Profissão:
Poker
Profissão:
Poker
Saiba como vivem os brasileiros que deixaram
suas atividades convencionais para ganhar a
vida nas mesas de jogo
Tower
Cruise
Cartas em alto-mar
OMEGA
70K
Inauguração
da maior casa
do Brasil
Número 1 / Abril 2007Tower
Cruise
Cartas em alto-mar
Saiba como vivem os brasileiros que deixaram
suas atividades convencionais para ganhar a
vida nas mesas de jogo
F
oram mais de cinco meses de planejamento para chegarmos a esta edição inaugural que você tem nas mãos. Criamos e recriamos o nome, visual, perfil, logotipo... e, agora, na hora da entrega da revista para a gráfica, temos a sensação de missão cumprida. Sejamos sinceros: somos jogadores de poker, não editores e, por isso, nos aliamos a gente que sabe indicar o caminho mais correto. Apesar de tantas regras gramaticais, gráficas e editoriais, quisemos deixar transparecer um visual e um texto que sejam comuns a toda a comunidade do poker brasileiro.Nossa intenção é ser uma ferramenta, aliada a outras iniciativas, para difundir e solidificar o poker nacional. Nosso primeiro objetivo é socializar o poker como jogo e esporte sadio, desmistificando aquela imagem de saloon do faroeste americano ou de um jogo envolto em densa fumaça de um quarto da máfia.
No Brasil, o poker explodiu em um formato mais suave, familiar e amigável - eventos com churrascos, viagens com amigos, torneios em equipes... isso sem falar na turma de brasileiros que torcem para seus conterrâneos nos chats das salas de poker online. Tudo isso aliado ao bom número de jogadores alcançando destaque dentro e fora do país, mostrando aos iniciantes que este jogo não é um bicho-de-sete-cabeças.
Com um pouco de empenho e experiência, estamos vendo que todos podemos chegar lá, em uma mesa final de WPT, WSOP ou de um EPT.
Para que este sonho possa ser realizado é que estamos aqui, lançando esta primeira de muitas edições da Revista Flop. Esperamos que aproveitem e sejam nossos parceiros e torcedores em mais esse jogo que entramos para ganhar.
Juliano Maesano
Editor-Chefe UMA REVISTA DE Bangor Produções Av. Ibirapuera, 2907 cj412 04029-200 São Paulo, SP [email protected] EDITOR-CHEFE Juliano Maesano DIRETORES André Akkari Eduardo Parra Juliano Maesano DIREÇÃO DE ARTE Roberto Gomes EDIÇÃOEdmundo Sansone Neto
COLABORADORES
Alexandre Heller (fotos), André Akkari (coluna), Christian Kruel (coluna), Eduardo A. C. Salgado (coluna), Fábio Cunha (coluna), Hernan Herrero (foto da capa-fundo), Igor Trafane (coluna), Marcelo Camargo (arte da capa), Paulo Nery (tratamento de imagens), Raul Oliveira (coluna), Ruy Hizatugu (fotos). Impressão: Parma
PUBLICIDADE
Editora Casa Nova Ltda
Tania Macena - Diretora de Publicidade
Daniela Calvo - Executiva de Contas
Katia Zaratin Santacroce - Executiva de Contas [email protected] REPRESENTANTES BRASÍLIA Emilia Faria (61) 3222-0260 [email protected] PARANÁ Helenara Andrade (41) 3222-3702 [email protected] Valdilene Três (41)3233-0008 [email protected] RIO DE JANEIRO Carla Torres (21) 2224-0095 [email protected] RIO GRANDE DO SUL
Rogério Cucchiarelli (51) 3268-0374 [email protected]
Flop é uma publicação bimestral. Distribuição gratuita. Tiragem: 10.000 exemplares.
A revista Flop não se responsabiliza pelos conceitos e opiniões emitidas nos artigos e colunas assinadas. É vedada a reprodução parcial ou total de qualquer conteúdo sem autorização expressa.
[[
Editorial
]]
Colunas
12
FEDERAL – All In
14
AKKARI – L.A. Poker Classic
22
POKER MANIA – Bad Beats?
30
CK – Uma Realidade Nacional
44
RAUL – A Essência do Jogo
52
JURÍDICA – Contraventores
ou vítimas?
Edição 01 – Abril/2007
16 Torneio de Inauguração Omega
Veja como foi o maior torneio já realizado no Brasil
24 Tower Cruise
Saiba mais sobre este torneio à bordo de um cruzeiro
32
Nutzz!, a empresa
Como começaram os melhores organizadores do país
36
Profissão: Poker
Conheça a história de quem largou tudo para viver do jogo
46 Damas do Poker
As mulheres que arrebentam nas mesas e pela internet
16
Página
10
COLUNA ESPECIAL
POKER STARS
MARIA EDUARDA
“ M A R I D U ”
M A Y R I N C K
46
Sumario_JM.qxp 4/20/07 5:05 PM Page 2Centenas de formatos foram usados no
mundo todo, desde a invenção do papel,
até chegarmos à atual configuração.
N
ós as pegamos milhares e milhares de vezes, mas nunca paramos para nos perguntar o porquê das car-tas apresentarem suas formas e valores. Na verdade, foi em torno de 1480, na França, que o baralho que usamos hoje em dia surgiu definitivamente. Antes desta versão francesa, temos primórdios de jogos com cartas desde a invenção do papel, na China. De lá para cá, cada povo surgia com uma variante do maço de cartas, alguns com até cinco naipes.Falando em naipes, a atual configuração deriva de várias fontes, mas a mais aceita é que paus tenha vindo de bastão (ou bengala, porrete), copas eram taças (cups), ouros eram pentagramas ou moedas, e as espadas eram desenhadas como espadas afiadas, mesmo.
Originalmente, as figuras incluíam reis, cavaleiros e valetes (pajens), mas logo os cavaleiros deram lugar às rainhas, aqui chamadas de damas. Em algum tempo, os jogadores ficaram cansados de ter de virar as figuras na mesa a toda hora, pois deixar um rei de cabeça para baixo era um desrespeito, e então criaram-se as figuras de corpo duplo invertido, como temos hoje.
E, por falar nestas figuras, quem seriam elas? Bem, nossa pesquisa chegou a diversas variantes de cultura para cultura, mas o baralho atual é uma convenção aceita a partir de desen-hos franceses de Rouen. Antes desta convenção, os baralhos mais usados traziam as seguintes
per-sonalidades:
O Rei de Copas representava Carlos Magno, o Rei de Ouros era Júlio César, o Rei de Paus era Alexandre, o Grande, e o Rei de Espadas era o Rei Davi, da Bíblia.
A Dama de Copas representava Judith, da Bíblia (ou Helena de Tróia), a Dama de Ouros era Raquel, também da Bíblia, a Dama de Paus era Argine (uma rainha fictícia) ou Elizabeth I, e a Dama de Espadas era a deusa da guerra, Atenas (Minerva ou Palas, em outras culturas).
O Valete de Copas representava Etienne “La Hire” de Vignoles, um soldado francês, o Valete de Ouros era Roland (sobrinho de Carlos
Magno) ou Heitor, de Tróia, o Valete de Paus era o cavaleiro Sir Lancelot (ou Judas Macabeu) e o Valete de Espadas era Ogier “The Dane” la Danois, um tenente de Carlos Magno.
Enfim, de agora em diante, quando você olhar suas hole
cards e vir um KK, você pode
estar segurando um Júlio César e Alexandre, o Grande.
curiosidades
A História
das Cartas
QUANDO VOCÊ OLHAR SUAS HOLE CARDS E VIR UM KK, PODE ESTAR SEGURANDO
UM JÚLIO CÉSAR E ALEXANDRE, O GRANDE.
Carlos Magno deu origem ao Rei de Copas Curiosidades_JM.qxp 4/19/07 10:34 PM Page 3
Galera, vamos precisar de mais um avião.
WORLD SERIES OF POKER e WSOP são marcas registadas da Harrah’s Licence Company, LLC, e não têm qualquer ligação ao PokerStars.com
Em 2006 o Poker Stars enviou 1.624 jogadores ao WSOP. Aliás, ninguém envia mais jogadores do que a gente. Este ano estamos oferecendo:
Jogue agora no Poker Stars.com e conquiste a sua vaga para o maior evento de poker do planeta, concorrendo a um prêmio multi-milionário. Novos jogadores ganham bônus de 100%.
Pacotes de $12.000 Freerolls para jogadores frequentes Satélites a partir de $2
Galera, vamos precisar de mais um avião.
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O
lá meu pueblo, como estão? Estou lisonjeada de ter sido convidada para escrever essa coluna, trazida pelo Poker Stars, numa revista que é mais um passo importante para a evolução do nosso amado Poker no Brasil. Gogogo Brasil! Primeiro, gostaria de dividir com vocês a minha felici-dade e honra de agora fazer parte do Poker Stars. Além de muito trabalho, é uma tremenda responsabilidade, mas tenham certeza de que será feito com toda dedicação, car-inho e atenção, seguindo o padrão de alta qualidade e a filosofia de "be the best" já famosa do melhor site de poker.Reach for the Stars, Pueblo!
