Conheça a poderosa uva Nebbiolo e as
DOCGs de Barolo, Barbaresco e Roero em
uma incursão pelo norte da Itália
pIemONte
NeBBIOlO pRIma 2015
Nas antigas adegas
Calissano, em Alba, uma
degustação aberta com os
vinhateiros presentes
O
Piemonte é uma daquelasregiões míticas do vinho, graças principalmente ao Barolo, apregoado na antiguidade como “o vinho dos reis, e o rei dos vinhos!” Todo ano, a Albeisa, associa-ção dos produtores de vinho da região de Alba –sim, é a mesma célebre por ser a fonte das mais perfumadas trufas brancas do planeta gastronômico– faz um evento de apresentação das novas safras dos vinhos tintos de Barolo, Barbaresco e Roero, aquelas que estão prestes a chegar ao mercado. Este ano, em maio, a 20ª edição do Nebbiolo
Prima marcou a presença de 250
viní-colas, com cerca de 500 vinhos ofere-cidos à degustação a cerca de 100 jor-nalistas de todo o mundo, incluindo a
Vinho Magazine do Brasil.
A degustação foi de Barolo 2011 e Barolo Riserva de 2009; de Barbaresco 2012 e Barbaresco Riserva 2011; e de Roero 2012 e Roero Riserva 2011. Você pode imaginar que vinhos de até seis anos, caso do Barolo Riserva, já estão maduros, mas qual nada! Estão ainda jovens e com taninos poderosamente adstringentes. São todos vinhos de longa guarda, tipicamente tânicos. Aliás, a tanicidade e a acidez elevada são a marca e o caráter da Nebbiolo.
Antigo carroção de transporte de barricas em galpão de vinícola turística
Alessandro Rivetto, agora por conta própria, quer importador para o Brasil
Barricas bordalesas para estágio do vinho na Ceretto: raridades no Piemonte
Vinhedos em encosta e instalações que garantem sustentabilidade na Ceretto
Trator capina na Serradenari, o vinhedo de Barolo mais alto do mundo
Federico Ceretto: relações públicas
O prédio da Cerrto é de uma incrível arquitetura arrojada,
sendo considerada uma das vinícolas mais bonitas da Itália
Todas as manhãs, durante cinco dias, o grupo de jornalistas poderia, a cri†ério de cada um, provar até bem mais de uma centena de vinhos, desde bem cedo até a hora do almoço, ser-vido em buffet no centro de exposições que abriga a manifestação, em Alba. É muito vinho, mas não é necessário ou forçoso provar todos. Eu, geralmente, me resumia ao civilizado limite de 50 por manhã preconizado pela OIV.
Depois de uma intensa manhã de anotações e degustações –uma forma absolutamente fantástica de construir mentalmente a identidade dos vinhos elaborados com a Nebbiolo!–, os jor-nalistas eram apanhados pelos próprios vinhateiros, em seus veículos particu-lares, e levados às vinícolas dos arredo-res, nas colinas de Barolo, Barbaresco e Roero, com as diversas comunas, La Morra, etc.
Vinho Magazine visitou em
Ser-ralunga d’Alba a Alessandro Rivetto, tocada pelo empresário de mesmo nome, o simpático e loquaz herdeiro de uma superconhecida família de vitivinicultores da região. Ocorre que Alessandro rompeu com a famí-lia –problemas famifamí-liares, quem não viu?– e está disposto a fazer a sua pró-pria marca. Seus vinhos são excelentes,
A jovem talentosa enóloga Giulia Negri e a mãe, Gabriella Spallino, empresária
Garrafas dos produtos da Serradenari em degustação agradável nos jardins
Vinhedos a perder de vista e castelo visto a partir do terraço da vinícola Vietti
Na Serradenari, colheita de trufas
O Piemonte e suas encostas
cobertas de vinhedos e castelos
medievais é uma visão épica
de alta qualidade e com apresentação impecável. Ele tem vinhedos em diver-sas microrregiões do Piemonte.
Depois de uma interessante degus-tação com Alessandro, fomos até a Malvirá, uma vinícola também de porte médio, com 42 hectares de vinhedos na região do Roero, em Canale d’Alba, com uma boa produção da branca Arneis, e das tintas Barbera e Nebbiolo.
Uma peculiaridade do evento Nebbbiolo d’Alba é que os jantares, realizados em estrelados restaurantes de comida típica da região, aconte-cem em mesas que intercalam jorna-listas e produtores, possibilitando não só a degustação comentada de novos vinhos, como também um rico contato com maior número de vinhateiros.
ARquITeTuRA ARROjADA
A Ceretto fica em um prédio abso-lutamente fascinante, um daqueles edifícios de vinícolas que é feito para impressionar. Se a casa é grande, os vinhos são muitos. A degustação foi escoltada pelo relações públicas da empresa, o sócio Federico Ceretto, que discutiu com o nosso grupo cada um dos excelentes vinhos apresentados. A locação nem vale a pena descrever,
Na Vietti, todos os vinhos à disposição para degustar, à escolha: fascinante
Vinhos degustados na Seghesio: a prova inclui também o Barolo 2009 La Villa
Michela e Sandro Seghesio: filhos dão continuidade ao legado do pai Aldo
O enólogo e dono Luca Currado Vietti
para não parecer exagerado. Simples-mente espetacular, com diversas salas de degustação de diferentes tamanhos.
Dali, fomos até a Serradenari, em que o caráter familiar também se revela, na relação carinhosa entre a mãe, a empresária Gabriella Spallino, e a jovem e talentosa enóloga Giulia Negri. Giulia está disposta a fazer a região um dos grandes Pinot Noir do planeta e, francamente, provamos um exemplar de maravilhosa qualidade! É lógico que os Barolo e Nebbiolo da pequena casa, que se caracteriza como vinho de garagem, também são bons.
A Vietti também é grande e pode-rosa e o dono e enólogo Luca Currado é um mestre da simpatia. Ele deixou à nossa escolha simplesmente toda a gama de vinhos da marca, uma das mais conhecidas da região. Lindo!
A última visita, antes do embar-que de volta ao Brasil, foi à simpática Seghesio, ainda abalada pela morte de um dos fundadores, o patriarca Aldo. Seu irmão Riccardo agora divide a administração da vinícola com os sobrinhos Michela e Sandro, simpá-ticos e competentes na degustação de excelentes Barolos, Dolcettos etc.
O evento Nebbiolo Prima permite uma visão bem larga do Piemonte.