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Conc Pub -Correia -Dir Trabalho-1ed.indb 3 21/09/ :20:50

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APRESENTAÇÃO DA OBRA

SEGUE UM VÍDEO ABAIXO:1

http://editoraj.us/dtapresentacao

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O livro Direito do Trabalho para Concursos Públicos é fruto da experiência do dia a dia no Ministério Público, acrescida dos anos de magistério e de um minucioso trabalho de pesquisa doutrinária, legislativa e jurisprudencial que levou 2 anos para ser finalizado. A obra surge com o objetivo de auxiliar os estudos daqueles que se preparam para os con-cursos da Magistratura do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Advocacia Pública, sobretudo para as provas objetivas.

O livro proporciona ao leitor um estudo teórico do Direito do Trabalho, com linguagem simples e de forma esquematizada, com quadros de resumos, além de:

1. Informações técnicas: Para quem usa Android, importante instalar um aplicativo com leitor de QRCodes, que pode ser o “QR Code Reader”. Você encontrará no seguinte link:

https://play.google.com/store/apps/details?id=me.scan.android.client&hl=pt_BR

Para quem usa IOS (iPhone, iPad), basta instalar um aplicativo com leitor de QRCodes, que pode ser o “QR Code Reader and Scanner”. Você encontrará no seguinte link:

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DIREITO DO TRABALHO PARA CONCURSOS PÚBLICOS • Henrique Correia

– Súmulas, orientações jurisprudenciais e informativos do TST, ao final de cada capí-tulo, separados e organizados por assunto;

– Legislação relacionada aos capítulos da obra, também separada por assunto para facilitar e agilizar os estudos.

– Questões com gabaritos fundamentados, ao final de cada capítulo, dos concursos da Magistratura do Trabalho, MPT, AFT e OAB.

Uma das novidades da obra foi a inclusão de um espaço destinado às anotações do leitor. Desse modo, ao final de cada um dos capítulos, encontra-se um “caderninho” de apontamentos. Esse local foi cuidadosamente selecionado para facilitar a memorização dos principais assuntos abordados durante o capítulo.

Outro ponto inovador foi a inclusão de QR Codes vinculados a pequenos vídeos, por meio dos quais explicamos e ressaltamos assuntos relevantes e que demandam mais atenção do lei-tor. Ao aproximar seu celular do QR Code,2 você poderá assistir aos vídeos com breves

explica-ções, de aproximadamente 2 a 3 minutos, sobre pontos importantes da obra. O objetivo dessa nova ferramenta foi intensificar a absorção da matéria, e claro, aproximar o leitor do autor.

Cabe destacar, ainda, como novidade, a inclusão da interpretação sistemática ao li-vro. Sempre acreditamos que a melhor e mais rica das interpretações é a sistemática, que considera que a norma jurídica deve sempre ser interpretada considerando o ordenamento jurídico em que está inserida. Assim, incluímos diversos quadros com dicas que trazem a abordagem de outras disciplinas que guardam forte relação com o Direito do Trabalho, quais sejam: a) Processo do Trabalho; b) Direito Constitucional; c) Direito Administrativo; d) Direito Previdenciário; e) Direitos Humanos.

Além disso, foram inseridas dicas de Processo do Trabalho na forma de quadrinhos com as principais informações referentes aos Recursos de Revista Repetitivos do TST, que formam precedentes obrigatórios a serem observados nas demais instâncias de julgamento da Justiça do Trabalho.

Ao final do livro, foi incluído capítulo inteiro destinado à revisão geral (Dicas), re-pleto de dicas e quadrinhos de memorização – que constituem importante ferramenta de revisão após a leitura da obra e têm a finalidade de ajudar na fixação da matéria. Em re-sumo, trouxemos as seguintes novidades:

2. Informações técnicas: Para quem usa Android, importante instalar um aplicativo com leitor de QRCodes, que-pode ser o “QR Code Reader”. Você encontrará no seguinte link:

https://play.google.com/store/apps/details?id=me.scan.android.client&hl=pt_BR

Para quem usa IOS (iPhone, iPad), basta instalar um aplicativo com leitor de QRCodes, que pode ser o “QR Code Reader and Scanner”. Você encontrará no seguinte link:

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APRESENTAÇÃO DA OBRA

NOVIDADES DO LIVRO

– Espaço exclusivo destinado às anotações para revisão da matéria pelo leitor; – Vídeos de revisão e dicas disponibilizados aos leitores com acesso via “QR Code”; – Interpretação sistemática do Direito com dicas de diversas disciplinas;

– Dicas dos Recursos de Revistas Repetitivos em trâmite no TST;

– Capítulo de revisão geral ao final do livro, repleto de dicas e quadrinhos de memorização.

Portanto, essas novas técnicas trazidas ao presente livro ajudarão na compreensão e absorção do Direito do Trabalho, facilitando seu estudo para as concorridas fases objetivas da Magistratura do Trabalho, MPT e Advocacia Pública.

Ademais, sugiro dois cursos preparatórios específicos para os concursos de Magistra-tura do Trabalho e MPT.

O primeiro deles, um dos maiores sucessos do País: Curso de Súmulas, OJs e Infor-mativos do TST do CERS on-line. O curso tem como objetivo abordar, de forma mais apro-fundada, as principais Súmulas, OJs e Informativos do TST. São 28 encontros de, aproxi-madamente, 2 horas cada um, divididos da seguinte forma:

a) 14 aulas de Direito do Trabalho, Henrique Correia; e

b) 14 aulas de Processo do Trabalho, lecionadas pelo professor Élisson Miessa. O segundo curso indicado é a disciplina isolada de Direito Coletivo do Trabalho para concurso da Magistratura do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho também do CERS on-line. Esse curso tem o objetivo de aprofundar os conhecimentos dos candidatos na matéria de Direito Coletivo do Trabalho. São 4 encontros de, aproximadamente, 2 horas cada um, ministrados por mim.

Aproveito para indicar os seguintes livros como bibliografia básica para os concur-sos públicos da Magistratura do Trabalho, MPT e Advocacia Pública, separados de acordo com as fases dos concursos.

São indicados para todas as fases dos concursos os seguintes livros:

– Súmulas e Orientações Jurisprudenciais do TST comentadas e separadas por assuntos – Editora Juspodivm. Trata-se de um livro que analisa de forma completa cada uma das súmulas e orientações jurisprudenciais do TST vigente. Lembre-se de que a jurisprudência exerce papel de destaque no Direito do Trabalho e seu conhecimento é essencial para a tão sonhada aprovação no concurso público; – Súmulas, Orientações Jurisprudenciais e Informativos do TST – Organizados

por assunto – Editora Juspodivm. Trata-se de um livro ideal para pesquisa rápida das súmulas e orientações jurisprudenciais do TST, especialmente na reta final de estudos;

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DIREITO DO TRABALHO PARA CONCURSOS PÚBLICOS • Henrique Correia

– Informativos do TST comentados e organizados por assunto – Editora Juspodi-vm. Autores: Raphael Miziara e Roberto Wanderley Braga. É uma obra importante ao seu concurso, pois está sempre atualizado com as discussões mais recentes do TST via Informativos.

Além disso, são indicados para a 1ª fase dos concursos os seguintes livros:

– Revisaço Magistratura do Trabalho – Editora Juspodivm. Possui todas as maté-rias dos últimos editais. Uma ferramenta indispensável para seu concurso de Juiz do Trabalho. O livro é completo:

– Questões comentadas item a item; – Teoria na forma de dicas;

– Jurisprudência (Súmulas e Orientações Jurisprudenciais dos Tribunais Superiores). – Revisaço Ministério Público do Trabalho – Editora Juspodivm. Assim como o

Revisaço Magistratura do Trabalho, oferece abordagem completa dos últimos edi-tais. Uma ferramenta indispensável para seu concurso do MPT.

– Revisaço Direito do Trabalho – Editora Juspodivm.

Por fim, são indicadas para as 2ª e 3ª fases dos concursos as seguintes obras: – Estudos aprofundados do MPT – v.1 e v.2. – Editora Juspodivm. – Estudos Aprofundados Magistratura do Trabalho – Editora Juspodivm.

Tenho certeza de que este livro contribuirá para alcançar o tão sonhado cargo pú-blico. Estou sempre à disposição para receber sugestões e críticas sobre o livro. Como se trata de uma obra “viva”, estamos sempre aprendendo e corrigindo eventuais erros e posicionamentos.

Meus contatos são: www.henriquecorreia.com.br / twitter: @profcorreia.

