando em /usr/src/asterisk:

# cd zaptel-versao

# make clean

# make

# make install

Por último compile o pacote asterisk.

Estando em /usr/src/asterisk:

# cd asterisk-versao

# make clean

# make mpg123 (este comando irá instalar o aplicativo mpg123 versão 0.59r que é necessário na utilização de música em espera e outros serviços de áudio)

# make

# make install

Após concluir a instalação, ainda dentro do diretório "asterisk-versao" execute o seguinte comando para criar os arquivos ".conf" contendo as configurações do sistema Asterisk.

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# make samples

Feito isto seu servidor VoIP já tem tudo necessário para ser configurado e utilizado.

Iniciar o sistema Asterisk Iniciar o sistema é simples, basta executar o comando:

# asterisk & (o & serve para colocar o processo em background)

Adicione este comando no arquivo /etc/rc.d/rc.local para que ele inicie o asterisk junto com o sistema GNU/Linux.

Particularmente uso o editor de textos "vim", mas a fim de tornar o aprendizado o mais simples, vamos utilizar um editor menos complexo, no caso o mcedit ou o vi.

Para editar o arquivo: # mcedit /etc/rc.d/rc.local Vá até o final do arquivo inclua a seguinte linha:

asterisk &

Pressione a tecla F10 para sair e selecione a opção salvar.

Criar um ramal

Para criar um ramal, primeiro é necessário decidir qual tipo de protocolo será utilizado, o IAX ou o SIP.

Um parâmetro que eu tomo particularmente como relevante na escolha do protocolo é quanto ao uso dentro de um ambiente corporativo e fora de um ambiente corporativo (internet).

Caso o uso dos ramais seja dentro da própria rede onde está o servidor VoIP Asterisk, sem ter de atravessar um firewall, utilizo o protocolo SIP, que possui mais

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funcionalidades e possui um softphone mais agradável (X-Lite) e que tem como contra a dificuldade de passar por firewall.

Caso o uso dos ramais seja fora da rede onde está o servidor, utilizo o protocolo IAX, que utiliza apenas uma porta (udp 4569), o que torna extremamente simples a passagem através do firewall, contra o IAX tem algumas dificuldades com funções mais avançadas que estão disponíveis apenas no SIP.

Para criar um ramal com o protocolo IAX, procederemos da seguinte forma.

O arquivo que editamos para incluir ramais IAX é o /etc/asterisk/iax.conf. Para editá-lo: # mcedit /etc/asterisk/iax.conf

Dentro dele, vá até o final do arquivo e adicione as seguintes linhas:

[Número do Ramal]

callerid=Nome do Usuário secret=Senha do Ramal host=dynamic #(ver obs1) type=friend #(ver obs2) context=interno #(ver obs3) Observações:

1. A opção "dynamic" serve para o ramal ser acessado por qualquer host (inclusive fora da rede), você pode definir o endereço IP para limitar apenas um determinado host a acessar este ramal.

2. Existem três tipos de "type", são eles:

•••• Friend = Efetua e recebe ligações;

•••• Peer = Apenas faz ligações;

•••• User = Apenas recebe ligações;

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3. No campo "context", adiciona-se a qual "classe de ramal" o ramal pertence, por exemplo, você define um contexto chamado "DDD" onde o ramal pode fazer ligações DDD e outro Local onde o ramal só faz ligações locais. Em nosso caso usamos o contexto "interno" que será criado posteriormente e que realizará apenas ligações entre os ramais cadastrados no nosso servidor voip Asterisk.

Um exemplo de utilização seria assim:

[200]

callerid=John secret=x600y600 host=dynamic type=friend context=interno

Onde teríamos as seguintes especificações, o ramal 200 pertence ao usuário John, que está no contexto interno e se loga de qualquer host (opção dynamic) com a senha x600y600 e pode efetuar a receber ligações seguindo as restrições do seu contexto.

Feito isso você já terá um ramal criado que poderá utilizar qualquer softphone ou telefone IP que trabalhe com o protocolo IAX.

O softphone recomendado para a utilização com o protocolo IAX é o idefisk, que pode ser encontrado no site: http://www.asteriskguru.com/idefisk/

Para criar um ramal com o protocolo SIP, procederemos da seguinte forma.

O arquivo que editamos para incluir ramais SIP é o /etc/asterisk/sip.conf.

Para editá-lo: # mcedit /etc/asterisk/sip.conf

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Os parâmetros para inclusão de ramais SIP são idênticas aos ramais IAX, mas é de grande serventia criar os ramais SIP com uma faixa de ramal diferente da faixa de ramais IAX, para que possamos configurar melhor o nosso plano de discagem, ou seja, você pode utilizar as mesmas informações mencionadas acima mudando apenas a faixa de ramais como no exemplo abaixo.

Faixa de ramais SIP:

•••• 200 – Recepção;

•••• 201 – Estoque;

•••• 202 – Administração;

Faixa de Ramais IAX:

•••• 300 – Vendedor1;

•••• 301 – Vendedor2;

•••• 302 – Vendedor3;

Criando um plano de discagem para poder chamar os ramais

Para podermos efetuar qualquer tipo de ligação através o Asterisk, precisamos criar os planos de discagem (que são conhecidos pelo asterisk como contextos).

Para criarmos o plano de discagem que chamamos anteriormente de

"interno", vamos adicioná-lo ao final do arquivo /etc/asterisk/extensions.conf.

Abra o arquivo para a edição: # mcedit /etc/asterisk/extensions.conf Adicione ao final do arquivo os seguintes parâmetros:

[interno] #(cria um contexto chamado interno) exten => _2XX,1,Dial(SIP/${EXTEN}) #(obs1) exten => _2XX,2,Hangup() (obs2)

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exten => _3XX,1,Dial(IAX2/${EXTEN}) #(obs3) exten => _3XX,2,Hangup()

Observações:

1. Aceita as chamadas iniciadas pelo dígito 2 e que contenham mais dois dígitos, por exemplo 200, e executa através da função "Dial" uma chamada para o protocolo SIP com o ramal digitado no softphone que vem contido na variável "${EXTEN}".

2. Após o termino da chamada, o asterisk executa a função Hangup, ou seja, termina a ligação lógica no sistema.

3. Aceita as chamadas iniciadas pelo dígito 3 e que contenha mais dois dígitos, por exemplo 300, e executa através da função "Dial" uma chamada para o protocolo IAX com o ramal digitado no softphone que vem contido na variável "${EXTEN}".

É importante ressaltar que criamos aqui no contexto "interno" o plano de discagem que efetua ligação para ramais IAX e SIP através de regras diferentes, mas que fica "transparente" para o usuário, podendo ele a partir de qualquer softphone (SIP ou IAX) realizar chamadas para qualquer ramal cadastrado no sistema, seja ele SIP ou IAX.

Reiniciando o sistema

Após executar todos estes procedimentos, reinicie o serviço Asterisk com o comando: # asterisk -r -x reload

Para realizar as chamadas basta discar no teclado do próprio softphone ou do teclado numérico em seu teclado e teclar enter para efetuar a chamada (lembrando que seguindo este tutorial você poderá realizar apenas ligações entre os ramais).

Referências

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