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AS DOUTORAS DA IGREJA

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Academic year: 2021

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Texto

(1)

SUSTENTABILIDADE

SABER VIVER

12

30

54

OPINIÃO

3% - Cuidar de nosso bem O coração paterno

ANO 98 | Nº 1140 | MARÇO 2021

(2)

03

editorial

04

de coração a coração

12

sustentabilidade

14

orientações jurídicas

16

frei betto

22

educação

24

fragmentos da vida

26

psicogerontologia

28

oásis

30

saber viver

Expediente

Publicação Mensal da Sociedade Vicente Pallotti - Província Nossa Senhora Conquistadora - Padres e Irmãos Palotinos - Santa Maria (RS)

Redação e Central de Atendimento ao Assinante

Rua Tupi, 200 | CEP: 91030-520 | Passo D'Areia | Porto Alegre (RS) (51) 3084-9935 | DDG: 0800 51 6633 | (51) 996-492-003 [email protected] | revista.rainha

Provincial: Pe. Clesio Facco, SAC

Diretor:Pe. Jerônimo José Brixner, SAC

Os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não expressando necessariamente a opinião da Revista Rainha dos Apóstolos © 2021

37

perguntas e respostas

38

o Evangelho em sua vida

45

vida e saúde

46

juventude

48

missões palotinas

50

comportamento

52

ponto de vista

54

opinião

56

uac

58

mãos à obra

60

galeria

62

culinária

64

piadas/passatempos

ESPECIAL

Ano 98 | nº 1140 | Março 2021

Coordenadora: Caroline Freitas

Design Gráfico: Ideias e Mídias Gráficas

Jornalista Resp.: Maria Guadalupe Serviços

Revisão: Maria Guadalupe Serviços e Maria Burin

Assinaturas/Expedição:Laura Echevenguá e Jéssica Brolo dos Reis

Imagens:AdobeStock

Impressão:Gráfica Pallotti | Rua Padre Alziro Roggia, 115  (55) 3220-4500 | Santa Maria (RS)

Associada à Signis Brasil - Associação Católica de Comunicação

18

miscelânea

20

direitos humanos

17

ESPIRITUALIDADE

32

TEOLOGIA E COTIDIANO

Larguemos as pedras Clarice Lispector e o Mistério Santo

34

a voz do pastor

35

inspire-se

36

tanatologia

(3)

Caro(a) leitor(a)!

A revista Rainha dos Apósto-los de março de 2021 está che-gando até você com textos que tratam do Tempo da Quaresma, da Campanha da Fraternidade, do Ano de São José, das Douto-ras da Igreja, entre outros temas. Todos os conteúdos da nossa revista procuram trazer um enri-quecimento para a vida pessoal e cristã dos seus leitores, porém os destaques colocados querem levar em conta acontecimentos atuais na Igreja e no mundo.

Um dos acontecimentos es-peciais que a Igreja vivencia é a Quaresma. Na coluna “O Evan-gelho em sua vida” encontramos profundas reflexões e motivações para o Tempo da Quaresma. A Quaresma é o tempo de pre-paração para celebrar a maior de todas as festas cristãs, que é a Páscoa da paixão, morte e res-surreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Na vivência da Quaresma todos os cristãos são convidados a atitudes de conversão para me-lhor desempenhar sua missão na Igreja e no mundo.

Durante o Tempo da Quares-ma acontece no Brasil a Campa-nha da Fraternidade. Para este ano foi escolhido o tema: Fraterni-dade e diálogo: compromisso de amor. A Campanha da Fraternida-de Fraternida-deste ano tem como objetivo geral “convidar as comunidades de fé e pessoas de boa vontade para pensar, avaliar e identificar quais os caminhos para superar as polarizações e as violências através do diálogo”.

No dia 08 de dezembro de 2020, o Papa Francisco publicou a Carta Apostólica Patris Corde (Com coração de Pai) para cele-brar os 150 anos da declaração de São José como padroeiro da Igreja. Nessa oportunidade, o Papa Francisco convocou o Ano de São José. Nesta edição da revista Rainha dos Apóstolos encontramos o texto intitulado "O coração paterno de São José", no qual é feita uma ligação de São Vicente Pallotti com São José. Ambos demonstram um coração paterno especialmente nas situa-ções difíceis através da solidarie-dade. Tanto São José como São

EVANGELIZAR:

MISSÃO DE TODOS

Vicente Pallotti são um modelo de ajuda que se faz necessária em situações como a pandemia da Covid-19.

No mês de março comemora- se o Dia Internacional da Mulher. Tendo isso presente, o Especial da revista Rainha dos Apóstolos foca na vida e obra das quatro mulheres que foram declaradas Doutoras da Igreja. Elas se des-tacaram na vivência e promoção da fé. A mulher tem uma grande importância na missão da Igreja. Na origem do Cristianismo está presente Nossa Senhora. Em toda a história da Igreja, encontramos a presença da mulher atuando na evangelização.

Tendo presente todas essas celebrações e comemorações, pedimos a Deus que abençoe a todos pelas intercessões de Maria Rainha dos Apóstolos, de São José e de São Vicente Pallotti.

Boa leitura a todos(as)!

O autor, colaborador desta Revista, é padre palotino e professor da Fapas em Santa Maria (RS) [email protected]

EDITORIAL

(4)

4 | MARÇO 2021 • revistarainha.com.br

DE CORAÇÃO A CORAÇÃO

Pe. Antônio Francisco Bohn

O autor, colaborador desta revista, é pároco em Blumenau (SC) [email protected]

NUTRIR NO

CORAÇÃO

O DESEJO

DE VER

JESUS

“Zaqueu desejava ver Jesus, mas não conseguia, por causa da multidão, pois ele era muito baixo... Quando Jesus chegou ao lugar, olhou para cima, e disse: Desça depressa, Zaqueu, porque hoje preciso ficar em sua casa. Ele desceu rapidamen-te, e recebeu Jesus com alegria” (cf. Lc 19,3-10).

Z

aqueu nutriu em seu coração o desejo de ver Jesus. Isso já seria o suficiente. Já iria tranquili-zar o seu coração. De cima da figueira, poderia ver. Jesus olha para cima e lhe faz um convite, ou melhor, lhe dá uma ordem: desce depressa, porque hoje visitarei a tua casa. Passarei pela porta da tua casa, (do teu coração, de tua vida). Jesus sempre passa por nós. Nossos caminhos sempre cruzam o seu caminho. E a nós também faz o convite: quero estar contigo, quero visitar a tua casa. Ele quer fa-zer-se porta. Ele quer tornar-se hóspede. Ele tem palavras de vida para comunicar. “Em tudo, na vida, a perfeição é finalmente atingida, não quando nada mais existe para acrescentar, mas quando não há mais nada para retirar” (Antoine de Saint-Exupéry).

Talvez, mais do que apenas ver, seu coração es-tava mesmo esperando por aquele convite. Tanto é que desce depressa. Ele não tarda, não duvida nem teme receber Jesus. E o faz com alegria, com dispo-nibilidade, aceitação. “Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, com ousadia, pois o triunfo pertence a quem mais

se atreve. E a vida é muito especial para ser insigni-ficante” (Charles Chaplin).

Diante de sua insignificância, coloca-se de pé diante de Jesus. Seu coração foi transformado desde aquele primeiro convite. Agora, cruzando pela porta da conversão, pode comprometer-se em doar para os pobres metade de tudo quanto possuía. E quer devolver quatro vezes mais aquilo que porventura possa ter se apropriado indevidamente. Na estatura, pequeno. Grande em seus propósitos.

Diante de sua sinceridade, Jesus lhe afirma que a salvação entrou pela porta da sua casa, do seu coração. “A vida e o mundo mudam quando nós mudamos” (Roberto Shinyashiki).

ORAÇÃO

Cura-me, Senhor Jesus, em meu interior, dando-me vitória diante do pecado. Cura-me de minhas emo-ções, feridas e mágoas. Tu és a plenitude da vida, em ti ninguém é esquecido. De ti vem o perdão, a paz e a saúde. Dá-me teu auxílio e renova-me com o teu po-der. Tem compaixão de mim e ajuda-me em minhas necessidades. Livra-me do medo, opressão, culpa, falta de perdão e qualquer outra força negativa que venha sobre mim. Enche-me com o teu amor, tua paz e tua alegria. Assim seja!

(5)

ESPECIAL

Carlos Alberto Veit

EM MAIS DE DOIS MIL ANOS DE HISTÓRIA, A IGREJA CATÓLICA CONSIDEROU

POUQUÍSSIMAS PESSOAS COMO DIGNAS DE SEREM CHAMADAS DE DOUTORES

EM SUA INSTITUIÇÃO. SENDO MAIS PRECISO, APENAS 36 PESSOAS TIVERAM

ESSA HONRARIA.

ENTRE ESSAS PESSOAS, 32 SÃO HOMENS E QUATRO SÃO MULHERES. COMO

ESTAMOS EM MARÇO, O MÊS EM QUE SE COMEMORA O DIA INTERNACIONAL

DA MULHER, NESSE ARTIGO ESPECIAL VAMOS FOCAR NA VIDA E OBRA DESSAS

MULHERES QUE TANTO SE DESTACARAM NA VIVÊNCIA E PROMOÇÃO DA FÉ.

