Seg. Is 65,17-21 | SI 29,2.4-6.11-12a.13b (R. 2a) | Jo 4,43-54. Ter. Ez 47,1-9.12 | SI 45,2-3.5-6.8-9 (R. 8) | Jo 5,1-16. Qua. ls 49,8-15 | SI 144,8-9.13c-14.17-18 (R/. 8a) | Jo 5,17-30. Qui. Ex 32,7-14 | SI 105,19-23 (R. 4a) | Jo 5,31-47. Sex. 2Sm 7,4-5a. l2-14a.16 | SI 88(89),2-5.27.29 (R/. 37) | Rm 4,13.16-18.22 | Mt 1,16.18-21.24a ou Lc 2,41-51a. Sáb. Jr 11,18-20 | SI 7,2- 3.9b-12 (R. 2a) | Jo 7,40-53
Se o grão de trigo cair na terra, e morrer, produzirá muitos frutos Jr 31,31-34 | Sl 50 | Hb 5,7-9 | Jo 12,20-33
Roxo | I Semana do Saltério
21 de MARÇO
5º DOMINGO DA QUARESMA
N
a primeira leitura do profeta Jeremias éapresentado um dos trechos mais famosos e esperançosos do Antigo Testamento. A ideia da Aliança constitui o horizonte de fundo de toda a relação de Deus com o seu povo. Ao criar o homem e a mulher “segundo a sua imagem”, expressa um claro desejo de fazer deles interlocutores e amigos. Infelizmente ela resultou num “não” a Deus. Quando, porém, “perderam a amizade com Deus, não os aban- donou ao poder da morte” (Oração Eucarística IV).
A Aliança foi refeita com o “sim” de Abraão e Sara: Faço Aliança contigo e com tua posteridade (Gn 17,7). Mais do que um pacto bilateral, ela é um dom de Deus que vem ao encontro da comunidade de Israel. Este processo de pacto bilateral prossegue com a Aliança feita no monte Sinai através do Decálogo escrito em tábuas de pedra, ainda não no coração das pessoas.
Com a proposição do profeta Jeremias, ao redor dos anos quinhentos, sete séculos após a Aliança do Sinai, os mandamentos da Aliança não são mais gravados em pedras, mas na parte mais íntima das pessoas, no coração. A lei não é mais uma imposição externa, é uma necessidade íntima de pensar e agir segundo os caminhos da união amorosa com Deus. Ela tem como modelo de configuração Jesus Cristo e é selada com o Espírito Santo que toma posse das profundezas humanas e a muda a partir de dentro.
O episódio narrado no Evangelho de hoje acon-
tece poucos dias antes dos acontecimentos da nova Páscoa de Jesus. Um grupo de gregos, que eram todos os não judeus que se haviam convertido ao judaísmo – e depois se converterão a Cristo -, recorrem aos após- tolos Filipe e André, de nomes gregos, e pedem para ver Jesus. “Ver Jesus”, mais do que contemplá-lo com os olhos, entende dizer “conhecê-lo em profundidade”; querem descobrir quem ele realmente é. Eles repre- sentam todos os povos que querem conhecer Jesus, a fim de tornarem-se seus discípulos.
O que Jesus lhes revela? Diz-lhes – bem como a nós hoje -, que, como na natureza nada se produz
sem que haja a morte, assim a sua vida, qual um grão de trigo, deve morrer para produzir frutos. Ensina- lhes que os discípulos de Jesus atingem o mais alto nível de realização da sua vocação humana e cristã, quando entregam suas vidas em serviço, que inclui o martírio, por amor a seus irmãos. A semente de trigo não é para ser guardada. Quando ela morre, nutrida pela terra e aquecida pelos raios solares, reaparece multiplicada por cem, torna-se uma espiga que anuncia a vitória da vida.
Ao ouvirmos, guardarmos e meditarmos o Evan- gelho deste quinto domingo da Quaresma – domin- go próximo já será Ramos -, oxalá sintamos também nós o desejo de ser como aqueles gregos – todos os povos, a humanidade – que querem tornar-se pes- soalmente discípulos e discípulas de Jesus no mun- do de nossos dias. Esta ousada exigência libertadora “da morte do grão de trigo”, em primeiro momento nos interroga e perturba; como Jesus se perturbou diante da iminente morte. Tornar-se discípulo de Jesus, portanto, exige mais do que exercícios de piedade, cujos se reduzem a recitar devotamente algumas orações e participar de Missa semanal.
A segunda leitura nos admoesta a estarmos atentos à dimensão humana de Jesus. Muitas ve-
zes incidimos em erro de considerar Cristo somente como Deus, alguém que desde criança sabia tudo (visão beatífica), não precisava aprender e seu sofri- mento era menos cruel do que os nossos. O texto de hoje desmente rotundamente esta ideia. Vejamos: “Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus...”
Aliás, a Carta aos Hebreus é o único livro do Novo Testamento que destaca o Sumo sacerdócio de Cris- to, do qual se origina tanto o sacerdócio ministerial quanto o do povo de Deus. Aos olhos das lideranças sacerdotais, Jesus era um leigo; não pertencia à clas- se levítica, nem fizera a formação exigida para este
serviço. No entanto, com sua doação libertadora aos pobres e pecadores, até ao extremo da cruz, o que lhe custou “clamores e lágrimas”, inaugurou o novo e eterno sacerdócio da doação no altar da Eucaristia, fonte do sacerdócio que faz dos fiéis agentes de transformação da sociedade, sendo sal, luz e fer- mento. Ele não permaneceu no céu, contemplando as dores e angústias da humanidade, mas tornou-se nosso companheiro de viagem, inclusive percorreu os caminhos duros e cruéis da dor, da humilhação e da obediência até a morte, e morte de cruz. Efeti- vamente, assim o define o versículo final da leitura: “Na consumação de sua vida, tornou-se causa de
salvação eterna para todos os que lhe pertencem” (v. 9). Nós, desde o batismo, fizemos parte deste novo e eterno sacerdócio!
LEITURAS DA SEMANA
Seg. Dn 13,1-9.15-17.19-30.33-62 | SI 22,1-6 (R. 4a) | Jo 8,1-11. Ter. Nm 21,4-9 | SI 101,2-3.16-21 (R. 2) | Jo 8,21-30. Qua. Dn 3,14-20.24.49a 91-92.95 | SI (Dn 3,52-57) (R. 52b) | Jo 8,31-42. Qui. Is 7,10-14; 8,10 | SI 39,7-11 (R. 8a.9a) | Hb 10,4-10 | Lc 1,26-38. Sex. Jr 20,10-13 | SI 17,2-7 (R. cf. 7) | Jo 10,31-42. Sáb. Ez 37,21-28 | SI (Jr 31,10-12b.13) (R. cf. 10d) | Jo 11,45-56.APONTE A CÂMERA DE SEU CELULAR PARA O QR-CODE AO LADO E VEJA A BÊNÇÃO DO PADRE JERÔNIMO BRIXNERA TODOS OS LEITORES, REPRESENTANTES E COLABORADORES DA
REVISTA RAINHA