Engenharia de Alimentos UTFPR, Campo Mourão, PR, Brasil
13 a 16 de setembro de 2016
PERFIL DO CONSUMIDOR DE PRODUTOS DIET E LIGHT
DA CIDADE DE ZÉ DOCA - MARANHÃO
Auricélia da Silva Caldas – [email protected] – IFMA Maria de Lourdes Silva Lima - [email protected] – IFMA Hiwanara Correa dos Santos – [email protected] - IFMA Resumo. O objetivo deste trabalho foi avaliar o perfil do consumidor de produtos diet e light da Cidade de Zé Doca - MA, por meio da análise dos motivos que levam ao consumo e escolha desses produtos, além de identificar o nível de conhecimento a cerca deles. A pesquisa utilizou uma estatística descritiva, fazendo análise tabular e gráfica dos dados colhidos através da aplicação do questionário formulado, abordando variáveis socioeconômicas e comportamentais, durante os dias 27 a 30 de junho de 2016. Amostra foi constituída por 116 participantes, selecionados aleatoriamente, de ambos os sexos. Os resultados indicam que à maioria dos entrevistados são do sexo feminino, mostram também que grande parte dos colaboradores se concentra entre 18 e 25 anos; 44% têm o ensino superior incompleto e mais da metade (57%) possuí renda familiar de até um salário mínimo; quanto ao consumo, 24% consomem os dois produtos e 46% não consomem de forma alguma estes alimentos. Dos entrevistados consumidores 57,5% disseram saber a diferença entre diet e light e obtêm essas informações principalmente por meio de TV e internet. Os resultados demonstram que o cuidado com a saúde e a beleza são os principais responsáveis pela aquisição desses produtos, e os alimentos dietéticos adquiridos com mais frequência são adoçantes e margarinas. Os 46% que não consomem estes alimentos, não compram esses produtos porque não julgam necessário, não gostam do sabor e consideram o preço elevado. Portanto, os fabricantes destes produtos devem desenvolver estratégias associadas com estas variáveis para conquistar essa clientela.
Palavras-chave: Conhecimento; Consumo; Saúde e beleza. 1
1. Introdução 2
O comportamento do consumo de alimentos vem sofrendo mudanças 3
significativas nos últimos anos motivados por um nível maior de consciência dos 4
consumidores para saúde, via maior escolarização e maior acesso às informações. 5
(GEHLHAR e REGMI, 2005). 6
Com um estilo de vida cada vez mais corrido, a população sai em busca de 7
alternativas práticas em todos os momentos de suas vidas, principalmente no que se 8
trata de alimentação. Em busca de praticidade, as pessoas optam por alimentos que 9
lhes forneçam facilidade, maior prazo de validade, e o mínimo trabalho no momento 10
Página 2 de 15 do preparo. Visando atender a toda esta demanda, o mercado de alimentos criou os 11
conhecidos alimentos industrializados, estes por sua vez, ocupam um espaço cada 12
vez maior nas prateleiras dos supermercados (AQUINO e PHILIPPI, 2002). 13
A maioria dos alimentos industrializados possui em sua composição, índices 14
elevados de lipídeos, açúcares e sal, prejudicando a qualidade nutricional do 15
alimento (AQUINO e PHILIPPI, 2002). O consumo excessivo destes alimentos é 16
percebido ano após ano, deste modo observa-se também o crescimento contínuo de 17
doenças como a obesidade, diabetes mellitus, e hipertensão arterial, onde uma 18
grande parcela destas enfermidades tem como causa relacionada à ingestão 19
indiscriminada de alimentos industrializados com grande aporte calórico, bem como 20
o uso excessivo de gordura saturada, carboidratos simples e sódio (GONZÁLEZ-21
CASTELL et al., 2007). 22
Em meados de 1970, iniciaram-se diversas novidades no ramo produtivo da 23
alimentação, propondo assim, mudanças de valores com ênfase no corpo magro, 24
beleza e aspectos cada vez mais voltados à prevenção e manutenção da saúde. 25
Estudos científicos atuais mostram que uma alimentação saudável pode auxiliar na 26
prevenção de doenças, como também na potencialização da estética, o que 27
despertou nos consumidores a corrida pela busca de alimentos que contribuam para 28
a longevidade (LIMA-FILHO et al., 2009). 29
