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Espiritismo e as Novas Famílias

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Academic year: 2021

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Instituição Beneficente “A Luz Divina” 55 Anos – 1956-2011

Espiritismo e as Novas Famílias Boa Tarde,

Que a Paz e as Luzes do nosso Mestre Jesus continuem nos envolvendo, nos harmonizando e nos trazendo muita paz.

É com bastante alegria e emoção que nós trazemos este tema de volta. Tivemos a oportunidade de apresentar este tema “Espiritismo e as Novas Famílias” há dois anos atrás, no Simpósio “A Luz Divina”.

O nome “As Novas Famílias” foi indagação do Sr. Humberto à época: por quê ‘Novas Famílias’? Pareceu-me bastante razoável lançar um olhar, uma visão Espírita sobre a família que difere da família nuclear. Quando falamos de família, nos lembramos imediatamente de pai, mãe e filhos.

No entanto, há que se questionar esta denominação porque ouvimos, a todo momento: a família está em crise; a crise da família; a família está em extinção.

Isto é possível? – Em momento algum! Isso jamais vai acontecer. A nossa definição de família é que precisa ser revista.

Explico: Nós podemos comparar a sociedade a uma colcha de retalhos. Emmanuel, em O Consolador, nos esclarece que é no lar que aprendemos; ele é a célula máter, onde primeiro aprendemos a evoluir e a amar.

Desta forma, sendo a Sociedade uma colcha de retalhos na qual cada retalho representa um núcleo familiar, não se pode conceber que todos estes ‘retalhos’ sejam iguais, sendo de se admitir que cada um tenha o seu tamanho, o seu desenho, a sua característica. Todavia, cada um deles tem por objetivo formar a colcha denominada sociedade; e a colcha de retalhos, quando olhada de cima, forma um lindo desenho destinado a aquecer as pessoas. Assim é a família perante a sociedade.

Portanto, devemos conceber que além da família composta por pai, mãe e filhos, há também outras formações familiares compondo esta colcha-sociedade.

Os juristas dizem o seguinte: quando uma lei não respeita aos anseios sociais, a sociedade se vinga não respeitando esta lei. A sociedade muda e traz a mudança da legislação, dos costumes, mas não muda o objetivo de cada indivíduo de estar aqui neste Planeta.

Se pararmos para pensar no nosso objetivo de estar encarnados, se indagarmos de nós mesmos: Por que é que estou aqui nesta tarde, neste momento? Por quê estou neste Planeta? Para levantar pela manhã, como um autômato, realizar todas as minhas tarefas do dia, voltar para casa, dormir e repetir o feito no dia seguinte?

Não nos damos conta dos nossos objetivos nesta encarnação, e eles estão claros no Evangelho. Podemos fazer um estudo do Evangelho, de ponta a ponta, e

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a espinha dorsal de seu ensinamento será Ama o teu próximo como a ti mesmo, ou seja, estamos aqui para APRENDER A AMAR.

E indago de todos nós: Como foi da última semana pra cá? Sábado passado pra cá? O quanto a gente amou? Uma semana é muito tempo? De ontem pra cá? É muito tempo ainda? E na última meia hora? Melhora um pouquinho?

Não nos damos conta de que esta é a nossa única e primeira responsabilidade. Estamos encarnados para APRENDER A AMAR.

A resposta a esta alegação vem pronta: Mas é óbvio que eu sei amar! Será? Será que amamos o tempo todo. Vamos ver.

De 2009, que foi quando eu apresentei este tema, para cá, muita mudança aconteceu na sociedade e uma coisa aparece de forma muito clara: O AMOR QUE A GENTE APRENDE A SENTIR EMERGE, EM GERAL, EM MEIO A UMA CRISE. É a Lei da Destruição que nos ajuda a reconstruir, a nos tornar melhor.

Desta forma, se alguém eventualmente acredita que estes retalhos-famílias ficam um pouco puídos e a colcha vai ficando um pouquinho enfraquecida, a gente passa uma outra costura e dá uma fortalecida nela, pois dentro dessas crises é que nós vamos aprendendo a amar novamente, isto porque falamos em crise da família, em extinção da família, o que não está acontecendo de forma alguma.

O Espiritismo explica, e a Providência Divina comprova, porque é perfeita, que quaisquer que sejam as nossas escolhas, elas nos levarão a continuar exercitando este aprendizado de amor.

