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Oferta crescente de pacotes dual,

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Viver dos “pacotes”

O conceito tradicional de voz fixa está a desaparecer. O negócio passa cada vez mais pela sua

inclusão em pacotes de serviços que são oferecidos através de todas as plataformas de acesso.

Inovação e criatividade são as palavras-chave das novas ofertas crescentemente convergentes

VOZ FIXA

O

ferta crescente de pacotes du-al, triple e quadruple-play. Vá-rias plataformas a disponibi-lizarem os mesmos serviços. Concorrência cada vez mais aguerrida pela conquista ou manutenção de quota de mercado. Novas tecnologias de acesso. O negócio da voz fixa está em pro-funda mudança. E a entrada em força de novos concorrentes acelerou o processo, ao fomentar soluções cada vez mais con-vergentes, onde a inovação e a criatividade são cada vez mais fundamentais para ga-nhar e fidelizar clientes. Uma estratégia que tem vindo a ser adoptada também pela incumbente Portugal Telecom (PT) para travar a queda nesta área, responsável por metade das suas receitas da rede fixa. E já está a “colher” frutos dessa aposta.

Dados do regulador das comunicações mostram que o Grupo PT perdeu 23% de quota de mercado nos acessos telefónicos fixos entre o início de 2004 e o primeiro semestre deste ano. Um recuo explica-do não só pela redução da utilização explica-do serviço telefónico fixo (STF) nos moldes tradicionais e pelo efeito de substituição da voz fixa pela móvel, como ainda pelo crescimento das ofertas em pacote das ope-radoras de televisão por cabo e de Internet e do aparecimento, desde o início de 2005, de ofertas que utilizam a tecnologia GSM como tecnologia de acesso. Estas estão a expandir-se bastante desde o ano passado,

PT Noites Grátis) e reduções de preços da mensalidade em campanhas de promoção, para além da oferta da instalação do servi-ço. Comercializa ainda vários pacotes em que, por um valor mensal fixo, o assinante tem chamadas ilimitadas nas condições fi-xadas. É o caso do Plano Local PT, do Plano Total PT, do PT Manhãs, do PT Tardes, do PT Noites e do PT Fim-de-Semana.

Mas é sobretudo através da sua estratégia de pacotes de serviços que o grupo tem vindo, recentemente, a conse-guir estancar a fuga de clientes da rede fixa. A PT refere no relatório semestral que entre Abril e Junho, pela primeira vez em 11 trimestres consecu-tivos, registou uma evolução positiva no número de RGU de retalho. Conseguiu 27 mil adições líquidas no trimestre, fruto do arranque do serviço de TV por subscrição (70 mil adições líquidas no trimestre e 96 mil no semestre) e da estabilidade do nível de per-da per-das linhas geradoras de tráfego, mesmo num ambiente de aumento da concorrên-cia, “com ofertas agressivas” das operadoras de cabo. Apesar de tudo, teve um decrésci-mo de 8% das linhas de voz, para um total de 2,89 milhões de linhas.

As concorrentes da PT continuam a “ata-car” o mercado da voz fixa através de ofertas de pacotes e utilizando o argumento da tal como as ofertas de voz que utilizam o

VoIP (voz sobre IP).

A detentora da infra-estrutura fixa de cobre, e desde sempre prestadora do serviço universal de telecomunicações, através da subsidiária PT Comunicações (PTC), tem apostado em novos pacotes e campanhas de promoção para reter os clientes na sua rede. É que a voz fixa continua a repre-sentar uma parte fundamental das suas receitas: do total de 953,7 milhões de euros de receitas operacionais da PT na

rede fixa, o negócio do retalho foi o responsável por 481,5 milhões de euros. E, dentro deste, as recei-tas de voz renderam 389,3 milhões de euros, evidenciando embora uma queda de 10,1% face a perío- do homólogo, contra os pouco mais de 92 milhões de euros das receitas de dados no retalho. A queda é explicada pelo grupo pela perda de linhas e pelo

aumen-to da pressão sobre os preços, especialmente as áreas de desagregação do lacete local e do cabo.

COMBATER COM MAIS OFERTA Mantendo a taxa de assinatura mensal sobre a rede fixa, que para os clientes residenciais é actualmente de 15,19 euros, a estratégia da PT tem sido a de compensar esse valor através de várias ofertas, nomea- damente de chamadas gratuitas (como o

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Novembro 2008 COMUNICAÇÕES 61

não cobrança da taxa de assinatura mensal. Uma das mais dinâmicas tem sido a “nova” concorrente Zon Multimédia, através do reforço das suas propostas de triple-play baseadas na rede de cabo. O grupo consi-dera, aliás, que o serviço de voz é um factor chave no aumento do nível de penetração dos pacotes de serviços, um dos pilares fun-damentais da sua estratégia de crescimento. E esta parece ser uma aposta ganha. No primeiro semestre conseguiu angariar mais de 120 mil clientes de voz, sendo 65 mil só no segundo trimestre. Em Junho, a sua carteira totalizava 204 mil clientes de voz, o equivalente a 18,5% do total de clientes de TV por subscrição na plataforma de cabo, ganho que certamente se ficou a dever às inúmeras campanhas de promoção que foram sendo lançadas.

A Sonaecom, depois da integração das carteiras de clientes da Tele2 e do segmento residencial da Oni, também tem tentado estancar a saída de clientes, embora admita que o ambiente de pressão competitiva tem sido particularmente visível na área fixa, com “relevantes campanhas promocionais de preços nos segmentos de voz, banda larga e TV”. Com uma aposta clara na protecção

e crescimento do negócio de acesso directo de banda larga, tem desenvolvido medidas no sentido de aumentar a fidelização dos clientes e reforçar a oferta de serviços, no-meadamente na oferta de televisão via IP e home video. Uma das frentes tem sido a migração de clientes de acesso indirecto para acesso directo. No final de Junho, tinha 741 mil acessos do negócio fixo (mais 80,2%

OFERTAS EM PACOTE – SUBSCRITORES

Tipo de oferta 1 Julho 2007 31 Dezembro 2007

1. Double-play 357 844 385 729

Telefone fixo + Internet de banda larga 228 463 250 784

Telefone fixo + televisão paga 102 609 102 481

Televisão paga + Internet de banda larga 26 772 32 464

2. Triple-play * 146 050 179 291

TOTAL 503 894 565 020

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que um ano antes ou 10,1%, excluindo o contributo das aquisições efectuadas em 2007). Os acessos directos representavam 70,5% do total de acessos do negócio fixo, sendo que o total de activações líquidas de acessos directos no total dos seis meses foi de apenas 12 mil acessos. Um número explicado pelo grupo pelas pressões com-petitivas, problemas na portabilidade de números do operador incumbente, que geraram um alargamento significativo no prazo médio de activação dos clientes em acesso directo, a abertura em apenas duas novas centrais para serviços ADSL2+ e a crescente utilização de serviços de banda larga móvel.

Bastante activa também neste negócio esteve a Vodafone. Primeiro, avançou com uma oferta fixa baseada na sua rede móvel: o T0 Voz (serviço de voz fixa) e do T1 Net (serviço de acesso em banda larga). No ano passado entrou directamente, através da desagregação do lacete local (OLL) nas cen-trais da incumbente PT, passando a dispor de uma rede própria ADSL+, através da qual disponibiliza o Duplex ADSL em dois pacotes alternativos de Internet de banda

PRINCIPAIS INDICADORES DO SFT

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 (2.º trim.)2008 Prestadores (unidades) Habilitados 24 28 27 26 21 22 22 25 27 Activos 14 14 13 12 13 14 13 17 17 lSó acesso directo 2 2 3 2 2 1 2 5 5 lSó acesso indirecto 6 4 3 3 3 3 2 1 1 lAmbos 6 8 7 7 8 10 9 11 11 Acessos telefónicos (milhões) 4 313,3 4 382,9 4 354,6 4 282,9 4 328,2 4 234,4 4 230,7 4 143,7 4 126,6

Acessos directos — 3 250,9 3 217,0 3 143,5 3 133,4 3 133,9 3 245,4 3 194,4 3 242,5 Acessos indirectos — 446,6 511,1 407,0 596,5 572,7 457,7 275,5 248,4 lCom pré-selecção — 389,8 474,2 355,5 494,8 470,1 391,5 246,6 221,8 Acessos VoIP — — — — — — — 4,6 162,3 Acessos GSM — — — — — — — 364,8 390,6 Acessos cabo — — — — — — — 272,5 278,8

Tráfego (milhões de minutos)

Total 15 117 15 805 14 794 14 084 11.921 10 269 9 019 8 433 4 152 lVoz nd nd nd 9 034 8 751 8 385 8 017 7 925 3 909 lInternet nd nd nd 5 049 3 169 1 884 1.001 0,414 0,118 N.os portados (unidades) Total — 2 338 63 572 118 231 203 380 338 822 564 539 837 637 1 081 287* lNúmeros fixos — 2 332 63 427 118 017 158 623 265 077 446 371 664 684 868 029*

* Valores de Setembro de 2008. Fonte: Anacom

m ... assim como a Sonaecom, através do Clix

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mercado. Só entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano perdeu 12,6 mil clien-tes no fixo. Mas mais acentuada foi ainda a quebra de clientes na Sonaecom: perdeu mais de 18 mil subscritores. Já as demais operadoras conseguiram manter – como a Cabovisão – ou reforçar as respectivas quo-tas. A Zon foi quem mais se destacou: entre o primeiro e o segundo trimestres ganhou quase 36 mil novos clientes de voz fixa. De referir que existia ainda, através de VoIP (voz sobre IP), um total de 162 mil acessos, sendo 115 mil de VoIP nómada, mais 12,9% que no trimestre anterior.

