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ASPECTOS RELEVANTES NA TERMORREGULAÇÃO CORPORAL NO USO DE EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL

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Academic year: 2021

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TERMORREGULAÇÃO CORPORAL NO

USO DE EQUIPAMENTOS DE

PROTEÇÃO INDIVIDUAL

Ronaldo André Castelo dos Santos de Almeida (Fiocruz)

[email protected]

MARCELO MOTTA VEIGA (Fiocruz)

[email protected]

A termorregulação corporal é um fenômeno estudado em diferentes áreas do conhecimento. A compreensão exata do mecanismo ainda apresenta lacunas quando o centro termorregulador é submetido a condições extremas, especialmente quando existe a atuação de um fator externo adicionado de um fator interno agravante na elevação da temperatura corporal central. Prejuízos potenciais de um desequilíbrio desta natureza é o aumento no risco de lesões provocadas pelo calor, perda de motivação e conseqüente risco de acidentes de trabalho. O presente estudo analisou alguns métodos de avaliação do conforto térmico e propôs uma linha de estudo para determinar de forma mais específica as necessidades de desenvolvimento de um EPI eficaz e seguro, ou seja, que não proporcione prejuízo à saúde do trabalhador. Palavras-chaves: Termorregulação corporal, EPI, segurança do trabalho

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Introdução

A compreensão da atuação do sistema termorregulador no corpo humano é objeto de estudo de diversos grupos de pesquisa na área da saúde. Os estudos relacionados ao assunto não se limitam a uma abordagem exclusivamente biológica, visto que em ambiente quente desfavorável o sistema termorregulador pode afetar os aspectos cognitivos responsáveis pela percepção e controle das ações motoras (BONFIN, 1999), logo abre-se uma lacuna a ser preenchida com um embasamento das engenharias, em especial voltadas para a saúde pública.

Um grupo de trabalhadores rurais que lidam especificamente com agrotóxicos são diretamente afetados pelo desconforto térmico. Esta situação ocorre devido a necessidade óbvia da utilização de Equipamentos de proteção individual (EPI) e do agravante, neste caso, do esforço empregado para a realização da tarefa que dura várias horas de trabalho por dia e muitos dias durante o ano. Podemos então considerar que o estudo e a interpretação dos efeitos causados pela exposição ao calor cabe a fisiologia do esforço e a proteção do trabalhador e normatização das condições de trabalho a Saúde Pública.

Metodologia

Este trabalho tem o objetivo de levantar informações sobre o conforto térmico relacionado a ambiente de trabalho e tem como ponto inicial o levantamento de informações referentes a normas de utilização de EPI e exposição ao calor. Apesar da grande carência de material sobre o assunto foi possível consultar algumas fontes que nortearam a discussão. Também foram levantadas algumas informações no que diz respeito ao efeito nocivo a saúde do trabalhador.

Revisão bibliográfica

Partindo de uma idéia inicial que parece ser consenso de que o homem tem melhores condições de vida e saúde quando trabalho sem ser submetido a fadiga e ao estresse, neste caso o térmico, de forma que o equilíbrio, estado de conforto térmico, é atingido quando o corpo consegue dissipar o calor na proporção em que produz (SEELING e col, 2002) e, em alguns casos, recebe do meio. O desempenho intelectual e físico são afetados diretamente, podendo afetar a motivação e consequentemente a produtividade e consequentemente a produtividade ( CORREIA, 2005).

Como já falado anteriormente, o corpo humano pode ser considerado um sistema termodinâmico aberto em uma condição de estado de equilíbrio ( PREK, 2004). Partindo desse ponto de vista qualquer fator influenciador pode contribuir para o centro termorregulador aumentar ou diminuir a dissipação do calor. No nosso caso especificamente consideramos um ambiente quente, com indivíduos utilizando um EPI que recobre todo o seu corpo, logo não favorece a dissipação do calor corporal.

O equipamento em questão é utilizado com a finalidade de proteção do trabalhador contra agentes químicos utilizados na agricultura. Pré-supondo a “proteção” do trabalhador transcrevo abaixo o primeiro artigo da Norma Regulamentadora 6 – NR6 do Ministério do Trabalho que dispõe de normas destinadas a esse propósito.

“6.1 - Para os fins de aplicação desta Norma Regulamentadora - NR, considera-se Equipamento de Proteção Individual - EPI, todo dispositivo ou produto, de uso individual

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segurança e a saúde no trabalho.”