Bom, depois de pensar muito sobre o assunto dessa primeira coluna (já que eu escrevo pouco no meu blog, hum-hum), achei prudente falar de uma das lições mais importantes que já tive até hoje, tanto no poker, quanto na vida: aprender a perder!
"Mas a Maridu vai falar sobre saber perder numa revista de poker, onde os leitores só pensam em ganhar?" Sim! Por-que a chave para aprender a ganhar é saber perder!
Akkari, JohnnyBax, IgorFederal, BeLOWaBOVe, C.K., Raul "Carteio", Annete_15, Vovô_Léo, João M., TCarrico (qualquer Carriço!), Rizen, e muitos outros excelentes profissionais do poker (MTT online especial-mente) têm uma virtude em comum que supera os seus ganhos (que são muitos!) e essa virtude é a de saber perder! Eles sabem que a longo prazo os resultados vão aparecer ("if you build it, he will come"), mas eles tam-bém sabem que a curto prazo (em 1, 2, até em 10 torneios) o fator "sorte" entra na jogada, e é necessário ganhar os coinflips para vencerem a guerra. Mas quando o AA deles perde para um 89suited, eles falam "nh, gg" e seguem avante, procurando o longo prazo, pois é lá que está o pote de ouro!
Mas pombas, queremos ganhar AGORA, e às vezes esse fator "sorte agora" (pros outros) acontece muito mais do que devia, deixando o jogador (especialmente essa tiltada escritora!) louco, irritado, desanimado, achando que nunca mais vai ganhar nem pique-pega contra o sobrinho de 7 anos. É aí começa a descida...
Com o moral lá embaixo, você começa a jogar inseguro, entra nos pots pisando em ovos, convicto de que vai perder, e inclusive reclama quando dá raise com seu KK e toma
call, porque tem certeza de que vai bater o maldito A no flop! De repente você está tão por baixo, que começa a
tomar decisões incorretas, joga de forma passiva, não otimiza seus ganhos e agora vive com medo da "bruxa" e do "bicho papão"! Que fase! Tá com medinho, vai pedir colinho pra mamãe (não pra minha, é claro!) lol!
É aí que entra a virtude que diferencia os grandes vence-dores. Quando eles perdem nessas situações, a auto-confi-ança deles não se abala (o Akkari nem tilta, grrr!), pois sabem que essa tal de Lady Luck é “facinha” e dá pra todo mundo, até pros mais "feinhos" e "sujinhos" (lol), e ela vai vir pra cima de você também (hehe!)! Sabendo disso, esses vence-dores não mudam absolutamente NADA no jogo deles ness-es momentos negros onde a Lady Luck ness-está pulando a cerca com o Ricardão, e entram no próximo torneio como se o anterior nem tivesse ocorrido, sabendo que "that's poker" (frase mais irritante!) e continuam jogando como se sempre estivessem ganhando, porque a verdade é que sempre estão, pois sabem perder! Ao contrário de muitos jogadores que depois de 10 (ou 15, ou 20) dias de derrotas intoleráveis, onde parece que até Deus está de marcação com você (nossa, que drama!) desistem e jogam a toalha. Esse jogador ainda não sabe perder, portanto ainda não aprendeu a ganhar.
O que fazer quando esses períodos negros de nenhum
ITM acontecem com você? (alem de quebrar o teclado?)
Continue tentando! Enquanto você estiver tentando, você não fracassou! Respeite seus limites de bankroll para poder continuar tentando.
E acima de tudo, mantenha o moral lá em cima, saben-do que "bruxa" e "bicho papão" só existem embaixo da sua cama ou dentro do seu armário, mas não no poker! Só assim você vai conseguir virar o jogo e dar uma dura na
Lady Luck, mostrando que você não precisa dela. Aí ela
gama de vez e não te larga nunca mais! Pode acreditar!
GL a todos, e nos vemos pelas mesas do Poker Stars.
Maridu
www.needanace.blogspot.com
Sabendo perder
para aprender a ganhar
Teste
Jogando com AA
O Big Blind está bem
ativo durante esta
sessão, e gosta de
colocar vários raises
pequenos durante a
mão. Esses raises não
indicam nada sobre a
força de sua mão.
Ação:Jogador A dá fold.
Sua mão:AsAc
PERGUNTA 1:O que você faz e por quê?
A:Paga $2.000
B:Dá raise para $6.000
C:Dá all in
Ação:Você acaba dando raise para $6.000. Os jogadores C, D, E e o SB dão fold. O BB dá reraise para $12.000
PERGUNTA 2: O que você faz e por quê?
A:Paga $6.000
B:Dá reraise para $30.000
C:Dá all in
Estamos na metade do Monte Carlo Millions de 2004. Você está
jogando na pele de Chris “Jesus” Ferguson, o jogador B, segundo a
falar numa mesa de sete jogadores. Ferguson ganhou a WSOP em 2000
e é conhecido como um dos melhores jogadores no circuito.
Ação:Você acaba pagando os $6.000. O pot agora contém $27.100.
Flop:KsJc6d
Ação:O BB aposta $12.000
PERGUNTA 3:O que você faz e por quê?
A:Fold
B:Paga $12.000
C:Aumenta para $30.000
D:Dá all in
Ação: Você paga. O pot agora tem $51.100
Turn:7h
Ação: O BB bate mesa.
PERGUNTA 4:O que você faz e por quê?
A:Bate mesa
B:Aposta $20.000
C:Aposta $50.000
D:Dá all in
Ação:Você acaba apostando $20.000. O BB aumenta para $40.000.
PERGUNTA 5:O que você faz e por quê?
A:Fold
B:Paga
C:Dá all in
Ação:Você paga. O pot agora contém $131.100. Você tem cerca de $56.000 no seu stack. O BB tem cerca de $46.000.
River:2h
Ação:O BB bate mesa.
PERGUNTA 6:O que você faz e por quê?
A:Bate mesa
B:Aposta $20.000
C:Dá all in
Ação:Você aposta $20.000
e o BB dá fold. Confira a resposta na página 21
SB $30K B $120K A $16K BB $110K
Blinds: $1.000/$2.000
Antes: $300
Pot: $5.100
E $50K D D $70K C $150K Teste_Perguntas_01.qxp 4/19/07 11:58 PM Page 812FLOP
Se você pretende ser um bom
jogador, comece evitando este move a todo
momento.
T
oda vez em que estou jogan-do com iniciantes escuto umALL IN a cada dois minutos
na mesa.
✖ Bateu meu top pair: all in ✖ Estou nut: all in
✖ Estou blefando: all in ✖ Tenho um bom jogo: all in
✖ Esse cara está com flush draw: all in ✖ Eu acho que ele está roubando: all in
Quando jogo com profissionais em grandes torneios escuto muito raramente estas palavras, exceto quando estamos em reta final com os blinds gigantescos e os potes monstruosos. Nessa hora todos fazem de tudo para ganhar os potes e roubar os blinds, e daí os all ins tornam-se repetitivos e constantes. E é aí que acontecem as mais errôneas conclusões.
O Johnny Bax deu um all in de 66 do meio da mesa e ele é fera, então isso deve ser certo.
O Phil Ivey pagou um all in de AT off suited, então vou fazer o mesmo.
O Daniel Negreanu deu um all in em cima de um raise e um call e ele tinha 99; é isso mesmo, o negócio é meter ficha e dar all in.
O que as pessoas não percebem é que esses grandes jogadores joga-ram por horas (no caso do online) e por dias (em torneios ao vivo) para chegar bem colocados na reta final dos supostos torneios. Uma vez na reta final, a agressividade impera e
os blinds muitas vezes representam um bom percentual do stack de cada jogador.
EXEMPLO:
Numa final de torneio, mesa com nove jogadores e o dealer é o Player 9.
Player 1 - 320.000 fichas Player 2 - 260.000 fichas Player 8 - 45.000 fichas Player 9 - 30.000 fichas Blinds - 5.000/10.000 - Ante de 1.000 por jogador.
Ou seja, o pote tem 5.000 do small blind+ 10.000 do big blind+ 9.000das
antes= 24.000fichas, antes mesmo da mão começar.
Imaginem que o Player 8 recebeu K
♣
8♣
no cut-off. Ele tem 45K em fichas. O pote já contém mais da metade das fichas que ele possui. Se ele roubar aquele pote ele irá para 69K, sem jogar. Ele vai all in e tenta roubar os blinds. Todos cor-rem e o big blind é o Player 2. Ele sabe que o Player 8 tem enormes possibilidades de estar roubando os blinds. Ele olha sua mão: A7off-suited. Ele dá call e:
1
Player 8 dobra e as pessoaspensam: “Tem que meterficha com K8 mesmo, ainda mais naipado. Poker é meter ficha com coragem”.