O parque de acessos telefónicos princi-pais instalados situava-se, em Junho, nos 4 milhões, correspondendo a uma penetração de cerca de 38,2 acessos por 100 habitantes (menos 1,3% do que no período homólogo). A diminuição dos acessos analógicos e a re-dução nos acessos RDIS básicos e primários não foram totalmente compensadas pelo crescimento dos acessos suportados noutras tecnologias, como o GSM, VoIP e cabo. No final do primeiro semestre havia 390,6 mil acessos fixos em Portugal baseados na tecnologia móvel GSM, quase 50% mais que um ano antes. Já os acessos VoIP passaram de dois mil no final do ano passado para 662,3 mil em Junho. Em termos de quotas de acessos, a PT detém a maioria: 69,4%, menos 4,5% que um ano antes. Desde o início de 2004, o grupo já perdeu 24,6% de quota nos acessos. Mas também a So-naecom recuou, passando de 18,2% nos dois trimestres anteriores para uma quota de 17,8%.

larga e voz fixa. Foi a primeira subsidiária do grupo a disponibilizar serviços suportados numa rede própria ADSL+, numa óptica de posicionamento como operadora global e complementando os serviços móveis que compõem o seu core-business.

Menos dinâmicas estiveram as restantes operadoras. Com uma oferta através de uma plataforma de cabo, destaque para a Cabovisão. No final de Maio tinha um total de 726,77 mil serviços activos, sendo 247,4 mil serviços de telefonia fixa. A Ar Telecom, que acabou por suspender o plano de investimentos em Portugal, mantendo a sua operação apenas nos locais onde está presente, continua a disponibilizar pacotes que incluem a voz fixa. No final de 2007 existiam um total de 565 mil subscritores de ofertas em pacote (ver quadro). Desses, 179,29 mil eram produtos triple-play (voz, TV e banda larga).

“GUERRA” DE QUOTAS

Dados oficiais da Anacom mostram que havia no final de Junho um total de 3,242 milhões de clientes em acesso directo na voz fixa, mais 0,6% que um ano antes e mais 0,2% que em Março último. A PT tinha 66,6% dos clientes, o equivalente a 2,159 milhões de subscritores. Segue-se a Sonaecom, com uma

QUOTAS DE MERCADO NO SERVIÇO TELEFÓNICO FIXO

Clientes de acesso directo Tráfego de voz (minutos) 2007 2008 2007 2008 1.º trim. 4.º trim. 1.º trim. 2.º trim. 1.º trim. 4.º trim. 1.º trim. 2.º trim. Grupo PT 73,7 68,5 67,4 66,6 69,5 67,4 67,6 66,3 P. alternativos 26,3 31,5 32,6 33,4 30,5 32,6 32,4 33,7 l Sonaecom 21,4 21,2 20,5 20,2 19,0 18,7 l Vodafone 0,6 1,4 1,9 2,2 3,0 3,8 4,2 4,6 l Grupo Zon – 0,1 1,2 2,3 – 0,1 0,6 1,8 l Cabovisão 7,3 7,7 7,6 7,6 3,1 3,3 3,5 3,7 l Ar Telecom 0,1 0,4 0,6 0,7 2,1 1,9 1,9 1,8 l Outros 2,2 0,5 0,1 0,1 0,3 0,4 0,4 0,5

Em percentagem. Fonte: Anacom

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Caminhos

para

crescer

Apesar de já estar na maturidade,

o negócio móvel continua a crescer.

Mas prepara-se para maiores desafios

com as novas descidas de preços

e o acréscimo de concorrência.

A aposta vai para ofertas cada

vez mais completas e campanhas

agressivas para garantir o futuro

VOZ MÓVEL

T

axa de penetração bem acima

dos 100%. Novas descidas de preços de roaming e de inter-ligação, quer por imposição de Bruxelas quer por determina-ção da Anacom. Concorrência a aumentar, tanto por via dos novos MVNO como por atribuição de mais licenças pelo regulador sectorial. À partida, as perspectivas para o móvel em Portugal parecem ser bastante complicadas. Mas o mercado continua a crescer a bom ritmo e regista mesmo ta-xas de crescimento significativas. A aposta da TMN, Vodafone e Optimus em estraté-gias de retenção e fidelização de clientes, com campanhas agressivas de produtos e serviços, a par do reforço na banda larga móvel, está a dar frutos.

Já há algum tempo que o mercado móvel nacional está massificado. No segundo trimestre deste ano, alcançou 14,3 milhões de assinantes, mais 4,8% que no trimestre anterior e mais 15,5% face a período homólogo, sendo uma das subidas mais elevadas dos últimos anos. A taxa de penetração de 134,9% é explicada pela existência de utilizadores com mais de um cartão de acesso (calcula-se que 16,2% dos clientes tenham dois cartões

activos e que 5,1% tenham três ou mais), da utilização de cartões para serviços de dados e acesso à Internet ou afectos a má-quinas, equipamentos e viaturas, assim como afectos a empresas. Estima-se que a taxa de penetração real dos telemóveis se tenha situado em 89,8% no final de 2007, ano em que as três operadoras mó-veis conseguiram alcançar 3,3 mil milhões de euros de receitas de serviços (mais 4,2% que em 2006), com as receitas de voz a dominarem.

DADOS CONTINUAM A CRESCER Mas foram as receitas de dados que apre-sentaram as maiores taxas de crescimento, absorvendo uma fatia de 17% das receitas de serviços totais, em média, contra 14% em 2006. Um resultado que é explicado pela aposta que tem sido feita nas redes de terceira geração e terceira geração e meia (3G e 3,5G), com o reforço das velocidades de acesso e de transmissão de dados e a oferta de novos serviços de banda larga móvel. Os clientes de redes de 3G ultra-passaram, em Dezembro, os 3 milhões, evidenciando um crescimento anual de 92% e um peso na base total de clientes móveis de 23%. E no final de Junho deste

ano eram já 3,7 milhões, embora se estime que só 965 mil eram clientes activos.

Outra das consequências da estratégia encetada pelas operadoras móveis para re-ter e fidelizar clientes através das múltiplas campanhas que têm lançado no mercado é a mudança do tipo de assinantes. Nos últimos anos têm predominado os clien-tes com cartões pré-pagos, mas a situação está a alterar-se desde o ano passado, com o reforço dos clientes de produtos pós- -pagos. Entre meados de 2007 e meados deste ano o peso dos cartões pós-pagos no total de assinantes cresceu 2,9%, passando a representar 25%. Num ano, surgiram mais 936 mil cartões pós-pagos, dos quais 181 mil foram conseguidos entre Abril e Junho últimos.

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Novembro 2008 COMUNICAÇÕES 67

milhões de SMS (mais 51%), em resultado da adesão a tarifários específicos que têm vindo a surgir e que incluem um elevado número de mensagens gratuitas, e o mes-mo aconteceu até Junho, com 11,29 mil milhões de mensagens escritas (mais 33%). O regulador estima que no final de 2007 existissem 1,4 milhões de utilizadores com acesso à Internet em banda larga móvel, incluindo acessos WAP, mais 88% que um ano antes e o equivalente a uma taxa de penetração de 13,6%. Um reforço em que, para além das campanhas de promoção das operadoras móveis, pesou, sobretudo, o acordo das operadoras com o governo no âmbito da SI e a concretização do pro-grama e-escolas.

MAIS PRESSÃO REGULATÓRIA O mercado móvel continua debaixo de olho dos reguladores. Bruxelas não

abran-da os seus esforços de criar um mercado único das comunicações também ao nível das tarifas móveis. Em 2007 impôs um calendário de descidas dos preços das li-gações telefónicas realizadas em roaming – que está em implementação e que termi-nará no próximo ano –, levando os preços em toda a Europa para 43 cêntimos e 19 cêntimos (sem IVA) por minuto nas cha-madas realizadas e recebidas em roaming, e promete voltar a analisar a necessidade de maior regulação do mercado. E prepa-ra-se para descer os preços dos SMS e da transmissão de dados no espaço europeu: quer passar os SMS para 11 cêntimos (sem IVA), em vez de 29 cêntimos que se pra-ticam em média; e para 1 euro por mega-byte de dados transferidos. A proposta já avançou e a comissária Reding pretende que o corte seja implementado em 2009, depois de ter advertido por várias vezes as

operadoras para procederem a reduções voluntárias das suas tarifas sem qualquer sucesso.