O objetivo da NR6 é certamente normatizar os EPI para proteção do trabalhador, porém o que se percebe na leitura da norma é que a proteção sugerida ocorre contra agentes externos e desconsidera efeitos como a termorregulação corporal que é um processo de resposta fisiológica a uma agressão sofrida e ocorre do centro do corpo para fora. Não desconsidero o fator agressivo externo, o calor, porém a resposta orgânica é um risco potencial a saúde do trabalhador. Quando a termorregulação é ineficaz, um efeito iminente pode surgir, o choque térmico.

Três pesquisadores, Carter e col, deram uma importante contribuição no final do ano de 2007 publicando um artigo intitulado “Doenças provocadas pelo calor”. Neste artigo os autores desenvolvem de forma clara a discussão sobre as doenças e formas de minimizar os efeitos deletérios do calor, porém a abordagem não menciona informações específicas de algum ambiente de trabalho. Portanto as informações neste texto são apenas um referencial do que pode acontecer.

O que gostaríamos de abordar com maior clareza é a forma de proteção contra o calor e para isso consideramos importante primeiramente medir variáveis indicadoras do estado térmico do ambiente e do trabalhador. As variáveis climáticas como temperatura ambiente, umidade relativa do ar, e velocidade do vento podem ser medidas, porém variáveis como a temperatura corporal durante o trabalho e a sensação térmica do trabalhador são ainda difíceis de serem obtidas. Santos e col citando outros autores, PADILHA (1998), FUNDACENTRO (1973), ASHRAE (1981) e FANGER (1972), mencionam a existência de alguns tipos de avaliação do conforto térmico em ambiente de trabalho.

A maior importância desta pesquisa não está apenas em detectar os problemas envolvidos e verificar os efeitos causados pelo desequilíbrio térmico no corpo humano. Mais do que isso pretendemos aproveitar as informações para iniciar tomadas de decisão que sejam benéficas nos casos extremos, melhor ainda, impedir que esses casos ocorram. Santos e col citam também Gianpaoli (1985), que considera importante o conhecimento da interação do corpo humano com o meio ambiente para ser viável uma intervenção para favorecer a termorregulação.

Como visto na NR 6, não há padrões específicos para tolerância ao calor. Outra norma regulamentadora traz essa informação, a NR15, que dispõe sobre atividades e operações insalubres. A NR15 determina que a exposição ao calor deva ser avaliada através do "Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo" – IBUTG. Após determinado o índice, o regime de trabalho deve ser definido utilizando-se um quadro disponibilizado na NR15. Este quadro está logo abaixo.

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4 A NR15 também permite classificar o trabalho como leve, moderado e pesado de acordo com a taxa de metabolismo e o tipo de atividade. A complementação da NR 6 parece preencher lacunas, porém ainda restam informações sobre a vestimenta que é uma variável diferente, além de questionamentos sobre a saúde a longo prazo. Diversos fabricantes de EPI produzem vestimentas que são bastante eficientes ao que se propõe inclusive seguindo normas para sua fabricação, mas ainda não sabemos com clareza a promoção de resfriamento desses equipamentos.

No que diz respeito a legislação nacional o que há disponível são a NR6 e a NR15, mas existem alguns padrões internacionais – International Organization for Standardization – que podem ser utilizados para determinar a percepção térmica, a preferência térmica e permite uma avaliação térmica (ISO 10551/95). Outra norma, ISO 7730:2005, é considerada por alguns autores como a base para uma norma internacional para conforto térmico (ZAMBRANO e col, 2006).

Considerando que o corpo humano depende da evaporação do suor para ter um controle efetivo da temperatura corporal, neste caso a diminuição, o uso de um EPI que recobre todo o corpo certamente interfere negativamente na termorregulação corporal. Tendo isso em vista e confrontando o que há disponível em termos de normas, observamos que a forma de avaliação disponível para avaliação do conforto térmico depende de uma avaliação subjetiva do indivíduo.

Em uma pesquisa realizada pelas Forças Armadas nos EUA foram estabelecidos padrões para as propriedades isolantes da vestimenta. Foi criada a unidade clo (de

clothing) que corresponde a um índice de tolerância térmica, ou seja, a capacidade

isolante proporcionada por qualquer camada de ar presa entre a pele e a vestimenta. Pelo menos seis fatores afetam o valor de isolamento: Velocidade do vento, movimentos corporais, efeito chaminé, efeito de fole, transferência de vapor de água e o fator de eficiência por permeação (McARDLE, 2003). Para determinar o valor em unidades clo é utilizada a fórmula a seguir.