2
Player 8 é eliminado e as pes-soas pensam: “Tem que darcall de A7 mesmo, ás é ás.
Poker é ter peito pra chamar com A7”.
Se esses dois jogadores forem o Doyle Brunson e o Gus Hansen, então é que as conclusões serão ainda piores: “Se o Doyle e o Gus fazem isso e eu quero ser um grande jogador, então eu devo fazer o mesmo”. Nada disso. Esses caras jogaram por horas (ou dias) para chegar ali. Deram fold em JJ pré-flop. Largaram AK com um K no board, pois um outro jogador estava dando indício de estar com jogo melhor. Largaram
flush draw, straight draw e top pair
aos montes. Mas essas mãos não foram para a TV!
A TV só mostra a reta final dos torneios. E daí as pessoas que assis-tem a esse momento tomam con-clusões muito erradas. No outro dia, sentam para jogar com seus amigos e enfiam all in a cada dois minutos.
Divido os all ins de jogadores ini-ciantes em quatro classes:
1
ESTOU COM MEDO OU REVOLTADO.Tenho AJ. Subo 3BB pré-flop e recebo um call.
Flop:AJ6. Lindo. Eu dou um bom
bet (igual ao tamanho do pote) e o
cara dá call.
Turn: T. Eu aposto bem alto (o pote outra vez) e o cara dá call.
River:Q.
Caramba, se este cara tiver AQ agora ele fez dois pares maiores que os meus. Se ele tiver qualquer K ele fez um straight. Será??? Eu não mereço. Esse pote era meu. Não é justo. Não pode ser. ALL
IN!!!!!!!!
2
ESTOU BLEFANDO.Tenho KJ. Um cara sobe 4BB pré-flop e eu dou call.
Flop:Q42. Ele aposta pouco e
ALL IN
COLUNA
FEDERAL
American Airlines, Bullets, Pocket Rockets, Pardais
A A
FLOP 13
check e esperar o tamanho da
apos-ta dele. E daí decida se paga ou corre. Não vá all in por medo ou revolta. Você não tem nada a ga-nhar com isso.
No caso 2, caso resolva blefar, aposte 1/3 do stack do seu adver-sário. Não precisa ir all in. Se ele não tiver nada ou uma mão fraca ele vai largar. Não precisa colocar todas as suas fichas num blefe. Se estiver muito forte, ele te dá um
reraise e daí você larga, uma vez que
você não tem nada. Pra que all in?
No caso 3, tente extrair fichas, não é um momento para tudo ou nada. Essa é uma hora para crescer bas-tante. Tente atingir esse objetivo calmamente. Pense na melhor maneira de obter as fichas do adversário. Pra que all in?
No caso 4. Pare com isso, poker não é prova de masculinidade. Poker é um jogo de habilidade e inteligência. Quer provar valentia? Vá fazer Jiu-Jitsu.
ALL IN DEVE SER USADO BASICAMENTE EM 3 SITUAÇÕES:
A) Quando você quer defender a me-lhor mão.
Você tem K
♦
K♣
Flop:K
♥
8♥
9♣
Um cara aposta, o outro paga. Você dá um raise pesado imaginan-do que um está flush draw (com 2 de copas na mão) e o outro está straight
draw (TJ na mão, por exemplo).
Os dois jogadores pagam sua aposta, confirmando seu pensa-mento.
Turn:3
♦
Ufa .... nada mudou.
Um cara sai apostando, o outro continua pagando. O pote está enorme.
All in pode ser um ótimo
movi-mento. Defenda a mão vencedora até o momento. E quem quiser
pagar para ver o seu draw, que pague bastante caro.
B) Quando o adversário avisa que quer entregar tudo.
Você tem AA e sobe 3,5BB. Um cara dá call.
Flop:AT8
Você dá check. Ele dá um raise alto. Você dá um reraise pesado nele. Ele sobe novamente colocan-do metade colocan-do stack dele na mesa, já avisando que não vai largar a mão.
All in. Ele quer entregar tudo e
você não tem como fugir. Só comemorar.
C) Em reta final de torneio
Isso já foi falado exaustivamente acima.
Existem dezenas e dezenas de exemplos de cada um dos tipos de
all ins desastrados que eu citei. Para
cada tipo mencionado, eu teria vários outros exemplos de ações indevidas e incorretas que levam jogadores iniciantes a fazer besteira. Não tenho espaço aqui para esmiuçar todas as situações possíveis. Saiba extrapolar os exemplos dados para o seu dia-a-dia numa mesa de poker.
Não pense que vai aprender alguma coisa sobre como jogar um torneio de poker, vendo somente mesas finais em sites ou na tele-visão. Os all ins sucessivos e a pan-cadaria das mesas finais não são bons exemplos de comportamen-to ao longo dos comportamen-torneios. São exceções, não regras.
Igor “Federal” Trafane
É natural de São João da Boa Vista e reside em Campinas, SP. Seus maiores feitos no poker foram uma mesa final no Sunday Million do PokerStars e a 314ª colocação no Main Event da WSOP 2006, que teve 8.773 jogadores.
eu dou um raise no cara tentando ganhar o pote num blefe. O cara dá call.
Turn:Outro 4.
Esse cara só deu call. Ele não deve estar tão forte assim. Esse outro 4 não ajudou ele em nada. Talvez tenha assustado ele ainda mais. Situação perfeita para roubar. ALL IN!!!!!!!!
3
BATEU MEU JOGO E EU NÃO ME AGUENTO.Tenho 88. Um cara sobe 3BB pré-flop e eu dou call.
Flop: 852. O cara aposta.
ALL IN!!!!!!!!
4
EU SOU MACHO.Tenho A
♥
5♥
. Um cara sobe 4BB pré-flop. Eu dou um raise alto nele. Ele volta um reraise alto. Ele acha que eu tenho medo dele. Eu sou macho. Comigo não. ALLIN!!!!!!!!
O QUE FAZER?
No caso 1, seu all in não tem valor e você não deve apostar nada. Ele pode ter AA, JJ, KQ, AK, AQ, KK, 66 e você está perdido em todos os casos. Você só está ganhando de A6 ou AX. Todas as outras mãos são absolutamente improváveis. De nove prováveis mãos você só está ganhando em duas. Não adi-anta chorar, gritar ou espernear. Se você der all in, ele vai largar qual-quer mão perdedora e dará call só se estiver te batendo. O certo é dar
Cowboys, King Kong, Kangaroos, Ace Magnets, Kaká
K K
14FLOP
Mais uma vez comprovei,
pessoalmente, que o nível das estrelas
internacionais não está tão melhor assim.
A
cabei de chegar de Los Angeles, onde fui enfrentar pela primeira vez uma etapa do WPT - World Poker Tour, o L.A. Poker Classic, e queria com-partilhar com vocês, amantes do poker, um pouco desta minha experiência. Vale lembrar que, de forma inédita, fui jogar este even-to patrocinado pelo Omega Texas Club, o maior clube de poker do Brasil, que vem investindo muito seriamente em nosso jogo.Acredito que minha grande missão nesta coluna seja mostrar para todos os brasileiros que o universo do poker, e daqueles profissionais que a gente vê na televisão, não é um bicho de sete cabeças. Mostrar que, com muita dedicação, estudo e treino, o po-ker brasileiro pode alcançar níveis internacionais de alto re-conhecimento, assim como na verdade já vem alcançando atra-vés do poker online.
P
ara comprovar o que estou dizendo, coloco aqui duas mãos dessa minha experiên-cia no Main Event, onde tive a oportunidade de jogar com dois profissionais dos mais famosos do poker. Um deles é o Gank, muito conhecido do ambiente online. Seu nome é Brett, ga-nhador de um bracelete da WSOP e deten-tor de inúmeros resultadosex-pressivos, tanto online quanto live. Joguei por oito horas na mesma mesa que esta fera e vi mãos que, de fato, mostram que ele possui uma habilidade muito apurada. Entretanto, sem querer desmere-cer seu talento, conheço brasi-leiros que possuem o mesmo nível de habilidade que o dele, e alguns até melhores.
M
eu primeiro pote relativa-mente grande no torneio foi contra ele: minha posição era UTG+1 e eu tinha JJ, então resolvi arriscar e entrar delimp. Muitas vezes tomo esta
decisão com pares baixos e médios por uma questão de
implied odds, pois se eu subo do
começo da mesa, jogando um torneio onde a qualidade dos jogadores é muito alta, provavel-mente irei assustar todo mundo e levar apenas os blinds. Caso alguém suba a aposta mais para o final da mesa, descartando o meu
limp, existem boas chances de
este jogador ter cartas do grupo 1 (AA, KK, QQ, AK), então se eu acertar uma trinca, minhas possi-bilidades futuras de lucro crescem de forma magnífica.
