Treinamento Rede de Cinemas – Roteiro de atividade
Treinamento
Rede de
Cinemas
Sindolfo Miranda Filho
Osvaldo Emery
Treinamento
Rede de
Cinemas
Treinamento Rede de Cinemas – Sessão1 Treinamento Rede de Cinemas – Roteiro de atividade
Treinamento
Rede de
Cinemas
Sindolfo Miranda Filho
Osvaldo Emery
Rio de Janeiro
Escola Superior de Redes
2015
Treinamento
Rede de
Cinemas
Copyright © 2015 – Rede Nacional de Ensino e Pesquisa – RNP Rua Lauro Müller, 116 sala 1103
22290-906 Rio de Janeiro, RJ Diretor Geral
Nelson Simões
Diretor de Serviços e Soluções
José Luiz Ribeiro Filho Escola Superior de Redes
Coordenação
Luiz Coelho
Edição
Pedro Sangirardi
Revisão Técnica
Graciela Martins e Thiago Ignácio
Coordenação Acadêmica de Projetos Especiais
Renato Duarte
Equipe ESR (em ordem alfabética)
Celia Maciel, Cristiane Oliveira, Derlinéa Miranda, Edson Kowask, Elimária Barbosa, Lourdes Soncin, Luciana Batista, Luiz Carlos Lobato, Sergio Ricardo Alves de Souza e Yve Abel Marcial.
Capa, projeto visual e diagramação
Tecnodesign
Versão
1.0.0
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Escola Superior de Redes
Rua Lauro Müller, 116 – sala 1103 22290-906 Rio de Janeiro, RJ http://esr.rnp.br
ii Treinamento Rede de Cinemas
Sumário
Escola Superior de Redes ... iv
A metodologia da ESR ... iv
Sobre o curso ... v
A quem se destina ... vi
Convenções utilizadas ... vi
Permissões de uso ... vi
Comentários e perguntas ... vii
Sobre os autores ... vii
1 ... 1
O Projeto Rede de Cinemas ... 1
Contextualização e Benefícios ... 1 Objetivos ... 2 Expectativas ... 2 Visão geral ... 3 Arquitetura da solução ... 4 Componentes do sistema ... 6 Controlador de Cinema ... 7 Exibidores... 7
Configuração de rede e protocolos utilizados ... 9
Outros materiais para consulta ... 10
2 ... 11
A qualidade da projeção ... 11
Princípios básicos ... 11
A importância das salas de projeção ... 11
O cinema digital ... 11
Os tipos de projeção ... 12
A importância da qualidade técnica ... 13
Os componentes da qualidade da técnica da projeção ... 15
Recomendação Técnica para Salas de Exibição Cinematográfica ... 18
Qualidade da imagem projetada ... 19
Qualidade da imagem percebida ... 21
Conforto do espectador ... 28
3 ... 33
Treinamento – Rede de Cinemas... 33
O Sistema ICD ... 33
Introdução ... 33
Administração de usuários ... 34
Espaços virtuais (EVs) ... 37
Tipo de compartilhamento... 40
Conteúdos ... 41
Gerando playlists ... 51
4 ... 61
Treinamento – Rede de Cinemas... 61
Utilizando o Controlador de Cinema ... 61
Configurações ... 62
Visão de playlist ... 63
Calendário ... 64
Visão de Conteúdos ... 65
Visão das Salas de Cinema ... 66
Atividades Práticas ... 70
Atividades Práticas – Cenário 1 ... 71
Atividades Práticas – Cenário 2 ... 71
Atividades Práticas – Cenário 2 – Passos para o Cinema B ... 72
iv Treinamento Rede de Cinemas
Escola Superior de Redes
A Escola Superior de Redes (ESR) é a unidade da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) responsável pela disseminação do conhecimento em Tecnologias da Informação e
Comunicação (TIC). A ESR nasce com a proposta de ser a formadora e disseminadora de competências em TIC para o corpo técnico-administrativo das universidades federais, escolas técnicas e unidades federais de pesquisa. Sua missão fundamental é realizar a capacitação técnica do corpo funcional das organizações usuárias da RNP, para o exercício de competências aplicáveis ao uso eficaz e eficiente das TIC.
A ESR oferece dezenas de cursos distribuídos nas áreas temáticas: Administração e Projeto de Redes, Administração de Sistemas, Segurança, Mídias de Suporte à Colaboração Digital e Governança de TI.
A ESR também participa de diversos projetos de interesse público, como a elaboração e execução de planos de capacitação para formação de multiplicadores para projetos educacionais como: formação no uso da conferência web para a Universidade Aberta do Brasil (UAB), formação do suporte técnico de laboratórios do Proinfo e criação de um
conjunto de cartilhas sobre redes sem fio para o programa Um Computador por Aluno (UCA).
A metodologia da ESR
A filosofia pedagógica e a metodologia que orientam os cursos da ESR são baseadas na aprendizagem como construção do conhecimento por meio da resolução de problemas típicos da realidade do profissional em formação. Os resultados obtidos nos cursos de natureza teórico-prática são otimizados, pois o instrutor, auxiliado pelo material didático, atua não apenas como expositor de conceitos e informações, mas principalmente como orientador do aluno na execução de atividades contextualizadas nas situações do cotidiano profissional.
A aprendizagem é entendida como a resposta do aluno ao desafio de situações-problema semelhantes às encontradas na prática profissional, que são superadas por meio de análise, síntese, julgamento, pensamento crítico e construção de hipóteses para a resolução do problema, em abordagem orientada ao desenvolvimento de competências.
Dessa forma, o instrutor tem participação ativa e dialógica como orientador do aluno para as atividades em laboratório. Até mesmo a apresentação da teoria no início da sessão de aprendizagem não é considerada uma simples exposição de conceitos e informações. O instrutor busca incentivar a participação dos alunos continuamente.
As sessões de aprendizagem onde se dão a apresentação dos conteúdos e a realização das atividades práticas têm formato presencial e essencialmente prático, utilizando técnicas de estudo dirigido individual, trabalho em equipe e práticas orientadas para o contexto de atuação do futuro especialista que se pretende formar.
As sessões de aprendizagem desenvolvem-se em três etapas, com predominância de tempo para as atividades práticas, conforme descrição a seguir:
Primeira etapa: apresentação da teoria e esclarecimento de dúvidas (de 60 a 90 minutos). O instrutor apresenta, de maneira sintética, os conceitos teóricos correspondentes ao tema
da sessão de aprendizagem, com auxílio de slides em formato PowerPoint. O instrutor levanta questões sobre o conteúdo dos slides em vez de apenas apresentá-los, convidando a turma à reflexão e participação. Isso evita que as apresentações sejam monótonas e que o aluno se coloque em posição de passividade, o que reduziria a aprendizagem.
Segunda etapa: atividades práticas de aprendizagem (de 120 a 150 minutos).
Esta etapa é a essência dos cursos da ESR. A maioria das atividades dos cursos é assíncrona e realizada em duplas de alunos, que acompanham o ritmo do roteiro de atividades proposto no livro de apoio. Instrutor e monitor circulam entre as duplas para solucionar dúvidas e oferecer explicações complementares.
Terceira etapa: discussão das atividades realizadas (30 minutos).
O instrutor comenta cada atividade, apresentando uma das soluções possíveis para resolvê-la, devendo ater-se àquelas que geram maior dificuldade e polêmica. Os alunos são
convidados a comentar as soluções encontradas e o instrutor retoma tópicos que tenham gerado dúvidas, estimulando a participação dos alunos. O instrutor sempre estimula os alunos a encontrarem soluções alternativas às sugeridas por ele e pelos colegas e, caso existam, a comentá-las.
Sobre o curso
O treinamento está organizado em quatro sessões. Na primeira sessão, apresentamos a visão geral e a arquitetura do projeto e entenderemos como os cinemas participantes do projeto estão organizados e interligados pela Rede de Cinemas. Esta primeira sessão engloba os tópicos “O Projeto Rede de Cinemas” e “A Rede de Cinemas”.