Acresce a regulação nacional. A Ana-com já tinha anunciado em 2007, através de uma proposta de deliberação, que pre-tendia avançar com um novo calendário de redução dos preços de terminação nas redes móveis nacionais (os preços que as operadoras pagam entre si pelas ligações às suas redes). Isto porque chegou à con-clusão de que desde 1 de Outubro de 2006 – altura em que terminou um pacote de cortes de preços de interligação também imposto – não se verificaram mais cortes de tarifas, situação que prejudica as demais operadoras e os consumidores. Segundo o regulador, “a manutenção de preços de ter-minação nas redes móveis muito elevados é factor de distorção de concorrência entre essas redes e as redes fixas”, estimando que

PRINCIPAIS INDICADORES DAS OPERADORAS MÓVEIS

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 (1.º sem.)2008 TMN Clientes total * 2 939,2 3 905,0 4 426,0 4 887,0 5 053,0 5 312,0 5 704,0 6 261,0 6 485,0 Novos clientes * 824,5 966,0 521,0 461,0 167,0 259,0 391,0 558,0 223,0 Receitas totais ** 1 076,5 406,8 1 474,8 1 522,6 1 606,3 1 557,1 1 502,4 1 542,9 780,8 R. líquidos ** 170,7 271,2 259,7 318,2 281,5 — — — — EBITDA ** 391,3 535,0 623,2 689,9 746,7 673,5 658,7 679,0 338,8 ARPU *** 30,9 30,1 27,1 25,2 24,5 22,8 21,0 19,8 18,5 CCPU *** 17,4 16,6 13,5 12,1 11,4 11,6 — — — VODAFONE (1) Clientes total * 2 478,8 2 838,0 3 084,7 3 247,9 3 585,7 4 276,3 4 751,0 5 209, — Novos clientes * 683,8 359,2 246,7 163,1 337,8 690,6 474,2 458,6 — Receitas totais ** 901,3 1 028,4 1 063,6 1 153,2 1 294,7 1 325,1 1 393,0 1 511,3 — R. líquidos ** 80,9 104,8 98,4 124,3 131,7 169,3 204,4 269,0 — EBITDA ** 258,7 288,0 306,8 350,1 352,4 412,4 471,1 533,2 — ARPU *** 31,98 29,99 27,48 27,43 28,35 25,08 23,23 22,72 — CCPU *** 21,99 21,06 19,06 18,57 20,08 16,57 14,81 14,09 — OPTIMUS (2) Clientes total * 1 410,4 1 916,0 2 119,8 2 305,8 2 129,0 2 350,0 2 601,9 2 893,5 2982,1 Novos clientes * 593,7 505,0 204,1 185,9 (177) 224,0 248,7 291,6 88,6 Receitas totais ** 458,2 617,5 607,5 636,2 659,5 627,0 610,4 619,4 303,1 R. líquidos ** (10,8) (24,4) (16,3) 25,0 50,5 45,0 34,5 — — EBITDA ** 99,1 107,3 107,2 146,5 190,1 167,0 169,1 162,0 62,1 ARPU *** 32,1 28,4 23,9 22,4 24,3 20,6 19,7 18,2 16,9 CCPU *** 30,4 26,3 20,1 17,3 17,3 16,4 15,1 14,8 —

* Em milhares. ** Milhões de euros. *** Euros. Fonte: Empresas, Relatórios e Contas (1) A Vodafone alterou, desde 2000, o seu ano fiscal para 1 de Abril a 31 de Março. (2) A Optimus começou a operar a 14 de Setembro de 1998.

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as transferências líquidas das redes fixas para as móveis com as tarifas praticadas sejam de 110 milhões de euros anuais. Na altura anunciou ainda a introdução de uma assimetria temporária de preços a favor da Optimus, por considerar que o desbalancea-mento do tráfego lhe é desfavorável, dado o aproveitamento dos efeitos de rede por parte das operadoras de maior dimensão.

CLIENTES DO SERVIÇO MÓVEL TERRESTRE

2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 (1.º sem.) Total GSM 8 528,9 9 350,6 9 960,0 11 448,0 12 226,4 13 450,9 14 325 l Pré-pagos 6 690,2 7 359,7 7 817,8 9 291,0 9 770,8 10 319,8 10 799 l Assinaturas 1 838,7 1 990,8 2 142,2 2 157,0 2 455,6 3 131,0 3 526 Total UMTS — — — — — 3 075,0 3 700,0 l Activos — — — — — 869,0 965,0 Fonte: Anacom

MAIS OPERADORAS MÓVEIS CDMA...

HÁ UNS MESES ATRÁS, admitia-se o

potencial interesse de vários grupos nacionais na corrida à quarta licença móvel, que funcionará na faixa de frequências de 450-470 MHz (CDMA). Nomes como a Zon, a Cabovisão, a Ar Telecom, a Oni ou até os CTT foram referidos como eventuais candidatos. Uma empresa desconhecida e criada para o efeito, a RNT – Rede Nacional de Telecomunicações, foi a única que acabou por concorrer. O consórcio é detido em 85% pela britânica Telephony Holdings e em 15% pela portuguesa Radiomóvel, que também opera na mesma faixa de frequências, e está aberto à novos investidores. Com um investimento previsto de 40 milhões de euros, não pretende ser um grande operador, sendo vocacionada a nichos na voz móvel. O alvo é arrancar ainda em 2009 e alcançar 300 mil clientes em velocidade de cruzeiro. Se vencer, terá de investir, no mínimo, cinco milhões de euros em projectos no âmbito da SI. A TMN, Vodafone, Optimus e Radiomóvel foram impedidas de participar por já fornecerem serviços móveis, mas admite-se que tenham até 20% do

capital das entidades candidatas. Este concurso, se for atribuída a licença, terá ainda outra consequência: a formalização de mais um concorrente móvel, exactamente a Radiomóvel. A empresa de trunking (SMRP), que também opera com a tecnologia CDMA, poderá solicitar à Anacom autorização para se transformar em operadora de SMT nas mesmas condições que o novo concorrente. Esta tem sido desde há muito uma pretensão da Radiomóvel, que, apesar de ter uma licença de trunking, tem avançado com a oferta de acessos de banda larga móvel ao público em geral através da marca Zapp. Foi ainda autorizada, depois de ter apresentado uma comunicação sobre o início da oferta de dois novos serviços de comunicações electrónicas (serviço telefónico em local fixo e serviço de VoIP de uso nómada), a avançar com esses serviços. Entretanto, o processo ficou em stand-by depois de a Vodafone e de a TMN terem recorrido aos tribunais a contestar o concurso. Ainda não se sabia no final de Outubro se a Anacom avançaria com declaração de interesse público do concurso para esse poder avançar de novo.

Regulador quer dar luz verde a dois novos concorrentes

Depois de muitos protestos da Voda-fone e da TMN, que se mostraram con-tra este novo calendário de descidas e a reintrodução da assimetria, a medida da Anacom acabou por avançar uns largos meses mais tarde que o previsto. E com uma assimetria ainda mais favorável à Op-timus. A primeira redução dos preços má-ximos de terminação em redes móveis foi

introduzida a 23 de Agosto, seguida de uma segunda a 1 de Outubro. No caso da TMN e da Vodafone, faltam mais dois cortes (a 1 de Janeiro e 1 de Abril de 2009), ficando a partir daí os seus preços de interligação em 6,5 cêntimos (menos 40,5% que o pre-ço praticado antes desta imposição). Já a Optimus terá um prazo acrescido de dois trimestres, até 1 de Outubro do próximo ano, para chegar ao mesmo valor.

Também o preço do serviço grossista de originação de chamadas móveis foi alvo de atenção do regulador depois de várias reclamações. Os preços mantêm-se em 18,70 cêntimos desde 2002, mais do do-bro da tarifa de terminação de chamadas nas redes móveis individuais, pelo que a Anacom avançou em Agosto com uma determinação a pressionar as operadoras a descerem, até 30 de Setembro, os preços dos serviços grossistas de originação de chamadas nas respectivas redes móveis para níveis próximos ou iguais aos níveis máximos da terminação. “Convidou” ainda as empresas a “promoverem simultanea-mente descidas dos preços do serviço de facturação e cobrança por conta de ter-ceiros operadores, desejavelmente para níveis que não sejam superiores em mais de 20% aos que se encontram fixados na PRI 2008”. O sector móvel esteve ainda envolvido na polémica desencadeada pelo governo sobre a lei dos serviços mínimos (Lei n.º 12/2008), nomeadamente quanto aos arredondamentos em alta dos preços e a tarifação ao segundo.