(6)

Antes de mais nada, é necessário listar todas as pessoas consideradas doutoras da Igreja. As datas entre parênteses são de nascimento e morte e, em separado, o ano em que foram promovidas a doutores da Igreja. São elas:

01. SÃO GREGÓRIO, O GRANDE (540 - 604) 1298

02. SANTO AMBRÓSIO (340 - 397) 1298

03. SANTO AGOSTINHO (354 - 430) 1298

04. SÃO JERÔNIMO (347 - 420) 1298

05. SÃO JOÃO CRISÓSTOMO (347 - 407) 1568

06. SÃO BASÍLIO DE CESAREIA (330 - 379) 1568

07. SÃO GREGÓRIO DE NAZIANZO (329 - 379) 1568

08. SANTO ATANÁSIO (298 - 373) 1568

09. SÃO TOMÁS DE AQUINO (1225 - 1274 1568

10. SÃO BOAVENTURA (1221 - 1274) 1588

11. SANTO ANSELMO (1033 - 1109) 1720

12. SANTO ISIDORO DE SEVILHA (560 - 636) 1722

13. SÃO PEDRO CRISÓLOGO (406 - 450) 1729

14. SANTO PAPA LEÃO, O GRANDE (400 - 461) 1754

15. SÃO PEDRO DAMIÃO (1007 - 1072) 1823

16. SÃO BERNARDO DE CLARAVAL 1090 - 1153) 1830

17. SANTO HILÁRIO DE POITIERS (300 - 367) 1851

18. SANTO AFONSO DE LIGÓRIO (1696 - 1787) 1871

19. SÃO FRANCISCO DE SALES (1567 - 1622) 1877

20. SÃO CIRILO DE ALEXANDRIA (376 - 444) 1883

21. SÃO CIRILO DE JERUSALÉM (315 - 386) 1883

22. SÃO JOÃO DAMASCENO (676 - 749) 1883

23. SÃO BEDA (672 - 735) 1899

24. SANTO EFRÉM DA SÍRIA (306 - 373) 1920

25. SÃO PEDRO CANÍSIO (1521 - 1597) 1925

26. SÃO JOÃO DA CRUZ (1542 - 1591) 1926

27. SÃO ROBERTO BELARMINO (1542 - 1621) 1931

28. SANTO ALBERTO MAGNO (1193 - 1280) 1931

29. SANTO ANTÔNIO DE LISBOA E PÁDUA (1195 - 1231) 1946 30. SÃO LOURENÇO DE BRINDISI (1559 - 1619) 1959

31. SANTA TERESA D’ÁVILA (1515 - 1582) 1970

32. SANTA CATARINA DE SIENA (1347 - 1380) 1970 33. SANTA TERESINHA DO MENINO JESUS (1873 - 1897) 1997

34. SÃO JOÃO DE ÁVILA (1500 - 1569) 2012

35. SANTA HILDEGARD DE BINGEN (1098 - 1179) 2012

36. SÃO GREGÓRIO DE NAREK (951 - 1003) 2015

Como foi possível ver, embora a maioria dos pri-meiros doutores da Igreja tenham nascido no século IV, foi somente no século XIII que os primeiros deles receberam tal honraria. No que se refere às mulheres, somente a partir da segunda metade do século XX é que elas começaram a ter tal promoção.

Para ser doutor da Igreja é necessário que te-nham dado uma grande contribuição à Igreja. São aqueles considerados “gigantes da fé”, não só pelo seu exemplo de vida, mas também pelo notável conhecimento revelado.

Os requisitos para o reconhecimento de alguém como doutor da Igreja incluem alguns itens, tais como: a) Importância da doutrina (Eminens

doctri-na). São tratados que versaram sobre temas varia-dos, tais como: teologia mística, teologia sistêmica, história da Igreja etc.

b) Alto grau de santidade(Insignis vitae sancti-tas). Como foi possível perceber, todas as 36 pessoas

relacionadas como doutoras da Igreja são também consideradas santas. Portanto, a fé não se restrin-gia a grandes ideias, mas também a um marcante testemunho de vida.

c) Proclamação da Igreja (Ecclesiae declara-tio). É necessário que haja um decreto emitido pela Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos e aprovado pelo Papa para alguém fi-nalmente ser declarado oficialmente Doutor da Igreja. Todos o(a)s doutore(a)s da Igreja causaram um grande impacto positivo na sua época e nas gera-ções seguintes. Nem todos tiveram uma formação intelectual muito aprofundada. Houve quem se tornasse doutor da Igreja sem muita cultura, quase analfabeto, que precisou de ajuda para deixar suas ideias registradas, mas cuja experiência de Deus revelou vivências de fé e santidade muito elevadas.

Vamos apresentar as quatro doutoras da Igreja. Elas estão listadas em ordem cronológica de nascimento.

(7)

E

m 1975, a ONU ratificou a data de 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Essa data já havia sendo comemorada desde 1910 pelas feministas, em função dos acontecimentos ocorridos em 8 de março de 1857, quando operárias de uma fábrica têxtil de Nova Iorque cruzaram os braços. Elas exigiam melhores condições de trabalho e equiparação salarial com os homens. O resultado do protesto foi catastrófico: a polícia e os proprie-tários trancaram as operárias na fábrica e atearam fogo. Morreram 130 tecelãs e essa data nunca mais foi esquecida.

Recordando a luta das mulheres por direitos iguais, podemos resgatar a história de Hildegard de Bingen, que talvez tenha sido a primeira

fe-minista da história. No Brasil ela é chamada por alguns de Santa

Hildegarda.

Ela nasceu em 1098, sem que se saiba precisar

o dia, em Bermersheim vor der Höhe, na

Alema-Santa Hildegard de

Bingen

(1098-1179)

Festa litúrgica: 17 de setembro

nha. Ela vinha de uma família nobre do Sul daquele país e já aos três anos começou a demonstrar habi-lidades especiais, como a de ter visões.

Foi nessa época que as primeiras cruzadas co-meçaram a partir para Jerusalém, pois em 1095 o Papa Urbano II conclamara a cristandade a “libertar a Terra Santa das mãos dos infiéis”.

Aos quinze anos foi levada a um convento para receber uma educação qualificada, como era cos-tume para as famílias nobres daquela época. Os rapazes recebiam formação para serem cavaleiros e as moças para serem freiras.

Hildegard aprendeu a ler e a escrever e logo foi demonstrando notável inteligência. Ela era uma grande observadora da natureza e acreditava no poder de cura das plantas.

Quando sua tutora faleceu, ela tornou-se a abadessa do convento, com 38 anos. Suas visões continuavam e ela recebeu a incumbência de des-crevê-las. Ela demorou cinco anos para ditar o livro ao seu padre-confessor. O livro começou a ficar famoso e uma comissão papal foi designada para averiguá-lo. Conclusão: tratava-se realmente de inspiração divina. Atualmente o livro já tem tradução

''A VONTADE DE DEUS UNE-SE AO

AMOR NUMA FORMA DE QUIETUDE''.

''AINDA QUE O MUNDO NAUFRAGUE,

PERMANECE FORTE E VALENTE''.

Santa Hildegard de Bingen

(8)

ao português – Scivias (Scito Vias Domini), Conhece os caminhos do Senhor – onde são descritas 26 das suas visões.

Com muita habilidade e determinação, ela cons-truiu e administrou dois conventos, escreveu livros de teologia, medicina e ciências naturais, além de compor música sacra.

O seu livro de ciências naturais – Physica – e seu livro de medicina natural – Causae et Curae (Causa e cura) – escritos entre 1151 e 1158, ganharam des-taque e o segundo, sobre plantas medicinais, escrito em 1158 é, até hoje, referência da medicina natural.

Obras: Livro das Obras Divinas, Scivias, Physica, Causa e Cura.

Hildegard previu a sua morte e acertou a data: 17 de setembro de 1179, com 81 anos. Ela foi canoni-zada em 2012 pelo Papa Bento XVI, quando também foi promovida a doutora da Igreja.

Santa Catarina de

Siena

(1347-1380)

Festa litúrgica: 29 de abril

Padroeira da Itália

Ela nasceu em 25 de março de 1347 na cidade de Siena, na Itália. Sua mãe teve gêmeas, mas só Cata-rina sobreviveu. Por incrível que pareça, ela era a vigésima quarta filha de uma família muito pobre. Seu pai era tintureiro e Catarina não teve nem chance de aprender a ler e a escrever. No entanto, a família era muito católica e confiava no amor de Deus para criar tantos filhos (25 no total).

A saúde da futura santa era muito precária e um dos aspectos que sempre chamou a atenção na vida dela é que desde a infância ela tinha visões. Já aos sete anos ela deci-diu dedicar sua vida a Deus. Seus momentos de oração eram demorados e ela fazia penitências rigorosas, mesmo que isso não agradasse a sua família.

Aos quinze anos ingressou na Ordem Terceira Dominicana, inicialmente como leiga. Ela gostava da clausura pois dessa forma podia fazer seus rigorosos jejuns, que sua família criticava.

