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CUIDAR + PARA UMA VIDA SAU DÁVEL. + Tel_ _

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Academic year: 2021

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CUIDAR

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PARA UMA VIDA

SAUDÁVEL

+ Tel_232 448 885

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+ Morada_Rua de Santo António Lote 48 R/C Esquerdo, Edifício Viriato 3500-184 Viseu

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ENVELHECER Nº5 DIREÇÃO E EDIÇÃO José Carreira DESIGN GRÁFICO/IMPRESSÃO Studiobox FOTO CAPA: Taís Oliveira

O novo acordo ortográfico não foi usado em todos os artigos. A sua utilização ficou ao critério dos autores que redigiram os textos.

Editorial

ADMINISTRAÇÃO | PROPRIEDADE

Envelhecer Unipessoal, LDA. Rua St.º António N.º 15 Aviuges Cepões, 3505-135 Viseu DEPÓSITO LEGAL . 462026/19

CONTACTO PARA PUBLICIDADE

963 519 158 | [email protected]

Taís de Oliveira deu o mote com a ilustração que fez especificamente para esta edição da Revista Envelhecer, destacando a geração com mais de 50 anos que está a revolucionar o envelhecimento e deu origem a uma nova construção social, cham-ada pelo “pai” do Envelhecimento Ativo, Alexandre Kalache, “gerontolescência”.

Kalache considera que os baby boomers - geração que nasceu no pós-guerra (1945-1964) - estão a revolucionar o envelhecimento e a transformá-lo numa nova fase porque são em maior número, têm um nível de saúde e vitalidade maior e melhor formação do que as gerações que envelheceram antes deles.

Este grupo está a construir uma nova forma de en-velhecer, a promover uma nova longevidade sau-dável, ativa e feliz.

Brasil e Portugal, separados pelo oceano Atlântico, estão, cada vez mais, à distância de um clique. A língua de Camões une-nos e permite a partilha de experiências que nos enriquecem mutuamente. Foi um privilégio assistir em direto à Maratona Digital Longevidade, um evento profissional, sedia-do em São Paulo, sobre qualidade de vida e lon-gevidade, dirigido a um mercado que não para de crescer: o segmento dos consumidores de 50+. Os atores Miguel Falabella, Ary Fontoura, Lima Duarte, Zezé Mota, Odilon Wagner deram belíssimos teste-munhos.

Também publicitamos o maior evento sobre lon-gevidade e qualidade de vida da região Norte / Nordeste, em João Pessoa – Paraíba – Brasil: Long Life – Feira de Negócios para o Mercado 50+ & COMVIDA – Congresso Multidisciplinar de Longevidade e Qualidade de Vida. Agradecemos o convite, que aceitámos com enorme orgulho, para estarmos presentes.

Muito prestigiante para o projeto Envelhecer é a parceria exclusiva celebrada com o portal brasilei-ro LONGEVINEWS para publicação de conteúdos

jornalísticos de forma compartilhada, fomentando o acesso à informação segura e responsável que adquire um papel estratégico, pois contribui para a orientação, para o esclarecimento, para a reflex-ão e para o estímulo de uma visreflex-ão crítica sobre os múltiplos aspetos associados ao envelhecimento. A principal consequência da maior longevidade, associada à redução generalizada da natalidade em todo o mundo, é a inversão da pirâmide de-mográfica. Isto significa que cada vez há mais ido-sos e menos jovens, algo que pudemos constatar, em 2018, com um facto insólito: pela primeira vez na história da humanidade, as pessoas com mais

de 65 anos superaram em número os menores de cinco, tal como revelou a Organização das Nações

Unidas (ONU).

Inevitavelmente, o perfil dos consumidores levará a novas formas de consumo, perspetivando-se que as pessoas idosas se tornarão o motor da chama-da Silver Economy. A este respeito destacamos o artigo “Marketing e Negócios 60+” do Martin Hen-kel, Diretor do Senior Lab, e a entrevista que nos foi concedida por Teresa Pimentel, uma das criadoras do conceito The Design. Caro leitor, já ouviu falar em #NovosNovos?

São muitos os artigos e as sugestões que poderá saborear à lareira, durante a quadra natalícia que se aproxima, ao ler os conteúdos da edição que, estamos em crer, encerra com chave de ouro um ano atípico.

Desejamos-lhe, não olvide os cuidados necessári-os, para garantir a segurança de todos os mem-bros da família, um Santo Natal e um Ano Novo repleto de esperança e amor à vida.

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José Carreira

Presidente das Obras Sociais de Viseu Diretor da Revista Envelhecer

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entrevista

FABRÍCIO OLIVEIRA

O Fabrício é uma referência na área do en-velhecimento no Brasil. Quais são as princi-pais motivações para se dedicar às pessoas mais experientes?

Em 7 anos como profissional em psicologia, com atuação voltada exclusivamente ao público lon-gevo, sinto que minha motivação maior é buscar ofertar uma melhor qualidade de vida e um enve-lhecimento saudável, razão pela qual tenho me aprofundado em meus estudos seja através de capacitações ou outras constantes formas de ad-quirir novos aprendizados para aplicação em mi-nhas interveções. Atuar junto a esse público idoso requer de nós uma grande sensibilidade de poder perceber as suas demandas, que podem variar dado as suas condições culturais, de gênero, in-telectuais, etc... face ser o indivíduo único no seu processo de envelher, com suas particularidades e especificidades. Enfrentar desafios é uma carac-terística que tenho em minha vida, portanto vale lembrar que além dos aprendizados que adquiri-mos, suas teorias, a motivação se consolida em muito pela troca de olhares, os sorrisos, as lindas histórias que os Longevos nos passam, e a con-fiança e segurança com que eles nos retribuem, sendo com certeza uma fonte de muita inspiração, não só profissional, como pessoal. Desta forma vou resifignificando a minha vida e a de muitos idosos, motivando-os a olhar o futuro, na elabora-ção e realizaelabora-ção de seus de projetos de vida e tam-bém o quanto é a sua importância na sociedade, afim de que sejam protagonistas de suas proprias histórias.

Também tem vindo a desenvolver atividades em Portugal, escreve com regularidade na Envelhecer, participa em conferências… Que diferenças identifica no “olhar” que as co-munidades brasileira e portuguesa têm em relação às pessoas idosas?

Os países Europeus inclusive Portugal, acredito serem países que vem enfrentando o problema do envelhecimento da população por muito mais tempo que o nosso país, ainda que não obstante os problemas econômicos a serem enfrentados,

quando analisamos a pirâmide social, estudar o envelhecimento para buscar promover a qualida-de melhor qualida-de vida a essa população tem merecido grande destaque. No Brasil começou a se falar de envelhecimento há bem poucos anos, e as polí-ticas voltadas a essa demanda ainda caminham devagar. Como disse (Félix, 2007) “Os países de-senvolvidos enriqueceram e depois envelheceram. Nós, como todos os países pobres, estamos enve-lhecendo antes de enriquecer” . Diante de tal qua-dro, podemos destacar a criação do Estatuto do Idoso, que é uma Lei Federal, de nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, isto é, uma Lei Orgânica do Estado Brasileiro destinada a regulamentar os di-reitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos que vivem no país. Uma regulamentação que é muito elogiada em ou-tros países, mas infelizmente na prática ainda dei-xa muito a desejar. Acredito que atualmente tanto

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Portugal quanto Brasil tem um olhar a população idosa de forma a fazer reconhecer seus direitos, e principalmente a uma regulamentação do profis-sional Cuidador que em nosso país não é reconhe-cido como profissão. Uma outra questão que nós Brasileiros enfrentamos é a pouca oferta em níveis de Graduação e especializações na área do enve-lhecimento. No momento estou realizando um mestrado em EAD pela Universidade de Barcelona-Espanha, face a dificul-dade de encontrar na região Nordes-te do país em que moro, e que pode de certa forma acarretar a falta de estímulo a muitos profissionais de se especializarem na área. Percebo que os profisisonais de Portugal que atuam na área do envelhecimento es-tão muito engajados em suas atividades, aos quais me identifi-co muito identifi-com todos, tendo a opor-tunidade de trocar experiências que são relevantes a comunidade Brasileira como também a

comunida-de Portuguesa. Espero que um dia o Brasil seja rodeado de profisisonais engajados nessa área, um país imenso e com um índice de crescimen-to de longevidade muicrescimen-to grande, se classificando como o sexto país de mais idosos no mundo.

Teve a coragem de escrever e disponibilizar, gratuitamente, a cartilha “Sexo e Sexualida-de na LongevidaSexualida-de”. Que objetivos procura atingir com este trabalho?