V
oltando à mão: quando a ação chega ao Gank, ele sobe a aposta para 350 (blinds eram 50/100), o dealer dá call e eutam-bém. O flop vem com J82, uma de cada naipe, algo perfeito para a minha situação. Poderia ser me-lhor: quando você trinca um JJ, torce para que o flop tenha um A, K, ou Q, para que alguém naquele pote acerte o seu top pair e a mão torne-se mais lucrativa – mas não foi o caso. Como eu era o primeiro a falar, optei por dar check, esperan-do a resposta esperan-do Gank, que estava puxando a fila naquele pote. Assim como esperado, ele atira 900. O
dealer pensa por uns 20 segundos e
larga as cartas, então eu pensei tam-bém alguns segundos e resolvi ape-nas pagar. Neste momento eu tinha por volta de 12.000 fichas, contra 15.000 do Gank. No turn bate um 6, dando no board duas cartas de espadas. Optei por dar check de novo, mas já tinha na cabeça que se ele apostasse algo em torno de meio pote ou 3/4 do pote eu iria dar um call rápido, para que ele me colocasse em um flush draw. Dei
check e ele dispara 1.900, como
pre-visto. Neste ponto eu já tinha a certeza de que ele não tinha algo muito forte como AA, KK ou QQ, e sim que ele poderia estar com um TT, 99 ou uma hipótese remota de AK, tentando comprar a mesa. Dei um call imediato e fiquei olhando o
river, meio que demonstrando uma
torcida por espadas mas, na ver-dade, apenas tentando passar esta imagem para ele. No river dobra o 2, sem espadas. A princípio fiz uma cara meio desanimada, pensei, pensei, e cheguei à seguinte con-clusão: vou apostar algo em torno de metade do valor do pote, para que ele ache que estou tentando comprá-lo e, se bobear, até volte mais ficha na minha cabeça, que era tudo o que eu mais sonhava. Disparei uma aposta de 4.100. Ele
L.A. POKER
CLASSIC
COLUNA
ANDRÉ AKKARI
Ladies, Bitches, Mulheres, Minas, Siegfried and Roy
FLOP 15
gastou alguns segundos e neste tempo eu apliquei uma cara de ner-vosismo, para simular uma tentati-va de blefe meio amadora, aí ele me peguntou: “Você estava flush
draw, né, Brasil? (era como a mesa
me chamava) Você tem AQ de espadas, né?” Eu não falei nada, fiquei quietinho, meio com cara de preocupado, aí ele anuncia o call e mostra 99, e eu apresento o meu maravilhoso e robusto full de J com 2 e escuto: “Nice hand, Akkari”.
J
á estive em situações iguais a esta com jogadores brasilei-ros, que souberam driblar es-tas armadilhas que o baralho apronta. Não quero colocar em discussão a qualidade deste pro-fissional, mesmo porque o cur-rículo dele fala por si só, mas é apenas um exemplo de que o poker jogado por estas feras pode ser alcançado pelos profissionais brasileiros com muita dedicação.O
utra mão muito interes-sante foi contra um dos grandes jogadores do cir-cuito live, Thor Hansen. Ele tem mais de 1 milhão de dólares em premiação, bracelete da WSOP e tudo o mais, mas veja esta mão e note como até um profissional deste gabarito pode cometererros aparentemente amadores: Eu era UTG e venho com AKs; os blinds a esta altura estão 200/400 e disparo 1.100. A mesa roda em fold e quando chega no Thor, no small blind, ele resolve dar call. Eu senti, minutos antes, que ele estava meio que impli-cando comigo no jogo, por ter tomado alguns reraises quando tentou roubar meus blinds, coisa e tal... Talvez por isso o call dele, tentando me soltar do pote
pós-flop por sua imagem. O pós-flop vem
AA9, um sonho, né? Como neste caso, nesta mesa e com este nível, um check chega a ser uma assinatura de slowplay, eu saí dis-parando 2.500. Ele pensa, pensa e pensa, e resolve dar call. No
turn a estrela brilha e aparece um
K de espadas, o que eu mais que-ria. Neste momento dou check e ele, sem pensar muito, dá check também. A esta altura eu tinha 28.000 em fichas e ele por volta de 14.000. No river dobra o 9, eu disparo 3.000 e ele, sem pensar sequer dez segundos, anuncia all
in. Eu dou call imediato e ele
mostra AT, full de A com 9 e eu
full de A com K.
N
a minha modesta opinião, a volta dele de all in não faz muito sentido, sendo que elesó iria ser chamado para empatar o pote ou para perder. Novamente não quero julgar um cara que tem prêmios e prêmios na minha fren-te, mas acredito ter sido um erro que lhe custou o torneio de forma desnecessária, um torneio que era para durar cinco dias. Por este pote, durou apenas nove horas, sendo que, se ele apenas desse call na minha aposta, iria perder, mas con-tinuar com 11.000 fichas, e comple-tamente no jogo ainda. Como eu subi a aposta de UTG, não vejo razões para ele não me dar AK.
Tinha muita vontade de com-partilhar estas mãos com vocês, realmente para mostrar que até os gigantes tomam decisões equivo-cadas. O poker é um esporte dinâ-mico demais e, principalmente num longo torneio de poker, se faz necessária uma concentração em tempo integral. Você não pode se dar ao direito de errar, a qualquer momento, mesmo que você não esteja envolvido no pote. As infor-mações estão passando pela sua frente, cabe a você digeri-las e processá-las da melhor forma, para quando o pepino estiver na sua mão você fazer sempre a coisa certa, derivada das informações que você possui. Somente este tipo de filosofia irá levar você a uma lucratividade de médio e longo prazo.
André Akkari
É sócio da Revista Flop, do site SuperPoker, e um dos maiores jogadores de torneios de Texas Hold'em do país. Seus resultados online e ao vivo crescem a cada dia desde que decidiu se dedicar somente ao poker, há pouco mais de um ano.
SITES ÚTEIS
Akkari - www.aakkari.com.br Gank - www.gankowns.com
Jokers, Hooks, Ganchos, Anzóis, Jay Jay
J J
16FLOP
Vista superior da mesa final, em all in entre Rafael Caiaffa e Ricardo Fernandes.
TORNEIO DE
INAUGURAÇÃO
OMEGA
TEXAS
CLUB
Segunda-feira, dia 5 de fevereiro
às 5:40 da manhã. Dentre exaustos
competidores e torcedores, Kima
levanta os braços: é o vencedor do
maior torneio de Texas Hold'em
já realizado no Brasil. Até chegar
ali, teve que superar 413 jogadores
de todos os cantos do país;
iniciantes, amadores e profissionais.
T
udo isso começou horas e horas atrás, na sexta-feira, dia 2 de fevereiro. O torneio anunciava R$ 70 mil reais de prêmios garantidos e, quando o relógio se aproximava das nove horas da noite, o que se via ainda era um mar de gente se espremendo no lobby do Omega. A tarefa mais árdua para os organizadores era fazer com que os participantes fizessem suas inscrições e sentassem em suas mesas, já que a imensa maioria queria colocar a conversa em dia e[[
Omega 70K
]]
Dimes
T T
➧
FLOP 17
18FLOP
insistia em se juntar em rodinhas, o que atrasava mais ainda o início deste que viria a ser um marco para o poker no Brasil.
Finalmente o jogo se inicia e o que se vê é uma mistura de estilos: jovens estudiosos seguindo as car-tilhas, calling stations, agressivos, “baralhões”, tinha de tudo. O que dava justamente um belo resumo do universo do poker brasileiro e uma imensa emoção a cada ficha apostada.
Quarenta minutos de jogo, blinds 50-100, quando ouvimos o anún-cio de Luciano Lutkus, o diretor do evento, trazendo a primeira elimi-nação. É um sinal que acaba com o
clima de festa para muitos, lembrando a todos que estão ali por um propósito bem claro: sobreviver aos treze níveis de blinds e, se tudo der certo, chegar ao domingo com um stack confortável.
Duzentos jogadores, sanduíches e bebidas à vontade
por quinze minutos em um lobby lotado. Quem já esteve em um grande torneio sabe muito bem qual é o único assunto que se ouve: bad beats. Aos mais atentos, já se notava um crescimento exponencial de
partici-pantes nas mesas paralelas de
sit-and-go.
Quem preferiu jogar na sexta-feira para “fugir” das grandes estrelas que viriam no dia seguinte, não teve assim tanta facilidade. Acabou tendo que enfrentar jogadores como Armando “Quaribravo” Per-rone, Leandro “Brasa” Pimen-tel, Salim Dahrug, Leonardo Bello, Marcelo “Carabina” Amadeu, Felipe “Billy” Bos-solani, Victor “Vitão” Marques e Rodrigo “Zidane” Caprioli, entre dezenas de feras.