Em seus momentos de oração era comum que ela entrasse em êxtase. Sua devoção era tanta que muitas pessoas se convertiam apenas com o seu exemplo.

Quando se tornou adulta, ela queria enviar orientações para as pessoas, mas como não sabia escrever, ela ditava as cartas. Suas principais recomendações se referiam à caridade, à misericórdia e ao esforço pela paz.

Uma grande dificuldade por ela enfrentada foi o cisma católico, quando dois Papas disputavam a cátedra de São Pedro. A sede da Igreja estava em Avignon, na França, e sofria com influências políticas.

(9)

Catarina decidiu agir e foi viajar pela Europa. Inspirada por Deus, ela falava, pregava, ditava car-tas aos reis, príncipes e governantes, aos cardeais e bispos, enfim, tratava de externar sua opinião com a autoridade e fama que tinha.

Finalmente, ela teve êxito e Urbano VI, o verda-deiro Papa, voltou para Roma e assumiu o governo da Igreja.

Outra atuação de destaque dela foi durante a peste negra, que dizimou cerca de um terço de toda

por pessoas que reconheciam seu valor. É inegável o valor histórico, religioso, espiritual e místico de suas obras, sendo que a mais famosa é “Diálogo sobre a Divina Providência”, que é lida e estudada até os tempos atuais.

O corpo de Catarina era pequeno, frágil e apre-sentava os estigmas, ou seja, as chagas da Paixão de Cristo. Ela faleceu em 29 de abril de 1380, sendo vítima de um derrame, quando tinha apenas 33 anos. Ela ainda nem tinha feito os votos perpétuos, sendo uma simples irmã leiga da Ordem Terceira dos Dominicanos.

Sua cabeça está na sua cidade natal, Siena, enquanto seu corpo foi levado para Roma. Ela foi canonizada pelo Papa Pio II, em 29 de junho de 1461. O Papa Paulo VI a declarou Doutora da Igreja em 03 de outubro 1970, por sua notável contribuição teológica e mística.

Obras: Diálogo sobre a Divina Providência, Revela-ções, Cartas completas, As orações

''A AMIZADE, CUJA FONTE É DEUS,

NÃO SE ESGOTA NUNCA''.

Santa Catarina de Siena

''TODO O MAL É

AUSÊNCIA DE AMOR.''

Santa Catarina de Siena a população da Europa. Ela não se atemorizou e foi ajudar os doentes, lutando por eles, ajudando a curá-los e orando por eles e com eles. Seu teste-munho de amor, caridade e misericórdia converteu muitos pagãos.

Apesar de ser analfabeta, ela conseguiu deixar um legado de grandes obras ditadas e copiadas

Santa Teresa

D'Ávila

(1515-1582)

Festa litúrgica: 15 de outubro

Também conhecida como Santa Teresa de Jesus

Teresa nasceu na Espanha, na cidade de Ávila, em 28 de março de 1515. Seus pais, Alonso e Beatriz, a educaram junto com seus irmãos dentro dos valores cristãos.

Quando foi alfabetizada, começou a ler a vida dos mártires e se sentiu atraída para doar sua vida inteiramente a Deus. Sua

vontade era fugir de casa e ir para o Oriente para converter os mouros, mesmo que com isso pudesse ser martirizada.

(10)

Santa Teresinha do

Menino Jesus

(1873-1897)

Festa litúrgica: 1º de outubro

Aos doze anos ficou órfã de mãe e Teresa adotou Nossa Senhora como sua mãe. Com dezesseis anos ela era uma adolescente com vida intensa e vaidades comuns à idade. Ela foi enviada a estudar no colégio das agostinianas, em Ávila. Alguns meses depois, ela adoeceu e foi mandada de volta à casa paterna. Por essa época começou a ter suas primeiras visões místicas, experiências espirituais em que se sentia conversando com Deus.

Aos vinte anos decidiu ingressar na vida religio-sa, mas seu pai não permitiu. Ela, então, fugiu de casa e foi para o Convento Carmelita da Encarnação, em Ávila. Novamente ela adoeceu e seu pai a levou de volta para casa. Quando estava recuperada, decidiu retornar em definitivo ao convento carmelita,

Com 39 anos ela iniciou seu grande trabalho de reformadora do Carmelo.

''A ORAÇÃO NÃO CONSISTE

EM PENSAR MUITO,

MAS EM AMAR MUITO''.

Santa Teresa D'Ávila

Marie Françoise-Thérèse Martin, que ficou co-nhecida como Teresinha, nasceu em 02 de janeiro de 1873, na cidade de Alençon, na França. Seus pais eram Louis Martin e Zélia Guérin Martin. Eles tiveram nove filhas, todas mulheres. Três faleceram na infância e as outras seis se tornaram religiosas.

Quando tinha quatro anos, Teresinha ficou órfã de mãe e o pai se mudou com a família para a cidade

fundou seu primeiro Convento das Carmelitas Descal-ças da regra de São José, em Ávila, e lá passou a morar. Nem preciso dizer que ela enfrentou também resistência às suas mudanças, mas em 1580, o Papa Gregório XIII declarou autônoma a província carme-lita descalça.

Teresa fundou vários conventos: 32 mosteiros, sendo dezessete femininos e quinze masculinos, com uma rígida forma de vida, trabalho e silêncio. Depois ela deixou para São João da Cruz a missão de continuar fundando novos conventos, escrevendo também as regras para os mosteiros masculinos.

Mesmo com toda a atividade de reformadora, ela nunca deixou de refletir e registrar suas experiências místicas. Suas principais obras são: O caminho da per-feição, As moradas do castelo interior e a Autobiografia. Oito anos antes de morrer lhe foi revelado o dia e a hora de sua morte, o que se confirmou em 04 de outubro de 1582, quando tinha 67 anos. Ela foi sepultada em Alba de Tormes e até os dias de hoje seu corpo intacto exala um perfume de rosas. Seu coração está em um relicário na Igreja das Carme-litas, em Alba.

Santa Teresa foi canonizada em 1622, pelo Papa Gregório XV, e proclamada Doutora da Igreja em 27 de setembro de 1970, pelo Papa Paulo VI.

Em 1560, ela teve inspiração para um novo Carme-lo, onde se vivesse as regras originais. Dois anos depois,

de Lisieux. Lá ele teria o apoio de parentes para ajudar na educação das filhas.

Quando tinha quinze anos, Teresinha obteve licença do Papa Leão XIII para entrar no Carmelo de Lisieux. Nesse lugar ela viveu por mais nove anos, até falecer de tuberculose aos 24 anos, em 30 de setembro de 1897.

(11)

Apesar de não sair do Carmelo e ter falecido mui-to cedo, Teresinha mostrou que a santidade pode estar nas pequenas coisas do cotidiano, desde que feitas com amor.

É interessante que inicialmente a jovem queria fazer muitas coisas na Igreja, como os padres, os ca-valeiros das cruzadas, os apóstolos, os evangelistas, os missionários e os mártires. Aos poucos, ela foi percebendo que era o amor que movia todas essas pessoas a dedicarem sua vida a proclamar Cristo.

Então, ela chega a uma estupenda conclusão: “Compreendi que o amor encerra todas as vocações e que o amor é tudo, abraça todos os tempos e todos os lugares... Numa palavra, o amor é eterno... Encontrei minha vocação: é o amor”!

''NADA É PEQUENO SE FOR

FEITO COM AMOR''.

Santa Teresinha do Menino Jesus

Teresinha gostava de jogar pétalas de rosas ao ver passar o Santíssimo Sacramento no ostensório, assim também como jogava flores no grande crucifi-xo que havia no jardim do Carmelo. Antes de morrer, ela disse que iria fazer chover sobre o mundo inteiro uma chuva de rosas. Por esses motivos, Teresinha também é conhecida como a Santa das Rosas.

Graças aos seus escritos, Teresinha logo ficou conhecida mundialmente. Sua principal obra é História de uma alma, que se tornou um campeão de vendas. Ela conseguiu conciliar uma teologia profunda com a simplicidade de uma jovem que amava profundamente a Deus.

''A VIDA É UM INSTANTE

ENTRE DUAS ETERNIDADES''.

Santa Teresinha do Menino Jesus Ela foi beatificada em 29 de abril de 1923, pelo Papa Pio XI, e canonizada pelo mesmo pontífice em 17 de maio de 1925.

Em 1927 ela foi proclamada Padroeira das Mis-sões e em 19 de outubro de 1997 ela foi proclamada Doutora da Igreja pelo Papa São João Paulo II.

Merece destaque o fato de que os pais de Santa Teresinha também foram canonizados. Isso acon-teceu em 18 de outubro de 2015,

em cerimônia presidida pelo Papa Francisco.

Obras: História de uma alma, Obras Completas.

Como foi possível constatar pela vida destas quatro grandes personagens da história da Igreja, estamos no tempo de valorização do papel das mulheres em todos os setores da sociedade.

Que saibamos aprender dessas fontes da espiritualidade feminina para nos fortalecermos na fé e seguirmos nossa jornada em cumprimento da nossa missão vocacional.