Escrever uma cartilha voltada ao tema já estava a algum tempo dentro dos meus projetos e no entanto quando veio a pandemia, onde tivemos que forçadamente dar uma parada em nossas ati-vidades externas, senti que este era o momento. Foram três meses de pesquisas na escolha de re-cortes de trabalhos e artigos meus sobre o tema. No decorrer desses anos de trabalho, tenho visto pouca literatura que abordam o tema, e também de profissionais que se dedicam a trabalhar com esse enfoque, razão pela qual me motivei na ela-boração deste material, principalmente com o intuito de desmitificar as ideias errôneas que cir-cundeiam a Sexualidade na Longevidade e fazer com que este conteúdo pudesse atingir os mais

diversos públicos, sejam eles jovens, adultos e idosos como também aos mais diversos profis-sionais, sendo então distribuído de forma gratuita. Sabemos que o tema sexualidade na longevidade é cercado de mitos e preconceitos, aos quais cabe a nós principalmente os profissionais que atuam nas mais diversas áreas a promovermos essa quebra de paradigma, e mostar que a sexualidade nos idosos não se

ex-tingue com o avançar da idade, e pode lhes proporcionar uma

me-lhor qualidade de vida.

Convidei o Projeto Envelhecer para ser parceiro desse pro-jeto, face este ser um canal importante de transmissão de conteúdo sobre questões do en-velhecimento e com o objetivo de poder expandir essa cartilha para muitos lugares não só no Brasil. O seu lançamento se deu no dia 6 de setembro, dia em que se comemora o dia mundial do sexo. A cartilha está disponível para quem tiver interesse podendo baixar acessando meu blog (fa-briciopsihomecare.wordpress.com) e tam-bém em outras plataformas. Contudo a recep-tividade do material está sendo muito gratificante, ao qual tive retorno de alguns profissionais que a partir do contato com a cartilha, também lhe ins-piraram a criar iniciativas de projetos para abordar mais o assunto. Uma Pedagoga me disse que iria introduzir nas propostas educacionais a discus-são do assunto a partir da leitura da cartilha. Outra profissional da área de Imprensa me relatou que ao acompanhar os pais em suas consultas médi-cas de rotina, sentiu a falta de abordagem pelos profissionais médicos sobre as questões da se-xualidade, razão pela qual comentou que também iria discutir o assunto com os profissionais que atendem em seus consultórios da rede pública, ao qual utilizaria o material para a abordagem. Acre-dito ser este o grande propósito da elaboração da cartilha, fomentar a introdução do assunto e servir de suporte a proposições práticas. E não para por ai, em breve teremos o lançamento do meu livro que abordará a sexualidade, que ainda está em fase final de elaboração pela Editora Portal do En-velhecimento.

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“Na descoberta ou

redescoberta do

amor e sexo, as

pessoas idosas

reconquistam o lugar

vital de homem e

mulher e não

de “velho””

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O Sexo e a Sexualidade continuam a ser te-mas tabu em pleno século XXI?

A expectativa de vida vem aumentando a cada ano, pois se antes poucos viviam com mais de 60, 65 anos, hoje esta realidade já é outra. Esta longevi-dade trás consigo novos desafios, e a sexualilongevi-dade ao público longevo é uma delas. Falar sobre sexo sempre foi um assunto regado de tabus, e acres-cido de preconceitos principalmente quando o foco é o sexo na idade avançada. Essa geração de idosos da atualidade em sua grande maioria, ou não teve orientação sexual ou conviveu sob uma educação muito severa, herdados de outra gera-ção anterior mais repressora ainda. Existem mui-tos pensamenmui-tos contruídos erroneamente sobre sexo e envelhecimento, como por exemplo: que os últimos anos de vida deveriam ser assexuados, de que é anormal o idoso ter interesse em sexo, que um relacionamento sexual na velhice não tem mais importância. O importante é abordar o as-sunto, trazer para discussões, pois acredito que as pessoas em algum momento da vida, buscam um parceiro para poder compartilhar afetividade, ale-gria, prazer, companheirismo, sexo, dentre outros aspectos, e desta forma entender que quando falo “em algum momento”, este não está determinado em função de números (idade) e sim de qualidade de vida. Na descoberta ou redescoberta do amor e sexo, as pessoas idosas reconquistam o lugar vital de homem e mulher e não de “velho”. Ainda estamos numa sociedade enraizada de preconcei-tos, em que muita das vezes condiz com a falta de informação sobre o processo de envelhecimento e das mudanças na sexualidade nesta faixa de ida-de, e acaba auxiliando a manutenção de precon-ceitos e tabus. Em minhas palestras e aulas sobre o tema, eu enfatizo a empatia, pois assim fazemos com que as pessoas que ali estão, de várias faixas etárias possam refletir de como querem se ver no futuro. Fui convidado pela professora Rosa Chuba-ci para ministrar uma aula sobre sexualidade e lon-gevidade na Universidade de São Paulo USP – São Paulo, no curso de graduação de Gerontologia, em que 80% dos alunos eram jovens e antes de come-çar perguntei: Quem quer parar de namorar depois dos 60 anos de idade levante a mão? Ninguém le-vantou, e a partir daí dei início a aula. Fiz com que aqueles alunos, sendo que alguns podiam até ter uma visão negativa sobre o tema, se olhasse no futuro como um idoso ou um idosa sendo impe-dido de vivenciar sua vida com qualidade e bem

estar, pois a presença de falsas ideologias sociais, influenciam o pensamento das novas gerações.

A cartilha traz alguns mitos que são divul-gados como se fossem verdades. Quer iden-tificar e desmisiden-tificar algum desses mitos?

Em nossa cultura temos muitos mitos e atitudes relacionados a sexualidade da pessoa idosa, mas vale ressaltar que não há idade correta para que se acabem os pensamentos sobre sexo, desejo ou atividade sexual. Podemos descrever alguns mi-tos que encontramos estar relacionado a atividade sexual na velhice: o mito da masturbação, que se refere a época Vitoriana que considerava a mas-turbação um sintoma de “mente fraca”, podendo causar doenças físicas e mentais. Vale ressaltar que a revolução sexual feminina das décadas pas-sadas contribuiu para que a atividade masturba-tória feminina aumentasse. O mito cronológico é muito forte e o mais vigente na população idosa no mundo todo, que diz que a sexualidade dimi-nui automaticamente com o avançar da idade, até chegar a uma velhice assexuada, afinal deve-mos entender que durante a velhice não se deixa

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de amar mas reinventam-se formas amorosas. O mito Ignorância significa felicidade, sustenta que os idosos não estão interessados na sexualidade e que os médicos de família não devem explorar o assunto, devido terem recebidos poucas infor-mações sobre o assunto no seu curso universitá-rio. Quando os idosos querem saber mais sobre a sexualidade acabam correndo atrás do assunto. A cartilha pode ajudar nesse pensamento, aju-dando aos profisisionais a serem mais abertos ao assunto, quebrando essa barreira. O mito do Ataque e do Infarto ao fazer Sexo, muito abordado pelas pessoas, e até pelos prórpios longevos, sen-do uma crença bastante difusa de que a atividade sexual pode causar ataques ou mortes, levando o idoso que tem problemas cardiovasculares a prati-car abstinências para diminuir o risco. Entretanto, os estudos demonstram que a incidência de mor-te súbita duranmor-te a relação sexual é muito rara. Es-ses são apenas alguns que representam algumas das correntes de opinões relativas a sexualidade na velhice. Reafirmo que reações negativas depri-mem e desestimulam as pessoas de mais idade, podendo fazer com que desistam por completo de sua sexualidade.

É notória a qualidade dos conteúdos e da imagem. Que critérios utilizou na concecção dos conteúdos apresentados?