Com o aumento de doenças crônicas não-transmissíveis, a população está 30
envolvida cada vez mais na busca de produtos que propiciem saúde, e os produtos 31
diet e light são considerados alimentos que previnem doenças, principalmente as 32
DCNT (doenças crônicas não transmissíveis), sendo definidos por muitos 33
consumidores como prováveis soluções para suas várias carências e desejos (HALL 34
e FILHO, 2006). 35
Atualmente, tem-se observado nas pessoas, a grande preocupação e 36
interesse com a saúde, bem-estar e qualidade de vida. A busca por estilos de vida 37
saudáveis, leva à escolha de alimentos saudáveis e inovadores, que atendam a 38
demanda e a necessidade do consumidor. Entre estes produtos, estão o diet e light, 39
consumidos, porém, pouco conhecidos. Tais produtos são indicados para pessoas 40
portadoras de doenças que exigem a restrição de determinados nutrientes, como 41
nas Doenças Crônicas Não transmissíveis (DCNT), e para pessoas que almejam a 42
perda de peso e manutenção de hábitos alimentares saudáveis, respectivamente. 43
Página 3 de 15 Diet e light são termos que ainda confundem o consumidor, e a leitura dos 44
rótulos alimentares é um hábito quase inexistente. O rótulo é um instrumento de 45
confiança que trata das características de determinado alimento. Através deste, 46
pode-se determinar, por exemplo, em qual nutriente o alimento é considerado diet ou 47
light. Vale ressaltar que na Lei Federal nº 8.078/90, que trata do Código de Defesa 48
do Consumidor, um dos direitos estabelecidos são as informações da rotulagem dos 49
alimentos (BRASIL, 1990). 50
No Brasil, vem sendo constatado um aumento significativo no consumo de 51
produtos light e diet (LUCCHESE et al, 2006). E esses alimentos, muito antes de 52
serem considerados alimentos para doença, são alimentos para saúde e se 53
posicionam como uma possível solução para muitas necessidades dos 54
consumidores (HALL e FILHO, 2006). 55
Até os anos 1980, os adoçantes dietéticos eram os únicos produtos que 56
poderiam ser classificados como diet e light no Brasil e tinham a comercialização 57
permitida apenas em farmácias. Em 1988, estes produtos passaram a ser 58
considerados alimentos e, paralelamente, as indústrias de bebidas conseguiram a 59
liberação da produção e comercialização de refrigerantes dietéticos (GÓES et al., 60
2010). 61
Este foi o inicio do nicho de mercado de produtos light e/ou diet no Brasil, que 62
tem crescido progressivamente nos últimos anos. Pesquisas realizadas pela 63
Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos Dietéticos (ABIAD) indicaram que 64
pelo menos 35% dos domicílios da cidade de São Paulo já consumiam algum tipo de 65
produto diet e/ou light no ano de 2004. Segundo esta mesma associação, o mercado 66
de produtos diet e/ou light faturou 6 bilhões de dólares em 2007 e apresentou um 67
crescimento de 15% entre 2007 e 2008. Este forte crescimento esta relacionado à 68
crescente preocupação das pessoas com a saúde e a qualidade de vida (GÓES et 69
al., 2010). 70
Desde 1988 estes alimentos eram classificados como "Alimentos Especiais". 71
Foi só a partir de 1998, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) 72
regulamentou a designação dos termos Diet e Light para tais alimentos. Pela nova 73
lei, os produtos Diet e Light devem seguir as orientações da Organização Mundial da 74
Saúde (OMS), seguindo os mesmos padrões de rotulagem adotados pelos Estados 75
Unidos e Europa. 76
Página 4 de 15 A busca por uma alimentação alternativa é, sem dúvida, uma realidade nos 77
dias de hoje. Consumidores que buscam novos e saudáveis hábitos alimentares têm 78
nos produtos diet e light grandes aliados. Os mais jovens procuram os produtos 79
geralmente com preocupações ligada à estética corporal e, entre os mais velhos, a 80
procura prende-se à preservação ou manutenção da boa saúde (LERAYER et al., 81
1998). A procura por esses alimentos está se tornado cada vez mais frequente, 82
abrangendo não somente diabéticos, obesos e hipertensos, mas incluindo também 83