O autor, colaborador desta Revista, é professor, jornalista e psicólogo clínico em Porto Alegre (RS)

(12)

12 | MARÇO 2021 • revistarainha.com.br

SUSTENTABILIDADE

Juarez Rodolpho dos Santos

Acabar com a falta de água

pa-rece muitas vezes um sonho

dis-tante no atual cenário ambiental

mundial. A escassez de água é

um problema que atinge o mundo

todo em diferentes proporções e

preocupa a humanidade.

Parece um tanto estranho pensar nisso quando vemos as clássicas imagens do nosso planeta azul. Uma vastidão de água sem fim, porém a água po-tável ou mesmo água doce disponível na natureza é bastante restrita, cerca de 97% da água total do

planeta é proveniente das águas dos oceanos.

É essencial buscar soluções para evitar um desa-bastecimento completo do nosso bem mais precio-so. Precisamos cuidar destes pequenos 3% de água doce que nos resta. Por isso, que tal aproveitarmos a data comemorativa do Dia Mundial da Água, em 22 de março, para conhecer algumas iniciativas e bons exemplos que estão sendo aplicados em nosso planeta para reduzir o consumo e proteger as bacias hidrográficas em nosso planeta.

Descarga com água do mar em Hong Kong

Esta iniciativa adotada por Hong Kong depende de três grandes fatores que são características deste lugar: a alta densidade populacional, a proximidade do mar e a distância de fontes de água doce levaram a esta solução inusitada.

Sendo assim, desde 1957, todas as novas casas construídas já contavam com o recurso de descargas com água do mar. Atualmente, cerca de 80% dos 7,2 milhões de habitantes da ilha usam o sistema.

Além de poupar água, o sistema também econo-miza energia. Isto porque a maior parte da água do país tem que ser bombeada desde o rio Dongjiang, na China continental.

Alemanha sem desperdício: água de chuva serve para irrigação Desde os anos 80 a Alemanha adota esta me-dida, utilizando a água que vem dos telhados para outros fins. Esta água é recolhida, filtrada e empre-gada principalmente nas descargas.

Juntamente com esta medida, nos últimos vinte anos pesquisadores aumentaram a captação pluviométrica para ruas, pátios, bem como outras superfícies reduzindo drasticamente o desperdício de água potável.

(13)

O autor, colaborador desta Revista, é designer gráfico em Porto Alegre (RS) [email protected]

Tecnologia auxilia a Austrália a reduzir perdas

Desde o início da virada do milênio, a cidade de Melbourne mantém um sistema de gerenciamento total de seu ciclo hídrico. A cidade monitora de for-ma integrada inforfor-mações sobre consumo, chuvas, desperdício e águas subterrâneas.

Dessa forma, consegue garantir a captação e distribuição da água de forma mais inteligente.

Estes dados permitiram que a cidade encontras-se soluções específicas para cada área, possibilitan-do uma economia de 40% a 50% em cada setor.

Japão aposta na resistência de suas tubulações

À primeira vista é difícil imaginar que um país que sofre periodicamente com terremotos conse-gue ter um dos menores índices de desperdícios de água. Para atingir este resultado, o Japão apostou na qualidade das tubulações.

Feito de material resistente a terremotos e com sensores que detectam vazamentos, o desperdício de água no país é de apenas 2%. Só para compara-ção, o índice no Brasil é de 37%.

São Paulo realiza controle de pressão de água

Em locais onde há muitos vazamentos em tubu-lações, a solução pode estar no controle de pressão de água. Em São Paulo, a SABESP adotou essa me-dida a fim de minimizar as perdas, principalmente de tubulações não acessíveis (em subsolo, por exemplo). No auge da crise hídrica, alguns locais fi-caram sem receber água, e a empresa foi acusada de diminuir a pressão acima do nível permitido. A falta de pressão teria feito com que a água não chegasse em locais mais altos como, por exemplo, morros.

Igualmente durante a crise hídrica, outra medida de diminuição de pressão da água foi tomada. Fo-ram distribuídos à população redutores para serem colocados nas torneiras.

Aruba dessaliniza água do mar para consumo

Com apenas 320 quilômetros quadrados de ex-tensão, a ilha de Aruba, no Caribe, tem atualmente a segunda maior usina de dessalinização do mundo. Mas a prática não é novidade na ilha, que usa esse método para obter água potável há 80 anos.

A usina, inaugurada em 2000, produz atualmen-te 45 milhões de litros d’água por dia. A água da ilha é reconhecida por sua qualidade e pode ser bebida diretamente das torneiras.

Tais iniciativas estão se mostrando favoráveis para a redução do desperdício da água em nosso planeta, mas precisamos fazer muito mais, desde projetos para reduzir o descarte de esgotos em nossos rios, redu-zindo a poluição, até conscientizar as populações das grandes cidades para um descarte de lixo, principal-mente os recicláveis, mais organizado e efetivo.

Outro fator importante que está literalmente em nossas mãos para uma melhoria é mudar de maneira gradativa a nossa alimentação. Aderir ao estilo vegetariano apenas uma vez por semana, além de ser uma excelente fonte de vitaminas, nutrientes, minerais, antioxidantes e fitonutrientes, requer um gasto muito menor de energia e água no processo de produção do que uma dieta baseada em carnes. Para se ter uma ideia: para produzir um quilo de carne são necessários cerca de sete mil e quinhentos litros de água, o que equivale a 40 vezes mais água do que o necessário para a produção de um quilo de batatas por exemplo, ou seja, fica a dica!

De um modo ou de outro, precisamos seguir pensando e agindo de maneira a cuidar de um de nossos maiores bens: a água!

Com o novo Marco de Saneamento Básico

do Brasil, foi criada uma lei que prevê água

potável para 99% da população e coleta de

esgoto para 90% das pessoas até 2033!

(14)

VOCÊ JÁ OUVIU UMA HISTÓRIA DE ALGUÉM QUE SE

TORNOU DONO DE UM IMÓVEL QUE NÃO ERA SEU?

OU QUE PEGOU UM PEDAÇO DE TERRA E, APÓS

ALGUNS ANOS, CONSEGUIU REGULARIZAR OS

PAPÉIS DA PROPRIEDADE? TODO MUNDO JÁ OUVIU

ALGUMA HISTÓRIA ASSIM. É O QUE CHAMAMOS DE

USUCAPIÃO. MAS, COMO ISSO FUNCIONA?

A

usucapião é uma forma de estabelecer uma função social (como moradia, subsistência, atividade econômica ou outro) para um imó-vel, concedendo a propriedade a alguém que

toma posse, cuida e preza pela manutenção de um bem que, por seu verdadeiro dono, não esteja em consonância com as obrigações.

Assim, qualquer indivíduo que tenha posse, o objetivo de dar uma função social e a intenção de cuidar de um bem como se fosse seu proprietário pode entrar na justiça (observando a legislação) para obter o bem por usucapião após um certo período de tempo.

Isso quer dizer que terrenos abandonados, re-sidências inocupadas, latifúndios largados apenas para especulação imobiliária são exemplos de bens imóveis que não estão atendendo seu dever cons-titucional de terem uma função social e que, por esse motivo, podem ser adquiridos por terceiros por usucapião.

Para facilitar a compreensão, faremos um exemplo prático de como a usucapião funciona:

14 | MARÇO 2021 • revistarainha.com.br

ORIENTAÇÕES JURÍDICAS

Fernanda Martelli

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João constrói sua casa em um terreno que não é dele. Ele pode fazer isso de boa-fé (acreditando que o terreno é seu por herança ou por algum contrato de compra e venda) ou de má-fé (sabendo que o terreno não é seu), mas o faz de qualquer forma. E, além de construir sua residência, João paga os tributos do imóvel e vive com a família durante anos.

Um dia, a Maria vai até o imóvel e informa a João que é a dona, mostrando documentos que compro-vam a propriedade. No entanto, aquele terreno ficou por anos abandonado e João deu a ele uma função social, organizou o local, construiu uma moradia e pagou os tributos corretamente.

Portanto, de acordo com a Constituição Federal e o Código Civil Brasileiro, João tem direito a entrar com pedido judicial de usucapião desse imóvel, já que ocupou de forma contínua, pacífica e indisputada.

Além da via judicial, a usucapião pode ser plei-teada na via extrajudicial, ou seja, todo o processo é realizado em cartório, o que pode ser bem mais rápido, pois sabemos a morosidade da tramitação de processos no Brasil. Mas, o procedimento via extrajudicial tem custos que infelizmente não tem como requerer isenção.

Caso o interessado não possua renda suficiente para arcar com as despesas processuais, poderá ingressar com o pedido na via judicial, compro-var a baixa renda e pedir a gratuidade da justiça, acompanhado por um advogado ou assistido pela defensoria pública.

A autora, colaboradora desta Revista, é advogada - OAB/MS 13.291 [email protected]

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FREI BETTO

Frei Betto

O autor, colaborador desta Revista, é escritor de diversos livros

P

or que orar? Para dilatar o coração e ser capaz de amar assim como Jesus amava. O contrário do medo não é a coragem, é a fé; esta planta que, para vicejar, exige água (a oração) e Sol (o Transcendente). Sem regar, a planta morre calcinada. Essa apreensão amorosa do Transcendente faz desaparecer a ideia de um Ser castigador e repressor. O temor abre espaço ao amor. Deus passa a ser apreendido, como dizia o Papa João Paulo I, "mais como Mãe do que como Pai".

