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UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO UPE PROGRAMA DE MESTRADO EM HEBIATRIA JAKELLINE CIPRIANO DOS SANTOS RAPOSO

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO ­ UPE

PROGRAMA DE MESTRADO EM HEBIATRIA

JAKELLINE CIPRIANO DOS SANTOS RAPOSO

BEBER EM BINGE E USO DE DROGAS ILÍCITAS ENTRE 

ESTUDANTES ADOLESCENTES

CAMARAGIBE­PE 2015

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JAKELLINE CIPRIANO DOS SANTOS RAPOSO

BEBER EM BINGE E USO DE DROGAS ILÍCITAS ENTRE 

ESTUDANTES ADOLESCENTES

Dissertação  apresentada  ao  programa  de  mestrado  em  Hebiatria  da  Universidade  de  Pernambuco  como  requisito  parcial  para  obtenção do título de Mestre em Hebiatria. Orientadora: Profa. Dra. Carolina da Franca Co­orientadora: Profa. Dra. Viviane Colares

CAMARAGIBE­PE 2015

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AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente ao Senhor Jesus pelo dom da vida e por me apoiar e amparar em  todo o meu caminho. . Em especial a minha tia, Roziete Cipriano dos Santos, pela educação, dedicação e amor. À minha mãe, Maria Luzia dos Santos, pelos momentos de descontração e por me ensinar  que é mais fácil sorrir do que chorar. Ao meu marido, Ricardo Jorge Cardoso da Silva, pela compreensão, apoio e  companheirismo. A minha sogra, Maria José, pelo apoio, inclusive o financeiro. Aos adolescentes do Instituto Federal de Pernambuco, aprendo todos os dias com eles. À minha chefia, Departamento de Desenvolvimento Educacional, que viabilizou meu  afastamento total, sem o qual não poderia ter me dedicado às atividades acadêmicas. À minha parceira de pesquisa, Ana Carolina Costa, pela companhia, lanches, dedicação,  sem você eu não teria conseguido.

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Agradeço a minha orientadora, Professora Dra. Carolina da Franca, pela paciência,  dedicação e ensinamentos. À minha co­orientadora, Professora Dra. Viviane Colares, pela sabedoria e reflexões.  Às “anjas”, Paula Valença e Fernanda Soares, pelos momentos divertidos e abrigo em  Recife. Ao grupo de pesquisa, pelos momentos de aprendizagem. A minha avó, Marina Conceição (in memoriam), por me ensinar o que é ser solidário e amar  ao próximo. A todos os colegas da pós­graduação pelos momentos vividos e compartilhados. Aos professores do mestrado pelo aprendizado compartilhado. Por fim, agradeço a todos que contribuíram para a realização desta pesquisa.

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“Tudo quanto fizerdes, fazei­o de todo o coração, como para o Senhor e não para os  homens...”. Colossenses 3:23

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RAPOSO, J. C. S. Beber em binge e uso de drogas ilícitas entre estudantes adolescentes.  2015. 101f. Dissertação (Mestrado).  Universidade de Pernambuco, Camaragibe, PE, 2015.

Introdução:  A  prática  de  beber  em  binge  é  prevalente  na  população  adolescente  e  está  associada a diversos agravos à saúde, assim como o uso de drogas ilícitas. O uso paralelo de  álcool e essas drogas está associado ao aumento desses agravos. O objetivo desta investigação  é verificar a associação entre o beber em binge e o uso de inalantes, maconha e cocaína entre  estudantes adolescentes. Métodos: Trata­se de um estudo transversal. Para o cálculo amostral  foram  considerados  os  seguintes  parâmetros:  nível  de  confiança  de  95%,  um  poder  (β)  de  80%, frequência do desfecho de 50%, razões de chance de 1.5, efeito de delineamento de 1.2  e  perdas  de  10%,  resultando  em  uma  amostra  de  1175  estudantes.  Optou­se  por  um  amostragem probabilística por conglomerado em duas etapas, sendo a primeira o sorteio das  escolas  e  na  segunda,  o  das  turmas.  Os  dados  foram  coletados  por  meio  do  Youth  Risk  Behavior Survey, validado para o Brasil. Para este estudo os valores do teste kappa variaram  de  0,642  a  1,00.  Foi  realizado  a  análise  descritiva  dos  dados,  através  da  distribuição  de  frequências.  Para  a  análise  inferencial  utilizou­se  o  teste  do  Qui­quadrado  e  análise  de  regressão  de  Poisson  para  estimar  razões  de  prevalência  (RP),  admitindo­se  para  ambos  os  níveis de significância de 5,0% e com intervalos de confiança (IC) de 95% para a regressão.  As variáveis que apresentarem valor de p≤0,20 na análise bivariada foram incluídas na análise  multivariada,  além  daquelas  que  apresentam  respaldo  na  literatura.  Foram  utilizados  os  programas estatísticos Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 21 e o Stata  11.0. Resultados: Participaram desse estudo 1139 adolescentes. A prevalência do beber em  binge foi de 23,3% e entre os consumidores atuais de álcool essa prevalência foi de 72,7%. A 

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análise multivariada demonstrou que a probabilidade de um adolescente beber em binge foi  quase  três  vezes  mais  elevada  (IC:  2,28­3,63)  nos  usuários  de  maconha  e  duas  vezes  (IC:  1,57­2,54)  nos  que  usaram  inalantes.  O  uso  de  cocaína  não  permaneceu  significativo  no  modelo  ajustado.  Os  fatores  demográficos  permaneceram  na  regressão  apenas  como  ajuste.  Conclusão: A prática de beber em binge esteve associada ao uso de maconha e inalantes.

Palavras­chave: adolescente, comportamento do adolescente, bebedeira, drogas ilícitas.

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RAPOSO,  J.  C.  S.  Binge  drinking  and  illicit  drugs  use  among  teens.  2015.  101f.  Dissertation (Master). University of Pernambuco, Camaragibe, PE, 2015.

Background: The practice of binge drinking is prevalent in the adolescent population and is  associated with many health problems, as well as the use of illicit drugs. The parallel use of  alcohol  and  these  drugs  is  associated  with  increased  this  problems.  The  purpose  of  this  research  is  to  verify  the  association  between  binge  drinking  and  in  the  use  of  inhalants,  marijuana  and  cocaine  among  adolescents.  Methods:  This  was  a  cross­sectional  study.  For  sample  calculation  the  following  parameters  were  considered:  a  confidence  level  of  95%,  a  power (β) of 80%, often the outcome of 50%, odds ratio 1.5, 1.2 design effect and losses of  10%, resulting in a sample 1175 students. We opted for a probabilistic cluster sampling in two  stages,  the  first  being  the  draw  of  schools  and  in  the  second,  that  of  classes.  Data  were  collected  through  the  Youth  Risk  Behavior  Survey,  validated  in  Brazil.  For  this  study  the  kappa test values ​​varied from 0.642 to 1.00. Descriptive analysis was performed through the  distribution  of  frequencies.  For  the  inferential  analysis  used  the  chi­square  test  and  Poisson  regression analysis to estimate prevalence ratios (PR), assuming for both significance levels  of 5.0% and confidence intervals (CI) 95% for the regression. The variables that present value  of p≤0,20 in the bivariate analysis were included in multivariate analysis, as well as those who  have supported in the literature. Statistical programs were used Statistical Package for Social  Sciences (SPSS) version 21 and Stata 11.0. Results: Participants were 1139 adolescents. The  prevalence  of  binge  drinking  in  was  23.3%  and  among  current  alcohol  consumers  this  prevalence was 72.7%. Multivariate analysis showed that the probability of a teenage binge  drinking was almost three times higher (CI: 2.28 to 3.63) in marijuana users and twice (CI:  1.57 to 2.54) in that used inhalants. Cocaine use has not remained significant in the adjusted 

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model.  Demographic  factors  remained  in  the  regression  just  like  setting.  Conclusion:  The  practice of drinking in binge was associated with the use of marijuana and inhalants. 