INVESTIR PARA REFORÇAR

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Novembro 2008 COMUNICAÇÕES 69

na banda larga móvel. No total, viu as receitas subiram 7,2%, para 780,8 milhões de euros. Só as receitas de dados revela-ram um crescimento semestral de 41%. E, apesar dos cortes de preços do roaming, as receitas de clientes também subiram 7%, para 571 milhões de euros. A par da aposta no corte de custos, a operadora avançou com um aumento significativo da actividade comercial, focada na migração de clientes pré-pagos para pós-pagos e nas vendas de serviços de banda larga móvel. O CAPEX foi de 60 milhões de euros, com o investimento a incidir no aumento da capacidade e cobertura da rede, para dar resposta à maior utilização dos serviços de voz e dados e para reforçar a qualidade dos serviços de voz e banda larga móvel aos clientes. Mais de 50% do investimento foram direccionados para as redes 3G/3,5G.

COMPLEMENTAR NEGÓCIO

Na segunda posição, a Vodafone fechou o seu exercício fiscal – que terminou a 31 de Março – com uma carteira de 5,21 milhões de clientes, sendo 459 mil novos clientes. Mais uma vez bateu recordes nos seus indicadores financeiros, com as receitas operacionais a alcançarem 1,51 mil milhões de euros, mais 8,5% que um ano antes, sendo 1,35 mil milhões em re-ceitas de serviços (mais 7,9%). Tal como a concorrente, garantiu o seu crescimen-to pela sua base de clientes – onde os clientes pós-pagos representaram 21,7% da carteira total – e pelo negócio dos da-dos. No total, o investimento em activos fixos do ano fiscal foi de 186,8 milhões de euros, sendo que três quartos desse valor foram canalizados para a modernização e aumento de capacidade da rede.

Para além da implementação da rede de acesso fixo com tecnologia DSL, que veio complementar as suas redes móveis 2G, 3G e Wi-Fi, e para dar resposta ao crescimento acentuado dos serviços de dados de banda larga, tanto fixa como móvel, procedeu ao reforço das interli-gações aos prestadores de serviços de Internet nacionais e internacionais e implementou novas ligações em fibra óptica de grande capacidade. A opera-dora indica que, “como parte da sua es-tratégia de independência tecnológica”, reforçou o seu programa de construção da rede de transmissão, que ultrapassou no final do exercício o marco dos 60% de rede própria.

A Optimus foi a que menos cresceu. Com 2,98 milhões de clientes no final de Junho, angariou no semestre 88 mil novos assinantes. É a única das três que faz uma estimativa dos clientes activos – cerca de 2,326 milhões – numa carteira

que compensaram o recuo de 2,5% das receitas de operadores (determinado pela redução das tarifas de roaming) e a queda na área dos equipamentos. As receitas de dados representavam no final de Junho último 20,9% do total das receitas de serviço, em resultado da aposta no investimento e na promoção da utilização dos serviços de acesso mó-vel à Internet de banda larga.

Para fazer face a esta aposta nos da-dos, o grupo liderado por Ângelo Paupé-rio continuou a investir na cobertura e capacidade da sua rede móvel 3G/3,5G, através da implementação de novos sites e da disponibilização acrescida de HSDPA. Em Junho, a rede de terceira geração tinha uma cobertura de, aproxi-madamente, 81% da população. E a taxa de cobertura com a tecnologia HSDPA, que permite velocidades até 7,2 Mbps, atingia já cerca de 80%.

… E MAIS PROJECTOS VIRTUAIS

CTT E ZON SÃO os dois únicos grupos

que assumiram o risco de avançar com projectos de operadoras móveis virtuais (MVNO). Objectivo: diversificar ou complementar as respectivas ofertas. O regulador sectorial sempre tentou promover o aparecimento deste tipo de projectos como forma de trazer mais concorrência ao mercado móvel português. Chegaram a ser anunciadas várias intenções, como a do ACP, da Media Capital ou do Grupo Auchan. Acabaram por ficar pelo caminho. A complicada conjuntura financeira e económica e o facto de o mercado móvel estar já massificado são explicações. Mas a 30 de Novembro do ano passado os CTT avançaram em força com o seu Phone-ix, para aproveitar a extensa rede de balcões e para diversificar actividades, num projecto que marcou a sua entrada nas comunicações. O Phone-ix utiliza a rede da TMN, oferece dois pacotes de voz móvel pré-pagos e alcançou 100 mil clientes seis meses depois do seu arranque. Por enquanto não pretendem ter oferta de banda larga móvel. Quem quer ir mais longe é a Zon Multimédia com o seu Zon Mobile, que lhe vem permitir a oferta de um pacote

quadruple-play (televisão,

banda larga, voz fixa e voz móvel). O projecto foi anunciado em Setembro, mas o arranque aconteceu um mês depois. Tal como a concorrente Phone-ix, apostam na simplicidade. O novo MVNO funciona sobre a rede da Vodafone, com a qual foi assinado um contrato de cinco anos, e disponibiliza dois tarifários pré-pagos, embora projecte oferecer em breve pós-pagos. Uma das novidades é a tarifação ao segundo desde o primeiro segundo. E pretende utilizar o projecto como um trunfo para a conquista de mais clientes para os seus pacotes, através de campanhas de descontos, embora o produto esteja à venda para o público em geral. O Zon Mobile é “uma meta absolutamente importante” na estratégia da empresa para ter uma oferta abrangente e apostar numa maior fidelização de clientes. Numa segunda fase, ainda este ano, está prevista a disponibilização de serviços de banda larga móvel até 7,2 Mbps, ficando para depois a oferta de Mobile TV. E as metas são ambiciosas: quer ser a quarta operadora móvel nacional, a seguir às operadoras que detêm infra-estruturas próprias.

Grupos CTT e Zon assumem o risco de avançar e alargar negócio

O mercado móvel continua

debaixo de olho dos

reguladores. Bruxelas

e Anacom querem preços

mais baixos para os

clientes das comunicações

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Acelerar a fundo

A luta pela quota de mercado intensifica-se na banda larga fixa, seja por cabo ou por ADSL.

Multiplicam-se ofertas e aumentam velocidades, que já chegam a 30 Mbps. E já há uma

oferta via RNG. Mas quem está definitivamente a ganhar esta batalha são os acessos a alta

velocidade móveis. Tudo graças ao programa e-escolas, que obriga à subscrição deste serviço

INTERNET

A

concorrência no negócio da Internet a alta velocidade es-tá a acelerar. Trava-se uma verdadeira batalha entre pla-taformas, num mercado em grande mudança. No negócio fixo, as ope-radoras com acessos via ADSL e via cabo di-gladiam-se pela conquista de clientes. Dis-ponibilizam velocidades de acesso cada vez maiores e lançam campanhas comerciais agressivas, onde a oferta de pacotes de ser-viços domina. Mas são as redes móveis que parecem estar a ganhar a “guerra” da banda larga, apesar de as velocidades de acesso se-rem significativamente inferiores. Num ano, conseguiram duplicar o número de subscri-ções e ultrapassar largamente os clientes de soluções fixas. O e-escolas deu o empurrão. E mais transformações se avizinham com o arranque das redes de nova geração, que prometem débitos de muito maior dimen-são. A Sonaecom deu o primeiro passo, com um projecto ainda limitado em termos geo-gráficos. Mas há mais na calha.

O número de acessos móveis de banda larga começou a disparar ao longo de 2007, acabando este ano por superar em muito os valores dos acessos fixos (ADSL e cabo). Dos 862,2 mil acessos móveis reportados pelo regulador sectorial em Março do ano passado passou-se, em Junho último, para 1,9 milhões, num salto de 122% em apenas cinco trimestres. Só no segundo trimestre deste ano aderiram 202 mil novos clientes. Tem

1,4 % do total dos clientes, têm apresentado um reforço substancial graças às ofertas em pacote baseadas em redes alternativas. “GUERRA” ENTRE PT E ZON

O spin-off da Zon Multimédia (ex-PT Multimédia), do universo do Grupo PT, no final do ano passado trouxe ao mercado da banda larga fixa um novo equilíbrio de forças entre os vários grupos que oferecem este serviço. E uma nova dinâmica, já que as agora rivais, PT e Zon, disputam taco a taco o negócio, através de uma aposta cres-cente em pacotes de serviços cada vez mais completos, maiores velocidades de acesso ao mesmo preço e programas de fidelização das respectivas carteiras de clientes, com inúmeras ofertas e descontos. Uma situação que acabou por arrastar também as demais operadoras, em maior ou menor escala, uma vez que as coberturas do serviço de acesso por ADSL e das redes de distribuição por cabo estão, na sua generalidade, nas mesmas áreas e oferecem velocidades e características similares, pelo que a diferenciação faz-se cada vez mais pelas ofertas disponibilizadas. Quem ganha são os clientes, que vêem as velocidades máximas a aumentarem signi-ficativamente – até um máximo de 30 Mbps nas redes de cabo – a preços iguais ou mesmo bastante mais baratos.