Os místicos de todas as religiões e correntes espirituais ensinam que a ora-ção é como a relaora-ção entre duas pessoas que se amam: do flerte, repleto de

indagações e fascínio, nasce a proximidade.

O namoro é feito de preces, pedidos e louvores. O noivado favorece a intimidade de quem se abre inteiro à presença do outro. Vira os ama-dos pelo avesso. As palavras já não são necessárias. O silêncio plenifica.

Enfim, as núpcias, essa simbiose que levou o apóstolo Paulo a ex-clamar: "Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim". Eis a paixão inelutável, a gravidez do espírito, o vazio de si repleto de Totalidade.

A fé nos revela que o divino se derrama apaixonadamente sobre cada um de nós. Se Ele deixasse de amar, deixaria de ser Deus. A pessoa é que, na sua liberdade, se abre mais ou menos à sua presença amorosa.

A sadia experiência da fé nada tem de fuga do mundo ou o nar-cisismo espiritualista de quem faz da religião mero antídoto para angústias individuais. Nela articulam-se contemplação e serviço ao próximo, oração e vida, alegria e justiça.

Jesus, paradigma na experiência da fé, convida a todos que o en-contram a fazer de Deus o seu caso de amor. E avisa: os novos tempos

não surgem na virada dos séculos ou dos milênios, mas no coração que se converte, muda de rumo, e descobre que o próximo e

o mundo são moradas divinas.

COMO EXPERIÊNCIA DE

AMOR

A FÉ NOS REVELA QUE O DIVINO SE DERRAMA APAIXONADAMENTE SOBRE CADA UM DE

NÓS. SE ELE DEIXASSE DE AMAR, DEIXARIA DE SER DEUS.

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ESPIRITUALIDADE

Pe. Lino Baggio, SAC

O autor, colaborador desta Revista, é padre palotino em Coronel Vivida (PR).

EM JOÃO 7, 40-47 TEMOS UM RELATO

DRAMÁ-TICO E SURPREENDENTE. APÓS ESCUTAR OS

ENSINAMENTOS DE JESUS, HÁ UMA DIVISÃO

ENTRE AS PESSOAS: OS QUE AFIRMAM QUE

ELE É UM PROFETA, O CRISTO, E OUTROS,

COMO OS FARISEUS, QUE DUVIDAM DE SUA

IDENTIDADE, PORQUE VEIO DA GALILEIA.

J

esus vai para a montanha rezar. Pela manhã, volta ao templo e começa a ensinar. De repen-te, uma algazarra de fariseus e escribas, que se aproximam com pedras nas mãos, trazendo uma mulher surpreendida em adultério (Jo 8, 3-11). A lei mosaica permitia matar apedrejadas tais mulheres. Como eles veem nisso, também, uma oportunida-de oportunida-de conoportunida-denar Jesus, apresentam-lhe a situação e pedem uma resposta. Jesus percebe a armadilha que se lhe apresenta. A mulher permanece muda, como uma ovelha levada ao matadouro. Jesus se inclina para a terra, começa a escrever no chão, com o dedo,

e lhes diz: “Que atire a primeira pedra quem não tiver pecado”. Eles largam as pedras no chão, vão embora. Um silêncio toma conta da situação e Jesus percebe que somente a mulher permanece imóvel e surpresa. Jesus lhe diz: “Já que ninguém te condenou, eu tam-bém não te condeno, vai em paz e não voltes a pecar”.

Muito poderia ser dito a respeito do texto e da atitude dos fariseus e de Jesus. Interessa-nos aqui notar o que move Jesus: a defesa da vida ameaçada. Também nos surpreende o modo como recupera a mulher e a devolve para a vida. Jesus não olha para trás, não condena, não dá lição de moral, apenas perdoa e manda que ela vá em paz.

A misericórdia supõe jogar fora as pedras, abai-xar o dedo e mudar a condenação, cuidar, acolher, estender a mão e voltar para a vida em paz! A mise-ricórdia alarga o nosso coração. O que vejo e como vejo depende do coração.

O que são simples palavras diante de tão grande gesto de Jesus? O que são palavras diante das lágri-mas da mulher que se sentiu amada e lançada para uma nova vida?

Neste tempo de Quaresma, ao invés de pedras, lancemos redes de misericórdia e solidariedade para resgatar a vida humana.

Larguemos

as pedras

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IDEIAS BRILHANTES

18 | MARÇO 2021 • revistarainha.com.br

MISCELÂNEA

NOTÍCIAS DO

BEM

Como falamos no tema da água no artigo sus-tentabilidade deste mês, nada melhor que trazer

grandes ideias relacionadas ao tema.

EcoBarreiras Recicláveis!

Em 2017, na cidade de Curitiba (PR), o Rio Atuba ganhou uma ecobarreira para reter o lixo sólido que flutuava por suas águas. O projeto foi desenvolvido por um morador da região.

Diego Saldanha aprendeu a nadar no rio Atuba e foi testemunha do acúmulo de lixo com o passar dos anos. Ele reuniu centenas de garrafas pet de dois litros em uma rede para criar a barreira flutuante, unindo uma margem do rio à outra e impedindo que detritos circulem livremente pela correnteza.

Desde a sua construção, em 2017, Diego estima já ter retirado cerca de três toneladas de lixo do rio.

Seguindo a mesma ideia, os alunos da Escola Municipal Professor Antônio de Brito Alves, no Reci-fe, também decidiram criar sua própria ecobarreira. O modelo também foi desenvolvido com garrafas pet unidas por um cabo, para reduzir a quantidade de resíduos sólidos no canal do ABC, que fica em frente à escola. Parabéns aos criadores! Sustentabi-lidade na prática e reciclagem em dobro! Fon

te: w w w.be egr een.ec o.br No ano de 2020 as INICIATIVAS

DO BEM do Centro Social e Cultural Vicente

Pallotti iniciaram apesar do surgimento do coro-navirus. Assim, a partir dos planejamentos e ob-jetivos da mantenedora, foram elaboradas ações que alcançassem os atendidos para que, mesmo com o distanciamento, pudessem ter acesso às ações interventivas do “Projeto Vicente Pallotti”.

O projeto Vicente Pallotti buscou intervir com ações para verificar a realidade dos atendidos, assim auxiliando, quando necessário, com cestas básicas e atendimento psicossocial.

Foram realizadas ações específicas, con-templando tanto quem teve acesso à internet quanto para quem não teve, através de grupos de apoio online, empréstimos de instrumentos e visitas domiciliares.

Foi um ano difícil, sim!!! Mas foi o ano em que o Centro Social e Cultural Vicente Palotti obteve a possibilidade de estar mais próximo à realidade de seus atendidos, estando na linha de frente de combate à pandemia Covid-19.

#juntossomosmaisfortes | #vicentepallottirogaipornós @socialecultural | @pallotti.social

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FRUTAS E LEGUMES DA ESTAÇÃO

ACONTECEU EM

MARÇO

NA HISTÓRIA

1874 - Nasce Harry Houdini, mágico americano.

1894 - Inicia-se a venda de Coca-Cola em garrafas.

1945 - Nasce Elis Regina, cantora bra-sileira.

1960 - Nasce Ayrton Senna, piloto de F-1 brasileiro.

1964 - Os Beatles conseguem incluir dez canções na lista das cem mais tocadas da Billboard, quebrando o recorde de Elvis Presley.

1987 - Morre Maria Von Trapp, escritora austríaca que inspirou o filme "A Noviça Rebelde".

1994 – Morre Walter Lantz, desenhista criador do personagem Pica-Pau.

Papa Francisco recebe

o

Prêmio Kronos

ambiente 2020

O Prêmio Internacional da Academia Kronos é dado a pessoas e organizações comprometidas com as questões ambientais, mas neste ano o primeiro a ser premiado foi o Papa Francisco. O conceito de ecologia integral expresso pelo Papa, particularmen-te na "Laudato si", foi reconhecido como uma nova visão que pode se tornar um farol nas atividades de muitas realidades ambientais

A instalação da “Capela viva” no Jardim Botânico de Roma, do projeto Laudato si' CUIDAR DA CASA COMUM

É COMPROMISSO DE CADA UM DE NÓS! Fon te: w w w. va tic anne w s.v a

FRUTAS: Abacate, Abacaxi, Ameixa, Banana-maçã e Banana-nanica, Coco verde, Figo, Fruta do conde, Goiaba, Limão, Maçã, Pera, Uva, Pêssego e Tangerina.

LEGUMES: Abóbora, Abobrinha, Berinjela, Beter-raba, Chuchu, Gengibre, Milho verde, Jiló, Pepino, Quiabo e Tomate.

VERDURAS: Acelga, Alface, Alho-poró, Endívia, Escarola, Repolho, Rúcula e Salsa.