um grande contingente de pessoas interessadas em manter a saúde e a beleza 84
(SOUSA, 2005). 85
Diante desta perspectiva, muitas indústrias estão se aprimorando para 86
elaborar novos e diversos produtos nesta área, e grandes redes de supermercados 87
e hipermercados investem neste segmento com sessões específicas destinadas à 88
clientela que inserem esses alimentos em sua dieta, buscando melhorar sua 89
qualidade de vida. 90
Embora os alimentos diet e light sejam cada vez mais populares, estes 91
alimentos têm características alimentares diferentes em relação aos alimentos 92
convencionais, e muitos consumidores têm dificuldade em diferenciá-los (HARA, 93
2003). Apesar do crescente consumo destes alimentos, ainda surgem dúvidas e 94
insegurança na hora da compra, seja pelas letras miúdas e nomes complicados 95
existentes nos rótulos, ou pela falta de informação e orientação. 96
Quando se fala ou se pensa em produtos que possam ser diet e/ou light, é 97
importante mostrar como os consumidores usualmente compreendem o tema. 98
Investigações sobre o assunto revelam que os produtos diet são entendidos, 99
prioritariamente, como alimentos que não contêm açúcar, de baixa caloria, 100
destinados a quem faz dieta para manter o peso. Alimentos com baixo teor de 101
gordura (light) estão associados ao combate do colesterol e relacionados a questões 102
de saúde (CÂNDIDO e CAMPOS, 1996). Além disso, a maioria das pessoas, 103
escolarizadas ou não, têm mitos sobre os produtos light e diet, como, por exemplo, 104
consideram que o produto diet não engorda, que todo produto light é igual, que todo 105
light é diet (SILVA e FURTADO, 2005). 106
De acordo com as informações acima, podemos depreender quão
107
problemáticas se tornam as ideias usuais dos consumidores, pois os
108
termos light e diet representam contextos totalmente diferentes. E, como a grande
Página 5 de 15
maioria das pessoas não está suficientemente esclarecida sobre o
110
significado dos termos, elas sentem-se pouco seguras em utilizar tais produtos, ou
111
os utilizam de forma inadequada devido à falta de compreensão
112
das declarações de rotulagem. O desconhecimento e o consumo inadequado dos
113
produtos são decorrentes dos imensos vazios na compreensão dos artefatos
114
tecnológicos, bem como dos fenômenos científicos. Esses vazios são mantidos nas
115
escolas, quando são ignoradas abordagens situadas na perspectiva de Ciência,
116
Tecnologia e Sociedade e quando há preocupação somente com conceituações
117
nominalistas e modelos abstratos que limitam o domínio crítico e a autonomia
118
das pessoas (SILVA e FURTADO, 2005).
119
O Ministério da Saúde classifica os alimentos diet como “alimentos para fins
120
especiais”. A portaria nº 29/98, da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da
121
Saúde, definiu como “alimentos para fins especiais” aqueles especialmente
122
formulados ou processados, nos quais são introduzidas modificações no conteúdo
123
de nutrientes, adequados à utilização em dietas diferenciadas e ou opcionais,
124
atendendo às necessidades de pessoas em condições metabólicas e fisiológicas
125
específicas. São classificados como alimentos para fins especiais: a) alimentos para
126
dietas com restrição de nutrientes, b) alimentos para ingestão controlada de
127
nutrientes e c) alimentos para grupos populacionais específicos.
128
A portaria 27/98, da Secretária de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde,
129
define que os termos “light” ou “lite” ou “leve” podem ser utilizados quando for
130
cumprido o atributo “baixo”. Dizemos que um alimento é light quando apresenta
131
redução mínima de 25% em determinado nutriente ou calorias, comparado com o
132
alimento convencional. Para que ocorra a redução de calorias, é necessário que
133
haja a diminuição no teor de algum nutriente energético (carboidrato, gordura e
134
proteína). A redução de um nutriente não energético, por exemplo, sódio
135
(sal light), não interfere na quantidade de calorias do alimento.
