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SENTENÇA Processo Digital nº: 1023466-37.2016.8.26.0554

Classe - Assunto Ação Popular - DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO

Requerente: Fernando Jose de Souza Marangoni

Requerido: Superintendente da Santo André Transportes Ricardo da Silva Kondratovich e outros

Juiz(a) de Direito: Dr(a). Pedro Henrique Do Nascimento Oliveira

Vistos.

FERNANDO JOSÉ DA SILVA MARANGONI ajuizou ação popular contra ato do SUPERINTENDENTE DA SANTO ANDRÉ TRANSPORTES, Sr. Ricardo da Silva Kondratovich, do MUNICÍPIO DE SANTO ANDRÉ e da suposta beneficiária TRANSPORTADORA TURÍSTICA SUZANO LTDA (SUZANTUR). Alega que o houve um processo licitatório irregular. Tendo em vista que a empresa de transporte coletivo Expresso Guarará repentinamente deixaria de prestar serviços nesta cidade, a autoridade ora requerida teria elaborado uma modalidade de licitação inexistente, denominada "seleção", que em verdade se tratava da modalidade convite, para um contrato de R$ 20.655.304,08, sem que se tenha observado as regras adequadas para tanto. Informa que a irregularidade se deu na medida em que a) a autoridade coatora deveria convocar o segundo colocado da licitação vencida pela Expresso Guarará, ou, ainda, realizar uma licitação de emergência, em vez de seguir com o procedimento adotado; b) não houve

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publicação do Diário Oficial do ato realizado; c) a autoridade elegeu medida inadequada para solucionar a questão exposta, d) o prazo para eventual interesse das empresas teria sido exíguo; e) teria havido direcionamento da disputa em favor da empresa Suzantur. Requer a concessão de medida liminar para suspender a referida licitação pública, declarando-se, ao final, nulo o procedimento administrativo pelos vícios elencados.

Aditamento à inicial a fls. 102/103.

Indeferida a tutela provisória de urgência (fls. 1.408/1.411).

Contestação apresentada pela Santo André Transportes a fls. 1.423/1.456, a qual requer a sua integração no polo passivo da lide. Preliminarmente, alega inépcia da inicial, vez que o requerente deixou de apresentar os requisitos essenciais da ação popular (ilegalidade e dano ao patrimônio público). No mérito, sustenta a) legalidade da contratação emergencial com dispensa de licitação; b) inexistência de omissão da Administração Pública no acompanhamento da subconcessão; c) inexistência de fraude na contratação; d) inexistência de ato lesivo ao patrimônio público. Pugna pela improcedência da ação. Requer, ainda, a condenação do autor ao pagamento do décuplo das custas e despesas processuais, considerando sua litigância de má-fé ao ajuizar lide temerária.

Contestação de Ricardo da Silva Kondratovich juntada a fls. 1.811/1.830. Preliminarmente, alega a) inexistência de dano ao erário, b) inaplicabilidade da ação popular no caso; c) ilegitimidade ativa; d) inépcia da inicial. No mérito, sustenta que a) o presente caso é de licitação dispensada, pelo seu caráter emergencial; b) desnecessidade de publicação em diário oficial; c) por não ter havido licitação, não existia qualquer prazo legal a ser cumprido; d) houve a extinção do contrato com a Expresso Guarará em decorrência do pedido de autofalência da concessionária; e) ainda que fosse possível o acionamento do seguro, este não serviria para garantir a continuidade do serviço público de transporte coletivo, mas apenas para o ressarcimento de eventuais custos do Município na troca do prestador de serviço; f) desconhecia os problemas anteriores de gestão financeira da Expresso Guarará; g) mais de dezessete anos se passaram desde a licitação original, de forma que o ordenamento jurídico não prevê a transferência automática da concessão para a segunda colocada no certame; h) inexistência da chamada "licitação de emergência"; i) falta de determinação legal para que seja feito um consórcio das empresas de transporte público no Município para suprir a necessidade emergencial até a realização de nova licitação. Requer a extinção do feito por ilegitimidade ativa, ou, no mérito, pugna pela improcedência da ação.

Contestação do Município de Santo André acostada a fls. 1.832/1.865. Em sede de preliminar, também alega inépcia da inicial. Reitera, no mérito, as alegações apresentadas pela Santo André Transportes. Requer a extinção do processo pela inépcia

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arguida, ou a improcedência do pedido inicial.

Contestação da Suzantur a fls. 1.879/1.892. Preliminarmente, a requerida a) impugna o valor da causa, que deveria ser estimativo no presente caso; b) alega ausência de interesse processual, tendo em vista que a via eleita seria inadequada. No mérito, requer a improcedência da demanda, sustentando a regularidade na sua contratação.

Réplica sustentando a exordial a fls. 1.919/1.922.

Lauret Macito Nunes Pimentel propõe intervenção de terceiro a fls. 1.972/2.005. Alega que possui direito trabalhista contra a empresa Expresso Guarará e a Viação São José de Transporte, sustentando a concretização do dano ao erário no presente caso.

É o relatório. Fundamento e decido.

Em que pese o pedido de produção de outras provas apresentado pelo autor a fls. 1.968/1.970, entendo a dilação probatória como desnecessária nestes autos, de modo que passo ao julgamento antecipado da lide.

De início, afasto as preliminares arguidas.

Tem-se que com o advento da Constituição Federal de 1988, a ação popular é passível de ajuizamento no intuito de anular não apenas os atos lesivos ao patrimônio econômico do Estado, mas também ao patrimônio histórico, ambiental, cultural e moral.

Com base nisso, ela constitui forma de exercício da soberania popular, permitindo-se a fiscalização direta do Poder Público, em prol do princípio da legalidade dos atos administrativos, tendo em vista que a res pública é patrimônio pertencente ao povo.