A Cartilha “Sexo e Sexualidade na Longevidade” foi uma forma didática que encontrei para trazer recortes de estudos, pesquisas e artigos sobre o tema que deu início na minha graduação com a conclusão do Projeto Final de Curso sobre o tema “Representação Social da Pessoa Idosa Acerca da Sexualidade na Velhice” com o intuito de levar in-formações relevantes a sexualidade de indivíduos depois dos 60+. Não importa a cidade, estado ou país, quando abordamos este assunto ainda cau-sa um pouco de estranheza, e se o público for com pessoas com idades abaixo dos 60 anos a reação é regada de risos, piadas e comportamentos pre-conceituosos. Esses recortes foram escolhidos com muita precisão para que todos tenham um entendimento geral da mensagem que está sendo transmitida. Um enfoque com uma linguagem de fácil compreenssão, pois os idosos iam ler essa cartilha e muitos podiam não entender se a escrita fosse muito técnica. Um dos recortes que trago, resume muito bem a mensagem que a cartilha

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leitores. Portanto essa cartilha é para todos, sen-do pensada e elaborada com detalhes e principal-mente com o intuito de colaborar para descontruir essa concepção estigmatizante sobre a sexualida-de da pessoa que envelhece. Pelo ponto positivo que este período de pandemia me trouxe foi cons-truir e distribuir este material para tantos profissio-nais, pessoas leigas e aos principais protagonistas que são os queridos idosos e idosas desse imenso mundo.

passa, esse recorte é de um artigo que publiquei na Revista Brasileira de Sexualidade Humana que diz: “Durante a velhice não se deixa de amar, mas reinventam-se formas amorosas. É de extrema importância poder pensar que a partir da redesco-berta do sexo e do amor, enfim, de sua sexualida-de, as pessoas idosas reconquistam o lugar vital de homem e mulher e não mais o de “velho”, que tem como futuro o fim da vida. Novamente, é na relação com o outro que está à importância da re-descoberta do desejo de viver”. Assim que temos que pensar daqui pra frente com esse olhar dife-renciado pois logo mais seremos idosos também. No entanto ao dialogar com a artista sobre as imagens, tive a preocupação de que as imagens trouxessem mensagens de amor, carinho, cum-plicidade e ternura conforme os recortes escritos, criando uma sintonia perfeita de demonstração de afeto. Como diz Simone de Beauvoir “se não fos-te feliz quando jovem, certamenfos-te que fos-tens agora tempo para ser”.

A autora Taís Oliveira também ilustra a capa desta edição da Envelhecer. Pode fazer um comentário à ilustração da capa e às que a autora produziu para a Cartilha?

A capa da Revista Envelhecer, ilustrada lindamente pela Artista Plástica Tais de Oliveira foi inspirada em retratar os trabalhadores com cabelos bran-cos, que estão ativos profissionalmente e repre-sentando uma classe que vem mostrando seus pontenciais, suas habilidades e suas conquistas mesmo depois dos 60 anos, uma geração ativa que podemos denominar de “Geração Prateada” que estão a inspirar muitas pessoas em todo o mundo. Taís de Oliveira é uma artista completa, formada em artes plásticas pela Faculdade Belas Artes em São Paulo, em 2004 realizou a ilustração do meu primeiro Romance com desenhos feitos a bico de pena, em que retratava paisagens de São Paulo noas anos da década de 30. Já nas ilustra-ções da cartilha sobre sexualidade, a artista utili-zou a técnica em aquarela que tem características especiais como transparência, fluidez, luminosi-dade e manchas tão sutis. Sua transparência faz com que as figuras fiquem delicadas e que possa ter várias camadas, produzindo efeitos únicos. A capa da cartilha nos remete a uma relação de harmonia, uma paz, uma

tranquilidade, assim como as outras ilustrações in-ternas que encantou aos

Bruno Esteves

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poesia

(sem saber como)

desperto em estranhos lugares sem saber como fui, um dia ali...

urgente necessito de deixar de despertar

(olá mundo, assim...) sonho acordado

(ainda que exista no ocaso uma trágica melancolia) não encontro o rosto de outrora, não

me encontram as recordações

os atos, o amor e a consolação... (adeus, mundo assim?)

reencontrai-me vós e nós aqui, agora, permanentemente, antes que eu retorne aos estranhos lugares de um ser em mim (que me confunde)... Carlos Almeida Professor

UM SER EM MIM ...

QUE ME CONFUNDE...

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divulgação

PLANO DE DIGITALIZAÇÃO

PARA AS PESSOAS IDOSAS

Se é verdade que a pandemia estimulou a adesão de muitas pessoas idosas às tecnologias, também evi-denciou a brecha digital intergeracional. O Conselho da União Europeia pede que se coloque em marcha um plano de digitalização para as pessoas idosas. O Conselho da União Europeia adotou, recentemente, uma serie de conclusões sobre os direitos humanos, a participação e o bem-estar das pessoas idosas na era da digitalização. Estas conclusões, plasma-das no relatório Digital Education Action Plan (2021-2027), servem para expressar uma posição política sobre o tema que, ainda que não tenha efeitos legais ou vinculativos, pretende influenciar as prioridades de atuação da União Europeia (EU).

O conselho sublinha que foi a digitalização que per-mitiu, no contexto da pandemia de Covid-19, a conti-nuidade da prestação de cuidados a muitas pessoas idosas, mas também destaca que a brecha digital entre gerações é “significativa” e “aumenta com a idade”: “As pessoas mais idosas, em particular, ge-ralmente, não têm acesso às comunicações digitais, causando-lhes restrições adicionais em matéria de interação e participação social”, lê-se no documento. Neste sentido, reconhecendo como “a digitalização pode ser um obstáculo para os idosos”, torna-se ne-cessário “melhorar a acessibilidade dos serviços di-gitais”.

Estes motivos levaram o conselho a solicitar aos Es-tados membros e à Comissão Europeia (CE) – cada um, no quadro das suas competências – a adotarem

um enfoque amigável com a idade, o que implica “a promoção de comunicação e de imagens positivas em relação ao envelhecimento”. Também lança o de-safio da promoção do envelhecimento ativo e sau-dável que inclua o uso de tecnologias digitais nos serviços públicos, “por exemplo, os serviços sociais”. Solicita-se que seja dado corpo à digitalização de modo a que os serviços sejam facilmente acessíveis, amigáveis com o utilizador e o mais livres possível de barreiras, “enquanto se assegura que os serviços não digitais se mantêm.” Com esta operacionaliza-ção, os objetivos passam por: reduzir o isolamento social através das comunicações digitais; facilitar o acesso aos serviços online e a locais como bibliote-cas, entre outros; apoiar este grupo na aprendizagem do uso das novas tecnologias, com foco na utilização segura da internet; apoiar e empoderar os mais ve-lhos nas suas vidas quotidianas através de produtos e infraestruturas digitais – seja para fazer compras ou comunicar com os entes queridos e promover o uso da banca eletrónica e do comércio digital entre as pessoas idosas. Noutra linha, o conselho sugere que se potencie a telemedicina “acessível”, sendo im-perioso “simplifica-la”.

À CE, o conselho pede que se tenha em consideração “a dedicação de um capítulo do Livro Verde sobre En-velhecimento aos direitos das pessoas idosas”, assim como a criação de uma plataforma digital sobre “par-ticipação e voluntariado após a reforma”, de modo a que as pessoa reformadas possam implicar-se em projetos europeus de voluntariado “fazendo uso dos seus conhecimentos e com-petências”. Estes volunta-riados, refere o documento, podem ter um sentido inter-geracional. Pede também que considere, no Pilar Euro-peu dos Direitos Sociais, um capítulo em que se abordem medidas que permitam às pessoas idosas ter autono-mia em tempos de digitaliza-ção, incluindo propostas em matéria de “participação em processos democráticos”.

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MARKETING E NEGÓCIOS 60+

Os mais velhos estão recolhidos em casa e reunidos nas Internet

Para os adultos mais velhos as redes sociais têm funcio-nado como um local de encontro, conversas, trocas de ideias, apreciação dos acontecimentos dos familiares, das vitórias dos miúdos e dos seus amigos. Recolhidos às suas casas e com o mínimo contato externo possí-vel as pessoas mais possí-velhas estão perdendo o medo de utilizar seus telemóveis para, ao primeiro olhar ocupar o tempo, mas rapidamente transformar aquela pequena tela em uma “porta” para visitar um familiar ou uma jane-la para conhecer coisas novas.

Em recente estudo realizado pela SeniorLab em Portugal descobrimos que os mais velhos de fato estão invadindo a internet. Para termos uma ideia, a Rede Social Face-book tem 7,4 milhões de perfis ativos em Portugal. Des-tes, 1,02 milhão têm como titular da conta uma pessoa com 60 anos ou mais o que equivale a 13% dos perfis da rede social.

Segundo dados da Pordata, Portugal têm 10,2 milhões de habitantes. Destes, 3 milhões de habitantes têm 60 anos ou mais, o que equivale a 28,5% da população. Quando comparamos os “habitantes” mais velhos do mundo digital com os habitantes mais velhos do mundo real, os dados se mostram ainda mais interessantes pois 34,7% da população com 60 anos ou mais já tem perfil no Facebook.

O que os 60+ buscam no Facebook?