Setembro / 2016 Henrique Correia

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EDITAL SISTEMATIZADO

(Para facilitar a pesquisa e otimizar seu estudo)

Caro candidato, essa obra foi especialmente redigida para você que pretende obter sucesso nos concursos públicos na área trabalhista, em especial aos cargos Magistratura do Trabalho e MPT – Ministério Público do Trabalho. Aliás, esse livro também poderá ser utilizado para os candidatos que estão se preparando para os concursos da advocacia pú-blica (AGU, Defensoria Púpú-blica da União, Procuradoria dos Municípios etc.).

É importante que você tenha conhecimento de que, para que possa assumir os cargos de Juiz e membro do MPT, deverá comprovar, no ato da posse, os seguintes requisitos específicos, de acordo com os últimos editais publicados:

Magistratura do Trabalho: Possuir, por ocasião da inscrição definitiva, 3 anos de atividade jurídica, exercida após a obtenção do grau de bacharel em Direito; Ressalta-se que os próprios editais já estabelecem o que será aceito como atividade jurídica:

I – Aquela exercida, com exclusividade, por bacharel em Direito; o exercício de cargos, empregos ou funções, inclusive de magistério superior, que exijam a utilização preponde-rante de conhecimento jurídico;

II – O exercício da função de conciliador junto a tribunais judiciais, juizados espe-ciais, varas espeespe-ciais, anexos de juizados especiais ou de varas judiespe-ciais, no mínimo por 16 (dezesseis) horas mensais e durante 1 (um) ano; o exercício da atividade de mediação ou de arbitragem na composição de litígios;

III – O efetivo exercício de advocacia, inclusive voluntária, mediante a participação anual mínima em 5 (cinco) atos privativos de advogado (Lei no 8.906, 4 de julho de 1994,

artigo 1º) em causas ou questões distintas;

IV – A comprovação do tempo de atividade jurídica relativamente a cargos, empregos ou funções não privativos de bacharel em Direito será realizada mediante certidão circuns-tanciada, expedida pelo órgão competente, indicando as respectivas atribuições e a prática reiterada de atos que exijam a utilização preponderante de conhecimento jurídico, cabendo à Comissão do Concurso, em decisão fundamentada, analisar a validade do documento;

V – É vedada, para efeito de comprovação de atividade jurídica, a contagem do estágio acadêmico ou qualquer outra atividade anterior à obtenção do grau de bacharel em Direito. VI – Fica assegurado o cômputo de atividade jurídica decorrente da conclusão, com frequência e aproveitamento, de curso de pós-graduação comprovadamente iniciado antes da entrada em vigor da Resolução nº 75/2009, do Conselho Nacional de Justiça,

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publi-DIREITO DO TRABALHO PARA CONCURSOS PÚBLICOS • Henrique Correia

cada no Diário Oficial da União, Seção I, p. 72-75, e no Diário da Justiça eletrônico nº 80/2009, em 21 de maio de 2009.

Ministério Público do Trabalho: exige-se, até a data da posse, o cumprimento de 3 anos de atividade jurídica exercida exclusivamente após a obtenção do grau de bacharel em Direito.

Nesse sentido, a Resolução nº 108/2013 do CSMPT, que estabelece normas sobre o concurso para ingresso na carreira do Ministério Público do Trabalho, apresenta as hipó-teses em que será considerada a atividade jurídica para o concurso:

I – O efetivo exercício de advocacia, inclusive voluntária, com a participação anual mínima em 5 (cinco) atos privativos de advogado (Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994), em causas ou questões distintas.

II – O exercício de cargo, emprego ou função, inclusive de magistério superior, que exija a utilização preponderante de conhecimentos jurídicos.

III – O exercício de função de conciliador em tribunais judiciais, juizados especiais, varas especiais, anexos de juizados especiais ou de varas judiciais, assim como o exercício de mediação ou de arbitragem na composição de litígios na área jurídica, pelo período mínimo de 16 (dezesseis) horas mensais e durante 01 (um) ano.

IV – A realização de cursos de pós-graduação na área jurídica, ministrados pelas Es-colas do Ministério Público, da Magistratura e da Ordem dos Advogados, bem como os cursos de pós-graduação reconhecidos, autorizados ou supervisionados pelo Ministério da Educação ou pelo órgão competente.

O(a) candidato(a) aos diversos cargos na seara trabalhista, especialmente para Ma-gistratura do Trabalho e MPT, encontrará na presente obra o conteúdo necessário para uma boa preparação ao concurso na área de Direito do Trabalho, especialmente para a fase objetiva. Tomando-se por base os últimos editais dos concursos de Magistratura do Trabalho e MPT, segue um roteiro que o auxiliará em seus estudos.

Bons estudos e sucesso em sua prova! Henrique Correia Setembro de 2016

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PREPARAÇÃO

PARA CONCURSO PÚBLICO

SEGUE UM VÍDEO ABAIXO:

http://editoraj.us/dtrelato

BREVE RELATO DA MINHA EXPERIÊNCIA DURANTE A PREPARAÇÃO PARA O CONCURSO

A decisão de prestar concurso público surgiu em 2001. Após dois anos fazen-do estágio em um escritório de advocacia, decidi que não queria ser advogafazen-do, mas ingressar no serviço público. Coloquei a primeira meta (a primeira de muitas...), que era sair da faculdade já como oficial de justiça ou técnico judiciário. Comecei a fazer curso de português, fator decisivo para aprovação em qualquer concurso público.

O primeiro concurso que prestei foi para Técnico Judiciário do TRT da 15ª Região. Nessa época, era professor de inglês. Trabalhava todos os dias, o dia todo, frequentava o 4º ano da Faculdade de Direito de Franca, SP. Estudava durante os intervalos das aulas de inglês, nos intervalos do curso de Direito e, principalmente, à noite, ao chegar em casa (estudava todos os dias até 1 ou 2 horas da manhã) e nos fins de semana.

Estudei bastante para esse concurso de técnico. Havia, inclusive, matérias estranhas ao curso de Direito, como Matemática. Na minha primeira aprovação, fui classificado em

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DIREITO DO TRABALHO PARA CONCURSOS PÚBLICOS • Henrique Correia

7º lugar, na área de Franca, interior de São Paulo. Não tive muita sorte, pois foram cha-mados 6 candidatos e o concurso prescreveu. E eu fiquei de fora...

Nesse meio-tempo, eu já havia prestado muitos, muitos concursos em diversos locais do país. Verifiquei que estava estudando matérias muito diferentes. Ora estudava para a Polícia Federal, ora estudava para AGU, analista do INSS etc. Decidi focar apenas na área de que mais gostava: carreiras trabalhistas. Comecei, então, a me inscrever apenas para Técnico e Analista do TRT, Auditor-Fiscal do Trabalho, Juiz e Procurador do Trabalho.

De tanto prestar concursos, e em razão dos anos de experiência como professor de inglês, fui convidado por um amigo, hoje Procurador do Trabalho, doutor Élisson Miessa dos Santos, para ministrar aulas de Direito constitucional na Central de Cursos Professor Pimentel, em Ribeirão Preto, SP. Lecionava de manhã e à noite e prestava concursos quase todos os fins de semana, nos mais diferentes estados da Federação. Quando não estava trabalhando ou fazendo provas, estava sempre estudando.

Fiz inúmeros cursinhos preparatórios, participei de grupos de estudo na internet. Só para Juiz do Trabalho, prestei 26 concursos (vinte e seis, isso mesmo).

Fui aprovado no melhor cargo público do país: Ministério Público do Trabalho (MPT). Nesse concurso, eu era um dos mais jovens Procuradores do Trabalho do país. A aprovação veio após longo período de preparação e sacrifícios. Exatamente após 3 anos, 10 meses e 12 dias de estudo depois da graduação.

Além de o salário para Procurador do Trabalho ser muito atrativo, confesso que sou muitíssimo realizado com a atuação do Ministério Público na defesa da sociedade, em es-pecial do trabalhador brasileiro, combatendo as fraudes trabalhistas, promovendo a erra-dicação do trabalho infantil e do trabalho escravo, nas investigações de órgãos públicos que violam o concurso público etc.

Consegui outras aprovações (Técnico Judiciário do TJSP, Analista Judiciário do TRT 3a

Região-MG e Procurador da Infraero), mas não assumi nenhum desses cargos, pois já era bem remunerado no cursinho e tinha decidido que iria ingressar ou na Justiça do Traba-lho, como juiz, ou no MPT.

Constam a seguir algumas dicas de uma preparação consciente. Se eu pudesse voltar atrás, faria tudo novamente. A conquista de um sonho compensa todo o esforço. Lembre--se de que o ingresso via concurso público é o meio mais democrático e transparente de admissão para o trabalho. A inscrição é pública, todos podem concorrer ao cargo. Depen-de apenas do seu esforço.