Aproveite o que de melhor a natureza tem a lhe oferecer, consumindo os produtos que cada estação traz com mais abundância. Além de mais qualidade, você ainda terá mais economia para o seu bolso! Então, aproveite!

VOCÊ

SABIA?

Muitas mulhe-res foram grandes inventoras no

pas-sado, porém a história tentou esconder tal informa-ção. No mês dedicado à mulher, veja um exemplo:

Katherine Johnson trabalhou na NASA por 35 anos devido às suas extraordinárias habilidades matemáticas, chegando a ganhar uma vaga na equipe que trabalhou na primeira nave espacial lançada em 1961 e no primeiro pouso em solo lunar em 1969 (com a missão Apollo 11).

No entanto, por ser mulher, seus feitios passa-ram despercebidos por seus colegas de trabalho. Porém, todo o seu trabalho foi reconhecido no filme Estrelas Além do Tempo, de 2016, que home-nageou também suas colegas Dorothy Vaughn e Mary Jackson.

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DIREITOS HUMANOS

Clariane Dallazen

E

ste é um mês em que se celebram duas da-tas muito importantes: Dia Internacional da Mulher e o Dia da Juventude. As datas come-morativas, ainda que não devam ser o motivo único para se recordar os temas por elas celebrados, sempre são uma oportunidade simbólica para fazê--lo. Sob essa justificativa, pensei em refletir sobre a proteção integral de jovens mulheres expostas a um cardápio farto de violências.

Socialmente temos essas duas figuras: mulher e criança como indivíduos que necessitam de mais atenção. A mulher, por questões machistas, e a criança, por questões óbvias. Ser tida como al-guém ou algo que precisa de maior proteção pode tanto oportunizar aqueles que querem proteger a oportunidade de fazê-lo com zelo e carinho, como também pode oportunizar aos de má intenção um sinal de que ali se pode fazer violência com menos resistência. Por isso pensar na jovem mulher é tam-bém importante.

Trago o conceito jovem mulher por conta das datas celebradas, não por concordar que a mulher,

por razões machistas, seja mais frágil. Ela é uma ro-cha e, como qualquer ser humano, pode ser aquilo que quiser. Porém, seria hipocrisia negar algumas questões culturais que socialmente ainda colocam a mulher numa situação hierarquicamente inferior. Está aí mais um motivo para se falar do assunto.

Infelizmente casos de abuso sexual e violên-cia doméstica não são ocasionais, são cada vez grandiosos e, mais infelizmente ainda, crescentes. O círculo familiar parece ser o que mais violenta. Isso se tratando de violência doméstica entre cônjuges e também violência de pais/mães/padrastos/madras-tas e demais familiares adjacentes contra menores.

A jovem mulher, neste contexto, parece ser um alvo fácil. Fisicamente mais frágil e social e familiar-mente hierarquicafamiliar-mente inferior, ela parece estar suscetível a um sem número de violências. Não faz muito tempo que um caso emblemático de autori-zação judicial para o aborto trouxe essa realidade à tona. O caso de uma guria de 11 anos que teria sido violentada pelo avô, com o resguardo da avó, tendo sido autorizado pelo Judiciário livrar-se da

VIOLÊNCIA CONTRA A

MULHER JOVEM

E O DIREITO

À PROTEÇÃO INTEGRAL

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A autora, colaboradora desta Revista, é graduada em Direito e Letras e mestre em Literatura Comparada pela Unioeste [email protected]

“prova do crime”. Detalhe é que a prova do crime era uma vida.

Violências desse porte envolvendo infantes são para além de entristecedor e revoltante, muito em-blemáticos. Não podem ter apenas 15 minutos de fama. Tem que valer a pena. Jesus Cristo não morreu na cruz para ser notícia. Ele fez por amor. É claro que, no caso narrado, amor não é exatamente o foco, mas há que se considerar uma intenção de proteção. A questão é: de quem?

Uma criança ser obrigada a gestar não me parece nada justo, mas também não me parece justo ser coagida pela avó traída a não gestar por ser incapaz civilmente. Do mesmo jeito que não parece justo aquele serzinho que, ao estar gestado, ter o dom da vida retirado por alguém que não é Deus.

Até onde vão os limites do Judiciário para a proteção dos seus? É possível selecionar os seus? O que, de fato, é proteção integral? Onde o ser humano se perdeu em si mesmo ao ponto de ser necessário que o Estado decida sobre a vida de um ou outro dos seus protegidos, sem que a

institui-ção mais antiga que existe (família) tenha feito isso primeiro? A responsabilidade, por isso, é de quem?

São perguntas difíceis de responder. É preciso muita disposição para pensar e se ter a pretensão de achar que são respondíveis. Mas uma coisa é fato: o dever de proteção começa na família. Algumas não fazem questão de proteger e outras fazem questão de usar a oportunidade de proteger para exercer violência. Isso é triste e exige do Estado uma postura que, por vezes, é falha.

Com essa enxurrada de questionamentos, nos atentemos para as violências que cometemos e para as violências que não evitamos. Nos atentemos às oportunidades que perdemos de proteger, dele-gando a uma instituição o que podemos fazer por nós mesmos. Usemos essas datas comemorativas para intensificar nossa proteção a nossas crianças/ adolescentes e mulheres, dando a elas o valor que merecem, não o abuso e negligência que as agride.

(22)

22 | MARÇO 2021 • revistarainha.com.br

PROPÕEM PENSAMENTO CRÍTICO SOBRE ATUALIDADE

FILOSOFIA

GRADUAÇÕES EM

e

TEOLOGIA

CURSOS SÃO FRUTO DE

COOPERAÇÃO ENTRE UNIVERSIDADE

LA SALLE E FAPAS

Duas importantes instituições de ensino superior brasileiras firmaram uma cooperação que permitirá levar a educação a distância de qualidade para ainda mais alunos. A Universidade La Salle, uma das maio-res redes de educação do mundo pmaio-resente em mais de oitenta países, e a Faculdade Palotina – FAPAS, dos Padres e Irmãos Palotinos, Faculdade Palotina, que atua há mais de vinte anos em Santa Maria (RS), uniram suas experiências para desenvolver os projetos pedagógicos de dois cursos de graduação: Filosofia e Teologia. “Os cursos estão focados em pro-piciar um olhar crítico e compreensivo em relação às perguntas fundamentais da vida humana: Quem sou? Qual minha história? Qual o meu futuro? Há sentido em minha existência? Perguntas não apenas pessoais, mas da própria espécie humana, e que em algum momento de nossas vidas necessitaremos responder”, avalia o vice-reitor da Universidade La Salle, Prof. Dr. Cledes Casagrande, fsc.

Os cursos, que estão com inscrições abertas, ocorrem na modalidade EAD, alinhados aos novos tempos, em que o ensino a distância ganha força e

apresenta-se como uma modalidade capaz de levar o ensino a diferentes regiões do Brasil. Interessados em diferentes estados brasileiros, onde estão locali-zadas as unidades EAD da Unilasalle, poderão cursar as graduações.

ATENDIMENTO PERSONALIZADO

É DIFERENCIAL

Um dos diferenciais da educação a distância na Universidade La Salle / FAPAS é o atendimento e acompanhamento do aluno de maneira próxima e personalizada. O aluno tem um apoio virtual ou presencial ao longo de cada disciplina, podendo ter momentos ao vivo, via videoconferência, com seus professores, tutores e colegas.

CONTEÚDO PRÓPRIO

Outro ponto importante é que o conteúdo que o aluno vai receber é produzido por professores Mestres e Doutores que integram o corpo docente das instituições.

A Universidade La Salle possui mais de 40 anos de tradição em Canoas (RS) e a Faculdade Palotina atua há mais de 20 anos em Santa Maria (RS).

EDUCAÇÃO

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A autora, colaboradora desta Revista é assessora de imprensa na Universidade La Salle [email protected]

GRADUAÇÃO EM TEOLOGIA

Diferente do que muitos pensam, a graduação em Teologia não é direcionada apenas para pa-dres. O curso promove o diálogo entre fé e razão e contribui com outras áreas do conhecimento. “Em uma sociedade que exige, cada vez mais, capacidade de trabalho coletivo, compreensão mútua, capacidade de posicionamento ético e coerência nas escolhas, essas formações não perdem sua importância, pertinência e atualidade”, avalia Cledes.

A estrutura curricular do curso possibilita ao aluno pensar o mundo e as diferentes realidades, considerando os contextos regionais onde vive em articulação com os contextos nacional e global.

GRADUAÇÃO EM FILOSOFIA

O Curso de licenciatura em Filosofia, oferecido na modalidade a distância, tem por finalidade a formação de professores para atuarem na educação básica (ensino fundamental e médio). O objetivo é a formação de profissionais competentes e capazes de compreender e promover a aprendizagem dos conhecimentos e dos métodos próprios da atividade filosófica, de modo reflexivo e crítico.

O Vice-reitor salienta, ainda, a importância da formação superior no desenvolvimento das pessoas: “Qualquer formação acadêmica de nível superior (bacharelado, licenciatura ou tecnólogo) contribui para o desenvolvimento da pessoa; trata-se de formação cultural que implica em melhor compreensão da realidade e de si mesmo. Por isso, podemos dizer que o sujeito que conclui um curso de graduação será diferente daquele que iniciou o curso, porque se pressupõe que evoluiu, se desenvolveu e apri-morou sua própria existência no decorrer da formação”, avalia.