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LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Alunos por turma e modalidade matriculados no ensino médio no turno diurno da  rede pública estadual da Cidade de Olinda – PE de acordo com o SIEPE em 201331 Quadro 2 – Critérios estabelecidos para o cálculo amostral32 Quadro 3 – Valores do teste Kappa 34 Quadro 4 – Variáveis dependentes e independentes por tipo de variável e definição  operacional 35

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CDC – Centers for Disease Control and Prevetion SNC – Sistema Nervoso Central YRBS – Youth Risk Behavior Survey SIEPE ­ Sistema de Informações da Educação de Pernambuco IDH – Índice de Desenvolvimento Humano IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística OR – Odds Ratio PE – Pernambuco TCLE ­ Termo de Consentimento Livre e Esclarecido SM – Salário mínimo SPSS ­ Statistical Package for Social Sciences RP – Razão de Prevalência SUMÁRIO

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1 INTRODUÇÃO14 2 REFERENCIAL TEÓRICO18 2.1 Artigo de revisão19 3 PROPOSIÇÃO30 3.1 Objetivo geral31 3.2 Objetivos específicos31 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS32 4.1 Delineamento33 4.2 Local de estudo33 4.3 População alvo33 4.4 Amostra34 4.4.1 Cálculo amostral34 4.4.2 Procedimento de amostragem34 4.4.3 Critérios de inclusão35 4.4.4 Critérios de exclusão35 4.5 Coleta de dados35 4.5.1 Instrumento para a coleta de dados35 4.5.2 Estudo piloto36 4.5.3 Procedimento de coleta37 4.7 Análise estatística38 4.7.1 Definição das variáveis38 4.7.1 Tabulação e testes estatísticos41 4.8 Considerações éticas42 5 RESULTADOS43 5.1 Artigo 1 – Beber em binge e uso de drogas ilícitas entre adolescentes escolares44 5.2 Artigo 2 – Prevalência e fatores associados à prática de beber em binge entre estudantes  adolescentes58 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS79 REFERÊNCIAS81 APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO NEGATIVO87 APÊNDICE B – TERMO DE ASSENTIMENTO89 APÊNDICE C – QUESTIONÁRIO SOCIOECONÔMICO92

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ANEXO 1 – QUESTIONÁRIO YOUTH RISK BEHAVIOR SURVEY – YRBS ­  BRASIL93

ANEXO 2 – APROVAÇÃO DO COMITÊ DE ÉTICA100

ANEXO 3 – APROVAÇÃO DO TERMO DE CONSENTIMENTO NEGATIVO PELO  COMITÊ DE ÉTICA101 

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1 INTRODUÇÃO

Os  padrões  de  consumo  do  álcool  podem  ser  a  experimentação  (uso  na  vida),  configurando  o  primeiro  contato  com  a  droga;  o  uso  atual,  que  corresponde  ao  uso  nos  últimos  30  dias  e  o  consumo  excessivo,  que  no  caso  do  álcool  também  é  conhecido  como  binge drinking ou beber em binge e refere­se ao consumo de 5 ou mais doses em um curto  intervalo de tempo para homens e 4 ou mais doses para mulheres (CENTERS..., 2014a).

Mais  da  metade  da  população  brasileira  já  consumiu  álcool  e  desses,  22,1%  já  relataram ao menos um episódio de consumo excessivo no mês (WORLD..., 2014). Entre os  adolescentes  brasileiros  o  consumo  excessivo  foi  de  9,1%,  o  que  representa  1,3  milhão  de  pessoas (PINSKY et al., 2010).

A  prática  de  beber  em  binge  apresenta  alta  prevalência  entre  a  população  de  adolescentes e jovens (CASTRO et al., 2012; CENTERS..., 2014a; STICKLEY et al., 2013).   Quase 90% de todo o álcool consumido nos Estados Unidos por jovens é feito na forma de  binge (CENTERS..., 2014a). Mais de seis em cada dez adolescentes que consumiram álcool, o  fizeram em binge (MILLER et al., 2007).

O  consumo  excessivo  de  álcool  é  responsável  por  quase  1  em  cada  10  mortes  e  por  mais de 1 em cada 10 anos potenciais de vida perdidos (STAHRE et al., 2014). O consumo  em  binge  durante  a  adolescência  é  preditor  para  dependência  alcoólica  na  idade  adulta,  consumo regular excessivo de álcool, doenças psiquiátricas, abandono escolar, acidentes e uso  de drogas ilícitas (VINER; TAYLOR, 2007).

Dentre as drogas ilícitas no Brasil, se destacam a maconha, a cocaína e os inalantes,  que  são  as  três  primeiras  drogas  (nessa  ordem)  mais  utilizadas  por  adolescentes  (LARANJEIRA, 2014). 

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Em relação à maconha, estima­se que 125 a 203 milhões de pessoas no planeta sejam  usuários dessa substância (DEGENHARDT; HALL, 2012). É a droga ilícita mais consumida  no  mundo  e  nas  Américas  (PERUGA;  RINCÓN;  SELIN,  2002;  DEGENHARDT;  HALL,  2012) e seu uso vem aumentando entre os adolescentes brasileiros (MADRUGA et al., 2012;  LARANJEIRA, 2014).  Quanto aos inalantes, o Brasil apresentava a maior prevalência de uso de substâncias  voláteis (inalantes) na vida entre estudantes adolescentes em comparação aos seus pares nos  países da América do Sul (HYNES­DOWELL et al., 2011).  No que diz respeito à cocaína, o Brasil foi apontado como uma das nações emergentes  aonde  o  uso  dessa  droga  vem  aumentando,  enquanto  em  outros  países  esse  consumo  está  diminuindo  (MADRUGA  et  al.,  2012;  LARANJEIRA,  2014).  E  seu  uso  apresentou  um  aumento significativo entre estudantes adolescentes das capitais do nordeste brasileiro entre  os  anos  de  1987  (0,5%)  a  2010  (2,5%)  (CARLINI  et  al.,  2010;  DUAILIBI;  RIBEIRO;  LARANJEIRA, 2008).  O uso dessas drogas é associado ao consumo excessivo de álcool, transtornos mentais  e de dependência, alterações morfológicas no sistema nervoso central (SNC) em adolescentes  e aumento da mortalidade entre os jovens (BATALLA et al., 2013; DEGENHARDT; HALL,  2012; GOSSOP; MANNING; RIDGE, 2006; MILLER et al., 2007; SILVA­OLIVEIRA et al.,  2014).  O uso paralelo de drogas ilícitas com o álcool atinge um em cada dez adolescentes e  seu uso entre jovens é de três em cada dez (OLIVEIRA et al., 2013). Esse padrão de uso está  associado  a  declínio  no  desempenho  escolar,  direção  perigosa,  sexo  não  planejado,  perda  temporária de consciência (blackout) (MCCABE et al., 2006).

Apesar  de  ser  um  comportamento  prevalente  entre  os  adolescentes  e  ter  efeitos  negativos a curto e longo prazo, uma recente revisão apontou uma baixa produção brasileira 

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científica em relação ao consumo em binge no período de 1999 a 2010 (ARANTES, 2012).  No  nordeste  esse  quadro  é  pior,  pois  não  foi  encontrada  nenhuma  pesquisa  que  investigou  esse padrão de consumo entre estudantes adolescentes e sua associação com drogas ilícitas.  Diante do exposto, o objetivo desta pesquisa é verificar a associação entre a prática de beber  em  binge  com  o  uso  de  maconha,  cocaína  e  inalantes  entre  estudantes  adolescentes  matriculados na rede pública estadual da cidade de Olinda, Pernambuco. 