Nossas observações identificaram as principais intera-ções dos adultos mais velhos com a rede social. As mo-tivações são as mais diversas, mas encontramos pontos em comum e listamos aqui:

• Acompanhar os familiares que estão distantes ou afastados por conta da Pandemia do novo Coronavírus; • Interação social com amigos e conhecidos através da tela;

• Bisbilhotar o que as pessoas que conhece estão fa-zendo em suas vidas;

• Sentem-se incluídos tecnologicamente ao utilizarem a ferramenta;

• Informar-se dos principais acontecimentos através dos links de notícias de veículos de imprensa;

• Buscam opiniões ou recomendações de amigos para necessidades específicas como encontrar um bom en-canador;

• Fazem uso da rede para criticar serviços ou produtos com problemas;

• Esperar o inusitado. A timeline do Facebook sempre busca uma surpresa para aumentar o tempo de perma-nência;

• A melhor parte são os ciclos de um ou mais anos onde o Facebook relembra alguma imagem ou posta-gem que foi importante.

As conversas pelo Whatsapp ou pelo telemóvel não co-meçam mais pelo “O que você tem feito?” e já entram ob-jetivamente em alguma postagem realizada com tema familiar, link de notícia ou até reclamações a respeito de produtos ou serviços. Os intervalos do distanciamento foram preenchidos por uma espécie de diário. Encontra-mos situações de tanta sensibilidade entre as amizades nas redes sociais que dependendo do tema postado ou do que escreveu, as amigas percebem a tensão ou an-gústia e entendem que é hora de dar aquele telefonema para uma boa conversa e risadas. As redes sociais vira-ram uma espécie de termômetro do estado de espírito das pessoas. No quesito relações pessoais isto pode ser um precioso aliado.

Os temas que mais mobilizam são aqueles que ligam as pessoas a um determinado momento da vida. A foto desbotada da turma de formandos de 1975, algum acon-tecimento importante em que várias pessoas estavam juntas ou algum lugar popular, o resgate das boas lem-branças é assunto que rende dias de comentários em uma postagem.

A pandemia criou os 60+ 2.0

Os 60+ versão 2.0 já estão entre nós. Seja por necessi-dade ou curiosinecessi-dade eles aproveitaram a pandemia para experimentar. É a hora da verdade para as marcas. Tes-tando navegabilidade, aprovando algumas aplicações e desaprovando a maioria. Enfrentam soluções pouco in-tuitivas ou que não conversam com eles.

Quando a vacina chegar e a pandemia terminar, eles vol-tarão às ruas e a sua vida quase normal. Continuarão a utilizar soluções que facilitem de fato sua vida e que tenham uma UI60+ (user interface 60+) adequada. Meu recado às marcas e serviços: coloquem o olhar de Aging in Market o quanto antes nas suas soluções. Menos é mais.

opinião

Martin Henkel

Diretor da SeniorLab mercado & consumo 60+

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opinião

A HISTÓRIA DOS VELHOS

SEM HISTÓRIA

Agora já não presta. Passou o prazo de validade. As rugas são valas abertas pelas dores da vida e pelo sofrimento obrigado, para que outros fossem felizes.

A pele ficou engelhada, como se fosse papel inútil que nem para embrulho serve. Podia ser pergami-nho, porque ao menos teria a ver com história. E podia o amarelecido pelo tempo ser cor de vida, honra e felicidade de quem foi capaz de a viver com a dignidade da génese. Mas não. O corpo passa a ter a forma de fardo pesado e inútil, es-pécie de embrulho de pesadelos para os que se obrigam a cumprir os mínimos que a sociedade impõe. Outros, nem isso.

E os fardos abandonam-se.

Os lares são, por isso, depósitos de almas envelhe-cidas e de corpos tisnados por mágoas e ventos e tempestades do coração. De tal forma que, quan-do chegam as quan-doenças, há sempre quem pense que importa mais salvar os novos do que tratar dos velhos que já cumpriram as tarefas básicas da criação.

O “Covid-19” veio provar que os velhos importam menos e que por estarem mais frágeis ou por in-teressarem pouco, morrem a um ritmo estatístico assustador.

O que passa para o exterior é que, sendo as de-fesas menores, há também menos hipóteses de tratar os velhos com segurança e com maior es-perança de êxito.

E os velhos morrem. E os velhos não importam. E os velhos são fardos. E os velhos são pesadelos. E tu que és filho e que deverias ter a honestidade genética e sensorial de respeitar o teu pai és o pri-meiro a ajudá-lo a subir a montanha e a dar-lhe, como última mortalha para enrolar o corpo gélido, uma manta que descobriste por acaso no fundo da arca das recordações.

Talvez não tivesses dado por isso, mas na hora do derradeiro adeus, o teu pai ainda soube entregar--te nas mãos a última lição da sua vida. Rasgou a manta ao meio, embrulhou-se em metade e deu-te a outra metade dizendo: - “Toma rapaz. Fica com ela até ao dia em que o teu filho te fizer o mes-mo e subir contigo a mes-montanha do adeus eterno. Pode ser que ele se esqueça de levar a manta para te cobrires e, se assim acontecer, terás esta para aguardares a hora da tua morte sem sofreres o frio do abandono”.

Mesmo pegando numa história da História, o que sobra é algo que se deve definir como respeito e como acto de solidariedade e de amor.

Quando as pessoas entenderem o significado de ser Velho e medirem o tempo pelo respeito que a idade merece e significa teremos uma sociedade mais justa, mais perfeita, mais adulta e onde os afectos crescem como flores.

Fernando Correia

Jornalista e Escritor Comentador da TVI

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QUE VENHA A ESPERANÇA!

Estamos prestes a entrar na época natalícia, aquela

que, por cliché, nos traz o sentimento de esperança, de alegria, de família, de calor na alma e no coração. Concomitantemente surgem as primeiras notícias sobre a vacina que poderá ajudar a pôr termo a esta pandemia que marca o ano de 2020 e trazer-nos a normalidade de volta.

Aqui coloca-se a grande questão: que normalidade queremos de volta? Será que queremos voltar ao que tínhamos em fevereiro deste ano ou todo o caminho que estamos a atravessar nos mudou a perspetiva e o pensamento? A forma como gerimos o tempo, como gerimos o trabalho, como gerimos a família e até mesmo as emoções. O olhar sobre e para o ou-tro, a visão crítica da sociedade e suas prioridades. Poderemos entender que estamos a atravessar uma linha que pertence ao ciclo de vida e que tanto pode-mos ser crianças, jovens, adultos como idosos que a nossa essência se mantém, que devemos olhar para dentro e perceber que não há uma divisão linear de idades, de fases (…), há sim um ser que atravessa um ciclo e que, em qualquer ponto desse ciclo que este-ja, deve ter um olhar amplo sobre toda a caminhada e perceber de que forma poderá trazer vantagens para o seu dia-a-dia e para a vivência de todos, em sociedade.

É certo que temos um longo caminho pela frente no que toca a mudanças estruturais, seja na sociedade, nas entidades, na política (…), mas principalmente em nós próprios. Como queremos ser e estar quan-do a linha cronológica tiver já avançaquan-do uns anos? O que vejo e vivo hoje, em mim e nos outros, será aceite por mim avançando todos esses anos? Assistimos ao longo deste ano a grandes falhas ba-silares que comprometeram o bem-estar de um sem número de pessoas e que estão à vista de todos nós. A minha pergunta é simples: o que é que cada um de nós fez, individualmente, para contrariar essas fa-lhas? O que é que fizemos e/ou sugerimos para me-lhorar esse bem-estar? De quem é essa obrigação, essa responsabilidade, se não minha?

Há muitos anos que se fala na insuficiência de res-postas, no que toca à diversidade e atipicidade das mesmas, para satisfazer as exigências dos mais ve-lhos, cada vez mais conhecedores de si próprios e coerentes na exigência do que querem para a sua vida. Todos nós que trabalhamos nesta área do en-velhecimento temos esta noção. O que é que cada um de nós fez para atingir este objetivo? Por que é que sempre que surge uma ideia, a mesma é der-rubada por todas as intempéries que surgirão até à mesma acontecer, sem sequer se ter iniciado o

pro-cesso? Estaremos formatados para o pessimismo e crentes de que nada correrá bem seja por que razão for?

Não há apoios, são poucos os recursos, a chefia não aceita, os utentes não querem, não temos tempo, fica sempre no papel, não vale a pena. E se mudarmos a perspetiva? E se correr bem? E se nos formatarmos para avaliarmos só as vantagens e aceitarmos só os inputs positivos?

Sou uma pessoa naturalmente positiva. Raramente, na conceção de uma ideia, olho para o lado negati-vo, pois é aqui que os sonhadores desistem. Tento, sempre que consigo, não partilhar as ideias e/ou os sonhos com aqueles que são pessimistas por natu-reza, pois repetem-me o parágrafo anterior vezes su-ficientes para também eu acreditar nessas descul-pas e desistir porque vai correr mal. O quê? Não sei, nem sequer comecei o caminho.