136
A resolução - RDC nº 54/2012 da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária, 137
descreve que o uso da alegação light, só é permitido para os alimentos que forem 138
reduzidos em algum nutriente, ou seja, o termo só poderá ser empregado se o 139
produto apresentar valor energético reduzido ou redução em algum nutriente em 140
comparação com um alimento de referência (versão convencional do mesmo 141
alimento). Na resolução - RDC nº 271/2005, o termo diet é utilizado para se referir ao 142
Página 6 de 15 alimento que possui isenção de um de seus nutrientes, podendo ser o alimento sem 143
açúcar, como também sem gordura, sal ou proteína, de forma simultânea ou não 144
(BRASIL, 2013). 145
Diante do exposto, dentre os fatores que influenciam a intenção de compra de 146
alimentos voltados à saúde, estão principalmente o estilo de vida e fatores sócio-147
demográficos (BHASKARAN e HARDLEY, 2002; BOWER et al., 2003). Neste 148
sentido, conhecer o perfil dos consumidores de produtos light e diet é muito 149
importante, assim como os fatores que os influenciam na escolha e aquisição dos 150
mesmos. Ressaltando que estes conhecimentos poderão contribuir para maiores 151
informações dos consumidores em relação a estes produtos, bem como para 152
empresas que investem neste ramo. 153
154
2. Metodologia 155
A pesquisa foi realizada mediante aplicação de um questionário elaborado 156
pelos próprios autores com questões abertas e fechadas, englobando o perfil 157
socioeconômico dos voluntários (nome, sexo, faixa etária, estado civil, se tem filhos, 158
grau de escolaridade, renda familiar), a conduta em relação ao consumo de 159
alimentos light e diet (se é consumidor, tipo de produto que consome, frequência, 160
motivo de consumo, fatores que influenciam na escolha dos produtos), e o nível de 161
conhecimento dos consumidores sobre os alimentos (conhecimento dos termos diet 162
e light). 163
O questionário foi aplicado pelos autores a 116 indivíduos moradores da 164
Cidade de Zé Doca - Maranhão, abordados aleatoriamente e solicitados a participar 165
da pesquisa durante os dias 27 a 30 de junho de 2016. A participação dos 166
entrevistados foi totalmente voluntária e realizada com o consentimento dos 167
mesmos, que poderiam desistir da participação a qualquer momento da pesquisa. 168
As perguntas foram lidas aos voluntários e, quando necessário, era explicado o 169
conteúdo das perguntas aos mesmos. 170
Os dados coletados, obtidos a partir do questionário foram organizados e 171
analisados por meio de estatísticas descritivas, tabelas e gráficos, realizados através 172
do programa Microsoft Office 2007 (Word e Excel). Tanto os dados socioeconômicos 173
como os dados das questões sobre consumo, motivos de consumo e conhecimento 174
Página 7 de 15 dos alimentos light e diet, foram analisados através de tabelas de distribuição de 175
frequência em porcentagem, como também dispostos em gráficos. 176
177
3. Resultados e discussão 178
Na Tabela 1, encontram-se características que definem o perfil 179
socioeconômico dos entrevistados. De acordo com os dados, observa-se a 180
prevalência do sexo feminino correspondendo 67% e apenas 33% do sexo 181
masculino. A maioria dos entrevistados eram solteiros, embora 35% fossem casados 182
e, quase metade (45%) tinham filhos. 183
184
Tabela 1 – Características socioeconômicas dos entrevistados.
185 Características Nº de pessoas (%) Sexo Masculino 38 Feminino 78 Estado civil Solteiro (a) 65 Casado (a) 40 Separado (a) 4 Viúvo (a) 7 Tem filhos Sim 52 Não 64 186
Em relação à faixa etária, houve predominância de entrevistados com idades 187
entre 18 e 25 anos (41%) e entre 26 e 33 anos (18%), mostrando que o consumo 188
destes produtos por pessoas idosas é mais baixo, conforme mostra a Figura 1. 189
Página 8 de 15 191
Figura 1 - Idade dos entrevistados.
192 193
Em termos de escolaridade, 12 entrevistados eram analfabetos, somando 194
10%; 7% tinham concluído somente o ensino fundamental e 11% não tinham 195
concluído; 13 participantes (11%) tinham o ensino médio completo e 4% incompleto, 196
51 (44%) tinham o ensino superior incompleto e 10% completo, e 3% tinham apenas 197
curso técnico, de acordo com a Tabela 2. 198
199
Tabela 2 – Nível de escolaridade dos participantes.
200
Grau de Escolaridade Nº de pessoas (%)
Analfabeto (a) 12 10% Fundamental incompleto 13 11% Fundamental completo 8 7% Médio incompleto 4 4% Médio completo 13 11% Superior incompleto 51 44% Superior completo 12 10% Curso Técnico 3 3% 201
A maioria dos entrevistados (66 pessoas) disseram ter renda familiar de 202
apenas um salário mínimo, somando 57%; 20% declararam renda de um salário e 203
meio, 15 participantes (13%) declararam renda de um a dois salários, 6% indicaram 204
renda de dois a três salários e apenas 4% indicaram renda superior a três salários 205
mínimos, ficando assim, visível que grande parte são pessoas de baixa renda, 206
conforme mostra a Figura 2. 207
Página 9 de 15 208
209
Figura 2 - Renda dos entrevistados.