De 2009 para 2011, lembrando que o Censo foi no ano passado, em 2010, muita coisa mudou: em 2009 as estatísticas (que eram do ano de 2005) davam conta que 30% das famílias eram distintas da família tradicional, sendo formadas por pai e filho, por mãe e filho, pai e pai, mãe e mãe, famílias recasadas, e 70% eram formadas pela tradicional Pai, Mãe e Filhos.

O Censo do ano passado informou que nós estamos com 50% de famílias formadas por pai, mãe e filhos e os outros 50% são essas novas famílias que eu exemplifiquei, ou seja, A METADE DOS LARES BRASILEIROS, HOJE, é constituída por novas formações familiares. É o amor gravitando nestas formações familiares, é o nosso objetivo central sendo exercido da maneira possível.

A função da sociedade é acolher, é esclarecer e é estimular essas famílias a continuarem amando, como Jesus nos acolheu no momento em que tínhamos muitas dúvidas. Ele nos acolheu quando éramos prostitutos, quando éramos mendigos, quando éramos absolutamente perdidos. Ele nos trouxe o Evangelho e permitiu esse acolhimento. A função do Espiritismo é a mesma. O Espiritismo é a Doutrina da razão.

Pois bem, já sabemos que nossa função no Planeta é amar o meu próximo, o que demonstra a latência deste amor, independentemente do rótulo que se dê à família já que, para amar, não há necessidade de rótulo, de moldura, apenas de responsabilidade.

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Vamos anotar brevemente a evolução histórica da família. Nos primórdios da civilização nós vivíamos em tribos. A prevalência nas tribos era a do mais forte. Tínhamos funções definidas, a procriação e o convívio muito limitado. A mulher exercia a poliandria. Vários, maridos, vários filhos. O homem a poligamia, naturalmente. Então, o que gerava isso? Conúbio entre mãe e filho, filho e filho, irmão, irmã.

Observemos a Sabedoria da Providência Divina: O que acontece com a genética quando se misturam irmãos? Há um enfraquecimento genético. O enfraquecimento de um lado, gera o fortalecimento do outro e o conseqüente processo de seleção natural. Vão prevalecer os mais fortes e, se eu sou o mais forte, eu vou dominar. Isso é natural e inerente ao ser humano. Isso não foi gratuito, foi resultante das nossas escolhas.

O nosso livre arbítrio comanda e a Divindade deixa que o nosso livre arbítrio conduza, mas dá um jeitinho de trazer a gente de volta para o amor. Então, nesse processo de seleção natural da nossa vida tribal, nós chegamos, pulando muito na história, ao momento da dominação. A dominação pela força gera a dominação pelo dinheiro.

Eu vou dar um salto até a época de Roma. A dominação pelo dinheiro, gera a cobiça por mais dinheiro, por mais posses, por conquistas. Sendo o conquistador e querendo me manter nesta posição, como posso assegurar minhas conquistas se não sei qual é a minha “linhagem”? Como é que eu vou garantir a perpetuação do meu domínio? Então é através desta “dominação” aparentemente nefasta, que a Providência Divina incutiu em nós uma primeira noção de família. E de que forma? Se eu, o homem dominador, preciso manter a minha propriedade, o meu patrimônio, então, vou estabelecer uma linhagem. Estabelecida a minha linhagem, eu tenho a minha mulher e os meus filhos. Essa é a primeira noção de família, família vem do latim “famulus”. “Famulus” é o quê? A quantidade de posses, a esposa, os escravos, os domésticos. Essa era a noção de família, ainda que nefasta.

Nefasta, olhando com os olhos de hoje. Como já aprendemos a amar a família, olhando com os olhos de hoje, a família daquele tempo, constituída por esposa, escravos, empregados, era uma denominação nefasta! No entanto, este foi o elemento essencial para o fim da poligamia e da poliandria. É a partir daí que surge o patriarcado, que surge a gens.

Na história, na ilustração do Espiritismo nós temos Emmanuel, que era Publio Lêntulus que era da gens de Publio Lêntulus.

Nós podemos observar que nada disso foi gratuito e aleatório: a família, na conformação atual, surgiu desta ‘famulus’ romana.

Da época romana caminhamos mais um pouco até a Idade Média e a família se enfraquece de novo. Então nós tivemos o seguinte: num primeiro momento a família se fortaleceu materialmente. Na Idade Média ela se enfraquece um pouco de novo porque os filhos são mandados para o Clero educar, ou seja, a noção patriarcal dá uma nova enfraquecida. Mas o mundo caminha mais um pouco, em

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crise, depois de descer, a nossa tendência é subir. Então, aquela noção patriarcal dá uma nova enfraquecida.