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2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 1 CONSUMO DE ÁLCOOL EM BINGE POR ADOLESCENTES E JOVENS ESTÁ  ASSOCIADO AO USO DE DROGAS ILÍCITAS? – UMA REVISÃO  SISTEMATIZADA BINGE DRINKING AMONG ADOLESCENTS AND YOUTH ARE ASSOCIATED  WITH THE USE ILLICIT DRUGS? – A SYSTEMIZED REVIEW RESUMO Esta revisão da literatura investigou a associação entre o consumo de álcool em binge e uso de  drogas  ilícitas  entre  adolescentes  e  jovens.  Foi  consultada  a  base  PubMed  usando  os  descritores:  “binge  drinking”,  “marijuana  smoking”,  “inhalant  abuse”,  “cocaine”.  Foram  incluídos  os  artigos  publicados  entre  2010  a  2014,  em  português,  inglês  e  espanhol  e  que  trataram  do  objetivo  dessa  revisão.  O  consumo  de  álcool  em  binge  foi  associado  ao  uso  de  inalantes  (OR:  1,66  a  5,02)  e  maconha  (OR:  1,23  a  6,68),  mas  foram  encontrados  poucos  artigos que investigaram essa associação entre adolescentes e jovens.  Palavras­chave: Comportamento do Adolescente; Adolescente; Bebedeira; Drogas Ilícitas.  ABSTRACT This literature review investigated the association between binge drinking and illicit drug use  among youth. It was referred to the PubMed database using the keywords: "binge drinking",  "marijuana smoking", "inhalant abuse", "cocaine". Articles were included published between  2010­2014,  in  Portuguese,  English  and  Spanish  and  addressed  the  objective  of  this  review.  Consumption  of  alcohol  was  associated  with  binge  use  of  inhalants  (OR:  1.66  to  5.02)  and  marijuana (OR: 1.23 to 6.68) but found few articles that investigated the association between  adolescents and young.

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Keywords: Adolescent Behavior; Adolescent; Binge Drinking; Street Drugs.

INTRODUÇÃO

Mais da metade da população mundial já consumiu álcool alguma vez na vida (WHO, 

2014),  sendo  esse  consumo  prevalente  entre  os  adolescentes  e  jovens  (BEZERRA  ET  AL.,  2009;  FRANCA;  COLARES,  2008;  WHO,  2014),  principalmente  no  que  se  refere  ao  consumo excessivo dessa substância. Alguns estudos têm definido o consumo excessivo como  binge drinking ou beber em binge, que representa a ingestão de aproximadamente 5 ou mais  doses de bebida alcoólica para homens e 4 ou mais doses para mulheres (CDC, 2014; NUNES  ET  AL.,  2012;  WECHSLER  ET  AL.,  1995).  A  prevalência  de  beber  em  binge  é  um  pouco  mais  alta  na  faixa  etária  de  15  a  24  anos  em  comparação  com  os  adultos  (CDC,  2014;  KEYES; MIECH, 2013; WHO, 2014).  A prática de beber em binge é particularmente nociva, pois aumenta rapidamente os  níveis de alcoolemia, diminui a capacidade de discernimento e provoca euforia, favorecendo o  envolvimento com outras drogas, principalmente as ilícitas (BUU ET AL., 2014; CDC, 2014).  Entre as diversas substâncias consideradas ilícitas, as mais utilizadas entre os adolescentes e  jovens são os inalantes, a maconha e a cocaína (ALMEIDA ET AL., 2014; DEGENHARDT;  HALL,  2012;  FRANCA;  COLARES,  2008;  HYNES­DOWELL  ET  AL.,  2011;  UNODC,  2014). 

É importante conhecer o quanto a prática de beber em binge pode estar associada ao  uso  de  outras  drogas,  sendo  um  dado  importante  para  o  planejamento  de  pesquisas  e  programas de saúde com foco na prevenção do uso de drogas. Diante do exposto, o objetivo  desta pesquisa foi sistematizar as informações de base científica abordando a associação entre  beber em binge e o uso de drogas ilícitas (maconha, inalantes e cocaína) entre adolescentes e  jovens por meio de um levantamento de artigos publicados nos últimos cinco anos.

MATERIAL E MÉTODOS

Este  estudo  é  uma  revisão  sistematizada  da  literatura  realizada  através  dos  seguintes  passos: 1. definição da pergunta norteadora, 2. elaboração dos critérios de elegibilidade dos  artigos, 3. seleção dos descritores, 4. escolha da base de dados, 5. cruzamento dos descritores 

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na  base  de  dados  e  utilização  de  alguns  filtros,  6.  seleção  dos  artigos  levantados  no  cruzamento seguindo os critérios de elegibilidade e 7. elaboração desse estudo de revisão com  os artigos selecionados.

A pergunta norteadora foi “Existe associação entre o consumo de álcool em binge e a  utilização  de  maconha,  inalantes  ou  cocaína  entre  adolescentes  e  jovens?”.  O  levantamento  dos  artigos  foi  realizado  na  base  de  dados  eletrônica  PubMed,  utilizando­se  descritores  na  seguinte  estratégia  de  busca:  "binge  drinking"  AND  "marijuana  smoking"  OR  "inhalant  abuse" OR "cocaine".

Após  o  cruzamento  dos  descritores  foram  aplicados  os  filtros:  presença  de  abstract,  período  entre  01/01/2010  e  31/12/2014,  espécie  humana,  idioma  (inglês,  português  e  espanhol), adolescentes (13 a 18 anos) e adultos jovens (19 a 24 anos). 

Os critérios de elegibilidade dos artigos desta revisão foram: resumos que abordassem  a associação entre beber em binge (BB) e drogas ilícitas (DI) com adolescentes e jovens na  faixa etária de 12 a 25 anos. Foram excluídos os resumos repetidos, que abordavam avaliação  de  programas,  pesquisas  qualitativas,  grupos  específicos  comumente  expostos  a  um  maior  risco de uso de drogas, como moradores de rua e profissionais do sexo.

Foi realizada a leitura dos resumos e exclusão dos artigos não elegíveis de acordo com  os  critérios  de  inclusão.  Na  sequência,  foram  lidos  os  artigos  completos  dos  resumos  selecionados  na  etapa  anterior  e  realizada  novamente  a  verificação  dos  critérios  de  elegibilidade. Três artigos foram selecionados após essa fase. A seleção dos artigos poderia  ter sido encerrada com esses três artigos, no entanto, optou­se por retornar a base de dados  para buscar os artigos relacionados a cada um desses três artigos. Esse recurso de buscar os  artigos relacionados a uma referência é oferecido pela base de dados Pubmed. Na sequência,  foram  seguidos  todos  os  passos  anteriormente  descritos:  utilização  dos  mesmos  filtros  para  cada busca, leitura dos resumos de acordo com os critérios de elegibilidade e em seguida dos  artigos na íntegra. Após essas etapas foram incluídos mais dois artigos. O processo de busca  está sintetizado na figura 1. 

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PubMed 1ª busca Descritores:   "binge drinking" AND "marijuana  smoking" OR "inhalant abuse" OR  "cocaine" 35.996 Após filtrosa: 1.037 Excluídos após a leitura dos  resumos:  1.009 Não aborda BB e DI:998; Faixa etária: 08;  Avaliação de programa:02; Grupo específico: 01 Excluídos após a leitura dos  artigos na íntegra Faixa etária: 04;  Não associa BB a DI: 21 1a. seleção: 03 (STICKLEY ET AL., 2013;   TUCKER ET AL., 2013;  NEUMARK; BAR­HAMBURGER,  2011)  2ª busca Citações relacionadas: 151 (STICKLEY ET AL., 2013)+140  (TUCKER ET AL., 2013) +94  (NEUMARK; BAR‐HAMBURGER,  2011)= 385 Após fitrosa: 58 (STICKLEY ET AL., 2013)+65  (TUCKER ET AL., 2013)+23  (NEUMARK; BAR‐HAMBURGER,  2011)= 146 Excluídos após a leitura dos  resumos Não aborda BB: 66;  Não associa BB a DI: 55; Repetido: 20;  Faixa etária: 03 Seleção final: 05

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RESULTADOS

Fizeram  parte  deste  estudo  cinco  artigos,  dos  quais  três  investigaram  a  prevalência,  fatores de risco e proteção para a prática de beber em binge e nos outros dois foi investigado a  prevalência e fatores associados ao uso de inalantes. 