O dia já está claro quando soa o alarme do final do 13º nível de
blind, e os 44 jogadores restantes respiram
alivia-dos. Com a previsão inicial de que 70 a 80 jogadores passariam em cada dia, este número surpreendeu a todos, talvez confirmando que o nível de jogo nas mesas era agressivo e de alta instabilidade. Dentre os sobreviventes, Vinícius Bim, de São Caetano, despontava como chip leader, com 133.000 fichas.
Sábado, 3 de fevereiro. Às nove horas da noite a situação já está bem mais adiantada do que no dia anterior, já que hoje a organização trouxe mais fun-cionários e melhorou o sistema de inscrição dos competidores. Praticamente sem atrasos, dá-se o início deste segundo dia com André Akkari, Christian “C.K.” Kruel, Raul Oliveira, Igor “Federal” Trafane, Omar Abede, Vinícius Mar-ques, Daniel “Tevez” Cantera, João “Vovô Leo” Monte e os irmãos Thiago e Bruno Carriço, entre mais de 200 jogadores.
Entre blefes fantásticos e jogadas bisonhas, um a um os jogadores vão caindo, com destaque para a queda de André Akkari a três minutos do final do dia, num coinflip de ATo contra seus 99. Perto dele estava o chip leader do dia, Rodrigo Garrido, de Santos, com mais de 150.000 fichas.
Rafael Caiaffa, um dos fortes representantes mineiros, que vieram em peso. Paulo Pesotti, o jogador local melhor classificado.
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Omega 70K
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Phill Hellmuth, Wayne Gretzky
9 9
FLOP 19
Quebrando novamente a previsão dos organi-zadores, e por uma incrível coincidência, ao final deste segundo dia temos exatamente 44 jogadores, fazendo assim com que a grande final de domingo se inicie às quatro da tarde com 88 participantes em briga pelo bracelete de ouro e mais de R$ 20 mil ao campeão, notando que prêmios seriam pagos até o 41º colocado.
Vem o domingo e os participantes começam a chegar ao Omega, em São Bernardo do Campo, a partir da uma hora da tarde, aproveitando mais um belo almoço de cortesia aos participantes e torce-dores. Com a chegada, uma surpresa: a mesa final não está montada no salão inferior, como planeja-do, e sim exposta no salão superior de torneio, exatamente abaixo do vão do mezzanino, dando uma incrível visão superior para a “arquibancada”, no restaurante. Ali na mesa, os troféus para os três
primeiros colocados, o bracelete do campeão, e quase R$ 100 mil em maços de notas. Ao menos 88 pessoas sentiam um frio na barriga…
O início do dia parecia apontar para um rápido desfecho: com duas horas de jogo, metade dos fina-listas já estava eliminada. Mas, ao chegarmos próx-imos do bubble, o jogo começou a ficar natural-mente travado. Com buy-in de R$ 100,00 e direito a dois re-buys e um add-on, o prêmio do 37º ao 41º era de R$ 480,00.
Mas uma hora a bolha tem que estourar e, mesmo assim, seguiu-se o torneio com um jogo amarrado até a proximidade da mesa final. Foi neste momen-to que tivemos um intervalo para o jantar, com piz-zas à vontade para todos os presentes, jogadores ou não. Foi um clima surreal para quem pôde ver a chegada das mais de 60 pizzas, trazidas pelo dono da pizzaria e seus ajudantes, felizes da vida.
Kima, na mesa final. Horas
e horas de um jogo técnico.
Snowmen, Bonecos de Neve
8 8
➧
20FLOP
Dá-se o reinício do torneio com a mesa final lota-da de torcedores e observadores, tanto na arquibancada superior como no entorno da área isolada aos jogadores. O jogo segue duro até a primeira baixa, quando o short stack Paiza é elimi-nado por Rodrigo Garrido, que voltou à condição de chip leader.
Daí para a frente passam-se horas até as próximas eliminações, chegando aos três finalistas, quando então voltam para a mesa os troféus, o bracelete e os prêmios em dinheiro. É neste momento, por volta das 4h30 da manhã, que ocorre uma das mãos decisivas. Kima anuncia raise quando Caiaffa pensa e volta all in, prontamente pago por Kima. Com
O salão superior do Omega, lotado minutos antes do início da primeira eliminatória.
Após o jantar o jogo seguiu lento até a proximidade da meia-noite, quando cai o 11º colocado, que estava com o short stack, em um all in pago por dois com-petidores. Rapidamente monta-se a mesa final, que iniciaria com os blinds 20.000-40.000 e ante de 2.000, com os seguintes competidores:
MARCO MARCON Curitiba, PR 666.000 fichas RODRIGO GARRIDO Santos, SP 592.500 fichas HUMBERTO “KIMA” KIM São Paulo, SP 557.500 fichas RAFAEL CAIAFFA Belo Horizonte, MG 489.500 fichas RICARDO FERNANDES São Paulo, SP 448.000 fichas PAULO PESOTTI São Caetano, SP 444.500 fichas MARCO TÚLIO BARBOSA Uberlândia, MG 415.000 fichas SOLANGE “XT” GROSSO Indaiatuba, SP 328.500 fichas WESLEY ONISHI São Paulo, SP 261.000 fichas MAURÍCIO “PAIZA” PERRELLA São Paulo, SP 226.000 fichas
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Omega 70K
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Sunset Strip, Walking Sticks, Bengalas
7 7
mãos dignas de mesa final, Caiaffa apresenta KK para ver, com terror, o
AA de Kima. Um A na mesa tranquiliza Kima, que segue soberano para o heads-up com Paulo Pesotti, o representante local do ABC, que esteve com o
short stack em quase toda a mesa final.
Após poucas mãos e idas e vindas de fichas de um lado ao outro da mesa, Paulo dá um raise padrão no
blind de Kima, que volta em Paulo e acabamos num
all in. Paulo mostra-se dominado, com seu A
♠
4♠
contra A
♣
J♥
de Kima. Ambos se levantam e odealer Haroldo vira um flop de 2
♥
J♣
T♣
, dando aKima seu par de J. Os 4 de Paulo não aparecem no
turn e river, dando o bracelete de campeão a Kima.
Quem sai dali já na manhã, cansado após três dias de evento, ainda não parou para pensar que acabou de presenciar e participar de um evento que mudará o panorama do poker no Brasil. Ficou provado que existe o imenso mercado, e também existe o clima de confraternização e união entre competidores e organizadores de cada estado brasileiro. A troca de informações, métodos e dicas será muito valiosa para os circuitos regionais, que fortalecem o nosso jogo dia após dia.
Cabe a nós apenas parabenizar toda a equipe do Omega Texas Club, pela dedicação e esforço no planejamento e execução deste grandioso evento. ■
Pergunta 1:
Opção A, apenas pagar - 2 pontos. Opção B,raise para $6.000 - 3 pontos. Opção C, dar all in - 0 pontos.
Pagar o BB, dando limp, é uma escolha equivoca-da, mas comum, numa mesa cheia; e uma jogada razoável numa mesa short-handed. Um limp numa mesa cheia encoraja outros limps, portanto é um erro fazê-lo com um par alto. Dar all in antes do flop é uma jogada de iniciante, pois o que você quer é fazer algum dinheiro com essa mão, e não espan-tar todo mundo. Portanto, o mais correto é aumen-tar para 3x o BB.
Pergunta 2:
Opção A, apenas pagar o reraise - 4 pontos. Opção B, dar um reraise para $30.000 - 2 pontos. Opção C, dar all in - 2 pontos.
Primeiramente, note que o mini raise em si é uma jogada muito estranha, mas lembre-se de que seu oponente fez isso por alguma razão. Se você con-seguir descobrir essa razão, já terá uma dica imen-sa de qual é a mão dele.
Uma possibilidade é um par alto, como KK ou QQ. Ele pode pensar que você deu raise com duas car-tas alcar-tas ou com um par menor: “Quero aumentar o pot, com esse mini raise, ao mesmo tempo dando bons odds. Meu oponente vai pensar que estou fraco e pode tentar me forçar para fora do pot. Dando chance para o reraise, eu posso con-seguir todo o seu stack antes mesmo do flop”.
Outra possibilidade é um par médio, como 99 ou 88. Ele pode estar pensando que pode jogar con-tra duas cartas altas numa boa, mas precisa saber se está contra um par maior: “Nossos stacks estão grandes, então se o flop vier baixo, eu posso perder muitas fichas jogando contra um par maior que o meu. Se ele der um reraise alto, eu posso me livrar da mão facilmente”.
Eu não daria o mini raise, então não acho nenhum dos argumentos acima correto, mas ao tentar descobrir o porquê da jogada, você consegue estreitar as mãos possíveis de seu adversário.
Você está tendo odds de 3,5:1 para pagar, e terá posição sobre o BB depois do flop. Qualquer mão boa o suficiente para se dar raise de early position é forçada a, no mínimo, pagar.
