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Rev. Bras. Hematol. Hemoter. vol.31 número6

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Academic year: 2018

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REVISTA BRASILEIRA D E H E M ATO L O G I A E H E M O T E R A P I A

Editoriais e Comentários / Editorials and Comments

As hemoglobinopatias e a diversidade

genética da população brasileira

The hemoglobinopathies and genetic diversity

of the Brazilian population

Claudia R. Bonini-Domingos

A população brasileira é uma das mais heterogêneas, como consequência de cinco séculos de miscigenação entre três raízes ancestrais: os ameríndios, os europeus e os africanos subsaarianos. A frequência de inúmeros polimor-fismos varia amplamente entre as populações e essa hetero-geneidade e miscigenação tem implicações importantes no perfil proteico herdado, que inclui as hemoglobinas humanas.1

A miscigenação da população brasileira pode explicar discre-pâncias na frequência de algumas formas de hemoglo-binopatias, pois, independentemente da autodeclaração por "cor/raça" (segundo o censo brasileiro), a maioria dos brasi-leiros tem ancestralidade europeia e africana, às quais se soma, em um número significativo de indivíduos, a ancestralidade ameríndia.2

A hemoglobina C, originada do Oeste da África, disper-sou-se pelo mundo da mesma forma que a hemoglobina S, e hoje está amplamente distribuída. Os três haplótipos ligados a essa hemoglobina variante determinam a origem molecular dos seus portadores, como um marcador de ancestralidade. A diversidade genética da população brasileira favorece a associação de hemoglobinas variantes entre si e com outras formas de hemoglobinas anormais, como as talassemias.3

Essas associações trazem também uma diversidade de fenó-tipos e manifestações clínicas, com resposta diferenciada aos tratamentos.

A preocupação em identificar adequadamente essas formas interativas de hemoglobinas anormais está destacada no artigo intitulado "Hemoglobina C em homozigose e associada a beta talassemia", publicado nesse número da Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia.4

Ressalta-se também nesRessalta-se estudo retrospectivo a frequência dessa variante, identificada pela triagem neonatal na região de Ribeirão Preto, SP, a descrição de 12 casos selecionados e a necessidade de adequação das metodologias de diagnóstico para diferenciar as formas interativas permitindo maior com-preensão para as manifestações clínicas apresentadas.

Os autores evidenciam também que não foram encon-tradas descrições de células em alvo e esferócitos e todos os pacientes apresentavam RDW com valores anormais. Quanto à clínica, os pacientes com Hb CC tiveram esplenomegalia leve e os Hb C/beta talassemia, beta zero ou beta mais, apresentaram esplenomegalia menor. As diferenças mostradas para os dois grupos avaliados permitem, aos profissionais

da área, maior acuidade nas observações para o direciona-mento diagnóstico.

Como a hemoglobina C é uma hemoglobina de agre-gação, também forma cristais intraeritrocitários, em menor frequência e intensidade que a hemoglobina S, e a asso-ciação com as formas talassêmicas favorecem a sobrevida dos eritrócitos.

Trabalhos como esse desenvolvido pelos autores, con-tribuem enormemente para o entendimento da diversidade fenotípica das hemoglobinas na população brasileira, con-duzem para um diagnóstico cada vez mais preciso, com adequada orientação aos portadores e direcionamento clínico individualizado.

Referências Bibliográficas

1. Gonçalves VF, Carvalho CMB, Bortolini MC, Bydlowski SP, Pena SDJ. The phylogeography of African Brazilians. Hum Hered 2008, 65(1):23-32.

2. Suarez-Kurtz G. Farmacogenômica e a diversidade genética da população brasileira. Cad. Saúde Pública [online]. 2009;25(8): 1650-51.

3. Bonini-Domingos CR: Metodologias laboratoriais para o diagnóstico de Hemoglobinopatias e Talassemias. 2006, HN Editora, São José do Rio Preto, SP. PP 6- 26.

4. Angulo IL, Picado SBR. Hemoglobina C em homozigose e interação com talassemia beta. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. 2009;31(6): 408-12.

Avaliação: O tema abordado foi sugerido e avaliado pelo editor.

Recebido: 01/09/2009 Aceito: 05/09/2009

Unesp – Departamento de Biologia; Laboratório de Hemoglobinas e Genética das Doenças Hematológicas.

Correspondência: Claudia Regina Bonini-Domingos Unesp – Ibilce – Depto de Biologia

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