Todos os estudos analisados foram de base escolar e com amostras representativas da  população  estudada.  Dos  cinco  artigos,  quatro  eram  transversais  (PATRICK  ET  AL.,  2013;  NEUMARK; BAR­HAMBURGER, 2011; SILVA­OLIVEIRA ET AL., 2014; STICKLEY ET  AL., 2013) e um longitudinal (TUCKER ET AL., 2013).

Todos  os  artigos  demonstraram  significativa  associação  entre  a  prática  do  beber  em  binge  com  o  uso  das  drogas  ilícitas  investigadas,  exceto  cocaína,  pois  não  foi  encontrado  nenhum estudo somente com os adolescentes e jovens em relação a essa droga (Tabela 1).

DISCUSSÃO  

Em  relação  à  metodologia  dos  estudos,  os  pontos  de  cortes  utilizados  para  avaliar  o  uso de drogas e consumo de álcool em binge variaram em relação ao tempo de uso pois, três  estudos investigaram o uso de drogas nos últimos 30 dias e dois o uso na vida. Para avaliação  do consumo de álcool em binge, o tempo de uso variou da seguinte forma: consumo nas duas  últimas  semanas,  nos  últimos  30  dias,  nos  últimos  12  meses  e    alguma  vez  na  vida.  Essa  variação limita a comparação de resultados. 

Em  relação  ao  sexo,  os  cinco  estudos  incluídos  consideraram  consumir  álcool  em  binge como a ingestão de cinco ou mais doses de bebidas alcoólicas para ambos os sexos. No  entanto, o consumo em binge para homens é definido como cinco doses ou mais, e para as  mulheres  é  de  quatro  doses  ou  mais,  o  que  equivale  a  aproximadamente  a  concentração  de  0,08g/dL  de  alcoolemia  (CDC,  2014;  NUNES  ET  AL.,  2012;  WECHSLER  ET  AL.,  1995).  Dessa forma, todos os estudos desta revisão subestimaram o binge para o sexo feminino, pois  as meninas que consumiram 4 doses não foram contabilizadas nas prevalências do consumo  de álcool em binge.Nesta revisão os cinco estudos incluídos consideraram beber em binge o  consumo de cinco ou mais doses de bebidas alcoólicas para ambos os sexos, subestimando o  binge para o sexo feminino. O uso de maconha associado ao binge foi investigado por três estudos, dois realizados  nos Estados Unidos da América – EUA (TUCKER ET AL., 2013; PATRICK ET AL., 2013) e 

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um na Rússia (STICKLEY ET AL., 2013). Tucker et al. (2013) utilizou dados de um estudo  longitudinal  que  encontrou  o  consumo  de  álcool  em  binge  no  primeiro  levantamento  como  um  dos  preditores  para  a  iniciação  de  maconha  (p<0,001)  no  segundo  levantamento  e  o  inverso também foi encontrado, ou seja, o uso de maconha no primeiro levantamento também  foi preditor para a iniciação da ingestão de álcool em binge (OR: 2,06; IC: 1,51­2,82). 

O  estudo  de  Patrick  et  al.  (2013)  utilizou  dados  transversais  de  2005  e  2011  e  investigou três padrões de consumo de álcool em binge, mas só esta revisão só apresentou os  resultados  relativos  à  ingestão  de  5  ou  mais  doses  de  bebidas  alcoólicas.  Mas  o  uso  de  maconha foi associado a todos os padrões investigados (p<0,001).  Stickley et al. (2013) foi o único que avaliou essa associação estratificada por sexo,  onde as meninas apresentaram 5,45 (IC: 2,22­13,35) vezes mais chance de consumirem álcool  em binge quando usaram maconha enquanto os meninos, apresentaram uma chance de 6,68  (IC: 1,72­25,92) vezes. Apesar disso, essa diferença não foi discutida pelos autores. Contudo,  o uso de drogas ilícitas e o consumo de álcool em binge entre o sexo feminino pode ser mais  prejudicial,  pois  as  mulheres  são  mais  vulneráveis  a  desenvolver  e  manter  comportamentos  aditivos  do  que  os  homens,  visto  que  o  estrogênio  pode  ter  efeitos  no  metabolismo  de  dopamina, um dos neurotransmissores do sistema de recompensa (BOBZEAN ET AL., 2014).

Em  relação  aos  inalantes,  dois  artigos  avaliaram  seu  uso  e  os  indivíduos  que  consumiram  álcool  em  binge  foram  mais  propensos  a  usar  inalantes  (NEUMARK;  BAR­ HAMBURGER,  2011;  SILVA­OLIVEIRA  ET  AL.,  2014).  No  estudo  realizado  em  Israel  (NEUMARK;  BAR­HAMBURGER,  2011)  os  indivíduos  que  consumiram  álcool  em  binge  apresentaram  quase  duas  vezes  (IC:  1,4­2,5)  mais  chance  de  usarem  inalantes.  Na  pesquisa  realizada  no  Brasil  (SILVA­OLIVEIRA  ET  AL.,  2014)  essa  chance  mais  que  dobrou  (OR:  5,02  IC:  2,57­9,81)..  Entretanto  essa  diferença  entre  os  estudos  pode  ser  explicada  pela 

diversidade de variáveis independentes avaliadas por cada uma das pesquisas e da diferença  nos pontos de corte para as variáveis de interesse (álcool em binge e inalantes).  No que diz respeito à cocaína, a sua associação com o consumo de álcool em binge  não foi investigada na população adolescente de forma específica (SANTOS ET AL., 2012;  SILIQUINI ET AL., 2012) embora já tenha sido investigado o uso de cocaína e o consumo  atual de álcool (OLIVEIRA ET AL., 2013). 

O  número  reduzido  de  artigos  incluídos  nessa  revisão  pode  ser  explicado,  em  parte,  pela adoção do descritor binge drinking, pois esse termo é relativamente novo. Sua inclusão  no  Medical  Subject  Headings  foi  no  ano  de  2013  (MeSH,  2014).  No  entanto,  seu  uso  teve 

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início na década de 80, apesar de nessa época sua definição ser incerta (DUNBAR ET AL.,  1982).  Apenas  a  partir  da  década  de  90  puderam­se  encontrar  artigos  com  a  definição  semelhante  à  atual  (WECHSLER  ET  AL.,  1995).  Diante  disso,  optou­se  pela  supressão  da  leitura  dos  títulos,  partindo­se  para  a  leitura  dos  resumos  logo  após  o  cruzamento.  Essa  estratégia  foi  utilizada  para  minimizar  a  perda  de  artigos  que  investigassem  binge  e  não  informassem no título. 

CONCLUSÃO

Dessa forma, pode­se concluir que a prática de beber em binge esteve associada a uma  maior  chance  de  uso  de  inalantes  e  maconha  entre  adolescentes  e  jovens,  assim  como  a  maconha  se  mostrou  associada  a  uma  maior  chance  de  beber  em  binge.  No  entanto,  não  possível  verificar  essa  associação  para  o  uso  de  cocaína  na  população  definida  para  esta  pesquisa. 

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3 PROPOSIÇÃO 3 OBJETIVOS

3.1 Objetivo geral

Verificar  fatores  associados  ao  consumo  de  álcool  em  binge  e  drogas  ilícitas  entre  estudantes adolescentes.

3.2 Objetivos específicos

x Estimar  a  prevalência  do  consumo  de  álcool  em  binge,  drogas  ilícitas  entre 

adolescente;

x Identificar  os  fatores  associados  à  prática  de  beber  em  binge  e  drogas  ilícitas  (sexo,  faixa  etária, regime de ensino, rendimento familiar e escolaridade materna);

x  Verificar se existe associação entre a prática de beber em binge e uso atual e na vida  de drogas ilícitas.