Depois desta crise, caminhando um pouco mais rápido, chegamos até a idade dos Pensadores, até o Iluminismo, quando surge o Espiritismo.

Vejamos: nós tínhamos, na Roma Antiga, uma família pautada na dominação; passamos para uma família enfraquecida pela Idade Média e vem a Idade da Razão, a Idade da Luz, e nos diz o quê? Que a família é a célula da sociedade. É na família que nós vamos aprender a amar, é na família que nós vamos aprender a crescer e aceitar o próximo. Se é verdade que eu sou uma família humana, que nós todos aqui somos uma família, para amar qualquer um de vocês, primeiro preciso experimentar amar aquele que está bem próximo de mim, que está bem dentro do meu lar.

E aí vem essa outra noção de família pautada no amor, que é a família do século 18, mas a vida segue, e a gente gosta de uma boa crise, e a gente faz escolhas equivocadas e aí nós alteramos todo o contexto com as revoluções industriais.

A família até este momento tinha a mãe, o pai, e os filhos sob esta abóbada. E aí a mulher sai do lar, no período da Revolução Industrial.

Este movimento da mulher, quer concordemos ou não, gera conseqüências para a família porque, se os seus papéis são definidos e eu altero um destes papéis, é natural que haja uma desordem ou, minimamente, uma alteração na conformação familiar.

Olhemos para esta mesa: temos 12 lugares nesta mesa (*), todos preenchidos. Se um destes lugares estiver vazio, haverá um desnível que, embora possa ser preenchido pela Espiritualidade, estará aí chamando a atenção e exigindo adaptação dos demais ocupantes da mesa. (* Exemplo da mesa na Casa Espírita, para reunião espiritual pública.)

A mulher indo para o mercado de trabalho gera alteração significativa de todos os papéis, e isso no começo do século 20, por volta de 1920, 1930. Depois dessa alteração nos papéis com a Revolução Industrial nós chegamos a duas guerras mundiais, ou seja, outra crise.

A segunda Grande Guerra trouxe novamente a perspectiva da maternidade. Foi quando houve uma explosão demográfica e fez com que as pessoas aumentassem a quantidade de filhos. Teve um leve retorno a essa noção de família, essa célula de família.

Mas, na década de 60 uma nova crise. Surge a pílula anticoncepcional. E a partir da década de 60 é que nós experimentamos todo esse movimento das novas famílias. A pílula anticoncepcional traz a autonomia tanto para a mulher quanto para o casal, traz o planejamento familiar, uma interferência maior do livre arbítrio humano sobre os fatos estabelecidos pela Providência Divina.

E, a partir desta nova possibilidade de escolha humana, como se porta a Divindade? Deus sabe exatamente quais os passos que nós vamos dar. Mesmo que

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seja um leque de passos possíveis e dentro desse leque de escolhas há uma resposta razoável para cada escolha feita, que nos mantém no caminho do amor.

Isto é tão importante quando a gente pensa que a família está em crise. Não está em crise porque a Providência Divina de um jeito ou de outro, respeitando nossas escolhas, atua no sentido de nos permitir exercitar o amor.

A saída da mulher do lar exige a atuação mais ativa do homem na educação dos filhos, uma maior participação neste exercício do amor que, até então, era integralmente da mulher cabendo ao homem apenas prover o lar. Percebam como as crises são sábias. A oportunidade para o pai educar o filho também.

No Brasil estas mudanças se aprofundam com a Lei do Divórcio de 1977. E o Espiritismo fala o quê com relação a isso? Temos uma crença de que “o que Deus uniu o homem não separe”. Se esta união tem o aval divino, não haverá separação mesmo. Mas as nossas uniões, a rigor, não são pautadas no amor divino, por isso, sendo uniões pautadas na reparação, no perdão e no resgate, é natural que haja a possibilidade de rompimento.

O que diz o Espiritismo das pessoas se casarem novamente? Nós temos um planejamento reencarnatório.

De acordo com o nosso grau evolutivo, podemos escolher as pessoas com as quais iremos nos casar e, até segunda ordem, até que eu interfira com meu livre arbítrio, deverá ser para a vida inteira. Mas, pelo meio do caminho, eu constato que não é possível mais viver ao lado daquela pessoa. O Espiritismo fala com muita clareza: “Antes separados do que juntos tornando a vida um inferno”. Mas a separação não deve ser pautada em qualquer motivo fútil, que é o que ocorre atualmente.