Sinto que estamos a mudar. Estamos a reorganizar as nossas prioridades. Estamos, finalmente, a per-ceber que o que nos faz bem é muito simples, que a felicidade está bem mais perto do que aquilo que imaginávamos. A falta de produção de ocitocina, pela falta dos abraços, demonstrou-nos que, dando a importância devida e reconhecida, podemos me-lhorar o nosso dia e o dos outros com simples sinais de afeto, de carinho, de transmissão de amor. Quan-do tuQuan-do normalizar e pudermos ser gente de afeto novamente, devemos dar o devido valor aos peque-nos gestos que tanta falta peque-nos fazem.

Aceitamos, por um bem maior, todas as privações a que estamos sujeitos neste momento. Que saiba-mos avaliá-las e perceber a magnitude da sua falta e o impacto que têm em todos nós.

É um tempo diferente. Será um Natal diferente. Que o altruísmo nos afaste fisicamente dos que amamos, para nos protegermos a todos, e que consiguemos encontrar estratégias para colmatar essa falta e não tirar do Natal tudo aquilo que ele nos transmite: amor, união, família, paz, esperança.

Quando formos livres, que façamos o que nos é devi-do com essa liberdade. Exigir qualidade de vida para todos, exigir bem-estar, dignidade e autonomia. Não nos tirem a liberdade! Que venha a esperança! Sempre, no caminho da mudança do paradigma do envelhecer.

opinião

Joana Ferreira

Enfermeira, Mestre em Enfermagem de Saúde do Idoso e Geriatria

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UM OLHAR DIFERENTE DO

ENVELHECIMENTO

A Gerontologia trouxe-me o privilégio de trabalhar com um público específico: os mais velhos! Ou os idosos? Os velhos?? Acabo por nem saber bem que termo utilizar, tendo sempre o cuidado de não transmitir uma conotação negativa. Mas, na verda-de, olhando para o problema de origem… não é o termo, é a nossa visão sobre ser velho.

Quando questiono as pessoas com quem traba-lho diariamente sobre os sentimentos que lhes surgem sobre a idade, as respostas são interes-santes, algumas curiosas. Por um lado, dizem-me que sentem uma desvalorização por parte da so-ciedade para com as pessoas que chegam à idade da reforma, realçando que até no modo como se vestem se sentem inibidos. Usar cores demasiado coloridas é algo impensável para eles, já que os olhares críticos da sociedade existirão, inevitavel-mente. Por outro lado, e penso que seja a neces-sidade de ver a mudança a acontecer, outros pro-testam, afirmando que devem usar cores claras, pois dará um ar mais jovem (refere uma senhora de 94 anos).

De facto, a incessante vontade de contornar es-tes estereótipos (mesmo nos mais velhos, porque os adquiriram, eles também, ao longo do ciclo de vida) é, cada vez mais, relevante.

Alterar as condições com que encaramos, hoje, quem tem mais de 65 anos é não só cuidar do en-velhecimento dos “nossos”, mas também cuidar-mos do futuro do nosso envelhecimento.

Vale apena referir que o Plano de Desenvolvimen-to Social 2016-2021 de Braga revela que existem, aproximadamente, 24000 pessoas com mais de 65 anos no concelho, sendo que, são apontadas como áreas sociais prioritárias no envelhecimen-to, o risco de isolamento social, a vulnerabilidade social, a ausência de retaguarda, a perda de fun-cionalidade, o declínio cognitivo e, ainda, o mal-es-tar emocional.

Quando faço uma reflexão global sobre envelhe-cer em Portugal, ocorrem-me múltiplas mudanças necessárias, desde estereótipos, respostas mais adequadas às suas necessidades e expectativas

e, fundamentalmente, a oportunidade de escolha. Ainda temos muito trabalho a fazer, todos nós, en-quanto sociedade.

A mudança tem de ocorrer a nível macro, come-çando desde logo pelas entidades públicas, para que as organizações/serviços existentes consi-gam, de forma coesa, assegurar as respostas ne-cessárias e adequadas às necessidades atuais. Vejamos o envelhecimento com um olhar diferen-te. Afinal, todos nós estamos a envelhecer…

opinião

Marta Sousa – Gerontóloga

Diretora Técnica Centro de Dia Casa do Areal – Fundo Social Município de Braga

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opinião

OS DIREITOS NÃO TÊM IDADE

Na operação “Censos Sénior” a GNR sinalizou 42 439 pessoas idosas que vivem sozinhas e / ou isola-das ou em situação de vulnerabilidade, devido à sua condição física, psicológica ou outra que possa co-locar em causa a sua segurança.

No distrito de Viseu foram sinalizadas 3402 pessoas que vivem sós ou isoladas.

São muitos os fatores que concorrem para esta rea-lidade, mais acentuada no interior de um país que envelhece rapidamente, desde logo pela inversão da pirâmide demográfica e movimentos migratórios internos e externos. Muitas pessoas idosas estão afastadas das suas famílias que foram forçadas a emigrar em busca de melhores condições de vida para si e para os seus filhos, ficando muito limitados nas possibilidades de apoio aos progenitores. Há si-tuações de solidão e / ou isolamento que decorrem dos percursos de vida familiares que levam ao afas-tamento dos membros da família.

Num Eurobarómetro de 2017, 39% dos inquiridos com 55 ou mais anos assumiu ter-se sentido sozi-nho (a) na semana anterior ao inquérito.

Com a pandemia os efeitos do desapego e da so-lidão fizeram sentir-se com mais intensidade e não são raros os casos de pessoas idosas dependentes que são literalmente abandonados pelas suas famí-lias.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) propõe no relatório, recentemente publicado,

Portu-gal Mais Velho: Por uma sociedade onde os direitos não têm idade, a seguinte definição de abandono:

“O abandono passa pelo distanciamento físico e / ou

emocional e definitivo que resulta na falta de pres-tação de cuidados e conduz a pessoa idosa à total carência de redes de apoio familiar ou outras.”

São vários os tipos de violência exercidos sobre a pessoa idosa: violência física, violência psicológica, violência sexual, violência económico-financeira, ne-gligência, abandono.

O abandono é um tipo de violência complexo que pode ocorrer em vários contextos, nos domicílios e / ou em instituições. Pode dar-se no domicílio da pessoa idosa, quando esta é votada à solidão na sua própria casa, sem capacidade de interagir social-mente com outras pessoas ou de cuidar de si mes-ma. O abandono pode também ocorrer, por exemplo,

nos hospitais onde a pessoa é internada e permane-ce após a alta médica.

Todos os anos dezenas de idosos são abandona-dos nos hospitais portugueses. A grande maioria são casos sociais, sem retaguarda familiar, e ficam internados, sozinhos, sem critério clínico, à espera de uma resposta. Devido à pandemia, a Segurança Social tem vindo a desenvolver esforços para que os pacientes que já tiveram alta, mas que continuam in-ternados por falta de ajuda externa, sejam retirados dos hospitais e estão a ser colocados em lares ou estruturas da Rede Nacional de Cuidados Continua-dos IntegraContinua-dos.

Na vizinha Espanha, fortemente atingida pela pande-mia, aumenta o número de pessoas que quer deser-dar os seus familiares porque se sentem abandona-dos:

“Nem os meus filhos nem os meus netos me ligaram uma única vez para saber como estou ou se preciso de alguma coisa. É como se não existisse. Se não querem saber nada de mim, também não devem disfrutar do meu dinheiro quando morrer.”

No ano passado o Supremo Tribunal de Justiça es-panhol confirmou o testamento de uma mulher que deserdou a sua filha por “desentender-se” com ela, a herdeira tinha impedido a mãe de contactar com os netos e negou-se a atender-lhe o telefone. Os ma-gistrados argumentaram que esta conduta gerou na senhora uma “situação de tristeza” suficientemente grave para justificar a sua decisão de legar todo o seu património a outro filho que, este sim, cumpriu com a “obrigação legal e moral” de responder às suas necessidades emocionais. Já em 2014 este tri-bunal tinha negado os direitos sucessórios de dois homens que não cuidaram do pai, gravemente doen-te.

Uma discussão que deve ser feita também em Por-tugal, acompanhada de uma urgente mudança de paradigma e de cultura enraizados na nossa socie-dade, procurando a inclusão das pessoas idosas na família e na sociedade “Por uma sociedade onde os

direitos não têm idade”.