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4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 4.1 Delineamento Estudo transversal, descritivo e analítico.   4.2 Local do estudo

Olinda  é  um  município  pertencente  a  região  metropolitana  do  Recife.  É  o  menor  município  em  área,  mas  é  a  terceira  maior  cidade  de  Pernambuco  em  quantidade  de  habitantes,  com  uma  população  estimada  de  377.779  habitantes,  sendo  62.025  (16%)  adolescentes na faixa etária de 10 a 19 anos. Também apresenta a maior taxa de densidade  demográfica do Estado e a quinta maior do Brasil, com cerca de 9063,58 hab./km² e possui  um índice de desenvolvimento humano (IDH) de 0,735 (INSTITUTO..., 2013a). 4.3 População alvo Estudantes adolescentes com idade entre 13 a 19 anos, matriculados no ensino médio  da rede estadual de ensino no município de Olinda. Cerca de 75% de todos os estudantes do  ensino médio de Olinda (INSTITUTO..., 2013a) estão matriculados nas 32 escolas públicas 

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estaduais que oferecem ensino médio em três regimes de ensino: regular (aula em apenas um  turno), semi­integral (aula nos dois turnos em dois dias na semana) e integral (aula nos dois  turnos em todos os dias da semana) (SISTEMA..., 2013).

Segundo  dados  do  Sistema  de  Informações  da  Educação  de  Pernambuco  –  SIEPE  (2013), o percentual de alunos matriculados no ensino médio regular, semi­integral e integral  nos turnos matutino e vespertino foi de 67% em relação ao total de estudantes. A distribuição  dos alunos por série, turno e modalidade de ensino está disposta no quadro 1.

Turma Regular Manhã Regular Tarde Semi­integral Integral Total

1º ano 1.018 1.139 435 531 3.123 2º ano 753 799 343 324 2.219 3º ano 602 550 22 125 1.299 Total 2.373 2.488 800 980 6.641 Quadro 1. Alunos por turma e modalidade matriculados no ensino médio no turno diurno da rede  pública estadual da Cidade de Olinda – PE de acordo com o SIEPE em 2013. 4.4 Amostra 4.4.1 Cálculo amostral

A  amostra  para  este  estudo  foi  calculada  no  site  OpenEpi  (http://www.openepi.com/Menu/OE_Menu.htm).  Para  as  associações  entre  o  consumo  em  binge e o uso de drogas foram estabelecidos os critérios descritos no quadro 2. 

4.4.2 Procedimento de amostragem

O planejamento amostral foi realizado a partir de uma amostragem probabilística por  conglomerado  em  dois  estágios,  sendo  a  unidade  primária  de  amostragem:  a  escola  e  a  unidade secundária de amostragem: as turmas. Todos os estudantes do grupo (conglomerado)  e  na  faixa  etária  da  pesquisa  fizeram  parte  da  amostra.  Optou­se  pela  amostra  por  conglomerados partindo do principio de que estudantes de uma mesma turma guardam entre 

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si características similares o que prejudicaria a heterogeneidade dos dados. A localização da  escola  não  foi  considerada,  pois  a  distribuição  dessas  por  bairro  não  segue  nenhum  critério  pré­estabelecido.  Foram sorteadas 22 escolas, o que corresponde a 69% das escolas estaduais de Olinda  e 60 turmas. A randomização foi realizada por meio do site: http://www.randomizer.org/. Critérios Desfecho Drogas ilícitas Nível de confiança 95% Poder 80% Razão exposto/não exposto 1:1 Frequência do desfecho no grupo não expostos 50% OR (Odds Ratio) 1.5 Efeito de delineamento Total sem perdas 1.2 979 Perdas 20% Total 1175 indivíduos Quadro 2. Critérios estabelecidos para o cálculo amostral.  4.4.4 Critérios de inclusão

x Estudantes  adolescentes,  de  ambos  os  sexos,  na  faixa  etária  de  13  a  19  anos,  regularmente matriculados no ensino médio das escolas públicas estaduais de Olinda­ PE.

4.4.5 Critérios de exclusão

x Apresentar  alguma  deficiência  ou  disfunção  que  impossibilitasse  o  pesquisado  de  responder ao questionário.

x Questionários com 20% ou mais de questões não respondidas.

4.5 Coleta de dados 

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Os  dados  foram  coletados  por  meio  do  questionário  validado  no  Brasil  Youth  Risk  Behavior  Survey  –  YRBS/Brasil  (GUEDES  E  LOPES,  2010)  elaborado  pelo  Center  for  Disease  Control  and  Prevention  (CDC),  com  o  objetivo  de  monitorar  seis  tipos  de  comportamentos de risco à saúde de adolescentes e jovens (Anexo 1).

O  questionário  é  auto­aplicável  e  apresenta  87  perguntas.  Para  esse  estudo  foram  utilizados  somente  questões  dos  módulos  de  consumo  de  álcool  (três  questões),  maconha  (duas  questões),  outras  drogas  (três  questões)  e  informações  gerais  relacionadas  a  características demográficas (duas questões), socioeconômicos (duas questões) e relacionados  à escola (uma questão). (APÊNDICE C).

4.5.2 Estudo piloto

Foi  realizado  um  estudo  piloto  conduzido  com  o  objetivo  de  padronizar  a  coleta  de  dados. Esse estudo foi realizado com 175 estudantes matriculados em cinco escolas públicas  estaduais no município de Olinda. 

Durante o estudo piloto foram observados alguns pontos importantes para a realização  da  pesquisa  propriamente  dita,  como  a  dificuldade  de  retorno  dos  termos  de  consentimento  livre e esclarecido (TCLE). Foram entregues 400 termos com retorno de apenas 175, dado que  a maioria dos adolescentes referia que havia esquecido em casa. Isso levou as pesquisadoras a  solicitarem ao Comitê de Ética a utilização do termo de consentimento negativo (APÊNDICE  A)  em  substituição  ao  TCLE,  visto  que  diversas  pesquisas  nacionais  e  internacionais  que  avaliam  comportamentos  entre  adolescentes  e  jovens  já  o  utilizam  (INSTITUTO...,  2013b;  CENTERS..., 2014b). 

Também  foi  verificado  o  tempo  total  gasto  de  aplicação  em  uma  sala  de  aula.  No  geral, esse tempo variou de acordo com a quantidade de alunos participantes presentes e da  série,  demorando­se  mais  no  1º  ano  e  nas  turmas  com  maior  quantidade  de  alunos  participantes e menos no 3º ano e em turmas menores. No piloto, os alunos não participantes  ficavam  assistindo  aula  normalmente,  enquanto  os  participantes  ficavam  em  outra  sala  para  responder ao questionário, no entanto para a pesquisa, os não participantes permaneciam na  sala com os participantes durante a aplicação do instrumento.  O tempo total gasto em uma  aplicação durante o piloto variou de 30 a 90 minutos.

(36)

 A reprodutibilidade foi realizada por meio de teste­reteste, com intervalo de nove dias  entre uma aplicação e a outra, e conferida através do Kappa, os valores encontrados variaram  de 0,642 a 1,00 nas questões investigadas (Quadro 3). Variáveis Valor do kappa Idade 0,944 Sexo 0,958 Escolaridade da mãe 0,642 Rendimento familiar 0,916 Beber em binge 0,702 Uso de maconha na vida 0,728 Uso atual de maconha 0,657 Uso de cocaína na vida Não computou¹ Uso atual de cocaína Não computou¹ Uso de inalantes na vida 1,00 Quadro 3. Valores do teste Kappa.  (1) Ninguém informou o uso de cocaína na vida ou atual.  4.5.3 Procedimento de coleta A coleta de dados ocorreu no período de abril a agosto do ano de 2014 nas turmas de  ensino médio nas escolas públicas estaduais de Olinda ­ PE. O questionário foi aplicado em  sala de aula (sem a presença dos professores), com todos os alunos presentes no dia da coleta,  que  tiveram  o  consentimento  dos  pais,  através  do  termo  de  consentimento  negativo  para  os  menores  de  18  anos,  e  que  concordaram  em  participar  do  estudo  por  meio  do  termo  de  assentimento (APÊNDICE B). 