210 211
Com base nos dados colhidos na pesquisa e conforme mostra a Figura 3, é 212
bastante expressivo o consumo de produtos light e diet, seguido daqueles que 213
consomem somente produtos light. Mais de 46% disseram não consumir de forma 214
alguma estes produtos e 8% afirmaram consumir somente produtos diet. O baixo 215
consumo pode ser ocasionado pela baixa renda das pessoas entrevistadas, visto 216
que, o preço destes produtos é mais elevado em relação aos alimentos 217
convencionais. Quanto ao não consumo, os participantes disseram não ter 218
interesses, motivos e nem necessidades em consumir estes produtos, também 219
disseram achar esses alimentos ruins e com sabor desagradável. 220
Página 10 de 15 222
Figura 3 - Percentual do consumo de produtos light, diet e light e diet,
223
relatado pelos consumidores da Cidade de Zé Doca, MA.
224 225
As principais razões que levam ao consumo dos produtos light e/ou diet são 226
apresentadas na TABELA 3, indicando que 24% do total dos consumidores 227
pesquisados afirmaram adquirir esses alimentos devido ter problema de saúde como 228
diabetes, hipertensão, obesidade e colesterol alto, 26% consomem por 229
recomendação médica. Para 14%, o principal interesse em consumir esses produtos 230
é a manutenção da forma, ou seja, estão preocupadas com a estética. Segundo 231
SIMEÃO (2004), o anseio para manter a forma física tem conduzido os 232
consumidores a adotarem, cada vez mais, produtos diet e light. 233
Dos consumidores de produtos light, 18% relataram consumir para 234
emagrecer, enquanto que menos de 0,5% relataram consumir produtos diet para o 235
mesmo efeito desejado. Para os consumidores dos alimentos diet e light, 12% 236
relataram consumir porque consideram estes alimentos mais saudáveis e cerca de 237
8% disseram consumir por hábito. 238
239
Tabela 3 - Motivos do consumo de produtos diet/light relatados pelos consumidores, de
240
ambos os sexos, da Cidade de Zé Doca, MA.
241
Motivos de consumo Consumo de produtos diet e/ou light (%)
Diet e light Diet Light
Página 11 de 15
Manter a forma 20% 11% 11%
Por recomendação médica 24% 44% 21%
Doença 20% 22% 29%
Hábito 8% 0,5% 14%
Por ser mais saudável 12% 22% 7%
242
Quanto aos produtos alimentícios dietéticos mais consumidos que foram 243
relatados e estão dispostos na Tabela 4, destacam-se o adoçante e a margarina 244
como os principais, sendo também, consumidos em menor quantidade refrigerantes, 245
biscoitos, iogurtes, pães e leites. Em relação à frequência de consumo destes 246
alimentos, 53% disseram consumir todos os dias, 24% pelo menos até três vezes 247
por semana e 23% consomem raramente uma ou duas vezes por mês. 248
249
Tabela 4 – Frequência dos produtos dietéticos mais consumidos e freqüência de consumo,
250
segundo relato dos consumidores.
251
Produtos dietéticos mais consumidos Frequência (*)
Adoçante 56 Refrigerante 48 Margarina 51 Pão 38 Iogurte 42 Biscoito 47 Leite 26
Frequência de consumo Nº de pessoas (%)
Diariamente 33 53%
Até 3 vezes por semana 15 24%
De 1 a 2 vezes por mês 14 23%
(*) Cada entrevistado pode citar mais de um alimento, o que explica a razão de que o
252
somatório das freqüências superarem os 100%.
253 254
Em uma questão do questionário aplicado foi perguntado “você tem 255
conhecimento sobre estes produtos?”. Cerca de 63% disseram que “sim” tem 256
conhecimento e 37% “não”. Na oportunidade, foi questionado sobre a diferença 257
existente entre o produto light e o produto diet, e como podemos observar na tabela 258
5, 42,5% dos consumidores relataram não saber a diferença, porém, a maioria 259
(57,5%) afirmou ter conceito da diferença existente entre estes produtos. Quanto aos 260
Página 12 de 15 meios de obtenção de informações sobre estes produtos a televisão e a internet 261
(37%) foram os meios mais citados pelos consumidores, seguido dos médicos 262
(19%), das faculdades (18%), dos livros (15%) e jornais (11%). 263
264
Tabela 5 – Conhecimento da diferença do produto diet e light e meios de informação.