Mas, após longo diálogo, constatamos que a solução é realmente a separação e ela ocorre. Contudo, passado um tempo, sentimos falta de um novo relacionamento, situação natural dada a nossa natureza majoritariamente gregária. Quem será o escolhido para o novo relacionamento? Não devemos nos iludir, já que estamos aqui para corrigir erros do passado, em mundo de provas e expiações. Neste sentido, a escolha será novamente com alguém vinculado ao meu passado, alguém com quem eu tenha nova reparação a fazer.

Porque na visão Espírita, as famílias na carne são majoritariamente pautadas no resgate e isso vale também, principalmente, para as relações entre pais e filhos. Nós dizemos que o amor de pai para filho é um amor incondicional, mas a primeira condição para que você amasse esse espírito é que ele viesse para você na condição de filho.

Então, o amor incondicional de pai para filho, ele só é incondicional, porque a Providência Divina tem bondade suficiente para permitir que a gente se esqueça de quem era essa pessoa no passado, para que a gente possa receber essa pessoa com a maior ternura nesta vida, para que a gente possa, pelo menos, tentar aprender o que é amar.

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Mas nós estamos no fim dos dias da nossa vida no nosso Planeta, que está caminhando a passos largos para se tornar um Planeta de Regeneração. O que quer dizer isto? Que é melhor cuidarmos desta vida porque pode ser que na próxima não tenhamos merecimento para reencarnar no Planeta Terra, que já poderá ter se tornado um Planeta de Regeneração; podemos ser exilados da Terra.

O que quer que esteja no meu entorno, neste momento, é uma relação que vai me ajudar a evoluir, ou seja, são espinhos do passado que devem ser retirados. Se eu planejei na Espiritualidade que nesta vida eu receberia quatro espíritos para resgate, na forma de filhos, e optei por ter só dois, ou um, lembrando que é essa a regra dos casais atualmente, como ficam estes outros três espíritos que viriam conviver comigo? Eles podem vir na condição de enteados, na condição de filhos de um segundo marido, na condição de filhos da nossa ex-esposa com o seu atual marido, ou seja, meio-irmãos dos nossos filhos.

Estas formações familiares com pessoas vindas de outras famílias são as denominadas “famílias mosaico”; elas se originam de reconstruções pautadas na vontade dos indivíduos em se unirem num novo lar. Vemos de novo a crise – desta vez a crise do casamento - trazendo uma oportunidade muito grande de amar.

A reconstrução da família, que resulta na família mosaico, não é aleatória porque, como já dissemos antes, a Providência Divina aproveita cada oportunidade de aprendizado. Se queremos um novo casamento, uma nova família, ela será formada por espíritos que estiveram presentes em minhas vinculações do passado.

O conflito será muito maior, seguramente, porque para amar meu filho é uma tormenta, que dirá amar o filho que não é da minha carne. Mas, dentro dessa perspectiva toda é possível que “o filho do marido da minha ex-mulher”, ou seja, o filho daquele homem com a sua primeira esposa seja um espírito afim meu, seja alguém querido do passado, ou seja, um integrante da minha família Espiritual.

A minha família Espiritual de hoje é a resultante das minhas famílias de carne de ontem. Se eu recuso ter um segundo ou terceiro filho, este espírito virá na forma de enteado, mas estará vinculado à minha história.

É importante perceber que o Pai Misericordioso permite que todos nós integremos esta grande ‘colcha de retalhos’ que é a vida de relação.

Também quando a pessoa opta pela homossexualidade e também pela maternidade ou paternidade, ela trará para a sua vida um espírito de seu passado. Tem uma propaganda veiculando na televisão, fantástica: “pai, fulano tem dois pais, então, alguém deve ter duas mães”. A gente precisa ser criança, de vez em quando. Mas a criança não teve nem tempo de olhar se está certo ou errado, como a gente faz. Não é? Como muita gente coloca: “Isto não pode ser família!”

O homossexual, discriminado pela sua opção sexual, critério que não cabe a ninguém julgar, tem também o direito de exercitar o amor através do núcleo familiar. Assim, mesmo diante de sua opção sexual, ele irá receber espíritos afins ou desafetos do passado para perenizar este exercício do amor incondicional.

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“Meu marido abandonou o lar, se casou com outra mulher e me deixou só com meu filho, ou o contrário, minha esposa fez isso. E eu odeio essa pessoa, de todo o meu coração”.

Este julgamento é muito perigoso e imediatista. Nós não sabemos se a permanência deste cônjuge no lar, não seria um mal maior do que o experimentado pela sua retirada.