A segunda sessão discorre sobre a exibição cinematográfica ressaltando a importância da qualidade técnica como forma de valorizar tanto os esforços dos realizadores de filmes como também a experiência sensorial dos espectadores. Serão apresentados conceitos básicos relacionados à projeção e discutidos aspectos relevantes à obtenção de projeções com boa qualidade, compatíveis com as tecnologias contemporâneas e os objetivos do projeto da Rede de Cinemas. Esta sessão foi produzida por Osvaldo Emery, arquiteto da Cinemateca Brasileira (osvaldo.emery@cinemateca.org.br e osvaldo.emery@cultura.gov.br).
A terceira sessão apresenta o sistema de gerenciamento de conteúdos ICD, o qual é
responsável por permitir o armazenamento e compartilhamento de mídias entre os cinemas participantes da rede. Nesta sessão, aprenderemos a gerenciar os usuários do ICD e seus papéis dentro do sistema, gerenciar e compartilhar conteúdos e gerar playlists para as salas de cinema. Esta terceira sessão contempla o tópico “Utilizando o Sistema ICD”.
Por fim, a sessão quatro apresenta o tópico “Utilizando o Controlador de Cinema”. Neste tópico, iremos aprender a operar a sala de cinema utilizando o software controlador de cinema desenvolvido no projeto. Este Controlador é capaz de baixar a playlist montada no ICD e então reproduzir as respectivas sessões de cinema conforme especificado na playlist.
vi Treinamento Rede de Cinemas
A quem se destina
O público-alvo é composto por profissionais operadores de salas da Rede de Cinemas.
Convenções utilizadas
As seguintes convenções tipográficas são usadas neste livro:
Itálico
Indica nomes de arquivos e referências bibliográficas relacionadas ao longo do texto. Largura constante
Indica comandos e suas opções, variáveis e atributos, conteúdo de arquivos e resultado da saída de comandos. Comandos que serão digitados pelo usuário são grifados em negrito e possuem o prefixo do ambiente em uso (no Linux é normalmente # ou $, enquanto no Windows é C:\).
Símbolo
Indica referência complementar disponível em site ou página na internet. Símbolo
Indica um documento como referência complementar. Símbolo
Indica um vídeo como referência complementar. Símbolo
Indica um arquivo de áudio como referência complementar. Símbolo
Indica um aviso ou precaução a ser considerada.
Símbolo
Indica questionamentos que estimulam a reflexão ou apresenta conteúdo de apoio ao entendimento do tema em questão.
Símbolo
Indica notas e informações complementares como dicas, sugestões de leitura adicional ou mesmo uma observação.
Permissões de uso
Todos os direitos reservados à RNP.
Agradecemos sempre citar esta fonte quando incluir parte deste livro em outra obra. Exemplo de citação: MIRANDA FILHO, Sindolfo et al. Treinamento Rede de Cinemas. Rio de Janeiro: Escola Superior de Redes, RNP, 2015.
Comentários e perguntas
Para enviar comentários e perguntas sobre esta publicação: Escola Superior de Redes RNP
Endereço: Av. Lauro Müller 116 sala 1103 – Botafogo Rio de Janeiro – RJ – 22290-906
E-mail: info@esr.rnp.br
Sobre os autores
Sindolfo Miranda Filho possui mestrado em informática pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e doutorando do programa de pós-graduação em Engenharia Elétrica e de Computação - Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atualmente é gerente de projetos.
Osvaldo Emery é arquiteto, com mestrado em Conforto Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, com especialização em arquitetura acústica e audiovisual. Trabalha na Cinemateca Brasileira, atuando em atividades voltadas ao desenvolvimento da exibição audiovisual.
vii Treinamento Rede de Cinemas
Comentários e perguntas
Para enviar comentários e perguntas sobre esta publicação: Escola Superior de Redes RNP
Endereço: Av. Lauro Müller 116 sala 1103 – Botafogo Rio de Janeiro – RJ – 22290-906
E-mail: info@esr.rnp.br
Sobre os autores
Sindolfo Miranda Filho possui mestrado em informática pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e doutorando do programa de pós-graduação em Engenharia Elétrica e de Computação - Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Atualmente é gerente de projetos.
Osvaldo Emery é arquiteto, com mestrado em Conforto Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, com especialização em arquitetura acústica e audiovisual. Trabalha na Cinemateca Brasileira, atuando em atividades voltadas ao desenvolvimento da exibição audiovisual.
1 Treinamento Rede de Cinemas
1
O Projeto Rede de Cinemas
Nesta sessão veremos:
A visão geral do Projeto Rede de Cinemas. A visão geral da arquitetura da solução.
Os componentes de software/hardware que compõem a solução.
Nesta sessão apresentamos o projeto Rede de Cinemas, sua arquitetura e os componentes de software e hardware utilizados na solução.
Contextualização e Benefícios
Contextualização
Cooperação entre o Ministério da Cultura e o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Benefícios
Catalogação e compartilhamento de conteúdo entre cinemas associados. Criação de uma comunidade usuária da Rede de Cinemas proposta. Desenvolvimento de players e tecnologia nacional para cinema digital. A cooperação entre o Ministério da Cultura e o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação é motivada pela importância de poder contar no país com soluções para distribuição de conteúdos audiovisuais por meio de redes ópticas.
O Projeto Rede de Cinemas é parte do plano de trabalho acordado entre o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). No MinC a Secretaria de Políticas Culturais (SPC) é a responsável pela iniciativa e indicou a Cinemateca como ponto focal do projeto e nó principal da rede. Já do lado do MCTI, a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) é a responsável pela gestão e execução do projeto. Uma cooperação entre o Ministério da Cultura e a RNP para permitir a catalogação de acervos e o compartilhamento de conteúdo entre os cinemas participantes da rede. Além disso, o projeto utiliza e desenvolve players e tecnologia nacional na área de cinema digital. A RNP foi a primeira rede de acesso à Internet no Brasil, integrando mais de 800 instituições de ensino e pesquisa no país, beneficiando a mais de um milhão de usuários. Em 2005, o então Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) lançou a Nova RNP. O objetivo foi de melhorar a infraestrutura de redes em níveis nacional, metropolitano e local (redes de campus); atender, com aplicações e serviços inovadores, as demandas de comunidades específicas (telemedicina, biodiversidade, astronomia etc.); e promover a capacitação de recursos humanos em tecnologias da informação e comunicação.
1
Capítulo 1 - O Projeto Rede de C
A Cinemateca Brasileira é a instituição responsável pela constituição e preservação da memória audiovisual do Brasil, desenvolvendo para isso atividades de difusão e de restauração de seu acervo – um dos maiores da América Latina. São cerca de 40 mil títulos, entre curtas, médias e longas metragens, distribuídos por mais de 200 mil rolos de filmes.
Objetivos
Constituir uma rede de distribuição de conteúdos audiovisuais entre a Cinemateca Brasileira e os cinemas e salas de exibição das instituições conectadas à rede (backbone) operada pela RNP.
Estruturar um circuito de salas compartilhadas para a exibição de conteúdos audiovisuais de caráter cultural/alternativo, com projeções de boa qualidade técnica.
Disponibilizar um espaço para experimentação da comunidade que vem trabalhando com problemas relativos à distribuição de conteúdos audiovisuais em rede.
Em 2012 iniciou-se a ativação da Rede de Cinemas que conta com instituições usuárias da RNP como membros.
Expectativas
Em relação aos participantes desse treinamento
Que sejam membros ativos da comunidade usuária da Rede de Cinemas.
Que sejam capazes de suportar em 1º. Nível problemas que possam ocorrer na solução e que sejam os contatos responsáveis por interagir com o suporte de 2º. Nível.
Que sejam disseminadores e incentivadores do bom uso da Rede de Cinemas.
Na fase atual da Rede de Cinemas, o suporte de 2º. Nível será provido pela própria equipe da Dynavideo (desenvolvedores da solução). Em um segundo momento, a expectativa é de que esse suporte de 2º. Nível passe a ser operado pelo Service Desk da RNP, e a Dynavideo passe a ser um suporte de 3º. Nível.
