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MUNICIPIO DE PORTO ALEGRE D E C I S Ã O

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Academic year: 2021

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AGRAVO DE INSTRUMENTO SEGUNDA CÂMARA CÍVEL Nº 70077164036 (Nº CNJ:

0081615-75.2018.8.21.7000)

COMARCA DE PORTO ALEGRE

MP/RS - MINISTERIO PUBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

AGRAVANTE

MUNICIPIO DE PORTO ALEGRE AGRAVADO

D E C I S Ã O Vistos.

MP/RS - MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL agrava da decisão que rejeitou sua pretensão antecipatória nos autos da ação civil pública que move em desfavor de MUNICIPIO DE PORTO ALEGRE, nos seguintes termos:

[...] Malgrado o pedido liminar confunda-se com o de mérito da lide, mesmo após emenda, tem-se que a fim de viabilizar o funcionamento do Conselho Municipal de Saúde, bem como por tratar-se de órgão com função essencial, concedo em parte o pedido liminar, tão somente quanto aos itens "a", "c", "d" constantes na emenda à inicial, para que o Município de Porto Alegre abstenha-se de aplicar as seguintes restrições do Memorando Circular nº SEI 3378995/2018, quais sejam:

a) a participação de servidores públicos em horário de expediente ou representando a Secretaria Municipal de Saúde, nas reuniões convocadas pelo Conselho Municipal de Saúde ou pelo seu Núcleo de Coordenação eleito, restando vedada a imposição de qualquer sanção ao servidor que assim proceder; c) o uso de serviços e bens públicos para atos e reuniões do Plenário do Conselho Municipal de Saúde ou do seu Núcleo de Coordenação eleito; d) o acesso a emails e sites oficiais do Município de Porto Alegre, documentos públicos e processos administrativos e eletrônicos ao Núcleo de Coordenação do Conselho Municipal de Saúde eleito. Quanto aos demais pedidos, os mesmos serão objeto de análise no decorrer da instrução, após o necessário contraditório.

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Ante o exposto, defiro parcialmente a liminar pretendida, nos termos acima expostos.

Intime-se. Cite-se.

Diligências Legais. [...]

Opostos embargos de declaração, sobreveio o seguinte pronunciamento por parte do juízo singular:

[...] Recebo os embargos de declaração, eis que tempestivos.

No entanto, acolho os presentes embargos apenas para sanar a omissão apontada pela parte autora, quanto ao indeferimento do item "b".

Assim, em que pese os argumentos da demandante quanto ao item "b" da emenda à inicial, tenho que a decisão de concessão parcial da medida liminar não merece reparos. O item "b" diz respeito a autorização para acesso e resposta de documentos oficiais, porém não há em sede de cognição sumária um juízo seguro de convencimento acerca de todos os fatos narrados, necessitando do contraditório a fim de verificar se existe efetiva legitimidade destes membros eleitos.

Todavia, não significa que após o contraditório a decisão liminar não possa ser revista no ponto. Por ora, mantenho a decisão por seus próprios fundamentos.

Dito isso, acolhidos em parte os embargos e sanada a omissão apontada. [...]

Defende o agravante, em suas razões, o atendimento aos requisitos necessários à concessão de medida que consiste em vedar o requerido de proibir ou impedir o encaminhamento de informações, respostas e documentos oficiais a membros do Núcleo de Coordenação do Conselho Municipal de Saúde eleito. Discorre sobre o diploma legal que introduziu os Conselhos de Saúde para controle social das políticas públicas de saúde do município, medida que, sem a concessão do item “b” do pedido de tutela de urgência, restará gravemente prejudicada do

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ponto de vista fiscalizatório e deliberativo, mormente em razão da falta de acesso a informações, respostas e documentos oficiais. Pede a concessão de tutela provisória recursal, e, ao final, o provimento do recurso.

É o breve relatório. Decido.

Cuida-se de ação civil pública, questionando o procedimento adotado pelo Poder Público Municipal de Porto Alegre quanto à interferência na eleição e posse do Núcleo de Coordenação do Conselho Municipal de Saúde do Município de Porto Alegre no exercício 2018-2019.

Antecipo que, não obstante a entrada em vigor do novel Código de Processo Civil, manteve-se previsão expressa autorizativa da análise de pedidos concernentes à tutela provisória (de urgência) ao relator1, razão pela qual passo a decidir.

Para a concessão da tutela de urgência, seja ela de natureza cautelar ou antecipatória, revela-se necessária a presença dos requisitos atinentes ao fumus boni iuris e ao periculum in mora. Isso em atenção às modificações introduzidas pelo Novo Código de Processo Civil, diploma que teve por bem aproximar os dois institutos, abrandando o antigo escalonamento que apenas permitia a concessão da antecipação de tutela quando presente prova mais contundente e efetiva das alegações, exigência que não se verificava, no mesmo grau, quanto às providências cautelares.

1 Art. 932. Incumbe ao relator: [...]

II - apreciar o pedido de tutela provisória nos recursos e nos processos de competência originária do tribunal;

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Sob a égide do Código de Processo Civil anterior, assim ensinou o insigne Ministro Teori Albino Zawaski quanto à qualificação dos requisitos concernentes ao provimento antecipado2:

“o fumus bonis juris deverá estar, portanto, especialmente qualificado: exige-se que os fatos, examinados com base na prova já carreada, possam ser tidos como fatos certos. Em outras palavras: diferentemente do que ocorre no processo cautelar (onde há juízo de plausibilidade quanto ao direito e probabilidade quanto aos fatos) a antecipação de tutela do mérito supõe verossimilhança quanto ao fundamento de direito, que decorre de (relativa) certeza quanto à verdade dos fatos”(grifos meus)

De outro lado, a doutrina existente já de acordo com as modificações introduzidas sobre o tema assim dispõe3:

“O novo Código de Processo Civil avançou positivamente ao abandonar a gradação que o Código de Processo Civil de 1973 pretendia fazer entre os requisitos para a cautelar e a antecipação de tutela, sugerindo-se um fumus mais robusto para a concessão dessa última.