Nós podemos, é claro, dar reraise, já que somos grandes favoritos contra quaisquer duas cartas. Porém, note que os argumentos anteriores sobre montar uma armadilha com AA já não são válidos. Estamos jogando contra apenas um oponente, por-tanto o trap é uma alternativa válida. É um movi-mento dissimulado, e passa a imagem de que aumentamos com algo como AQ, AJ, ou um par médio. Nosso objetivo agora é ganhar um pot muito grande com uma boa jogada depois do flop. Dar all in pode afugentar muitas das mãos que estamos querendo jogar, mas pode também ser pago, o que
faria a mão muito mais fácil de ser jogada.
Pergunta 3:
Opção A,fold - 0 pontos. Opção B, pagar a aposta - 3 pontos.
Opção C, dar um raise para $30.000 - 0 pontos.
Opção D, dar all in - 0 pontos.
Não foi o melhor dos flops. Duas das mãos que poderiam estar contra a nossa, KK e JJ, acabaram de virar trincas. Uma mão improvável, mas possível – um KJ – virou dois pares. É improvável que um 66 tenha dado um mini raise pré-flop, portanto essas são as três mãos que gan-ham da nossa.
Seu oponente fez uma aposta de pouco menos da metade do pot. Muitas mãos podem ter feito essa aposta para ver se acabavam com a jogada imedi-atamente. Se tivéssemos algo como TT ou 99, por exemplo, seria difícil para nós pagarmos, com duas cartas maiores que nosso par no board. Eu não tentaria ler essa aposta com muita força, pois o BB está sem posição e precisa fazer algo, mesmo não tendo acertado o flop.
Acho que estamos na frente, mas não estou con-fiante o suficiente para colocar um raise e ter uma surpresa desagradável. Nós temos posição, então vamos apenas pagar e ver se nosso oponente con-tinua atirando.
Pergunta 4:
Opção A, bater mesa - 0 pontos. Opção B, apostar $20.000 - 3 pontos. Opção C, apostar $50.000 - 0 pontos. Opção D, dar all in - 0 pontos.
O turn foi inofensivo e a mesa do oponente foi uma boa notícia. Hora da famosa aposta “vem cá, minha nega”. Um bom número é apostar $20.000, cerca de 40% do pot, o que deve manter o adver-sário na coleira. Nenhum crédito para a alternativa A, bater mesa. Não há razão para assumirmos que estamos atrás. É até possível, mas improvável. Enquanto achar que está na frente, continue aumentando o pot. Nenhum crédito para apostas muito altas também, você não quer que alguém com apenas um par de reis ou valetes se sinta amedrontado e fuja.
Pergunta 5:
Opção A,fold - 0 pontos.
Opção B, pagar mais $20.000 - 2 pontos. Opção C, dar all in - 10 pontos.
Nós tomamos um check-raise, mas a mesa está oferecendo odds de 5,5:1. É um check-raise muito atípico, bem como o mini raise antes do flop.
Você não pode largar seu overpair com odds de 5,5:1, tendo posição. A explicação mais simples é a de que seu oponente gosta de miniapostas, e
não podemos concluir nada sobre a força de sua mão. Ainda ganhamos da maioria das mãos que jogariam contra nós antes do flop e as odds são ótimas, então vamos nessa!
Se você pagar, a mesa terá $131.000, você terá $56.000 e ele $46.000. Com o tamanho das blinds e antes, ambos estão pot committed. Você provavelmente está na frente nesse momento, jogando contra algo como AK, KQ, AJ, basicamente um único par de reis ou valetes, fazendo com que o oponente tenha poucas outs no river. Se você está contra uma trinca de reis ou valetes, é uma pena, mas você vai perder todo o seu stack no river de qualquer jeito.
Também existe a possibilidade de ele ter algum draw, com uma mão como AQ ou QT. Nesse caso, você pode ser chamado agora, mas não será no river. De qualquer jeito, não faz muito sentido espe-rar mais. O pot cresceu consideravelmente e sua mão é forte o suficiente. Empurre todas as suas fichas para o centro da mesa e veja o que acontece.
Pergunta 6:
Opção A, bater mesa - 0 pontos. Opção B, apostar $20.000 - 2 pontos. Opção C, dar all in - 5 pontos.
Mais boas notícias. Nenhuma seqüência pode ter sido formada e o BB bateu mesa no river, uma jogada extremamente arriscada se ele tem uma trinca. Todas as evidências apontam que temos a melhor mão, então temos que apostar. A pergunta é: quanto?
Com o pot enorme e stacks relativamente pequenos, a jogada correta é novamente dar all in, se você não deu antes. É tentador apostar um valor menor na teoria de que será mais fácil para seu oponente pagar, mas isto é uma ilusão. Se você apostar $20.000, seu oponente tem odds de 7,5:1. Se você dá all in suas odds caem para 4,5:1. Existem mãos que pagariam a aposta pequena, mas fugiriam do all in? Nesse ponto do torneio, provavelmente não, portanto dê all in.
Você acaba apostando $20.000 e o BB dá fold (ele tinha AhQc).
Teste criado por Fábio Cunha, baseado em testes da internet e de Dan Harrington.
SB $30K B $120K A $16K BB $110K Blinds: $1.000/$2.000 Antes: $300 Pot: $5.100 E $50K D D $70K C $150K
Resposta
Jogando com AA
Kicks, Route 66
66
Confira a pergunta na página 11
22FLOP
É difícil passar um dia na comunidade
sem que alguém poste algo sobre uma
mão que era favorita até o turn ou o
river e então... bate a carta milagrosa do adversário (ou,
como veremos daqui para a frente, não tão milagrosa assim).
A
posto que todo mundo que já disputou algum torneio já ouviu essa conversa: “Nossa... tô muito bravo, eu tinha A♥
K♦
e perdi para 7♣
8♣
!” Ou então, a frase campeã: “Putz... eu tinha AA e perdi para xx (coloque aqui quais-quer duas cartas).” Ou ainda: “Poker online é uma porcaria, sem-pre perco com a melhor mão.”Eu já jogo poker há algum tempo, particularmente Texas Hold’em, e posso dizer com uma certa segurança que já vi e sofri todas as bad beats possíveis e ima-gináveis. Sem sombra de dúvida, a maioria das jogadas de que o pessoal reclama não é bad beat, e sim mãos nas quais eles são ligeiramente favoritos e perdem. Além disso, as pessoas tendem a ter memória seletiva, e não costu-mam lembrar das vezes em que acharam uma carta milagrosa no
river, ou então quando tinham a
melhor mão e ela venceu. Não... eles só lembram das que perder-am.
Pensando nisso resolvi criar algumas situações e exemplos de
mãos que geralmente costu-mamos ver, para saber quais podemos chamar de bad beats, e quais são situações normais de jogo. Todas as porcentagens foram calculadas utilizando o pro-grama PokerOdds versão 2.52, com um valor de amostragem de 100.000 mãos.
PAR SOBRE PAR E MÃOS DOMINADAS
Numa mão na qual alguém tem 7
♣
7♠
e alguém tem 9♦
9♣
, o par de 9 sairá vencedor em 81,2% das vezes.Numa mão na qual alguém tem A
♦
K♦
e alguém tem A♣
9♣
, o AK sairá vencedor em 68,9% das vezes.Note que, pré-flop, é difícil você estar melhor do que nas situações acima e, mesmo assim, você vai perder uma vez em cada cinco com um par maior. Mesmo assim, as duas situações acima consistem em
bad beats, caso a melhor mão perca.
ALGUMAS MÃOS MAIS INTERESSANTES A
♣
9♦
x K♥
T♥
- O A9 é apenas 53,8% favorito A♣
Q♦
x 7♠
8♠
- O AQ é apenas 58,1% favorito A♣
K♥
x 2♦
7♠
- O AK é 66,9% favoritoA
♥
K♥
contra duas cartas quais-quer - O AK vence em 66,1% das vezesDeu para ver pelos exemplos acima que ter a carta mais alta antes do flop, quando não é par ou quando você não tem o adver-sário dominado, não é grande coisa. Você vai perder duas em cada cinco vezes, no mínimo, em qualquer uma das situações acima.
DEPOIS DO FLOP, A
COISA COMPLICA MAIS AINDA
Vamos supor que você tenha A
♥
K♥
. Você dá raise pré-flop e um jogador dá call. No flop vem A♠
6♦
9♦
. Você aposta... e ele volta em você all in. Você, todo feliz, paga. Ele então abre 7♦
8♦
. Você acha que está muito na frente?Pois saiba que você vai perder essa mão em 56,2% das vezes. Mesmo se o flop viesse algo como
Bad Beats?
COLUNA
POKER MANIA
Nickels, Presto, Speed Limit
5 5
FLOP 23
A
♠
3♦
Q♦
, você ainda perderia em 36,5% das vezes. Os flushdraws acertam com essa
freqüên-cia.