SOBRE A COOPERAÇÃO

A Universidade La Salle e a Faculdade Palotina são instituições de ensino superior de caráter comu-nitário e confessional, voltadas para o mundo em suas dimensões de passado, presente e futuro, cujos alicerces estão calcados no humanismo e na fé cristã. Em 2020, a Unilasalle e a FAPAS estabeleceram uma parceria que busca conjugar as experiências adquiridas ao longo destas trajetórias, para desen-volver projetos pedagógicos de cursos e a oferta de cursos na modalidade EAD.

INSCRIÇÕES E BOLSAS

As inscrições para o vestibular já estão abertas em:

unilasalle.edu.br/vestibular

Confira informações sobre

bolsas de até 50% de des-conto para Diplomados

e outras modalidades de desconto. Saiba mais em:

(24)

O

estado de Santa Catarina é o quarto maior produtor de alimentos agroe-cológicos do país. Segundo a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – EPAGRI – o estado possui 1.275 Unidades de Produção Orgânica (UPOs) e com mais de 700 propriedades em processo de certificação. Os estados do Para-ná, Rio Grande do Sul e São Paulo lideram no ranking da produção agroecológica.

O número de produtores que se dedicam ao cultivo de orgânicos aumentou signifi-cativamente nos últimos anos. Cultivam no sistema orgânico: frutas, seguidas de raízes, hortaliças e grãos. Nesta edição de Fragmen-tos da Vida, conto a experiência da agrônoma Lucinéia Vanzeto e os motivos que a levaram a dedicar mais de vinte anos de sua profissão ao sistema orgânico.

LEGISLAÇÃO

As famílias conquistaram o direito de terem sua produção diferenciada reconhecida atra-vés da Lei Nº 10.831 de 2003, que dispõe sobre a agricultura orgânica. “Mas para ter o direito de utilizar o selo que reconhece seu produto como orgânico, o agricultor deve contratar uma certificadora, e passar pelo crivo de au-ditores que constatarão se sua produção está ou não de acordo com a legislação vigente, se respeita ou não os princípios e normas da agricultura orgânica”, explicou a agrônoma.

Dentre tantas lindas e encantadoras ex-periências profissionais, Lucinéia escolheu dedicar sua vida ao sistema orgânico. “Escolhi trabalhar com um conjunto de empreendi-mentos individuais que coletivamente lutam para se fortalecerem e se consolidarem no

24 | MARÇO 2021 • revistarainha.com.br

FRAGMENTOS DA VIDA

Pe. Judinei José Vanzeto, SAC

Sistema

orgânico em

prol da vida

(25)

mundo da agricultura orgânica. Encravados nos pés da Serra Geral Catarinense, empreendimentos familiares trabalham desde o plantio, agroindustria-lização, distribuição e comercialização de alimentos de elevado valor nutricional. Vão aos poucos se for-talecendo, buscando novos parceiros, criando novas possibilidades e aumentando essa teia do bem”.

Ainda ela acredita que a agricultura orgânica é a forma mais justa que existe por respeitar a vida e os processos naturais: “Respeita a vida do solo, do planeta, do agricultor, do consumidor”.

OBJETIVOS DO SISTEMA

Um dos principais objetivos do setor consiste em estabelecer preços mais competitivos com os alimentos convencionais, oferecendo aos consu-midores alternativas para equilibrar o orçamento, bem como cuidar melhor da saúde através de uma boa alimentação.

Muitas pessoas pensam que os alimentos orgâ-nicos são os mais caros. Mas nas feiras orgânicas o preço é, geralmente, menor que nos supermerca-dos da cidade. Pois ao adquirir o produto direto do produtor, não passa pelos atravessadores. Assim, o consumidor tem opções para adquirir os produtos com preço justo, sobretudo, para os agricultores.

Segundo Lucinéia, pelo país afora há inúmeras experiências de famílias agricultoras que optaram pelo sistema, e estão buscando se reconectar com a MÃE TERRA. Buscando o equilíbrio entre pro-dução de alimentos e respeito aos bens naturais, aperfeiçoando conhecimentos para cada vez mais oferecer alimentos de qualidade, saudáveis e livres de agrotóxicos, para todos que buscam uma vida mais equilibrada e saudável e que se preocupam com o impacto do que consomem.

Para finalizar a matéria, lembrou a célebre frase do filósofo e médico grego Hipócrates (460-377 a.C.): “Que seu remédio seja seu alimento, e que seu ali-mento seja seu remédio”.

O autor, colaborador desta revista, é jornalista e padre palotino em Coronel Vivida (PR) [email protected]

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26 | MARÇO 2021 • revistarainha.com.br

PSICOGERONTOLOGIA

Helena Finimundi Balbinotti

N

os dias atuais, por conta das consequências da pandemia que tem atingido a todos, hou-ve um aumento na busca por psicoterapia relacionada a sintomas como o medo, a de-pressão e a ansiedade. Muitos desses sintomas são encontrados em vários quadros psicopatológicos, como a fobia e os transtornos do pânico, mas nem sempre os diagnósticos são iguais.

Geralmente, as pessoas, principalmente as adul-tas jovens e as que se encontram na maturidade, alegam que seus sofrimentos iniciaram com a Pan-demia do Coronavírus. Entretanto, os profissionais da saúde sabem que, subjacente aos sintomas, devem levar em conta a estrutura psicológica de cada indivíduo, previamente formada pela história vivida, que determinará a maneira de como cada um se comportará diante dos fatos.

Alguns indivíduos, geralmente os idosos, vêm reagindo aos acontecimentos através do medo e sen-tido esse momento como uma ameaça à integridade psicológica e à vida. Sentem que podem amenizar esse sentimento com atitudes positivas, revigorando relações de afetos e passando a limpo o que a vida atribulada não permitia. Acreditam que tudo voltará ao normal quando o fato causador cessar. Desta forma, o medo atua como um muro que impede a adoção de ações em prejuízo próprio e atua, em certa medida, no equilíbrio e tomada de decisões, protegendo-os. Mesmo entendendo que é importante acatar as res-trições e recomendações feitas pelos órgãos de saúde, para evitar a contaminação e propagação da doença aos demais, sentem-se mais temerosos que o normal e frágeis emocionalmente.

Entretanto, existem pessoas que apresentam um quadro mais agudo, como a fobia, com mani-festações de pavor irracional diante da situação, agravando a qualidade de vida, devido ao exagero de cuidados e precauções e até mesmo, daquilo que não representa um risco real é fantasiosamente considerado uma ameaça de destruição e morte. Es-ses indivíduos procuram se defender da ansiedade associando-a a um objeto externo, o que caracteriza a sua fobia ou medo.

Geralmente se isolam totalmente, não recebem e não se comunicam com familiares e amigos,

(27)

A autora, colaboradora desta Revista, é psicóloga clínica, psicogerontóloga em Porto Alegre (RS) [email protected]

As pessoas que sofrem desse transtorno têm a qualidade de vida bastante prejudicada e, diante da pandemia e suas limitações, regridem para sintomas mais graves, como descontrole, insônia, inapetência, tontura, ansiedade, taquicardia, sensação de medo de morrer, crises de angústia e outros mais...

Um profissional atento deve distinguir as rea-ções que são normais, como o medo, decorrente das restrições impostas pela pandemia e que tolhem a liberdade pelos cuidados e afastamento das pes-soas, daqueles comportamentos psicopatológicos, isto é, que adoecem a pessoa.

PERCEBER QUE A CAUSA DOS

SO-FRIMENTOS NÃO ESTÁ SOMENTE

NOS ACONTECIMENTOS ATUAIS,

MAS NA HISTÓRIA DE CADA UM

E SUAS CONDIÇÕES EMOCIONAIS

PREEXISTENTES, AJUDARÁ NOS

TRATAMENTOS DESSES PACIENTES.

A recomendação que se pode fazer é que, diante desses sintomas, as pessoas devem procurar por ajuda psicológica porque existem tratamentos que auxiliam a transformar a vida e oportunizam as pessoas serem mais felizes e livres.

Por fim, se por um lado a Pandemia trouxe gran-des sofrimentos, por outro ajudou muitas pessoas a buscarem a resolução de antigos sofrimentos e limitações, muitas vezes, acobertados por fugas nas compras, na comida e bebida, no trabalho, nas academias e na resignação de que teriam que viver assim mesmo.

Como refere Ralph Waldo Emerson “O medo sempre provém da ignorância e do desconhecido”. mo com proteção. Banham-se toda vez que tocarem

em algo e sentem que tudo pode estar contamina-do. O medo aumenta a cada notícia de morte divul-gada pelos meios de comunicação. Muitos outros sintomas, como a depressão e a angústia, também estão presentes e o temor para buscar ajuda existe pelo medo de se contaminarem com o profissional. Os transtornos de pânico, por sua vez, são um outro tipo de manifestação muito presentes em nossa atualidade, devido às pessoas não saberem como se prevenir e se defender do agente amea-çador. As causas alegadas referem-se à pandemia e suas consequências.