O grupo liderado por Zeinal Bava, agora apenas com uma oferta de banda larga através da sua infra-estrutura de cobre (ADSL), de-ainda crescido a utilização destes acessos, já

que no final de Junho era 886 mil o número de utilizadores activos (315,2 mil em Março de 2007), levando, consequentemente, a um aumento do tráfego à Internet.

Já no serviço fixo de acesso em banda larga (por cabo ou por ADSL), o reforço tem sido mais lento. O número de subscritores passou de 1,42 milhões em 2006 para 1,52 milhões no ano passado, fixando-se em 1,56 milhões em Junho último. Aqui, a prefe-rência dos utilizadores continua a ir para as ligações em ADSL (pela linha de cobre),

O spin-off da Zon, no final

do ano passado, trouxe

ao mercado da banda larga

fixa um novo equilíbrio de

forças entre os vários grupos

que oferecem este serviço

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Novembro 2008 COMUNICAÇÕES 71

PRINCIPAIS INDICADORES DO ACESSO FIXO À INTERNET

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as práticas estabelecidas no sector e fazer face às ofertas concorrentes que apostam nos preços baixos” e para “elevar a fasquia” nas ofertas básicas de Internet, mostran-do ao mercamostran-do que a operamostran-dora consegue posicionar-se num mercado “em que todos os dias surgem novas ofertas, que apostam essencialmente nos preços baixos”. Para além desta, dispõe ainda de ofertas a 4,8 e 18 Mbps. E recentemente foi a primeira operadora de banda larga fixa a integrar o projecto e-escolinhas, ao qual disponibiliza o seu tarifário de 2 Mbps com serviço telefó-nico incluído. Agora está a preparar-se para as RGN, com a implementação de testes piloto com clientes reais, para fornecimento de velocidades de download de 100 Mbps. O objectivo é avançar com esta oferta co-mercial ao longo de 2009.

Mas a PT não se tem ficado atrás nesta intensificação da con-corrência. Na sua oferta do Sapo, tem também como oferta base os 2 Mbps, por um preço promocio-nal de 14 euros, disponibilizando ainda mais três tarifários – 6, 16 e 24 Mbps –, para além do Free, tarifário sem mensalidade. E já oferece, nas zonas Sapo, o serviço

de voz sem assinatura mensal, desde que o cliente subscreva o pacote Noites Grátis ou o Chamadas Ilimitadas. A aposta tem passado pelo reforço da sua rede para o fornecimento de maiores larguras de banda e serviços de

televisão paga, de forma a ganhar e a reter a sua carteira de clientes através de uma ofer-ta de serviços triple-play atractiva a preços competitivos. Para o grupo de Zeinal Bava, as vendas de TV por subscrição e banda lar-ga são cruciais para a estratégia do negócio de rede fixa, de forma a travar a perda de linhas. E destaca que a “nova estratégia de triple-play está a demonstrar ser uma medida bem sucedida para o crescimento dos novos clientes, uma vez que 40% dos novos clientes não subscrevia qualquer outro serviço”.

A estratégia da Sonaecom não diverge muito das suas concorrentes do negócio fixo. Onde admite que o “ambiente de pressão competitiva tem sido particularmente visível”, com “relevantes campanhas promocionais de preços nos segmentos de voz, banda larga e TV a vigorarem no mercado”. O enfoque na protecção e crescimento do negócio de acesso directo de banda larga, nomeadamente através de medidas para reduzir os níveis de desactivações e aumentar a fidelização dos clientes, são as apostas, mais uma vez com destaque para as ofertas e campanhas de pacotes de serviços. Nas zonas com acesso directo, as “zonas Clix”, passou a oferecer o seu pacote base ao dobro da velocidade dos seus concorrentes PT e Zon: 4 Mbps por 14,78 euros (preço até final de 2008). E dispõe ainda de ofertas a 12 e 24 Mbps.

TUDO EM CASA

As demais operadoras também disponibili-zaram novas ofertas e pacotes promocionais para defender as respectivas bases de clien-tes. A Cabovisão, tal como a Zon, já tem um

acesso a 30 Mbps, para além das propostas a 3, 10 e 20 Mbps com preços muito similares aos das concorrentes: variam entre um mínimo de 17,99 e 44,99 euros, desde que o serviço seja subscrito em pacote dual ou triple-play. Mas a Vodafone não se fica atrás. Bem pelo contrário. O grupo mó-vel tem avançado em força com a sua oferta fixa, disponibilizan-do, através do Duplex ADSL, as velocida-des de 12 e 24 Mbps a preços promocionais de 19,90 e 24,90 euros, respectivamente. Todas as empresas, para os novos clientes que subscrevam estes serviços, impõem a

%

tinha no final de Junho uma quota de 39,7% na banda larga fixa. Já o projecto de Rodrigo Costa, com a sua oferta por modem de cabo, tinha uma fatia de 27,3%. E isto sem contabi-lizar as aquisições das operadoras regionais de cabo Bragatel, TVTel, Pluricanal Leiria e Pluricanal Santarém, ainda em decisão na AdC, que vão reforçar mais a sua quota. As demais operadoras alternativas detinham, em conjunto, os restantes 33% do mercado da banda larga, com a Sonaecom a absorver uma fatia de 15,4%, seguida da Cabovisão, com 10,4%. Os valores do regulador mostram que as operadoras alternativas têm vindo a perder clientes neste negócio, especialmen-te a Sonaecom, que no final de Dezembro tinha 16,3% do mercado e ficou em 15,4% em Junho último. Da lista das alternativas, a Vodafone – com o seu Vodafone Casa – é das poucas que apresenta um ligeiro ganho, detendo 2% de quota na banda larga fixa. Em contrapartida, a PT e a Zon apresentam ganhos neste negócio. A incumbente, através da subsidiária PTC, conseguiu um ganho de 0,6% de quota entre o primeiro e o segundo trimestres deste ano. E a Zon ganhou ainda mais: 1,3%.

O grupo de cabo tem encetado uma es-tratégia de posicionar a sua oferta de banda larga como a mais rápida e fiável do mercado. A sua velocidade máxima de acesso é agora de 30 Mbps e a oferta mínima de acesso é de 2 Mbps, com um tarifário lançado este ano por 14,99 euros destinado a “romper com

A quota de mercado da PT no negócio da banda larga fixa

39

,7

%

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Novembro 2008 COMUNICAÇÕES 73

obrigatoriedade de permanência na rede, que varia entre um e dois anos.

À excepção da Zon, que acaba de se es- trear no negócio móvel através de um MVNO, os outros três grandes grupos de comunicações nacionais detêm também as redes que estão em concorrência na oferta de banda larga móvel. PT, Sonaecom e Vodafone disponibilizam cada vez mais soluções con-vergentes de serviços, que incluem a oferta de banda larga fixa e móvel, para além dos outros serviços, mostrando que estes podem ser complementares e não concorrentes. E as propostas de cruzamentos de ofertas dentro dos grupos são várias.

O Casa Duplex ADSL e o T1 Net Plug & Play, da Vodafone, para além do acesso à rede fixa, disponibilizam também acesso móvel, pago ao dia ou com um acréscimo na mensalidade (no primeiro caso). O Sapo, da PTC, tem uma proposta similar, com solu-ções para clientes de ADSL. Para os demais interessados num produto móvel, comer-cializa ainda directamente as propostas da operadora móvel do grupo, a TMN. Esta inclui na sua oferta o “banda larga casa t”, onde, por preços mais baixos, o acesso móvel é utilizado de uma forma fixa. Na Sonae-com, a estratégia de cruzamento de ofertas é similar: o Clix, para além do acesso em ADSL, disponibiliza acesso móvel para os seus clientes do fixo pago ao dia ou com um acréscimo de mensalidade; e o Kanguru, a marca da banda larga móvel do grupo, tem uma oferta de banda larga num só local a preços mais acessíveis.

A aposta em força no acesso à Internet de banda larga móvel (através de placas de transmissão que permitem a utilização de computadores pessoais (placas PCMCIA,

placas USB, Modem USB, PC-Card, PC USB Card) surgiu em 2004, com as redes de terceira geração (UMTS ou Universal Mobile Telecommunication Systems), e a aposta em novas tecnologias de acesso: HSDPA e, no ano passado, o HSUPA, que veio proporcionar melhorias significativas da velocidade do tráfego de upload. Hoje, as três redes móveis nacionais já dispo-nibilizam acessos até um máximo de 7,2 Mbps, muito embora essa oferta ainda não esteja disponível em todo o território nacio-nal. As velocidades de 512 kbps, 1 Mbps e 3,6 Mbps são as demais opções, depois de terem avançado este ano com um aumento das velocidades máximas de download nos dois tarifários mais baratos (de 384 para 512 kbps e de 640 kbps para 1 Mbps). To-das as ofertas são comercializaTo-das a preços substancialmente superiores aos praticados nas redes fixas (atendendo, sobretudo, às

velocidades). E são também praticamente iguais entre as três concorrentes.