Ou então você entra numa mão com 8
♣
8♠
. O flop vem 2♥
3♥
7♠
. Mais uma vez você dá all in e o adversário dessa vez mostra A♥
K♥
? Você é favorito? Quem acha que é, errou de novo. Você perde essa em 55,1% das vezes.A FORÇA DO AA
E o par de Ases? Ele parece invencível, né? Você resolve en-tão não dar um raise muito grande, para manter o maior número pos-sível de jogadores na mão e ga-nhar um pot monstruoso.
Veja a força do AA contra mãos randômicas, e contra mais de um jogador:
AA contra um jogador vence em 85% das vezes; contra dois jogadores vence em 73% das vezes e contra três
jogadores vence em 63,6% das vezes.
Viu como vai piorando? E isso é pré-flop, pois piora ainda mais se a-parece no board algo como 5x6x 7x, algo dobrado como KKT, ou coisas do tipo.
Por isso, sem-pre tenha em mente algumas
coisas antes de reclamar de uma
bad beat:
➔
Você jogou corretamente a mão em cada rodada de apostas? Ou deu chance de alguém lhe dar um suckout?➔
Poker é um jogo de longo prazo. Você não mede seus resul-tados em um dia, e sim em um ano.➔
Se sua mão não dominar a mão do adversário, mesmo com a pior mão ele vai conseguir ganhar de você com uma boa freqüência.➔
Marque as pessoas que lhe deram bad beats com jogadas fra-cas. No online, coloque uma ano-tação. No live, lembre-se da pes-soa. Da próxima vez, você saberá que tal jogador não joga bem e poderá ajustar sua estratégia de acordo.E, lembre-se, todo jogador, profissional ou amador, bom ou ruim, iniciante ou experiente, vai tomar várias bad beats
na vida. Faz parte do jogo. O grande jogador Bobby Baldwin dizia que, quando alguém joga bem, essa pessoa vai receber muito mais bad beats do que aplicá-las. Um bom jogador, quando está all in, geralmente tem a melhor mão. Então, por incrível que pareça, as bad beats acabam mostrando que você, pelo menos em grande parte do seu jogo, está tomando a maioria das decisões certas.
Se você acabou de levar uma grande bad beat, evite abrir outras mesas ou torneios online. Vá assistir televisão ou dar um passeio (o videogame, nessas horas, é sal-vador pra mim). Jogando ao vivo, quando possível, dê uma voltinha de pelo menos cinco minutos. Você vai perder umas mãos e uns blinds, mas é melhor do que entregar o resto das fichas, estando irritado.
Agora, o mais importante: não seja um daqueles chatos que vive reclamando das bad beats que tomou. Todo mundo já levou as suas e ninguém suporta um cara que só fala nisso, a todo momen-to. Além de ser inconveniente, traz um clima muito pesado para a conversa e para o jogo, e isso afasta as pessoas de você.
Fábio Cunha
natural de São Paulo, é o criador e moderador da comunidade Poker Mania no Orkut, além de ser um dos melhores jogadores brasileiros na modalidade Omaha Hi-Lo.
Sailboats, Barcos a Vela
4 4
24FLOP
Poker em
[[
Tower Cruise
]]
Iniciativa inédita do site Tower Torneos contou
com alguns dos melhores jogadores do país, que
enfrentaram as cartas e o balanço do mar, no
enorme MSC Armonia.
Fotos de Alexandre Heller
Poker em
Iniciativa inédita do site Tower Torneos contou
com alguns dos melhores jogadores do país, que
enfrentaram as cartas e o balanço do mar, no
enorme MSC Armonia.
Fotos de Alexandre Heller
FLOP 25
alto-mar
alto-mar
26FLOP
D
uzentos competidores em três dias de puro poker na costa brasileira. Este foi o 1º Tower Brazilian Cruise, evento realizado pelo site Tower Torneos e organizado pela Nutzz! Eventos à bordo do navioMSC Armonia, que terminou com
total sucesso. Com a presença de grandes estrelas como Igor “Federal”, André Akkari, Omar Abede, entre muitos outros, este foi o primeiro grande evento nacional a ser transmitido pela tele-visão, no caso, o canal Fox Sports International.
Tudo começou no porto de Santos, onde a cada minuto chegavam jogadores e familiares vindos de táxis e ônibus fretados saídos da Zona Sul de São Paulo. Após curta espera, todos se dirigiam ao navio e suas cabines, para rapidamente se apre-sentar no Armonia Lounge e confirmar
suas inscrições e turnos de jogo. Com o apito do navio anunciando a partida às 17h30 do domingo, os participantes do 1º turno logo se reuniram para dar início ao evento. Além de enfrentar as cartas e bad
beats, teriam também que enfrentar
um miniciclone tropical, que fazia o navio balançar e muita gente dividir seus estoques de Dramin. O jogo seguiu madrugada adentro com pou-cas baixas e, já na segunda-feira, o 3º turno teve a sorte de poder jogar sua fase eliminatória com o Armonia já ancorado em Búzios.
Após o descanso e passeio dos que tinham o dia livre,
os 140 jogadores que restaram se encontraram em duas fases semifi-nais na noite de s e g u n d a - f e i r a , com um mar bem mais suave, para dar seqüência a mais
seis níveis de blinds. Foi neste momento que ocorreram as maiores baixas, quando restou apenas um terço do field para o dia final.
Terça-feira, o dia da grande final. Após dois dias de muito trabalho, este foi o único momento em que o
pessoal das equipes de organização e da televisão puderam aproveitar o navio e a viagem, já que o evento reiniciaria apenas às 16h30. Como coin-cidência, este foi o dia com melhor clima da viagem, em que um sol fortíssimo agraciava os participantes, que confraternizavam na área da piscina com seus familiares.
Enquanto o Armonia passava pela Baía de Guanabara em retorno a Santos, os finalistas tomavam seus assentos para o que seria o final da maratona. Foi quando uma ótima notícia se espa-lhou entre os grupos de jogadores: Fábio “Deu_Zebra” Monteiro acabara de sagrar-se campeão no evento de PL Omaha com rebuys da série FTOPS do Full Tilt Poker, um dos maiores feitos de um brasileiro no cenário mundial até o momento, e uma ótima estréia no primeiro mês de atuação do Superpoker Team.
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Tower Cruise
]]
O campeão Marcelo Asensio levou o prêmio, um imenso troféu e um belíssimo fichário de cerâmica. Crabs, Caranguejos 3 3 ➧ Tower_JM.qxp 4/19/07 7:34 PM Page 26
Enquanto Sérgio Braga recebia uma massagem (acima), alguns jogadores aproveitavam a piscina do Armonia (esquerda). Eduardo Marra, Federal e Juliano Maesano se encontraram na semifinal da mesa televisionada (direita), e Fabiano Lemos (abaixo à esquerda) ergueu a taça de vice no Main Event, que teve a presença de Rodrigo “Zidane” Caprioli (abaixo à direita, de chapéu).
28FLOP
Com uma hora de jogo, Igor “Federal”, na mesa principal da TV, entra de raise em uma mão com A5o e é pago por um jogador. Com um flop de A98, Federal aposta e é chamado. No turn temos um J, o outro jogador pergunta quantas fichas restam com Federal e declara all in. Federal paga e seu oponente mostra 9Jo. O river não salva Federal, que cai na 48ª posição, conseguindo sair no minuto exato do encerramento das inscrições para o torneio Second Chance, que ele viria a ganhar horas depois.
Um pouco em seguida temos uma mão muito curiosa, onde Eduardo Marra anuncia all in na mesa da TV, prontamente pago por André Akkari, que anuncia o seu all in over the top. Os dois são pagos por um terceiro, Luis Carlos Barreto Fonseca, também em all in. Marra apresenta KJo, Akkari A5o e Luis Carlos AA. Um board de QJ89T traz uma seqüência na mesa, com uma seqüência maior até K para Marra, eliminando Luis Carlos e deixando Akkari com pouquíssimas fichas, em all in mode.
Com um pouco mais de três horas de jogo corrido na final, estamos na bolha com 21 jogadores, quan-do estes decidem tirar R$500,00 quan-dos três primeiros colocados e premiar o 21º com R$1.500,00. Com uma explosão de aplausos, todos se sentem mais aliviados e o jogo volta a ser mais aberto.
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Tower Cruise
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Já na proximidade da mesa final, o Armonia se aproxima de Santos e novamente os jogadores têm de enfrentar um velho adversário: o balanço. No momento da formação dos dez finalistas, o que se vê é um enorme equilíbrio, com metade da mesa composta de jogadores classificados online pelo Tower Torneos, e a outra metade de joga-dores experientes no circuito live brasileiro.
Este equilíbrio e a posterior confraternização entre estes dois mundos distintos de jogadores é um fato importante que possibilitará a entrada de novos amadores e semiprofissionais no circuito brasileiro, ao mesmo tempo em que ratifica a séria pretensão do Tower e o nível de seus jogadores.