Por tais razões é que não cabe falar em ilegitimidade ativa no presente caso, tampouco em inépcia da inicial ou via eleita inadequada.

Vejamos: o autor apresentou as suas razões de forma coerente. Demonstrou um possível caso de inobservância aos princípios basilares da Administração Pública, mormente o da moralidade, de forma que é de rigor que o mérito seja discutido.

Ademais, os correqueridos são legítimos para figurar no polo passivo da demanda, vez que expressamente constituem toda a cadeia que originou os fatos descritos na exordial.

De mesmo modo, não acolho a impugnação ao valor da causa. Este foi lançado adequadamente, em consonância com o artigo 292, II, do CPC: "Na ação que tiver

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por objeto a existência, a validade, o cumprimento, a modificação, a resolução, a resilição ou a rescisão de ato jurídico, o valor do ato ou o de sua parte controvertida".

Afasto, ainda, o pedido de intervenção de terceiros formulado por Lauret Macito Nunes Pimentel. Trata-se de credora trabalhista da Expresso Guarará. Há mero interesse econômico no pedido de intervenção. Não restou caracterizado interesse jurídico na causa em si, vez que seus objetivos não tocam aos fatos ora analisados nestes autos.

As demais preliminares se confundem com o mérito, e como tal serão analisadas.

Pois bem.

O pedido inicial é improcedente.

Do conjunto probatório carreado aos autos, vê-se que a questão ora discutida se trata de situação emergencial, prevista no artigo 23, IV, da Lei nº 8.666/93.

Isto porque a Expresso Guarará, empresa concessionária que prestava serviços de transporte coletivo ao Município de Santo André, comunicou formalmente, em 20.09.2016 (fls. 202), a sua autofalência, de modo que não mais seria possível prosseguir com os serviços contratados.

Diante de tal notícia, e da essencialidade do transporte público, os requeridos se viram na obrigação de buscar um novo contrato repentinamente, haja vista que os serviços de transporte coletivo que eram conduzidos pela Expresso Guarará são de suma importância da cidade, atingindo um alto número de usuários.

Assim é que, se valendo das disposições da Lei nº 8.666/93, com base no artigo 24, IV, os requeridos decidiram por não licitar, e seguiram com os procedimentos de contratação de emergência.

Não assiste razão, portanto, ao autor, quando alega que foi eleita modalidade inadequada de licitação para a contratação da empresa Suzantur, haja vista que sequer houve licitação.

Por se tratar de situação emergencial, a lei expressamente prevê a desnecessidade de licitação, estabelecendo as regras específicas, as quais se encaixam no caso concreto.

Portanto, incabível também a alegação de que poderia ter havido uma "licitação de emergência".

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em 20.09.2016 de que a Expresso Guarará apenas prestaria serviços até a data de 08.10.2016, os demandados dispunham de quatorze dias úteis para adotar medida que evitasse que o essencial serviço de transporte público daquela região específica fosse paralisado, a ponto de prejudicar grande parte da população.

E mesmo nesse contexto, providenciou-se a remessa de ofício a vinte e seis empresas operadoras de transporte coletivo, viabilizando-se, assim, uma disputa passível de evitar prejuízos ao interesse público.

Na disputa, a empresa Suzantur foi a única a demonstrar proposta que atendia aos requisitos mínimos necessários para a contratação de emergência e, por tal motivo, foi devidamente contratada.

Assim, tendo em vista que um número razoavelmente elevado de empresas foi cientificado acerca do interesse e da necessidade da Administração Pública em substituir os serviços até então prestados pela Expresso Guarará, sendo que todas tiveram igual chance de apresentar propostas viáveis, concorrendo entre si, não cabe falar em direcionamento da disputa em favor da Suzantur.

No tocante à ausência de publicação no diário oficial sobre a necessidade da contratação aludida, bem como ao tempo que teria sido exíguo para a preparação das empresas supostamente interessadas, estes restam justificados por todo o cenário que se formou, conforme já discorrido. Pela emergência, a Administração Pública dispunha de tempo extremamente curto para realizar todo o procedimento de divulgação e seleção das propostas de um serviço, frise-se, demasiadamente essencial.

Também não prospera a alegação de que a contratação emergencial da Suzantur geraria despesas extras aos cofres públicos, vez que a empresa será remunerada pelas tarifas cobradas dos usuários, não cabendo falar, com isso, em dano ao erário.

Ainda, inviável seria a opção de buscar contratar o segundo colocado quando da licitação que a Expresso Guarará foi vencedora. Tal licitação ocorreu há mais de quinze anos, em condições diversas das atuais. Desta forma, sequer seria possível saber de imediato se a empresa segunda colocada teria condições de assumir a continuidade dos serviços prestados pela Expresso Guarará. E, a despeito disso, fato é que a situação exigia medida emergencial, sendo a conduta da Administração Pública justificável.

Também não há evidência suficiente de que tenha havido proposital inércia dos demandados em não promover a intervenção oportuna no contrato com a Expresso Guarará, prevendo que a sua situação financeira geraria tal imbróglio.

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intuito de ter suposto direito garantido, sem que tenha restado comprovado qualquer ato atentatório ou que extrapole os limites do bom senso.

Nesse contexto, não há que falar em vícios no procedimento realizado pela Administração Pública, com a sua consequente nulidade, conforme requerido na peça autoral.

Pelo exposto, JULGO IMPROCEDENTE a ação, com fundamento no artigo 487, I, do CPC.

Sem condenação em custas e honorários. P.R.I.

Santo André, 21 de março de 2017.

DOCUMENTO ASSINADO DIGITALMENTE NOS TERMOS DA LEI 11.419/2006, CONFORME IMPRESSÃO À MARGEM DIREITA

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