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Rev bras. coloproctol. vol.27 número3

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Academic year: 2018

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A Estória Biomolecular do Pólipo Adenomatoso Mauro de Souza Leite Pinho

339

Vol. 27 Nº 3 Rev bras Coloproct

Julho/Setembro, 2007

IN MEMORIAN _______________________________________________________

Descerramento da Placa em Homenagem ao Dr. João Carlos Zerbini de Faria pelo Grupo de Coloproctologia da Santa Casa de Belo Hori-zonte e Faculdade de Ciências Médicas de Mi-nas Gerais (22/08/2007) – palavras pronunciadas pelo Prof. Geraldo Magela Gomes da Cruz, chefe do Grupo de Coloproctologia.

Em “O Sentido Trágico da Vida” o grande Miguel de Unamuno (1864-1936) disse que a vida do homem tem três vieses: corporal, espiritual e histórico. Nada mais verdadeiro! Temos três vidas: a vida corpo-ral, a vida espiritual e a vida histórica. E, todos nós, participamos das três vidas do Zerbini.

Assistimos e participamos, todos nós, durante um ano e meio, do sofrimento do Zerbini, que redundou na morte de seu corpo, em 5 de maio do corrente ano. Sofremos com ele e com sua família, e participamos de seu enterro, no Parque da Colina, com o credo simbólico de transformação do corpo em pó. Foi um dia cinzento, nublado, sem sol, triste, sem cores; foi um dia de perda. E procuramos, todos nós, nos consolarmos uns aos ou-tros, minorando o significado da morte física, como fez Fernando Pessoa (1888-1935): “Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada”. Então, Zerbini simplesmente está escondido ou fez uma curva na es-trada da vida. E fomos além: tentamos negar sua morte, como fez Riobaldo em “Grande Sertão: Veredas” do mago Guimarães Rosa (1908-1967): “pessoas, como Zerbini, não morrem; ficam encantadas. Então, é isso: Zerbini não morreu; Zerbini ficou encantado”!

No sétimo dia, como reza nossa fé, Zerbini res-surgiu dos mortos, gloriosamente, pois sua segunda vida, o espírito, simplesmente libertou-se do corpo físico e voltou para Deus. Foi a repetição das palavras de Jean Cocteau (1889-1963) em “A Condessa de Noailles, Sim ou Não”: “Le corps est un parasite de l’âme” (“O corpo é um parasita da alma.”). Foi um dia luminoso, colorido, de alegria, em que comemoramos a vitória da alma sobre o corpo. O corpo de Zerbini se foi, mas seu espírito ficou entre nós!

Hoje é um dia de festa. Estamos aqui para co-memorar a terceira vida do Zerbini: sua vida histórica!

Hoje estamos aqui para impedir que sua história, tão rica e exemplar – de homem, filho, pai, esposo, amigo e médico - seja enterrada junto com seu corpo físico. E, para isso, temos que narrar sua história, pois é assim que ela é preservada, como aconselha Romain Roland (1866-1944): “Raconter, cést tuer la mort” (“Narrar é matar a morte”). E para isso, temos que acreditar nas palavras de Helmut Zhielicke (1908-1986): “Cultivar a tradição não significa guardar as cinzas, significa man-ter a chama”. E, para que essa chama do Zerbini con-tinue acesa, nos iluminando, nós, do Grupo de Coloproctologia, resolvemos criar uma placa comemo-rativa em homenagem à vida histórica do Zerbini, em nosso ambiente de trabalho, colocando nela sua efígie e resgatando sua memória: “Zerbini, você se foi, mas seu exemplo ficou”.

A amizade, a cordialidade, a admiração e o res-peito mútuos, que nós dois mantivemos, um com o ou-tro, por mais de quarenta anos, fizeram com que, ao invés de contratar um profissional para criar essa pla-ca, eu mesmo a fizesse, não com a razão, mas com o coração, seguindo o conselho do mago Guimarães Rosa (1908-1967): “Senhor atira bem. O senhor atira bem por que atira com o espírito. Sempre o espírito é que acerta.” E acertei, pois foi assim que atirei. Foi assim que fiz essa placa: com o espírito!!!

Descerramento da placa em homenagem ao Dr. Zerbini: Prof. Magela e a família do Dr. Zerbini: Marina (filha), João Carlos (filho), Regina (viúva) e Mateus (filho).

Dr. Zerbini:

Seu sonho continua...

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