GANHOS COM O E-ESCOLAS

Tendo como grande trunfo a mobilidade, a adesão a estes produtos começou por ser lenta, até porque a cobertura e a velocidade de acesso eram no início baixas. De acordo com dados do regulador, desagregando es-tes acessos por velocidade de transmissão, verifica-se que cerca de 75% dos acessos se concentravam, no final de 2007, nas veloci-dades até 640 kbps. Os mesmos dados indi-cam que, em termos de cobertura, menos de metade do território nacional estava coberto a débitos de 128 kbps (o corresponde a mais de três quartos da população), sendo que os débitos de 3,6 Mbps estavam operacionais em menos de 10% do território, envolvendo um terço da população.

Mas no ano passado este tipo de ligações conheceu um reforço exponencial. O que se ficou a dever aos programas e-escola, e- -professor e e-oportunidades, promovidos pelo governo e que envolvem a cedência de computadores a preços baixos com ligação obrigatória à Internet em banda larga em condições mais favoráveis. Esta aposta resul-tou de um acordo, celebrado no ano passado entre as operadoras e o Executivo, no âmbito dos compromissos assumidos aquando da atribuição das licenças de 3G, que obriga-va a investimentos na SI. Nomeadamente na produção de conteúdos, programas de

PRINCIPAIS INDICADORES DE ACESSO MÓVEL À INTERNET

2007 2008

1.º trim. 2.º trim. 3.º trim. 4.º trim. 1.º trim. 2.º trim. Clientes total 862,2 983,7 1182,5 1 454,5 1 713,5 1 915,4 Clientes activos 315,2 359,3 478,0 659,8 792,9 886,0

Penetração 8,1% 9,3% 11,3% 13,7% 16,1% 18%

Em milhares. Fonte: Anacom

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Há ainda outras tecnologias alternativas de suporte aos serviços de acesso em banda larga, mas sem a dimensão das dominantes e em diferentes estados de implementação e maturidade. É o caso dos sistemas de comu-nicações via satélite, que têm uma utilização muito reduzida, apenas em situações muito pontuais e a nível empresarial. Ou do FWA (acesso fixo via rádio), apenas utilizado na rede de acesso pela AR Telecom. No futuro, as licenças de BWA também poderão ter algum papel. Mas a oferta que, de facto, promete uma verdadeira revolução no acesso à banda larga são as redes de nova geração. O inves-timento em fibra óptica vai trazer velocida-des até 100 Mbps, podendo constituir uma fonte de forte concorrência às redes actuais. A Sonaecom deu o primeiro passo ao avan-çar com uma oferta comercial de triple- -play assente em fibra óptica (ver texto da página 44).

inovação, distribuição de equipamentos ou desenvolvimento das próprias redes móveis. No primeiro semestre foram investidos na-quele programa 100 milhões de euros.

Uma das grandes novidades deste ano foi o lançamento, em Agosto, da opção de banda larga móvel pré-paga, quebrando-se a regra da obrigatoriedade de permanência na rede pelo menos por um ano que têm os produtos de assinatura mensal. A Vodafone foi a primeira a avançar com o VitaNet, mas a TMN e a Optimus não perderam tempo e replicaram a oferta no mesmo dia nas suas redes, com pequenas diferenças. Na TMN podem utilizar-se os pontos de acesso da rede Wi-Fi da PT. Na Optimus, o Kanguru pré-pago tem mais flexibilidade nos carrega-mentos. Os carregamentos oferecidos pelas concorrentes variam entre um mínimo de 10 dias e um máximo de 30 ou 60 dias, com algumas diferenças entre empresas. Trata--se de uma oferta destinada a atrair novos clientes com uma utilização pontual e que sai sempre mais cara e a uma menor veloci-dade, de apenas 512 kbps. O que é facto é que todas as operadoras móveis estão a registar um acréscimo significativo das receitas pro-venientes dos dados, sendo a banda larga a grande prioridade. Pelo que continuam a reforçar investimentos na cobertura e ca-pacidade das respectivas redes.

m Tal como as concorrentes, a Sonaecom aposta nas ofertas convergentes fixo-móvel

QUOTAS NA BANDA LARGA – ACESSO FIXO

2007 2008

1.º trim. 2.º trim. 3.º trim. 4.º trim. 1.º trim. 2.º trim.

1. Grupo PT 70,3 69,6 69,0 40,0 39,1 39,7 l PT.Com * 44,8 44,1 43,9 38,1 l TV Cabo ** 23,6 23,3 22,8 l PT Prime 0,4 0,4 0,4 0,5 0,5 0,5 l PT Wi-Fi 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 0,1 l PTC 0,0 0,0 0,0 1,3 38,6 39,1 2. Grupo Zon – – – 26,2 26,6 27,3 l TV Cabo – – – 24,2 24,5 25,0 l TV Cabo Madeirense 1,5 1,6 1,6 l TV Cabo Açoriana – – – 0,5 0,6 0,7 3. Alternativas 29,7 30,4 31,0 33,8 34,3 33,0 l Cabovisão 10,5 10,5 10,3 10,8 10,6 10,4 l Sonaecom 9,8 10,6 15,4 16,3 15,8 15,4 l AR Telecom nd nd nd nd nd 1,4 l TVTel 1,6 1,7 1,7 2,0 2,1 2,0 l Vodafone 0,2 0,2 0,2 0,9 1,7 2,0 l Oni 5,5 4,9 0,6 0,4 0,2 0,2 l Outros 1,3 1,5 1,5 1,5 1,6 1,6

Em percentagem. Fonte: Anacom * A 10/Mar/08 foi realizada a fusão da PT.Com na PTC.

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Cenário de “guerra”

Pacotes para todos os gostos. Mais alternativas em termos de plataformas. Preços a caírem.

Concorrência agressiva. Arranque da televisão digital terrestre e do quinto canal em sinal

aberto a partir de 2009. O negócio da televisão em Portugal está no centro das atenções

TELEVISÃO

N

unca o negócio do “pequeno ecrã” conheceu dias tão agita-dos. E em todas as frentes. Tu-do graças ao spin-off da Zon, (ex-PTM) do universo da PT, passando esta agora a ser a grande “ata-cante” do mercado. Na televisão paga, a acesa disputa entre as agora concorren-tes trouxe uma dinâmica renovada, com novas ofertas e campanhas agressivas de preços a multiplicarem-se e a arrastarem as demais fornecedoras. Sempre com os pacotes de serviços convergentes a domi-narem, tanto no cabo, como no satélite e na IPTV. E a TDT parece finalmente ter pernas para andar. A incumbente nacio-nal conseguiu as licenças dos concursos para as duas plataformas, que irão comple-mentar a sua estratégia para a TV, através da marca Meo. E está de olhos postos no quinto canal, tentando travar de todas as formas a participação da Zon num con-curso onde deixa claro que quer entrar. Uma “guerra” que promete.

O processo de cisão da agora Zon, do universo da PT, na sequência da OPA lan-çada pela Sonaecom, deixou a incumbente quase sem nada na área da televisão paga. Ficou apenas com uma oferta residual, através da sua rede de cobre (IPTV), que tinha lançado em meados de 2007. Mas o grupo não ficou de braços cruzados, bem pelo contrário. Não perdeu tempo a deixar claras as suas intenções de avançar em for-ça, fazendo frente à posição de domínio da nova concorrente nesta área, com 80% do mercado através da rede de cabo e do saté-lite. A 2 de Abril, poucos dias depois de ser eleito CEO da PT, Zeinal Bava anunciava

o arranque da sua oferta de televisão paga por satélite (DTH). Objectivo: massificar o negócio através de uma cobertura nacional de televisão, com uma aposta em paralelo na rede de cobre, prevendo uma cobertura para televisão por IP em 600 centrais no final deste ano, o que permitirá o acesso a 700 mil clientes da PT.

A estratégia de investimento nas duas frentes – cobre e satélite – não é para o grupo redundante, mas sim complemen-tar, no âmbito de uma estratégia de “oferta massiva de TV” através de soluções

inte-e instalou-sinte-e dinte-e iminte-ediato, tanto inte-em tinte-ermos de preços como de ofertas, sempre em dual ou triple-play. A detentora da rede de cabo, que tem na televisão paga o seu core--business e oferece o serviço por satélite como complementar ao cabo para as áreas sem cobertura, sendo a única até agora a disponibilizar essa oferta, respondeu de imediato às propostas da PT. Na altura, o líder da Zon, Rodrigo Costa, garantiu que o seu grupo encara com naturalidade o lançamento do Meo Satélite, trabalhando normalmente dentro de uma aposta no triple-play e num mercado “extraordina-riamente competitivo e dinâmico”. Mas desceu de imediato os preços e lançou campanhas para captação de clientes.