Eventualmente, um pai pode ficar dentro do lar e não dar conta daquele Espírito que veio pela lei do resgate para a vida dele. O que não dá o direito do cônjuge “abandonado” destruir a imagem desse pai para esse filho que hoje não tem uma figura de pai gravitando ali em torno dele. Você não sabe o que poderia acontecer com esses dois juntos, e a aceitação é a melhor ferramenta para tornar esta situação menos conflituosa.

Devemos lançar um olhar complacente para estas novas formações familiares, aprender com estas novas formas de amar. Se a família denominada “clássica” está em crise, se ainda é majoritária e se nos entendemos dentro da “família clássica”, nós é que estamos em crise e já está mais do que na hora de aprender com estas “novas famílias”, a aceitação que independe dos vínculos de carne.

É isto que precisa ficar muito claro, muito objetivo. Nós evoluiremos, sim, muito mais e a família passará pelas transformações resultantes de nossas escolhas, mas o amor continuará existindo, de acordo com a nossa vontade e disponibilidade de amar. O tempo nos dirá se nossas escolhas atuais são certas, pois ainda estamos na fase do plantio.

A função da família é a de educar e, quando falamos em núcleo familiar, a ferramenta essencial para esta educação é o Evangelho no Lar.

Por que o Evangelho no Lar? Porque o Evangelho alivia a condição interior, a condição espiritual individual. O Evangelho traz um sentimento de maior afabilidade. É o caminho para acalmar os ânimos após uma discussão. E, se não for possível fazer o evangelho acompanhado daquele familiar com o qual discutimos, façamos sozinhos, mas não deixemos de fazer.

E vamos lembrar de Jesus, sempre, a qualquer momento, numa passagem do Evangelho:

Durante algum tempo, Jesus ficou hospedado na casa de Simão Pedro, em Cafarnaum.

E uma noite quando as estrelas povoavam o firmamento em noite prateada de luar, Jesus pegou os sagrados escritos e como se quisesse empreender novo rumo à conversação que se fazia improdutiva, falou com bondade:

Simão, que faz o pescador quando se dirige para o mercado com os frutos de cada dia? Pedro pensou e respondeu hesitante: “Mestre, naturalmente, escolhemos os melhores peixes. Ninguém compra o resíduo da terra”.

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Jesus sorriu e perguntou novamente: E o oleiro, o que faz para atender a tarefa que se propõe? “‘Certamente, Senhor, modela o barro, imprimindo a forma que deseja”.

Jesus pergunta outra vez: E o carpinteiro como procede para alcançar trabalho que pretende realizar? “Senhor, lavrará a madeira bruta. Usará o enxó, o serrote, o martelo e o formão. De outra forma, não aperfeiçoaria a pedra bruta”.

Jesus calou-se por alguns instantes e depois concluiu: Assim é o lar diante do mundo. O berço doméstico é a primeira escola e o primeiro templo da alma. A casa do homem é a legítima exportadora de caracteres para a vida comum. Se o negociante negocia a mercadoria, se o marceneiro não consegue fazer um barco sem aperfeiçoar a madeira aos seus propósitos, como esperar uma comunidade segura e tranqüila, sem que o lar se aperfeiçoe? A paz do mundo começa sob as telhas a que nos acolhemos. Se não aprendemos a viver em paz entre quatro paredes, como aguardar a harmonia das nações? Se nós não nos habituamos a amar o irmão mais próximo associado à nossa luta de cada dia, como respeitar o eterno Pai que nos parece distante?

Pedro, acendamos aqui em torno de quantos que nos procuram a caridade fraterna, uma claridade nova. A mesa da tua casa é o lar do teu pão. Nela recebemos do Senhor o alimento de cada dia. Porque não instalar ao redor dela a sementeira da felicidade e da paz na conversação e no pensamento? O Pai que nos dá o trigo para o celeiro através do solo, envia-nos a luz através do Céu. Pedro reconhecido, tímido, disse: “Mestre, seja feito como desejas”.

Então, Jesus convidando os familiares do apóstolo para a palestra edificante e à meditação elevada, desenrolou os escritos da sabedoria e abriu na Terra o primeiro culto cristão no Lar.

Que Deus vos abençoe a cada um, que abençoe aos nossos lares, e que leve conosco esta disposição do amor ao próximo, incondicional.

Hilda Maria Francisca de Paula

Palestra: “Espiritismo e as Novas Famílias”. Data: 24 / 09 / 2011 – Sábado – 16h às 18h

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