1. A DECISÃO

Ao decidir prestar concurso público, é imprescindível que o candidato se inscreva em um bom cursinho de português. O conhecimento razoável da norma culta da língua por-tuguesa (ortografia, regência, concordância verbal etc.) e de interpretação de texto não é suficiente para aprovação. Atualmente, exige-se que o candidato tenha profundos conhe-cimentos dessa matéria (acerto próximo de 90% das questões de português).

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DICAS PARA PREPARAÇÃO

ESPECÍFICA AO CARGO DE JUIZ

DO TRABALHO SUBSTITUTO E

PROCURADOR DO TRABALHO (MPT)

SUMÁRIO • 1. Introdução: 1.1. Plano infalível; 1.2. O seu pior inimigo antes e duran-te a preparação; 1.3. Exercícios físicos duranduran-te a preparação para Magistratura e MPT; 1.4. Sono, descanso e lazer – 2. Preparação específica: 2.1. Pergunta clássica: quantas horas de estudo diário são necessárias para aprovação?; 2.2. Planilha e organização de estudos: 2.2.1. Planilha – Dedicação exclusiva aos estudos; 2.2.2. Planilha – Divisão do tempo entre trabalho e estudos; 2.3. Dedicação às matérias dos concursos para Magistratura do Trabalho e MPT; 2.4. Técnica de estudar em grupo – funciona?; 2.5. Grupo de estudo virtual para troca de materiais e questionamentos nas últimas fases do concurso; 2.6. Cursos preparatórios: 2.6.1. Cursos presenciais; 2.6.2. Cursos telepre-senciais e os novos cursos on-line – 3. Cursos e Bibliografia básica para os concursos na área trabalhista – 4. Momento em que o estudante decide desistir do concurso.

SEGUE UM VÍDEO ABAIXO:

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DIREITO DO TRABALHO PARA CONCURSOS PÚBLICOS • Henrique Correia

1. INTRODUÇÃO

Os concursos para os cargos de Juiz do Trabalho Substituto e Procurador do Trabalho (MPT) são alguns dos mais desejados e concorridos do país.

O trabalho realizado pelos membros das Magistraturas do Trabalho e do MPT é fan-tástico do ponto de vista jurídico e social. O Juiz do Trabalho exerce a importante fun-ção de pacificafun-ção das relações sociais trabalhista, especialmente pela compensafun-ção e reparação de danos causados ao trabalhador. Para julgar demandas trabalhistas, os Juízes do Trabalho passam por incrível formação social e, assim, possibilitam visão diferenciada diante do Direito.

Por sua vez, o Procurador do Trabalho exerce a importante função de garantir a plena eficácia do Direito do Trabalho por meio de sua atuação como fiscal e guardião do orde-namento jurídico ou por meio da tutela de direitos indisponíveis do trabalhador, seja por ações coletivas ou principalmente pela utilização de TAC como meio de solução extraju-dicial de conflitos. O Ministério Público como um todo é, sem dúvida, uma das carreiras mais fantásticas e apaixonantes do país.

Portanto, caro(a) candidato(a), amanhã você terá plenas condições de alterar a rea-lidade social na região onde for designado para atuar. Trata-se de funções extremamente importantes para o país!

Além disso, são cargos que possibilitam uma excelente remuneração. O salário inicial para Juiz do Trabalho Substituto e Procurador do Trabalho é de R$ 27.500,17, conforme dados retirados dos últimos concursos1.

Portanto, para enfrentar essa fase prévia de preparação, antes da publicação dos editais, é imprescindível que você monte uma bela organização. Faça um plano mental e o coloque no papel. Assista a vídeos e depoimentos para retirar alguma base daqueles profissionais que já passaram por essa mesma experiência e saíram vitoriosos. Há vários desses vídeos no YouTube, Facebook, sites de concursos etc. Enfim, traçar uma estratégia minimamente organizada é imprescindível.

Seguem algumas dicas/sugestões que considero interessantes.

1.1. Plano infalível

Lembre-se de que estas dicas não são regras ou receitas infalíveis de sucesso. Não foram feitas para convencer ninguém do que é certo ou errado. O candidato ao cargo na área trabalhista que não adotar nenhuma das técnicas ali descritas também tem plenas chances de ser aprovado em qualquer certame do país. Cada ser humano é diferente do outro. A adaptação é a grande estratégia. Essa talvez seja a nossa maior riqueza e que nos fez dominar o mundo sobre os demais animais. Por isso, não acredite em um manual

1. Para maiores informações, acesse o edital do concurso público para Juiz do Trabalho substituto do TRT da 2ª Região lançado em 2016: http://www.trtsp.jus.br/images/Institucional/concursos/magistrados/XLI/Edital--XLI-Concurso-abertura.pdf.

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DICAS PARA PREPARAÇÃO ESPECÍFICA AO CARGO DE JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO E PROCURADOR

estático e único de conduta e preparação. Leia as mais diversas dicas e sugestões dos autores, professores e candidatos aprovados e veja a que mais bem se adapta a você.

O melhor caminho é ser um bom observador. Saiba o que funciona bem ou não com o seu jeito de ser e seu estilo de vida. Gosto bastante da seguinte frase:

“Não há só um método para estudar as coisas.” (Aristóteles)

1.2. O seu pior inimigo antes e durante a preparação

Nunca pensei que eu fosse ser membro do Ministério Público. Jamais pensei que teria um livro publicado. O meu sonho na época da faculdade era, um dia, alcançar o cargo de Oficial de Justiça do TJSP. Se eu contar para alguém, pode ser que a pessoa não acredi-te, mas por uns 3 anos, durante a graduação, eu pensava nesse sonho 24 horas por dia, de forma compulsiva. Os concursos de AFT, Magistratura e do MP eram para os gênios, os melhores alunos da classe. Eu, por outro lado, sempre pegava recuperação no final do ano e carreguei algumas dependências no segundo e terceiro anos da faculdade...

Como na época o concurso para Oficial de Justiça demorou muito para sair, passei a estudar também para Analista do TRT. Com isso, memorizei a legislação seca. Alguns amigos me chamaram para prestar um concurso da Magistratura do TRT da 3ª Região/MG e eu decidi arriscar. Foi a grande sorte da minha vida. Passei na primeira fase (objetiva) e ganhei confiança. A partir daí achei que um dia seria capaz de passar no concurso de AFT, Juiz ou Procurador do Trabalho.

Em todos os cursinhos por que eu passei, sempre me achava o mais inferior dos alu-nos. As minhas perguntas eram as mais medíocres. Eu até evitava fazê-las.

Enfim, fui prestando concursos. Não queria viver com salário de professor nem ser advogado. Tinha essas duas convicções. E... acabou dando certo.

Disse tudo isso porque, se eu tivesse acreditado mais no meu potencial desde o início e tivesse tido mais autoconfiança, com toda certeza teria passado muito mais rápido. No início da preparação, por exemplo, respondia às perguntas dissertativas da 2ª fase achando que o examinador ia rir ao ler minhas respostas... Veja como isso é muito improdutivo.

Tive um estagiário no MPT, recentemente, que era simplesmente brilhante. Redigia de forma impecável. Um raciocínio jurídico fantástico. Mas dizia que nunca prestaria o con-curso para AFT, magistratura ou MPT porque não tinha condições de passar.

Enfim, você deve sempre acreditar no seu potencial. O que diferencia um candidato do outro é a organização e a determinação. Nada mais.

Acredite que você pode, assim você já está no meio do caminho. (Theodore Roosevelt)

1.3. Exercícios físicos durante a preparação para Magistratura e MPT

Temos uma obsessão durante a preparação para concursos públicos: não gastar tempo com nada e ninguém, exceto com os estudos, as viagens e as provas. Talvez esse seja um acerto inicial, mas um grande erro de estratégia no final.

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Capítulo I

INTRODUÇÃO AO

DIREITO DO TRABALHO

SUMÁRIO • 1. introdução: 1.1. Fontes materiais; 1.2. Fontes formais: 1.2.1. Fontes formais autônomas; 1.2.2. Fontes formais heterônomas; 1.2.3. Hierarquia das fontes formais; 1.2.4. Conflito entre fontes formais – 2. Interpretação do Direito do Trabalho – 3. Integração – 4. Eficácia das normas trabalhistas: 4.1. Introdução – 4.2. Eficácia temporal das normas trabalhistas – 4.3. Eficácia espacial das normas trabalhistas – 5. Súmulas e orientações jurisprudenciais do TST – 6. Legislação relacionada ao capítu-lo – 7. Questões Fundamentadas – Gabarito – 8. Meu resumo para memorização do Capítulo I: 8.1. Quais os principais pontos que eu aprendi ao longo do capítulo que considero importantes?.

1. INTRODUÇÃO

A fonte do direito do trabalho é o meio pelo qual nasce a norma jurídica. Algumas fontes são obrigatórias, ou seja, os membros da sociedade devem respeitá-las (são normas cogentes e imperativas). Outras fontes, porém, atuam como fase preliminar das normas obrigatórias: são os movimentos sociais.