José Carreira

Presidente das Obras Sociais de Viseu Diretor da Revista Envelhecer

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PODCAST

NOVA LONGEVIDADE ATIVA,

SAUDÁVEL E FELIZ

O projeto Envelhecer conta com mais uma ferramenta para lhe disponibilizar novos conteú-dos. Na senda das tendências internacionais e de modo a poder proporcionar ao nosso pú-blico outras formas de fruição dos conteúdos que produzimos, lançámos o PODCAST “Nova Longevidade Ativa, Saudável e Feliz com José Carreira”.

O objetivo deste novo formato é contribuir para o envelhecimento ativo, saudável e feliz de todas as pessoas, de todas as idades.

Pretendemos desconstruir mitos em relação à idade, combatendo o Idadismo e contribuindo para uma comunidade de e para todas as idades.

Apresentamos conteúdos relacionados com a nova longevidade para todas as pessoas que querem adotar um estilo de vida promotor da qualidade de vida, com foco nos 50+: educa-ção, moda, cultura, arte, viagens, tecnologia, empreendedorismo, saúde e bem estar…

Pode seguir o nosso PODCAST:

www.anchor.fm/revista-envelhecer www.open.spotify.com/show/2D2p9qsOtZeiV8Pq8aR5xB www.breaker.audio/nova-longevidade-ativa-saudavel-e-feliz-com-jose-carreira https://podcasts.google.com/feed/aHR0cHM6Ly9hbmNob3IuZm0vcy8zNjVlZmQ1N-C9wb2RjYXN0L3Jzcw== https://pca.st/s4ys23s9 https://radiopublic.com/nova-longevidade-ativa-saudvel-e-GZV7Ae

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LONGEVINEWS E ENVELHECER

FIRMAM PARCERIA EXCLUSIVA

PARA COMPARTILHAR CONTEÚDO

parceria

O portal brasileiro LongeviNews e a revista En-velhecer, de Portugal, firmaram parceria exclusi-va para publicar conteúdo jornalístico de forma compartilhada em suas plataformas.

Pelo acordo estabelecido, leitores, internautas e seguidores de ambos os veículos poderão ter acesso a uma seleção especial de reportagens, entrevistas e artigos que estarão sempre identifi-cados por um selo representativo da parceria. A colaboração entre as duas publicações ocor-re em um momento singular no mundo, de rápi-do envelhecimento populacional e de crescente preocupação com a qualidade de vida das pes-soas idosas. O aumento da longevidade em todo o planeta e, mais recentemente, o fenômeno da pandemia que resultou no trágico número de óbi-tos por Covid-19, na faixa etária superior aos 60 anos, levaram a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) a implementar a Década do Envelhecimento Sau-dável, no período de 2020 a 2030.

O propósito da Década do Envelhecimento Sau-dável é articular vários atores pela criação de con-dições para que ao longo de toda a vida seja via-bilizado o envelhecimento saudável e ativo, para todas as pessoas e não apenas para aquelas que eventualmente sofram de alguma doença no mo-mento.

Compromisso com a informação confiável

Nesse contexto, o acesso à informação segura e responsável adquire um papel estratégico, pois contribui para a orientação, para o esclarecimen-to, para a reflexão e para o estímulo de uma vi-são crítica sobre os múltiplos aspectos associa-dos ao envelhecimento. Produzir e disponibilizar

informação jornalística confiável, e desse modo, contribuir para um envelhecimento mais ativo e mais saudável do público, tem sido a missão de LongeviNews e Envelhecer.

“O acordo une duas publicações com valores edi-toriais muito próximos e que são referências em seus respectivos países na abordagem jornalísti-ca de temas relacionados ao envelhecimento e à longevidade. Com essa parceria, ampliaremos a oferta de conteúdos exclusivos aos nossos leito-res em todas plataformas”, afirma José Carreira, publisher da revista Envelhecer.

“LongeviNews vem se consolidando como mídia digital de referência em seu segmento editorial no Brasil. Temos o contínuo compromisso de abra-çar novas oportunidades para tornar nosso con-teúdo cada vez mais relevante e, com esse propó-sito, estabelecemos essa colaboração que é das mais promissoras”, destacam José Pedro Martins e Paulo Cesar Nascimento, fundadores e editores do portal.

Sobre as publicações

A revista Envelhecer é uma tradicional e prestigia-da publicação sobre longeviprestigia-dade na Europa. Nas plataformas digitais, o projeto já alcançou visibili-dade, sobretudo em países europeus, como Espa-nha e Inglaterra, e também em países da América Latina como Argentina, Brasil e México. No ano passado, o projeto lançou uma versão impressa com a mesma denominação, que circula em Por-tugal, seu país de origem.

Por ocasião do lançamento, ao falar sobre a inicia-tiva e sobre os objetivos da publicação impressa, José Carreira reiterou os objetivos do Projeto En-velhecer de “poder ajudar não só as pessoas com

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50 ou mais anos a terem conteúdo que lhes dizem respeito, mas também para que as pessoas mais jovens possam olhar para essas pessoas com olhar positivo, e não com olhar estereotipado”. LongeviNews destaca-se por ser um veículo digi-tal multiplataforma. Seu conteúdo é compartilha-do em portal na internet, redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter, Linkedin e Youtube) e também em Podcasts. Saúde, educação, oportunidades de trabalho, direitos, cidadania, políticas públicas e prestação de serviços ao público sênior são te-mas de artigos, reportagens, entrevistas e análi-ses publicadas pelo veículo.

O portal está sediado em Campinas, no interior do Estado de São Paulo, em uma região com popu-lação superior a meio milhão de pessoas na faixa etária a partir de 60 anos, um dos maiores con-tingentes de idosos do Brasil. Embora tenha foco de cobertura preferencialmente regional, Longevi-News aborda também fatos de interesse nacional e internacional, como as recentes notícias e orien-tações publicadas pelo portal sobre o impacto da Covid-19 sobretudo na população idosa.

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opinião

PILATES NA 3ª IDADE

Joseph Pilates (1883- 1967) sempre determinado a mehorar sua condição física, conseguiu desenvolver um método de exercícios, com base nos movimentos naturais do ser humano e animais, no controle corporal consciente e com influência das artes marciais. Ao longo de sua vida percebeu que seus exercícios po-deriam ser a “fonte da juventude” da raça humana, man-tendo o corpo e mente saudáveis, durante mais tempo, devido a prevenção de doenças. Utilizou também seu conceito para reabilitar e facilitar a recuperação de le-sões e enfermidades. A respiração “correta” é o primei-ro de seus princípios. Além desse, seus ensinamentos abrangiam a fluidez, centralização de força, concentra-ção e precisão.

Com todos esses princípios surgiu a CONTROLOGIA - que é o estudo do controle do movimento, termo criado por ele, do qual derivou o conhecido método Pilates de hoje em dia. Os benefícios dos exercícios são inúmeros quando o método é aplicado respeitando-se as caracte-rísticas individuais. Por isso pode ser feito desde o final da infância até o fim da vida. Aplica-se a diversos casos clínicos da idade avançada, como dores crônicas (mais de 3 meses de duração) nas costas, ancas, joelhos, om-bros e pescoço. Além disso proporciona melhora da capacidade cárdio-respiratória, força e tônus muscular, flexibilidade, equilíbrio, coordenação motora e liberdade de movimentos para o dia-a-dia.

Atualmente com os avanços nas investigações cientí-ficas na área da fisioterapia é possível identificar os fa-tores que podem ser “trabalhados” em cada indivíduo, com exercícios progressivos e muitas vezes adaptado. A avaliação médica e fisioterapêutica são essenciais para desenvolver o melhor programa de exercícios

clíni-cos, que podemos inclusive chamar de treinos e realizar duas a três sessões semanais por tempo indetermina-do. Isto dependerá das disponibilidades e da condição clínica de cada indivíduo, que deve, antes de qualquer sessão, ser criteriosamente avaliada.

Somado aos benefícios físicos, uma prenda do método Pilates é a melhora da capacidade cognitiva e intelec-tual, por ser uma combinação do trabalho físico com o mental, através da respiração, fluidez do movimento e concentração máxima. O exercício aumenta a eficiên-cia com que o sistema nervoso responde às necessida-des do dia-a-dia de cada um, necessida-desde fatores biológicos (sono, imunidade, hormônios, tensão arterial, esforço físico) até fatores psicossociais (emoções, memória, fala, casa, trabalho, família), só para mencionar alguns exemplos.