Em relação ao uso da rede no curto e médio prazo
Sessões regulares, com periodicidade mensal, em princípio, podendo ser alterada progressivamente para quinzenal, semanal etc.
Além das sessões regulares, há espaço para a realização de eventos extraordinários – mostras, ciclos, festivais etc. – a serem agendados de comum acordo entre as partes.
Em relação aos participantes da rede
Alocar a sala para utilização em eventos e programações do projeto (definir periodicidade mínima);
3 Treinamento Rede de Cinemas
Sugerir formas de utilização das salas participantes – filmes, mostras, eventos etc.; Buscar a qualidade técnica – som, imagem, conforto, acessibilidade etc. – e de programação.
Em relação ao circuito de salas compartilhadas
Compromisso com qualidade técnica e de projeção. Janelas de exibição de conteúdo Full HD e 2K.
Sugerir formas de utilização das salas da rede: conteúdos, eventos etc.
Equipamentos distribuídos às instituições participantes do projeto:
01 Exibidor (Player FullHD e 2k).
01 Desktop preparado para Controlador de Sessões. 01 Monitor LED Full HD
01 Servidor do Sistema Intercâmbio de Conteúdo Digital (ICD). Há necessidade de contrapartida da instituição participante:
Conectividade Gigabit ethernet;
Infraestrutura de rede física e lógica disponível no espaço (sala de exibição) que os equipamentos serão instalados e ativados.
Visão geral
Sistema ICD permite compartilhamento de conteúdo entre os cinemas associados.
A visão geral da Rede de Cinemas pode ser vista nesta figura. Cada cinema é uma unidade autônoma com seus próprios conteúdos e sessões de cinema.
Para gerenciar seus conteúdos, o cinema utiliza o seu nó ICD local. Através deste ICD local, pode-se também gerar a playlist que especifica as sessões do cinema. Sendo assim, o Cinema 1 armazena seus conteúdos no ICD local e gera sua própria playlist com o
conteúdo local armazenado, o cinema 2 armazena seus próprios conteúdos e gera sua própria playlist e assim sucessivamente para cada cinema integrante da rede.
Figura 1: Visão geral da Rede de Cinemas
3
Capítulo 1 - O Projeto Rede de C
Normalmente, os conteúdos inseridos no ICD de cada cinema podem permanecer privados para cada um deles. Porém, além deste funcionamento interno, existe também a possibilidade de compartilhamento de conteúdo entre os cinemas. Por exemplo, o Cinema 1 pode compartilhar um determinado filme com todos os demais cinemas, indicando ao ICD que o conteúdo em questão é público. Neste caso, o cinema 2, por exemplo, poderá montar sua playlist incluindo o vídeo compartilhado pelo cinema 1.
Um exemplo de utilização deste mecanismo de compartilhamento seria em um festival de cinema em âmbito nacional, organizado pelos cinemas participantes da rede, neste cenário, um dos cinemas pode compartilhar um conteúdo que poderá ser reproduzido nas diferentes salas em diferentes locais do Brasil.
Outro cenário possível consiste na situação em que um cinema controla a reprodução da sala de outro cinema. Neste caso, pode-se iniciar a reprodução de uma sala remota. Garante-se, desta forma, que uma sessão será iniciada remotamente por uma instituição. Por exemplo, caso a Cinemateca deseje realizar uma sessão em diversos pontos da rede em um horário específico, ela poderá iniciar a reprodução nas salas remotas desejadas.
Arquitetura da solução
Compartilhamento de conteúdo entre cinemas. Controle de salas de cinema através do controlador. Dois papéis bem definidos:
Gerente de conteúdo. Operador do cinema.
A arquitetura do projeto permite o gerenciamento de conteúdo e o controle das salas de cinema através de dois papéis bem definidos:
Gerente de conteúdo: este gerente é responsável pela manutenção do conteúdo no sistema ICD do cinema, bem como da geração da playlist, definindo assim as sessões do cinema.
Operador do cinema: este operador é responsável por utilizar o software Controlador do Cinema para recuperar as playlists e reproduzir o conteúdo durante as sessões de cinema.
5 Treinamento Rede de Cinemas
Uma visão completa dos dois papéis pode ser vista nesta Figura 2. O Gerente de Conteúdo utiliza o ICD para gerenciamento de conteúdo e geração de playlist e o Operador de Cinema recupera a playlist e conteúdos e exibe estes conteúdos nas diferentes sessões especificadas pela playlist.
Pode-se observar na figura que o Controlador está controlando N salas de cinema. Este cenário é possível, de forma que a playlist criada pelo Gerente de Conteúdo pode especificar os filmes que serão reproduzidos em cada sala individualmente.
Como exemplo, considere um cinema que possua duas salas de reprodução. Neste caso, o Gerente de Conteúdo pode especificar as sessões para cada sala específica. Por exemplo:
A Sala 1 terá duas sessões do filme A, uma às 14hs e uma às 18hs.
A Sala 2 terá três sessões do filme B, uma às 16hs, uma às 19hs e uma às 22hs. Em um cenário mais simples, com apenas uma sala de reprodução, podemos ter a seguinte situação:
A Sala 1 terá duas sessões do filme A, uma às 14hs e uma às 18hs. Ou ainda, pode-se ter a seguinte configuração:
A Sala 1 terá uma sessão do filme A às 14hs, uma sessão do filme B às 17hs e uma sessão do filme A às 20hs.
Note que as possibilidades de definição de sessões são inúmeras.
Figura 2: Visão de um cinema participante da Rede
Gerente de Conteúdo
Operador do cinema
5
Capítulo 1 - O Projeto Rede de C
É responsabilidade do Gerente de Conteúdo:
Utilizar o ICD para armazenar os vídeos do Cinema.
Definir a política de compartilhamento destes vídeos com os demais cinemas participantes da rede.
Definir as sessões do seu cinema através da geração de uma playlist do ICD. Por usa vez, é responsabilidade do Operador do Cinema:
Recuperar a playlist do ICD.
Iniciar e monitorar a exibição das sessões conforme descrito na playlist.
Componentes do sistema
ICD
Sistema de gerenciamento de conteúdo. Cadastramento de conteúdos.
Compartilhamento de conteúdo entre os cinemas participantes. Geração de playlists.
Download de conteúdo.
A Figura 3 ilustra a tela de construção de playlist.
Agora que já entendemos os conceitos, a arquitetura geral da solução e os papéis envolvidos na rede de cinemas, apresentaremos uma introdução aos softwares e hardwares disponibilizados para cada cinema participante da rede.
O ICD consiste em um sistema com interface web, portanto pode ser acessado via navegador de internet. Os detalhes de operação do ICD serão abordados posteriormente durante o treinamento.
Figura 3: Tela de playlist do ICD
7 Treinamento Rede de Cinemas
Controlador de Cinema
Ler as playlists do ICD.Gerencia os downloads de conteúdo. Controla os exibidores das salas de cinema.
O Controlador de Cinema é um software com interface desktop. Na Figura 4 ilustra-se a tela de visualização das salas de cinema. Através desta tela pode-se controlar a exibição das diferentes sessões especificadas na playlist. Vale ressaltar que o detalhamento da operação do Controlador será abordado posteriormente em nosso curso.
O Controlador executa em uma máquina desktop comum rodando o sistema operacional Linux Ubuntu 12.04. Os requisitos de operação para o Controlador de Cinema são simplesmente a conexão com a rede local do cinema em questão, para que ele possa se comunicar com o ICD, a fim de recuperar playlists e conteúdos, além de controlar os exibidores de cinema.
Exibidores
Exibidores FullHD, 2K.
Recebe comandos remotos do controlador para reprodução (PLAY, PAUSE, STOP, FORWARD, REWIND).
Cada sala de cinema precisa ter uma máquina exibidora. O controlador se conecta ao exibidor de cinema através da rede local do cinema para enviar comandos de reprodução, por exemplo, “play”, “pause”, “stop” etc.
Figura 4: Controlador de Cinema
7
Capítulo 1 - O Projeto Rede de C
A Figura 5 ilustra o exibidor reproduzindo um vídeo na janela e o controlador executando em outra janela.