Podem-se dividir as fontes em fontes materiais e fontes formais.

1.1. Fontes materiais

São fatores ou acontecimentos sociais, políticos, econômicos e filosóficos que inspiram o legislador (deputados e senadores) na elaboração das leis. Esses movimentos influen-ciam diretamente o surgimento ou a modificação das leis. Exemplo: as constantes reivin-dicações dos trabalhadores por mais direitos trabalhistas. Essas reivinreivin-dicações também ocorrem por parte dos empregadores, na forma de pressões das empresas para reduzir ou flexibilizar os direitos trabalhistas.

Nas conjunturas econômica e social atuais, podem-se citar como exemplos de fontes materiais: a) a mobilização dos sindicatos e centrais sindicais para reduzir o limite da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais; b) a reivindicação dos homens, mari-dos e companheiros de gestantes, para que eles adquiram o direito à estabilidade duran-te o período da gestação; c) no campo empresarial, a forduran-te pressão, sobretudo em razão

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DIREITO DO TRABALHO PARA CONCURSOS PÚBLICOS • Henrique Correia

da crise mundial, para reduzir o rigor das leis trabalhistas e as constantes reivindicações para flexibilizar1 os direitos trabalhistas.

Note-se que em todos esses exemplos não há obrigatoriedade, mas sim uma pressão das classes sociais (empregados e empregadores) sobre o Congresso Nacional, com o ob-jetivo de alterar a legislação.

A fonte material (movimento de grupos sociais) é, portanto, uma fase prévia ao sur-gimento das fontes formais.

1.2. Fontes formais

São a exteriorização das normas jurídicas, ou seja, as fontes formais são normas de observância obrigatória pela sociedade. Todos devem cumpri-las, pois são imperativas. Exemplo: convenção, acordo coletivo e leis.

As fontes formais podem ser elaboradas pelo Estado ou pelos próprios destinatários da norma, sem a participação do Estado. São divididas em fontes formais autônomas e fontes formais heterônomas.

1.2.1. Fontes formais autônomas

São discutidas e confeccionadas pelas partes diretamente interessadas pela norma2.

Há, portanto, a vontade expressa das partes em criar essas normas. Exemplo: determinada negociação coletiva entre sindicato e empresa resulta em um acordo coletivo. Esse acordo coletivo, elaborado pelas partes interessadas, terá força obrigatória para trabalhadores e empresa, como o dever da empresa de fornecer uma cesta básica, ou ainda a necessidade de esses trabalhadores usarem uniformes e equipamentos de proteção.

São espécies de fontes formais autônomas:

– Convenção coletiva (art. 611 da CLT): acordo entre sindicato profissional (tra-balhadores) e sindicato da categoria econômica (empregadores).

– Acordo coletivo3 (art. 611, § 1º, da CLT): acordo entre empresa e sindicato

re-presentante da categoria profissional.

– Costume: prática reiterada de uma conduta numa dada região ou empresa. Exem-plo: ocorre com o pagamento de gorjetas e, ainda, há previsão expressa do cos-tume no art. 460 da CLT.

1. Flexibilização é o fenômeno de alteração do direito legislado pelo negociado, ou seja, diminuição do rigor da lei trabalhista para adequar o contrato de trabalho, via negociação coletiva, às realidades vividas pela empresa. Há um clamor, frequente, dos empresários para a reforma da legislação trabalhista.

2. O tema das fontes formais autônomas foi exigido no concurso para Juiz do Trabalho Substituto do TRT da 1ª Região realizado em 2014.

3. Contrato coletivo de trabalho seria um terceiro instituto ao lado do acordo e da convenção coletiva, mas não é aplicado no Brasil. Essa terminologia, contrato coletivo, está prevista na CLT. Entretanto, os instrumentos da negociação coletiva são apenas o acordo coletivo e a convenção coletiva.

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Capítulo I • INTRODUÇÃO AO DIREITO DO TRABALHO

Há discussão, na doutrina, acerca do regulamento de empresa4 como fonte formal. Regulamento de empresa é o conjunto de regras elaboradas pelo empregador para mais bem organizar a empresa5. Será considerado fonte formal se as regras formuladas pelo

empregador forem de caráter geral e impessoal, como concessão de prêmios para traba-lhadores que atingirem certas metas, fixação de horários e utilização de EPIs ou, ainda, plano de cargos e salários etc.

Por fim, importante fornecer uma informação relativa ao processo do trabalho. Os acor-dos, convenções e regulamentos de empresa não poderão ser utilizados para fundamentar ação rescisória, pois não são equiparados à lei, conforme posicionamento do TST:

OJ nº 25 da SDI – II, do TST. Ação rescisória. Expressão “Lei” do art. 485, V, do CPC. Não inclusão do ACT, CCT, portaria, regulamento, súmula e orientação jurisprudencial de tribunal (nova redação em decorrência da incorporação da Orientação Jurisprudencial nº 118 da SBDI-II).

Não procede pedido de rescisão fundado no art. 485, V, do CPC quando se aponta contrariedade à norma de convenção coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho, portaria do Poder Executivo, regulamento de empresa e súmula ou orientação jurisprudencial de tribunal

1.2.2. Fontes formais heterônomas

Nas fontes heterônomas não há participação direta dos destinatários, ou seja, essas fontes possuem origem estatal (Legislativo, Executivo ou Judiciário).

São espécies de fontes formais heterônomas:

a) Constituição Federal. É a lei fundamental e suprema, que estabelece o funcio-namento do Estado (organização dos Poderes, distribuição das competências e direitos e garantias individuais).

b) Tratados e convenções internacionais. Para que essas normas de direi-to internacional tenham vigência no ordenamendirei-to jurídico brasileiro, deve-rão ser previamente aprovadas pelo Congresso Nacional, conforme preveem

4. O regulamento de empresa não é reconhecido, por alguns autores, como fonte formal do direito do traba-lho, sob o argumento de que é elaborado de forma unilateral pelo empregador. Entretanto, se a questão do concurso previr que o regulamento da empresa atinge a todos os trabalhadores, de forma impessoal e genérica ou, ainda, que há a participação dos empregados na elaboração do regulamento, será fonte formal autônoma. De qualquer forma, a questão é polêmica, por isso não deveria ser exigida em questões objetivas (testes). Caberá recurso seja qual for o resultado dado pela organizadora do concurso. Para fundamentação do recurso, no sentido de afirmar regulamento como fonte formal, podem-se indicar os autores: Alice Monteiro de Barros; Sérgio Pinto Martins; Gustavo Felipe Barbosa Garcia; Carlos Zangrando e Amauri Mascaro do Nascimento.

5. Súmula nº 51 do TST. I – As cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas

ante-riormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. II – Haven-do a coexistência de Haven-dois regulamentos da empresa, a opção Haven-do empregaHaven-do por um deles tem efeito jurídico de renúncia às regras do sistema do outro.

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DIREITO DO TRABALHO PARA CONCURSOS PÚBLICOS • Henrique Correia

o art. 5º, § 3º, e o art. 49, I, ambos da CF/88. As Convenções da OIT ratificadas pelo Brasil são tratados internacionais de grande importância para o Direito do Trabalho, tendo em vista que são fontes formais heterônomas, de observância obrigatória. Sobre o tema, segue interesse dica de Direitos Humanos:

DICA DE DIREITOS HUMANOS

– Convenções e Recomendações da OIT: são as duas principais modalidades de normas editadas no âmbito da OIT, ambas gestadas e aprovadas sempre com respeito ao tripartismo (participação ativa e deliberativa de Estados e repre-sentantes de trabalhadores e de empregadores).

Distinção: as convenções são tratados internacionais legalmente vinculantes que podem ser ratificados pelos Estados membros; já as recomendações atuam como diretrizes não vinculativas. Em muitos casos, a convenção estabelece os princípios básicos que devem ser aplicados pelos países que a ratificam, en-quanto uma recomendação relacionada complementa a convenção, fornecendo orientações mais detalhadas sobre a sua implementação. Recomendações tam-bém podem ser autônomas, ou seja, não relacionadas a qualquer convenção. – A OIT conta com cerca de duas centenas de convenções e de recomendações

acerca dos mais variados temas, mas oito delas foram classificadas pela pró-pria Organização como “Convenções Fundamentais”: Convenção n.º 29. Tra-balho Forçado ou Obrigatório, de 1930; Convenção n.º 87. Liberdade Sindical e Proteção ao Direito de Sindicalização, de 1948; Convenção n.º 98. Direito de Sindicalização e de Negociação Coletiva, de 1949; Convenção n.º 100. Igualdade de Remuneração de Homens e Mulheres Trabalhadores por Trabalho de Igual Valor, de 1951; Convenção n.º 105. Abolição do Trabalho Forçado, de 1957; Convenção n.º 111. Discriminação em Matéria de Emprego e Ocu-pação, de 1958; Convenção n.º 138. Idade Mínima para Admissão, de 1973; Convenção n.º 182. Proibição das Piores Formas de Trabalho Infantil e Ação Imediata para sua Eliminação, de 1999.