265
Sabe a diferença entre produto diet e light Nº de pessoas %
Sim 36 57,5%
Não 26 42,5%
Onde obteve essas informações Nº de pessoas %
TV e internet 23 37% Jornal e revista 7 11% Livros 9 15% Médicos 12 19% Faculdade 11 18% 266
Os consumidores foram questionados sobre a forma de aquisição dos 267
produtos diet e light, ou seja, se eles compravam os produtos pela marca (qualidade) 268
ou pelo preço, e mais de 65,6% disseram comprar pela marca (qualidade) e 34,4% 269
compravam pelo preço, conforme mostra a Figura 4. Em vista desse 270
questionamento, perguntou-se se os produtos adquiridos possuíam um preço 271
acessível, e o mesmo percentual anterior relatou que “sim”, possuem preços 272
acessíveis embora sejam produtos diferentes dos convencionais. 273
274
275
Figura 4 – Fatores de influência na hora da aquisição dos alimentos diet e light.
Página 13 de 15 277
Por serem produtos diferenciados, novos no mercado e de grandes 278
benefícios, em muitas cidades as redes de supermercados e hipermercados não 279
proporcionam disponibilidade destes, e assim, as pessoas têm dificuldade para 280
encontrá-los. Na pesquisa realizada, essa questão foi colocada em pauta, e os 281
consumidores (62,5%) disseram que os supermercados da Cidade de Zé Doca – MA 282
atendem à demanda e possuem boa disponibilidade destes produtos, mostrando 283
então que existe pouca dificuldade para encontrar esse tipo de alimento. 284
285
4. Considerações finais 286
A partir dos resultados da pesquisa, conclui-se que o consumo de alimentos 287
diet e/ou light é bastante disseminado na população zedoquense, tanto para 288
mulheres quanto para homens e para pessoas das mais diversas faixas etárias, 289
principalmente aquelas entre 18 e 25 anos, além dos variados níveis de renda, 290
sendo o principal até um salário mínimo e, a maior parte dos colaboradores eram 291
solteiros. 292
Os resultados ainda permitem constatar que o público consumidor se mostrou 293
preocupado com a saúde, principalmente por terem algum tipo de doença, além de 294
demonstrarem a necessidade de manter uma boa forma física. Essas razões 295
levaram os consumidores entrevistados a adquirirem esses produtos, sendo que 296
destes 23% consomem apenas uma ou duas vezes por mês. Por outro lado, dos 116 297
participantes da pesquisa, 54 responderam que não compram e nem consomem 298
esses alimentos, onde, a falta da necessidade de uma dieta, o sabor ruim dos 299
produtos e os preços são os principais fatores de rejeição apresentados pelos 300
entrevistados. Com base nessas informações, cabe aos produtores trabalhar para 301
fortalecer o marketing dos produtos diet e light mostrando a necessidade do 302
consumo desses produtos para obtenção de uma melhor qualidade de vida, e ainda, 303
procurarem desenvolver estratégias que melhorem o sabor dos alimentos e tornem 304
os preços mais acessíveis para o consumidor, oportunizando às pessoas de baixa 305
renda também consumir os referidos alimentos. 306
Com relação ao nível de conhecimento, embora a maioria dos consumidores 307
(57,5%) do universo da pesquisa, relatassem saber a diferença entre os produtos 308
diet e light, é imprescindível que sejam realizadas ações de maior esclarecimento 309
Página 14 de 15 sobre estes produtos, para que a população possa consumir de maneira correta e 310
consciente estes alimentos e desfrutar de seus benefícios conforme suas 311
necessidades, evitando danos à saúde humana. 312
313
5. Referências 314
ABIAD, Associação Brasileira das Indústrias de Alimentos Dietéticos, para Fins Especiais e
315
Suplementos Alimentares. O mercado diet e light. Outubro/2004.
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AQUINO, C. R.; PHILIPPI, T. S. Consumo infantil de alimentos industrializados e renda familiar na
317
cidade de São Paulo. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 36, n. 6, p. 656, 2002.
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BHASKARAN, S.; HARDLEY, F. Buyers beliefs, attitudesand behaviour: foods with therapeutic claims.
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BOWER, J. A.; SAADAT, M. A.; WHITTEN, C. Effectof liking, information and consumer
321
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325
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327
de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no
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BRASIL. Lei nº 8.078 de 11 de setembro de 1990. Código de Defesa do Consumidor (CDC). Diário
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