Portanto o método Pilates associado a aparelhos e equipamentos específicos para a sua prática, é hoje uma das melhores opções apresentada aos nossos ido-sos quando buscam uma melhoria na qualidade de vida e uma velhice mais saudável. Dependendo da avaliação e da condição de cada idoso, podem ser necessárias sessões individuais, mas também é possível fazer em pequenos grupos de pessoas. Também pode ser ex-celente como exercício preventivo e reduzir o risco de quedas graves, fraturas e evitar maiores complicações devido a imobilidade. Por isso movimentar-se livremen-te e com mais qualidade são os objetivos principais do Pilates para a terceira idade.

Igor Barros

Director Clínico e Fisioterapeuta Academia BodyLab

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opinião

Sandrina Néri

Neuropsicóloga (Centro Apoio Alzheimer Viseu) www.mentesonline.pt

QUANDO A LEI NATURAL DA

VIDA SE INVERTE

No passado, em comparação com os dias de hoje, mui-tos pais não viviam o suficiente para ver os seus filhos tornarem-se adultos. No entanto, com a esperança mé-dia de vida a aumentar, aumenta também o número de pais cujos filhos adultos morrem antes deles.

Embora os pais em luto pela morte de um filho expe-rimentem respostas clássicas de luto psicológico, bio-lógico e social, enfrentam desafios únicos. Perder um filho é devastador para os pais em qualquer idade, pois invariavelmente sentem que a natureza os enganou. Em qualquer momento da vida, a relação pais-filhos, mais do que em qualquer outra relação, é dotada de expetativas a curto, médio e longo prazo. Infelizmen-te, muitas delas são bastante irrealistas e aquando da perda as expetativas dão lugar à sensação de fracasso e injustiça, sendo o último agravado com o avançar na idade dos pais.

Como podem os filhos morrer antes dos pais? Este fac-to acontece com mais frequência do que pensamos. Ao fazer uma análise de dados de 1992 até 2014, em Austin, na universidade do Texas, verificou-se que 11,5% das pessoas com mais de 50 anos já perderam um fi-lho, número que vai aumentando com o aumento da idade dos pais.

Para além do acontecimento em si, a causa de morte tem um peso bastante considerável. Algumas pesqui-sas indicam que mortes súbitas ou violentas, assim como as que causam estigma social (relacionadas com consumo de drogas ou suicídio na meia-idade), são mais difíceis de lidar. Nestes casos para além do sentimento de injustiça nutrido pela ordem inversa das coisas, junta-se o sentimento de culpa; “O que poderia ter feito para ajudar o meu filho/a?”.

O mais comum em situações como esta é que na ten-tativa de minorar este pensamento, o julgamento de ter-ceiros incide na pessoa falecida em resultado das suas próprias ações, o que ao contrário do que seria espera-do, agrava ainda mais o sofrimento dos pais e a sua sen-sação de isolamento, derrota e fracasso. Em situações como o suicídio, a sensação que os pais expressam é que deviam ter sido capazes de ver algo muitas vezes escondido nas profundezas dos seus filhos, que nem mesmo os especialistas na área conseguiram prever. Como agravante, podemos observar também que in-conscientemente perante a sociedade, muitos pais en-lutados são esquecidos. A atenção recai essencialmen-te no cônjuge, nos filhos e até mesmo nos amigos, mas os pais parecem excluídos da preocupação dos outros. Este parece ser um fenómeno social curioso em que se espera que indivíduos mais velhos não fiquem tão tristes com a morte, talvez porque as perdas anteriores tornam a pessoa imune à dor, ou porque o avançar da

idade significa que se está mais confortável com a mor-te por estar mais perto dela. No entanto estas noções não são verdadeiras, o peso da parentalidade não se extingue apenas porque o filho já é adulto ou porque os pais já são mais velhos!

Em contrapartida, não só esta dor se agrava por cau-sa da idade, mas também pelas circunstâncias asso-ciadas a esta. À dor de perder um filho, junta-se a raiva intensa pela injustiça: “Porque não fui eu em vez dele?”. Recuperar o equilíbrio após a morte dos filhos é essen-cial, mas torna-se cada vez mais difícil com o passar dos anos. Pessoas mais velhas têm limitações acresci-das. Aos sentimentos de injustiça, juntam-se sentimen-tos de raiva, culpa, ambivalência, deceção e frustração, agravados pela sensação de perda de controle sobre os filhos, apesar deste ser um processo normal que se instala naturalmente na relação de parentalidade. Mas também eventos relacionados com o envelhecimento, o declínio da saúde, as crises, a alteração de papéis so-cias, a dependência da ajuda dos filhos e muitas vezes a perda da sua imprescindível fonte de apoio com o fa-lecimento do cônjuge.

No entanto, ainda é possível encontrar ou reter um sen-so de propósito e significado para a vida, o que pode ajudar a promover a resiliência diante de uma grande dor.

Como sociedade, detemos um papel fundamental na minimização desta dor. Mas para isso será necessário um trabalho individual sobre um tema que todos teme-mos e encontrateme-mos extremas limitações em abordar. Percebamos que conversar sobre a morte, a perda e a dor podem ser uma grande ajuda, mesmo passados 30 anos de luto! Resgatar boas lembranças e não ape-nas as lembranças imediatas à morte é imprescindível, assim como permitir e acolher a expressão de senti-mentos, ao invés de internalizá-los. Para além da perda essencial ou primária e com peso muito semelhante teremos que perceber igualmente as secundárias de forma a minimizá-las. O isolamento, a instabilidade fi-nanceira, a falta de cuidados, assim como as possíveis alterações e/ou afastamento da família, podem repre-sentar algumas destas perdas.

Validar e acolher o sofrimento não irá alterar o aconte-cimento em si, mas poderá auxiliar em grande escala a aceitação e a manutenção do senso de continuidade pessoal e familiar.

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entrevista

TERESA PIMENTEL

“Em jeito de curadoria, a talentosa dupla percorre os mercados

mundiais, explorando novos e emergentes conceitos e escolhendo

individualmente cada peça das suas coleções. Os 50 designers

in-ternacionais e nacionais, que vão variando em cada estação e

com-põem estas combinações THE Design, partilham a visão de Teresa

e Helena no que diz respeito à criatividade e intemporalidade deste

estilo de vida que personificam nos seus espaços.”

(IN https://www.portofashionmakers.com/pt/home)

Helena Santos e Teresa Pimentel criaram, mais do que um negócio, um conceito:

THE DESIGN -

www.thedesign.pt.

Ambas procuram, incessantemente, “criatividade, diferenciação e intemporalidade.

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#NovosNovos. Quer explicar-nos o conceito?

O hashtag NovosNovos ou hashtag THE newnew foi criado com o intuito de sensibilização para uma sociedade cada vez mais “without age”. Nos dias de hoje, com a esperança média de vida a aumentar, com grande capacidade de contri-buição, energia e vontade de se manterem ativos, surge um novo segmento de clientes, os Novos-Novos, jovens de tenra idade, com maturidade, imensa experiência, elevada autoestima, e com imenso para dar à sociedade.

Este projecto foi pensado para estas pessoas que independentemente da sua idade, se sentem NO-VOS, sonhadores, com energia, força de viver e muita vontade de continuar a descobrir o mundo. A idade passou a ser apenas um número e não os impede de fazer aquilo que querem. Dentro de poucos anos estes NOVOS NOVOS irão represen-tar quase metade do número da população em idade activa, na Europa.

Foi uma bela surpresa vermos nas vossas pu-blicações do Facebook modelos experientes tão elegantes e glamorosas. Considera que esta opção da marca é uma aposta ganha? Porquê?

Os nosso clientes são maioritariamente mulheres entre os 40 e os 80, maduras e experientes e ati-vas.

As nossas publicações, através de mulheres mais velhas, com sinais de maturidade e cujos corpos já não são de adolescentes, demonstram que ao valorizarmos o que somos e o que de melhor te-mos, conseguimos ser muito elegantes e glamo-rosas.

Acreditamos que o design, a qualidade e o con-forto promovem o bem-estar e a auto estima. A auto-estima é fundamental para uma vida ativa e feliz.

Se conseguirmos contribuir para ajudar as nos-sas Clientes a aumentar a sua auto estima e a cuidarem de si, penso que a aposta está ganha.

Observamos marcas que, ainda que os seus clientes sejam, tendencialmente, pessoas mais velhas, não abdicam de modelos jovens. Que motivações estiveram na base desta vossa op-ção?

Como já referi os nossos clientes são pessoas na sua maioria mais velhas, que querem sentir--se bem consigo e com o mundo que as rodeia. Valorizam uma compra de qualidade, valorizam o conforto, a sofisticação e a intemporalidade. São pessoas discretas, com preocupações sociais e com um grande sentido estético.