– Dentre as “Convenções Fundamentais” da OIT, o Brasil não adota apenas a Convenção n.º 87. Liberdade Sindical e Proteção ao Direito de Sindicaliza-ção, de 1948.

(Para mais informações sobre o assunto, indicamos a leitura do livro de Direitos

Humanos, 3ª Edição/2016, dessa mesma Coleção Concursos Públicos, do Autor, Silvio Beltramelli Neto).

c) Leis. São elaboradas pelo Poder Legislativo. As leis trabalhistas são elaboradas pelo Congresso Nacional, art. 22, I, da CF/88.

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Capítulo I • INTRODUÇÃO AO DIREITO DO TRABALHO

d) Medida provisória. Ato editado pelo Poder Executivo – Presidente de República – com força de lei, expedido em situações de relevância e urgência, conforme previsto no art. 59 e no art. 62, ambos da CF/88.

e) Decretos. São atos do Poder Executivo para regulamentar (“explicar”) as leis, conforme previsto no art. 84, IV, da CF/88. Esses atos não poderão inovar, ou seja, alterar o texto aprovado pelo legislativo.

f) Sentenças normativas. Por meio da sentença normativa, os tribunais colocam fim ao conflito coletivo, criando novas condições de trabalho. É o chamado Poder Normativo6 da Justiça do Trabalho. Nesse caso, apesar de a sentença

normativa ser ato emanado pelo Poder Judiciário, apresenta caráter normativo, uma vez que cria normas gerais, abstratas e impessoais aplicáveis às relações de emprego das categorias envolvidas no dissídio. Exemplo: inicia-se a greve dos motoristas de ônibus de Belo Horizonte. Sindicato e empresa não chegam a um acordo sobre reajuste salarial, jornada, plano de cargos e salários. Ins-taura-se, portanto, dissídio coletivo para que o Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região/MG solucione o impasse, criando novas condições de trabalho a todos os empregados da categoria profissional. O prazo de vigência dessa de-cisão é de, no máximo, 4 anos (art. 868, parágrafo único, da CLT).

g) Súmula vinculante. Posicionamento majoritário do Supremo Tribunal Federal para dar segurança jurídica a questões polêmicas (art. 103-A da CF/88). Essas súmulas têm efeito vinculante, ou seja, os demais juízes não poderão decidir de forma contrária a essas decisões sumuladas. Exemplo: Súmula Vinculante nº 4 do STF, que veda a vinculação do salário mínimo como base de cálculo ao adicional de insalubridade.

Importante frisar que tanto as fontes formais autônomas quanto as heterônomas pos-suem força obrigatória, diferentemente das fontes materiais, que tratam apenas de reivin-dicações dos trabalhadores e empregadores.

1.2.3. Hierarquia das fontes formais

Nos demais ramos do direito (direito constitucional, direito administrativo etc.) há uma rígida hierarquia das fontes formais (CF prevalece sobre as leis; leis são superiores aos decretos etc.). No Direito do Trabalho, por força do princípio da norma mais favorá-vel, aplica-se a fonte mais favorável aos trabalhadores.

Dessa forma, se a Constituição Federal entrar em conflito com um acordo coletivo, prevalecerá o acordo se este for mais benéfico ao trabalhador. Exemplo: a Constituição Federal prevê férias anuais acrescidas de Ы. Se houver um acordo coletivo que institua

6. Súmula nº 277 do TST. Convenção coletiva de trabalho ou acordo coletivo de trabalho. Eficácia. Ultrativi-dade. As cláusulas normativas dos acordos coletivos ou convenções coletivas integram os contratos individuais

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DIREITO DO TRABALHO PARA CONCURSOS PÚBLICOS • Henrique Correia

adicional de férias de 100% do salário, prevalecerá o acordo sobre a Constituição Federal, pois ele é mais benéfico ao trabalhador.

1.2.4. Conflito entre fontes formais

Ocorre, com frequência, o conflito entre fontes formais do direito. Exemplo: um acor-do coletivo que prevê adicional de férias mais elevaacor-do acor-do que o previsto na CLT e uma convenção coletiva prevendo décimo quarto salário, mas é prejudicial no tocante às fé-rias. Nesse caso, qual dessas fontes o intérprete deverá aplicar? A resposta dependerá da teoria adotada.

A teoria do conglobamento defende a aplicação de apenas uma fonte em sua tota-lidade. Assim sendo, o intérprete deverá analisá-la no conjunto. Se o acordo coletivo for o mais favorável ao trabalhador, será aplicado como um todo. Essa teoria é a majoritária na jurisprudência e doutrina7.

A teoria da acumulação, por sua vez, é no sentido de que o intérprete deverá aplicar todas as fontes no caso concreto, utilizando-se ao mesmo tempo dos artigos e cláusulas que são favoráveis ao trabalhador, desprezando os dispositivos desfavoráveis. A aplicação dessa teoria onera o empregador e fragmenta o sistema jurídico. É, portanto, a teoria minoritária.

A Teoria do Conglobamento mitigado, por fim, estabelece a aplicação de normas que estejam agrupadas em um determinado instituto jurídico. Dessa forma, a análise não ocorrerá atomisticamente tal como prevê a teoria da acumulação ou sobre todo o instru-mento coletivo como a teoria do conglobainstru-mento. A verificação da norma mais favorável ocorre sobre um conjunto de normas de determinado assunto8. Por exemplo: compara-se

todas as normas sobre remuneração presentes em um acordo coletivo com o mesmo con-junto de normas de uma convenção coletiva. As regras mais benéficas sobre esse assunto específico (remuneração) são aquelas que deverão ser aplicadas ao caso concreto. Con-tudo, essa teoria também recebe críticas. De acordo com Sérgio Pinto Martins9, a

análi-se de instituto por instituto também deve análi-ser considerada como teoria da acumulação, uma vez que o conglobamento exige a verificação do conjunto da norma para se aferir o que é mais favorável. Para o autor, a convenção coletiva é realizada em equilíbrio, pois ao mesmo tempo em que se confere uma condição, negocia-se outra menos benéfica. Se selecionarmos instituto por instituto, ora da convecção coletiva, ora do acordo coletivo, ocorrerá desequilíbrio em relação ao que foi negociado pelos entes sindicais.

7. “A teoria do conglobamento é certamente a mais adequada à operacionalização do critério hierárquico norma-tivo preponderante no direito do Trabalho. A seu favor tem a virtude de não incorporar as apontadas distor-ções da teoria da acumulação, além de ser a única teoria a harmonizar a flexibilidade do critério hierárquico justrabalhista com a essencial noção de sistema inerente à ideia de Direito – e de ciência.” DELGADO, Maurício Godinho. Curso do Direito do Trabalho. 7. ed. São Paulo: LTr, 2008. p. 183.

8. CASSAR, Vólia Bomfim. Direito do Trabalho. 8. ed. São Paulo: Método, 2013. p. 95. 9. MARTINS, Sérgio Pinto. Comentários à CLT. 19. ed. São Paulo: Atlas, 2015. p. 713-714.

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Capítulo I • INTRODUÇÃO AO DIREITO DO TRABALHO

Fontes

Materiais

Formais (Obrigatórias)

– Hierarquia das fontes formais: prevalece a norma mais favorável hƤ #çágHPçƤC@OƤ

fontes formais

Autônomas

Heterônomas

– não são obrigatórias

– fase prévia ao surgimento das normas

hƤ E@PçNDOƤOçBH@HO ƤDBçáġKHBçOƤMQDƤHágQDáBH@KƤ@ƤDJ@AçN@ŒĖçƤC@OƤ áçNK@OƤNDHâHáCHB@ŒĖçƤCçOƤPN@A@JG@CçNDOƤDƤC@OƤDKLNDO@O

– elaborada pelas partes interessadas hƤ %SDKLJçOƤ@BçNCçƤDƤBçáâDáŒĖçƤBçJDPHâ@ – origem estatal

– Exemplos: CF, leis e decretos

– Teoria do conglobamento – 3DçNH@ƤC@Ƥ@BQKQJ@ŒĖç

2. INTERPRETAÇÃO DO DIREITO DO TRABALHO

Interpretar é encontrar o real significado de um texto, de uma lei etc. O processo de interpretação é extremamente importante ao ordenamento jurídico, uma vez que busca o significado e o alcance de determinada norma jurídica. Destaca-se que esse processo é realizado por todos aqueles que lidam com o direito.