) 15 , 0 ( 5 , 1 pv clo= ×

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5 Kg por 2,205.

Desta forma, talvez, possamos determinar com mais precisão qual tipo de vestimenta deve-se utilizar, de acordo com a atividade a ser executada, levando em consideração a necessidade de proteção, o ambiente de trabalho e as características adaptativas do trabalhador, que será comentado adiante. Logo, é necessário a compreensão dos diversos fatores que afetam a termorregulação corporal e a capacidade de proteção de um EPI relacionada com sua capacidade de dissipação do calor. Isso mostra, com certeza, que o controle da temperatura corporal, neste caso específico é de natureza multifatorial, ainda sim a necessidade de proteção versus a necessidade de dissipação de calor colocam um problema com uma interface bipolar para ser compreendido e possivelmente resolvido.

Ferreira (2006) cita estudos realizados sobre termorregulação corporal em diversos tipos de ambiente, em especial aqueles voltados ao ambiente de trabalho que podem acarretar a produção individual, e também da dificuldade de se determinar se o ambiente de trabalho acarreta algum tipo de risco ao trabalhador, não podendo ser descartada a idéia de alguma patologia interferir nas condições orgânicas. Empiricamente algumas idéias são supostas, por exemplo, modificações adaptativas favoráveis ou distúrbios crônicos podem ocorrer.

Conclusão

A oferta de métodos para avaliação do conforto térmico em ambiente de trabalho ainda é voltado a área laboratorial, ou seja, são aplicáveis com uma demanda técnica que inviabiliza sua utilização no dia-a-dia do ambiente rural. As informações acerca dos parâmetros de conforto térmico não estão amplamente disponíveis. A necessidade de se determinar parâmetros específicos de acordo com cada ambiente de trabalho depende do estudo dos efeitos termorregulatórios com a mensuração direta das variáveis fisiológicas em ambiente controlado para posterior aplicação na atividade específica. Ainda é necessária uma metodologia para avaliação dessas variáveis através de um protocolo confiável, a partir dessa avaliação poder-se-á iniciar estudos de natureza biotecnológica para desenvolvimento de um EPI seguro e eficaz.

Referências

Bonfin, I. P. Estudo do nível de atenção durante o exercício em diferentes intensidades e ambiente termoneutro ou quente e úmido. Tese de mestrado. UFMG, Belo Horizonte, MG. 1999.

Carter, R.; Cheuvront, S.N.; Sawaka, M. N. Doenças provocadas pelo calor. Sports Science Exchange,

Outubro de 2007.

Correia, E. L. S. Modelo Térmico aplicado à caracterização do conforto térmico proporcionado pelo vestuário.

Tese de mestrado. UM, Braga, Portugal. 2005.

Ferreira, M. L. Aplicação de um modelo à determinação de índices de conforto térmico. Tese de mestrado.

UM, Braga, Portugal. 2006.

McArdle, W. D.; Katch, F. I.; Katch, V. L. Fisiologia do exercício: Energia, nutrição e desempenho humano.

5 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

Norma Regulamentadora 6 – NR 6. Equipamento de proteção individual. Ministério do trabalho. Norma Regulamentadora 15 – NR 15. Atividades e operações insalubres. Ministério do trabalho.

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Prek, M. Thermodynamical analysis of human thermal comfort. Special Issue from The Second ASME-ZSIS

International Thermal Science Seminar (ITSS II), Bled, Slovenia, 13 a 16 Junho de 2004.

Santos, J. E. G.; Filho, A. G. S.; Bórmio, M. F. Conforto térmico: Uma avaliação em tratores agrícolas sem cabines. XI SIMPEP – Bauru, SP, Brasil, 08 a 10 de novembro de 2004.

Seeling, M. F.; Zepka, G. S.; Foster, P. R. P. Aplicações de um índice térmico universal: Temperatura Fisiológica equivalente. XII Congresso Brasileiro de Metrologia, Foz do Iguaçu, Paraná, 2002.

Zambrano, L.; Malafaia, C.; Bastos, L. E. G. Thermal confort evaluation in outdoor space of tropical humid climate. The 23° Conference on passive and low energy architeture, Geneva, Switzerland, 6-8 Setembro de 2006.

Referências

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