Os Exibidores consistem em máquinas Dell Precision T5810. Estas máquinas estão equipadas com configuração de hardware (processador, memória, placa de vídeo) capaz de reproduzir vídeos de alta resolução FullHD e 2K e, futuramente, 4K.
Conexão com o projetor
O exibidor é a máquina que se conecta ao projetor do cinema. O exibidor apresenta uma saída de vídeo DVI, conforme ilustra a Figura 6. Certifique-se de que o exibidor será instalado em um local onde é possível a ligação de vídeo com o projetor ou receiver utilizado na sala. Normalmente, a entrada de vídeo mais comum na sala de projeção é a entrada HDMI. Se este for o caso, é necessário utilizar um cabo HDMI-DVI. Verifique qual tipo de conexão é utilizada na sua sala de projeção e utilize o cabo adequado.
Figura 5: Reprodução de um vídeo pelo exibidor de cinema
9 Treinamento Rede de Cinemas
São requisitos para a operação do exibidor:
1. Estar fisicamente próxima ao projetor do cinema de forma que se possa ligar a saída de vídeo à entrada correspondente do projetor. Assim como é necessário também, conectar a saída da placa de áudio do exibidor na entrada do sistema de som do cinema.
2. Possuir acesso à rede para que o player possa se conectar e receber comandos do Controlador do Cinema.
O detalhamento sobre como realizar a instalação inicial dos equipamentos da Rede de Cinemas pode ser encontrado no documento intitulado “Manual de Instalação da Rede de Cinemas – Rede de Cinemas RNP 2015
Configuração de rede e protocolos utilizados
Figura 6: Saída de vídeo da máquina exibidora
Figura 7: Visão de um cinema participante e suas conexões de Rede
9
Capítulo 1 - O Projeto Rede de C
O esquema de funcionamento da Rede de Cinemas pode ser visto na Figura 7. Note que para permitir o compartilhamento de conteúdo entre diferentes cinemas, o ICD precisa de conexão com a internet, o que permite que ele acesse o nó ICD de outro cinema
participante da rede. Isto permite que o ICD local possa enviar vídeos compartilhados e receber vídeos compartilhados por outros cinemas e os disponibilize para o cinema local.
Outros materiais para consulta
Página web: http://factory.dynavideo.com.br:83/redmine/projects/rede-de-cinemas Wiki Documentos: Manuais de instalação. Manuais de utilização. FAQ.
Guia Rápido de Consulta.
Além deste material de treinamento, o projeto disponibiliza uma página web onde estão concentradas as principais informações e documentos. É importante que o usuário da rede utilize a página web para recuperar informações e documentação a respeito do projeto.
Na página da Rede de Cinemas pode-se encontrar:
Wiki: descreve em linhas gerais os objetivos e a arquitetura geral da solução adotada pela Rede de Cinemas.
Manuais de instalação: descrevem como instalar os sistemas operacionais do servidor ICD, do Controlador e dos exibidores. Estes manuais são disponibilizados para casos em que haja algum problema mais grave em alguma máquina após a ativação e operação das salas. A instalação e ativação inicial da sala são realizadas pela equipe técnica da Dynavideo.
Manuais de utilização: descrevem de forma detalhada a operação dos softwares adotados na rede de cinemas. Estes manuais servem como fonte adicional de
informações, complementando este treinamento.
FAQ: este documento apresenta uma série de dúvidas e problemas comuns, constituindo uma boa fonte para consulta rápida de resolução de dúvidas e problemas.
Guia Rápido de Consulta: assim como o documento de FAQ, o Guia Rápido de Consulta consiste em um documento onde o usuário consegue obter informação da forma mais rápida possível. O Guia Rápido contém passos importantes necessários para a execução de procedimentos do dia a dia de operação de um cinema parceiro da Rede de Cinemas.
11 Treinamento Rede de Cinemas
2
A qualidade da projeção
Princípios básicos
A importância das salas de projeção
Não é por acaso que se utiliza a mesma palavra – cinema – para designar tanto a mídia quanto o local de seu culto. Apesar dessa estreita ligação entre ambos, a obsolescência e o fim das salas de cinema vêm sendo profetizadas desde o surgimento da televisão,
voltando à tona a cada nova forma de transmissão de imagens em movimento: TV em cores, videocassete, TV por assinatura, DVD, Blu-ray, Internet etc.
É inegável que as tecnologias audiovisuais roubaram da sala de cinema a posição de local exclusivo para a fruição de imagens em movimento, um monopólio que foi delas por décadas. Ainda assim, mesmo cercada por imagens em movimento por todos os lados, a sala de cinema ainda guarda uma posição privilegiada entre as diversas formas de assistir um filme desde que dela seja aproveitado todo o potencial.
A sala de exibição é um ambiente especializado no qual tudo converge para um único objetivo: aproveitar ao máximo as potencialidades da mídia cinematográfica. Nela é possível assistir imagens em movimento e sons com qualidade, escala e dignidade dificilmente reproduzíveis em outros ambientes.
Por outro lado, a sala de cinema permite fazer do ato de assistir a um filme uma experiência coletiva única e compartilhada, na qual o filme não é apenas uma obra audiovisual, mas também o elo entre pessoas. Essa experiência se manifesta tanto no compartilhamento do filme durante a sua exibição como também na discussão sobre ele, ou sobre as mensagens a ele associadas, após a sessão.
O Circuito Ipê busca investir na valorização da sala de cinema como espaço privilegiado para a exibição de filmes e, em um sentido mais amplo, de conteúdos audiovisuais. Espera-se que as salas de exibição participantes do Circuito, além de pontos para a exibição de filmes, também contribuam para o desenvolvimento do cinema a partir da promoção da diversidade de conteúdos e do convívio entre pessoas unidas pelo prazer associado à Sétima Arte.
O cinema digital
Desde seu nascimento, há mais de um século, o cinema utilizou a mesmo princípio para o registro e reprodução de imagens em movimento: a projeção sequencial e cadenciada de imagens estáticas registradas em uma película fotográfica perfurada, que é posicionada
11
Capítulo 2 - A qualidade da proje
em intervalos regulares em frente a uma fonte luminosa para a criação de um fluxo de imagens que parecem se mover em uma superfície refletora.
Esse tipo de projeção, ainda presente em boa parte das salas comerciais, tem seus dias contados por conta da decisão dos grandes estúdios de interromper a distribuição de filmes em suporte fotoquímico 35mm a partir de 2014. Quando isso acontecer, se perderá a economia de escala que viabiliza a produção e a distribuição de filmes em película, obrigando todo o mercado exibidor a migrar para a projeção digital. Em breve, os filmes em película só poderão ser exibidos nas poucas salas ainda equipadas com projetores mecânicos, utilizando cópias fornecidas por cinematecas e arquivos de filme,
responsáveis pela preservação de uma das mídias mais importantes já utilizadas pela humanidade para o registro de imagens em movimento.
A partir dessa mudança de suporte, as salas que desejarem exibir filmes produzidos e distribuídos pelos grandes estúdios deverão adotar, obrigatoriamente, a tecnologia regulamentada pelo Digital Cinema Initiative (DCI), um consórcio formado por esses estúdios comerciais. Como essa tecnologia, ao menos nesse momento, implica na utilização de equipamentos de projeção relativamente caros e complexos, nem todos os exibidores poderão arcar com os investimentos necessários à conversão para a projeção digital, correndo o risco de serem alijados do mercado.
Por conta isso, ironicamente, a tecnologia na qual se apostava como ferramenta para a democratização da difusão de filmes – por possibilitar a distribuição de conteúdos sem depender do envio de rolos de filmes para todas as salas – poderá ser responsável, ao menos em um primeiro momento, pela concentração ainda maior do mercado exibidor de cinema.
Neste contexto, o Circuito Ipê tem entre seus objetivos a busca de uma alternativa viável em termos de tecnologia de distribuição e projeção utilizando soluções menos onerosas e complexas do que as associadas ao consórcio DCI. É importante que se deixe claro que não se pretende substituir o padrão DCI, mas apenas criar mais uma alternativa de distribuição e exibição de conteúdos audiovisuais que possa ser desenvolvida e gerenciada localmente por seus usuários.