A mesa final correu rapidamente com muitas baixas e terminou com uma surpresa: Marcelo Asensio de São Paulo, que entrou na mesa final na 10ª posição, bateu os outro oito oponentes e Fabiano Lemos do Rio de Janeiro, no heads-up, para levar o troféu de campeão, junto com o prêmio e um belíssimo fichário de cerâmica.
Com o sol raiando durante a cerimônia de pre-miação, os últimos participantes e torcedores seguiram dali direto para o restaurante Marco Polo, onde se juntaram ao restante dos passageiros para o último café da manhã. ■
1º
Marcelo Asensio2º
Fabiano Lemos3º
Eduardo Parra4º
Eduardo Marra5º
Fernando Issas6º
Kiko Bicudo7º
Eduardo “Seqüela” Fernandes8º
Paulo Amaral9º
Sérgio Braga10º
Sandro “Nordeste2” Brillantino 9º 4º 1º 5º 8º 7º 2º 6º 10ºDucks, Dois Patinhos
2 2
4 NOITES À BORDO DO MSC ÓPERA
500.000
GARANTIDOS EM PREMIAÇÃOR$
30FLOP
O
título que escolhi é bem propício para o momento que apenas marca o início do boom do Texas Hold'em no Brasil. Estamos em 2007 e o número de adeptos cresce de forma tão grande que o mercado latino-americano, independente-mente de futuras e antigas ações relacionadas ao poker online nos EUA, tornou-se um mercado em potencial. Fico muito feliz em saber que eu e o Raul contribuímos de certa forma para isso tudo, mas esta grande febre era uma questão de tempo. Por acaso, eu fui o primeiro a dar “a minha cara a tapa”.A identidade do Brasil com este jogo é realmente fascinante, exis-tem muitos jogadores talentosos formados, e se formando, e muitos se identificam comigo. Sou extre-mamente grato às palavras tão motivantes que recebo até hoje, até daqueles que me condenam e não se identificam com meu jeito de jogar, pois também são impor-tantes, já que isso realmente faz parte do que eu venho chamando dessa busca à glória em que os torneios e os jogadores competi-tivos se envolvem!
Eu tenho meus ídolos assumi-dos no Brasil: Akkari, Federal, Thiago Carriço e Raul são sim-plesmente geniais para mim.
Saber que inspirei caras como o Akkari e o Tcarrico é um grande orgulho. E ter todos eles como amigos hoje em dia, mais impor-tante ainda. E se os respeito tanto, saibam que não é por ape-nas serem grandes gênios no jogo, mas por ter certeza, mesmo sem conhecer intimamente todos, que são pessoas de grande caráter.
M
as falando um pouco do jogo e nem tanto no “campo técnico”, vou dividir com vocês um pouco do que acredito ser a receita para o sucesso e a glória pessoal. No longo prazo, o seu resultado vai depen-der das suas decisões, pois o Texas Hold'em é um jogo muito subjeti-vo e suas atitudes devem ter sem-pre uma expectativa positiva (EV+), que é exatamente ocon-ceito de eqüidade positiva. Ou melhor, suas decisões devem gerar um retorno positivo a longo prazo. Parece bem óbvio falar isso, mas tomar decisões no poker está longe de ser simples e fácil, podem ter certeza. Você tem sempre três opções: dar call, dar fold ou dar
raise, e cada ação desta com o
cenário em que você se encontra gerará uma expectativa, e assim o
seu objetivo se torna escolher aque-la ação com maior e melhor expec-tativa possível.
Vejam esses dois exemplos que darei, que aconteceram comigo na semana em que escrevi essa colu-na. Seria impossível dar outros exemplos, a não ser estes dois, até porque eles envolvem mais do que o conceito de eqüidade, eles exigem um controle emocional muito grande para você não se ver em tilt na mesa. A seqüência destes dois AA aconteceu, sem exagero nenhum, em menos de 20 mãos na mesa de No-Limit 25-50.
E
u vinha jogando uma mesashort-handed com apenas
quatro jogadores, neste que era um jogo tipicamente
ultra-agressive. Já havia construído quase
50% do meu cacife inicial, quando recebo o primeiro AA no big blind:
TEXAS HOLD'EM:
UMA REALIDADE
NACIONAL!
CK
Neste jogo, é importante tomar sempre as
decisões corretas e aceitar os resultados
de curto prazo, sem perder o foco.
COLUNA
Big Slick, Anna Kournikova
A K
FLOP 31
o dealer dá raise de 4x o BB, eu dou um reraise com cerca de 6x o raise dele e, para minha surpresa, instan-taneamente o dealer volta all in. Eu, com AA, dou call, logicamente, e com certeza com eqüidade positi-va nessa situação, a não ser que meu adversário também estivesse com AA, o que era muito improvável. O board veio KKxxx e meu adversário abre no river os seus KK... Essa doeu!!!
D
ei re-buy e iniciei outro cacife, quando no máxi-mo 15 mãos depois rece-bo AA novamente. Desta vez dou raise 4x de UTG e agora o mesmo jogador da última jogada me paga, em late position. O flopvem J73, sendo o 7 e o 3 de ouros. Largo disparando quase o valor de pote e, de repente, a mesma situação na minha frente: imediatamente sou posto em all
in. Pensei, mas não por muito
tempo e paguei, até porque o meu adversário era realmente agressivo. Naquele jogo
short-handed ele faria o mesmo com AJ
ou alguma coisa do gênero, e assim no turn veio uma carta preta e no river uma carta de ouros. Meu adversário abre 85 de ouros, flush no river!!! Essa doeu mais ainda e dali eu ainda continuei a session, mas aqui eu queria parar e analisar:
Vale mesmo a pena continuar jogando depois disso? Se eu tinha alguma eqüidade positiva nesse jogo, será que meu estado emo-cional nesse momento ainda man-tém essa eqüidade como positiva? Cada um reage de uma forma nas situações, mas eu sou um cara emo-tivo e aprendi que depois disso pre-ciso parar um pouco. Enfim, as duas situações acima são de eqüi-dade positiva nas minhas decisões, mas a terceira decisão, de conti-nuar jogando, para mim é a mais equivocada. Temos que nos defender ainda mais se sabemos que é um jogo de nível técnico alto, e jogar com a cabeça quente é a pior defesa que existe.
I
sso que descrevi acima acon-tece mesmo, em alguns tem-pos com certeza você se verá fazendo constantemente as jogadas com melhor eqüidade, entrando com 80% pré-flop ou com 74% no flop, e mesmo assim as suas cartas e o seu jogo estarão fluindo bem abaixo da média e seu resultado financeiro nesse período estará sendo negativo. Também terá outros dias nos quais você nem sempre tomará a melhor decisão, e mesmo assim seu resultado e suas cartas estarão acima da média. Mas, no longo prazo, tudo se equilibra e os seus resultados serão reflexo das suas decisões!Ignore os resultados de curto prazo e tenha sempre o foco em suas atitudes enquanto joga. É assim que os grandes jogadores pensam! E mais, as suas decisões são importantes não só enquanto joga, mas sim antes de começar a jogar: saber qual o valor ideal para o seu bankroll, saber encontrar uma
mesa onde você está acima dos seus adversários, tecnicamente... Isso tudo é fundamental para se obter sucesso!
S
e você é uma pessoa com-petitiva, como eu, saiba muito bem separar a “glória” do “dinheiro”, pois isso é fundamental para se ganhar no poker. Lembrando que ganhar no poker significa ganhar di-nheiro. Muitas vezes podemos nos ver perdidos entre o dinheiro e a glória, o que é muito comum quando se compete. Vejam o cenário de cash game online muito caro – ali só existem dois ganha-dores certos no longo prazo: o site e o melhor jogador, certo? Portanto se você ainda não é um dos melhores no nível que esco-lheu jogar, sua decisão está erra-da! E isso serve em qualquer faixa de valor, pois a disciplina do cash game tem de ser sempre muito rígida.Aprendi muito sobre disciplina em sit-and-gos e multi-tables. Hoje estou amadurecendo e entendo a realidade do cash game online, que se tornou um desafio para mim em 2007. Ou seja, meu objetivo é sen-tir-me estável no cash game no-limit
online. Fora isso, os torneios pelo
mundo são sempre meu grande alvo e provavelmente a razão de poder estar aqui hoje escrevendo para vocês! Conto com a torcida de todos e torço muito para o sucesso do Brasil nessa modalidade que se chama Texas Hold'em !
Christian “CK” Kruel
É nascido no Rio de Janeiro e um dos pioneiros do Texas Hold'em no Brasil, como criador do site Clube do Poker. É o brasileiro com maior experiência internacional, tendo alcançado diversas mesas finais em etapas do WPT.
Big Chick, Little Slick
AQ