Os métodos de interpretação desenvolvidos pela hermenêutica jurídica, ciência do Direito responsável por trazer o conjunto de teorias, princípios e meios de interpretação da norma jurídica10, são fundamentais para auxiliar o intérprete a alcançar o sentido de

determinado dispositivo legal. Os principais métodos de interpretação11 são:

a) Método gramatical ou literal: De acordo com esse método, a interpretação é realizada no texto da norma, pela busca do significado de cada palavra e de sua organização na frase. Assim, o que se procura é a utilização de recursos gramati-cais para o alcance do sentido da norma jurídica. Utilizar apenas a interpretação literal do texto não é o método mais recomendado. Entretanto, algumas normas jurídicas não exigem grande esforço interpretativo. Por exemplo, no texto cons-titucional a seguir, há expressa vedação ao trabalho do adolescente, sem margem para outra interpretação:

Art. 7º, XXXIII, CF/88 – proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos;

10. GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de Direito do Trabalho. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013. p. 69. 11. O tema foi abordado no concurso para Juiz do Trabalho Substituto do TRT da 15ª Região, realizado em 2013.

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DIREITO DO TRABALHO PARA CONCURSOS PÚBLICOS • Henrique Correia

b) Método lógico ou racional: A interpretação lógica ou racional exige do intér-prete a utilização de regras de lógica para que haja coerência no dispositivo normativo. É possível mencionar como exemplo de interpretação lógica a exten-são aos homens da proibição de revistas íntimas das mulheres prevista no art. 373-A, VI, da CLT12, uma vez que, diante da igualdade em direitos e obrigações

entre homens e mulheres prevista no art. 5º da CF/88, é lógico e coerente que a proibição também seja estendida aos homens13.

c) Método sistemático: Pela aplicação desse método, a norma jurídica deve sem-pre ser intersem-pretada considerando o ordenamento jurídico em que está inserida. No âmbito do Direito do Trabalho, consiste na prevalência do intervencionismo decorrente da necessidade de proteção do trabalhador em oposição à autonomia da vontade14. Assim, por exemplo, a própria CLT possibilita a comunicação de

seus dispositivos com outros ramos do direito, conforme prevê o art. 8º da CLT15.

No mesmo sentido, o art. 19 da Lei Complementar nº 150/201516 (“Nova Lei dos

Domésticos”) estabelece a utilização da CLT como fonte subsidiária ao contrato de trabalho doméstico, e assim permite a interpretação dos artigos dessa legis-lação especial em conjunto com a CLT.

d) Método teleológico: Exige-se do intérprete a busca constante da finalidade da norma, ou seja, a interpretação deve buscar garantir o objeto para o qual a lei foi criada. Desse modo, no âmbito do Direito do Trabalho, ao confeccionar a norma o legislador teve como objetivo proteger a parte mais fraca da relação, portanto, ao interpretá-la, deve-se levar em conta essa visão protetiva.

e) Método histórico: Consiste na análise histórica, social e cultural do momento de surgimento da lei para que seja possível alcançar o melhor significado para a norma analisada. Além disso, por meio da análise de contexto do surgimento da legislação, possibilita ao intérprete verificar se as causas que deram origem à norma já foram ultrapassadas com a evolução da sociedade. Nesse sentido, tendo em vista que a CLT foi produzida na década de 1940, alguns de seus dispositivos já se encontram ultrapassados devido às constantes transformações sociais. Por exemplo, os artigos 84 a 86 da CLT referentes ao estabelecimento de salário

mí-12. Art. 373-A, CLT: Ressalvadas as disposições legais destinadas a corrigir as distorções que afetam o acesso da mulher ao mercado de trabalho e certas especificidades estabelecidas nos acordos trabalhistas, é vedado: (...) VI – proceder o empregador ou preposto a revistas íntimas nas empregadas ou funcionárias.

13. BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. 5. ed. São Paulo: LTr, 2009. p. 135. 14. BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. 5. ed. São Paulo: LTr, 2009. p. 143.

15. Art. 8º da CLT. “As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência, por analogia, por equidade e outros princípios e normas gerais de direito, principalmente do Direito do Trabalho, e ainda de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse público.”

16. Art. 19, LC nº 150/2015: “Observadas as peculiaridades do trabalho doméstico, a ele também se aplicam as Leis nº 605, de 5 de janeiro de 1949, no 4.090, de 13 de julho de 1962, no 4.749, de 12 de agosto de 1965, e no

7.418, de 16 de dezembro de 1985, e, subsidiariamente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943.”

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Capítulo I • INTRODUÇÃO AO DIREITO DO TRABALHO

nimo regional já se encontram ultrapassados diante da previsão de salário mínimo nacional e unificado, ou ainda a não recepção no ordenamento jurídico do art. 544, que prevê condições preferenciais aos sindicalizados, que fere o princípio da liberdade de associação sindical prevista no art. 8º da CF/88.

Além dos métodos apresentados acima, existem outras formas de dividir a interpre-tação jurídica quanto ao alcance do resultado da interpreinterpre-tação e de acordo com o órgão que realizou a interpretação:

a) Interpretação extensiva: A interpretação extensiva consiste em analisar a nor-ma em sentido nor-mais amplo do aquele contido na literalidade da legislação. Essa modalidade de interpretação é utilizada quando a “lei quis mais do que disse”17. b) Interpretação restritiva: Trata-se da interpretação do dispositivo legal de forma

menos ampla do que o contido no texto da lei. Nesse sentido, diz-se que a “lei quis menos do que disse”18.

c) Interpretação declarativa: Nessa modalidade de interpretação, o sentido da norma corresponde exatamente ao seu texto, não havendo necessidade de interpretação além ou aquém do próprio texto legal.

d) Interpretação autêntica: Compreende a interpretação da norma pelo próprio órgão que a emanou. Assim, se a norma for produzida pelo legislador federal, a interpretação será considerada autêntica se realizada pelos próprios deputados e senadores que confeccionaram a norma.

e) Interpretação jurisprudencial: Trata-se da interpretação realizada pelos tribunais ao estabelecer determinado sentido ao texto da lei para aplicá-lo a determinado caso concreto. Esse método de interpretação é muito utilizado na área trabalhis-ta, via Súmulas, OJs e Informativos do TST.

f) Interpretação doutrinária: É a interpretação realizada por pesquisadores e es-tudiosos do Direito que visam auxiliar a compreensão do significado da norma jurídica, de forma que facilite sua aplicação.

3. INTEGRAÇÃO

f Art. 8º, CLT

Diante da complexidade da sociedade contemporânea e de suas constantes mudanças, o legislador (deputados e senadores) não possui condições de prever todos os aconte-cimentos sociais e editar lei específica para todos os eventos que venham a ocorrer na sociedade. A fim de evitar que o conflito fique sem solução, surge a importante tarefa dos juristas de integrar o ordenamento jurídico. Portanto, integrar significa completar as lacunas deixadas pelo legislador.

17. BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. 5. ed. São Paulo: LTr, 2009. p. 143. 18. BARROS, Alice Monteiro de. Curso de Direito do Trabalho. 5. ed. São Paulo: LTr, 2009. p. 143.

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DIREITO DO TRABALHO PARA CONCURSOS PÚBLICOS • Henrique Correia

Nesse sentido, duas importantes técnicas de integração são utilizadas para suprimir eventual lacuna na lei: a analogia e a equidade. A analogia ocorre quando uma lei seme-lhante é utilizada para regular o caso em que não há lei específica. Exemplo: o art. 72 da CLT prevê um intervalo de 10 minutos a cada 90 minutos de trabalho consecutivo para os serviços de mecanografia. O Tribunal Superior do Trabalho aplicou, por analogia, esse intervalo de 10 minutos aos digitadores:

Súmula nº 346 do TST: Os digitadores, por aplicação analógica do art. 72 da CLT, equiparam-se aos trabalhadores nos serviços de mecanografia (dati-lografia, escrituração ou cálculo), razão pela qual têm direito a intervalos de descanso de 10 (dez) minutos a cada 90 (noventa) de trabalho consecutivo.

Por sua vez, a equidade deve ser entendida como a justiça aplicada com bom senso, com razoabilidade. Nesse caso, permite-se a criação de norma jurídica ao caso concreto pautada por critérios de justiça sem que haja nenhuma previsão legal a respeito19.