Os tipos de projeção
Como o Circuito Ipê trabalha com a projeção de conteúdos distribuídos eletronicamente, é importante diferenciar os tipos de projeção a ele associados: projeção eletrônica e projeção digital.
Por definição, a projeção eletrônica é aquela na qual as imagens são resultantes de um sinal elétrico ou óptico, analógico ou digital, sendo que, neste caso, o termo “óptico” deve ser entendido como sinal transmitido através de fibra óptica. Já a projeção digital é a projeção eletrônica utilizando um sinal do tipo digital, que atenda aos critérios mínimos de qualidade definidos pelo consórcio DCI através do documento Digital Cinema System
Specification, que pode ser baixado no site www.dcimovies.com.
Na projeção eletrônica do Circuito Ipê a definição mínima da imagem é,
preferencialmente, do tipo Full HD, na qual a imagem é produzida a partir de uma matriz
13 Treinamento Rede de Cinemas
com 1920 x 1080 pixels, ao passo que na projeção digital a matriz tem 2048 x 1080 pixels na opção 2k.
Em termos de quantidade de pixels, a diferença entre ambos os tipos de projeção não é muito representativa: são 2.073.600 na imagem Full HD tradicional e 2.211.840 na imagem em 2k. Além disso, tanto uma quanto a outra podem oferecer bons resultados em termos de qualidade da imagem, desde que sejam tomados os devidos cuidados na produção do conteúdo a ser exibido e na escolha, instalação, operação e manutenção dos equipamentos de projeção. Em termos de qualidade sonora, os dois tipos de projeção podem oferecer a mesma qualidade no formato multicanal 5.1.
A decisão de se definir a projeção em Full HD como resolução mínima para a projeção deve-se à preocupação em garantir a qualidade das imagens projetadas em tela grande visando valorizar a experiência cinematográfica. Isso não impede, no entanto, que sejam exibidas obras com definição inferior a Full HD, desde que a qualidade de seu conteúdo - o que realmente importa - compense a menor qualidade técnica.
A importância da qualidade técnica
A projeção cinematográfica deve ser considerada como a última etapa na cadeia de realização de um filme. De certa forma, ela é uma das etapas mais importantes, por ser aquela na qual o produto filme é finalmente oferecido ao desfrute e à avaliação de seus consumidores, os espectadores. Não há exagero em afirmar que uma má projeção pode destruir, no intervalo da exibição do filme, todos os esforços, recursos, tempo e talentos envolvidos na sua realização.
Além disso, se analisada sob uma visão mais comercial, a projeção cinematográfica não escapa da lógica da venda e prestação de serviços associada a outras formas de prestação de serviço:
Pelo lado do cliente, o espectador, é necessário oferecer a ele um produto com uma qualidade que o motive a sair de sua residência e dispender seu tempo e dinheiro para assistir ao filme em uma sala de cinema. Na medida em que as tecnologias domésticas se sofisticam e o acesso às obras audiovisuais se dissemina, só é possível atrair o
espectador para a sala de cinema se a ele for oferecida uma experiência com qualidade superior à que ele pode obter em sua casa.
Pelo lado do fornecedor, o realizador, o seu interesse em disponibilizar seu produto, o filme, para exibição em uma sala cinema é diretamente proporcional à qualidade com que ele será exibido. Quanto maior a confiança do realizador na qualidade com que seu filme será projetado em uma determinada sala, ou circuito de salas, respeitando-se integralmente suas opções estéticas em termos de imagens e sons, maiores as chances de que ele se interesse em disponibilizá-lo para projeção nessa sala ou circuito.
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Capítulo 2 - A qualidade da proje
Neste contexto, o Circuito Ipê considera essencial a qualidade da projeção tanto como forma de assegurar aos espectadores o máximo de fidelidade às obras que lhes serão oferecidas, como também para garantir aos realizadores o respeito aos seus direitos de criação. A qualidade da projeção – associada, obviamente à qualidade do conteúdo a ser exibido – será determinante na capacidade de atração de público para as salas do Circuito e na facilitação da captação de mais conteúdos a serem nelas exibidos.
A preocupação com a qualidade técnica é reforçada pelo perfil das salas participantes do Circuito, cuja importância transcende a simples exibição de filmes. No caso da Cinemateca Brasileira, além de local de ponto de exibição, a sala de cinema é também um instrumento de medição, no qual são avaliados os trabalhos de restauro de som e imagem realizados por seus profissionais.
Nas salas vinculadas a cursos de cinema, a qualidade da projeção é essencial para garantir que os alunos desenvolvam a sensibilidade que utilizarão profissionalmente para a criação de imagens em movimento e sons.
Figura 8: O processo cinematográfico.
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Nessas salas, assim como naquelas vinculadas a instituições com presença marcante no panorama cinematográfico local, a projeção com qualidade é tanto um instrumento de formação dos profissionais locais e também da plateia, que muitas vezes não tem a possibilidade de ver os filmes com o cuidado que lhes é devido. Cabe a a essas salas, portanto, a missão de oferecer ao público o espetáculo cinematográfico em sua verdadeira grandeza.
Os componentes da qualidade da técnica da projeção
A qualidade da projeção cinematográfica é resultante do somatório de quatro aspectos: o conteúdo, os equipamentos, o ambiente e a mão de obra.
O conteúdo – O QUE se projeta
Um filme só terá boa qualidade técnica se suas imagens e sons tiverem sido realizados com boa qualidade e se a mídia ou suporte no qual estão registrados também tenha boa qualidade. A qualidade do conteúdo é determinada na finalização do filme e na
preparação da mídia que será enviada às salas.
No caso da projeção digital, o filme é enviado para projeção através de um conjunto de arquivos associados à projeção digital, chamado de Pacote de Cinema Digital (DCP – da nomenclatura em inglês), produzido a partir de especificações da DCI. No caso da
projeção eletrônica, são utilizados diversos formatos de arquivos e mídias sem que exista um documento oficial que garanta sua padronização.
No Circuito Ipê, os conteúdos serão disponibilizados através da rede da RNP, dispensando a utilização de mídias físicas. Com isso, o cuidado principal em relação ao conteúdo refere-se à qualidade da conexão, principalmente no caso de projeções compartilhadas ou em streaming.
Ainda em relação aos conteúdos, é importante garantir seu acesso a todas as pessoas, inclusive aquelas com deficiências visuais e auditivas, recorrendo-se, sempre que possível, a tecnologias de acessibilidade tais como legendagem e audiodescrição.
Os equipamentos – COM O QUE se projeta
Para que as imagens e os sons registrados no suporte do filme sejam reproduzidos corretamente, tal como registradas pelo realizador, é necessária a utilização de equipamentos de qualidade, corretamente dimensionados, instalados, operados e em bom estado de funcionamento.
Uma das relações mais estreitas para garantia da qualidade da projeção é aquela existente entre o suporte do conteúdo do filme e os equipamentos utilizados para sua reprodução. É necessário que os equipamentos sejam compatíveis com o tipo de
conteúdo que se deseja exibir para que seja possível extrair do suporte do filme todas as informações nele registradas e reproduzi-las integralmente. Em um caso extremo, se os equipamentos não puderem “ler” a informação do filme, a projeção simplesmente não acontece.
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Capítulo 2 - A qualidade da proje
O cuidado em relação aos equipamentos começa no momento da definição da
configuração mais adequada a uma determinada sala de exibição, considerando seu perfil de utilização e suas características físicas. O projetor, por exemplo, deve ter lente e luminosidade adequadas às dimensões da imagem que se deseja exibir e o sistema de som deve ter uma potência suficiente para fazer chegar o som com igual qualidade e intensidade a todos os espectadores.
É importante utilizar sempre marcas e modelos de qualidade tanto no que tange à boa reprodução da imagem e do som como também em relação à durabilidade, confiabilidade e facilidade de operação e manutenção. Como boa parte dos equipamentos é importada, deve ser assegurado o compromisso do fornecedor e/ou instalador em garantir sua manutenção preventiva e corretiva assim como o acesso rápido e fácil a peças e componentes de manutenção.