Quanto ao periculum in mora, a doutrina predominante não estabelece à luz do Código de Processo Civil de 1973 qualquer distinção entre a tutela cautelar e a antecipação de tutela. Nem poderá fazê-lo à luz do novo Código de Processo Civil.

Repita-se que pelo novo Código não há nenhuma diferença, quanto aos requisitos, para a concessão da tutela antecipada e da cautelar. Tratando-se de tutela de urgência, seja cautelar, seja tutela antecipada, exige-se a evidência da probabilidade do direito (fumus boni iuris) e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo (periculum in mora).”(grifos meus).

2 ZAVASCKI, Teori Albino. Antecipação de tutela. 4 ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 77. 3 RIBEIRO, Leonardo Ferres da Silva. Tutela Provisória [livro eletrônico] ; tutela de urgência e tutela de evidência. Do CPC/1973 ao CPC/2015. 1 ed. – São Paulo : Editora Revista dos Tribunais, 2015. – (Coleção Liebman / coordenação Teresa Arruda Alvim Wambier e Eduardo Talamini). p. 09

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Com base em tais premissas, passo à análise do caso concreto.

Incumbia ao agravante, a fim de obter a medida urgente vindicada, demonstrar de forma segura a presença de elementos que evidenciassem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo4.

Embora respeitáveis as considerações do magistrado de origem, tenho que se revelam presentes os fundamentos para que, neste momento, haja alteração do que foi decidido quanto ao pedido de tutela de urgência.

Acolhendo em significativa porção os pedidos do Ministério Público, foi determinado na origem:

a) a participação de servidores públicos em horário de expediente ou representando a Secretaria Municipal de Saúde, nas reuniões convocadas pelo Conselho Municipal de Saúde ou pelo seu Núcleo de Coordenação eleito, restando vedada a imposição de qualquer sanção ao servidor que assim proceder; c) o uso de serviços e bens públicos para atos e reuniões do Plenário do Conselho Municipal de Saúde ou do seu Núcleo de Coordenação eleito;

d) o acesso a emails e sites oficiais do Município de Porto Alegre, documentos públicos e processos administrativos e eletrônicos ao Núcleo de Coordenação do Conselho Municipal de Saúde eleito. (grifos meus)

Nesse passo, em que pese refutada a pretensão contida na alínea “b”, tenho que sua concessão está adstrita ao desenvolvimento das atividades do próprio Conselho Municipal de Saúde, já que se relaciona ao encaminhamento de informações, respostas e documentos

4 Art. 300. A tutela de urgência será concedida quando houver elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. [...]

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oficiais a membros do Núcleo de Coordenação e sua impossibilidade de vedação pelo Poder Público.

Como forma, assim, de viabilizar o funcionamento do Conselho Municipal de Saúde, considerando seu caráter de essencialidade, tenho que a concessão da medida urgente deve, também, estender-se ao conteúdo da alínea “b”, imputando ao agravado obrigação negativa de vedar o requerido de proibir ou impedir o encaminhamento de informações, respostas e documentos oficiais a membros do Núcleo de Coordenação do Conselho Municipal de Saúde eleito

A tese ministerial demonstra, com a segurança necessária à concessão de medida, os prejuízos causados aos administrados na hipótese de inação do Conselho, fato que decorreria do impedimento do acesso a informações ínsitas à função de fiscalização, bem assim a obtenção de recursos oriundos de Fundos de Saúde, para o que necessária o regular funcionamento do Conselho.

Demais disso, a medida vindicada pelo Ministério Público, mesmo que no curso da lide, não se revela desproporcional, já que representa a garantia de exercício das funções do Conselho Municipal de Saúde no curso da lide.

Por fim, a urgência da medida transparece pela própria natureza da função em discussão, envolvendo a prestação de serviço de saúde à população do Município.

Tal não significa qualquer juízo prévio de mérito, podendo a medida, a qualquer tempo, ser reavaliada.

Posto isso, DEFIRO O PEDIDO LIMINAR RECURSAL com o fito de vedar o requerido de proibir ou impedir o encaminhamento de informações, respostas e documentos oficiais a membros do Núcleo de

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Coordenação do Conselho Municipal de Saúde eleito, nos termos deduzidos pelo Ministério Público.

Comunique-se.

Intimem-se, inclusive a parte agravada para, querendo, responder o recurso.

Dê-se vista ao Ministério Público e voltem conclusos para julgamento.

Diligências Legais.

Porto Alegre, 02 de abril de 2018.

DES. RICARDO TORRES HERMANN, Relator.

www.tjrs.jus.br

Este é um documento eletrônico assinado digitalmente por: Signatário: RICARDO TORRES HERMANN

Nº de Série do certificado: 00D46071

Data e hora da assinatura: 02/04/2018 14:51:40

Para conferência do conteúdo deste documento, acesse, na internet, o endereço http://www.tjrs.jus.br/verificadocs/ e digite o seguinte número verificador: 700771640362018468896

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