Se houver um caso ainda não previsto em lei, o juiz estará obrigado a julgá-lo, pois a função do magistrado é pacificar os conflitos, mesmo não existindo lei específica para aquele caso. O juiz utilizará, como forma de preencher a lacuna deixada pelo legislador, a analogia e a equidade. A CLT possui disposição específica para tratar da integração:

Art. 8º da CLT. As autoridades administrativas e a Justiça do Trabalho, na falta de disposições legais ou contratuais, decidirão, conforme o caso, pela jurisprudência20, por analogia, por equidade e outros princípios e normas

gerais de direito, principalmente do Direito do Trabalho, e ainda de acordo com os usos e costumes, o direito comparado, mas sempre de maneira que nenhum interesse de classe ou particular prevaleça sobre o interesse públi-co. (grifos acrescidos)

Vale ressaltar que os princípios gerais de direito apresentam extrema importância no preenchimento das lacunas do ordenamento jurídico. De acordo com o Ministro Maurício Godinho Delgado21, os princípios exercem função normativa concorrente. Nesse sentido, o

autor sustenta que os princípios devem ser compreendidos como comandos jurídicos insti-gadores, uma vez exercem função normativa em conjunto com o restante das normas jurí-dicas e não se contrapondo a elas. Diante da sua complexidade e relevância, os princípios serão abordados de forma separada no próximo capítulo dessa obra.

Os costumes compreendem a prática reiterada de uma conduta em dada região ou empresa, por exemplo, o costume em determinada atividade de pagar gorjetas. Assim, na

19. GARCIA, Gustavo Filipe Barbosa. Curso de Direito do Trabalho. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013. p. 71. 20. Jurisprudência é a decisão reiterada no mesmo sentido sobre a mesma matéria. Discute-se acerca da

jurispru-dência como fonte formal do direito e prevalece na doutrina e na jurisprujurispru-dência apenas como forma de inter-pretação do direito. Entretanto, para as provas objetivas, exige-se o conhecimento do texto da lei, portanto indica-se a memorização nos exatos termos do art. 8º da CLT.

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Capítulo I • INTRODUÇÃO AO DIREITO DO TRABALHO

ausência de dispositivo legal a respeito de determinado assunto e desde que não contra-rie a Constituição Federal ou outra legislação, permite-se a utilização dos costumes para suprir a lacuna da lei trabalhista.

Além disso, a CLT traz como fonte de integração do Direito do Trabalho a possibilida-de possibilida-de utilização do Direito Comparado, que possibilida-deve ser compreendido como o confronto das leis de diversos Estados em diversos momentos históricos para estabelecer diferenças e semelhanças entre ordens jurídicas. Assim, se verificada determinada lacuna no ordenamen-to brasileiro, é possível supri-la pela análise de outros ordenamenordenamen-tos quando for possível encontrar uma tendência para a solução de determinado assunto.

Por fim, deve-se ressaltar o papel da jurisprudência como norma de integração. Na ausência de lei, o interprete poderá utilizá-la como norma? Há duas correntes so-bre o tema. A primeira delas, tradicional e majoritária, defende que não, pois as de-cisões reiteradas dos Tribunais não têm força normativa. Servem apenas como meio de interpretação. Aliás, a OJ nº 25 da SDI – II, do TST22, leva a essa interpretação.

A segunda corrente é no sentido de que, com base no do artigo 8º da CLT, há possi-bilidade de utilização como norma. Aliás, na prática trabalhista, os juízes utilizam-se das súmulas e OJs do TST como forma de suprir as diversas lacunas deixadas pela CLT, que há anos necessita de uma atualização por completo. Nessa mesma linha, da juris-prudência como norma jurídica, prevê o art. 966, V, do NCPC. Nesse novo dispositivo legal, as súmulas e OJs do TST passam a fundamentar o pedido de ação rescisória, por contrariedade à norma jurídica23.

4. EFICÁCIA DAS NORMAS TRABALHISTAS 4.1. Introdução

A norma vigente é aquela confeccionada pelo órgão competente (Poder Legislativo), desde que tenha respeitado os procedimentos legais vigentes. A norma eficaz é aquela apta a ser aplicada. A eficácia das normas trabalhistas é dividida em: territorial, tempo-ral e, por fim, espacial.

A eficácia territorial da norma trabalhista consiste na sua aplicação em todo o territó-rio nacional. É competência privativa da União legislar sobre direito do trabalho, conforme

22. OJ nº 25 da SDI – II, do TST. Ação Rescisória. Expressão “lei” do art. 485, V, do CPC. Não inclusão do

ACT, CCT, portaria, regulamento, súmula e orientação jurisprudencial de tribunal (nova redação em decorrência da incorporação da Orientação Jurisprudencial nº 118 da SBDI-II) – DJ 22.08.2005. Não

procede pedido de rescisão fundado no art. 485, V, do CPC quando se aponta contrariedade à norma de convenção coletiva de trabalho, acordo coletivo de trabalho, portaria do Poder Executivo, regulamento de empresa e súmula ou orientação jurisprudencial de tribunal. (ex-OJ 25 da SDI-2, inserida em 20.09.00; e ex-OJ 118 da SDI-2, DJ 11.08.03)

23. O novo modelo processual previsto no NCPC, aplicado subsidiariamente ao processo do trabalho, valoriza os precedentes judiciais como normas jurídicas, aproximando o sistema processual brasileiro do sistema do common law. Nesse contexto, passa a considerar os precedentes como fonte de direito, tornando-os obrigatórios.

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DIREITO DO TRABALHO PARA CONCURSOS PÚBLICOS • Henrique Correia

previsto no art. 22, I, da CF/88. Excepcionalmente, os estados poderão legislar sobre di-reito do trabalho, desde que haja Lei Complementar autorizando tal delegação legislativa, como previsto na LC/103-2000, que autorizou os estados a fixar o piso salarial estadual, a ser fixado de acordo com a extensão e a complexidade do trabalho.

As eficácias temporal e espacial serão tratadas a seguir.

4.2. Eficácia temporal das normas trabalhistas

f Art. 5º, XXXVI, CF/88 f Súmula nº 441 do TST

f Orientação Jurisprudencial nº 362 da SDI-I do TST

Ao se estudar a eficácia temporal, deve-se verificar em que momento a norma entra em vigor. Aplica-se, portanto, a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro24.

As normas trabalhistas, por se tratarem de normas de ordem pública, têm apli-cação imediata aos contratos, incidindo o Princípio da Apliapli-cação Imediata (art. 912 da CLT25). Assim sendo, se alterado o valor do adicional de horas extras de 50% para

100% sobre o valor da hora normal, a aplicação será imediata em todos os contratos de trabalho em vigor.

Importante destacar que, em regra, a norma trabalhista não retroage, respeitando-se, portanto, outro princípio, o da irretroatividade das normas, art. 5º, XXXVI, CF/88. Esse é o posicionamento do TST sobre a aplicação do aviso-prévio proporcional recentemente regulamentado pela Lei nº 12.506/2011:

Súmula nº 441 do TST: O direito ao aviso-prévio proporcional ao tempo de serviço somente é assegurado nas rescisões de contrato de trabalho ocorridas a partir da publicação da Lei nº 12.506, em 13 de outubro de 2011.

Entretanto, há posicionamento minoritário, que defende a retroatividade da norma para beneficiar o empregado, ou seja, a “retroatividade trabalhista benigna”26.

Nesse sentido é a Orientação Jurisprudencial nº 362 da SDI – I do TST, ao prever a possibilidade de uma lei a ser aplicada a casos pretéritos. Essa orientação estendeu a

24. A lei entra em vigor 45 dias após a data de sua publicação no Diário Oficial, salvo expressa disposição em sentido contrário, conforme previsto no art. 1º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. 25. Art. 912 da CLT: “Os dispositivos de caráter imperativo terão aplicação imediata às relações iniciadas, mas

não consumadas, antes da vigência desta Consolidação”.

26. “Quando se trata de aplicação temporal, não há como prescindir também da análise da irretroatividade da norma legal, assim entendida a regra que assegura a impossibilidade de a norma jurídica produzir efeitos em data anterior àquela em que foi publicada. Do mesmo modo que ocorre em relação ao direito penal, a irretro-atividade é regra apenas quando não seja benfazeja. Visando à melhoria da condição social do trabalho, há decisão que sinaliza no sentido da retroatividade trabalhista benigna. Veja-se o caso da OJ nº 362 da SDI – 1 do TST.” MARTINEZ, Luciano. Curso de Direito do Trabalho: relações individuais, sindicais e coletivas do trabalho. São Paulo: Saraiva, 2010. p. 72.

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Capítulo I • INTRODUÇÃO AO DIREITO DO TRABALHO

aplicação do art. 19-A da Lei do nº 8.036/90 (acrescentado pela Medida Provisória nº 2.164-41/2001) a todos os empregados contratados irregularmente pela administração, inclusive empregados admitidos anteriormente à publicação do art. 19-A. De acordo com esse artigo, o trabalhador admitido irregularmente terá direito, além do saldo de salário, ao saque da conta vinculada do FGTS27. Segue o texto da OJ:

Orientação Jurisprudencial nº 362 da SDI – I do TST. Contrato nulo.