As características desejáveis para os equipamentos utilizados na projeção digital são definidas pelo documento da DCI citado acima que define não apenas a forma como ler as informações registradas digitalmente no DCP, mas também a quantidade e a temperatura de luz da projeção, a distribuição dos canais sonoros etc.
Já a projeção eletrônica não conta com um documento semelhante para a definição da qualidade da imagem projetada, o que torna sua avaliação mais subjetiva. Isso não impede, no entanto, a obtenção de imagens de boa qualidade neste tipo de projeção, desde que haja sejam tomados o devidos cuidados na avaliação na escolha, instalação e operação do projetor a ser utilizado. Para tanto, pode-se contar com informações disponibilizadas por várias fontes e a utilização do melhor instrumento de medição da qualidade da imagem: o olhar sensível e calibrado, resultante da prática de uma observação atenta e da utilização de imagens de referência.
Em termos da qualidade sonora, não há diferenças significativas entre a projeção digital e a eletrônica para reprodução no formato 5.1, que se firmou como padrão sonoro do cinema. Em ambos os casos, a distribuição dos canais segue os mesmo parâmetros, e são esperadas as características em termos de potência e qualidade sonoras. Também no caso do som, a avaliação mais importante continua sendo a audição crítica por parte de um ouvinte bem treinado utilizando um material sonoro de referência.
A instalação dos equipamentos deve ser feita com cuidado e critério para garantir tanto a qualidade da reprodução da imagem e do som como também a integridade dos
equipamentos e a segurança das pessoas. A alimentação elétrica deve ser compatível com a potência dos equipamentos a serem instalados de modo a eliminar o risco de acidentes resultantes de sobrecargas. No caso dos equipamentos mais sensíveis, como projetores, servidores, computadores etc., é recomendável a utilização de estabilizadores e mesmo nobreaks. Os fios, cabos e conexões devem ser de boa qualidade e adequados às características dos equipamentos. É recomendável contar sempre com o serviço de profissionais de confiança para o projeto e a execução das ligações e conexões.
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O ambiente – ONDE se projeta
O local no qual se dá a projeção determina a qualidade com a qual os sons e imagens serão percebidos pelos espectadores. Além disso, o ambiente da projeção deve assegurar condições de acessibilidade, segurança e conforto para todos os espectadores.
As características que garantem um ambiente adequado a projeções com boa qualidade são definidas principalmente pela Recomendação Técnica “Arquitetura de Salas de Projeção Cinematográfica”, elaborada pela Associação Brasileira de Cinematografia, ABC, junto com a Cinemateca Brasileira. Esse documento relaciona os atributos necessários para projeções “com boa qualidade técnica e conforto do espectador de acordo com as características da mídia cinematográfica contemporânea e da fisiologia humana”. A Recomendação Técnica da ABC determina, por exemplo, as dimensões da tela de projeção em função das dimensões do auditório, as distâncias máxima e mínima entre os espectadores e a tela de projeção, os ângulos de implantação do projetor e de visão dos espectadores, as propriedades acústicas da sala, o espaçamento entre as poltronas etc. Além disso, ela faz referência a outras normas para aspectos como conforto térmico e acessibilidade para todos, inclusive pessoas com deficiência física e com dificuldade de locomoção.
Esse documento deve ser usado como referência para quaisquer projetos de reforma e/ou construção de salas de projeção e mesmo para avaliação de salas existentes, visando determinar sua adequação aos ditames da boa projeção em termos de qualidade da imagem, qualidade do som e conforto do espectador. Vale lembrar ainda que Recomendação da ABC não esgota o leque de requisitos necessários para adequação arquitetônica de salas de cinema, sendo necessário considerar as legislações e posturas estaduais e municipais aplicáveis aos locais de reunião de público.
Além dos aspectos funcionais, a arquitetura da sala também deve ser um ambiente agradável e estimulante que contribua para a fruição prazerosa do espetáculo cinematográfico.
Mão de obra – QUEM projeta
A atuação dos profissionais responsáveis pela projeção é essencial para assegurar a qualidade da guarda, da manutenção e da operação dos suportes, dos equipamentos e do ambiente onde ela acontece. São esses profissionais que irão garantir o sucesso da projeção e satisfação do público e, em última análise, o sucesso do Circuito Ipê. Ainda que cada sala costume utilizar uma divisão particular das atribuições de seus profissionais, é importante garantir o compromisso com a realização das tarefas envolvidas na obtenção da qualidade. No caso específico do Circuito Ipê, o sucesso da projeção baseia-se em pelo menos três áreas de conhecimento:
Informática: o sistema de projeção utilizado pelo Circuito requer conhecimentos na área de TI, tanto para sua operação como para eventuais intervenções no caso de
problemas de funcionamento, atualização etc. Embora seja previsto um suporte geral aos participantes do Circuito, a existência de profissionais locais com conhecimentos na área
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Capítulo 2 - A qualidade da proje
certamente facilitará a operação diária do sistema e reduzirá a ocorrência de problemas e o tempo necessário para sua eventual solução.
Operação: o desempenho dos equipamentos de projeção da imagem e de reprodução do som é resultado direto da qualidade da mão de obra dos profissionais responsáveis por sua operação. Quanto mais gabaritados forem os profissionais envolvidos na projeção, e quanto maior sua familiaridade com os suportes, equipamentos e ambientes, maior a probabilidade de que a projeção aconteça sem problemas.
Programação: obviamente, o objetivo principal do Circuito é promover a projeção de conteúdos de qualidade nas salas. Para tanto, espera-se que cada participante contribua com a disponibilização de conteúdos para o Circuito e também com a sugestão de formas de utilização criativa desses conteúdos através de mostras, festivais, debates, cursos etc.
Recomendação Técnica para Salas de Exibição Cinematográfica
A Recomendação Técnica “Arquitetura de Salas de Projeção Cinematográfica” é uma iniciativa conjunta da Associação Brasileira Cinematografia, ABC, que congrega os profissionais das áreas técnica e criativa do cinema, e da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, através do Centro Técnico Audiovisual, CTAv, e da Cinemateca Brasileira.
Ela foi elaborada em 2009, levando em consideração as características arquitetônicas básicas para projeções com boa qualidade técnica e conforto do espectador de acordo com as características da mídia cinematográfica contemporânea e da fisiologia humana. O ponto de partida para a elaboração desta Recomendação é a norma técnica NBR12237 “Projetos e instalações de salas de projeção cinematográfica”, elaborada por iniciativa do CTAv e publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em 1988. Os parâmetros desta norma foram revistos para a Recomendação da ABC visando incorporar as melhorias resultantes do desenvolvimento da tecnologia cinematográfica ocorridades desde então além de acrescentar outros aspectos não abordados anteriormente, de acordo com parâmetros definidos por normas e recomendações técnicas nacionais e internacionais.
Dessas fontes, foi dada preferência às normas e recomendações técnicas estrangeiras e internacionais já que elas representam o consenso de diferentes atores envolvidos no setor de exibição - laboratórios, produtores, exibidores, técnicos etc. - o que nem sempre acontece em trabalhos de cunho mais teórico e/ou acadêmico.
Os parâmetros definidos pela Recomendação ABC aplicam-se, preferencialmente, a projeções utilizando processos fotoquímicos 35mm ou digital (resolução de 2k ou superior), devendo ser utilizados também para projetos de salas de projeção eletrônica (abaixo de 2k), posto que os aspectos nela abordados, em sua maioria, relacionam-se à fisiologia humana e, obviamente, são os mesmos para qualquer tipo de projeção. Além disso, deve-se considerar que a tendência de melhoria da tecnologia de projeção digital, associada à sua popularização, permite antever que, em futuro não muito distante, ela venha a substituir tecnologias com menor qualidade.
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A Recomendação da ABC não trata de aspectos relacionados ao funcionamento e desempenho de equipamentos de projeção, que são objeto de normas e/ou
recomendações técnicas específicas. Tampouco são abordados aspectos que garantam a segurança e a qualidade do ambiente como um todo, nem aspectos definidos por legislações e posturas federais, municipais e estaduais.