A alta definição (HD) foi uma das áreas de maiores tensões entre as duas concor-rentes e as trocas de acusações não se fize-ram esperar. A Zon acusou a PT de estar a travar o processo de cisão e a impedi-la de crescer. A incumbente continua a protes-tar contra a posição dominante da Zon nos conteúdos. O curioso neste processo é que os actuais líderes da Zon e da PT conhecem bem os negócios concorrentes. Rodrigo Costa até ao ano passado liderava a PT Comunicações e foi o mentor do projecto de televisão da incumbente. Zeinal Bava foi o líder por muitos anos da PTM e da subsidiária TV Cabo.

GANHAR MERCADO

A aposta forte da PT no satélite deu frutos rapidamente. A 23 de Setembro, anunciava que o serviço de TV por subscrição tinha superado 200 mil clientes, sendo mais de metade deste total novos clientes do

PT e Zon desencadearam

uma agressiva campanha

de preços para ganhar

clientes na TV. A alta

definição foi uma das áreas

de maiores tensões entre

as duas concorrentes

e as trocas de acusações

não se fizeram esperar

gradas de serviços. Esta aposta multipla-taforma, que abrange ainda o móvel e a TDT, está agregada numa única marca: o Meo. Através dela, a PT reforçou as suas propostas para os clientes, mas pretende ainda chegar a subscritores de outras ope-radoras com propostas aliciantes e a preços mais baixos. E para mostrar que esta é uma aposta estratégica, avançou com uma enorme campanha de publicidade, para a qual contrato os Gato Fedorento.

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Novembro 2008 COMUNICAÇÕES 77

TV POR SUBSCRIÇÃO – PRINCIPAIS INDICADORES

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 (2.º trim.)2008 Alojamentos cablados 2 601 3 024 3 361 3 488 3 624 3 775 4 022 4 039 4 206 Assinantes cabo 925 1 119 1 262 1 334 1 356 1 398 1 418 1 489 1 496 l Norte 192 247 290 315 341 328 336 373 376 l Centro 88 105 120 162 169 168 171 180 181 l Lx e Vale do Tejo 534 637 690 678 717 707 708 722 718 l Alentejo e Algarve 39 50 68 84 89 89 90 103 104 l RAM e RAA 72 81 88 94 99 106 112 116 117

Assinantes cabo digital nd nd nd nd nd nd nd nd 466

Assinantes DTH (1) — 224 289 314 384 394 435 483 525

Assinantes o. tecn. (2) nd nd nd nd nd nd nd nd 118

Total assinantes

TV por subscrição 925 1 343 1 551 1 648 1 740 1 792 1 853 1 972 2 080

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grupo. As metas iniciais apontavam para 100 mil clientes no total do ano. Só no terceiro trimestre, conseguiu 84 mil adi-ções líquidas. O grupo voltou a reforçar que a oferta integrada de serviços de voz, Internet e televisão “representa uma ala-vanca essencial” da sua estratégia para “reforçar a proposta de valor oferecida aos seus clientes residenciais, que assenta num conceito de multiplataforma cujo objectivo é fornecer o mesmo conteú-do independentemente da interface conteú-do cliente”. A incumbente quer que o Meo se posicione como “a melhor e mais sofis-ticada oferta de televisão por subscrição no mercado português e evidenciar o seu posicionamento multiple-play como uma oferta 5-play” (TV por subscrição, banda larga fixa, voz, video-on-demand e banda larga móvel).

De fora desta guerra parecem ter ficado as demais fornecedoras de TV paga. A So-naecom, com a sua oferta de IPTV através do Clix SmartTV, continuou a reforçar a sua proposta com mais conteúdos e novas funcionalidades, como a alta definição, sem aumento de preços. Não são adiantados nú-meros de clientes. Já a Cabovisão, a segunda maior operadora nacional de televisão por subscrição através da sua rede de cabo, per-deu mais de mil clientes de TV no trimestre terminado a 31 de Maio último.

De acordo com os últimos dados da Anacom, que passou a publicar, a partir do segundo trimestre do ano, a evolução dos serviços de TV por subscrição, tendo em conta as várias tecnologias – cabo, sa-télite, IPTV e FWA –, a Zon detinha em Junho uma quota de mercado de 74,5% (ainda sem contabilizar as quatro opera-doras de cabo regionais, processo ainda nas mãos da AdC). A Cabovisão surgia na segunda posição, com 14%, e a PTC já ocupa o terceiro lugar, com uma quota de 5,4%. As demais operadoras detinham os restantes 6,3% do mercado, com destaque para a TVTel (em processo de aquisição pela Zon), com 3,4%.

O número de subscritores de serviços de TV paga alcançou, no final de Junho, 2,08 milhões, de um total de 4,21 milhões de alojamentos preparados para receber o serviço. O cabo continua a ser a forma mais comum de acesso a serviços pagos de televisão, com uma fatia de 70% do mercado, ou seja, quase 1,5 milhões de assinantes, sendo que 466 mil já beneficia-vam do formato digital. O satélite surge na segunda posição, com 24,5% do mercado,

o equivalente a 525 mil clientes. Mas as novas ofertas através de IPTV e de FWA começam a ganhar expressão. O regulador indica que havia já 118 mil aderentes a estas novas ofertas, representando já 5,5% do mercado total de acesso pago. POLÉMICAS NA TDT

Mas o mercado da televisão em Portugal conheceu ainda grande agitação numa outra frente: a televisão digital terrestre (TDT). Uma plataforma que, apesar das promessas de arranque, tardava em surgir, e que se destina a passar todas as emissões de televisão a digital, de acordo com as regras definidas por Bruxelas, que obrigam a um swich-off as emissões analógicas até ao início de 2012. Sete anos depois do

arranque da abertura do primeiro con-curso público para a TDT, em Abril de 2001 (cuja licença foi atribuída à PTDP, liderada por João Pereira Coutinho, sendo revogada em Março de 2003), voltou a ser lançado este ano um novo concurso. Desta vez, o Executivo precaveu-se de eventuais problemas que possam surgir quanto à plataforma paga de pay-TV ao estabelecer dois concursos distintos: um para a plata-forma de transmissão dos actuais canais gratuitos em sinal aberto (Mux A) e outro para uma operação de canais pagos, que concorrerá com as demais plataformas de televisão paga (Muxes B a F).

Ao longo de todo este ano foram sur-gindo inúmeros potenciais candidatos ao concurso, não só de grupos estrangeiros (como a Indra, Abertis ou Prisa), mas so-bretudo nacionais, como a AR Telecom, Vodafone, Sonaecom e até Visabeira, para além dos grupos de media com canais de televisão em sinal aberto. Quase todos levantaram o caderno de encargos para os dois concursos, e muitos apresentaram questões e dúvidas ao regulador sectorial. Mas acabaram por desistir, por considera-rem o negócio pouco atractivo e de grande risco, já que a plataforma terá de concorrer com as ofertas já existentes de TV paga.

O concurso foi lançado a 25 de Feverei-ro, terminando o prazo de candidatura a 23 de Abril. À corrida apresentaram-se ape-nas a PT – concorrendo às duas platafor-mas – e os suecos da AirplusTV, apenas na plataforma paga, num processo que gerou polémica e contestação desde o primeiro momento. A PT, na véspera da entrega das candidaturas, anunciou um acordo para gerir a rede analógica de transmissão do sinal da TVI (através da Reti, controlada pela Media Capital) no caso de vencer o concurso para o Mux A. O que a fez pas-sar, na prática, a controlar as duas únicas redes de transmissão analógicas (a outra rede era já sua). Deu ainda a conhecer um acordo com as três operadoras de sinal aberto – RTP (1 e 2), SIC e TVI – sobre as condições de distribuição destes canais na rede da TDT durante o período de difusão simultânea analógica e digital (simulcast), assim como a transmissão digital até ao final do período da licença da TDT.

Quem não gostou foi a Airplus TV, que estaria a negociar com a Media Capital um eventual acordo. Foi solicitado de imediato à Anacom um adiamento do processo e contestada a falta de conhecimento dos valores que a PT iria cobrar pela emissão

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79 de sinal, o que a impediria de incluir este

elemento na sua candidatura e poderia le-var à sua desclassificação. Mas o concurso acabou por avançar, sendo aceites as can-didaturas da PT, enquanto a dos suecos fi-cou em stand-by, à espera da apresentação da caução provisória (de 750 mil euros), que não tinha sido prestada e que acabou por o ser dias depois. Seguiu-se o período de análise pela comissão nomeada para o efeito, durante o qual a Airplus por várias vezes ameaçou com o recurso aos tribunais se a decisão tomada não fosse justa. E a Sonaecom veio a público contestar todo o processo, acusando o governo de “ajuste directo travestido de concurso”, criando “condições objectivas” para que a PT fosse a única empresa capaz de apresentar uma proposta viável.