A  aplicação  do  questionário  foi  realizada  por  duas  pesquisadoras  (mestrandas).  Inicialmente as pesquisadoras entravam em contato com a direção da escola, essa informava a  viabilidade  da  aplicação  dos  questionários  nas  turmas  sorteadas.  Após  a  autorização  da  direção,  as  pesquisadoras  se  dirigiam  as  turmas;  se  apresentavam  aos  alunos;  informavam  sobre os objetivos da pesquisa e entregavam o termo de consentimento negativo para que os  pais assinassem. 

Após no máximo três dias as pesquisadoras retornavam para recolhimento dos termos  negativos e aplicação do instrumento. Neste momento também eram distribuídos os termos de 

(37)

assentimento; as informações acerca dos objetivos da pesquisa eram repetidas, esclarecendo  aos estudantes que as informações fornecidas serão mantidas em sigilo, não influenciando no  seu desempenho escolar, que não existe resposta certa ou errada e que as informações dadas  só seriam utilizadas para fins de pesquisa. 

O  tempo  de  aplicação  dos  questionários  variou  de  30  a  60  minutos  a  depender  do  número  de  alunos  participantes  presentes  na  sala  e  da  série.  À  medida  que  os  estudantes  finalizavam o questionário, eles podiam sair da sala. As pesquisadoras permaneceram na sala  de aula todo o tempo decorrido para aplicação do questionário.

4.6 Análise estatística 4.6.1 Definição das variáveis

Foi  considerada  variável  dependente  o  uso  atual  e  na  vida  de  drogas  ilícitas.  O  uso  atual foi definido como o uso, pelo menos uma vez, de maconha ou cocaína nos últimos 30  dias anteriores à pesquisa. O uso na vida refere­se ao uso de maconha, inalantes ou cocaína,  alguma vez na vida. 

As  variáveis  independentes  foram  os  dados  demográficos,  socioeconômicos  e  relacionados  à  escola  (regime  de  ensino)  recategorizadas  de  acordo  com  a  literatura  ou  estatística.  A  prática  de  beber  em  binge,  definida  como  o  consumo  de  5  doses  ou  mais  de  bebidas  alcoólicas  em  uma  única  ocasião  nos  últimos  30  dias  anteriores  à  pesquisa  foi  recategorizada  de  acordo  com  os  resultados  do  Youth  Risk  Behavior  Surveillance  de  2013  (CENTES..., 2014b) (Quadro 4).

Variável Categorias coletadas Definição 

operacional Variável dependente

Uso  de  drogas  na  vida  (maconha,  inalantes ou cocaína) Nenhuma vez 1ou 2 vezes 3 a 9 vezes 10 a 19 vezes 20 a 39 vezes 40 vezes ou mais Nenhuma vez 1 ou mais vezes (CENTERS...,  2014b)

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Variável Categorias coletadas Definição  operacional Uso atual de drogas (maconha ou  cocaína) Nenhuma vez 1ou 2 vezes 3 a 9 vezes 10 a 19 vezes 20 a 39 vezes 40 vezes ou mais Nenhuma vez 1 ou mais vezes (CENTERS...,  2014b) Variáveis independentes Sexo Feminino Masculino Feminino Masculino Idade 12 anos ou menos 13 anos 14 anos 15 anos 16 anos 17 anos 18 anos ou mais 13­15 anos 16­19 anos (MOHANAN  et  al, 2014)

Grau de escolaridade da mãe Analfabeto  ou  fundamental  incompleto

Fundamental completo Ensino médio incompleto

Ensino  médio  completo  ou  superior incompleto Superior completo Não sei informar ≤8 anos de estudo >8 anos de estudo (GEIB et al, 2007;  TENÓRIO  et  al,  2010)

(39)

Variável Categorias coletadas Definição  operacional Rendimento  familiar  (em  salários 

mínimos ­ SM)

Até 1 SM (até R$724,00

Mais de 1 a 2 SM (entre R$725 –  R$1448,00

Mais  de  2  a  3  SM  (entre  R$1.448,00 – R$2.172,00)

Mais  de  3  a  5  SM  (entre  R$2.173,00 – R$3.620,00)

Mais  de  5  SM  (mais  de  R$3.621,00) Não sei informar Até 1 SM >1 SM (Distribuição  de  frequências) Regime de ensino Regular Semi­integral Integral Semi­ integral/Integral Regular

Consumo  de  álcool  em  binge  nos  últimos 30 dias Nenhum dia 1 dia 2 dias 3 a 5 dias 6 a 9 dias 10 a 19 dias 20 dias ou mais Nenhum dia 1 ou mais dias (CENTERS...,  2014b) Consumo atual de álcool (últimos  30 dias) Nenhum dia 1ou 2 dias 3 a 9 dias 10 a 19 dias 20 a 29 dias Todos os 30 dias Nenhum dia 1 ou mais dias (CENTERS...,  2014b)

(40)

Variável Categorias coletadas Definição  operacional Uso de maconha na vida Nenhum dia 1ou 2 dias 3 a 9 dias 10 a 19 dias 20 a 39 dias 40 a 99 dias 100 ou mais dias Nenhum dia 1 ou mais dias (CENTERS...,  2014b) Uso atual de maconha (últimos 30  dias) Nenhuma vez 1ou 2 vezes 3 a 9 vezes 10 a 19 vezes 20 a 39 vezes 40 vezes ou mais Nenhuma vez 1 ou mais vezes (CENTERS...,  2014b) Uso de cocaína na vida Nenhuma vez 1ou 2 vezes 3 a 9 vezes 10 a 19 vezes 20 a 39 vezes 40 vezes ou mais Nenhuma vez 1 ou mais vezes (CENTERS...,  2014b)

Uso  atual  de  cocaína  (últimos  30  dias) Nenhuma vez 1ou 2 vezes 3 a 9 vezes 10 a 19 vezes 20 a 39 vezes 40 vezes ou mais Nenhuma vez 1 ou mais vezes (CENTERS...,  2014b)

Variável Categorias coletadas Definição 

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Uso de inalantes na vida Nenhuma vez 1ou 2 vezes 3 a 9 vezes 10 a 19 vezes 20 a 39 vezes 40 vezes ou mais Nenhuma vez 1 ou mais vezes (CENTERS...,  2014b)

Quadro  4.  Variáveis  dependentes  e  independentes  por  tipo  de  variável  e  definição  operacional. 

4.6.2 Tabulação e testes utilizados

Os dados foram tabulados por meio do programa EpiData (versão 3.1). Para a análise  dos  dados  foi  utilizado  o  programa  Statistical  Package  for  Social  Sciences  (SPSS)  para  Windows versão 21 e STATA na versão 11.0. 

Realizou­se  a  análise  quantitativa  das  informações  através  da  distribuição  de  frequências. Para o estudo das associações entre as variáveis categóricas foi realizada análise  bivariada, utilizando o teste do Qui­quadrado de Pearson. 

A  regressão  de  Poisson  foi  usada  para  verificar  a  influência  das  variáveis  independentes  na  ocorrência  das  variáveis  dependentes  “uso  atual  e  na  vida  de  drogas  ilícitas”.  Foram  ajustados  modelos  univariado  e  multivariado  com  as  variáveis  que  apresentaram significância inferior a 20% (p<0,20) na análise univariada. Obteve­se a razão  de prevalência (RP) com seus respectivos intervalos de confiança. A margem de erro utilizada  foi de 5% e os intervalos foram obtidos com 95% de confiança.