Para melhor entendimento dos parâmetros adotados pela Recomendação, eles foram agrupados em categorias afins, a saber: 1) Qualidade da imagem projetada; 2) Qualidade da imagem percebida; 3) Qualidade acústica e 4) Conforto do espectador.
Esta ordem não é a mesma constante no texto da Recomendação, na qual os parâmetros foram agrupados de uma forma mais fácil de serem aplicados na elaboração de projetos de reforma ou construção de salas. A Recomendação Técnica da ABC pode ser acessada a partir do site da ABC: www.abcine.org.br.
Qualidade da imagem projetada
Os itens abaixo visam garantir que a imagem seja projetada na tela em sua totalidade e com qualidade.
Altura mínima do feixe de projeção
É essencial que toda a imagem do filme seja projetada na tela, evitando-se quaisquer obstáculos que venham a obstruir o feixe de projeção, sejam eles elementos
arquitetônicos (pilares, colunas, vigas etc.) ou os próprios espectadores.
Para isso, a altura da borda inferior do feixe de projeção em relação ao piso do auditório deve ser igual ou, preferencialmente, superior a 1,90m, em todas as áreas ocupadas ou transitadas pelos espectadores durante a sessão do filme. Isso implica em um
posicionamento adequado do projetor e da tela de projeção, e também um cuidado especial com quaisquer acessórios ou equipamentos que venham a ser instalados na sala de projeção: luminárias, refletores de luz, projetores auxiliares presos ao teto, elementos decorativos etc.
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Capítulo 2 - A qualidade da proje
Curvatura mínima da tela de projeção
Vale lembrar que tanto a película fotoquímica como também o chip que produz a imagem na projeção eletrônica e digital são planos e, portanto, produzem uma imagem
igualmente plana. Por conta disso, idealmente, a tela de projeção deve ser plana, de modo a evitar que a imagem projetada se deforme acompanhando a curvatura da superfície da tela.
Por vezes, buscando tornar a imagem do filme do filme mais “envolvente”, ou melhorar a distribuição da luz de projeção na superfície da tela, adota‐se a solução de instalar uma tela de projeção curva. Nestes casos, a curvatura deve ser limitada a um raio mínimo igual a duas vezes a distância entre a tela de projeção e o espectador mais afastado dela.
Distorção trapezoidal
A principal fonte de distorção da imagem decorre do mau posicionamento do projetor em relação à tela de projeção que pode levar ao defeito chamado “distorção trapezoidal”. A distorção trapezoidal leva este nome por fazer com que a imagem do filme,
originalmente com formato retangular (Figura 10a), assuma uma configuração trapezoidal, deformando as imagens nele contidas. Ela é resultante de um
posicionamento inadequado do projetor em relação à tela de projeção, provocando uma inclinação excessiva do feixe de projeção em relação à tela. Este problema pode ocorrer devido a um excesso de inclinação vertical (projetor muito inclinado para baixo, Figura 10b), horizontal (projetor muito inclinado para o lado, Figura 18c) ou vertical e horizontal simultaneamente (Figura 10d).
Figura 9: Altura mínima do feixe de projeção.
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Os projetores eletrônicos costumam contar com recursos para correção eletrônica da distorção trapezoidal através da função “keystone correction”. Ainda assim, como esse recurso tem limitações, é aconselhável instalar o projetor dentro dos limites de correção do projetor a ser instalado. A Recomendação ABC define, como regra geral, que os limites de implantação do projetor eletrônico sejam as bordas da tela de projeção, buscando posicioná-lo o mais próximo possível do seu eixo.
Já os projetores digitais, por exigência da DCI, não contam com esse tipo de função, o que torna especialmente crítico o posicionamento do projetor em relação à tela de projeção para evitar deformações da imagem. Esse problema se complica quando se utiliza em uma mesma cabine tanto o projetor digital quanto o projetor, ou projetores para película fotoquímica (geralmente 35mm ou 16mm) que também dependem do correto
posicionamento do equipamento para evitar deformações na imagem. Nesses casos, faz-se necessária uma avaliação muito cuidadosa do posicionamento dos projetores na cabine.
Qualidade da imagem percebida
Estes parâmetros têm por objetivo garantir que todos os espectadores vejam toda a imagem projetada na tela, com o mínimo de distorções provocadas pelo posicionamento dos espectadores em relação à tela de projeção.
Figura 10: Distorção trapezoidal da imagem projetada: a) imagem sem distorção; b) distorção vertical; c) distorção horizontal, e d) distorção horizontal e vertical.
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Capítulo 2 - A qualidade da proje
Escalonamento visual
A preocupação básica em relação à qualidade da percepção da imagem pelo espectador é garantir que todos possam ver toda a imagem projetada na tela.
Isto é feito evitando‐se obstáculos que obstruam a linha de visão do espectador à tela decorrentes de um mau dimensionamento de vigas, colunas, guarda‐corpos e luminárias etc., ou então, mais comumente, quando os espectadores têm a visão da tela obstruída pelos espectadores sentados à sua frente.
A obstrução da tela de projeção acontece principalmente em parte inferior da imagem projetada, justamente a área na qual é registrada a maioria das informações escritas dos filmes, sejam elas as legendas em português de filmes de língua estrangeira, legendas para pessoas com deficiência auditiva ou mesmo informações relevantes no caso de documentários.
Para evitar este problema, faz‐se necessário um estudo de visibilidade que garanta uma linha de visão desimpedida à borda inferior da tela para todos os espectadores. Além disso, é sempre conveniente considerar a possibilidade de instalação de uma tela auxiliar abaixo da borda inferior da tela de projeção para eventualidade da utilização de
legendagem eletrônica dos filmes. Nesse procedimento, as legendas do filme são projetadas a partir de um projetor auxiliar em uma tela estreita com, aproximadamente, 0,30m de altura.
O estudo de visibilidade, via de regra, aponta para a necessidade de se elevar a borda inferior da tela de projeção até o limite que não comprometa o ângulo de visão vertical confortável do espectador, associado à elevação do nível do piso da sala de projeção nas fileiras mais afastadas da tela.
Figura 11: Escalonamento visual.
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Ângulos de visão lateral e vertical
Como o cinema utiliza imagens bidimensionais, se observadas a partir de um ângulo excessivo, elas parecerão deformadas, a ponto de, em casos extremos, tornarem‐se imperceptíveis. Como exemplo, basta observar este texto muito de lado para observar como ele se deforma até o ponto em que se torna irreconhecível.
Idealmente, o espectador deve observar a imagem do filme a partir de uma posição que garanta que seu ângulo de visão coincida com uma reta normal ao centro geométrico da imagem. No entanto, esta solução raramente é possível na prática, devido tanto a limitações da arquitetura da sala, bem como à necessidade de acomodação do maior número possível de pessoas na sala de exibição.
A Recomendação ABC determina que o espectador deva estar posicionado dentro dos limites definidos por planos que façam 106 graus a partir das extremidades da tela de projeção, tanto as laterais quanto as extremidades superior e inferior.
Distância mínima da tela
É aconselhável que o espectador observe a imagem projetada na tela partir de uma distância suficiente para que sua visão possa integrar visualmente os pixels que formam a imagem na projeção eletrônica ou digital sem que sejam percebidos individualmente. Por conta disso, a Recomendação ABC estipula que distância mínima entre a tela de projeção e a poltrona mais próxima a ela deve ser igual ou, preferencialmente, superior a 60% da largura (L) da tela no formato 1:2,35.
Outro aspecto importante, mas não coberto pela norma, é garantir que as perfurações da tela de projeção não sejam perceptíveis, sendo recomendada a utilização de tela
microperfurada, principalmente quando a distância entre ela e o espectador posicionado na primeira fileira for inferior a 6,00m.