Acreditamos que ao seleção modelos que repre-sentam tudo o que a marca acredita e promove, estamos a contribuir não só para reforçar o po-sicionamento e a imagem de marca, como tam-bém a reforçar a ligação com as nossas Clientes. Os padrões de beleza mudam ao longo da vidas e ainda que a publicidade e comunicação das mar-cas tenha como propósito ser inspiradora, (dai a procura pela beleza mais jovens), ela deve ser credível e criar uma conexão com o target a que se destina, se assim não for não compre o seu objetivo. Nos acreditamos que as nossas Clientes se identificam e se sentem inspiradas por outras mulheres bonitas, sofisticadas e maduras.

O culto da juventude está fortemente enraizado na nossa sociedade. Até que ponto o vosso pro-jeto poderá contribuir para o combate ao Ida-dismo, mitigando o preconceito em relação às pessoas idosas?

A nossa aposta é consciente e direcionada para a mensagem de que ao cuidar de nós estamos a contribuir para a nossa qualidade de vida e para um bom envelhecer.

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É importante pensarmos que o envelhecer não começa aos 60 anos, O envelhecer bem passa pela prevenção.

Acreditamos que o bem estar físico e mental pressupõe cuidar de nós.

Mais do que tudo é a nossa convicção de que te-mos de fazer esta mudança e quebrar o tabu de que “sou velha de mais para isto” e assim aumen-tar a qualidade de vida e não apenas a longevida-de.

Como selecionam as modelos que vestem na perfeição as vossas peças exclusivas?

Nesse aspecto temos alguma sorte pois a Helena é minha sócia neste projecto e penso que é a

me-lhor pessoa para o representá-lo, neste momento tem 75 anos mas considera-se uma NOVA NOVA. É uma peça essencial para ddemonstrar que as colecções THE têm um design inclusivo para to-das as idades.

Relativamente à Vera, tendo 46 anos e também fazendo parte do nosso Team, representa esta faixa etária, e contribui para e imagem e conceito do projecto THE.

Escolhemos ortanto modelos que não sendo jo-vens em idade fazem parte, inquestionavelmente, dos THE newnew.

Com o aumento da esperança de vida há cada vez mais consumidores com 50 e mais anos, na segunda metade da vida, exigentes,

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criterio-sos, preocupados com a sua longevidade e que pretendem ser saudáveis e felizes. É para estas pessoas que trabalham?

É para todas estas pessoas que focamos as nos-sas energias diariamente. Neste sentido usamos a moda para criar um impacto positivo nas suas vidas de forma a que o envelhecer seja uma esta-tuto de qualidade de vida. É bom estarmos prepa-rados para assumirmos a nossa idade com orgu-lho. Os cabelos brancos, as rugas e as mudanças no nosso corpo são um indicador que estamos vivos e, portanto, temos de saber aproveitar ao máximo as nossas qualidade e tirar partido daqui-lo que temos de melhor. Trabalhamos para que se sintam bem consigo próprias, que se estimem e que valorizem o têm.

Os #NovosNovos são uma nova oportunidade para as marcas? Como devem ser ativadas as marcas para este target?

Este target é cada vez mais exigente, preferem comprar melhor, valorizam a exclusividade e compram de forma mais consciente. Procuram produtos com história, diferenciadores, que valo-rize causas, sustentáveis e com um maior ciclo de vida.

As colecções THE são escolhidas peça a peça, através de uma curadoria cuidada e exigente, por forma a garantir esta coerência.

Por outro lado as nossas colecções têm um de-sign inclusivo para uma sociedade “without age”. São criadas através de materiais de qualidade, e inteligentes para promover o bem-estar “always ready”.

Acreditamos que estes valores são neste mo-mento a chave para este nicho de mercado.

“O conceito THE resulta de uma intensa pesqui-sa e de uma enorme vontade de criar algo ori-ginal e intemporal, fora do circuito de tendên-cias.” Faz sentido considerar que os potenciais clientes apostam mais na qualidade e originali-dade do que os jovens?

Sem dúvida, os potenciais clientes, pela maturida-de e pomaturida-der maturida-de compra, apostam em peças intem-porais tanto a nível de qualidade como de Design, no fundo compram de forma mais sustentável. Estes clientes preferem investir na criatividade, na diferença, na versatilidade e conforto, e preferem claramente ter menos mas de melhor qualidade.

O que podem transmitir-nos as rugas e os ca-belos brancos?

As rugas e os cabelos brancos são em primeiro lugar um optimo de sinal, assumi-los depende da forma como lidamos com o nosso envelhecer. As rugas e os cabelos brancos não são per si sinais de que as pessoas são velhas. A velhice, como nós sabemos, depende essencialmente da nossa cabeça. Por isso temos de tratar bem da nossa Saúde Física mas não menos importante tratar da nossa Saúde Mental.

Temos exemplos super interessantes de clientes com 60 anos que nos dizem que a sua cabeça fervilha de ideias. Estes cabelos brancos signifi-cam experiência, maturidade e um enorme co-nhecimento para partilhar.

Seria uma honra para nós podermos contar com a vossa colaboração no projeto Envelhe-cer, através de artigos de opinião editoriais, fo-tografias. Aceitam este desafio?

O projecto THE foi sempre alicerçado em parce-rias, acreditamos que os projectos enriquecem com a união de sinergias. É assim, para nós tam-bém um honra participar em projectos de valor acrescentado, em que acreditamos estar a criar uma sociedade melhor e assim um mundo me-lhor!

José Carreira

Presidente das Obras Sociais de Viseu Diretor da Revista Envelhecer

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opinião

Aposentada, reinventei a vida sendo Empreendedora Digital e junto com minha irmã (Ismê Lucas) que já trabalhava na área, passamos a criar soluções para que o público Sênior, ser ativo, engajado e produtivo, saindo da zona de conforto e quebrando o tabu do Ageísmo e da Invisibilidade, através do nosso Projeto Envelhecer com Estilo, que hoje tem uma pre-sença fortíssima nas redes sociais.

Site: www.envelhecercomestilo.com com 25.000 assinantes.

Grupo: https://www.facebook.com/groups/envelhecercomestilo/ com 240.000 membros. O grupo é internacional temos diversos países e o nosso maior público é de Portugal com 10.720 membros e destaco que a nossa seguidora mais velha é a portuguesa Milu Freitas de 92 anos,formada em Belas Artes,pinta,escreve textos e poemas,ganhou dois prêmios com suas pinturas,um em Paris com o quadro Costas, ficou em segundo lugar e outro prêmio na Bélgica com o quadro Pano Vermelho

Fanpage: https://www.facebook.com/envelhecercomestilo/ com 35.000 curtidas. Instagram : https://www.instagram.com/envelhecercomestilomadis/ com 8.500 curti-das.

Dicas para ser um Empreendedor Sénior:

1. Procure cursos para se manter atualizado e conhecer novas pessoas, o que significa trocar ideias e compartilhar informações.

2. Valorize sua experiência 3. Não tenha preconceitos 4. Saiba lidar com seus medos

5. Para vencer é necessário ter foco, atitude, habilidades e determinação. Por isso, parti-cipe, compartilhe, aprenda, invista, inove – reinvente-se!

6. Ser empreendedora 60+ é demonstrar autonomia e autoconfiança para inovar, propor desafios e realizar mudanças e, mesmo diante das dificuldades, ter a certeza de apren-dizado.

APOSENTEI-ME E

REINVENTEI-ME

Maria do Carmo Cunha - Madis

Formada em Ciências Sociais Pós-graduada em Recursos Humanos

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opinião

O meu olhar pessoal em considerar os avós na categoria de adultos carismáticos…

Aos meus olhos, do mais amoroso que pode exis-tir é ver avós que amam cuidar dos seus netos e que o fazem com todo amor e dedicação, porque desejam deixar a sua marca de amor no coração e na memória de cada criança. Dos avós com que me cruzei durante todos estes anos não conheci nenhum para quem fosse um fardo pesado, ou um sacrifício doloroso, ou que acompanharem o

dia-a-dia dos seus netos fosse ato a ser realizado para que estes se sentissem úteis. Não! Fizeram--no e fazem-lo porque querem que os seus des-cendentes guardem o carinho e o amor que têm por cada neto ou neta. Não, como se fosse utili-zado todo o amor carregado nos seus generosos corações como moeda de troca. Não!

Inclusive existem vários casos por aí de avós que, devido a complicações de saúde ou outros motivos, já teriam perdido o seu gosto, sentido

O MEU OLHAR PESSOAL EM

CONSIDERAR OS AVÓS NA

CATEGORIA DE ADULTOS

Referências

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