Efei-tos. FGTS. Medida provisória 2.164-41, de 24.8.2001, e art. 19-A da Lei nº 8.036, de 11.5.1990. Irretroatividade

Não afronta o princípio da irretroatividade da lei a aplicação do art. 19-A da Lei nº 8.036, de 11.5.1990, aos contratos declarados nulos celebrados antes da vigência da Medida Provisória nº 2.164-41, de 24.8.2001.

O TST, com essa interpretação ampliativa, atesta que não viola o princípio da irre-troatividade, pois o art. 19-A teria surgido apenas para pacificar a jurisprudência, que já vinha deferindo os saques à conta vinculada do FGTS, antes mesmo do surgimento da Medida Provisória nº 2.164-41/2001.

Há posicionamento minoritário, entretanto, no sentido de que essa interpretação dada pelo TST viola o princípio da anterioridade tributária, não podendo ser aplicado de forma retroativa, tendo em vista a natureza jurídica de tributo do FGTS28. Nesse caso, os

con-tratos declarados nulos, antes da vigência do art. 19-A da Lei nº 8.036/90, não teriam direito aos depósitos do FGTS.

Havia, até, discussão sobre a constitucionalidade do art. 19-A29. Foi dada repercussão

geral e, recentemente, julgado pela constitucionalidade da alteração promovida pelo art. 19-A. De acordo com o posicionamento do STF sobre o tema (RE 596.478/RR – Divulg 28-02-2013 Public 01-03-2013):

EMENTA Recurso extraordinário. Direito administrativo. Contrato nulo. Efeitos. Recolhimento do FGTS. Artigo 19-A da Lei nº 8.036/90. Constitucionalidade. 1. É constitucional o art. 19-A da Lei nº 8.036/90, o qual dispõe ser devido o depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço na conta de traba-lhador cujo contrato com a Administração Pública seja declarado nulo por ausência de prévia aprovação em concurso público, desde que mantido o seu direito ao salário. 2. Mesmo quando reconhecida a nulidade da contratação do empregado público, nos termos do art. 37, § 2º, da Constituição Federal, subsiste o direito do trabalhador ao depósito do FGTS quando reconhecido ser devido o salário pelos serviços prestados. 3. Recurso extraordinário ao qual se nega provimento.

27. O tema FGTS será tratado de forma detalhada no capítulo XII.

28. MARTINS, Sérgio Pinto. Comentários às Súmulas do TST. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. p. 234.

29. Sobre o tema da inconstitucionalidade do art. 19-A, recomenda-se o artigo: CHAVES, Luciano Athayde. A inconstitucionalidade do recolhimento do FGTS nas hipóteses de contratações irregulares de empregados públicos. Revista do Ministério Público do Trabalho, n. 33, p. 82, mar. 2007.

(26)

DIREITO DO TRABALHO PARA CONCURSOS PÚBLICOS • Henrique Correia

Ademais, cumpre ressaltar que a jurisprudência do STJ também garante o direito de o empregado contratado sem prévia aprovação em concurso público sacar o saldo da conta vinculada do FGTS:

Súmula nº 466 do STJ: O titular da conta vinculada ao FGTS tem o direito de sacar o saldo respectivo quando declarado nulo seu contrato de trabalho por ausência de prévia aprovação em concurso público.

Por fim, a alteração da lei para ampliar esse direito ao servidor de fato tem por fun-damento não só a proteção do trabalhador, mas principalmente o custeio de obras de in-fraestrutura e demais financiamentos utilizados com o montante dos depósitos do FGTS. Essa modificação gera também várias discussões entre doutrinadores. De um lado, há po-sicionamento de que a extensão dos depósitos atuou como norma moralizadora. Outros doutrinadores30, aos quais nos filiamos, acreditam que o pagamento do FGTS incentiva a

contratação do trabalhador sem concurso.

4.3. Eficácia espacial das normas trabalhistas

f Art. 3º, II, Lei nº 7.064/1982

A Súmula nº 207 do TST, que tratava do tema, foi cancelada em abril/2012. De acor-do com o texto da Súmula:

Súmula nº 207 do TST. Conflitos de leis trabalhistas no espaço. Princípio

da lex loci executionis

A relação jurídica trabalhista é regida pelas leis vigentes no país da pres-tação de serviço, e não por aquelas do local da contrapres-tação. (CANCELADA)

Ao tratar sobre a eficácia espacial das normas trabalhistas, estuda-se o direito in-ternacional do trabalho, ou seja, a norma que será aplicada ao empregado, contratado no Brasil, para prestar serviços no exterior.

Com base no art. 198 do Código de Bustamante31, a jurisprudência do TST

estabele-cia que, se houvesse conflito entre a lei brasileira e a estrangeira, seria aplicada a lei do local da prestação de serviços – lex loci executionis ou princípio da territorialidade. Portanto, se o empregado fosse contratado no Brasil para prestar serviços na Dinamarca, e lá permanecesse por 3 anos, e posteriormente, ao retornar ao Brasil, ingressasse no Ju-diciário Trabalhista, o juiz aplicaria a lei daquele país, conforme previsto na súmula em

30. “O mesmo se diga quanto à concessão de FGTS ao empregado público admitido sem concurso público. Seu trabalho, além de proibido, causa sangria nos cofres públicos e frauda a regra do concurso público (Súmula nº 363 do TST), propiciando fraudes na contratação de cooperativas ou outras intermediadoras de mão de obra.” CASSAR, Vólia Bonfim. Direito do Trabalho. 4. ed. rev. e ampl. Niterói: Impetus, 2010. p. 193.

(27)

Capítulo I • INTRODUÇÃO AO DIREITO DO TRABALHO

análise, agora cancelada. Veja que essa Súmula nº 207 do TST trazia apenas a solução para a prestação de serviços permanentes no exterior. O sistema de rodízio da prestação de serviços será tratado a seguir.

Mesmo antes do cancelamento da Súmula, o princípio da lex loci executionis, previs-to na Súmula nº 207, não era aplicado aos empregados contratados no Brasil para pres-tar serviços de engenharia no exterior, pois eram regidos por norma específica – Lei nº 7.064/82. No art. 3º dessa lei, havia critério distinto, admitindo a aplicação da lei na-cional brasileira, se mais favorável ao trabalhador, ainda que a prestação dos serviços se desse no estrangeiro.

Essa lei foi alterada32, sendo estendida a todos os empregados (brasileiros e

estran-geiros) contratados no Brasil para prestar serviços no exterior. Essa modificação veio em boa hora, pois havia um tratamento discriminatório e injustificado em relação aos em-pregados que trabalhavam no exterior.

De acordo com o art. 3º da Lei nº 7.064/8233, aplica-se, independentemente da

legis-lação do local da prestação de serviços, a lei brasileira quando mais favorável no conjunto de normas em relação a cada matéria. Assim sendo, com base no princípio da norma mais favorável (art. 7º, caput, da CF/88), o juiz do trabalho, como forma de decidir o confli-to, aplicará a legislação do país que for mais benéfica ao trabalhador34. Serão garantidos,

portanto, aos empregados contratados no Brasil para prestarem serviços no exterior, os direitos da legislação trabalhista brasileira, desde que mais favorável.

Com essa alteração da lei, abrangendo todos os empregados, a Súmula nº 207 do TST foi cancelada, pois atualmente há lei específica que trata sobre todos os emprega-dos contrataemprega-dos no Brasil para prestarem serviços no exterior. Hoje vigora, portanto, o princípio da norma mais favorável. Se a lei estrangeira for mais favorável, repita-se, será ela aplicada.

Importante frisar que o juiz aplicará somente a lei material do país onde os serviços foram prestados. A norma processual (procedimento, prazos, meios de prova etc.) será da lei brasileira, conforme previsto no art. 651, § 2º, da CLT.

Cabe frisar ainda que será respeitada também a Teoria do Conglobamento Mitigado ou Conglobamento por Institutos, pois o intérprete aplicará, no conjunto, cada um dos insti-tutos jurídicos previsto na legislação. Se, por exemplo, o direito de férias é mais benéfico no estrangeiro, aplicar-se-á apenas a lei estrangeira quanto às férias. Assim determina o art. 3º, II, da Lei nº 7.064/82:

32. Art. 1º da Lei 7.064/82: “Esta Lei regula a situação de trabalhadores contratados no Brasil ou transferidos por empregadores para prestar serviços no exterior.”

33. O tema da eficácia espacial das normas trabalhistas foi exigido no concurso para Juiz do Trabalho Substituto do TRT da 23ª Região realizado em 2014.

34. “A aplicação da norma mais favorável objetiva evitar que o empregador imponha ao empregado no contrato de trabalho norma menos vantajosa, que seria um abuso na forma de contratação.” MARTINS, Sérgio Pinto.

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