Distância máxima da tela
O espectador deve ser capaz de perceber todos os detalhes da imagem projetada na tela. Além disso, ela deve ocupar uma porção mínima de seu campo visual para que ele possa ter um maior envolvimento com as imagens, e consequentemente, com o filme. De forma geral, quanto maior a imagem, maior o envolvimento do público com o filme e essa diferença de escala entre nossas dimensões físicas e as dimensões da imagem projetada é um dos grandes diferenciais entre a exibição profissional e a exibição doméstica.
Telas com grandes dimensões também contribuem para a qualidade da imagem. Elas permitem um maior distanciamento entre três caixas acústicas dos canais frontais – esquerda, centro e direita – facilitando a localização espacial do som reproduzido por cada uma delas. Se, ao contrário, essas três caixas estiverem muito próximas, essa localização ficará muito difícil, pois todos os sons parecerão estar sendo reproduzidos no mesmo ponto.
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Capítulo 2 - A qualidade da proje
De acordo com a Recomendação ABC, o espectador mais afastado da tela de projeção não deve posicionado além de uma distância igual ao dobro da largura da tela no formato Cinemascope, sendo admissível uma distância de até 2,9 vezes esta largura.
A determinação de ângulos de visão laterais máximos associados às distâncias mínima e máxima em relação à tela de projeção define, na prática, uma área na qual os
espectadores poderão assistir as imagens projetadas na tela com qualidade e conforto.
Luminosidade da imagem
A luminosidade da imagem projetada que chega aos olhos do espectador é resultante da potência luminosa produzida pelo projetor, da refletividade da tela de projeção e do nível de luminosidade existente na sala de projeção. Por isso, o cálculo da luminosidade necessária do projetor deve levar em consideração o índice de refletividade da superfície da tela a ser utilizada, partindo-se do princípio que serão eliminados do auditório quaisquer fontes de luminosidade diferentes do feixe de luz da projeção.
O interior da sala de cinema deve ser revestido com cor escura e fosca, não
necessariamente preto, para evitar que as superfícies reflitam de volta para a tela a luz da projeção, reduzindo o contraste da imagem projetada.
Figura 12: Área de implantação das poltronas.
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Além disso, o escurecimento das superfícies internas, incluindo as poltronas, serve para “neutralizar” o interior da sala de projeção, de modo a garantir a primazia das imagens projetadas na tela. Pelo mesmo motivo, deve ser evitada a colocação de faixas, pôsteres e quaisquer outros elementos no campo visual do espectador.
A única exceção à regra da eliminação de luzes parasitas refere-se à instalação de luzes de segurança nas circulações e nas saídas de emergência, tal como recomendado por normas técnicas e especificações do corpo de bombeiros.
Qualidade acústica
A preocupação fundamental em termos de qualidade sonora de uma sala de exibição é fazer com que o som nela reproduzido seja idêntico ao som finalizado em uma sala de mixagem, na presença do diretor e do designer sonoro do filme. Para que isso aconteça, as características acústicas da sala de projeção deve ser idêntica às do estúdio de mixagem – ou vice-versa. Os aspectos mais relevantes para a qualidade acústica da sala de exibição são o nível de ruídos de fundo e o tempo de reverberação.
Nível de ruídos de fundo
Assim como se remove da sala de exibição as informações visuais que não fazem parte do filme para valorizar as imagens projetadas na tela é necessário eliminar também todas e quaisquer informações sonoras que não façam parte da trilha do filme. Neste contexto, mesmo os momentos de silêncio na trilha sonora do filme devem ser considerados como elementos narrativos utilizados pelo diretor para atingir seus objetivos e, por conta disso, devem ser preservados durante a exibição.
A principal preocupação para se garantir um baixo nível de ruídos de fundo e isolar o auditório da sala de projeção dos demais ambientes, sejam eles externos ou internos. O isolamento do auditório em relação aos demais ambientes resulta na eliminação da troca de ar com o exterior o que implica na necessidade de se instalar um sistema de ventilação mecânica, geralmente associado a um sistema de ar condicionado, para garantir a
salubridade do ambiente e o conforto dos seus ocupantes. É essencial que esses sistemas sejam projetados e executados por profissionais qualificados para evitar que o nível de ruído produzido por eles eleve o nível de ruídos de fundo do auditório ao ponto de prejudicar a percepção da trilha sonora dos filmes.
O nível de ruídos de fundo refere-se ao somatório das fontes sonoras de caráter ‘constante’, sem grandes variações em relação ao tempo em que acontecem como é o caso, por exemplo, do ruído produzido pelos sistemas de ar condicionado. Esse nível é determinado através de curvas NC (do inglês “Noise Criteria”) através das quais os níveis sonoros são medidos em oito faixas de oitavas e registrados em um gráfico que simula a sensibilidade da audição humana.
A Recomendação Técnica da ABC estipula que o nível de ruídos de fundo máximo no interior das salas de projeção deve se situar entre os valores correspondentes às curvas NC25, sendo admissível um valor da ordem de NC30. Níveis de ruídos acima desses
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Capítulo 2 - A qualidade da proje
valores fazem com que se percam os detalhes da trilha sonora e, em casos extremos, podem comprometer sua inteligibilidade.
A recomendação da ABC também determina que o nível de ruídos não deva ser inferior a NC20 já que, abaixo disso, ruídos intrusivos intermitentes podem se tornar audíveis e irritantes. É recomendável utilizar certo nível de ruídos de fundo para mascarar as fontes de ruídos intrusivos que, contudo, não devem superar os valores da curva NC 35.
Tempo de reverberação
A utilização de trilha sonora do tipo multicanal implica em maior preocupação com a preservação da “imagem estéreo”, ou seja, a capacidade do espectador de localizar espacialmente a fonte a partir da qual está sendo reproduzido cada canal sonoro. Essa capacidade de localização espacial é essencial para que o espectador possa fazer a conexão entre o som e a imagem a ele associada e assim garantir a verossimilhança daquilo que assiste.
Em filmes com som do tipo 5.1, que se tornou, na prática, o padrão sonoro para cinema, a trilha sonora do filme é constituída por três canais frontais (frente, centro e direita) reproduzidos por caixas acústicas posicionadas atrás da tela de projeção, e dois canais
Figura 13: Níveis de ruído de fundo, curvas NC.
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“ambiente” (surround) (esquerda e direita), reproduzidos por caixas posicionadas nas paredes laterais e do fundo da sala. Além desses cinco canais, existe também o canal dos subgraves (subwoofer), o “ponto um” do sistema, utilizado para reprodução das
frequências sonoras muito baixas.
Os principais requisitos para garantir que o espectador possa localizar a partir de onde está sendo reproduzido cada um desses canais são um espaçamento adequado entre as caixas acústicas e a redução do tempo de reverberação no interior do auditório. Se as caixas acústicas dos canais frontais estiverem muito próximas entre si e/ou se o tempo de reverberação for muito alto, a localização das fontes sonoras fica comprometida e a associação entre som e imagem se perde.
Figura 14: Sistema de som multicanal 5.1.
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Capítulo 2 - A qualidade da proje
O tempo de reverberação é o tempo no qual o som permanece em um ambiente após ser emitido. Ele é medido em segundos e os valores recomendados variam em função da utilização que se deseja ao ambiente e seu volume. Via de regra, no caso de ambientes nos quais se deseja valorizar a inteligibilidade dos diálogos e a localização de múltiplas fontes sonoras, é dada preferência a tempos de reverberação mais reduzidos.
A Recomendação Técnica da ABC estipula os valores adequados do tempo de
reverberação para salas de projeção através de gráficos com valores máximos e mínimos, bem como sua variação em função da frequência sonora. O tempo de reverberação é obtido através de projeto especial que visa obter o valor desejado através da utilização criteriosa de materiais que reflitam ou absorvam o som neles incidido.
Conforto do espectador
Além das questões de saúde e bem-estar, as condições de conforto na sala de projeção são essenciais para a perfeita fruição do espetáculo cinematográfico. Lembrando que o objetivo de uma boa projeção é fazer com que o espectador se esqueça de seu corpo físico e mergulhe totalmente na experiência sensorial que lhe é oferecida na sala, devem ser evitadas quaisquer condições de desconforto durante a duração da sessão.
Figura 15: Tempo de reverberação, 500Hz.