A 27 de Junho era conhecida a decisão da comissão de análise, onde, como já era esperado, foi dada a vitória à PT no con-curso para a plataforma paga (semanas depois era dada a conhecer a sua vitória no Mux A). A Airplus, entretanto, tinha tentado jogar com mais alguns trunfos a seu favor na decisão, com o anúncio de que Miguel Pais do Amaral entraria com 20% do capital do projecto, caso este fosse vencedor, e de que Luís Nazaré (ex-presi-dente dos CTT e da Anacom) tinha sido nomeado para presidente não executivo da empresa em Portugal. Sem sucesso. Pelo que anunciou o recurso da decisão, acusando a comissão de ter tomado uma decisão arbitrária e parcial e de ter cometi-do “erros técnicos grosseiros”, nas palavras de Luís Nazaré. E foi ainda mais longe ao levantar um incidente de suspeição sobre o presidente da comissão, que acabou por se demitir, ameaçando ele próprio a Airplus com o recurso aos tribunais.

A mesma comissão, agora reduzida a dois elementos, voltou a analisar a pro-posta no final de Julho. Quando já decor-ria uma providência cautelar da Airplus para suspensão do concurso, que levou a Anacom, um mês depois, com o apoio do governo e da ERC, a avançar com a invocação do interesse público para pros-seguir com o concurso. A nova decisão do júri surgiu a 23 de Setembro, sem grandes alterações: a PT voltou a vencer.

O anúncio da decisão final surgiu a 20 de Outubro: a Anacom anunciou a homologação das propostas do júri dos concursos para atribuição à PT, através da PTC, dos direitos de utilização das fre-quências dos multiplexers que distribuirão

os projectos da TDT em Portugal. A PT terá agora que reforçar as cauções dos dois concursos (dois milhões de euros no Mux A e 2,5 milhões nos Muxes B a F), sendo as respectivas licenças atribuídas nos 15 dias úteis posteriores a esse pagamento.

A incumbente nacional justifica a apos-ta do grupo na TDT como complemenapos-tar, enquadrando-se numa estratégia de tele-visão multiplataforma. “O IPTV é tudo aquilo que de mais inovador existe em oferta de TV. A proposta de satélite (DTH) garante cobertura a 100% do território nacional. O Meo Mobile permite conteú-dos em qualquer lado. A TDT enquadra-se

nesta oferta, com custos de aquisição per-feitamente suportáveis”, garantia Zeinal Bava na apresentação do seu projecto. Que representará um investimento a três anos de até 120 milhões de euros, prevendo-se a criação de um fundo de 40 milhões de euros para subsidiação dos equipamentos (15 milhões para a plataforma de canais gratuitos e 25 milhões para os pagos).

Garantia ainda de que o investimento na TDT não compromete outros investi-mentos, nomeadamente ao nível da fibra óptica, porque “a PT tem capacidade fi-nanceira para todos os projectos estraté-gicos”. Implementação acelerada e antes do prazo limite, cobertura abrangente, soluções técnicas diferenciadoras, oferta de conteúdos alargada e de qualidade foram as suas promessas. No Mux A, garante o seu sucesso através de uma oferta consensual para todas as estações de televisão de sinal aberto, e nos Muxes B a F uma solução técnica que maximi-za a utilimaximi-zação das frequências disponí-veis. Recentemente, o líder da PT veio a público garantir que já há trabalho e investimento feito e que ainda há tempo para pôr em marcha o projecto, mesmo que haja mais alguns meses de atraso do processo nos tribunais.

m As licenças para a TDT foram ganhas pelo grupo liderado por Zeinal Bava

MOBILE TV EM STAND-BY

AINDA SEM EXPRESSÃO está a oferta

de televisão através dos telemóveis. O mobile TV já está disponível no mercado desde 2006, mas a adesão tem sido escassa. Até porque só com o swich-off das emissões de televisão em analógico e a consequente libertação de espectro (o chamado dividendo digital) é que poderá ganhar expressão. Em Março último, a Comissão Europeia decidiu acrescentar a norma Digital Video Broadcasting Handheld (DVB-H) à lista de normas oficiais da UE, sendo considerada a base para incentivar a oferta harmonizada de telecomunicações em toda a EU, sendo encarada como um passo para a criação de um mercado único de televisão móvel na Europa. Pretende--se proporcionar a escala de mercado necessária para o lançamento, em

massa, de serviços de televisão móvel em toda a Europa. As ofertas das operadoras móveis nacionais têm sido reforçadas. No âmbito da estratégia de multiplataforma de TV por subscrição da PT, a TMN relançou em Abril a sua oferta de televisão móvel. O Meo Mobile passou a oferecer mais de 30 canais, tendo-se mesmo apostado num telemóvel especificamente desenhado para o efeito, com vista a reforçar os serviços convergentes fixo-móvel e multimédia da PT. Tem cinco tipos de tarifários: diário, semanal e mensal (Meo Notícias e Desporto, Meo Séries e Kids e Meo Total). A Vodafone também oferece o acesso a 27 canais em três tarifários: diário, semanal e mensal. Tal como a Optimus, que disponibiliza 30 canais.

Operadoras comercializam serviço, mas sem grande adesão

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Mais concorrência nos conteúdos

O novo canal em sinal aberto só estará disponível com o arranque da TDT, já que só funciona

em digital. Os projectos já no terreno temem os “estragos” da entrada do novo concorrente.

Os principais grupos interessados no concurso garantem que há mercado para todos

ARRANQUE DO QUINTO CANAL

O

projecto do

governo foi anunciado em Janeiro, na sequên-cia do processo da introdu-ção da TDT em Portugal. Tendo como objectivo tra-zer mais concorrência ao mercado, decidiu-se lan-çar um novo canal em si-nal aberto, cujo concurso, de acordo com os timin-gs definidos, deveria ter arrancado em Outubro. O projecto foi contestado por uns e aplaudido por outros. De um lado, os gru-pos que já têm televisões generalistas – RTP (1 e 2), SIC e TVI – defendem que o bolo publicitário não vai chegar para todos.

Do outro está quem quer entrar neste negó-cio para completar o seu leque de ofertas e que garante a viabilidade do quinto canal. RECEIOS E OPORTUNIDADES

O novo canal só estará disponível com o arranque da TDT, já que funciona apenas com emissões em digital. Para o Executivo, é uma forma de desenvolver o sector e pro-mover o aparecimento de grupos nacionais fortes na comunicação social. Mas quem já está neste mercado teme o impacto de um novo projecto face à dimensão do mer-cado publicitário em Portugal. Francisco Pinto Balsemão, presidente do Grupo Im-presa (que detém a SIC), tem sido o rosto da contestação. Alerta para a estagnação das receitas da publicidade, que se poderá agudizar agora com a crise financeira, e para os riscos que o quinto canal implicará para o sector. Nomeadamente terá que se avançar com novos cortes nos custos em programação e investimentos, pelo que a

nova plataforma poderá colocar em risco não apenas a qualidade do entretenimento e do jornalismo como também a própria independência dos grupos de media.

Desde o arranque do processo que são conhecidos pelo menos três grandes inte-ressados: Controlinveste e Cofina, os dois grupos de media nacionais que não têm um canal de televisão, e a Zon, dona da TV Cabo Portugal, que pretende reforçar-se nos conteúdos. Uma candidatura entre os três interessados tem vindo a ser apontada como a solução mais óbvia, até porque, olhando para as ligações entre os três grupos, será uma solução que faz sentido. Controlin-veste e Cofina são ambas accionistas de referência na Zon. E a Controlinveste e a Zon partilham em partes iguais o projecto da SportTV. Mas todos os cenários estão em aberto. O líder da Zon admite mesmo a possibilidade de concorrer sozinho, depois de terem corrido notícias de um eventual desentendimento entre os três

interes-sados. Tudo dependerá do regulamento final do concurso.

Quem se tem mostra-do abertamente contra a participação da Zon na corrida ao quinto canal é a PT. À partida proibida de concorrer, até porque é a vencedora das duas li-cenças da TDT, participou na consulta pública para a elaboração do regula-mento do concurso, a que responderam ainda a Zon, Controlinveste e SIC. A in-cumbente nacional quer impedir a Zon de partici-par na corrida, defendendo que esta tem posição do-minante nos conteúdos, agora fundamentais para impulsionar a sua oferta de TV. E levantou a hipótese de o vencedor do concurso à TDT gratuita ser o mesmo do quinto canal. Zeinal Bava tem-se multipli-cado em afirmações sobre a posição da Zon na área dos conteúdos, defendendo mesmo a criação de um grupo constituído pela Ana-com, EC e AdC para estudar o “abuso de posição” da agora concorrente e a separação grossista e retalhista dos conteúdos.

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Referências

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