Para  a  associação  entre  as  variáveis  dependentes  “uso  atual  e  na  vida  de  drogas  ilícitas” com o consumo de álcool em binge, optou­se por agregar as informações das drogas  com  maiores  prevalências,  para  o  uso  na  vida  foram  utilizadas  as  informações  sobre  o  uso  alguma vez na vida de maconha, inalantes ou cocaína e para o uso atual foram utilizadas as  informações  sobre  o  uso  de  maconha  e  cocaína  nos  30  dias  anteriores  à  pesquisa,  pois  o  questionário utilizado não dispunha dessa pergunta para o uso de inalantes. 

(42)

4.7 Considerações éticas

O  presente  projeto  de  pesquisa  representa  parte  de  um  projeto  maior,  que  tem  por  título “Atenção à saúde do adolescente nos serviços públicos de Olinda”, o qual foi aprovado  (Parecer:  672.711)  (ANEXO  2)  pelo  Comitê  de  Ética  em  Pesquisa  da  Universidade  de  Pernambuco, conforme preconizado pelo CONEP através da Resolução do Conselho Nacional  de Saúde Nº 466/12.

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5 RESULTADOS 5.1 Artigo 12 BEBER EM BINGE E USO DE DROGAS ILÍCITAS ENTRE ADOLESCENTES  ESCOLARES BINGE DRINKING AND ILLICIT DRUG USE AMONG SCHOOL ADOLESCENTS RESUMO

Introdução:  A  prática  de  beber  em  binge  diminui  a  capacidade  de  discernimento  e  pode  aumentar o risco de envolvimento de adolescentes com drogas ilícitas.  Objetivos: Investigar  a associação entre a prática de beber em binge e o uso de drogas ilícitas (maconha, cocaína e  inalantes)  em  adolescentes  escolares.  Casuística  e  Métodos:  Estudo  transversal,  com  175  estudantes,  de  ambos  os  sexos,  matriculados  no  ensino  médio  da  rede  pública  de  ensino.  A  seleção  amostral  foi  probabilística  em  duas  etapas,  com  sorteio  das  escolas  e  turmas,  respectivamente. Os dados foram coletados em Abril de 2014 em cinco escolas utilizando­se a  versão validada em português do Youth Risk Behavior Survey. Foram utilizados os módulos  sobre  consumo  de  bebidas  alcoólicas,  uso  de  maconha  e  outras  drogas.  Foram  realizadas  análises  descritivas,  com  distribuição  de  frequências  e  inferencial,  através  do  teste  do  Qui­ quadrado  para  associações.  Resultados:  A  maioria  dos  adolescentes  era  do  sexo  feminino  (56,7%), na faixa etária de 16­19 anos (70,2%), matriculados na escola regular (80,7%) e com 

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renda familiar acima de um salário mínimo (54,3%). O consumo de álcool em binge, inalantes  e cocaína não apresentou diferença significativa entre os sexos (p>0,05), ao contrário do uso  de maconha, que foi maior nos meninos (p<0,05). Todos os padrões de uso de drogas foram  associados ao consumo de álcool em binge (p<0,05). Conclusão: A prática de beber em binge  entre adolescentes foi associada ao uso de maconha, cocaína e inalantes. 

Descritores:  Adolescente;  Comportamento  do  adolescente;  Bebedeira;  Bebidas  alcoólicas;  Drogas ilícitas.

ABSTRACT

Introduction: Binge drinking decreases the capacity for discernment among adolescents. For  that  reason,  adolescents  who  binge  drinking  may  have  higher  risk  of  use  illegal  drugs.  Objectives: Investigate the association between the binge drinking and the use of illicit drugs  (marijuana,  cocaine  and  inhalants)  among  adolescent  students.  Patients  and  Methods:  the  Cross­sectional  study  with  175  students,  from  both  genders,  enrolled  in  high  school  in  the  public  school  system.  Cluster  performed  the  sample  selection  with  the  draw  of  schools  and  classes,  respectively.  Data  were  collected  in  April  2014  in  five  schools  using  the  validated  version in Portuguese of the Youth Risk Behavior Survey. Modules on alcohol consumption,  use  of  marijuana  and  other  drugs  were  used.  Results:  Most  of  the  students  were  female  (56.7%),  aged  16­19  years  (70.2%)  enrolled  in  regular  schools  (80.7%)  and  family  income  above  the  minimum  wage  (54.3%).  Binge  drinking,  inhalants,  and  cocaine  showed  no  significant  difference  between  the  sexes  (p>0,05),  unlike  the  use  of  marijuana,  which  was  higher  in  boys  (p<0,05).  All  drug  use  patterns  were  associated  with  the  binge  drinking.  Conclusion: The practice of binge drinking among adolescents was associated with the use of  marijuana, cocaine and inhalants.

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Descriptors:  Adolescent;  Adolescent  behavior;  Binge  drinking;  Alcoholic  beverages;  Street  drugs.

INTRODUÇÃO

No Brasil, o consumo de álcool é permitido por lei somente aos maiores de 18 anos,  entretanto  quase  35%  dos  adolescentes  com  idade  entre  14  a  17  anos  consomem  álcool.  E  desses,  26%  consomem  álcool  de  maneira  excessiva,  ou  seja,  em  binge(1).  Essa  prática  está 

associada a diversos agravos agudos à saúde, como intoxicações, violência e acidentes(2­4) e, 

particularmente nos adolescentes, às alterações neurológicas, pois seu sistema nervoso ainda  está em desenvolvimento(5­6)

O álcool por ser uma droga de fácil acesso(7), também pode representar uma “porta de 

entrada” para o uso de maconha e de outras drogas ilícitas(8). E o uso de mais de uma droga 

pode  potencializar  os  efeitos  negativos  no  organismo(9),  que  vão  desde  a  intoxicações,  a 

transtornos de dependência e morte(10­13).

Diante  do  exposto,  o  objetivo  do  presente  estudo  foi  verificar  a  associação  entre  o  consumo de álcool em binge e o uso de drogas ilícitas entre estudantes adolescentes da rede  pública de ensino. 

CASUÍSTICA E MÉTODOS 

Este foi um estudo transversal e fez parte do projeto maior "Atenção Integral à Saúde  dos Adolescentes nos Serviços Públicos de Olinda". Para o cálculo amostral foi utilizado 15%  da  amostra  total  do  projeto.  A  seleção  da  amostra  foi  realizada  por  conglomerado  em  dois  estágios: no primeiro, as escolas foram sorteadas e no segundo, as turmas em cada uma das  escolas. Fizeram parte da amostra cinco escolas e 12 turmas do turno diurno.

A coleta de dados ocorreu em abril de 2014 por meio da aplicação da versão validada  no  Brasil  do  questionário  auto­administrado  Youth  Risk  Behavior  Survey  –  YRBS  Brasil(14)

(47)

Esse instrumento avalia condutas de risco à saúde de adolescentes e jovens e está dividido em  10  módulos.  Para  esta  pesquisa  foram  utilizados  apenas  os  módulos  de  consumo  de  álcool,  uso de maconha e uso de outras drogas (cocaína e inalantes). O instrumento foi aplicado em  sala  de  aula,  sem  a  presença  do  professor,  por  pesquisadores  previamente  treinados  num  período de tempo entre 30 e 60 minutos. 