Esse transtorno foi classificado por Freud, no final do século XIX, como neurose de angústia e caracterizado por ataques de ansiedade, acompa-nhado, muitas vezes, de agorafobia ou depressão periódica.

A neurose de angústia foi subdividida em neurastenia e hipocondria e era denominada de neurose atual, em contraposição às psiconeuroses de defesa como a histeria, a neurose obsessiva e a paranoia, muito presentes naquela época.

O que se observa hoje é que os sintomas do transtorno ou síndrome do pânico têm as mesmas manifestações e etiologia da neurose de angústia, como o pânico, o sentimento de desamparo diante de uma situação ameaçadora, a insegurança por não conseguir prever uma crise e a incapacidade de se defender, quando ela acontece em qualquer momento e em qualquer lugar.

A ausência de um objeto definido, contra o qual o sujeito possa se defender, pode gerar, muitas ve-zes, uma sensação de morte súbita ou de iminente loucura. É somente na fase de ansiedade anteci-patória e de esquiva fóbica que o indivíduo pode eleger uma causa real para sua ansiedade. Contu-do, qualquer representação é incapaz de conter a possibilidade de um novo ataque de pânico, pois nessa doença os mecanismos de defesa psicológicos são inconsistentes, quando comparados à fobia. O desamparo sentido aponta para uma causa de origem inconsciente, relacionada a algum evento traumático da infância, ou no passado recente, e até mesmo por traumas atuais.

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ACREDITO QUE TODA PESSOA BEM-INTENCIONADA

DESEJA AJUDAR. SE A PESSOA, ALÉM DE

BEM-IN-TENCIONADA, CHEGOU A UM GRAU MAIS ELEVADO

DE CONSCIÊNCIA, CERTAMENTE IRÁ PERCEBER QUE

TUDO E TODOS ESTÃO INTERLIGADOS: SERES

HUMA-NOS, REINO ANIMAL, REINO VEGETAL, ENFIM, TODA A

NATUREZA ESTÁ EM SINTONIA; OU DEVERIA ESTAR...

NÃO PODEMOS ESQUECER QUE TODO UNIVERSO FAZ

PARTE DO COSMOS, OU SEJA, DA GRANDE HARMONIA

QUE ENVOLVE TUDO O QUE EXISTE.

A

falta de harmonia e de uma consciência maior é que gera desequilíbrios, como, por exemplo, desmatamentos e, consequentemente, secas. No entanto, no ano passado tivemos uma situação atípica para a humanidade, ao menos no que se refere aos últimos tempos.

Outro aspecto a sublinhar é o de que se as pes-soas experimentassem como é bom fazer o bem, certamente teríamos pessoas mais bondosas, nem que fosse por interesse próprio. Não podemos che-gar à plenitude do nosso ser individualmente. Se não desenvolvermos nosso potencial para o Bem, jamais seremos quem realmente poderíamos ser, nem cumpriremos a missão que Deus nos confiou desde o início de nossa vida.

Não se deixem enganar: por maior que seja o aparente sucesso dos egoístas, dos que fazem e pregam o ódio, na verdade eles são uns ignorantes e irão se frustrar. Mais cedo ou mais tarde perceberão o quanto deixaram de viver por não promoverem a verdadeira Vida!

CONSEQUÊNCIAS

Nenhum de nós havia passado por uma pandemia mundial de tal envergadura. Evidentemente que as consequências logo se fizeram sentir e repercutem até hoje. Um dos reflexos da pandemia foi a crise econô-mica; outro, foi a solidão forçada, pois o recomendado era ficar em casa e evitar o convívio social.

Alguém pode estar pensando: “conheço pessoas que se isolaram e não entraram em crise”. Concordo, mas vamos convir que foi uma minoria. Os con-sultórios de Psicologia tiveram sua procura muito aumentada; mas, nem todos têm condições de ser atendidos por um psicólogo.

Além disso, o pior tipo de solidão não é aquele em que a pessoa está fisicamente afastada dos de-mais. O pior tipo de solidão é quando a pessoa per-cebe que ninguém verdadeiramente a compreende e, principalmente, ela não tem com quem contar.

Outra questão importante: como saber se al-guém está precisando de ajuda? Como bem sabe-mos, as grandes dores são mudas, e nem sempre conseguimos ter a proximidade suficiente para saber se alguém realmente está numa grande crise.

Como seria bom e útil se tivéssemos um apare-lhinho para ler e decifrar olhares. Sim, porque o olhar é o espelho da alma e quantos olhares sem brilho temos visto ultimamente!

Os

atiradores

de cordinhas

28 | MARÇO 2021 • revistarainha.com.br

OÁSIS

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Nessa intenção e tentativa de ajudar o maior número de pessoas possível, corremos o risco de nos frustrarmos. Nessas horas, recordo uma colega minha do curso de graduação em Psicologia, que ocorreu na década dos anos 80.

RECORDAÇÃO INESQUECÍVEL

Ela foi e é uma pessoa inesquecível. Aliás, eu sempre digo para quem compartilhou aquela época conosco, que ela foi a pessoa mais inteligente que já conheci em toda a minha vida! Infelizmente, ela partiu muito cedo para a casa do Pai.

Por favor, não associem inteligência com ter res-posta para tudo. Nem o Google tem resres-posta para tudo, e olha que ele sabe infinitamente mais do que qualquer um de nós.

Ela tinha todos os aspectos da inteligência: cog-nitiva, emocional, social, espiritual, enfim, era uma pessoa plena! Ela também tinha tudo que a socie-dade espera de uma pessoa bem-sucedida: casada, com filhos, beleza, saúde, equilíbrio, boa posição social, liderança e, acima de tudo, era uma pessoa simpática, simples e fácil de conviver.

Sua passagem para a vida eterna foi realmente um acidente que consternou a todos que a conhe-ceram.

Depois de formada em Psicologia, ela abriu um consultório que tinha uma boa procura. Quando

alguém lhe perguntava o que fazer se uma pes-soa não queria se tratar, ela respondia,

mais ou menos, assim: “Se alguém está no fundo do poço, não

adian-ta esticar o braço, pois o poço é mais fundo. Eu só posso atirar uma cordinha. Se a pessoa pegar a corda, então eu posso ajudá-la a subir, a sair do fundo do poço. No entanto, se ela não quiser segurar a

cor-da, eu não posso fazer nada”.

Sempre gosto de recordar esse modo simples como ela explicava a situação dos que não querem ser ajudados.

Quantas vezes já nos equivocamos na avaliação dos outros?! Algumas vezes, podemos ter tentado ajudar quem não queria ou não precisava de ajuda. Outras vezes, não nos demos conta de quanto uma pessoa estava carente e precisando de alguém para ampará-la!

É claro que não devemos ficar alimentando culpas pelos nossos enganos. Afinal, o que valia era a intenção de ajudar, e nem sempre a percebemos corretamente.

O que nos cabe levar pela vida afora é não desa-nimar. Devemos continuar querendo prestar ajuda a todos que pudermos ajudar, principalmente em se tratando de um ser humano. Ah! Isso também vale para um simples animalzinho abandonado ou para uma plantinha sedenta de água. A intenção e a energia de fazer o bem, de promover a vida, vale sempre.

Que todos nós continuemos, portanto, a ser atiradores de cordinhas, de oferecer ajuda a todos que passarem pela nossa vida. Não desistir nunca! Só assim conseguiremos expandir nosso potencial e chegarmos a um nível de existência mais plena!

Amém!

Se alguém está no fundo do poço,

não adianta esticar o braço, pois

o poço é mais fundo. Eu só posso

atirar uma cordinha. Se a pessoa

pegar a corda, então eu posso

ajudá-la a subir.

O autor, colaborador desta Revista, é professor, jornalista e psicólogo clínico em Porto Alegre (RS)

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30 | MARÇO 2021 • revistarainha.com.br

SABER VIVER

Pe. Denilson Geraldo, SAC

O PAPA FRANCISCO PUBLICOU, EM 08 DE

DEZEMBRO DE 2020, A CARTA APOSTÓLICA

PATRIS CORDE SOBRE A PESSOA DE SÃO

JOSÉ, CELEBRANDO O 150º ANIVERSÁRIO DO

TÍTULO DE PADROEIRO DA IGREJA CATÓLICA

CONFERIDO PELO BEATO PIO IX.

A Carta Apostólica é uma reflexão pessoal do Papa Francisco, inserida no contexto da pandemia da Covid-19, para mostrar a pessoa de São José à Igreja como um modelo de ajuda, de amor à família, de trabalho simples e oculto.

Em meio à pandemia, podemos reconhecer a presença da espiritualidade de São José no cotidia-no com sua característica discreta, dentre aqueles que estão trabalhando pelas famílias e pelo social, por exemplo: médicos, enfermeiras, balconistas de supermercado, faxineiros, transportadores, poli-ciais, voluntários e principalmente os padres e os religiosos.

A referência à vida de São José foi seu ma-trimônio com Maria e a paternidade adotiva

O CORAÇÃO

PATERNO

DE

Referências

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