A prática de beber em binge foi avaliada através da questão: “Durante os últimos 30  dias, em quantos dias você tomou cinco ou mais doses de bebida alcoólica em uma mesma  ocasião?”,  com  opções  de  resposta  entre  nenhum  dia  e  20  dias  ou  mais.  O  uso  de  drogas  ilícitas foi investigado por meio de cinco questões. Maconha foi investigada com as seguintes  questões: “Durante sua vida, quantas vezes você usou maconha?” e “Durante os últimos 30  dias, quantas vezes você usou maconha?”. Para o uso de cocaína as questões foram: “Durante  sua vida, quantas vezes você usou qualquer forma de cocaína, incluindo pó, pedra ou pasta?”  e “Durante os últimos 30 dias, quantas vezes você usou qualquer forma de cocaína, incluindo  pó,  pedra  ou  pasta?”.  O  uso  de  inalantes  foi  investigado  pela  pergunta:  “Durante  sua  vida,  quantas  vezes  você  cheirou  cola,  respirou  conteúdos  de  spray  aerossol  (lança  perfume),  ou  inalou  tinta  ou  spray  que  deixa  “ligado”?”.  Todas  as  opções  de  respostas  foram  dicotomizadas(15) em nenhum(a) dia/vez e um ou mais dias/vezes para realização da análise de 

associação.

Os dados foram tabulados com dupla entrada utilizando o software Epidata versão 3.1  e  os  erros  detectados  foram  corrigidos.  Foi  realizada  a  análise  estatística  descritiva  e  inferencial.  Para  testar  as  associações  foi  utilizado  o  teste  do  qui­quadrado  admitindo­se  significância  aos  valores  de  p<0,05.  As  análises  foram  realizadas  usando  o  SPSS  para  Windows.

Esta  pesquisa  foi  aprovada  pelo  comitê  de  ética  da  Universidade  de  Pernambuco  (protocolo:  568.996).  Os  participantes  concordaram  em  participar  da  pesquisa  através  da 

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assinatura do termo de assentimento e do termo de consentimento livre e esclarecido por seus  pais/responsáveis. 

RESULTADOS

A amostra foi composta por 175 estudantes, dos quais quatro foram excluídos na fase  da  análise:  três  por  não  informarem  o  sexo  e  um  por  não  preencher  mais  de  20%  do  questionário. Desta forma, 171 questionários foram analisados.  

A maioria dos participantes era do sexo feminino (57%), estava matriculada na escola  regular  (80,7%),  informou  renda  familiar  de  mais  de  um  salário  mínimo  (54,3%),  e  encontrava­se na faixa etária de 16 a 19 anos (70,2%).

A prática de beber em binge foi informada por 19,3% dos estudantes e por 65,2% dos  que relataram consumir pelo menos uma dose de álcool nos últimos 30 dias.  Dentre as drogas  ilícitas,  o  uso  na  vida  de  maconha  (10,5%)  superou  o  uso  de  inalantes  (6,5%)  e  cocaína  (4,1%). Em relação ao uso atual, a maconha (4,1%) também foi mais referida em comparação  com a cocaína (1,2%). O uso atual de inalantes não foi investigado neste estudo. 

Na  análise  estratificada  por  sexo,  apenas  o  uso  de  maconha  na  vida  apresentou  diferença  significativa,  com  uma  maior  proporção  de  uso  entre  os  meninos  (Tabela  1).  Em  relação ao consumo do álcool em binge, observou­se associação com o consumo de maconha,  cocaína e inalantes (uso na vida e atual). (Tabela 2).

DISCUSSÃO

A  prática  de  beber  em  binge  foi  um  comportamento  relatado  por  dois  em  cada  dez  adolescentes escolares pesquisados. Essa proporção de adolescentes que relataram beber em  binge  também  foi  verificada  entre  estudantes  do  ensino  médio  de  14  a  18  anos  de  escolas 

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públicas  e  privadas  nas  27  capitais  brasileiras,  onde  20.9%  relataram  consumir  álcool  em  binge nos últimos 30 dias(16)

O consumo de álcool em binge foi comum para a maioria dos que relataram consumir  pelo  menos  uma  dose  de  álcool  nos  últimos  30  dias.  Pesquisa  realizada  com  estudantes  do  ensino médio nos Estados Unidos da América encontrou resultado similar (64,2%)(17). Esses 

resultados  apontam  que  a  maior  parte  do  consumo  de  álcool  entre  adolescentes  escolares  é  feito  na  forma  de  binge,  e  esse  padrão  de  consumo  é  considerado  de  risco,  pois  aumenta  rapidamente o nível de álcool no sangue e os efeitos deletérios do álcool de forma aguda. 

O uso de maconha e cocaína (na vida e atual) foi relativamente mais elevado do que o  encontrado nos últimos levantamentos nacionais com a população adolescente(1,18). Sugere­se 

que  essa  diferença  se  deva  ao  fato  desses  levantamentos  terem  sido  realizados  em  nível  nacional, o que pode ter distribuído essa prevalência, visto que o consumo de drogas difere  por  tipo  de  escola  (pública/privada),  por  cidade  e,  região  investigada,  com  uma  maior  predominância  no  Sudeste  e  menor  no  Norte  do  País(18).  Em  relação  ao  uso  de  inalantes, 

observou­se nesse estudo uma prevalência similar à pesquisa realizada com estudantes de 15 a  19 anos em Minas Gerais, Sudeste do Brasil, no qual, 6,4% dos estudantes da rede pública de  ensino relataram o uso de inalantes durante a vida(19).

A prática de beber em binge, assim como o uso de drogas ilícitas (na vida e atual) não  apresentaram  diferenças  significativas  entre  os  sexos,  em  concordância  com  outros  estudos  realizados  com  adolescentes(19­20).  Esse  ainda  é  um  tema  controverso  pois  outras  pesquisas 

indicam que o sexo masculino ainda representa um fator de risco para o uso de álcool e drogas  lícitas(4,21­22). Contudo, pesquisa de base populacional alerta para uma tendência do aumento de 

87% em um período de seis anos para o consumo de álcool em binge entre as mulheres do  Nordeste Brasileiro, sendo o maior aumento em comparação com outras regiões brasileiras(1)

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Tabela 1. Distribuição dos participantes de acordo com o sexo, consumo de álcool em binge e  uso de drogas ilícitas. Olinda, 2014 Consumo de álcool e drogas Sexo Valor de p Feminino Masculino N (%) N (%) Beber em binge 0,474* Nenhum dia 80 (82,5) 57 (78,1) Um ou mais dias 17 (17,5) 16 (21,9) Uso de maconha na vida 0,009† Nenhum dia 92 (94,8) 61 (82,4) Um ou mais dias 05 (5,2) 13 (17,6) Uso atual de maconha 0,450† Nenhuma vez 94 (96,9) 70 (94,6) Uma ou mais vezes 03 (3,1) 04 (5,4) Uso de cocaína na vida 0,450† Nenhuma vez 94 (96,9) 70 (94,6) Uma ou mais vezes 03 (3,1) 04 (5,4) Uso atual de cocaína 0,847† Nenhuma vez 96 (99,0) 73 (98,6) Uma ou mais vezes 01 (1,0) 01 (1,4) Uso de inalantes na vida 0,421†

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Nenhuma vez 92 (94,8) 67 (91,8) Uma ou mais vezes 05 (5,2) 06 (8,2) *Qui­quadrado. †Teste exato de Fischer. Tabela 2. Associação entre beber em binge e uso de drogas ilícitas. Olinda, 2014 Binge drinking Valor de  p Nenhum dia 1 ou mais dias N(%) N(%) Uso de maconha na vida <0,001* Nenhum dia 130 (94,9) 22 (66,7) Um ou mais dias 07 (5,1) 11 (33,3) Uso atual de maconha <0,001† Nenhuma vez 137 (100,0) 26 (78,8) Uma ou mais vezes 00 (0,0) 07 (21,2) Uso de cocaína na vida 0,003† Nenhuma vez 135 (98,5) 28 (84,2) Uma ou mais vezes 02 (1,5) 05 (15,2) Uso atual de cocaína 0,037† Nenhuma vez 137 (100,0) 31 (93,9) Uma ou mais vezes 00 (0,0) 02 (6,1) Uso de inalantes na vida 0,040† Nenhuma vez 130 (95,6) 28 (84,8) Uma ou mais vezes 06 (4,4) 05 (15,2) *Qui­quadrado. †Teste exato de Fischer.

Referências

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